Afogamento em idade pediátrica: verão após verão a tragédia repete-se

Setembro 18, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Educare de 16 de agosto de 2019.

Estamos no verão! A pior época do ano no que respeita aos afogamentos.

Afogamento, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), define-se por um processo que condiciona insuficiência respiratória em resultado da imersão (pelo menos da face e da abertura da via aérea) ou submersão (todo o corpo) em água/outro líquido, independentemente da sobrevida ou não. Desde o nascimento que o contacto com água torna-se rotineiro e, para a maioria das crianças a água é uma diversão atrativa. Contudo, esta interação acarreta risco e a vulnerabilidade das crianças varia de acordo com a idade, género e estádio de desenvolvimento.

O afogamento é um acontecimento trágico, muito rápido (segundos são suficientes), silencioso (a criança não faz barulho e não pede ajuda) e que pode ocorrer em pequenas quantidades de água (menos de um palmo de água).

Apesar das campanhas anuais de prevenção da morbi-mortalidade por afogamento, as situações fatais ou com consequências devastadoras permanecem.

Em Portugal, o afogamento é a segunda causa de morte acidental nas crianças (depois dos acidentes de viação) e a grande maioria poderia ser prevenida. De acordo com o último relatório da Associação para a Promoção e Segurança Infantil (APSI), nos últimos 16 anos ocorreram 247 afogamentos com desfecho fatal e 586 internamentos na sequência de afogamento e, desde há 7 anos que estes números têm vindo a diminuir. Nas crianças hospitalizadas, o prognóstico é geralmente reservado, e as que sobrevivem podem apresentar sequelas neurológicas permanentes. No entanto, estes números não devem subestimar este problema de saúde pública. A maioria das crianças e jovens com necessidade de internamento ocorre dos 0 aos 4 anos e a maioria das mortes por afogamento dos 15 aos 19 anos. O género masculino associa-se à maioria dos afogamentos (66%). Quanto aos locais, as piscinas são os planos de água com maior registo de afogamentos, sobretudo na primeira década de vida, seguido das praias e dos rios/ribeiras/lagoas com crianças e jovens mais velhos. Em todos os meses do ano há registo de afogamento, no entanto Junho, Julho e Agosto são os meses onde se verificam mais casos.

É importante conhecer os riscos:
– Vulnerabilidade da idade;
– Género (sobretudo masculino);
– Acessibilidade a planos de água (piscina, praia, rios/ribeiras/lagoas e poços) e ausência de barreiras físicas que impossibilitem o acesso livre à água ou dispositivos de flutuação adequados (braçadeiras e/ou coletes salva-vidas essenciais em ambientes aquáticos). De alertar que as boias e os colchões são falsamente seguros, uma vez que facilmente são deslocados quer pelo vento quer pela ondulação.
– Ausência ou inadequada vigilância (mesmo na banheira): devendo evitar-se qualquer elemento distrativo como exemplo o uso do telemóvel;
– Consumo de álcool e drogas e exposição simultânea a banhos;
– Incumprimento das regras de segurança do local;
– Patologias de base como por exemplo epilepsia.

É fundamental criar ambientes seguros, minimizando os acidentes:

1.  Vigilância ativa: o cuidador deve vigiar as crianças na água ou na sua proximidade, sem distrações (como por exemplo o telemóvel) e de forma atenta e permanente para que possa intervir de imediato sempre que necessário. Com ressalva de que o cuidador deverá saber nadar de forma a evitar colocar a sua vida e das crianças em risco.
2.  Nas férias, vigilância redobrada, com reconhecimento do local e dos planos de água.
3.  Quando em ambiente de festa, com muita gente, estabelecer um sistema rotativo de vigilância, havendo sempre um adulto responsável pelo ambiente aquático.
4.  Esvaziar baldes, alguidares e banheiras, logo após a sua utilização. Não deixar a criança sozinha no banho, sem supervisão e esconder a tampa da banheira para evitar que a criança a encha sozinha.
5.  Colocar barreiras físicas que impossibilitem o acesso à água (piscinas, poços, fossas e tanques). O uso de barreiras não deve substituir a supervisão do cuidador. Outros sistemas de proteção para a piscina existentes no mercado não mostraram benefício. Não deixar brinquedos atrativos perto e/ou na piscina.
6.  Optar por praias e piscinas vigiadas, localizar o nadador salvador e cumprir as regras de segurança e sinalização do local.
7.  Equipamento de flutuação (braçadeiras/coletes salva-vidas ajustados ao corpo) devem ser sempre colocados nas crianças junto aos ambientes aquáticos. No entanto, esta medida não substitui as supramencionadas.
8.  Formação em suporte básico de vida, sobretudo para quem tem piscina no domicílio.
9.  Iniciar aulas de natação e promover comportamentos seguros o mais precocemente possível.
10.  Fortalecer a consciencialização pública e advertir para a vulnerabilidade das crianças.
11.  Alertar para os riscos de mergulhar em zonas com profundidade da água desconhecida ou onde existam rochas submersas ou desníveis.
12.  Incentivar as crianças a permanecerem perto das margens e a nunca entrarem na água sem vigilância.

Prevenir o afogamento está nas nossas mãos!

Ana Ribeiro, com a colaboração de Clara Machado, Pediatra do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga.

Este verão, na praia, no rio ou na piscina, ignore o telemóvel. Não ignore a criança

Junho 24, 2019 às 12:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Spots de rádio no SoundClound:

– Spot 1:

https://soundcloud.com/tito-de-morais/sets/campanha-de-prevencao-do-afogamento-infantil-spot-1

– Spot 2:
https://soundcloud.com/tito-de-morais/campanha-de-prevencao-do-afogamento-infantil-spot2

Já está disponível para download o InfoCEDI n.º 71 Segurança Infantil em Meio Aquático

Agosto 24, 2017 às 12:00 pm | Publicado em CEDI | Deixe um comentário
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Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 71. Esta é uma compilação abrangente e atualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre Segurança Infantil em Meio Aquático.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line. Pode aceder a esta publicação AQUI.

Brincar e nadar em segurança! Procedimentos que salvam vidas!

Agosto 7, 2017 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Brochura e flyers no link:

http://www.dge.mec.pt/noticias/educacao-para-cidadania/brincar-e-nadar-em-seguranca-e-folhetos-seguranca-das-criancas

Basta haver água para uma criança se afogar

Abril 21, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 7 de abril de 2016.

Global Imagens

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Não é preciso mar ou piscina. Um balde ou um alguidar representam um risco para as crianças.

Um menino de dois anos morreu na terça-feira, no Porto, depois de cair na piscina de casa dos avós. A criança estaria a dormir e ninguém se terá apercebido de que acordara e de que fora para a rua. O perigo estava à espreita: uma piscina. Mas para uma tragédia acontecer basta que haja água, alerta Sandra Nascimento, presidente da direção da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI).

“Recordo-me de um caso de uma criança que morreu na água da demolha do bacalhau”, diz a responsável, para salientar que o perigo está em todo o lado e não apenas na praia ou nas piscinas. Basta um balde ou um alguidar com água. Tudo depende da idade da criança.

As estatísticas comprovam-no: o afogamento é a segunda causa de morte de crianças em Portugal, atrás dos acidentes rodoviários e à frente das quedas. Entre 2002 e 2013, segundo a APSI, morreram 207 crianças e jovens em ambiente aquático e 482 foram internadas na sequência de um afogamento.

Em comparação com as quedas, os afogamentos “não são tão frequentes, mas são mais mortais”, diz Sandra Nascimento. “O afogamento é muito rápido. Acontece em pouca água, em silêncio. Há menos possibilidades de as pessoas reagirem. Quando acontece, muitas vezes é fatal”, repara a responsável da APSI.

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O peso da cabeça da criança é algo em que não se costuma pensar, mas que é essencial num afogamento. A criança pode até já ter alguma mobilidade, mas na água tem muita dificuldade em levantar-se e perde a consciência muito rapidamente. “Ela tem de ser literalmente resgatada”, alerta Sandra Nascimento.

Até a criança ter alguma mobilidade é muito comum o afogamento ser em ambiente de casa. “Uma criança pequena pode afogar-se em menos de um palmo de água”, alerta Sandra Nascimento. Por isso, todo o cuidado é pouco e há que garantir que não se deixam recipientes com água acessíveis à criança. E nunca se deve deixar uma criança pequena sozinha na banheira, por pouco tempo que seja.

“À medida que a criança ganha mais mobilidade começa a ter acesso a outros locais”, salienta Sandra Nascimento. Daí a importância de colocar barreiras físicas (vedações) que impeçam que esta chegue a piscinas, tanques ou a poços, por exemplo. “Entendemos que a proteção mais eficaz são as barreiras verticais. As coberturas das piscinas são complementares à vedação”, afirma a responsável da APSI, lembrando que os poços devem ter tampa e as piscinas insufláveis devem ser despejadas e viradas ao contrário, para impedir a acumulação de águas da chuva.

Ao contrário do que aconteceu entre 2005 e 2010, com uma média de 19,8 mortes por ano, o número de óbitos por afogamento diminuiu no triénio 2011-2013, com uma média anual de 9. E se em 2002, ano em que estes dados começaram a ser monitorizados, se registaram 28 mortes, em 2013, último ano para os quais a APSI tem dados, registaram-se apenas 5.

Segundo os dados da APSI, compilados a partir de informação recolhida na comunicação social, dos 125 casos de afogamentos de crianças e jovens até aos 18 anos noticiados entre 2005 e 2012, a maioria (43) deu-se com crianças entre os zero e os quatro anos. No que se refere ao ambiente em que ocorreu o afogamento, 56 deram-se em planos de água construídos, como tanques, poços e piscinas; e 62 em planos de água naturais, como praias, rios e lagoas. Existem ainda 7 casos de afogamentos que ocorreram em outros locais, como fonte, mina, vala, caixa de esgoto, tina de água, balde e bidão de água.

Ao contrário do que se poderia pensar, a praia não é o perigo n.º1. Quando se desagregam os diferentes locais incluídos em cada ambiente aquático, os rios/ribeiras/lagoas são os planos de água com maior registo de afogamentos (34) seguidos dos tanques e poços (28) e das piscinas (28). A praia é o plano de água com menos registos de afogamentos (28).

Sandra Nascimento não tem dúvidas de que as campanhas da APSI tem contribuído para alertar a população e para a diminuição do número de casos, mas defende que é preciso mais. Mudar a legislação seria o ideal, mas não o conseguindo, fica satisfeita por ver as pessoas mais conscientes dos perigos e do que podem fazer para prevenir afogamentos

 

 


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