72% dos alunos retidos no 5.º ano tiveram negativa a pelo menos cinco disciplinas

Julho 5, 2017 às 11:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.educare.pt/ de 8 de junho de 2017.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Resultados Escolares por Disciplina – 2.º Ciclo

Quais as disciplinas em que os alunos revelam maiores dificuldades? E aquelas em que obtêm nota “cinco”? Qual a probabilidade de um aluno recuperar uma nota negativa no ano letivo seguinte? Como se comparam as notas de rapazes e raparigas? Que notas conseguem os alunos mais carenciados? Estas e outras questões encontram resposta no estudo “Resultados Escolares por Disciplina – 2.º ciclo”, divulgado em maio pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência.

Ciências Naturais, Educação Física, Educação Musical, Educação Tecnológica, Educação Visual, História e Geografia de Portugal, Inglês, Matemática e Português são as disciplinas que compõem o currículo do 5.º e do 6.º anos. Para perceber “as circunstâncias em que ocorrem o sucesso e o insucesso escolar no 2.º ciclo” nestas nove disciplinas, o Ministério da Educação mostra as classificações obtidas por todos os alunos matriculados em escolas públicas de Portugal continental, no ano letivo de 2014/2015.

Além de analisar as pautas finais, em cada ano de ensino, o estudo faz um seguimento dos melhores alunos, os que obtêm “cinco”, entre dois anos letivos consecutivos. Desta forma, percebe-se quantos alunos do 5.º ano conseguem manter a nota no 6.º ano.

Por outro lado, o Ministério da Educação faz as contas às taxas de recuperação de negativas trazidas do 5.º para o 6.º ano e do 6.º para o 7.º ano, entre os alunos que transitaram de ano. Com base nestes dados, a tutela argumenta que a elevada taxa de classificações negativas em Matemática, associada a uma fraca capacidade de recuperação à disciplina, é prova da “ineficácia da retenção”.

“Nucleares” causam mais dificuldades

Os resultados não surpreendem. As três disciplinas que já foram consideradas “nucleares” são as que mais dificuldades causam. Começemos pelo 5.º ano, em que 26% dos alunos têm negativa a Matemática, 14% Inglês e 13% Português. As percentagens de chumbos nas três disciplinas pouco diferem no 6.º ano: 30%, 15% e 9%, respetivamente.

Nas restantes disciplinas há menos insucesso. No 5.º ano e no 6.º ano, a percentagem de negativas em História e Geografia de Portugal é de 12% e de 9% e em Ciências Naturais é de 8% e 9%. No 5.º ano, 4% dos alunos tiram negativa em Educação Visual, Educação Musical e Educação Tecnológica, no 6.º a percentagem varia entre os 3% e os 2%, e apenas 2% dos alunos chumbam em Educação Física nos dois anos de ensino.

Olhando para o total de classificações, os resultados mostram que 63% dos alunos do 5.º e do 6. ano passaram de ano, designadamente para o 6.º e 7.º ano, sem negativas. Já 16% transitaram com uma negativa. Poderão ter passado de ano ou não, dependendo das decisões do conselho de turma, 11,5% de alunos com duas negativas e 9,5% com três ou mais negativas. Dito de outro modo, mais de um terço dos alunos que frequentaram o 2.º ciclo no ano letivo de 2014/2015 chumbaram em pelo menos uma disciplina.

“Curiosamente”, diz o Ministério da Educação, apesar de as negativas a Matemática e Inglês serem mais frequentes, “onde uma maior proporção de alunos revela dificuldades sérias”, ambas as disciplinas têm também a sua quota parte de excelentes alunos, com classificação “cinco”.

Quais as diciplinas de nota “cinco”?
As notas variam numa escala de 1 a 5 valores, no 2.º ciclo, o que permitiu ao Ministério da Educação analisar não apenas os casos em que o aproveitamento escolar é insuficiente, mas também em que é excelente.

Quais as disciplinas em que os alunos tiram mais notas “cinco”? Tanto no 5.º, como no 6.º ano a resposta é a mesma: Educação Musical foi a disciplina em que uma maior percentagem de alunos, 24%, alcançou a classificação máxima. Os dados mostram também que bastantes alunos obtêm “cinco” Educação Física, Educação Visual e Educação Tecnológica.

Olhando, agora, para os resultados excelentes nas disciplinas em que se registam mais negativas, vê-se que tanto no 5.º como no 6.º anos é mais frequente encontrar alunos com nota “cinco” em que Inglês e a Matemática do que a Português. Apenas 9% e 7% dos alunos conseguem nota máxima no 5.º e no 6.º anos em língua materna. Em Inglês, a proporção de alunos com nota “cinco” é bastante mais elevada: 17% no 5.º ano e 15% no 6.º ano.

A análise da distribuição das classificações dos alunos, por disciplina, na escala de 1 a 5 valores possibilitou outras descobertas. Como a de que os professores praticamente não dão a nota mais baixa.

Se o “um” é a classificação mais rara, o “três” é a nota mais comum na generalidade das disciplinas. Exceto em Educação Musical e Educação Física, em que o “quatro” é mais frequente e em que 65% dos alunos ou têm “quatro” ou tem “cinco”, no final do ano. Em Matemática, por exemplo, a percentagem análoga é aproximadamente de 35%.

Da “nega” à positiva
Existe uma proporção significativa de alunos que passam de ano, com negativa a uma ou a duas disciplinas. A falta de aproveitamento, como foi referido, é mais frequente a Matemática, e em menor percentagem, também em Inglês e em Português.

“Chegados ao ano seguinte, é natural que estes alunos sintam algumas dificuldades em acompanhar devidamente a matéria das disciplinas que já traziam sem aproveitamento do ano anterior”, explicam os autores do relatório “Resultados Escolares por Disciplina”.

Esta dificuldade em entender a “nova” matéria, quando a “antiga” não foi corretamente aprendida, acaba por gerar aproveitamento negativo no novo ano de escolaridade. Qual a probabilidade de um aluno recuperar uma nota negativa no ano letivo seguinte? Foi a pergunta a que o Ministério da Educação quis dar uma resposta, analisando as recuperações de negativas no ano seguinte.

Qual das situações é mais frequente: o aluno conseguir a positiva ou voltar a ter negativa? A resposta varia, consoante a disciplina em causa. Em Educação Tecnológica ou Educação Visual, é muito frequente os alunos obterem positiva no 6.º ano, quando tiveram negativa no 5.º ano. Os dados mostram que 85% dos alunos que trouxeram do 5.º ano uma “nega” a Educação Tecnológica tiveram positiva no ano seguinte. Em Educação Visual, a percentagem de recuperações é também elevada, situa-se em 81%.

A recuperação é mais difícil quando o insucesso ocorre às disciplinas de Matemática e de Inglês. Só 21% dos alunos que transitaram do 5.º ano para o 6.º ano com negativa a Matemática alcançaram a positiva nesse mesmo ano. Em Inglês a taxa de recuperação foi de 34%. O que diz o Ministério da Educação sobre estes dados?

“Estes resultados sugerem que obter uma classificação final negativa a Matemática é um problema mais sério do que obter uma classificação negativa noutra disciplina, pois a probabilidade de posterior recuperação dessa negativa é muito menor.”

O estudo mostra ainda as taxas de recuperação de negativas dos alunos que transitaram do 6.º ano para o 7.º ano no final de 2013/2014, analisando os resultados que esses mesmos alunos obtiveram no final de 2014/2015. Como o 7.º ano já pertence ao 3.º ciclo, e nem todas as disciplinas do 6.º ano existem no ano seguinte, as comparações do Ministério da Educação cingiram-se às disciplinas de Português, Matemática, Inglês, Ciências Naturais, Educação Visual e Educação Física.

De novo, “a dificuldade de recuperação de negativas difere muito de disciplina para disciplina”, lê-se no relatório. Alguns exemplos: entre os alunos que passaram do 6.º ano para o 7.º ano com nota negativa em Matemática, apenas 22% recuperaram no final do 7.º ano. Em Inglês, a mesma percentagem de recuperação de negativas foi de 40%. E em Português, 45% dos alunos conseguiram recuperar e acabar o 7.º ano com positiva. No extremo oposto, em Educação Visual e Educação Física, 78% e 76% dos alunos conseguiram recuperar a negativa trazida do 6.º ano.

Recuperação entre os “repetentes”
A informação recolhida pela tutela mostra que entre os alunos que chumbaram em 2014/2015, e que representam 10% do total de alunos do 2.º ciclo, a recuperação é ainda mais difícil. O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, tem argumentado que a retenção é um dos principais focos de preocupação do sistema educativo português.

Dos alunos do 5.º ano que não transitaram para o 6.º ano no final de 2014/2015, cerca de 43% tiveram nota final negativa a seis ou mais disciplinas. Somando estes aos alunos que chumbaram com cinco negativas, percebe-se, segundo o Ministério, que “uma esmagadora maioria” de 72% dos alunos retidos no 5.º ano tiveram negativa em pelo menos cinco disciplinas. Para os responsáveis pela Educação, isto significa que “entre quem chumba no 5.º ano, as dificuldades escolares são generalizadas”.

Apenas 7% dos alunos retidos neste nível de escolaridade, em 2014/2015, tinha negativa a três disciplinas e, por isso, estava no limiar de mínimo de negativas a partir do qual os conselhos de turma, por norma, decidem chumbar o aluno. “O que mostra que existem relativamente poucas retenções à tangente”, esclarece o relatório.

No caso dos alunos retidos no 6.º ano de escolaridade, o cenário é muito semelhante. Ainda assim, são mais frequentes as retenções “marginais”, ou seja, com duas e três negativas. De notar, em matéria de chumbos, que o aluno fica reprovado com negativa a duas disciplinas se estas forem em simultâneo Português e Matemática.

As reprovações no 6.º ano com negativa em cinco ou mais disciplinas representam 47% do total de retenções, uma percentagem relativamente inferior aos 72% observados no 5.º ano. As disciplinas com aproveitamento insuficiente entre os alunos que chumbaram no 5.º e no 6.º ano são sobretudo a Matemática, o Inglês, o Português e a História e Geografia de Portugal.

Rapazes e raparigas

Os desempenhos escolares das raparigas são bastante superiores aos dos rapazes, em praticamente todas as disciplinas consideradas no estudo, exceto a Educação Física. Seja em Matemática, ou Inglês, Ciências Naturais ou Educação Musical, seja no 5.º ou no 6.º ano, há sempre mais notas negativas entre os rapazes. Mas o fosso é “particularmente largo” na disciplina de Português, diz o relatório. No 5.º ano, tiram negativa nesta disciplina 17% dos rapazes, contra 8% das raparigas; no 6.º ano, 13% dos rapazes e 6% das raparigas.

As raparigas voltam a ganhar na percentagem final de “quatros” e “cincos”, tanto no 5.º como no 6.º ano, exceto na disciplina de Educação Física, na qual mais rapazes do que raparigas obtêm as pontuações máximas.

O estudo faz ainda uma análise das classificações por disciplina tendo como critério o facto de o aluno ser ou não beneficiário dos apoios da Ação Social Escolar (ASE). A comparação realizada foi semelhante à efetuada entre rapazes e raparigas. O apoio ASE, recorde-se, está dividido em dois escalões: o A corresponde a dificuldades económicas severas e o B a carências mais ligeiras.

Considerando as duas disciplinas geradoras de maior percentagem de notas negativas no 2.º ciclo, os dados mostram, por exemplo, que 44% dos alunos do 5.º ano com nota final negativa a Matemática estão no escalão A, 28% no escalão B e apenas 16% não são beneficiários de apoios. Relativamente às negativas em Inglês, a distribuição é semelhante: 25% dos alunos estão no escalão A, 14% no B e 7% não têm escalão.

Mas há mais exemplos: no 6.º ano, 48% dos alunos com negativa a Matemática estão no escalão A, 32% no B e 20% não são beneficiários. Em Inglês, 26% dos alunos com negativa no final do ano estão colocados no escalão A, 17% no B e 9% não têm ASE. Nas restantes disciplinas, tanto no 5.º como no 6.º ano, a distribuição segue o mesmo sentido: mais negativas entre os alunos beneficiários e muito menos entre os não beneficiários.

Na leitura feita sobre os dados recolhidos, o Ministério da Educação realça que “não deixa de impressionar a regularidade e a intensidade da correlação entre as classificações dos alunos nas disciplinas e o seu contexto económico”. Efeitos “muito marcados” sobretudo em Matemática, Inglês, História e Geografia de Portugal, Português e Ciências Naturais, e “um pouco mais suaves” em Educação Musical, Educação Visual, Educação Tecnológia e Educação Física.

“Parece ser inegável que, em Portugal, o sistema educativo terá de continuar a trabalhar para que a escola pública cumpra o seu papel nivelador de oportunidades entre alunos oriundos de diferentes estratos socioeconómicos”, lê-se no estudo.

 

Inflação de notas continua a ser maior no ensino privado

Fevereiro 22, 2017 às 2:41 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 21 de fevereiro de 2017.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Comparação das Classificações Internas no Ensino Secundário

Diferenças entre as notas internas dos alunos do ensino secundário também se fazem sentir por curso e região, segundo revela novo estudo da DGEEC.

Clara Viana

Em 2016, as notas atribuídas pelas instituições de ensino privadas aos seus alunos do secundário foram mais altas cerca de 0,67 valores do que as registadas no público. Em 2014, esta diferença estava nos 0,92 valores. O desalinhamento entre os dois subsistemas de ensino “acentuou-se entre 2011 e 2014, tendo-se posteriormente observado uma ligeira correcção nos anos de 2015 e 2016”, nota a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) num novo estudo sobre as classificações internas (aquelas que são atribuídas pelos professores das escolas), com a data deste mês.

O estudo, divulgado no site da DGEEC, vem confirmar que, entre 2011 e 2016, os alunos do ensino público têm tido, em média, “classificações internas mais baixas do que os seus colegas do privado que, posteriormente, obtêm resultados iguais nos exames nacionais”.

A DGEEC justifica a importância desta análise pelo facto de o desalinhamento das notas entre escolas ser preocupante devido, em primeiro lugar “à questão da equidade entre alunos no concurso nacional de acesso ao ensino superior”. Bastam umas décimas a mais na média para um candidato ultrapassar centenas de outros, nomeadamente nos cursos mais disputados, como Medicina.

A DGEEC afirma que pretende contribuir com este estudo para “um debate informado sobre esta matéria”.

O regime de acesso ao ensino superior está a ser reavaliado, existindo já propostas no sentido de penalizar os candidatos que venham de escolas que inflacionem sistematicamente as notas. Também existem aquelas que dão notas internas sistematicamente mais baixas. São as que desalinham para baixo.

Para calcular o chamado indicador de alinhamento das notas a DGEEC compara as classificações internas atribuídas pelas escolas aos seus alunos com as classificações atribuídas pelas outras escolas do país a alunos que tiveram resultados semelhantes nos exames nacionais. E o que é que este exercício pode revelar?

Por exemplo, esclarece a DGEEC, “se as classificações internas atribuídas pela escola A são sistematicamente superiores às atribuídas pela escola B a alunos que obtêm os mesmos resultados nos exames, então é possível que a escola A esteja a utilizar critérios de avaliação do desempenho dos seus alunos diferentes dos utilizados pela escola B”.

Nem todas as privadas inflacionam

De regresso às diferenças entre público e privado, o que também se conclui neste estudo é que nem todas as privadas inflacionam notas. “Existe uma grande heterogeneidade dentro do subsistema privado e também, em menor grau, dentro do subsistema público”, frisa a DGEEC.

Esta heterogeneidade é comprovada pelo seguinte exercício: comparando alunos com resultados semelhantes nos exames nacionais, as classificações internas atribuídas pelos 15 estabelecimentos privados que mais inflacionaram as notas foram cerca de 1,91 valores mais elevadas, em 2014, do que as notas internas atribuídas pelos restantes colégios. Aquele valor desceu para 1,52 valores em 2016.

Já no ensino público, constatou-se que as notas internas dadas nas 15 escolas com notas mais inflacionadas foram, em 2016, cerca de 0,45 valores mais elevadas do que as classificações atribuídas pelos restantes estabelecimentos públicos.

Alunos de Línguas penalizados

Mas não é só entre o ensino público e privado que existem desalinhamentos de notas. Estes encontram-se também entre cursos e regiões.

Nos cursos científico-humanísticos do ensino secundário, que são os vocacionados para prosseguir estudos no superior, existem quatro opções: Artes Visuais, Línguas e Humanidades, Ciências Sócio-económicas e Ciências e Tecnologias. Esta última é a que tem actualmente mais estudantes.

Comparando alunos que tiveram resultados semelhantes nos exames, constatou-se que nas suas notas internas existe “um desalinhamento persistente entre os diversos cursos”. “Aos alunos de Línguas e Humanidades são, em média, atribuídas classificações internas mais baixas do que aos seus colegas de Ciências e Tecnologias”, conclui a DGEEC. Em 2016, este desalinhamento para cima foi de cerca de 0,67 valores a favor dos alunos de Ciências e Tecnologias.

 

 

 

Uma escola de maioria africana ficou entre as dez melhores a Português

Dezembro 31, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 17 de dezembro de 2016.

A primeira escola pública no ranking do secundário surge na posição 35. É a secundária da Infanta D. Maria, em Coimbra, que volta, assim, à liderança das estatais. O Colégio de Nossa Senhora do Rosário, no Porto, é o primeiro da lista

Clara Viana e Bárbara Wong

A Escola Dr. Azevedo Neves, na Damaia, arredores de Lisboa, é descrita pelos seus alunos como “a mais africana da Europa”, já que a maioria é descendente de imigrantes oriundos de África. Os resultados dos seus estudantes no exame de Português do 12.º ano em 2015/2016 colocam-na entre as dez melhores a nível nacional nesta disciplina. Neste “top 10” só há outra escola pública.

Esta é uma das revelações do ranking de 2016, uma ordenação que no PÚBLICO é feita com base na média das classificações dos alunos nos oito exames com mais inscritos. Só é atribuído um lugar às escolas onde se realizaram 50 ou mais provas, que são a maioria

Nesta listagem geral, a Azevedo Neves ficou na posição 239.º em 590 estabelecimentos de ensino secundário ordenados pelo PÚBLICO, num ranking que volta a ser dominado pelos colégios e que este ano, pela primeira vez, também contabiliza os resultados de parte dos alunos que foram a exame como autopropostos (aqueles que frequentaram a escola quase todo o ano lectivo). Já no ranking que ordena as escolas apenas pelas notas a Português (e que inclui todas as escolas onde se fizeram pelo menos 15 exames nesta “cadeira”), a Azevedo Neves brilha bem mais.

A primeira escola pública no ranking geral dos oito exames do secundário surge na posição 35, sete lugares abaixo do registado em 2015. A secundária da Infanta D. Maria, em Coimbra, volta este ano à liderança das estatais, uma posição que no ano passado tinha sido ocupada pela secundária Clara Resende, no Porto. No 3.º ciclo básico, na liderança deste grupo está uma escola de Beja, a D. Manuel I, que geralmente está afastada dos lugares cimeiros dos rankings e que ficou agora em 32.º.

Tal como acontece no secundário, também no básico o topo da lista é dominado pelo privado e o fundo pelo público. Os colégios do Norte dominam os primeiros dez lugares da lista. A excepção é o Colégio dos Plátanos, em Sintra (5.ª posição), e o de Nossa Senhora de Fátima, em Leiria (6.ª). Este último é um colégio com contrato de associação, ou seja, que deve funcionar como uma escola pública, recebendo todos os alunos, sem selecção. De resto, há 73 colégios com contrato de associação que integram o ranking das escolas básicas feito pelo PÚBLICO: 66 têm uma média a Português e Matemática acima dos 2,5 (numa escala de 1 a 5), 12 estão entre os 100 primeiros.

A estratégia do chumbo

O Colégio de Nossa Senhora do Rosário, no Porto, volta a estar em primeiro lugar na ordenação das escolas do secundário. No básico fica o Colégio Novo da Maia. O Rosário distingue-se também num novo indicador disponibilizado pelo Ministério da Educação (ME), o dos percursos directos do sucesso, que avalia a percentagem por escola de alunos que não reprovam nem no 10.º nem no 11.º e têm positiva nos exames do 12.º ano realizados em 2015/2016. Com base nestes resultados, que em 2015 já existiam para o 3.º ciclo, o PÚBLICO volta a apresentar um “ranking alternativo”.

O colégio do Porto está em segundo lugar nesta forma de ordenar as escolas. A percentagem de percursos directos de sucesso no secundário foi ali de quase 90%, quando era expectável, tendo em conta o desempenho de alunos semelhantes no resto do país, que estivesse cerca de 20 pontos abaixo.

Do cruzamento entre o novo indicador de percursos de sucesso e as médias obtidas nos exames do secundário sobressaem alertas que devem ser tidos em conta pelo ME, defende a investigadora Conceição Portela, da Católica Porto Business School, num artigo que assina neste suplemento. A investigadora verificou na sua análise que “as estratégias das escolas secundárias passam bastante pela retenção dos alunos”. “Os alunos que fazem exame são apenas os mais aptos”, escreve.

Também a retenção é muito visível no básico, onde em apenas 21% das escolas metade ou mais de metade dos estudantes consegue atravessar o 3.º ciclo sem retenções e com sucesso nos exames de Português e de Matemática no 9.º ano.

Alunos motivados

Em declarações por escrito, a directora do Colégio do Rosário, Teresa Nogueira, indica que a posição obtida no ranking “alternativo” se deve, sobretudo, “a um trabalho de continuidade”. “A grande maioria, cerca de 90% dos nossos alunos, permanece no colégio num percurso de vários ciclos. Temos o mesmo número de turmas do 5.º ao 12.º ano, pelo que, no secundário, abrimos apenas algumas vagas. A continuidade permite-nos desenvolver ritmos de aprendizagem e de trabalho consistentes”, especifica.

Quanto à continuidade do colégio nos lugares de topo dos rankings, Teresa Nogueira volta a destacar que tal se deve “à conjugação de vários factores, entre os quais um corpo docente estável, com hábitos de reflexão, de investigação e trabalho em equipa; alunos motivados com opções e fasquias de excelência e uma carga lectiva reforçada a várias disciplinas”.

Tanto no ensino básico como no secundário, a Escola da Infanta D. Maria, em Coimbra, consegue percentagens de percursos directos de sucesso que superam o que era esperado dela. Um resultado que vem confirmar, segundo Helena Simões, a directora, uma das apostas deste estabelecimento de ensino: “O número de retenções é residual nesta escola e a incidência das mesmas está perfeitamente identificada, sendo que oferecemos apoios semanais nas diferentes disciplinas, sobretudo nas de exame e onde os resultados fiquem aquém do esperado.”

Como factores que justificam a permanência da escola no primeiro pelotão do ranking, Helena Simões destaca ainda “o contexto sociocultural dos alunos, as elevadas expectativas dos mesmos e respectivos encarregados de educação e a estabilidade do corpo docente”.

E por que estão sempre os colégios em maioria nos lugares cimeiros? “São realidades distintas e dificilmente comparáveis”, afirma, acrescentando que as escolas públicas têm uma autonomia mais reduzida, que obedece aos “princípios de uma sociedade aberta, heterogénea e inclusiva”.

Quando os estudantes mudam

Ao contrário da Infanta D. Maria, que continua a ser uma escola não agrupada, a secundária do Restelo é uma das públicas habitualmente bem colocadas no ranking do secundário que estará agora a sofrer os impactos de se ter tornado sede de um agrupamento que reúne sete outras escolas com características socioeconómicas muito diversas, aponta o seu director, Júlio Santos.

Este ano, a Escola Secundária do Restelo, que costuma figurar entre as melhores públicas, caiu do lugar 31.º para o 60.º. “Esta descida não é uma surpresa para nós. Houve uma alteração da população escolar, que se reflectiu também na evolução da taxa de retenção, que passou de 0% para 14%”, explicou.

Regresso à escola “africana da Europa”. Como conseguiu estar entre as dez melhores a Português? “Por via de um trabalho muito forte de passagem da oral para a escrita, de muita leitura, de muitas visitas de estudo, de uma acção muito próxima dos alunos e das famílias”, sintetiza o seu director, José Biscaia. “Os alunos que estavam no 12.º ano são um extracto dos estudantes que temos, em que 52% são de origem africana”, confirma este responsável, lembrando que, devido a essa “característica”, os alunos do seu agrupamento são, em geral, “recusados” pelas escolas à volta.

Em 2016, a grande maioria das secundária públicas volta a conseguir média positiva nos exames, um feito já alcançado no ano passado e que apenas se repetira em 2008 e 2009. Também no básico a maioria está em terreno positivo.

À semelhança do que tem sucedido desde 2012, o ranking do PÚBLICO, feito em colaboração com a Universidade Católica, e que poderá consultar nestas páginas, inclui, para além das médias dos exames em cada escola, outro tipo de informação, nomeadamente o valor que seria esperado que cada escola obtivesse, tendo em conta o contexto socioeconómico em que se insere. Tanto no secundário (53,5%) como no básico (62%), a maioria das escolas conseguiu ter médias de exames superiores ao que era esperado, o que representa uma evolução positiva em comparação com 2015, em que este valor rondava os 48%.

Como aconteceu no passado, o mais mal classificado entre as 590 escolas que realizaram 50 ou mais provas é o Colégio da Torre D. Chama, em Bragança. O PÚBLICO tentou em vão falar com a direcção deste colégio, que é financiado pelo Estado para garantir ensino gratuito aos seus alunos. No final da tabela do ranking do secundário figuram outros seis colégios que têm contrato de associação com o Estado.

Computadores não melhoram resultados dos alunos, diz OCDE

Outubro 13, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Texto do blog https://lerebooks.wordpress.com de 16 de setembro de 2015.

students

Investir maciçamente na aquisição de computadores para as salas de aula não contribui para melhorar significativamente os resultados dos alunos, diz um estudo da OCDE publicado esta semana.

O estudo, intitulado Students, Computers and Learning: Making the Connection, analisa o impacto da tecnologia nos resultados obtidos em testes internacionais, como o PISA, em mais de 70 países, e chega a algumas conclusões interessantes:

  • Os alunos que usam computadores com muita frequência na escola obtêm resultados piores.
  • Os alunos que usam computadores moderadamente na escola, como uma ou duas vezes por semana, têm “resultados de aprendizagem um pouco melhores” do que os alunos que usam computadores raramente.
  • Os resultados mostram que “há melhorias consideráveis ​​” em leitura, matemática ou ciências nos países que investiram maciçamente em tecnologia da informação.
  • Sistemas educativos que atingiram níveis elevados nos testes internacionais, como Coreia do Sul e Xangai na China, têm níveis mais baixos de uso de computadores na escola.
  • Singapura, com apenas um uso moderado da tecnologia na escola, é superior nas competências digitais.

Para Andreas Schleicher, diretor de educação da OCDE, “uma das evidências mais dececionantes do relatório é que o fosso sócio-económico entre os alunos não é reduzido pela tecnologia, sendo talvez até ampliado”. Contudo, Schleicher acrescenta que as conclusões do relatório não devem ser usadas como uma “desculpa ” para não usar a tecnologia, mas como um estímulo para encontrar uma abordagem mais eficaz da utilização da tecnologia na sala de aula.

De acordo com o estudo, Portugal, com um computador para cada 3,7 alunos, é o país da OCDE onde mais alunos têm acesso a computadores nas escolas, mas nem por isso os alunos se destacam nos testes quando comparados com outros países com menos oferta. Nos testes do PISA, por exemplo,  no que diz respeito à leitura digital, os portugueses tiveram piores resultados do que seria de esperar.

descarregar o estudo no link:

http://www.oecd.org/publications/students-computers-and-learning-9789264239555-en.htm

Resultados dos alunos são o elo fraco das escolas

Maio 2, 2015 às 4:34 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de abril de 2015.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Avaliação Externa das Escolas 2012-2013 – RELATÓRIO

quadro

Clara Viana

Avaliação externa realizada pela Inspecção-Geral da Educação e Ciência dá conta de boas lideranças.

Melhor na liderança e gestão, pior nos resultados dos alunos. Esta é, em síntese, a imagem que sobressai da avaliação feita, em 2012/2013, a 144 agrupamentos e escolas não agrupadas do ensino básico e secundário, cujo relatório foi agora divulgado pela Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), a entidade responsável por esta monitorização.

A acção desenvolvida em 2012/2013 inaugurou o segundo ciclo de avaliação externa das escolas. O primeiro decorreu entre 2006 e 2012. À semelhança do que então foi feito avaliaram-se três domínios: liderança e gestão; prestação do serviço educativo e resultados. Numa escala de classificação com cinco níveis (de excelente a insuficiente), e também como já sucedera em avaliações interiores, a liderança e gestão é o domínio onde se registou “maior número de classificações de muito bom (27,8%) e também a maior preponderância do nível bom (52,1%)”. O peso do nível suficiente foi menos expressivo neste domínio do que nos outros, correspondendo a um quinto das escolas avaliadas (20,1%).

Em contrapartida, a classificação de suficiente teve “o seu peso mais significativo no domínio respeitante aos resultados (31,2%)”, que foi também o que somou menos menções de bom (43,1%) e o único em que foi atribuída ainda a nota de insuficiente (0,7%).

Já a classificação de muito bom “apresentou um peso muito similar nos três domínios avaliados”: 27,8% na liderança e gestão; 26,4% na prestação do serviço educativo e 25% nos resultados. A classificação de excelente não foi atribuída a nenhum destes 144 agrupamentos e escolas não agrupadas situadas em território português, mas a escola portuguesa de Macau, que também foi avaliada naquele ano, recebeu esta menção nos três domínios.

A IGEC já avaliou, entretanto, mais 260 agrupamentos, mas os relatórios globais respeitantes às acções desenvolvidas em 2013/2014 e 2014/2015 ainda não estão disponíveis.

Para além de classificar as escolas, a avaliação externa identifica o que considera serem os pontos fortes de cada estabelecimento e quais as áreas em que as escolas devem trabalhar para serem melhores. No domínio relativo ao governo das escolas, foi o item liderança, com 33%, que registou “o valor mais elevado de atributos positivos”. A gestão recolheu 6% e a auto-avaliação e melhoria, outros dos itens avaliados neste domínio, ficou-se pelos 3%, o registo mais fraco de todos.

O segundo item com maior peso de pontos fortes foi o que diz respeito às práticas de ensino (20%), um dos parâmetros avaliados no domínio relativo à prestação do serviço educativo, que abrange ainda a monitorização e avaliação do ensino e aprendizagem e o planeamento, ambos com 9% de asserções positivas. Um dos pontos fortes destacado pela IGEC neste domínio diz respeito às práticas desenvolvidas pelas escolas “no âmbito da prevenção da desistência e do abandono escolar”.

Os resultados académicos obtidos pelos alunos foi o segundo item com um menor peso de asserções positivas (4%). Neste item a IGEC destaca, como ponto forte, a “tomada de decisões relativas à implementação de medidas promotoras do sucesso”, mas em simultâneo assinala “dificuldades na identificação dos factores explicativos do insucesso, bem como na implementação de acções que contribuam eficazmente para melhorar os resultados dos alunos”. É uma das áreas a necessitar de melhorias.

quadro2

A avaliação dos chamados resultados sociais valeu-lhe um segundo lugar na distribuição de pontos fortes (20%). Neste item avaliam-se aspectos relacionados, entre outros, com as formas de participação dos alunos na vida da escola, com a implementação de acções de educação para cidadania e com estratégias para desenvolver as competências sociais dos alunos. A IGEC considerou que, no geral, há uma reduzida participação dos alunos na vida das escolas e uma “insuficiente co-responsabilização dos mesmos nas tomadas de decisão e na organização de actividades”. Foi outra das áreas de melhoria identificadas neste relatório.

Na Finlândia, uma das principais apostas da reforma do sistema educativo que será implementada a partir do próximo ano diz respeito, precisamente, ao maior envolvimento dos estudantes nas tomadas de decisão, nomeadamente na selecção dos currículos locais ou seja, na oferta específica proposta pelas diferentes escolas, em conjunto com os municípios, de modo a dar respostas às diferentes características e necessidades locais.

Ambiente das escolas satisfaz

A IGEC elaborou ainda quatro questionários de satisfação, para pais, alunos, professores e pessoal não docente. Obteve 11.373 respostas. O grupo com maior participação (81,6%) foi o dos alunos do 2.º e 3.º ciclos. Os estudantes mostraram-se particularmente satisfeitos com os aspectos relacionados com o “ambiente, segurança e disciplina”, que recolheram 72,7% de apreciações positivas; mas menos de metade (49.8%) manteve o mesmo espírito quando a avaliação incidiu sobre “instalações e serviços das escolas”.

quadro3

Este é também o domínio pior classificado por pais e pessoal docente e não docente. No que respeita aos encarregados de educação os aspectos que merecem maior satisfação estão relacionados também com o ambiente a segurança e a disciplina (77,9%) e, em segundo lugar, com o ensino e a aprendizagem (76,1%). Nos alunos esta última percentagem desce para 64,2%. Já o pessoal docente e não docente está particularmente satisfeito com a direcção e funcionamento das escolas (79.8%). Entre os alunos 58,4% partilham esta satisfação.

“A escola é aberta ao exterior” foi a frase que reuniu maior consenso entre os professores (92%). Na posição inversa ficou esta: “O comportamento dos alunos é bom”. Entre os pais a afirmação mais consensual (88,4%) dá conta de que “o director de turma é disponível e faz uma boa ligação à família” e a que gerou maior discordância refere que “os serviços de refeitório e bufete são bons”

E os alunos? Quase 92% reconheceram-se na afirmação de que têm vários amigos na escola e 37,6% discordaram quando lhes foi afirmado que usavam o computador na sala de aula “com alguma frequência”

 

 

 

Como ajudar o seu filho a superar as notas negativas

Janeiro 31, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Diário de Notícias de 20 de Janeiro de 2014.

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dn(14)

Genes influenciam mais as notas do que pais ou professores revela estudo britânico

Dezembro 26, 2013 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da RTP Notícias de 12 de Dezembro de 2013.

Estudo mencionado na notícia:

Strong Genetic Influence on a UK Nationwide Test of Educational Achievement at the End of Compulsory Education at Age 16.

Notícia do King’s College London

Differences in students’ GCSE scores owe more to genetics than environment

Lusa

Os genes influenciam mais as notas dos estudantes do ensino secundário do que “os professores, as escolas ou a família”, segundo um estudo divulgado na quarta-feira pelo King`s College de Londres.

Os autores do estudo analisaram a importância da genética no êxito escolar e, para isso, utilizaram como amostra as notas de mais de 11.000 exames de alunos de 16 anos do ensino secundário.

Em disciplinas como inglês, matemática, ciência, física, biologia e química, os cientistas descobriram que os genes influenciam mais nas notas (em 58%), enquanto em matérias de humanidades, como arte e música, os genes contam 42%.

Apesar de destacar o peso dos genes no sucesso escolar, o estudo esclarece que o ambiente em que vive o aluno também é importante, pois influencia as notas em 36%, referindo também a importância das escolas.

“A pergunta a que estamos a tentar responder é: porque é que há diferenças entre os alunos nos exames do fim do secundário? Pensamos imediatamente: são as escolas. Mas se as escolas fossem o único fator, os alunos da mesma turma teriam todos as mesmas notas”, salientou Robert Plomin, autor do estudo.

Para resolver a questão, os autores do estudo analisaram as notas obtidas num exame para o Certificado Geral de Educação Secundária (GCSE, na sigla em inglês) por dois gémeos que partilhavam 100% dos seus genes e outros dois que partilhavam apenas metade dos genes. Os quatro gémeos cresciam num ambiente similar.

5 segredos da melhor educação do Ocidente

Dezembro 25, 2013 às 8:05 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do site Educar para Crescer de 4 de Dezembro de 2013.

Maurício Melo

Em entrevista exclusiva para o Educar, a Ministra da Educação e da Ciência da Finlândia revela as diretrizes de seu sistema educacional

Texto Cynthia Costa

Você acredita que a necessidade é a mãe da inovação? Na Finlândia, aquele longínquo país nórdico entre a Rússia e a Suécia, a grande inovação do século 20 foi uma educação de qualidade – tanto, que há anos a terra do Papai Noel sempre ocupa bons posicionamentos no PISA (Programme for International Student Assessment, ou Programa de Avaliação Internacional de Alunos). Na edição de 2012 dessa avaliação promovida pela OCDE, a Finlândia conquistou o 5º lugar em Ciências, o 6º em Leitura e o 12º em Matemática – mais um resultado admirável da pequenina nação, a primeira entre as ocidentais a aparecer no ranking de Leitura.

E que necessidade levou a isso? “Depois da guerra, estávamos pobres, sem recursos naturais. A maior riqueza que tínhamos era a própria nação. Por isso, investimos em uma boa educação”, explica Krista Kiuri, Ministra da Educação e da Ciência da Finlândia, falando com exclusividade ao Educar.

Desde o fim da década de 1960, quando o governo finlandês – em regime parlamentar com inclinação política à esquerda – resolveu que precisava de um sistema em que todas as crianças fossem contempladas, os investimentos nunca pararam. Mas a Ministra pondera: “Não se trata apenas de um aspecto econômico. Valorizamos a formação dos professores, o seu trabalho e o seu papel para a educação”. Quanto aos brilhantes resultados do país em pesquisas mundiais, como o PISA, Kiuri não demonstra tanta tranquilidade assim. “Nem sempre é fácil ser o primeiro lugar”, diz ela modestamente, referindo-se à responsabilidade de se manter no topo do ranking.

O Brasil e a Finlândia são, claro, países bem diferentes. Não apenas a nossa população é 40 vezes maior do que a da nação escandinava, como nós também somos fruto de uma trajetória bastante diversa. Mas que conselho a Sra. Kiuri poderia dar para a melhoria da nossa educação? “A boa educação emerge, primeiro, de um projeto político”, lembra a Ministra.

A seguir, veja pontos essenciais que garantem a educação de qualidade da Finlândia.

Finlândia em números

– 5,4 milhões de habitantes em 2012
– Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2012: 0,892 (21º mais elevado do mundo)
– 2.717 escolas
– 20 universidades e 30 escolas superiores politécnicas
– Em 2011(última estatística publicada), o investimento do governo com a educação foi de 11,9 bilhões de euros
– Escola obrigatória entre as idades de 7 e 16 anos
– Praticamente 100% são alfabetizados no país
– Único país tetracampeão no PISA: entre 2000 e 2010, ficou quatro vezes em primeiro lugar entre todos os países do mundo* (duas vezes no critério Ciências, uma vez em Matemática e uma vez em Leitura). Em todos as edições, foi o melhor país ocidental em todos os critérios.
*Lembrando-se que cerca de 70 economias (número que varia entre edições) participam do PISA, entre as quais o Brasil, que ocupou a 58ª posição entre 65 países na última edição. Há três critérios avaliados separadamente: Ciências, Matemática e Leitura.

Para ler, clique nos itens abaixo:

1. “Nenhum aluno é deixado para trás”

Este não é apenas um slogan. A intenção do sistema educacional finlandês é buscar a igualdade, não a meritocracia. “Não investimos apenas nos melhores. O potencial de todos é levado em conta”, ressalta Krista Kiuri, completando: “O aluno pode se tornar um político, um matemático, um artista. Sabemos que todos colaborarão de alguma maneira com a sociedade”.

2. Valorização dos professores

Todos os professores são altamente qualificados, em geral têm no mínimo diploma de mestrado e recebem salários razoáveis – cerca de 3 mil euros mensais, o que não fica nem muito acima nem abaixo de outros salários no país. “Respeitamos os nossos professores e os tratamos como profissionais. Também investimos em sua boa formação”, declara a Ministra.

3. Confiança nos professores e nos alunos

Sobretudo nos últimos 20 anos, os professores finlandeses têm ganhado cada vez mais autonomia: desde que cumpram o chamado “currículo nacional”, ou seja, o conteúdo programático das disciplinas, garantindo que todos os alunos o aprendam, os mestres têm liberdade para planejar as suas aulas e até para escolher métodos. Nem o governo nem os pais seguem neuroticamente os passos de alunos e professores – há apenas um exame nacional, no fim do Ensino Médio, que mede o aprendizado.

4. Alfabetização eficaz

O método de alfabetização adotado na Finlândia em geral é o silábico (primeiro os alunos aprendem as letras, depois sílabas, palavras, frases e, por fim, textos), o que tem se mostrado bastante eficaz, seja porque é o mais apropriado para o idioma finlandês ou graças à maneira como é aplicado. Não se espera que as crianças sejam alfabetizadas antes dos sete/oito anos de idade. Na primeira rodada de resultados do PISA, no ano 2000, a Finlândia já apareceu em primeiro lugar no quesito Reading (Leitura). De lá para cá, tem variado entre primeiro, segundo e terceiro lugares no ranking.

5. Educação pública

Não há interesse em tirar a educação do domínio público na Finlândia. Apenas 2% das escolas são particulares, e unicamente porque se especializaram em algum tipo específico de educação. Os outros 98% são totalmente públicos e descentralizados – municípios podem adotar diretrizes próprias, desde que obedeçam ao currículo nacional.

PISA 2012

 

Alunos portugueses mostram como em pouco tempo é possível melhorar, diz OCDE

Dezembro 6, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 3 de Dezembro de 2013.

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Andreia Sanches

Relatório PISA 2012 sobre Matemática, Leitura e Ciências refere que Portugal é um dos exemplos de evolução positiva. Resultados melhoram sobretudo a Matemática.

De três em três anos a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) repete o exercício. E avalia o estado da literacia dos alunos de 15 anos, em três áreas-chave. Os últimos resultados trazem boas notícias para Portugal. O país está a conseguir melhorar os seus resultados a Matemática — à média de 2,5 pontos ao ano. E desde 2009 subiu três posições no ranking da organização, aproximando-se da média internacional.

Mais do que uma comparação entre o que se passou em 2009 e 2012, a OCDE analisa a evolução dos conhecimentos e competências dos alunos de 15 anos ao longo de cerca de uma década. Em 2003, lê-se num relatório divulgado nesta terça-feira, Portugal estava, no que à Matemática diz respeito, abaixo do Luxemburgo, dos Estados Unidos, da República Checa, da França, da Suécia, da Hungria, da Espanha, da Islândia ou da Noruega. Em 2012, “o país alcançou-os”.

A OCDE sublinha ainda que Portugal é um dos que conseguiram, simultaneamente, duas coisas: reduzir o universo dos alunos que se saem muito mal neste tipo de testes de literacia e aumentar o número dos jovens que se destacam muito pelo positiva (os chamados “top performers”). Isto aconteceu tanto na Matemática, como nas Ciências.

Estas são apenas as primeiras conclusões do PISA 2012, um estudo internacional que é repetido de três em três anos. As suas dimensões são, no mínimo, raras: participaram, desta vez, 34 países da OCDE, mais 31 países e zonas económicas que não fazem parte da organização.

No total, foram avaliados 510 mil alunos dos 28 milhões de jovens de 15 anos que frequentam as escolas do universo analisado. Só em Portugal participaram 5700. Todos fizeram os testes em 2012 — provas com perguntas de escolha múltipla e outras que pediam respostas desenvolvidas. Em cada escola que entrou no estudo os alunos foram escolhidos aleatoriamente.

O objectivo essencial do PISA é este: avaliar a forma como os alunos de 15 anos aplicam conhecimentos e competências de Matemática, Leitura e Ciências quando identificam, interpretam e resolvem problemas que os colocam perante situações da “vida real”.

O relatório que tem como título “O que é que os estudantes sabem e podem fazer: desempenho dos alunos a Matemática, Leitura e Ciências” mostra o seguinte: tal como aconteceu na Matemática, também no que diz respeito às competências de Leitura, os alunos portugueses melhoraram — e a OCDE destaca igualmente esse facto logo na introdução do primeiro de seis volumes que aprofundam os resultados.

Mesmo nas Ciências a evolução anual tem sido positiva — ainda que tenha abrandado de 2009 para cá.

Crescimento anual
Um olhar para as posições de Portugal nos rankings das três áreas-chave (ver gráficos) mostra o seguinte: desde a última avaliação que tinha sido feita, em 2009, a pontuação média obtida por Portugal na Matemática manteve-se (487 pontos tanto em 2009 como em 2012); na Leitura baixou de 489 pontos, em 2009, para 488, em 2012; e nas Ciências passou de 493 para 489 pontos. A que se deve, então, tanto destaque para o caso português?

A OCDE põe o foco noutro indicador, que não o da mera comparação das pontuações obtidas em 2009 e em 2012: trata-se da “evolução anualizada”. Basicamente, a organziação tem em conta os resultados dos alunos em todas as levas de testes feitos desde que os países participam no PISA, calculando a evolução ano a ano de cada país. “É uma medida mais robusta do progresso do país/região económica”, do que a comparação dos resultados obtidos nos testes a cada três anos, lê-se no relatório.

É com base neste cálculo da evolução anual que a OCDE diz que há um grupo de países onde os alunos melhoraram a Matemática, desde 2003, mais de 2,5 pontos ao ano (o que aconteceu também na Itália e na Polónia). Em 25 países não houve mudanças e em 14 os alunos estão a piorar.

Na Leitura e nas Ciências, Portugal melhorou cerca de dois pontos por ano em média — desde 2000, no primeiro caso, e desde 2006, no segundo.

Em síntese: “Brasil, Dubai (Emirados Árabes Unidos), Hong Kong (China), Israel, Macau (China), Polónia, Portugal, Qatar, Singapura, Tunísia e Turquia têm melhorado a sua perfomance média a Matemática, Leitura e Ciências, ao longo da sua participação no PISA, o que mostra que mesmo num curto espaço de tempo é possível melhorar de forma abrangente”, diz a OCDE.

Como escolher um carro?
Cada PISA aprofunda uma área de conhecimento e competências. Os testes do PISA 2012 avaliaram sobretudo a Matemática, o que já tinha acontecido em 2003. Uma oportunidade, segundo a OCDE, para fazer comparações sobre o que mudou e de analisar a evolução “no contexto das políticas adoptadas e de outros factores”.

Xangai, na China, tem a pontuação mais alta nos testes de Matemática: 613 pontos. Já no ranking dos melhores resultados da OCDE, o primeiro lugar pertence à Coreia (554 pontos), o segundo ao Japão (536) e o terceiro à Suíça (531). Portugal está em 23.º, com 487 pontos, e aproximou-se da média da OCDE (fica a sete pontos desta quando, em 2009, estava a nove).

À primeira vista, os dados podem surpreender. Afinal, as notas dos exames nacionais feitos em Portugal não têm sido famosas: a média no exame de Matemática do 9.º ano baixou de 57%, em 2009, para 43%, em 2011. Um resultado que se repetiu este ano. Nos exames do secundário (feitos por alunos com mais de 15 anos) a média do exame de Matemática também caiu de 10 valores, em 2009, para 8,2 valores, em 2013.

Mas o que os exames nacionais testam e o que os testes PISA avaliam são coisas diferentes. A OCDE está mais interessada em saber qual a capacidade dos jovens empregarem a Matemática na “vida real”, por exemplo, extrapolando o que sabem para resolver problemas mais ou menos familiares. Um dos exercícios tipo dos teste PISA é este: para diferentes modelos de carros em 2.ª mão são fornecidos dados como o número de quilómetros, a capacidade do motor, o preço, etc e o aluno deve escolher o modelo que se adeque a uma lista de critérios previamente fixados.

A OCDE procura ainda avaliar como utilizam os alunos “instrumentos” ligados à Matemática que são essenciais “nos locais de trabalho do século XXI”, tais como um conversor online de moedas, uma folha de cálculo, uma calculadora, ou um software de cálculo matemático.

Agrupamentos e reforma curricular
Os países da OCDE investem cerca de 230 mil milhões de dólares por ano para melhorar a educação da Matemática nas escolas. “É um grande investimento, mas o retorno é muitas vezes maior”, lê-se no relatório.

Outros estudo recente da OCDE (Survey of Adult Skills, 2013), cita no PISA, mostra que “fracas competências a Matemática limitam de forma grave o acesso dos indivíduos a trabalhos mais bem remunerados” e que pessoas com mais competências nesta área tendem a sentir-se mais capazes de participar politicamente e confiam mais naqueles que as rodeiam.

Os resultados do PISA “mostram que uma surpreendentemente pequena proporção da variação de desempenho entre os países é explicada pela riqueza das nações (21% entre todos os países e economias, 12% entre os países da OCDE)” e que a despesa por aluno só explica “30% das diferenças entre todos os países e economias e 17% entre os países da OCDE” o que, lê-se no relatório, “sugere que o mundo não está mais dividido em países ricos e bem educados, e os pobres e mal educados”.

A OCDE analisa várias reformas políticas introduzidas em países que melhoraram os seus resultados. Políticas que podem ter feito a diferença. No que diz respeito a Portugal, especificamente, destaca-se a reorganização da rede escolar, através do agrupamento de escolas — esta medida, diz a OCDE, “facilita a colaboração entre escolas e a economia de escala”.

A OCDE nota ainda que, em Portugal, como também aconteceu no Japão, se assistiu a uma reforma curricular que “melhora a atitude dos alunos” em relação “à escola, em geral, e à Matemática, em particular” uma vez que, com as mudanças, as matérias ficaram mais “alinhadas com os interesses dos estudantes no século XXI”.

Recorde-se que neste ano lectivo, já depois dos testes do PISA 2012, entrou em vigor um novo programa de Matemática para o ensino básico. E que está em curso uma revisão para o secundário.

Menos desigualdade
A OCDE sublinha, no entanto, que nem todos os países estão em pé de igualdade — e que isso deve ser tido em conta na hora de analisar os rankings. Por exemplo: em Portugal, no Chile, na Hungria e em Espanha mais de 20% dos alunos avaliados pertencem a grupos socioeconómicos mais desfavorecidos. Na Turquia são 69%. Qualquer um destes países, lê-se no relatório, “enfrenta desafios maiores do que, por exemplo, a Islândia, a Noruega, a Finlândia e a Dinamarca, onde menos de 5% dos alunos são desfavorecidos”.

Mesmo assim, como já se disse, Portugal conseguiu reduzir o hiato entre os alunos que pior se saem nos testes (ou seja, dos que estão abaixo do nível 2 numa escala que vai até seis) e os que melhor se saem (nível 5 e 6). Em 2003, 30% dos alunos de 15 anos estavam nos patamares mais baixos de literacia matemática; em 2012, a percentagem foi de 24,9% (uma descida de 5,2 pontos percentuais).

Ao mesmo tempo, 10,6% dos alunos conseguiram ficar no nível 5 ou mais, contra apenas 5,4% em 2003 (uma vez mais, 5,2 pontos percentuais de diferença). Esta evolução teve lugar, sobretudo, no período compreendido entre 2006 e 2009, sublinha o relatório.

Em média, na OCDE, 13% dos alunos estão no nível 5 e 6. A Coreia é o país com mais “top performers” – 30,9%. Fora da OCDE, Xangai destaca-se com 55,4% dos alunos a conseguir obter os resultados máximos nos testes.

 

 

Exercício físico regular potencia resultados escolares dos adolescentes – estudo

Novembro 8, 2013 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 22 de Outubro de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Associations between objectively measured physical activity and academic attainment in adolescents from a UK cohort

Dundee, Escócia, 22 out (Lusa) – A prática de exercício físico regular permite melhorar os resultados escolares dos adolescentes, especialmente das raparigas nas disciplinas científicas, revela um estudo publicado hoje pelo British Journal of Sports Medicine.

Os investigadores da Universidade de Dundee, na Escócia, acompanharam 5.000 jovens britânicos desde o nascimento, no início dos anos 1990, comparando os seus resultados físicos e escolares respetivamente aos 11, 13 e 16 anos.

Aos 11 anos, os rapazes praticavam 29 minutos de exercícios moderados ou vigorosos por dia contra os 18 minutos das raparigas, numa idade em que é recomendada a prática de 60 minutos de atividade física por dia.

 

 

 

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