República Democrática do Congo: Milhares de crianças podem morrer à fome nos próximos meses, avisa a ONU

Novembro 14, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

 

Responsável do Programa Alimentar Mundial alerta que é imperativo que a ajuda chegue rapidamente ao terreno.

Num país já marcado por confrontos e instabilidade política, a República Democrática do Congo vê-se perante uma nova crise: existem mais de três milhões de pessoas no país (incluindo milhares de crianças) em risco de morrerem à fome, segundo disse à BBC o director do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, David Beasley. “Precisamos de ajuda, e precisamos dela agora”, alertou o representante.

“Estamos a falar de centenas de milhares de crianças que morrerão nos próximos meses, se não arranjarmos, em primeiro lugar, financiamento; em segundo, comida; e, em terceiro, acesso aos locais”, acrescentou, em declarações à BBC. Para já, diz Beasley, só têm 1% dos fundos que precisam e a chegada da ajuda ao terreno pode complicar-se com o início da época de chuvas. “Nem consigo imaginar o quão horrível será” se se esperar mais algumas semanas até receber os fundos, confessou.

Segundo dados do Programa Alimentar Mundial (PAM) morreram 5,4 milhões de pessoas entre os anos de 1998 e 2007 na sequência de guerras e conflitos no país – não só em consequência directa mas também por fome e doenças que poderiam ser tratadas ou evitadas. Mais de um milhão e meio de pessoas tiveram de abandonar as suas casas para fugir à violência.

Num cenário que considera desastroso, o representante das Nações Unidas conta que viu na região de Kasai, no epicentro dos problemas, um cenário de destruição: casas queimadas e crianças seriamente desnutridas e perturbadas. A República Democrática do Congo é uma das nações com a taxa mais elevada de mortalidade infantil. Além disso, 8% das crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição crónica e 43% sofrem de subnutrição e revelam atrasos no crescimento. Situado no Centro de África, este é o segundo maior país do continente e tem uma população de 72,7 milhões de habitantes, sendo que 63% deles vivem abaixo do limiar de pobreza.

O representante das Nações Unidas também foi partilhando relatos da sua viagem pela República do Congo no Twitter. “Visitei hoje a vila de Nyanzale na República Democrática do Congo – ouvi tantos pedidos para acabar os conflitos que impulsionam a fome”, lê-se num deles. “Não me deito a pensar nas crianças que alimentámos hoje. Deito-me a chorar por todas aquelas que não alimentámos”, escreveu ainda.

E o cenário repete-se por outros países. No site do PAM das Nações Unidas, lê-se que 20 milhões de pessoas estão em risco de morrer de fome por todo o mundo e que, se não for prestada assistência, cerca de 600 mil crianças podem vir a morrer nos próximos meses. O Iémen, a Somália, o Sudão do Sul e a Nigéria são os países mais afectados.

Ainda que a situação tenha acalmado nos últimos meses, a República Democrática do Congo está a ser assolada por uma onda de violência desde a crise política de Dezembro, quando o Presidente Joseph Kabila recusou abandonar o poder no final do mandato – e recusa marcar novas eleições apesar de o seu terceiro mandato (que deveria ser também o último, segundo a Constituição) já ter expirado há nove meses. Na altura, o director-executivo da Human Rights Watch, Kenneth Roth, alertava que havia “um sério risco” que o Congo pudesse “mergulhar na violência generalizada e no caos nos próximos dias, com repercussões potencialmente voláteis em toda a região”.

Em Março deste ano, a milícia rebelde Kamuina Nsapu capturou e decapitou cerca de 40 agentes da polícia, na província de Kasai. Ainda em Março, os corpos de dois funcionários das Nações Unidas que estavam desaparecidos foram encontrados na região. Os dois funcionários – um norte-americano de 34 anos e uma sueca de 36 anos, assim como um intérprete de nacionalidade congolesa – estavam a investigar crimes e violações dos direitos humanos no país. No início deste mês, morreram cerca de 30 pessoas (a maioria civis) numa emboscada no Noroeste do país.

 

Notícia do jornal Público em 29 de Outubro de 2017

Anúncios

UNICEF alerta para aumento do número de crianças soldado

Agosto 10, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Notícia do Diário de Notícias de 7 de Agosto de 2012.

por Texto da Agência Lusa, publicado por Patrícia Viegas

A UNICEF alertou hoje para o aumento do número de crianças soldado na República Democrática do Congo (RDC), onde desde o início do ano foram recrutados pelo menos 147 menores, segundo dados da ONU.

Numa conferência de imprensa, o porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Patrick McCormick, disse que ocorrem atualmente no país “graves violações dos direitos humanos”, considerando que a RDCongo “está a regredir”.

Na RDCongo registam-se violações dos direitos humanos que incluem o massacre de aldeias inteiras, violações em massa e sequestros, assim como o recrutamento de crianças para as forças armadas e os grupos rebeldes.

Cerca de 2.000 crianças são utilizadas atualmente por grupos armados da RDCongo, sobretudo nas províncias orientais do Kivu do Norte e do Kivu do Sul, onde segundo a UNICEF milhares de crianças foram recrutadas.

A UNICEF calcula que cerca de 800 soldados do grupo rebelde Gedeon (da milícia Mayi Mayi) são crianças, o que representa 30 por cento do total de milicianos.

O Mecanismo de Vigilância do Conselho de Segurança das Nações Unidas informou que desde o início de 2012 o grupo rebelde do Exército de Resistência do Senhor sequestrou 35 crianças, enquanto 147 foram recrutadas por grupos armados da região e 188 crianças soldado foram libertadas, 46 delas pelo exército.

“Há necessidade urgente de reforçar a capacidade para receber cerca de 1.000 crianças que estavam com os grupos armados e é precisa capacidade adicional para assegurar que as 2.200 crianças já libertadas têm possibilidades de reintegração”, adiantou a UNICEF.

Além disso, alertou que 60.000 crianças na província do Kivu do Norte “estão em risco” de serem recrutadas, sobretudo depois de terem sido queimadas escolas e material educativa na região, impedindo-as de retomarem as aulas.

O apelo humanitário para a ajuda à República Democrática do Congo em 2012 ascende a 164 milhões de dólares, dos quais foram conseguidos 30,9 milhões.

 

 

 


Entries e comentários feeds.