Pais que estudam pelos filhos

Setembro 28, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no DN Life de 22 de setembro de 2019.

O ano lectivo ainda agora começou e já vemos pais e mães empenhados em organizar o processo de estudo… o seu, não o dos seus filhos. Pois é, existem milhares de pais que estudam, não com os filhos, mas sim pelos filhos.

Assumem os testes como sendo deles, as notas como sendo suas. Recordo-me, inclusive, de uma adolescente que chegou a casa e começou aos gritos com a mãe, acusando-a de não ter estudado “como deve de ser” e, por isso, ela (adolescente, a aluna) ter tido má nota. A mãe pediu desculpas…

Bem, temos mesmo que reflectir sobre isto.
O que queremos para os nossos filhos?

Queremos que cresçam e que sejam autónomos, ou que se mantenham dependentes dos pais ad eternum?

Queremos que sejam responsáveis e assumam as consequências dos seus comportamentos, ou que atribuam aos outros essa mesma responsabilidade?

A resposta a estas perguntas dita a forma de agir dos pais e educadores.

Se pretendemos fomentar a autonomia, independência e responsabilidade, então ensinamo-los a ler e a resumir, distinguindo o essencial do acessório. Ensinamo-los a fazer esquemas, a relacionar as matérias e a pensar! Pensar, esse verbo tantas vezes esquecido… e não apenas memorizar sem nada perceber! Ensinamo-los, ainda, a adquirir hábitos de estudo e a perceber que é bom aprender. Pelo prazer de descobrir coisas novas.

Damos-lhes a papinha toda feita, que é como quem diz, a matéria digerida e organizada. Eles apenas têm de ler ou ouvir esses tais resumos e fazer os testes.

Se pretendemos fomentar a dependência, pois estudemos por eles, Façamos os trabalhos de casa e os trabalhos de férias também. Lemos, fazemos os resumos e até os gravamos em ficheiros áudio! Damos-lhes a papinha toda feita, que é como quem diz, a matéria digerida e organizada. Eles apenas têm de ler ou ouvir esses tais resumos e fazer os testes.

Chegará o dia em que os pais fazem mesmo os testes pelos filhos? Já não sei…

Sei que no ensino superior há alunos que pedem para que os atendimentos sejam feitos… aos pais!

Sei que no ensino superior os alunos se queixam porque… há aulas ao sábado! (que professores ditadores são estes que sugerem aulas ao sábado??).

Sei que no ensino superior há alunos que perguntam se um texto deve ter uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão…. conteúdos que fazem parte do currículo do 2.º ano de escolaridade… sim, do 1.º ciclo…

Sei que no ensino superior há alunos que fazem queixa dos professores… porque não disseram as páginas exactas dos livros que teriam de estudar! Isto de sugerir uma bibliografia assim “sem mais nem menos” não pode ser! Temos de indicar as páginas e os parágrafos que devem ler!

Pois estes alunos, antes de chegarem ao ensino superior, passaram por todos os outros níveis de ensino. O que se passou para que atingissem este nível de dependência, desconhecimento, imaturidade e irresponsabilidade?

Naturalmente que não podemos sobregeneralizar. Mas, efectivamente, muitos destes alunos tiveram pais que sempre fizeram por eles. Estudaram por eles. Resolveram por eles. Pensaram por eles.

O que dizer destes pais? Muitas vezes, projectam nos filhos os objectivos e ambições que tinham para si próprios. Ou encontram nos filhos um meio para atingir um fim. O fim da realização e do sucesso.
Mesmo que seja um pseudo sucesso.

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Conhecer os amigos dos filhos e os pais deles reduz episódios de bullying

Agosto 27, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Público de 6 de agosto de 2019.

Portugal é dos países onde os pais mais conhecem os amigos dos fılhos, mas o cenário muda quando se olha apenas para as escolas favorecidas. Especialistas mostram, contudo, reservas nesse tipo de divisão

Um estudo que parte de dados do PISA concluiu que, quando os pais conhecem os amigos dos filhos (e os respectivos pais), as ocorrências de bullying diminuem e os estudantes mostram melhor desempenho na resolução conjunta de problemas. Apesar de a investigação não conseguir provar uma causa-efeito directa neste último ponto, assegura que os resultados do PISA vão ao encontro desta expectativa.

Para esta análise foram utilizados 288 mil inquéritos feitos no âmbito do PISA dirigidos a pais e estudantes de 18 países da OCDE sobre a frequência com que foram vítimas de  bullying físico e psicológico. Portugal teve 13.600 pais e alunos a responder. No estudo reforça-se que, quando se cultivam estas relações, os estudantes terão mais relutância em praticarem bullying. Além disso, se todos se conhecerem, será mais fácil definir normas.

Simão Bento, estudante de 18 anos e presidente da associação de estudantes da Escola Secundária Camões, em Lisboa, é a da opinião que “existem dois lados da moeda”: “Conhecer os amigos do filho pode ajudar, os jovens podem sentir-se mais intimidados, mas também podem estar mais reticentes em expor um caso de bullying, principalmente no ensino básico”, afirma.

Segundo a psicóloga Margarida Gaspar de Matos, existe um respeito maior “quando os miúdos conhecem os pais dos amigos” — no fim de contas, “não vão bater no amigo com quem lancham em casa”. Mas reconhece que pode dar-se exactamente o fenómeno oposto: os filhos podem ter medo de que, ao contarem aos pais que foram vítimas de  bullying, estes sejam “demasiado protectores” e reajam de forma excessiva na escola. “É difícil gerirmos o modo como podemos ajudar os nossos filhos. Temos de falar muito com eles e a qualidade do diálogo deve começar cedo”, explica.

Depois de a filha passar por esta situação, Rui Martins, da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, é a favor de uma abordagem que envolva toda a comunidade escolar: “Na altura foi uma surpresa, pensei que só acontecia aos outros. Só é possível resolver estas situações se todos trabalharem em conjunto, pais, directores, psicólogos… Quem faz bullying também precisa de ser ajudado.”

O “perigo” de generalizar

Geórgia, Espanha e Irlanda são os países onde os pais mais conhecem os amigos dos filhos e os respectivos pais — Portugal situa-se em sexto lugar na lista e acima da média da OCDE. Por outro lado, é em França, Hong Kong e Macau que os pais menos conhecem os amigos dos seus filhos. O estudo aponta duas razões para estes dados: por um lado, o número de vezes que o aluno tem de mudar de escola — em Espanha, um aluno de 15 anos só tem de mudar de escola uma vez, aos 12 anos, enquanto em França terá de mudar três vezes, aos 6, 11 e 15 anos.

Por outro, a participação dos pais em reuniões e conferências escolares, que potenciam as relações entre eles — na Geórgia, Alemanha, Irlanda, Escócia e Espanha, oito em cada dez pais foram a reuniões escolares; já em países como França, Coreia, Macau e Hong Kong, menos de sete em cada dez pais participou nestas actividades. Não constam no documento os dados de Portugal.

“Há uma tendência para que a participação de um maior número de pais torne o ambiente escolar mais interessante”, começa por dizer Rodrigo Queiroz e Melo, director executivo da Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo. “Os alunos exprimemse e aprendem mais. Também se sentem mais seguros”, conclui.

Embora Margarida Gaspar de Matos defenda que “a qualidade da relação entre a escola e a família” seja importante para a criança, e que “a comunicação entre os dois é um valor acrescentado”, ressalva: “Não me parece que exista uma relação directa entre conhecer os amigos dos filhos e o sucesso escolar. Existem pais atentos, empenhados e que estão interessados na evolução do filho na escola.”

Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, partilha da mesma opinião: “É perigoso generalizar na educação. Tive alunos que tinham tudo para dar errado e acabaram por ser muito bem sucedidos. Não são a regra, mas esses casos existem.”

Quando os dados da investigação comparam os alunos que andam em escolas mais ou menos favorecidas do ponto de vista socioeconómico, Portugal muda de posição e passa para o grupo de quatro países onde a clivagem é mais acentuada. Ou seja, no México, República Dominicana, Geórgia e Portugal, quanto mais favorecida for a escola, menos pais e filhos se conhecem e contactam uns com os outros. O oposto acontece na Bélgica, Hong Kong, Luxemburgo, Macau, Chile e Malta.

Diferenças regionais?

Se Rui Martins acredita que “existe um factor de competição em escolas de elite”, que cria uma barreira para que os pais conheçam os amigos dos filhos, há quem tenha mais dificuldades em aceitar a divisão entre escolas favorecidas e desfavorecidas em Portugal. Manuel Pereira considera que as diferenças se situam noutro patamar, o das realidades urbanas e rurais. “Em zonas menos populosas é mais fácil conhecer os amigos dos filhos em relação às zonas urbanas, que estão cheias de alunos”, explica.

Já a psicóloga Margarida Gaspar, apesar de concordar que não é “totalmente possível separar o mais favorecido do mais desfavorecido a nível nacional”, acredita que também não é possível fazer uma divisão entre o rural e o urbano: “Não é útil dividirmos o país, porque depois passamos a ver o mundo através desses óculos de categorias”, defende.

Texto editado por Rita Ferreira

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Do parents of 15-year-olds know many of their child’s school friends and their parents?

Decreto-lei que permite pais acompanharem filhos no primeiro dia de escola já foi publicado

Julho 3, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 1 de julho de 2019.

A medida visa “promover um maior equilíbrio entre a vida profissional, pessoal e familiar” e vai dar aos funcionários públicos responsáveis pela educação de menor de 12 anos o direito a faltar justificadamente com vista ao seu acompanhamento no primeiro dia do ano lectivo, até três horas por cada menor.

Lusa

Os funcionários públicos vão poder faltar até durante três horas para acompanhar os filhos com idades até aos 12 anos no primeiro dia de escola, segundo o decreto-lei publicado nesta segunda-feira em Diário da República. Este decreto-lei, promulgado a 19 de Junho, entra em vigor a 1 de Agosto.

A medida, integrada no “Programa 3 em linha – Programa para a conciliação da vida profissional, pessoal e familiar” visa “promover um maior equilíbrio entre a vida profissional, pessoal e familiar”.

O programa tem por objectivo “melhorar o índice de bem-estar, no indicador ‘balanço vida-trabalho’”, sendo que conciliar melhor a vida profissional, pessoal e familiar favorece a diminuição do absentismo, o aumento da produtividade e a retenção de talento, contribuindo, também, para a sustentabilidade demográfica”, é referido no decreto-lei.

Por isso, o trabalhador da administração pública responsável pela educação de menor de 12 anos tem direito a faltar justificadamente com vista ao seu acompanhamento no primeiro dia do ano lectivo, até três horas por cada menor.

“A falta prevista no número anterior não determina a perda de qualquer direito do trabalhador e é considerada, para todos os efeitos, prestação efectiva de trabalho”, é referido.

No entanto, devem ser criadas condições para “o exercício efectivo do direito e de modo a salvaguardar o interesse público, evitando prejuízo grave para o funcionamento do órgão ou serviço”.

Portanto, a entidade patronal deve tomar as medidas de gestão com a antecedência necessária para promover a utilização deste mecanismo de conciliação.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou a 19 de Junho, o “diploma do Governo que permite aos trabalhadores da Administração Pública faltarem justificadamente para acompanhamento de menor, até 12 anos, no primeiro dia do ano lectivo”.

Na altura, Marcelo Rebelo de Sousa louvou a medida do Governo, mas defendeu um regime idêntico para trabalhadores do sector privado e social, por forma a “evitar uma divisão no sector do trabalho em Portugal”.

O decreto-lei mencionado na notícia é o seguinte:

Decreto-Lei n.º 85/2019

“O impacto do divórcio no contexto escolar” 3 abril em Lisboa

Março 27, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://red-apple.pt/workshops-redapple/item/211-conversa_mf

Há demasiados alunos órfãos de pais vivos

Abril 27, 2018 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Alexandre Henriques publicado no https://www.publico.pt/ de 26 de março de 2018.

Não é admissível que os pais não compareçam quando a escola os chama duas, três, cinco vezes… não é admissível que mintam nas justificações de faltas que entregam.

Professor: Estou?

Encarregado de Educação: Sim…

Professor: Boa tarde, fala o professor Alexandre Henriques, é possível falarmos um bocadinho sobre o seu filho? É que ele tem tido uns problemas disciplinares e tem faltado a algumas aulas…

Encarregado de Educação: Mas o professor não sabe que eu estou no meu local de trabalho? Acha pertinente incomodar-me no meu local de trabalho?

Professor: Eu estou a ligar para o número que a senhora deixou na escola e deve calcular que é impossível eu saber quando a senhora está disponível ou não…

Como devem imaginar, a conversa “azedou” um bocadinho e aquilo que tinha demorado três ou quatro minutos demorou mais de cinco sem nunca falarmos sobre o motivo do telefonema. A partir desse momento, todas as comunicações passaram a ser via postal, perdendo-se algo fundamental para o sucesso do aluno: a ligação entre o director de turma e o encarregado de educação.

O que me aconteceu é apenas um exemplo das mais incríveis situações que possam imaginar, desde os pais dizerem que não sabem o que fazer aos filhos, que só esperam que eles façam 18 anos, a não atenderem o telefone, tudo acontece na comunicação com alguns pais.

Não é por isso de estranhar que os professores apontem o dedo aos encarregados de educação, num inquérito realizado e que foi divulgado no PÚBLICO – cerca de 80% dos 2348 inquiridos refere como principal causa para a redução da indisciplina escolar uma maior responsabilização dos encarregados de educação.

Não vamos ignorar o que acontece frequentemente, as relações entre professores e pais são muitas vezes difíceis e demasiadas vezes inexistentes. Nas escolas, sempre que se fala em indisciplina, aponta-se o dedo aos pais e os pais, sempre que surge um problema, apontam o dedo à escola. Esta costuma ser a norma, esquecendo, as partes equacionadas até agora, que o principal visado também tem uma palavra a dizer, aliás, a última e principal palavra. Todos nós conhecemos casos de crianças/jovens de sucesso que tiveram infâncias difíceis, chamo-lhes os heróis silenciosos, pois é isso que eles são, pequenos grandes heróis, que apesar de toda a adversidade, conseguiram atingir o impensável. Não é fácil ter sucesso quando não se quer voltar para casa, não é fácil ter sucesso quando a escola é um local inóspito, de incompreensão e onde o ensino está formatado para as massas e não para o indivíduo.

É verdade que cada vez mais existem órfãos de pais vivos, os professores conhecem bem os casos de negligência e abandono parental, conhecem bem a desculpabilização excessiva em que o filho nunca é responsável e é sempre a vítima. Não é admissível que os pais não compareçam quando a escola os chama duas, três, cinco vezes… não é admissível que mintam nas justificações de faltas que entregam aos directores de turma, não é admissível que apontem o dedo sem se olharem ao espelho.

A escola, os professores, também precisa de melhorar algumas abordagens. O professor não pode ser apenas o mensageiro da desgraça, o professor também deve contactar os pais para elogiar a evolução, a mudança de atitude. Já sei que os professores vão dizer que não têm tempo e infelizmente é a mais pura das verdades, mas, para certos casos, mais vale “perder” cinco minutos e recuperar a confiança da família na escola, recuperando, ao mesmo tempo, a própria relação familiar. Sim, o professor também tem esse poder…

Lembro-me de uma colega que partilhou comigo a experiência dos seus alunos terem feito uma apresentação numa reunião com os pais. Em situações normais, tal seria restrito à turma, era a sua avaliação… mas, por que não com os pais? Que melhor forma de verem o trabalho que os seus filhos fazem e ligarem-se à escola através de algo positivo.

Existem excelentes pais e os professores reconhecem isso, provavelmente os pais que lerem estas linhas fazem parte desse grupo e não devem, por isso, sentir como suas as acusações que aqui são feitas. Faço um mea culpa e digo que a escola devia apoiar mais os seus filhos, pois a verdade é que a escola não gasta um terço da sua energia em tornar um aluno mediano num bom aluno ou um bom aluno num aluno excelente. O foco está sempre no pior e não é justo, não é justo para os bons alunos, não é justo para os bons pais.

Para os casos problemáticos é preciso uma maior responsabilização dos encarregados de educação, o desafio está no aluno, mas o desafio maior está na família, está na própria sociedade. Os pais precisam de assumir na plenitude o título que carregam – são encarregados de educação, é essa a sua prioridade, é essa a sua função!

Quanto aos professores, compreendo a frustração e revolta de se sentirem com o “menino nas mãos”, de se sentirem impotentes por verem, do outro lado, o que nunca devia acontecer. Cabe-lhes manter a perseverança e acreditar que é possível mudar erros passados, estabelecer pontes que potenciem o sucesso dos seus alunos e continuarem a ser aquilo que hoje são, muito mais do que professores…

Professor, pai e autor do Blogue ComRegras

 

Professores aprendem a lidar com pais difíceis

Janeiro 12, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Por Isobel Leybold-Johnson

Às vezes, não são os alunos que causam dores de cabeça nos professores, mas sim seus pais exigentes. A Federação Suíça de Professoras e Professores (LCH) elaborou um guia com orientações para tratar do que está se tornando um problema crescente.

No passado, os pais apoiavam incondicionalmente, na maioria das vezes, as decisões tomadas por professores e escolas – escreve Beat W. Zemp, presidente da federação, no prefácio do guia.

Contudo, trabalhar com os pais se tornou “bem mais complexo e sofisticado”, podendo vir à tona conflitos muito estressantes que duram anos. “A mídia é dominada por casos envolvendo ‘pais helicópteros’ que trazem consigo os seus advogados para a reunião solicitada pela escola ou quando a divergência ocorre por razões religiosas”, diz Zemp.

As comparações internacionais, como a realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sugerem que o problema não é tão agudo quanto em países de língua inglesa, por exemplo.

Porém, a questão é bastante preocupante para levar a federação a publicar um guia sobre a cooperação entre as escolas e os pais, cujo conteúdo foi destacado pelo jornal SonntagsBlick no mês passado.

A pressão dos pais, embora ainda vinda de uma minoria, é conhecida por ser um fator catalisador da síndrome de burnout em professores ou do abandono de suas profissões, ponto destacado pela instituição.

O guia de 52 páginas, que atualiza o original de 2004, apresenta exemplos de casos bem como os seus aspectos educacionais e legais, listando pontos-chave para os professores sobre como amenizar conflitos e que tipo de suporte eles podem esperar.

Entre os casos apresentados estão os de pais que se queixaram que a lição de casa da filha era exorbitante e de um conselho parental escolar que chegou a exigir que as tarefas de casa fossem abolidas por causarem “muita tensão” em casa.

Exemplos de pressão parental

“Muitos pais pensam que têm o direito de opinar sobre tudo o que acontece na escola”, disse Sarah Knüsel, Presidente da Associação dos Diretores de Escola do Cantão de Zurique, para o jornal SonntagsBlick.

“Mesmo as pequenas coisas são questionadas”, concordou Georges Raemy, membro da mesma associação no cantão de Zug. “Alguns pais não concordam com um passeio de um dia na floresta; outros sentem que um aniversário não foi comemorado suficientemente bem”.

“Os professores estão sendo frequentemente chamados para se explicar. A comunicação tem se tornado fundamental”, disse ele no artigo. Para Raemy, a comunicação deveria desempenhar um papel mais proeminente na formação dos professores.

Caminha-se sobre um campo minado quando uma criança não consegue as notas suficientes para entrar na escola secundária suíça, que necessariamente deve ser alcançada para o acesso à universidade. Esta situação pode resultar em ações legais que, no entanto, em sua maioria não passam de ameaças. Todavia, os setores jurídicos das Secretarias Estaduais de Educação – cada cantão é responsável pelo seu sistema educacional – reportam um crescente número de queixas envolvendo escolas e pais de alunos.

Marion Völger, diretora da Secretaria de Educação do cantão de Zurique, relatou ao SonntagsBlick que recebe anualmente cerca de 3.000 reclamações, das quais 400 são provenientes de pais.

Christian Hugi, Presidente da Associação dos Professores de Escola de Zurique, aponta que o aumento do problema se refere à falta de credibilidade nas instituições do estado. Os próprios pais também estão sob pressão pela globalização, digitalização e o mercado de trabalho competitivo. “Eles querem garantir que seus filhos possam sobreviver neste mundo”, explica Hugi.

Comparação internacional

A pressão parental é um fenômeno que afeta principalmente os países industrializados. Realizado pela OCDE, o relatório divulgado em 2012 pelo Programa Internacional de Avaliação do Aluno (PISA) – uma pesquisa do desempenho escolar dos alunos de 15 anos de idade em países desenvolvidos – avaliou a pressão recebida pelos diretores de escolas vindas dos pais em relação ao alto nível de desempenho acadêmico.

O resultado encontrado, considerando todos os países pertencentes à OCDE naquele ano, foi que 21% dos alunos estavam em escolas cujos diretores relataram sofrer muita pressão parental e 46% dos estudantes pertenciam a escolas cuja pressão vinha de uma minoria dos pais.

Singapura, Reino Unido, Estados Unidos e Austrália estavam entre os países onde pelo menos um em cada três estudantes sofria demasiada pressão dos pais. Em Singapura, o índice foi de 60% dos alunos.

A Suíça se encontra entre os países com menos de 10% dos alunos pertencentes a escolas onde existem demasiada pressão parental, juntamente com Alemanha, Áustria e a tradicionalmente bem pontuada na avaliação do PISA – embora com ligeira queda recente – Finlândia.

Beat A. Schwendimann, membro do conselho da Federação dos Professores Suíços, ressaltou que os dados do PISA sugerem que não há correlação clara entre a pressão exercida pelos pais sobre as escolas e o bom desempenho acadêmico. Essa observação é corroborada pelos resultados consistentes da Suíça e da Finlândia no PISA e o baixo índice de pressão parental escolar nestes países.

“O baixo número de relatos sobre a pressão parental oriundos dos nossos diretores escolares pode estar associado ao elevado nível de confiança que os pais depositam no sistema escolar e ao alto padrão profissional dos professores. A pressão por parte dos pais sobre os diretores, incluindo ação legal, é rara e está principalmente relacionada às notas finais dos exames para alcançar as escolas de níveis superiores. As escolas suíças se esforçam em estabelecer e manter uma parceria ativa e produtiva com os pais”, disse Schwendimann para swissinfo.ch.

“O objetivo é que a comunicação seja baseada na cooperação produtiva e confiança, ao invés da pressão”.

Adaptação: Renata Bitar

 

Conferência “Pais e professores à beira de um ataque de nervos, porque o melhor do mundo – nem sempre – são as crianças” 25 de março em Ponte de Lima

Março 15, 2017 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.cenfipe.edu.pt/eventos/?id=64

7 Espécies de pais que aparecem nas reuniões escolares

Setembro 19, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 10 de setembro de 2015.

Encarregados de educação ou condóminos? Reunião de pais ou condomínio?

Inicio do ano letivo. Primeiro começam os gastos com os livros e o material escolar, estupidamente caros … diria mesmo ridículo. Há escolas a pedirem tablets para crianças que frequentam a primária. Imagino quando chegarem ao secundário. Por essa altura, a viagem de finalistas já deve ser à lua! E livrem-se os pais que não arrotem com uns milhares de euros para o efeito porque as crianças ainda ficam traumatizadas à nossa conta! Há que saber dizer NÃO!

A minha filha tem uma lista girissima para presentes de anos e, amorosa, diz que fica à minha escolha. Tenho 3 hipóteses: um Iphone, que pode não ser novo em folha mas não pode estar partido ou rachado, um mano, que não pode ser adoptado ou um cão, que pode ser adoptado! Eu tenho uma lista de coisas que lhe expliquei : 1) Tive um iphone, pela primeira vez aos 40 e, só o acabo de o pagar este ano, com uma obrigação a um contrato com a operadora; 2) Não quero ter cães porque vivemos num apartamento; 3) Um mano não é um brinquedo que se oferece nos anos … – Mãeeeeeeee! – Não, é não, minha querida, não é talvez ou vou pensar nisso!

Ler também “Regresso à educação, a crise do “Não””

O assunto fica assim resolvido.

Ahhhh e depois chegam as reuniões. Aí conhecemos várias espécies de pais:

  1. Os orgulhosos, que fazem questão de falar das notas dos exames ou do quanto os meninos cresceram nas férias, e quando se cruzam connosco no fim de cada período perguntam sempre pelas notas dos nossos para poderem fazer aquele papel condescendente depois de lhes dizermos, orgulhosos, que o/a nosso/a teve três 4’s e o resto 3: “Isso é uma fase, vai ver que melhora. O meu Zé teve tudo 5, mas também tem alturas em que tem 4 a educação física…;
  2. Os histéricos, que estão tão entusiasmados com o início das aulas que não falam, gritam durante as reuniões, apesar de não terem NADA de interessante para transmitir. Falam pelos cotovelos, são super descritivos, monocórdicos e dominam grande parte das reuniões com assuntos de cácá: –A MINHA MARIA CAETANA DEMORA ALGUM TEMPO A ESCREVER MAS SE OS PROFESSORES TIVEREM PACIÊNCIA AS COISAS VÃO CORRER BEM! ELA TAMBÉM COME DEVAGARINHO, MAS TODOS NÓS SABEMOS QUE É MAIS SAUDÁVEL ASSIM. SÓ ESPERO QUE OS AUXILIARES TENHAM PACIÊNCIA E BLÁ BLÁ BLÁ…;
  3. Os nerds, escrevem TUDO e sabem TUDO. Só têm dúvidas sobre o powerpoint com os horários e regras: “Sr.Prof. aquilo é um H ou um F?”;
  4. Os videntes, são os que já prevêem o pior! Fazem as perguntas mais ridículas da vida, como “Estou mesmo a ver aquilo que vai acontecer. Como é que o meu menino vai conseguir estudar para 10 disciplinas?” ou “Como é que é dos testes?” . São aquele tipo de perguntas que ninguém percebe o objectivo, nem tampouco o próprio;
  5. Os graxistas sentam-se, quase sempre na linha da frente, estão em constante contacto visual com o professor e dizem que sim com a cabeça durante a reunião TODA! Imitam todas as expressões do professor e defendem-no até à morte. Ex: Se o professor diz “Oh Mãe, eu já tinha explicado isso no inicio da reunião.”, os graxistas-papagaios repetem, “O professor já tinha explicado isso no inicio da reunião”. Sentem a escola como um outro filho, se têm lá os filhos é porque a escola é tão perfeita como os próprios filhos;
  6. Os “tirem-me deste filme” que quando o professor pergunta se há alguma pergunta a fazer, metralham olhares fulminantes na esperança de um silêncio, seguido de um FIM DE REUNIÃO. Mas não! Há sempre um encarregado de educação indignado com a ementa escolar ou furioso com a hora a que o menino sai das aulas ”Porque o meu Joaquim não tem tempo nenhum para estudar!”. E como é óbvio, a melhor altura para falar do tempo médio que o filho da Zéza leva a secar a juba, é quando estamos numa reunião com um director de turma. Os encarregados de educação “tirem-me deste filme” são aqueles que saem a correr depois do 3º encarregado de educação querer falar sobre o problema de visão da filha e a razão pela qual a menina precisa de ficar nas mesas da frente. Saem, literalmente, a correr porque descobriram que têm uma reunião na liga portuguesa de-pessoas-que-querem-partir-a-cara-a-um-pai que-não-sabe-que-uns-óculos-resolvem-o-problema-de-visão-da-‘nina!
  7. Os fantasmas são os que nunca ali estiveram porque estavam a enviar emails, a responder a convites e a cuscar coisas sem relevância no facebook. Voltaram à época da escola e acham que o professor nem se apercebeu daquele telefone escondido por detrás da mesa que reflecte aquela luz nos seus olhos… quase parecia poesia. De vez em quando levantam a cabeça e acenam. Quando todos se riem também se riem, quando todos se indignam também se indignam. São fáceis de identificar porque às vezes riem-se fora do tempo e não fazem puto ideia do que é que se passa ali. Passado 1 mês já nem se lembram se foram à missa ou a uma reunião naquele dia.

Eu, fico na dúvida se fui a uma reunião de condóminos ou a uma reunião de pais… Acho que já passei algumas fases das que aqui descrevo, nunca fui só “tirem-me deste filme”, este ano até ia com a ideia de falar sobre alguns assuntos que considero relevantes. Mas acabou por ser mais um ano em achei melhor guardar estes assuntos para outra altura.

Bom ano lectivo a todos!

Inês de Santar

 

Os 10 tipos de pais mais temidos pelos professores

Setembro 29, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto da Pais & Filhos de 14 de agosto de 2015.

O novo ano letivo aproxima-se a passos largos e é tempo de preparar os próximos meses. Compram-se livros e demais materiais escolares, conhecem-se os colegas de turma e os horários e aguarda-se para saber que professores vão acompanhar as crianças nos próximos meses.

Se a antecipação é comum nas famílias, também os docentes a experimentam. Na maior parte das vezes, as expetativas são positivas, mas também há quem tema encontrar alguns tipos de pais. A professora norte-americana de ensino básico Jessica Bowers elencou, para a edição online da revista “Parenting”, os dez tipos de adultos. E eles são:

 

1 – “O meu filho é ultra-especial” = “Todos os meus alunos são especiais, mas nenhum é especial o suficiente para ser dispensado das tarefas atribuídas à turma, de chegar permanentemente atrasado ou de fazer os trabalhos de casa. As regras existem para serem cumpridas por toda a gente. Este tipo de pais são aqueles que estão convictos de que a sua criança nunca comete erros”.

2 – “Quero melhores notas, sem mais trabalho” = “Todos os pais gostam de ver as notas a subir, mas estes não se querem dar ao trabalho de ajudar os filhos a consegui-las. Estão sempre à procura de um truque que não envolva estarem atentos e apoiar os esforços dos mais novos”.

 

3 – “Vou queixar-me ao diretor!” = “A minha porta está sempre aberta para os pais. Por isso mesmo acho altamente frustrante e diminuidor quando um encarregado de educação decide ignorar isso e ir fazer queixas a ‘instâncias superiores’ quando, na esmagadora maioria dos casos, a situação poderia ser ultrapassada com uma conversa franca entre adultos”.

 

4 – “Vou ficar mais um bocadinho” = “É natural que, nos primeiros dias ou semanas, os pais gostem de observar o início do dia. Mas um adulto que decide permanecer na sala depois de todos os outros saírem, não só perturba o trabalho da turma como, muitas vezes, significa que estão a envergonhar a sua própria criança. Em especial quando lhe abrem os livros e cadernos e lhe afiam os lápis!”

 

5 – “Não tenho tempo para ir à escola” = “Este é outro extremo que me causa desconforto. Por vezes, só sei que a pessoa existe porque assina o boletim de notas. Compreendo que as exigências laborais ou outras podem ser pesadas, mas vale a pena fazer o esforço e acompanhar a vida escolar dos filhos. Nem que seja enviando-me um mail de vez em quando”.

 

6 – “Enviei-lhe mais uma coisinha…” = “E depois existem os encarregados de educação que acham normal, ou exequível, que um professor responda a telefonemas ou múltiplos emails às 11 horas da noite ou ao fim-de-semana, habitualmente por temas absolutamente inócuos ou triviais. O meu desejo? Que limitem os contactos ao que é realmente importante e que escolhem criteriosamente o ‘timing’ dos mesmos”.

 

7 – “Temos custódia partilhada” = “Longe de mim fazer qualquer comentário ou apreciação sobre a organização familiar dos pais separados dos meus adultos. Mas é difícil fazer o que me compete se pai e mãe estão constantemente a transmitir informação e diretrizes distintas. Parece que estão numa competição constante e, em último caso, as grandes prejudicadas são as crianças”.

 

8 – “Você trabalha para mim” = “Este tipo de encarregado de educação não vê os professores dos filhos como parceiros educativos, mas como alguém que está abaixo numa espécie de ‘hierarquia imaginária’ na qual o papel principal lhes compete. Isto significa que, quando surge uma diferença de opinião, não há qualquer lugar para debate, só para imposições que, naturalmente, não são atendidas de forma frequente pelos docentes. Estes são os pais que usam frequentemente o argumento: ‘eu pago-lhe o ordenado com os meus impostos!”.

 

9 – “A culpa é da professora” = “Muitas vezes me pergunto o que poderá ter acontecido no passado para que este adulto não goste de docentes. Terá tido uma má experiência enquanto crescia? O facto é que tudo o que acontece de menos positivo é responsabilidade da professora que, na sua imaginação, só dá aulas porque não conseguiu encontrar um trabalho melhor, porque tem meses de férias no verão e está permanentemente a arquitetar planos para prejudicar a sua criança”.

 

10 – “O que aconteceu? Que horror!” = “A especialidade deste tipo de pais é pegar em algo que se passou de menos bom e distorcer os factos para levar a sua avante. Tudo é um problema, tudo está prestes a implodir e só se dão por satisfeitos quando envolvem todos na confusão e quanto toda a gente lhes dá razão. Mesmo que só o façam porque estão fartos de dramas”.

 texto original:

10 Types of Parents That Teachers Secretly Hate

 

 

 

Aqui estão os 10 passos essenciais para acompanhar o seu filho na escola

Março 25, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site da Porto Editora

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A escola é um contexto de vida de todos os filhos e tem de ser articulado com os restantes onde o filho se encontra. O processo de ensino-aprendizagem é algo que exige um envolvimento paterno, de forma a torná-lo mais agradável. Mas muitas vezes surge a questão: “Como é que posso acompanhar o meu filho?”

Iolanda Anunciação

A criança desenvolve-se na articulação de todos os contextos onde está inserida. As rotinas de escola e de casa não devem ser vistas de forma independente, já que o sucesso do processo de aprendizagem depende destes dois ambientes.

A relação entre pais e escola será fundamental para a formação do filho enquanto aluno mas também enquanto pessoa. Devido ao ritmo de trabalho, cada vez mais intenso, por vezes os pais têm dificuldades em acompanhar os seus filhos na escola.

Este acompanhamento pode ser feito de várias maneiras: participando das reuniões da escola, verificando o caderno do aluno diariamente, conversando sobre o que se passou na escola (o que aprendeu; que tipo de trabalhos foram feitos; que brincadeiras teve com os colegas) e incentivando o gosto pelo aprender.

Pergunte o que o seu filho aprendeu

Para além de ficar a par da matéria que ele está a dar na escola, vai demonstrar interesse na vida escolar dele. Se possível mostre-lhe como o que aprendeu pode ser aplicado no seu dia a dia, com exemplos de revistas, filmes ou experiências familiares, o que ampliará o seu conhecimento. De forma a reforçar a expressividade dele utilize perguntas abertas como “o que gostaste mais de fazer hoje na escola?” ou “o que aprendeste hoje de novo?” em vez de “correu bem a escola?” ou “aprendeste coisas novas?” que levam apenas a respostas de tipo sim/não. Dê exemplos da sua vida escolar, do que aprendeu e de como se sentia na altura.

Incentive o estudo diário

Demonstre ao seu filho a importância de estudar diariamente os conteúdos que aprendeu na escola. Se ele ficou com alguma dúvida, poderão fazer uma pesquisa, em casa, de modo a aprenderem os dois juntos. O seu filho deve perceber que é muito mais rentável estudar um pouco por dia do que deixar toda a matéria para estudar na véspera de um teste.

Estabeleça um horário de estudo

É muito importante a existência de uma rotina organizada e consistente para além do horário escolar. Elabore com o seu filho um horário que envolva as atividades extracurriculares que frequenta, os tempos de descanso, de brincadeira e o tempo reservado à realização dos trabalhos de casa e ao estudo diário. Construa um horário com o seu filho e coloque-o num local de fácil visualização, para que seja cumprido diariamente.

Organize um local próprio para o estudo

O local de estudo deve ser um lugar calmo, iluminado, limpo e organizado para o momento, onde não devem existir estímulos distraidores (televisão, computador, consolas de jogos), tendo o máximo conforto.

Verifique os cadernos diários

Peça para ver os cadernos do seu filho, mostrando, assim, interesse pelos seus trabalhos. Ao perceber que ele se esforçou, dê valor/valorize-o. O reforço positivo é muito importante para que ele se motive no papel de aluno.

Acompanhe os TPC e o estudo

A participação dos pais nestas tarefas é muito importante para o desenvolvimento da motivação do seu filho para a escola e para o estudo. Incentive as suas responsabilidades enquanto aluno e valorize a execução das tarefas que lhe são dirigidas. No entanto, não faça os TPC por ele, explique-lhe aquilo que o seu filho não percebeu e leve-o a descobrir por ele a resposta, passando apenas algumas estratégias de resolução. Desta forma estará a desenvolver a autonomia dele enquanto aluno.

Fomente a leitura

A leitura é uma fonte de aprendizagem, amplia o vocabulário, a criatividade e os conhecimentos gerais. Não obrigue o seu filho a ler, estimule-o, seja também um modelo nesta atividade. Leia com ele e para ele. Os filhos que desde cedo veem os seus pais a ler jornais, revistas, livros, têm uma maior predisposição para desenvolver o prazer da leitura.

Tenha tempo para brincar com o filho

Muitas brincadeiras são verdadeiros estímulos. Existem muitos jogos que poderão fazer, usando e desenvolvendo o raciocínio mental, bem como competências de leitura e de escrita (o jogo do STOP, o jogo da forca, sudoku, sopa de letras, xadrez, jogo da memória). Use a música nas suas rotinas, por exemplo, cante quando vai no carro com o seu filho. A música é uma forma de trabalhar competências como a memória, o ritmo e o aumento de vocabulário.

Participe nas reuniões na escola

As reuniões de turmas são um veículo importante para pais e professores. Estas permitem conhecer os professores do seu filho, esclarecer dúvidas sobre o aproveitamento e desenvolvimento dele e verificar o seu comportamento na sala de aula. Com esta relação está a implicar-se ativamente na vida do seu filho. Não cometa o erro de só ir à escola quando existe algum problema.

Converse com o professor

Converse com o professor do seu filho sempre que possível. Se não concordar com a sua opinião, fale com ele a sós e nunca à frente do seu filho. Ensine, sempre, o seu filho a ouvir o professor e a respeitá-lo.

O desenvolvimento do seu filho em fase escolar será tanto melhor quanto mais apoiado se sentir. Este acompanhamento transmitirá ao seu filho segurança, autoconfiança e ânimo para lidar com as diferentes tarefas escolares.

Iolanda Anunciação

Mestre em Psicologia do Desenvolvimento e Educação da Criança e licenciada em Ciências da Educação, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. Exerce funções como Técnica Superior de Educação no CRIAR – Centro de Educação e Terapia, ao nível da intervenção psicopedagógica com crianças com Necessidades Educativas Especiais. Possui experiência como tutora de crianças com Perturbação do Espectro do Autismo, coterapeuta em grupos de interação social e como professora de apoio em ATL de ensino básico.

 

 

 

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