Há alunos que nos chegam à alma…

Janeiro 25, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Carla Machado publicado na http://visao.sapo.pt/ de 7 de janeiro de 2018.

O T. tem um caderno pequenino tipo Moleskine de capa dura que usa para todas as disciplinas do 11º ano num curso de Ciências. A J. descreve-se como preta e alta e no dia do seu aniversário teve um bolo de aniversário. E afirmou, num português hesitante: a professora fez mim feliz

O T. tem dezasseis anos e quer mudar o mundo. Já mo disse várias vezes e insiste que tem um plano meticulosamente delineado para esse efeito. Quando lhe propus que se candidatasse ao prémio do concurso lançado pelo Centro Nacional de Cultura “Vamos mudar o Mundo” (com o apoio da Revista EGOíSTA e da Organização das Nações Unidas e o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República de Portugal), respondeu-me, hesitante, que ia pensar. E pensou e pensou e pensou (o T. pensa muito). Este concurso pretende isso mesmo: levar os portugueses – sem restrições de idade – a refletir, na tentativa de ser encontrada uma ideia original para tornar este mundo melhor. Quando, dias mais tarde, lhe perguntei se já tinha começado a escrever a sua proposta para mudar o mundo (as regras impõem um texto até 5.000 carateres cujo prazo de entrega termina dia 21 de Janeiro de 2018), o T. fitou-me com ar sério e penetrante. Não, stora. Não sei se vou conseguir fazer isso. Claro que vais! – respondi-lhe. E podes mesmo ganhar uma viagem a Nova Iorque para entregares a tua ideia de como mudar o mundo no Gabinete do Secretário Geral das Nações Unidas. O meu plano para mudar o mundo é individual – disse-me convicto. Como? Individual? Mas se não o partilhares, como vais conseguir que as tuas ideias se espalhem? – insisti. Não, a stora não me compreende. Só eu é que sei como posso mudar o mundo. Tenho já várias ideias escritas (nisto mostra-me um caderno repleto de apontamentos nesse sentido). Mas a mudança do mundo parte de dentro de mim e só depois se poderá espalhar aos outros…

O T. não gosta de cadernos diários e não tira apontamentos nas aulas. De facto, não precisa assim tanto deles pois consegue melhores resultados sem caderno do que outros alunos com vários, um para cada disciplina. O T. tem um caderno pequenino tipo Moleskine de capa dura que usa para todas as disciplinas do 11º ano num curso de Ciências. Pedi-lhe, numa das últimas aulas do primeiro período, se mo deixava ver. Deixou. Fiquei alguns minutos parada e perdida num mundo de gatafunhos e desenhos e setas e poucas, muito poucas palavras. Diria mesmo que apenas as que ele considera essenciais para mudar o mundo. Ao longo das aulas, olha-me atenta e fixamente, presenteando-me sempre nas suas intervenções com uma ideia, pergunta ou resposta que me fazem parar. E pensar. Na última aula do primeiro período, pedi ao T. para fazer a sua autoavaliação. Respondeu-me apenas, imperturbável: – Mereço um vinte. E se calhar merece. Mas a escola pública não está preparada para lho dar.

A J. veio da Serra Leoa e com apenas dezassete anos já viu o seu mundo mudar várias vezes. Fugiu. Do ébola. Da circuncisão. Da dor. Da morte. Passou pela Guiné e pelo Senegal, primeiro. Chegou a Portugal e a Lisboa, depois. Tem saudades de Freetown mas diz que Lisboa é uma boa cidade e que em Portugal se come muitas vezes e há muita comida. E frequenta uma escola pública T.E.I.P. (território educativo de intervenção prioritária) que a recebeu mesmo sem ela falar português. A J. perdeu os pais e toda a família. Chegou até nós através de um Centro de Refugiados e mesmo sem falarmos a mesma língua, comunicamos como se nos conhecêssemos desde sempre. Contou-me da sua vida de antes. A vida difícil que os pais levavam. O esforço que fizeram para que ela frequentasse a escola diariamente. O almoço que era sempre o mesmo e que consistia em pão com manteiga. O desaparecimento dos pais que saíram para trabalhar e nunca mais voltaram. A fuga à circuncisão que lhe era imposta. E contou-me da sua vida de agora: as pequenas compras que faz no supermercado, o seu prato favorito de arroz com feijão e folha de mandioca que cozinha para si própria, as longas extensões com caracóis que ambiciona poder comprar. A J. descreve-se como preta e alta e no dia do seu aniversário teve um bolo de aniversário. E afirmou, num português hesitante: a professora fez mim feliz. Na última aula que tivemos, a J. confessou-me, com os seus olhos negros penetrantes: Portugal mudou minha vida.

E se calhar mudou. A escola pública, afinal, vai ainda conseguindo mudar vidas…

Carmo Miranda Machado é formadora profissional na área comportamental e professora de Português no ensino público há vinte e sete anos, tendo trabalhado com alunos do 7º ao 12º anos de escolaridade. Possui um Mestrado em Ciências da Educação (Orientação das Aprendizagens) pela Universidade Católica Portuguesa e tem como formação base uma Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Tem dedicado a sua vida às suas três grandes paixões: o ensino, a escrita e as viagens pelo mundo. Colabora na Revista Mais Alentejo desde Fevereiro de 2010 como autora da crónica Ruas do Mundo, tendo ganho o Prémio Mais Literatura atribuído por esta revista nesse mesmo ano. Publicou até ao momento, os seguintes títulos pela editora Colibri: Entre Dois Mundos, Entre Duas Línguas (2007); Eu Mulher de Mim (2009); O Homem das Violetas Roxas (2011) e Rios de Paixão (2015).

 

 

Que grande seca, stora!

Agosto 29, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Carmo Machado publicado na http://visao.sapo.pt/ de 18 de agosto de 2017.

O relato de uma professora de Português de um dos episódios que viveu este ano letivo “com uma turma difícil do oitavo de escolaridade, constituída por alunos repetentes sem qualquer apoio ou orientação”

Com um novo ano letivo à porta, renasce em mim a esperança de que desta vez será mais fácil. Porque o grande sonho de um professor é poder partilhar o que sabe com os seus alunos e receber, como moeda de troca, o que eles também têm para lhe dar. Este transação sofre, por vezes, a influência de vários fatores que a dificultam sendo a desmotivação, na minha opinião, o pior desses fatores.

Hoje quero partilhar convosco o que vivi com uma turma difícil do oitavo de escolaridade, constituída por alunos repetentes sem qualquer apoio ou orientação. Percebi, logo no início do primeiro período, que não tinham a mínima motivação para a escola e que, além disso, eram barulhentos e indisciplinados. Se não os tratasse com pinças, facilmente seriam insolentes. Após quatro ou cinco aulas consecutivas a gerir conflitos dentro da turma e a tentar controlar as minhas próprias emoções, compreendi a necessidade de pesar e medir toda e qualquer palavra (gesto ou reação) que ativaria, de imediato, a sua agressividade.

Percebi também, ainda antes do primeiro período terminar, que para levar a turma a bom porto, a exaustão (a minha) seria certamente o resultado. Mas não desisti. Tentei e voltei a tentar, recorrendo a tudo o que me estava e não estava disponível. Tudo os entediava. Uma seca, stora! Um dia em que me encontrei à beira de mim própria, parei de falar e sentei-me. Sim, sentei-me! O que, naquela turma, significaria que eles se levantariam de imediato e tudo poderia acontecer. Só de pé e a deambular pela sala de aula como um polícia os conseguia (minimamente) controlar.

Nenhuma estratégia parecia resultar. Tentei de tudo. Debates, filmes, jogos, trabalhos de pares, até trabalhos de grupo. Sim, caro leitor. Se não é professor, fique a saber que organizar um trabalho de grupo numa turma com estas características é demasiado arriscado. Não se sabe o que pode acontecer. Os comportamentos de trinta alunos problemáticos podem tornar-se incontroláveis. E o barulho, esse, é certamente ensurdecedor. Como não sou de desistir facilmente, arrisquei. Cada grupo teria de escolher/inventar uma personagem e produzir sobre ela um texto de cariz autobiográfico. Após várias tentativas para os motivar (estes alunos não queriam simplesmente fazer absolutamente nada), um grupo pediu-me se podia escrever “em rima”. Em rima, seja! Saiu um texto autobiográfico em verso sobre a vida de um prisioneiro que não tendo acesso ao consumo de drogas na prisão, decidira matar-se. Nenhum dos outros grupos concluiu a tarefa.

Perante a minha crescente desolação, desabafei com os colegas. Porém, não há nada que se possa fazer. A turma é nossa, somos nós que temos de lidar com ela e ninguém nos pode ajudar. Mesmo que nos apeteça desaparecer da sala e da escola para sempre, temos de voltar no dia seguinte e recomeçar tudo novamente como se o dia anterior não tivesse existido. Um dia, cansada de tentar falar por cima das suas vozes, cansada de pedir para estarem calados, cansada de mandar alunos para a rua, parei de falar, sentei-me à secretária e desisti. E então dois ou três alunos daqueles que se sentam mesmo ali à nossa frente, apercebendo-se do meu colapso, disseram-me isto:

A gente não quer estudar, stora. Se nos deixar sair sem falta, a gente não põe cá os pés porque a gente não curte estudar, está aqui a perder tempo… Faça como a stora do ano passado fazia. Ela deixava-nos sair sem marcar falta. Não tem nada a ver com a stora. A stora até é fixe e tudo mas a gente não curte estar aqui.

Perante estas palavras, engoli em seco e tive uma certeza: a motivação destes alunos para a escola é uma porta que só se abre por dentro.

Felizmente ouviu-se o toque de saída…

Carmo Miranda Machado é formadora profissional na área comportamental e professora de Português no ensino público há vinte e sete anos, tendo trabalhado com alunos do 7º ao 12º anos de escolaridade. Possui um Mestrado em Ciências da Educação (Orientação das Aprendizagens) pela Universidade Católica Portuguesa e tem como formação base uma Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa. Tem dedicado a sua vida às suas três grandes paixões: o ensino, a escrita e as viagens pelo mundo. Colabora na Revista Mais Alentejo desde Fevereiro de 2010 como autora da crónica Ruas do Mundo, tendo ganho o Prémio Mais Literatura atribuído por esta revista nesse mesmo ano. Publicou até ao momento, os seguintes títulos pela editora Colibri: Entre Dois Mundos, Entre Duas Línguas (2007); Eu Mulher de Mim (2009); O Homem das Violetas Roxas (2011) e Rios de Paixão (2015).

 

 

A relação professor-aluno é uma escola para a vida

Junho 29, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://observador.pt/ de 6 de junho de 2017.

Afonso Mendonça Reis

Os professores são a esperança num mundo livre de ignorância e cheio de valores. Esta questão é tão mais relevante quanto mais tempo passamos em ambientes sem moderação, como a internet.

A campanha ‘Inspira o teu Professor’ existe para reforçar a missão social dos professores. Hoje, quatro meses passados a trabalhar nas escolas, o que aprendemos?

A educação é uma prioridade para os Global Shapers Lisbon Hub. E, no sistema de ensino, são os professores quem tem maior impacto no desempenho escolar dos alunos. Hoje os professores estão desmotivados e os Global Shapers associaram-se ao Inspira o teu Professor por uma educação que promova todo o potencial dos jovens e de Portugal.

A campanha ‘Inspira o teu Professor’ desafia os alunos a pensar no impacto que os professores têm na sua vida e a produzir conteúdos como vídeos, cartazes e cartas para os inspirarem. Estes conteúdos permitem reconhecer não só a missão social dos professores, mas as características que os alunos valorizam nos professores e no ensino. A reflexão que se segue resulta da minha análise dos conteúdos produzidos durante a 2ª edição do ‘Inspira o teu Professor’ e do nosso trabalho nas escolas.

Os alunos, quando levados a reflectir, reconhecem a importância dos professores na sua vida. É com o que aprendem na escola e com os professores que vão poder realizar os seus sonhos: “ser professor é ser condutor de almas e de sonhos”; “levar para o resto da vida o que os professores nos ensinaram”. Hoje ser professor tem um âmbito mais alargado, dado as famílias terem menos tempo para os filhos. Vários alunos contam com os seus professores para superar as suas dificuldades, “iremos lembrar as caras dos nossos professores para o resto das nossas vidas, pois foram eles quem mais nos ajudaram quando mais precisámos”. Uma aluna lembrava que uma professora não ensina apenas uma, mas várias gerações.

Professores têm um papel muito importante na transmissão de valores. Apesar de incutir valores ser um papel do foro da família, os alunos reconhecem nos professores uma fonte de inspiração e alguém que lhes incute valores. Os professores são inspiradores, porque me ensinaram “a fazer o que é correcto, perante uma situação difícil seja ela qual for”. Os professores são a “esperança num mundo livre de ignorância e cheio de valores”. Esta questão é tão mais relevante quanto mais tempo passamos em ambientes sem moderação, como a internet. Os jovens podem falar com qualquer pessoa sem que a sua família se aperceba ou os “acompanhe”. Conhecemos o caso do jogo da Baleia Azul, que tanto nos chocou. São valores sólidos que os ajudam a proteger-se.

A relação professor-aluno precisa de mais empatia. Os alunos contam-nos que é fácil culpar os professores “por tudo” e que se esquecem que os professores “também são pessoas”. Eles próprios, os alunos, dizem que são por vezes “chatos, casmurros, mal-educados, etc.”, mas que, “no fundo, são boas pessoas”. Os mesmos alunos gostariam que os professores os conhecessem melhor, que soubessem quem são e o que os torna únicos. Alguns professores destacam que a carga lectiva e burocrática limita o tempo para poder investir mais na relação com os alunos.

Os alunos são muito claros, valorizam o professor interessado nos seus alunos, que não desiste deles e que goste de ensinar. Num tom mais provocador, mas não menos curioso, um grupo de alunos definiu a escola e a sua experiência no sistema de ensino, como uma prisão. Mas é esta boa relação com os seus professores que lhes permite transcender a prisão.

Desenvolver autonomia é uma grande oportunidade para fomentar uma relação frutífera entre alunos e professores. O facto dos alunos se desresponsabilizarem culpando os professores, é uma oportunidade. Esta atitude passiva pode advir de os alunos sentirem que não têm influência sobre a sua escola. Muitos professores mostraram interesse em ouvir a opinião dos alunos através dos conteúdos. Envolver os alunos no funcionamento da escola, permitiria desenvolver autonomia e valorizar o esforço colectivo, e investimento da sociedade, para que a escola funcione. Existem exemplos de escolas no Japão onde os alunos limpam a escola. Os alunos fazem-no com normalidade porque terão de fazê-lo como adultos. Dar espaço aos alunos para preparar e dar aulas é uma óptima forma de ver que abordagens pedagógicas eles privilegiam, fazê-los estudar mais e partilhar a responsabilidade. Assim os alunos não seriam “vítimas da prisão”, mas trabalhariam em equipa com os professores para tornar a sua própria aprendizagem mais dinâmica e estimulante.

As boas relações têm um grande impacto na nossa educação, aprendizagem e felicidade. Um artigo do New York Times cita um estudo feito pela Microsoft no Canadá que mostra que hoje a nossa concentração média é de oito segundos, abaixo dos 12 segundos de um peixe. A tecnologia expandiu o acesso a serviços e conhecimento, mas deve ser utilizada com equilíbrio. A hiper-conectividade e os smartphones estão a privar-nos da nossa atenção e concentração. Sem elas, vamos ter mais dificuldade em aprender, discernir sobre o mundo e criar relações, no nosso caso, entre professores e alunos. Mas as relações não são só importantes na educação. Um estudo longitudinal desenvolvido ao longo de 75 anos em Harvard mostra que relações de qualidade são a base de uma vida feliz. Os professores têm um grande impacto nos alunos pelo que ensinam, os valores que transmitem e pela relação que criam. O fomentar desta relação é tão importante quanto uma oportunidade para os alunos desenvolverem empatia e autonomia, que potencia a sua aprendizagem agora e o seu desenvolvimento futuro.

Afonso Mendonça Reis é fundador das Mentes Empreendedoras, Inspira o teu Professor e Professor Universitário na Nova SBE, foi nomeado um Global Shaper em 2012 pelo Fórum Económico Mundial.

O Observador associa-se aos Global Shapers Lisbon, comunidade do Fórum Económico Mundial para, semanalmente, discutir um tópico relevante da política nacional visto pelos olhos de um destes jovens líderes da sociedade portuguesa. Ao longo dos próximos meses, partilharão com os leitores a visão para o futuro do país, com base nas respetivas áreas de especialidade, como aconteceu com este artigo sobre a inovação social. O artigo representa, portanto, a opinião pessoal do autor e não vincula os Global Shapers de Lisboa.

 

 

A educação já não quer (só) o quadro preto, o lápis e o caderno

Junho 29, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do Observador de 20 de junho de 2015.

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Catarina Marques Rodrigues

Ensinar o corpo humano com vídeos do YouTube e fazer resumos das aulas com um tweet. Demorar cada aula pelo tempo que cada aluno demora a aprender. A educação já não é o que era?

Estamos a assistir a uma revolução na forma de educar os nossos alunos? Os exemplos e as opiniões de especialistas dizem que sim. A mudança não só é uma realidade, como uma necessidade. A Quartz debruça-se sobre o conceito de blended learning — um programa de educação em que o estudante aprende, pelo menos em parte, com recurso a conteúdos pela via digital e dos media. Estendendo este conceito ao máximo, temos a base da Khan Academy, que disponibiliza vídeos online sobre todas as disciplinas e para todos os anos, com explicações interativas. Dos mais de dois mil vídeos, consta, por exemplo, um sobre “o que são as células” e outro sobre “o que é a inflação”.

Em vez de se medir o tempo passado na sala de aula (duas horas de português, duas horas de matemática, duas horas de ciências da natureza), há quem esteja a propor que a educação se vá orientando pelo tempo que o aluno demora a aprender cada matéria. Ou seja, se o aluno aprender os conteúdos de português numa hora e os de matemática em três, então essa adaptação vai-se fazendo de forma personalizada, em vez de se cumprir o tempo definido a passar na sala de aula. Este é um modelo já seguido em algumas escolas de New Hampshire (EUA), conta a publicação.

A revolução do digital já está em todo o lado e motivou académicos e especialistas a escrever a “Open Letter on the Digital Economy” (Carta aberta sobre a economia digital). Os subscritores recomendam uma série de políticas públicas aos EUA para aproveitarem as vantagens das ferramentas digitais. Uma das áreas em destaque é precisamente a educação. “Temos de reinventar a educação, sobretudo nas disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Temos de nos afastar de uma aprendizagem mecânica e temos de nos basear mais nas nossas capacidades tão únicas, como a criatividade e as relações interpessoais”, lê-se no texto.

“Durante as últimas décadas o nível de educação estagnou e, ao mesmo tempo, a necessidade de competências que estão ligadas à explosão das tecnologias digitais continua a aumentar”, recomendam os subscritores, entre os quais estão professores da Universidade de Toronto, da Harvard Business School e os vencedores do Prémio Nobel de Economia de 2007 e 2013. “Temos de redesenhar a forma como educamos em todos os níveis, e usar o poder das tecnologias digitais”.

A resistência à mudança sente-se também em Portugal. Em outubro, David Rodrigues denunciava na conferência “A Inclusão nas Escolas” que os professores estão muitas vezes “pouco disponíveis para modificar a sua forma de ensinar”. Em entrevista ao Observador, o professor catedrático na Universidade Portucalense e diretor da revista “Educação Inclusiva” referia que os docentes deviam usar a internet, as redes sociais e os dispositivos móveis para ensinar, já que são ferramentas próximas dos alunos. E exemplificava. “Há professores nos Estados Unidos que pedem um resumo da aula aos alunos com um tweet.

David Rodrigues sugere que se use filmes do YouTube para explicar uma matéria ou que se use o Facebook para comentar uma fotografia e falar sobre um assunto. “Não coloquem as novas tecnologias fora da escola. Aceitem-nas para que elas possam contribuir”, pede o especialista.

Há professores a pensar: ‘como é que eu vou dar o corpo humano?’ Não é nada difícil, há cinco mil vídeos no YouTube sobre o corpo humano”, explica

“A maior parte dos professores pensa; ‘uma coisa é aula, que tem o livro, o caderno de fichas e o quadro preto, e outra coisa são os smartphones e os tablets. Errado. A escola do século XXI tem de ser diferente porque os alunos são diferentes”, remata o professor.

 

 

10 trucos para enamorar a tus alumnos

Abril 22, 2015 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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texto do site http://justificaturespuesta.com  de 27 de janeiro de 2014.

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Escrito por Santiago

El artículo de hoy es uno de esos artículos que se basan más en la experiencia personal que en la teoría. Son pequeñas actuaciones que voy llevando a cabo durante estos últimos años y quiero pensar que con cierto éxito. Los trucos de los que os quiero hablar hoy se caracterizan principalmente por su sencillez, ya que todos somos capaces de llevarlos a cabo en nuestras sesiones lectivas.

En la actualidad, hay un término inglés que se ha popularizado enormemente en distintos campos y disciplinas, también en la Educación. Se trata de la palabra engagement. Un término, por otra parte, de no muy fácil definición pero que viene a definir un tipo de relación personal basado en la fidelización, en el compromiso y en la motivación. En mi caso prefiero un término que creo que nos es mucho más cercano a todos. Este término no es otro que enamorar.

Qué trucos podemos utilizar para enamorar a nuestros alumnos?

Vaya por delante que la intención de este artículo no es hacer que nuestros alumnos acaben rendidos a nuestros encantos. Nada más lejos de eso. A lo que me refiero con la palabra enamorar, es conseguir conectar con los alumnos, que se alegren de vernos, que esperen con ilusión la clase que les vamos a impartir, que sean capaces de ver en nosotros a un modelo, a alguien cercano. Esto para mí es lo que entiendo por enamorar a los alumnos y estos son algunos de los trucos que creo te pueden funcionar:

 

  1. Entra sonriendo. No digo nada nuevo al afirmar la importancia del lenguaje no verbal a la hora de comunicarse. Personalmente, la entrada en el aula es un momento al que le concedo muchísima importancia, porque en cierta manera puedes adivinar cómo se desarrollará la sesión lectiva. En mi caso siempre intento entrar con una sonrisa. Y entro con una sonrisa porque sé que es contagiosa, porque siempre habrá algún alumno que te devolverá en algún momento esta sonrisa. Con este alumno habrás conseguido conectar muy probablemente hasta el final de la clase. No entiendo el empeño de muchos docentes en entrar con el semblante serio o proyectando cierto enfado. No tengo muy claro que el semblante serio implique mayor control del aula y mayor disciplina. En mi caso, al menos, prefiero enseñar desde la sonrisa. Tiempo habrá si acaso de ponerse serios durante la sesión lectiva.
  2. Cuenta una anécdota. No hay mejor forma de conectar con un alumno que contando una anécdota. Una anécdota que puede ser nuestra o de otra persona. Las anécdotas, como las historias, tienen un enorme poder de seducción para los alumnos. Debemos ser capaces de poder usar estas anécdotas de una forma inteligente, ir dosificándolas a lo largo de una clase. Son una excelente forma de captar la atención, de disminuir conductas disruptivas, de encandilar a tus alumnos. Se puede y se debe enseñar contando historias, contando anécdotas. Y tan importante es contarlas como que nuestros alumnos también puedan hacerlo.
  3. Finaliza la clase con un vídeo. Este truco no falla nunca. Ya me he referido en otros artículos a la importancia de diversificar los distintos materiales de que disponemos. Aquellos que contamos en clases con equipos de audio y pantallas digitales o proyectores, conexión a internet, debemos aprovecharnos al máximo de estos recursos. Poniendo un vídeo al final de la sesión es una excelente forma de decirles a tus alumnos que han hecho un buen trabajo durante la sesión, que estás satisfecho y agradecido por ello, y que quieres recompensar este esfuerzo con un tipo de material que permite la distensión y la relajación. Es un momento para disfrutar con ellos. Yo os recomiendo que sean vídeos que no superen los cinco minutos y que, en la medida de lo posible, guarden relación con el currículo de la Unidad Didáctica que estés impartiendo. También hay que tener muy en cuenta un canal como el de Youtube, muy popular entre los alumnos.
  4. Aprende de tus alumnos. No hay mejor manera de enamorar que hacerles ver a tus alumnos que ese día ellos te han enseñado algo. Se trata de un truco muy sencillo, ya que puedes aprovechar las asignaturas que hayan tenido ese mismo día. La propia pizarra tradicional te dará un montón de pistas. Hazte el curioso, y deja que ellos te enseñen algo que saben, algo que para ellos tiene cierto valor y escúchales con atención, de forma activa, asintiendo con la cabeza. Hazles sentir importantes, hazles sentir que ellos también tienen algo que decirte.
  5. Da o presta algo que sea tuyo. En el maletín de un docente hay algunas cosas que nunca pueden faltar. Los pañuelos de papel son una de esas cosas. A los alumnos les encanta que les demos o prestemos algo. La acción de coger el maletín y sacar algo de dentro y dárselo al alumno es visto por muchos de ellos como algo muy a valorar. He hablado de pañuelos de papel, pero también puede ser material escolar. En este caso hazles ver que se lo prestas indicándoles que para ti es algo importante, que deben responsabilizarse de este material prestado. En ese momento estarás creando un vínculo entre tú y el alumno, y podrás aprovechar para hablar con él cuando te lo devuelva.
  6. Di o haz algo inusual. No no te estoy pidiendo que hagas el payaso en clase. Para nada. De lo que se trata es de llevar a cabo algunas actuaciones que se salen de lo normal en una clase lectiva. Puede ser un gesto, un movimiento, cantar una canción, recitar un poema, cambiar el tono de voz, andar de puntillas hacia un alumno que está medio dormido…. Estas extravagancias tienen un poder tremendamente efectivo, porque descolocan al alumno y al mismo tiempo consigues arrancarle una sonrisa de complicidad. Haz de la sorpresa una de tus mejores armas para enamorar a tus alumnos.
  7. Intercambia los papeles. Muchos de vosotros sabéis el poder de atracción que tiene la silla del profesor en el aula. Cuántas veces habremos entrado en el aula y nos habremos encontrado con que hay un alumno sentado en la silla del profesor. Pues bien, a lo largo de la sesión lectiva puede ser un excelente recurso para enamorar a tus alumnos el intercambiarse los papeles. En mi caso me gusta hacerlo cuando estamos repasando algunos conceptos de una Unidad Didáctica. Lo que hago es sentarme en la silla de alumno y el alumno en la mía. Lo cierto es que se produce una situación que a los alumnos siempre les choca y os aseguro que, bien gestionada, hace que se produzca un momento de distensión en el aula.
  8. Convierte a un alumno en protagonista. No hay nada que nos guste más que sentirnos especiales. Pensad si no en vuestros aniversarios. Creo que no existe mejor manera de conectar con las personas que haciéndoles ver lo importantes que son para ti. Pues bien, os recomiendo que proyectéis esta idea en vuestros alumnos, que hagáis sentirlos especiales, que potenciéis sus cualidades y sus virtudes. Si así lo hacéis, lograréis establecer un vínculo que os beneficiará enormemente, porque la respuesta que tendrá ese alumno será de gratitud. Y la gratitud es una muy buena compañera para enseñar y para aprender.
  9. Crea expectativas. Tenemos que ser capaces de vender nuestro producto. Y hacerlo de la mejor manera posible. En el mundo del marketing el mejor producto es aquel que mejor se vende, independientemente de si es mejor o peor. Así que nosotros debemos vender aquello que enseñamos mediante la creación de expectativas. La creación de expectativas son muy útiles al inicio de una sesión lectiva. Una vez entréis en el aula, lo primero que debéis hacer es dar a conocer vuestro producto, lo que enseñaréis. Y hacerles ver que será algo único, especial, diferente, maravilloso, increíble. Estas expectativas serán recogidas por vuestros alumnos y os aseguro que la predisposición para su aprendizaje será mucho mayor.
  10. Bromea. En otros artículo he afirmado que se puede y se debe aprender jugando. Pues bien, en este artículo también quiero pensar que se puede y se debe aprender bromeando. Porque cuando bromeamos estamos enseñando a nuestros alumnos que nos podemos reír con la gente y no de la gente. Una broma dicha a tiempo es un arma tremendamente poderosa para establecer un vínculo emocional con tus alumnos. Favorece el lenguaje figurado, rebaja la tensión, crea distensión, sirve para establecer transiciones entre las diversas actuaciones en el aula.

Como podéis ver, estos trucos o consejos tienen una muy fácil realización dentro de un aula y son aplicables a todas las edades. En muchas ocasiones no somos conscientes de que las grandes clases se nutren de estas pequeñas actuaciones. Debemos reflexionar sobre cuál es nuestro papel en el aula y qué hacemos para capar la atención, para enseñar a nuestros alumnos, para seducirles con nuestras palabras y nuestros gestos, para, en definitiva, enamorarles. Esforcémonos entonces en ganarnos a nuestros alumnos, para que este enamoramiento les propicie una mejor predisposición en sus procesos de enseñanza-aprendizaje.

Ya que el artículo trata de cómo enamorar, me permitiréis que acabe la entrada con una célebre cita de Gesualdo Bufalino que reza sí:

Enamorarse es un lujo, quien no puede permitírselo, finge. [TUITÉALO]

 Todavía no te has unido a la página de Facebook de Justifica tu respuesta? Aquí te dejo el enlace.

 

 

Dicas para valorizar o professor do seu filho

Fevereiro 26, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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dicas

 

Como ser um entre muitos? Café com Palavras na Escola Secundária José Gomes Ferreira

Novembro 18, 2014 às 12:15 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Breve CV: Patrícia Vasconcelos – Inicia-se como Casting Diretor em 1989. É hoje responsável pelo casting de inúmeros filmes, nacionais e estrangeiros, programas, séries e filmes publicitários, para a televisão e cinema. Professora de casting na ACT, na Escola Superior de Teatro e Cinema, na Escola Profissional de Teatro de Cascais, no curso de Realização da Universidade Lusófona, entre outros estabelecimentos com que colabora. Ainda encontra tempo e força para ser cantora de Jazz e participar ativamente no projeto “Zero Desperdício”. Por último, mas não menos importante, é mãe de 2 filhos, um rapaz com 20 anos e uma menina com 9.

http://sites.esjgf.com/esjgf-com-apais/home

Escola Secundária José Gomes Ferreira
Rua José Sebastião e Silva
1500-500 Lisboa
Portugal

 

Crianças diferentes – Múltiplos olhares sobre como avaliar e intervir

Março 4, 2014 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Os trabalhos de reflexão, investigação e aplicação que compõem este livro ilustram como esta abordagem nos pode ajudar a mudar de um conceito tradicional de diferença para um conceito dinâmico e multidimensional da(s) diferenças(s), em que:

1.O foco na “reparação” da criança, se desloque para o foco da formação e da qualificação dos professores e demais técnicos de educação, para promoverem o desenvolvimento do potencial da criança.

2. O foco sobre o que “não funciona” na criança (dificuldades, deficiências, défices), se redirecione para o que funciona na criança (capacidades e potencial)

3.O foco centrado nos problemas e no diagnóstico, ceda lugar ao foco nos recursos e na apreciação da modificabilidade da criança.

4.O foco na avaliação estática do desempenho da criança, mude para o foco na avaliação dinâmica do potencial e da capacidade de modificabilidade da criança.

5.O foco na função do professor que ensina, se transfira para o foco na função do professor mediador de desenvolvimento e de aprendizagem.

6.O foco na sala de aula, se alargue ao foco na relação sala de aula-escola-família-comunidade.

Neste, livro conjugámos oito respostas possíveis para esta mudança. Estas respostas, traduzem múltiplos olhares sobre a assimetria de SER DIFERENTE. Estes múltiplos olhares cruzam perspectivas de investigadores e práticos de formação multidisciplinar de vários países e estão organizados em duas partes, a primeira, mais orientada para a avaliação e, a segunda, mais direccionada para a intervenção. As temáticas seleccionadas não pretendem abarcar todo o espectro da(s) diferença(s), seleccionámos algumas das que mais preocupam a comunidade educativa no nosso país. Em termos globais, abordamos múltiplos olhares sobre a avaliação e intervenção nas dificuldades de aprendizagem e as necessidades educativas especiais. Em torno destas temáticas, incide-se mais directamente sobre os factores de risco e de protecção associados ao sucesso educativo, a importância das percepções dos professores no desempenho dos alunos, a necessidade de olhar os alunos em função dos seus talentos e não só das suas dificuldades, e a necessidade de olhar as altas capacidades/sobredotação e os talentos no espectro da diferença. De seguida, ilustramos brevemente como se desenvolve a apresentação dessas temáticas ao longo do livro.

Professora relata inferno que vive dentro da sala de aulas

Fevereiro 25, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do Açoriano Oriental de 16 de Fevereiro de 2014.

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Irão: Professor acaba com bullying contra aluno ao rapar o cabelo

Janeiro 29, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 29 de janeiro de 2014.

tsf

Um professor no Irão soube que um seu aluno estava a ser vítima de bullying, depois de ter ficado careca por causa de uma doença. Rapou o cabelo em solidariedade. E toda a turma fez o mesmo.

O Guardian, que conta a história do professor Ali Mohammadian, diz que o movimento de solidariedade que se gerou foi suficiente para acabar com a perseguição a esse aluno.

A notícia espalhou-se pelos meios de comunicação locais e o professor, que ensina numa escola do Curdistão iraniano, transformou-se num «herói nacional».

O jornal conta que Mohammadian recebeu as felicitações do presidente Hassan Rouhani e que o Governo ofereceu dinheiro para tratar a doença do aluno que estava a ser vítima de bullying.

«Estou muito feliz que isto tenha tocado tantos corações e as pessoas tenham reagido tão positivamente», disse ao jornalista do Guardian.«Todos na escola querem rapar o cabelo».

 

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