Um milhão de crianças por ano morrem no dia em que nascem

Março 12, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 20 de fevereiro de 2018.

Nuno Guedes

UNICEF lança apelo mundial para resolver problema com décadas que podia ter mas não tem solução à vista.

Dois milhões e 600 mil bebés morrem por ano antes de completarem o primeiro mês de vida, entre eles um milhão que morrem no mesmo dia em que nascem. A conta é avançada pela UNICEF, a agência das Nações Unidas que olha para a defesa dos direitos das crianças e lança agora um apelo aos governos para que resolvam um problema que tem diminuído pouco nas últimas décadas.

O relatório que suporta o apelo da Unicef revela que vários países de língua oficial portuguesa estão no topo da lista negra da morte de recém-nascidos. Portugal volta a surgir na lista de países com menos mortalidade neonatal, mais precisamente o 17º numa lista com 184 países. Em Portugal, 1 criança entre 476 falece antes de completar um mês de vida.

Guiné-Bissau, Angola e Moçambique na lista negra

No outro extremo, a Guiné-Bissau é o 6º país do mundo com mais mortalidade antes de se completar um mês de vida: 1 em cada 26 crianças. Angola é o 19º (1 em 34), Moçambique o 24º (1 em 37) e Timor-Leste o 47º (1 em 46).

Melhor classificado está Cabo Verde com 1 morte por cada 98 crianças (93º lugar no ranking). No relatório da UNICEF que serve para lançar um apelo ao Mundo, a agência da ONU sublinha que “todas as vidas contam e é urgente pôr fim à morte de recém-nascidos” pois “o número global de mortes de recém-nascidos continua a ser extremamente elevado, sobretudo nos países mais pobres do mundo”.

“O Mundo está a falhar com os recém-nascidos”

O relatório revela que mais de 80 por cento das mortes entre recém-nascidos devem-se à prematuridade, complicações durante o parto ou infeções como a pneumonia e septicemia, casos que “podem ser evitados através do acesso a parteiras com formação adequada, juntamente com soluções com eficácia comprovada, como água limpa, desinfetantes, a amamentação durante a primeira hora de vida do bebé, contacto pele-a-pele e uma boa alimentação”.

A UNICEF defende que “o Mundo está a falhar para com os recém-nascidos” e acrescenta que “os bebés que nascem nos países mais desfavorecidos têm uma probabilidade de morrer no primeiro mês de vida 50 vezes maior que os outros bebés”.

Os bebés nascidos no Japão, na Islândia e em Singapura têm as melhores probabilidades de sobrevivência, enquanto que os que nascem no Paquistão, na República Centro-Africana e no Afeganistão estão na posição inversa.

mais informações:

http://www.unicef.pt/Relatorio-Todas-as-vidas-contam/

http://www.unicef.pt/18/site_pr_unicef_o_mundo_esta_a_falhar_p_c_recem-nascidos_2018_02_20.pdf

Portuguesa cria lençóis que reduzem risco de asfixia em recém-nascidos

Fevereiro 1, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/  de 10 de janeiro de 2018.

LUSA

Mãe de dois filhos, Mónica Ferreira desenvolveu, com o apoio da Universidade do Minho, um sistema de lençóis que “reduz o risco de asfixia em recém-nascidos durante o sono”.

A universidade minhota explica, em comunicado enviado à Lusa, que Mónica Ferreira “amadureceu” o conceito no Laboratório de Ideias de Negócio e no Laboratório de Empresas da TecMinho e criou o “SafetyBabyBed” para impedir que os bebés de deslizarem na cama ou puxarem os lençóis para cima da cabeça. A universidade sublinha que “20% das crianças vítimas de morte súbita são encontradas com a cabeça coberta por roupa de cama”.

Segundo a Universidade do Minho, a ideia surgiu depois de a criadora daqueles lençóis “ter sido alertada pelos profissionais de saúde sobre o risco de sufocamento de bebés provocado pela roupa de cama e por ter conhecimento de situações de susto ocorridos com pessoas próximas”.

Mónica Ferreira explica no texto que “sabe-se que os lactentes, nos primeiros meses de vida, não têm ainda bem desenvolvido a perceção da obstrução e os reflexos de defesa”, pelo que o objetivo da solução desenvolvida é “proporcionar aos bebés e aos pais um sono mais tranquilo, diminuindo drasticamente o risco de abafamento”.

A academia minhota destaca o “design único que impede o bebé de deslizar para baixo dos lençóis, graças a um sistema de retenção/segurança que é ajustável consoante o crescimento e amovível a qualquer momento”. O modelo de lençóis integra ainda um fecho adaptado “para a criança não se destapar durante a noite, mantendo a temperatura ideal”.

O “SafetyBabyBed”, adianta a academia minhota, está em fase final de patenteamento, tendo sido já premido com o 1.º Prémio do programa “Novas Empresas Tecnológicas Têxteis”. O projeto tem contado com o apoio da TecMinho (interface universidade-empresa da Universidade do Minho), do Serviço de Pediatria e Neonatologia do Hospital de Guimarães e do CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal.

 

 

Gomes-Pedro: “A mãe não precisa de descansar e dormir, precisa é de namorar com o seu bebé”

Novembro 23, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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@André Carrilho/ Observador

Entrevista do http://observador.pt/ a João Gomes-Pedro no dia 9 de novembro de 2017.

Rita Ferreira

É pediatra há 50 anos e defende um modelo onde se privilegia a relação dos bebés com os pais. João Gomes-Pedro diz que está na hora de se criar um Ministério da Criança.

Aos 78 anos, diz que vai deixar de dar consultas, mas é difícil imaginar que assim seja, tal é a forma apaixonada com que fala sobre o modelo de touchpoints que promove, defende e ensina. Um modelo em que os pediatras não se limitam a ver se está tudo bem com a saúde da criança, mas a conversar com os pais, a ouvir-lhes as inquietações, a dar-lhes confiança e principalmente a explicar-lhes que quando se cresce, as coisas desorganizam-se para que se aprenda um pouco mais. Por isso, quando o bebé quer andar, vai desleixar o sono e dormirá pior. Mas aprendeu a andar. Quando o bebé começa a falar, se calhar vai deixar de comer como comia. Mas aprendeu a falar. Como explica Gomes-Pedro, o desenvolvimento não é feito numa linha, mas em degraus. E a cada degrau há uma desorganização, que permite que ele seja ultrapassado.

E como este pediatra acredita que cada bebé é único, rejeita receitas, quer para as cólicas, quer para o sono. Diz que as que há, normalmente são más. Gostava que todas as famílias tivessem acesso a uma consulta pré-natal, onde o casal, antes de o bebé nascer, pode começar a descobrir quem vem aí, ou a perceber que já sabe muita coisa sobre a personalidade daquele bebé que ainda está na barriga. E a levar para casa avisos tão importantes como este: não deixe que o seu bebé saia de ao pé de si no hospital por um segundo que seja

Através da Fundação Brazelton/Gomes-Pedro, já formou muitas dezenas de profissionais no modelo dos touchpoints, mas diz que o sonho ainda está longe de ser concretizado em Portugal. Este ano, na comemoração do 15º aniversário da Fundação, a habitual conferência anual — que se realiza a 9 e 10 de novembro em Lisboa — vai ser dedicada ao Bem Estar da Família e da Criança. Ao mesmo tempo, o pediatra lançou um novo livro intitulado “Pensar a Criança, Sentir o Bebé”. O Observador entrevistou-o na sede da Fundação em Lisboa.

O que é isto de pensar o bebé?
Pensar a criança, pensar o bebé, é um misto de cognição, um misto de sensibilização, de desenvolvimento emocional, desenvolvimento afetivo, desenvolvimento dos vínculos organizados sucessivamente ao longo da vida do bebé. É esta transformação de um modelo que foi um modelo patológico, num modelo biológico.

Falo do valor da paixão, da criação da paixão, do estímulo da paixão fazendo vingar um vínculo que hoje está a ser prejudicado e enfraquecido, porque as grávidas estão dois dias, três no máximo no hospital, diria que dois na maioria, e quando é o primeiro filho, se não houver uma intervenção favorável à descoberta desse bebé, torna-se praticamente impossível reforçar aquilo que hoje é uma necessidade fundamental, porque a sociedade contemporânea está a apagar a força dos vínculos do pai, da mãe, do bebé, da família.

Mas não era sequer preciso estar no hospital para ter esse apoio. Ele podia existir em casa, ou não?
Mas nós não temos o apoio que há, por exemplo, em Inglaterra com as midwives [enfermeiras parteiras que acompanham as grávidas no hospital e em casa]. Não temos visitas domiciliárias. No primeiro filho, o bebé nasce por exemplo em Santa Maria e com sorte vai lá o interno vê-lo….

Ainda assim, a abordagem desse interno, ou do pediatra, nesse tempo que tem com o recém-nascido, pode ser diferente, não é? O método que defende não é o convencional, digamos assim.
Uma vez estava com um grupo de alunos de pós-graduação a fazer a avaliação neurocomportamental do bebé e a mostrar as etapas da avaliação, quando me chamou a atenção da cama do lado da janela, um rapaz novo, se calhar interno, a fazer a avaliação do som e do olhar do bebé. Ele tinha uma lanterna com uma bola vermelha e outra azul, mas meteu aquilo no bolso e convidou a mãe a chamar o bebé pelo nome, do lado esquerdo e do lado direito, e o bebé virava para um lado e para o outro 90 graus, cumprindo aquilo que era já patente, uma desejabilidade imensa de interagir, que é o expoente máximo que nós e os pais pretendem, que é descobrir mutuamente o quem é quem. Quem é este bebé que levamos para casa ao fim de dois dias, não sabemos o que lhe havemos de fazer, não sabemos como o vamos descobrir, não tivemos ajuda no hospital, não temos ajuda aqui em casa, é com as minhas amigas e às vezes aqui com a ajuda do médico de família do centro de saúde que a gente vai aguentando e vai fazendo pelo melhor.
A parentalidade está muito na moda, mas nem sempre com os princípios que deveria ter.

Bom, falei ao rapaz e disse-lhe: “Estive a reparar e fizeste uma avaliação como nós temos ensinado. Costumas fazer?” Costumo, disse ele. Aprendi com o professor. E eu disse: já pegou! É um dos grandes sonhos de Berry Brazelton e da sua equipa, é contagiar os profissionais de saúde com este novo modelo de avaliação.

Mas porque acha que é tão difícil isso acontecer? Fazer passar essa mensagem, essa filosofia?
Porque é outra linguagem. Aquilo que aconteceu com este rapaz é a nossa desejabilidade nas maternidades. Que no dia que o bebé nasça ou no segundo dia, pelo menos, haja alguém sentado ao pé da mãe a perguntar “então como está tudo a correr?”. E aí virá uma enxurrada de perguntas da mãe a querer saber mais do que é o seu bebé. E aí nós perguntamos: ele é mais sensível à voz ou ao olhar? Como é o comportamento dele? Como acha que é a sua personalidade? Esta é a oportunidade de explicarmos que com 24 ou 36 horas de vida é possível descobrir o bebé mais controlado, que se autorregula quando está chorar, ou a ser virado, ou despido; o bebé que se autorregula e responde de forma mais completa e suave em relação àquilo que a família vai perguntando. Nós hoje sabemos pela neurociência de que as diferenças fundamentais entre os bebés, nas primeiras horas de vida, vão repercutir-se em dominó até aos 5/6 anos. Nomeadamente, por exemplo, em relação à hiperatividade, não a patológica. Perceber como é a sua motricidade, porventura inibidora de outras descobertas como o olhar e o ouvir, a forma como ele responde às carícias quando está a chorar… Aqueles bebés que não precisam de chucha, graças a Deus, são bebés que se consolam facilmente, têm uma concentração fantástica e que mais tarde, aos 6 anos, nós percebemos que aquele bebé tinha já um autocontrolo diferente de outros, com particularidades específicas.

Está optimista?
Estamos numa revolução do conhecimento, numa revolução que nos capacita para a descoberta do bebé, para a nossa intervenção junto dos pais, junto dos avós, junto nomeadamente do profissionais de saúde que vão ver aquele bebé à nascença e depois aos oito dias no centro de saúde. O médico de familia vai ser provocado a entrar na nossa linguagem. Virá o tempo em que todas as mães portuguesas irão ter a possibilidade de partilhar o quem é quem do desenvolvimento, de interação, de vínculo, de autocontrolo. De saber que um bebé não precisa de chucha para nada porque logo de início vai, em segundos, levar a mão à boca e consolar-se. Chupar é a melhor gota para as cólicas, para aquilo que é suscetível de romper o equilíbrio e que aquele bebé já é capaz de controlar. E os pais percebem nesse momento que a autorregulação é fundamental.

Não ouve que isso é fácil de dizer para quem é conhecido por calar os bebés todos que lhe aparecem a chorar no consultório?
Uma vez apareceram-me no consultório os pais e um bebé que só chorava. O pai e a mãe apareceram a suar, o pai com o bebé ao colo só saltava, saltava para ele não chorar. E assim que ele parava passava o bebé para a mãe e a mãe a saltar, coberta de suor. Este bebé tinha uma motricidade muito sensível, com os tremores, com os sustos, com a desorganização dos membros superiores e inferiores. E, a certa altura, percebi que este bebé precisava de ter controlada a sua desregulação motora. Disse: ponha aqui a mão do bebé em cima da sua e tente travar esta atividade toda. Este bebé está descontente porque não aguenta várias horas neste stress todo. E assim o bebé calou-se, como por encanto. Está a ver, disse-lhe eu? É simples, só ajudou o seu bebé a estar, por segundos, mais seguro, mais controlado e a partir daí ele vai ganhar novas forças para novos controlos, para novas capacidades, para novas potencialidades. Aquele bebé era tão competente quanto os outros, mas não há dois bebés que mostrem a mesma competência de igual maneira. Eles são todos competentes, mas cada um à sua maneira. É essa descoberta das diferenças que inspira este livro de “Pensar a Criança e Sentir o Bebé”.

A criança precisa de sentir que tudo faz sentido na sua vida. A paixão do pai e da mãe com ela, dos avós, a professora da escola. Que tenham um sentido de paixão, um sentido de coerência. Quando os bebés têm stress, são infelizes, estão negligenciados, sobretudo com fome de amor, estas crianças estão em risco e nós temos de garantir-lhes uma coerência, que faz sentido viver, senão temos crianças como os órfãos da Roménia que já não olham, já não viram a cara. Pensam ‘para que é que eu hei-de fazer um movimento para a direita ou para a esquerda se não tenho nem um colo, nem uma palavra, nem uma melodia?’ Ficam como se fossem pedras, como se fossem coisas não vivas.

Organizámos um encontro sobre a felicidade, que deixou de ser um termo foleiro das revistas de cabeleireiro e temos um conceito científico de felicidade, em que ela implica essa coerência que eu abordei, essa forma de estar que dá sentido à vida, à criança e ao jovem, qualquer que seja a idade.

O que mudaria nos hospitais e nas maternidades nesse momento em que o bebé nasce? Que items faltam, por exemplo, aos hospitais amigos do bebé?
Falta o modelo. Não chega fomentar a amamentação e mesmo neste particular eu tenho o máximo de cuidado com isso. Porque há mães e famílias que, por infinitas razões, pessoais e individuais, decidem ou terão decidido, porventura conversando ou não com o pai — a mulher tem o direito de pensar sozinha o que fazer quando o bebé nasce e tem de o alimentar — não amamentar. Se a mãe pergunta eu digo que a amamentação é muito importante, mas quando percebo que ela está a colocar reticências eu não vou aumentar-lhe a culpabilidade, a dureza de ela poder pensar que não é uma mãe tão boa como as outras, porque não amamenta e vê tudo à volta a dar de mar.

Tão importante quanto a amamentação, sendo hospital amigo do bebé, é garantir que esse bebé é ajudado sobretudo na construção de um vínculo, no reforço de uma ligação, que porventura já vem de trás. Mas nem sempre o instinto familiar está garantido. É preciso ampará-lo, motivá-lo.

Isso faz-se como?
Quando o bebé tem de ser visto, e normalmente é só visto uma vez, o profissional deve ter uma intervenção educacional e não o modelo patológico que nos ensinaram de ver a anca, auscultar, etc. É preciso caminharmos para outra mentalidade. Como dizia o professor Pádua uma vez que foi dar uma aula: “Estamos aqui em mais uma das faculdades da doença deste país”. E eu secundo isto com toda a vivacidade. Aprendi medicina no modelo patológico: perturbação; semiologia da observação, diagnóstico, tratamento, prognóstico. Isto é o modelo patológico. Mas eu falei no interno que estava a fazer o seu exame daquela forma maravilhosa, lembra-se? Temos depois todas as enfermeiras que estão na maternidade e que acompanham a mãe durante as 48h que a mãe lá está, de uma maneira disponível, mas porventura muito confinada… “Então vamos lá, a mãe agora vai descansar, levo o bebé para o berçário e depois volta cá.” Eu aviso sempre as mães na consulta pré-natal que não deixem o bebé sair de ao pé delas nem por um minuto, porque a probabilidade de, durante esse minuto, receberem uma garrafa com uma tetina pela boca abaixo, bebés competentes e resilientes, é enorme.

Eu ainda sou do tempo em que o berçário de Santa Maria tinha um vidrão enorme, onde estavam os berços e os bebés todos vestidos de igual, todos acastanhados. Um dia estavam dois pais homens atrás do vidro a falar um com o outro: “Já viste qual é o teu? Não, não consigo. É capaz de ser aquele ali, mas estão vestidos das mesma cor, parecem aqueles pintos que nascem nos aviários”. Isto já não existe, mas existe ainda um risco: em 70% dos casos, os bebés vão para um sítio para a mãe poder dormir sozinha. A mãe não precisa de descansar e dormir, precisa é de namorar com o seu bebé. Quando muito, precisa de duas ou três horas. Trocar palavras de amor, fazer a voz de bebé, trocar juramentos, naquela linguagem que é uniforme em todas as línguas do mundo: os bebés identificam as suas mães através da melodia com que elas falam nessa voz de bebé. Por isso defendemos a existência de uma consulta pré-natal, que é tão importante e também serve de alerta para o que vai acontecer no hospital quando o bebé nascer.

Pode explicar melhor em que consiste a consulta pré-natal?
É uma revolução. Fundamenta a descoberta do bebé, a partilha com a família, a amamentação, ensina a respeitar o comportamento e a personalidade de cada bebé, permite avaliar à distância como vai ser aquela criança aos seis anos em termos de mobilidade, de desregulação motora, de fixação de atenção, de concentração. Estes parâmetros todos permitem-nos saber se aos seis anos essa criança vai aguentar os 50 minutos de uma aula, por exemplo. Eu, por exemplo, aguento em média 40 minutos a ouvir uma conferência, se ela não for má. [risos] Se for má, ao fim de 20 minutos quero ir embora. Hoje, medimos a avaliação comportamental do recém-nascido e a progressão da interação mãe-bebé,. M as é fundamental os pais acreditarem que seis anos antes, nós já conseguimos predizer alguma coisa em termos comportamentais.

A consulta demora cerca de trinta minutos, tempo durante o qual tentamos ir ao encontro da identidade e da circunstância daquele bebé que ainda não nasceu. A identidade é a forma como cada um interage com o outro, como é que a mãe nos conta quando é que começou a chamar Manelinho ou Joãozinho ao bebé. Há muitas mães que nos dizem, ‘foi só há 15 dias, estávamos na dúvida’. Não é que isto seja um risco grande, mas vale uma intervenção de 10 minutos.

Mas qual é a importância disso?
Estes pais, porventura já apaixonados pelo bebé, não tinham ainda pessoalizado essa paixão o que é uma fase importante. Em meia hora falamos de tanta coisa que os pais querem saber e tudo isso reforça a sua paixão com aquele bebé e que eles depois de o bebé nascer vão ver com os seus próprios olhos que ele gosta mais de ouvir do que ver, ou que gosta muito da música que a irmã mais velha canta, que tem uma personalidade diferente de todos os outros. Na consulta acontece toda uma explosão de perguntas, de questões, de ansiedades que no terceiro trimestre os pais já têm e que através delas e das respostas que damos facultam a descoberta da identidade, da circunstância que envolve o bebé, o que chamamos de epigenética.

A forma como os pais nos contam: ‘é verdade, ele sabe distinguir a mão da mãe da mão do pai a fazer festinhas na barriga’ faz com que logo aí o profissional aproveite essa oportunidade e promova e desenvolva a paixão esperada. ‘Já viu como ele distingue a voz de um e de outro? E agora ele nasceu há quatro horas e quer falar comigo… E nós dizemos: “Ele está a precisar de namorar, tal como você precisa de namorar o seu bebé. E logo aí, falamos de outra coisa: as visitas. É importante a família partilhar a explosão do nascimento, mas também é muito importante que a família perceba — e dou essa tarefa aos pais homens — que aquelas pessoas precisam do seu espaço e que no namoro não há interferências. E este é um namoro muito especial entre bebé e mãe. Portanto sugiro que o pai avise a família e até organize um plano de visitas em casa, para os amigos e família, não alterando nem subtraindo nada àquelas primeiras horas de vida.

E tem de baixar expectativas aos pais sobre o bebé que acabou de nascer?
Todos os pais que vi durante a minha vida têm expectativas enormes, muito diferentes. Acho que a nossa missão não é levantar expectativas, mas é acompanhar, não é impor comportamentos.

Estou a perguntar no sentido de, por exemplo, os pais acharem que há os bons filhos e os bons pais, já dorme 12 horas e só tem uma semana, não chora… O bebé ideal, a família ideal…
Na consulta pré-natal valorizamos muito a vivência fantástica do bebé ideal, do bebé cor de rosa em contraste com o bebé real. O bebé ideal é o que mama bem, a mãe sorri antes de ele começar a mamar, e depois ele dá sinal à mãe com um olhar profundo, que a refeição acabou… Este bebé maravilhoso, que eu não sei se já vi algum na vida, é capaz de não existir mesmo. As expectativas de todo o pai e toda a mãe são grandes. Portanto falamos do bebé real. E o bebé real tem cólicas, por exemplo. Todo o bebé do mundo tem cólicas, o indiano, americano, o chinês, o português, tem cólicas ao fim de duas semanas. E agora veja como é importante o modelo que defendemos. No modelo relacional apercebemo-nos de que o estado de aprendizagem de um bebé nas primeiras horas de vida é uma coisa não mais igualável. Imaginemos como nos sentimos na véspera de um exame que vai determinar a entrada na faculdade, cheios de tensão acumulada, podemos sair de casa, dar uma volta ao quarteirão, tentar dormir, qualquer coisa. Pois o bebé não pode dar voltas ao quarteirão, nem refugiar-se no sono, mas acumula na mesma essa tensão e essa tensão são as cólicas, que não dependem de gotas miraculosas. O bebé não precisa de remédio para as cólicas, precisa de outra atenção, de uma massagem, de uma cantiga e isso é diferente consoante está com a mãe ou com o pai. Por isso é tão importante descobrir as diferenças de personalidade do bebé tão cedo quanto possível.

Mas presumo que a maioria das pessoas tem uma experiência do modelo patológico, da ida ao pediatra para fazer um exame de avaliação física. Na maternidade então será assim a esmagadora maioria das vezes, não?
Uma das nossas investigações mais longas foi a de um grupo de bebés em que os médicos que os viram na maternidade usaram os 7 minutos de que dispunham a falar dos comportamentos do bebé e falar aos pais. Dividimos população em dois grupos: um com 7/8 minutos do nosso modelo, outro com prática normal da maternidade: auscultação, palpação abdominal, verificação do clique da anca…. Seguimos estas mães aos 8 dias de vida, aos 3 meses, aos 6 aos 9 aos 18, aos 3 anos, aos 6 e aos 9 anos de vida. O que constatamos, entre outras coisas, é que as mães, 9 anos depois do nascimento, lembravam-se exatamente das palavras que o pediatra que usou o nosso modelo pronunciou e lhes dirigiu nove anos antes na maternidade. É por isso de extrema importância a projeção daquilo que podemos fazer para ajudar uma família na consulta pré-natal, na descoberta do bebé recém-nascido.

Quanto mais cedo tivermos a oportunidade de garantir uma coerência, um sentido de competência, de felicidade em cada bebé e em cada família, a vontade que temos que isto aconteça vai mudar aspetos fundamentais do comportamento, alguns só observáveis 6 anos, 7, 8 anos depois.

Mas nem todos os pediatras têm essa formação…
No outro dia perguntaram-me: os bebés são todos diferentes… E os profissionais, são todos diferentes? São, necessariamente, e cada vez mais. Eu acredito que o desafio só está ganho quando ajudarmos a substituir o modelo patológico pelo relacional, baseado na humanidade de cada mãe, de cada pai, patente na forma como a criança organiza a sua arquitetura cerebral, quando come, quando brinca, quando está com a avó e o avô, quando passeia pelas ruas. Porque quanto mais cedo identificarmos as diferenças e dermos o nosso apoio, não só ao Joãozinho que tem uma auscultação e uma apalpação normal, mas às suas particularidades emocionais e afetivas…

Quando eu dava aulas fazia o seguinte exercício com os meus alunos. Mostrava um slide de um berçário com 30 berços todos iguais, os bebés com roupa da mesma cor, todos virados para o mesmo lado, praticamente com o cabelo igual e perguntava-lhes: “Estes bebés, o que vos parecem? São i guais? São todos diferentes?”. Alguns respondiam: “Professor, são todos iguais, mas se utilizarmos o estetoscópio podemos encontrar diferenças”. É verdade, embora seja uma raridade haver mal formações cardíacas num bebé, mas há. Pode ser. E mais?, perguntava eu. Então, diziam eles, que se faça uma boa apalpação abdominal, se não há nada na auscultação, na eventual deteção de um tumor congénito, ou na eventual presença de um clique na coxa, mostrando uma disfunção articular, que obriga a fazer uma ecografia.

Se não houvesse o modelo touchpoints continuaríamos a auscultar, a ver a barriga, a fazer um exame neurológico, mas aí não haveria ninguém diferente, são todos iguais, com raras anomalias. O fundamental é garantir que a resposta àqueles que nos perguntam “são todos diferentes?” seja, “sim, são”. Quem fez um curso de touchpoints nunca mais vai achar que faz sentido prosseguir no modelo patológico.

Que perguntas fazem os pais nas consultas?
75% das consultas são com perguntas sobre o comportamento do bebé. Não se preocupam muito sobre a borbulha ali, querem saber coisas da vida real de cada bebé. Falamos sobre a alimentação, sobre vacinas, sobre como dorme. E sim, falamos muito sobre o sono. Às vezes dizem “se é para o outro ser assim, a gente desiste!” e aí há uma oportunidade mágica de falarmos sobre o sono. Digo sobre o sono que a primeira coisa que é preciso ter bem presente é que não há receitas. E as que há são más. Vivemos ainda na febre da receita.

Não podemos ser intrusivos. Há uma receita individual, que é por exemplo mudar o estilo de vida na grávida. “Ele só está bem quando eu ando, quando estou quieta dá-me pontapés na barriga.” Eu digo: “Provavelmente o seu bebé gosta de passear, de apanhar ar, dos seus circuitos visuais, tudo isto precisa de ser apoiado, de ser encarado como a maravilha do comportamento do seu bebé. O seu bebé fala para si, não precisa de tradutores nem de coisas escritas em modalidade de receita. É a sua criança e só ela vai ajudá-la a descobrir o que ela precisa. A sua criança não é mais uma que precisa de uma receita universal, mas é alguém único e a necessitar da garantia de uma efetiva participação e intervenção.

O sono é uma forma fundamental de o bebé revelar as suas necessidades. Não faz sentido termos uma consulta e dizer aos pais que o bebé tem de dormir 9 horas e depois da refeição mais uma sesta e depois ao fim da tarde mais isto. Isto não faz sentido, porque há bebés que precisam de dormir 12 horas e outros que se aguentam com menos. Os bebés mais curiosos, mais atrevidos, mais despertos, mais sonhadores, mais qualquer coisa que lhes dê oportunidade de aprender, porventura terem mais cólicas, mas aprender, porventura têm mais tensão, mas promovem mais a descoberta, o conhecimento, as competências.

Ouvir um pediatra falar tantas vezes da felicidade realmente não é muito comum, ou melhor, se calhar não é o que as pessoas esperam ouvir de um especialista em saúde infantil.
Tenho 50 anos de prática pediátrica, tive oportunidade de fazer investigação e de a publicar, e parece impossível, com estas oportunidades, que em Portugal o nosso sonho está porventura tardio. Com investigação feita, com livros publicados, com a nossa pressão de descobrir e ajudar a família a sentir-se coerente, a sentir-se bem, mãe e pai, que o bebé está a gostar de ser gostado, isto reforça os vínculos que estão em risco. Temos uma taxa de mortalidade infantil das melhores do mundo, menos de 3 por mil, temos outros indicadores que não nos sossegam. Temos a taxa de divorcialidade mais alta da Europa, um país católico e religioso, com casamentos pela igreja extremamente bem decorados e fotografados… Cada bebé é um bebé de ouro, mas a família está em risco de não se chegar a constituir como família, as relações interpessoais estão deterioradas. Isto obriga-nos a reforçar o instinto das famílias, sobretudo daquelas que esperam o primeiro filho. Como foi a construção da paixão durante nove meses de gravidez? Como foi a paixão pré-nupcial? Como decorreu o apoio? Foi só ecografias e análises? O que houve mais de aproveitamento de constituir uma paixão entre pais, bebé, profissional?

Nós conhecemos os bebés. Identificamos uma disfunção comportamental, bebés com 30 tremores em 25 minutos, com 7 ou 8 sustos, com modificação de manchas vermelhas e brancas na pele. Este stress, estas desorganizações, devem ser aproveitadas para definir um programa de felicidade. Os casais têm de ser ganhadores. Espero que num futuro não muito longínquo os bebés possam ser apoiados antes do nascimento. É prioritário investir na educação dos profissionais. Precisamos de um Ministério da Criança, para que se possa fomentar o que a criança precisa, principalmente nos primeiros anos de vida: ser amada, ser aquecida, ser alimentada, ser apaixonadamente descoberta por quem quer que esteja nas maternidades a ajudar os profissionais neste volte face, nesta nova missão.

Por falar em direitos das crianças e da família… O que pensa sobre as licenças parentais?
Já cresceram, já ganharam novas oportunidades, mas ainda não chega. O primeiro ano de vida é um ano fabuloso de encontros, de expectativas, de responsabilidades, de aprendizagens. Diria que deviam ser de um ano, o primeiro ano de vida, é o ano decisivo, em que se constrói a arquitectura da casa. O alicerce é o mais importante. É o ano em que se organiza o sistema nervoso central, o comportamento, é quando se projetam de uma maneira mais sistémica e mais completa as desorganizações, os desequilíbrios, que levam a que os pais ganhem confiança. O país ficaria mais rico investindo na criança, na ligação, no modelo relacional.

Pais e mães?
Reúno na mesma categoria pais e mães. Nos anos 70/80 era impossível fazer investigação com pais homens, tinham emprego, não podiam faltar ao emprego, diziam que isto eram coisas de mãe. Arredavam-se. O estudo em que medimos a influência da consulta pré-natal no sucesso da amamentação e no sucesso da vinda dos homens à nossa consulta foi espantosa. As mães que vieram à nossa consulta, aos 3 meses 74% ainda amamentava os seus filhos; aos 6 meses 30 e tal por cento amamentava.

Só?
Sim, só. Mas 72% dos pais vieram à nossa consulta.

Se pudesse pôr fim a alguma prática que existe na pediatria seria qual? Acabava com quê?
O modelo em que eu acredito não entra o erro. Não definiria pela negativa. Temos de criar a oportunidade de… Não reforçaria a negativa. Tudo o que eu descubro, quanto mais converso com as famílias na consulta pré-natal, a riqueza é tão grande, que eu diria que até o que pode ser negativo ou de risco não é, é uma oportunidade para crescer, para fomentar o desenvolvimento intelectual afetivo, para acompanhar e fazer acreditar que aqueles pais podem ter a ajuda daquele profissional ao longo daqueles anos de vida. Vamos aproveitar esta desorganização e fazer dela uma oportunidade positiva para construir paz, felicidade e harmonia no casal, baixar índices de divórcio, que essas taxas denotam qualquer coisa que não vai bem. Essas pessoas não têm porventura acesso a uma consulta pré-natal, a uma consulta de desenvolvimento, e têm esse risco que nós podemos detetar logo nos primeiros meses de vida do bebé. O nosso modelo relacional é de positividade, nós não partimos nunca da negativa.

 

 

Portugal é dos países onde nascem mais bebés com baixo peso

Novembro 22, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 11 de novembro de 2017.

Em 15 anos, número de crianças que nasceram com menos de 2,5 quilos disparou 59%

Portugal está na quinta posição dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde nascem mais bebés com menos de 2,5 quilos, avança hoje o Público, que cita o relatório Health at a Glance 2017. Só a Indonésia, Colômbia, Japão e Grécia têm mais crianças a nascer nesse limiar de peso.

Em Portugal, esses nascimentos representam 8,9% do total. Entre 1990 e 2015 o aumento destes casos foi de 59%. Na OCDE, os nascimentos com menos de 2,5 quilos representam 6,5% do total e registaram um aumento de 15%, segundo os dados citados pelo jornal.

O aumento do número de partos prematuros e a idade avançada das mães são fatores que ajudam a explicar estes dados.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Health at a Glance 2017

 

 

Avô “cuidador” de bebés no Children’s Healthcare of Atlanta

Novembro 1, 2017 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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7.000 recém-nascidos morrem todos os dias, apesar da redução constante da mortalidade de menores de cinco anos, diz um novo relatório

Outubro 21, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Comunicado de imprensa da http://www.unicef.pt/ de 19 de outubro de 2017.

7.000 recém-nascidos morrem todos os dias, apesar da redução constante da mortalidade de menores de cinco anos, diz um novo relatório

Mantendo-se as tendências actuais, 30 milhões de recém-nascidos morrerão nos primeiros 28 dias de vida entre 2017 e 2030

NOVA IORQUE/GENEBRA/WASHINGTON DC, 19 de Outubro de 2017 – Todos os dias em 2016, 15.000 crianças morreram antes do seu quinto aniversário, das quais 46% – isto é, 7.000 bebés – morreram nos primeiros 28 dias de vida, segundo um novo relatório das Nações Unidas.

Levels and Trends in Child Mortality (Níveis e tendências na mortalidade infantil 2017) revela que apesar do número de crianças que morrem antes de completar os cinco anos nunca ter sido tão baixo – 5,6 milhões em 2016, comparando com 9.9 milhões em 2000 – a proporção de mortes nos primeiros 28 dias de vida aumentou de 41% para 46% no mesmo espaço de tempo.

“As vidas de 50 milhões de crianças com menos de cinco anos foram salvas desde 2000, o que atesta o sério compromisso feito pelos governos e parceiros para o desenvolvimento, para pôr fim às mortes evitáveis de crianças”, afirmou Stefan Swartling Peterson, chefe de saúde da UNICEF. “Mas se não fizermos mais para impedir que bebés morram no dia em que nascem, ou nos dias posteriores, este progresso permanecerá incompleto. Dispomos do conhecimento e da tecnologia necessários – apenas precisamos de os fazer chegar às regiões onde são mais precisos.”

Mantendo-se as tendências actuais, 60 milhões de crianças morrerão antes do seu quinto aniversário entre 2017 e 2030, metade das quais serão recém-nascidos, segundo o relatório publicado pela UNICEF, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Banco Mundial e a Divisão de População do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA) – que compõem o Grupo Interinstitucional sobre a Estimativa da Mortalidade em Crianças (Inter-agency Group for Child Mortality Estimation [UG-IME]).

A maioria das mortes de recém-nascidos ocorreram em duas regiões: Ásia meridional (39%) e África subsariana (38%). Cinco países contabilizaram metade de todas as mortes de recém-nascidos: Índia (24%), Paquistão (10%), Nigéria (9%), República Democrática do Congo (4%) e Etiópia (3%).

“Para alcançarmos uma cobertura universal de saúde e garantir que mais recém-nascidos sobrevivam e prosperem, devemos chegar às famílias marginalizadas”, afirma a Dra. Flavia Bustreo, Directora-Geral Adjunta para Saúde da Família, da Mulher e da Criança na OMS. “Para evitar doenças, as famílias precisam de meios financeiros, que as suas vozes sejam ouvidas e de ter acesso a cuidados de qualidade. Melhorar a qualidade dos serviços e a resposta atempada durante e após o nascimento devem ser prioritários.”

De acordo com o relatório, muitas vidas podem ser salvas mediante a redução das desigualdades no mundo. Se todos os países tivessem alcançado a taxa média de mortalidade dos países de elevado rendimento, 87% das mortes de crianças menores de cinco anos poderiam ter sido evitadas e quase 5 milhões de vidas poderiam ter sido salvas em 2016.

“Em 2017, é impensável que a gravidez e o parto continuem a colocar a vida das mulheres em risco e que 7.000 recém-nascidos continuem a morrer todos os dias”, afirma Tim Evans, Director Sénior da Saúde, Nutrição e População no Grupo do Banco Mundial. “A melhor forma de medir o sucesso da cobertura universal de saúde não consiste apenas na facilidade do acesso de todas as mães aos cuidados de saúde, mas também pela qualidade do atendimento e pelo baixo custo dos serviços, para que possam garantir uma vida saudável e produtiva aos seus filhos e à sua família. Estamos empenhados em aumentar o nosso  financiamento para responder às necessidades dos países nesta área, nomeadamente através de projectos inovadores como o Mecanismo de Financiamento Mundial.”

A pneumonia e a diarreia estão no topo da lista de doenças infecciosas que custaram a vida a milhões de crianças com menos de cinco anos em todo o mundo, tendo causado 16% e 8% dessas mortes, respectivamente. As complicações relacionadas com o parto prematuro e as complicações durante o trabalho de parto ou nascimento foram responsáveis por 30% das mortes neonatais em 2016. Além dos 5,6 milhões de mortes de crianças menores de cinco anos, registam-se ainda 2,6 milhões casos de nados-mortos por ano, a maioria dos quais evitável.

Podemos pôr fim às mortes infantis evitáveis mediante a melhoria do acesso a profissionais de saúde qualificados durante a gravidez e no momento do parto; e do acesso a intervenções que salvam vidas, como a vacinação, o aleitamento materno e medicamentos de baixo custo, bem como acesso a água e saneamento, que estão actualmente fora do alcance das comunidades mais pobres do mundo.

Pela primeira vez, foram incluídos no relatório os dados sobre a mortalidade de crianças entre 5 e 14 anos, destacando outras causas de morte, como acidentes e lesões. Quase um milhão de crianças entre 5 e 14 anos morreram em 2016.

“Este novo relatório destaca os notáveis progressos alcançados desde 2000 na redução da taxa de mortalidade dos menores de cinco anos”, disse o Sr. Zhenmin Liu, Secretário-Geral Adjunto da ONU para Assuntos Económicos e Sociais. “Apesar destes progressos, continuam a registar-se grandes desigualdades na sobrevivência infantil entre regiões e países, particularmente na África subsariana. No entanto, intervenções simples e económicas, realizadas antes, durante e imediatamente após o nascimento, são suficientes para evitar muitas das mortes que ocorrem. Reduzir as desigualdades e ajudar os recém-nascidos, as crianças e as mães mais vulneráveis é essencial se quisermos alcançar o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável de pôr fim às mortes evitáveis e assegurar que ninguém fica para trás. ”

O relatório também destaca que:

  • Na África subsariana, estima-se que uma em cada 36 crianças morre durante o primeiro mês de vida, enquanto nos países de rendimento elevado o rácio é de 1 em cada 333;
  • A menos que o progresso seja acelerado, mais de 60 países não cumprirão o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável de pôr fim às mortes evitáveis de recém-nascidos em 2030, e metade destes não atingirão a meta de 12 mortes por cada 1.000 nascidos vivos até 2050. Mais de 80% das mortes neonatais em 2016 ocorreram nesses países.

***

Acerca do Grupo Interinstitucional sobre a Estimativa da Mortalidade Infantil (Inter-agency Group for Child Mortality Estimation [UG-IME])

O UN-IGME foi criado em 2004 com o objectivo de partilhar dados sobre a mortalidade infantil, uniformizar estimativas dentro do sistema das Nações Unidas, melhorar os métodos para as estimativas de relatórios sobre a mortalidade infantil sobre progressos alcançados em matéria de sobrevivência infantil, e fortalecer as capacidades dos países no que diz respeito à produção de estimativas atempadas e devidamente levantadas sobre mortalidade infantil.

O UN-IGME é liderado pela UNICEF e inclui a Organização Mundial da Saúde, o Grupo do Banco Mundial e a Divisão de População do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas. Para mais informação, por favor visite http://www.childmortality.org

 

 

Amamentação – o óbvio e o menos óbvio

Outubro 9, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://uptokids.pt/de 26 de setembro de 2017.

Amamentar é daquelas coisas que tem tanto de simples como de complicado. Se por um lado dispomos de equipamento para o efeito – leia-se mamas – por outro trata-se de uma actividade nova para as partes envolvidas – a mãe nunca usou as suas mamas como fonte de alimento, o bebé nunca precisou de fazer nada para se alimentar, limitava-se a receber o alimento necessário através do cordão umbilical.

No nosso caso, foi complicado. A Letícia nasceu quase prematura, tinha os valores da glicémia baixos (esteve quase a ir para a incubadora) e por isso, depois de ter mamado o meu leite, bebeu leite artificial (LA). Mais, tinha imensa dificuldade em permanecer acordada para mamar e em fazer a pega (colocava o lábio inferior para dentro). No hospital (privado) foram incansáveis, apareciam constantemente no quarto para assegurar que a pega estava a ser bem feita, para vigiar se o leite já tinha subido/descido (ao início produzes colostro, um líquido amarelado ou transparente) e para me motivarem.

Embora no hospital tenha dado sempre leite materno (LM) e de seguida LA, em casa decidi investir mais no primeiro. Dava LM, ela adormecia, acordava pouco tempo depois a querer mamar; na altura diziam-me que devia fazer intervalos, criar horários – tudo errado!

Na primeira consulta de pediatria a nossa filha tinha perdido peso, o que para um bebé que desde o nascimento se enquadrava no percentil 15 era péssimo. Chorei muito, senti-me a pior mãe do mundo por ter insistido no LM; a pediatra deu-nos duas alternativas: abandonar o LM ou continuar a dar entre o LA. Nos dias seguintes, com o aumento de consumo do LA, notava-se um desinteresse cada vez maior pelo LM, como resultado eu produzia cada vez menos; sentia-me triste porque adorava dar de mamar (aquele momento só nosso de pele com pele) e por acreditar que o meu leite era o alimento ideal para a nossa filha. Estava prestes a desistir quando recebi uma mensagem no facebook de uma prima do meu primo (daquelas pessoas simpáticas com quem raramente nos cruzamos) que dizia algo deste género: “Olá, Tânia! Espero que tudo esteja a correr bem. Não sei se sabes que me tornei conselheira de aleitamento materno, se precisares de alguma coisa, avisa“. Lembro-me de ter chorado de tão feliz que fiquei, aquela pessoa surgia no meu caminho na hora exacta.

A primeira sessão com a Cristina (a tal prima) foi fantástica – ouviu-me, acarinhou-me, sugeriu e deixou-me escolher o caminho que iríamos seguir. Contrariamente ao que me diziam, a Cristina explicou-me e provou-me (enviou material de apoio) as vantagens de amamentar em livre demanda (sempre que o bebé quer); tal também faria com que a minha produção aumentasse. Confesso-vos que as primeiras noites foram terríveis, enquanto com o LA ela mamava e dormia várias horas seguidas, com o LM tinha de acordar constantemente para dar de mamar (no início chegou a ser de 30 em 30 minutos). Gradualmente a produção foi aumentando, passei a ter de acordar menos vezes e a dar menos LA.

Contra todas as expectativas, a nossa filha mamou até aos 12 meses, altura em que, com muita pena minha, fez o desmame natural.

Dar de mamar foi das experiências mais maravilhosas e duras da minha vida. Gostava de ter sido avisada sobre alguns aspectos desde o início, de dispor de várias alternativas que só mais tarde descobri. Posto isto, deixo-vos uma lista com as aprendizagens que fui fazendo (sobretudo com a ajuda da conselheira em aleitamento materno) e que poderão fazer a diferença entre uma amamentação feliz e uma amamentação abandonada precocemente.

1 -Prepara-te para que não acertar à primeira.
O bebé está programado para mamar, a tua mama está programada para dar leite, ainda assim nem tudo flui imediatamente. O bebé pode ter dificuldade em fazer a pega, pode ter tendência a adormecer assim que começa a mamar, entre outros; os teus mamilos podem ter um formato que não facilita a amamentação (com ajuda tal poderá ser contornado, evita recorrer de imediato aos bicos de silicone que tornam a sucção mais complicada e podem reter o leite), podem ter mais tendência a formar gretas, etc. Com o tempo (pode demorar!) vais dominar isto e perceber o que resulta com vocês.

2 – Dá de mamar sempre que o bebé quiser.
Não te foques em horários, em criar intervalos e rotinas, tudo isso surgirá naturalmente. O teu bebé necessita de se alimentar e, tal como todos nós, terá o seu ritmo de o fazer – há quem coma pouco em cada refeição, e por isso coma mais vezes ao dia, há quem coma mais em cada refeição, e por isso coma menos vezes ao dia. Além disso, o bebé mama de acordo com as suas necessidades em cada fase e será deste modo que as tuas mamas irão perceber a quantidade de leite que precisam de produzir.

3 – “As mamas não são armazéns, são fábricas”.
Esta frase da Cristina é mágica e libertadora! Quando começares a amamentar irás reparar que nos segundos que antecedem a mamada as tuas mamas parecem ter silicone de tão grandes e rijas que ficam; no final apenas te restarão duas uvas passa, moles e sem graça. Quando o bebé pede novamente para mamar e as tuas mamas ainda estão em modo uva passa sentirás que estás a produzir pouco, que ainda não tens leite suficiente para o alimentar, o que é altamente stressante. Eis que surge a Cristina com a explicação de que as nossas mamas não funcionam como armazéns, elas vão produzindo leite enquanto o bebé mama, pelo que uma mama aparentemente vazia não é uma mama inútil.

4 – Quanto mais os bebés mamam, mais leite produzimos.
Este princípio é básico mas menos óbvio do que se possa imaginar. Se sentes que estás a produzir pouco, permite que o bebé mame mais vezes ou, em último caso, recorre a uma bomba tira-leite (deverás ter muito cuidado para não começares a produzir demasiado leite e entrares num círculo vicioso em que por produzires demais tens de tirar com a bomba e ao tirar  vais produzir ainda mais).

5 – O vosso conforto é fundamental.
Apanha as almofadas todas que andem aí por casa e constrói um castelo de almofadas que te permitam (e ao bebé) sentir confortável enquanto amamentas – nas costas, por baixo dos braços, no colo, vale tudo.

6 – Respira, relaxa e aproveita o momento.
Enquanto a prolactina é a responsável pela produção de leite, a ocitocina, conhecida pela hormona do amor (é a que está também ligada aos orgasmos) é responsável por estimular a produção de prolactina e permitir que o tecido mamário se contraia de forma a que o leite passe pelas glândulas mamárias; traduzido por miúdos, a amamentação será mais fácil se estiveres relaxada pois a produção de ocitocina acontecerá de forma mais natural. Andares preocupada por teres “pouco leite” contribui para que tal aconteça.

7 – Não existem leites fracos, nem insuficientes, nem que alimentam pouco.
Vais ouvir esta frase várias vezes, sobretudo quando o bebé chora, mesmo que por  outro motivo. O teu leite é óptimo, tem tudo o que o teu bebé necessita, nas quantidades exactas. Como referi, existem bebés que precisam de comer mais do que outros, que querem mamar como forma de consolo, entre tantas outras opções que em nada colocam em causa a qualidade do teu leite.

8 – Inicia a mamada na mama em que terminaste.
Não me irei alargar em explicações técnicas, até porque não estou qualificada para isso, só quero transmitir a ideia de que enquanto amamentas a composição do leite vai-se alterando – inicialmente produzes um leite mais aguado, destinado a saciar a sede do bebé, ao passo que no final da mamada o leite torna-se mais rico em gordura e possui mais nutrientes e calorias. Se o bebé não esvaziar a mama e iniciar a mamada seguinte na outra mama poderá não chegar novamente à fase do leite mais rico em gordura; para evitar que tal suceda, deverás começar pela mama em que mamou da última vez.

9 – Existem dezenas de posições para dar de mamar.
Recordo-me perfeitamente do dia em que a Cristina me perguntou se já tinha experimentado dar de mamar noutras posições – “como assim, outras posições?!”, perguntei eu completamente baralhada. Sim, existe uma espécie de “mamasutra” a que podes recorrer, com posições que poderão ser mais confortáveis do que a posição tradicional que sempre nos foi imposta. No nosso caso, a Leti mamar sentada (posição cavalinho) permitia que ficasse mais desperta e bolsasse muito menos no final

10 – Cuida bem dos teus mamilos.
Dares de mamar com mamilos feridos/gretados pode tornar-se impossível. Deste modo, coloca algumas gotas do teu próprio leite ou usa um creme adequado.

11 – A amamentação nocturna é importante.
Conheço alguns casos de mães que decidiram “saltar” as mamadas da noite, dando LA, o que rapidamente condicionou a sua produção de leite. Durante a noite os níveis de prolactina atingem o seu pico, pelo que é fundamental dar de mamar neste período.

12 – Não laves as mamas antes de amamentar.
A mama tem um cheiro próprio que incentiva o bebé a mamar, retirá-lo não é proveitoso.

13 – Podes sentir o útero a contrair durante a amamentação.
Não te preocupes, é desejável que assim seja! Amamentar facilita a contracção do útero, isto é, que regresse ao seu tamanho original (já não precisas de um útero todo dilatado).

14 – “Passei o dia a dar de mamar”.
Poderão existir dias em que andarás de mamas ao léu por saberes que dentro de momentos darás de mamar de novo, em que sentirás que passaste o dia a dar de mamar, em que te questionarás se amamentar é assim tão importante – é natural, senti o mesmo. Não obstante, são momentos de cansaço que passam, contrariamente aos benefícios da amamentação que duram uma vida inteira.

15 – Pede ajuda, não serás menos mãe por isso.
Sem ajuda provavelmente a nossa aventura no mundo da amamentação teria durado menos de 1 mês. Se tens dúvidas, se notas que a amamentação poderia correr de forma diferente, procura ajuda profissional. Existem grupos no facebook dedicados ao aleitamento materno (embora alguns deles sejam compostos por pessoas fundamentalistas), a rede amamenta, as Cam’s de Portugal  e as conselheiras em aleitamento materno em carne e osso.

16 – Amamentar deverá ser prazeroso para ambos.
Não o será todos os dias, em todos os momentos, pelo menos convém que seja na sua maioria. Se chegaste a um ponto em que já tentaste de tudo, em que sentes que realmente não está a ser proveitoso nem para ti nem para o bebé, tens direito a não querer prosseguir (na verdade tens direito logo desde o início). O LM é fundamental para o bebé, mas a felicidade e o bem-estar da mãe são mais.

imagem@dephositphotos

 

 

O percentil do seu bebé não está na média? Calma, isso pode não ser um problema

Outubro 2, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 20 de setembro de 2017.

Investigadores portugueses criaram tabelas de percentis adequadas à realidade portuguesa. Objectivo é conseguir diagnósticos mais rigorosos e diminuir angústias dos pais

Mariana Correia Pinto

Se durante os nove meses de gravidez o bebé se afasta da média, se o crescimento ou o peso fetal é baixo, os progenitores ficam “muito angustiados”. A gravidez, nota o investigador Ricardo Santos, “é o único momento em que os pais desejam ter um filho padronizado em vez de especial”. E, às vezes, acumulam preocupações excessivas. Foi também por isso que uma equipa de investigadores do Cintesis (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde) se debruçou na criação de curvas de referência de crescimento fetal e peso à nascença — vulgarmente conhecidas por tabelas de percentis — adaptadas à realidade portuguesa.

O estudo, publicado no European Journal of Obstetrics & Gynecology, vem introduzir três novas curvas de referência: uma para meninos, outra para meninas e uma terceira indiferenciada para os dois géneros. Todas têm em conta as características das mulheres portuguesas. Os médicos de família e obstetras já podem descarregar gratuitamente uma aplicação (disponível apenas para Android) com esses valores. E há também uma outra possibilidade ainda mais personalizada (já lá vamos).

Estas tabelas de percentis são essenciais no acompanhamento das gravidezes. Permitem aos obstetras e médicos de família estimarem o tempo de gravidez, a data prevista do parto e diagnosticarem eventuais problemas de desenvolvimento dos fetos, nomeadamente restrição do crescimento fetal ou macrossomia fetal (excesso de peso). Esta diagnose permite identificar sintomas de doenças na gravidez como a diabetes, a pré-eclampsia, doenças metabólicas ou genéticas.

O problema, sublinha o também obstetra no Hospital de Guimarães Ricardo Santos, é que estas tabelas são excessivamente padronizadas: “Há uma busca por um padrão global que na minha opinião não existe”, disse em conversa telefónica com o PÚBLICO.

É muito fácil uma grávida obter valores que ficam fora da curva e isso “causa-lhe grandes transtornos” — quando muitas vezes nem é um problema. Ricardo Santos exemplifica: uma mulher com 1,90 metros que já vá na terceira gravidez terá sempre uma curva diferente de uma mulher de 1,55 metros, com 45 quilos e mãe pela primeira vez.

O uso das curvas de crescimento fetal é generalizado — e algo “sobrevalorizado”. Sobretudo tendo em conta as “deficiências” de algumas tabelas internacionais utilizadas. Se estas não reflectirem a distribuição da população e as suas características físicas e clínicas podem conduzir os profissionais médicos ao “sobre ou subdiagnóstico de algumas doenças”.

Para conseguir diagnósticos mais exactos — e ajudar a diminuir a angústia dos pais —, a equipa de investigadores do Cintesis recolheu dados de mais de 660 mil nascimentos ocorridos em 22 instituições portuguesas, seleccionando dados de 62 mil recém-nascidos.

A amostra revelou, por exemplo, que o peso médio de um bebé português à nascença pode variar em mais de 150 gramas quando comparado com um recém-nascido do Reino Unido, Irlanda, Nova Zelândia ou Estados Unidos da América. E, por outro lado, se aproxima muito do peso dos bebés espanhóis e franceses.

Há vários factores que influenciam o crescimento fetal: o género (os rapazes são, regra geral, maiores), a etnia, a herança genética, o peso e altura da mãe, as doenças da progenitora, bem como o número de filhos tidos anteriormente, o consumo de álcool ou tabaco (fumar diminui aproximadamente 5% o peso do bebé às nascença). Até a altitude do local onde a mulher vive pode ter influência.

Por isso, “ter curvas de percentis fidedignas é fundamental”, aponta: “Tem de ser algo matematicamente fiável.” Com este estudo, a equipa do Cintesis espera “disseminar a importância destas tabelas” ao mesmo tempo que “desmistifica” o seu uso. “Um percentil de 10 pode não ser preocupante. Tem apenas de pôr a pulga atrás da orelha, deixar os médicos mais vigilantes”, diz.

Depois das curvas clássicas, os investigadores portugueses desenvolveram ainda um software — este não está disponível gratuitamente — que permite aos médicos criarem curvas de percentis de peso fetal e à nascença personalizadas, introduzindo valores de referência de uma grávida em particular.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Development of a birthweight standard and comparison with currently used standards. What is a 10th centile?

 

 

Adormece o seu bebé na posição mais adequada?

Setembro 8, 2017 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 25 de agosto de 2017.

Um estudo da American Academy of Pediatrics entrevistou mais de 3.000 mães de 32 hospitais dos EUA, para perceber como deitam as crianças. E descobriram que nem sempre o fazem bem.

Deitar um bebé na posição que pensa ser correta para dormir pode, na verdade, não ser a melhor ou a que melhor o protege durante o sono – e um estudo publicado esta semana na revista Pediatrics conclui isso mesmo: muitos pais não sabem ou não seguem as recomendações para deitar o bebé de forma adequada.

Colocar o bebé de barriga para cima antes de dormir é uma das posições aconselhadas, dado que reduz o risco de morte súbita infantil, bem como outras condições relacionadas com o sono, de acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças norte-americano.

Ainda assim, a percentagem de mães que tem este hábito é alta: mais de 77%. O problema é que muitos pais, mesmo sabendo da recomendação, nem sempre o fazem e acabam por adotar outras posições para o sono dos seus bebés. As razões para isso dividem-se entre a interferência de médicos e outros membros da família ou a sensação de que a criança poderá sufocar se adormecer naquela posição. Algo que, de acordo com os investigadores, é um equívoco.

O estudo da American Academy of Pediatrics, publicado esta semana, entrevistou 3.297 mães de 32 hospitais dos EUA, para saber como estas agiam no momento de deitar as crianças. Os autores do estudo garantem que falar sobre o sono infantil com os restantes familiares e amigos pode ajudar a começar a pôr em prática bons hábitos, reforçando a importância de comunicar com profissionais de saúde.

 

 

 

Estudo revela que álcool na gravidez leva 1 em cada 13 bebés a nascer com problemas

Setembro 6, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://ionline.sapo.pt/ de 23 de agosto de 2017.

Shutterstock

O consumo de álcool nem sequer tem de ser frequente, basta beber uma vez ou duas para que o desenvolvimento dos bebés já tenha risco de ser afetado.

De acordo com um estudo recentemente realizado, há cerca de oito em cada mil bebés que nascem com o designado Síndrome Alcoólica Fetal – SAF, e que revela ainda que uma em cada 13 mulheres que consomem álcool na gravidez dão à luz um bebé com distúrbios do espectro da Síndrome Alcólica Fetal.

Esta síndrome aumenta o risco de a criança desenvolver deficiências físicas, mentais, comportamentais ou até mesmo de aprendizagem.

O estudo, publicado na revista JAMA Pediatrics, avança que a equipa de investigadores analisou a frequência com que os bebés nascem com SAF, em crianças desde o nascimento até aos 16 anos de idade, em 187 países.

De acordo com o Indian Express, apesar de a região europeia ser aquela que mostra níveis mais elevados, com cerca de 20 casos de SAF por cada mil crianças, o leste da região mediterrânea mostrou ter a menor prevalência.

Já nos Estados Unidos da América há cerca de 15 casos de SAF por cada mil crianças.

 O estudo citado na notícia é o seguinte:

Global Prevalence of Fetal Alcohol Spectrum Disorder Among Children and YouthA Systematic Review and Meta-analysis

 

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