Ministra do Iémen quer proibir casamentos antes dos 18 anos

Outubro 9, 2013 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de Setembro de 2013.

Notícia da morte de uma menina de oito anos reacendeu polémica num país onde 15% das jovens são forçadas a casar-se antes dos 15 anos.

A pressão internacional exercida após a notícia da morte de uma criança de oito anos na noite do seu casamento forçado com um homem de 40, no Iémen, levou a ministra para os Direitos Humanos, Huriya Mashhoor, a pedir ao Parlamento que proíba os casamentos antes dos 18 anos de idade.

A criança, identificada apenas como Rawan, foi forçada a casar-se na semana passada com um homem de 40 anos na localidade de Meedi, na província de Hajjah. Segundo a activista Arwa Othman, Rawan morreu na noite do casamento: “Após terem relações sexuais, ela sofreu uma hemorragia e uma ruptura uterina, que lhe causaram a morte. Foi levada para uma clínica, mas os médicos não conseguiram salvar-lhe a vida”, disse Othman.

Uma semana depois, a ministra Huriya Mashhoor vem renovar os apelos ao fim dos casamentos com jovens menores de 18 anos – a organização Human Rights Watch estima que mais de 50% das jovens iemenitas são obrigadas a casar-se antes dos 18 anos de idade e 15% antes dos 15 anos. Na maioria dos casos, são jovens provenientes de famílias pobres, obrigadas a casarem-se pelos seus pais em troca de um dote.

“Estamos a pedir que seja estabelecida a idade mínima de 18 anos para o casamento, já que o Iémen é signatário das convenções internacionais dos direitos humanos”, disse a ministra à agência AFP.

O gabinete do primeiro-ministro, Mohammed Salem Basindwa, disse que o caso de Rawan está a ser investigado. “O Governo está a lidar com este caso com seriedade. Vai investigá-lo e os responsáveis vão ser levados perante a justiça”, disse Rajeh Badi, porta-voz do primeiro-ministro.

Apesar da promessa do Governo, as autoridades locais mostraram na terça-feira fotografias de uma criança que dizem ser Rawan, para desmentirem a notícia da sua morte.

Os apelos ao estabelecimento de uma idade mínima para o casamento no Iémen não são novos. Em 2008, as autoridades locais manifestaram a intenção de alterar a lei na sequência da dissolução de um casamento de uma criança, também de oito anos, com um homem de 30 anos.

Vídeo da Human Rights Watch sobre casamentos de crianças no Iémen (em inglês)

 

Menina de oito anos morre na noite de núpcias

Setembro 12, 2013 às 12:30 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 12 de Setembro de 2013.

Dados das Nações Unidas citados na notícia:

By 2020, more than 140 million girls will have become child brides – UN

Reuters

Uma rapariga de oito anos, casada com um homem de 40, morreu, no passado sábado, no Iémen, depois de ter sofrido lesões sexuais graves durante a noite de núpcias.

A pequena Rawan foi agredida sexualmente pelo marido, durante a noite depois do casamento. A rutura dos orgãos genitais e do útero motivaram a morte da criança.

Segundo a Reuters, o episódio ocorreu na zona tribal de Haradh, no noroeste do país, e reacendeu a polémica em torno da idade mínima para o casamento.

Arwa Othman, diretora da Casa do Folclore e ativista dos direitos humanos, explica que foi procurada “ajuda médica, mas não foi possível salvar a vida da criança”.

Othman afirma que não foi levada a cabo nenhuma ação contra a família e contra o marido. Um polícia local da província de Haradh, que não se se quis identificar por não estar autorizado a falar à imprensa, negou a existência de qualquer incidente.

Dois residentes confirmaram a história à Reuters, contando que os chefes tribais têm tentado esconder o incidente, desde que a notícia chegou aos jornais.

De acordo com o jornal “Albawaba”, no Iémen, cerca de uma em cada quatro meninas são obrigadas a casar-se antes dos 15 anos. Muitas famílias pobres do país forçam o matrimónio das filhas para cobrir os custos que têm durante a sua infância e para conseguirem algum dinheiro.

O caso não é inédito. Em 2010, uma menina de 13 anos morreu com uma hemorrogia uterina depois de um casamento forçado. Já em julho deste ano, uma menina de 11 anos fugiu de casa para evitar que a família a obrigasse a casar.

Dados das Nações Unidas estimam que, de 2011 a 2020, mais de 140 milhões de raparigas se converterão em “meninas-noivas”. A mesma instituição avança que cerca de 14 por cento das raparigas se casam antes dos 15 e 52 por cento antes dos 18.

Em fevereiro de 2009, uma lei que estabelecia a idade mínima do matrimónio para os 17 anos foi revogada porque foi considerada “anti-islâmica”.


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