115 milhões de meninos casam durante a infância ou adolescência

Julho 11, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 7 de junho de 2019.

Unicef faz primeira análise sobre casamento precoce masculino; estima-se que casamento infantil totalize os 765 milhões; República Centro-Africana tem a maior prevalência destes casos entre os homens, 28%.

O Fundo das Nações Unida para a Infância, Unicef, estima que 115 milhões de meninos em todo o mundo se tenham casado quando crianças.

A pesquisa do Fundo mostra que uma em cada cinco crianças, ou seja, 23 milhões, contraíram matrimónio antes dos 15 anos.

Prevalência

Analisando dados de 82 países, o estudo revela que o casamento infantil entre meninos é prevalente em vários países, nomeadamente na África Subsaariana, na América Latina e Caribe, no sul e leste Asiático e no Pacífico.

Para a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, “o casamento rouba a infância” e as pessoas que casam com crianças “são forçadas a assumir responsabilidades adultas para as quais podem não estar preparadas.”

A responsável lembra ainda que “os casamentos precoces podem implicar uma paternidade precoce e, com isso, aumentar a pressão para sustentar uma família, reduzindo as oportunidades de educação e de emprego.”

De acordo com estes dados, a República Centro-Africana tem a maior prevalência de casamento infantil entre os homens, 28%, seguida pela Nicarágua, 19%, e Madagáscar, 13%.

Meninas

Estes resultados elevam o número total de noivas e noivos infantis para 765 milhões de crianças.

As meninas continuam a ser mais afetadas, com uma em cada cinco mulheres jovens, com idades entre os 20 e os 24 anos, casadas antes dos 18 anos, em comparação com um em cada 30 rapazes.

Embora a prevalência, as causas e o impacto do casamento infantil entre meninas tenham sido extensivamente estudados, pouca pesquisa existe sobre o casamento infantil dos meninos.

No entanto, as crianças com maior risco de contrair matrimónio são oriundos dos agregados familiares mais pobres, vivem em áreas rurais e têm pouca ou nenhuma educação.

Fore considera que, numa altura em que se comemora o trigésimo aniversário da adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança, é necessário “lembrar que casar meninos e meninas enquanto eles ainda são crianças vai contra os direitos consagrados na Convenção.” Para ela, é “através de mais pesquisas, investimentos e capacitação” que se poderá acabar com esta violação de direitos humanos.

Mais informações na Press Release da Unicef:

115 million boys and men around the world married as children – UNICEF

Raparigas são as que se sentem mais gordas mas há mais rapazes com excesso de peso

Abril 22, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Notícia da LUSA de 9 de abril de 2019.

As raparigas são as que se sentem mais gordas, mas há mais rapazes com excesso de peso, revela um estudo, segundo qual quase 70% dos adolescentes portugueses têm peso normal.

“Terão os adolescentes portugueses uma alimentação adequada?” é o título da investigação integrada no estudo Health Behaviour in School aged Children (HBSC), um inquérito realizado de quatro em quatro anos em 48 países, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde, sobre os comportamentos dos adolescentes.

Caracterizar os hábitos alimentares e perceções relativas ao corpo dos adolescentes foi o objetivo do estudo, que envolveu 6.997 alunos (51,7% meninas) do 6º, 8º e 10º ano.

Segundo o estudo, 54,7% dos adolescentes percecionam-se como tendo o corpo ideal. As meninas são as que mais se percecionam como estando “um pouco” gordas (28,5% versus 21,6%) e os rapazes “um pouco” magros (11,8 contra 17,3%).

Ao longo da escolaridade mais adolescentes tendem a considerar o seu corpo um pouco gordo ou muito gordo e uma menor percentagem considera ter um corpo ideal, refere o estudo divulgado a propósito do 10.º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente, que decorre na quarta e quinta-feira em Lisboa.

Cerca de 45% e 33% dos adolescentes reportaram comer diariamente frutas e vegetais, respetivamente, enquanto um quarto disse consumir doces e colas (refrigerantes) quase todos ou todos os dias, sendo as raparigas a referirem um consumo mais frequente.

Ao longo da escolaridade, menos adolescentes referem tomar o pequeno-almoço diariamente e mais jovens dizem nunca o fazerem.

O estudo conclui que “os adolescentes portugueses têm comportamentos alimentares desajustados ao recomendado para esta faixa etária e que o excesso de peso e a imagem corporal são um problema relevante nesta população”.

Em declarações à agência Lusa, Nuno Loureiro, um dos autores do estudo, afirmou que existem alguns alunos que “não têm claro que têm excesso de peso, e se percebem [que o têm] terão a perceção que está sob controlo”.

“Alguns destes alunos poderão ser atletas, e com a pressão por obter um corpo ‘Ronaldo'” ou “simplesmente porque a sua modalidade assim o determina, têm práticas intensas de exercício com grande predomínio de ganho muscular, algo que influencia e muito a fórmula de cálculo de IMC [Índice de Massa Corpora]”, disse o professor do Instituto Politécnico de Beja.

Estes alunos entrarão no indicador em excesso de peso, mas terão satisfação com o seu peso, explicou.

Também podem existir alunos que efetivamente estão com excesso de peso, mas gostam de si: “estão satisfeitos como estão e são mais resistentes à mudança, digamos que podem ser classificados com estando no estado pré-contemplativo”, adiantou.

“A perceção da imagem do corpo não está muitas vezes ligada ao valor da classificação do IMC, pois os jovens apresentam um valor normal e continuam a reportar estarem insatisfeitos com o seu corpo”, sublinhou.

Nuno Loureiro advertiu que o indicador excesso de peso “não pode nem deve ser visto como uma correspondência inversa para a ideia de corpos bonitos, corpos de modelos ou da procura de abdominais de ferro, porque devido a fatores genéticos e outros fazem com que esta tarefa seja muito difícil para muitos”.

Considerou ainda “preocupante” 15,8% dos adolescentes terem excesso de peso e 3,1% obesidade, defendendo “estratégias efetivas” de apoio, como gabinetes multidisciplinares na escola, onde se concilie uma abordagem estruturada para alteração destes indicadores, “mas num ambiente sem culpas ou dramas, incentivando a adoção de estilos de vida saudável”.

A coordenadora do estudo HBSC em Portugal, Margarida Gaspar de Matos, acrescentou que ter uma alimentação saudável e moderada, rica em fibras e com baixo teor de gordura sal e açúcar, a par da atividade física, é essencial para combater o excesso de peso, mas reconheceu que muitas vezes é difícil pôr em prática na escola e em casa,

“Temos já conhecimento científico (dos profissionais e dos alunos), mas é difícil pôr em prática”, porque muitas vezes existe “um ‘ambiente’ não solidário ou não amigável” da alimentação saudável.

HN // ZO

Lusa/fim

 

 

“A bebedeira passa, o resto não.” Do coma alcoólico às brincadeiras que acabam mal

Julho 26, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 20 de julho de 2018.

Centenas de menores são assistidos pelo INEM em coma alcoólico todos os anos.

De uma farra com amigos a “uns copos a mais” vai um pequeno passo. De “uma brincadeira que acaba mal” a uma pena de prisão também. Pelo meio, o desafio com que muitos adolescentes já foram confrontados – “não consegues”. Não consegues beber mais depressa do que eu, não consegues beber esta caneca toda de uma vez, não consegues beber mais um shot.

Para quem acha que consegue, fica a lembrança: “O álcool em excesso só te dá excesso de confiança. A bebedeira passa, o resto não”. É a mensagem de uma nova campanha de sensibilização dirigida aos jovens portugueses.

Desde 2015, a venda de álcool é proibida a menores de 18 anos, mas os números falam por si. Em 2017, o INEM assistiu 1270 menores em coma alcoólico . Em 2016, foram 1315 e no ano anterior, 1283.

Segundo o último estudo do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) relativo ao consumo de álcool em 2016, 89,6% dos jovens de 18 anos inquiridos admitiam beber álcool, 49,6% diziam já ter bebido quatro ou mais copos (se for do sexo feminino) ou seis ou mais copos (se for do sexo masculino) de uma qualquer bebida alcoólica na mesma ocasião e 31,4% a admitia já o ter chegado ao estado de embriaguez.

A par da campanha que o Governo lança esta sexta-feira, o Ministério da Administração Interna vai por em marcha o programa “Noite + Segura” a partir da segunda quinzena de julho, sobretudo nos municípios de Lisboa, do Porto e de Albufeira.

O objetivo é reforçar a segurança em zonas de concentração de estabelecimentos de diversão noturna e aumentar da fiscalização da venda de bebidas alcoólicas a menores.

 

 

De onde vem a ideia de que as meninas são mais próximas dos pais e os rapazes das mães

Julho 8, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site MAGG de 13 de abril de 2018.

por Catarina da Eira Ballestero

Duas mães concordam com esta ideia, mas os especialistas acreditam que a aproximação com os pais depende da relação que têm com os filhos.

A ideia de que as filhas são mais ligadas aos pais, enquanto os rapazes têm uma melhor relação com as mães, é antiga e tem origem na teoria clássica freudiana. Hoje em dia, quase ninguém parece ter dúvidas disso.

“Esta foi uma teoria que revolucionou o modo de conhecer a sexualidade”, afirma à MAGG Beatriz Matoso, psicóloga clínica e psicanalista. “Efetivamente, o conceito de ‘complexo de Édipo’, que explica como as meninas são mais atraídas pelo pai e os meninos pela mãe, veio demonstrar que a sexualidade não tinha início na puberdade mas sim numa fase mais precoce do desenvolvimento.”

“O meu filho é completamente obcecado por mim”

Joana Pratas é consultora de comunicação, tem 36 anos e é mãe de duas crianças: Maria Teresa, de cinco anos, e António Maria, de três. “A minha filha é mais neutra em relação aos pais, embora tenha uma forte ligação com o avô materno. Já o meu filho é completamente obcecado por mim”, confessa à MAGG.

Embora o filho mais novo de Joana e do marido, João, recorra ao pai para brincadeiras e atividades relacionados com o exterior, o pequeno António Maria tem uma ligação muitíssimo forte com a mãe — tanto que já causa algum desconforto à filha do casal.

Estávamos a tentar perceber como gerir esta situação quando a minha filha me diz ‘Mãe, o mano está sempre colado a ti. Se vou para o teu colo, começa a chorar e vais logo ter com ele’.”

“Lembro-me de uma semana em que eles ficaram os dois doentes, o António primeiro e a Teresinha a seguir. Ele já estava a recuperar e tive de pedir ao meu marido para arranjar atividades para fazer com o António, dado que estava a chover e as brincadeiras habituais fora de casa não eram possíveis. Estávamos a tentar perceber como gerir esta situação quando a minha filha me diz: ‘Mãe, o mano está sempre colado a ti. Se vou para o teu colo, começa a chorar e vais logo ter com ele’.”

Joana conta que esta frase da filha foi um alerta e que, desde então, tem feito um esforço para ser mais neutra e equilibrar-se entre os dois filhos. “Ele também é mais novo, precisa mais de mim e é muito mais mimoso que a irmã. Mas é tudo comigo. Sou eu que adormeço, que dou banho, que dou de comer. Recusa-se mesmo a que seja o pai a realizar essas tarefas”, explica a consultora de comunicação.

A exigência constante da presença da mãe é desgastante e suga a energia de Joana, que admite que há alturas em que chega a ter guerrilhas tontas com o filho para que este permita que seja o pai a dar-lhe de comer, por exemplo — o que é raro acontecer. Mas a mãe de António e Maria Teresa, apesar do cansaço, confessa que não preferia outra situação.

“É desgastante sim, mas cada vez mais quero ter isto. O tempo passa muito depressa, tudo isto é demasiado rápido. É verdade que às vezes sinto que o meu filho me suga toda a atenção, mas prefiro assim. Até porque quando tiverem 10 anos já não vão querer dormir na cama dos pais.”

O que leva uma criança a aproximar-se do pai ou da mãe é a qualidade da relação

Beatriz Matoso acredita que o conceito dos filhos se ligarem mais aos pais consoante o género sexual está ultrapassado e evoluiu bastante da teoria original de Freud.

“O conceito de parentalidade tem cada vez mais importância para compreendermos as relações entre pais e filhos”, afirma a especialista, que acrescenta que este é um processo evolutivo de realização humana, que se inicia no desejo de ter um filho e se constrói pela experiência de “serem pais”.

O que leva uma criança a aproximar-se mais de um ou outro progenitor é a qualidade de relação, isto é, a capacidade de compreender e procurar satisfazer as necessidades dos filhos, de acordo com a sua fase de crescimento.”

“Esta experiência consiste em ir ao encontro da satisfação das necessidades físicas e emocionais do filho, de acordo com o seu grau de crescimento e a fase de vida em que se encontra.”

Se os pais são capazes de descodificar as necessidades do bebé e de as satisfazer de uma forma adequada, a criança sente-se satisfeita e segura, reforça a psicóloga clínica, que acredita que “o que leva uma criança a aproximar-se mais de um ou outro progenitor é a qualidade de relação, isto é, a capacidade de compreender e procurar satisfazer as necessidades dos filhos, de acordo com a sua fase de crescimento. ”

As mães são para as regras, os pais para as brincadeiras

Carolina, de 30 anos, é jornalista e mãe de Clara, de apenas um ano. E apesar da tenra idade da filha, é notória uma clara aproximação ao pai.

“Sempre ouvi dizer que as meninas eram mais apegadas aos pais e, no nosso caso, isso tem-se verificado. A Clara é completamente pai. Mas acho que também tem muito a ver com o tempo que passam juntos, que acaba por ser superior ao meu”, salienta a jornalista.

Devido aos horários do casal, é o companheiro de Carolina que acorda a bebé de um ano e a leva para casa dos pais antes de ir trabalhar, rotina que repete por volta das 18h30, quando apanha Clara e a leva de regresso para casa, lhe dá banho, brinca e, na grande maioria das vezes, dá jantar durante a semana.

“Num dia bom, consigo chegar a casa por volta das 19h30, ainda ajudo no banho ou dou a comida. Mas na grande maioria das vezes, quando chego já tudo isso está feito. A Clara tem horários que devem ser cumpridos, caso contrário fica completamente desrregulada e birrenta. E também já chegou a acontecer chegar a casa e ela já estar a dormir.”

Para além de ser menos presente durante a semana, Carolina acaba por ter uma postura mais rígida com a filha do que o companheiro.

Os pais são mais direcionados para as brincadeiras, enquanto as mães não são tão liberais.”

“Não sou nada dura, não se é dura com uma criança de um ano. Mas ela está numa fase em que adora explorar, que já começa a tentar ficar de pé, a abrir gavetas. E claro que se pode magoar e eu digo não, ela fica magoada e faz birra. Já o pai é mais desligado dessas coisas e, apesar de ter mil cuidados, é mais permissivo, deixa-a mexer em coisas que pode estragar, como os comandos da TV, por exemplo. Mas é um bocadinho frustrante, já passo imenso tempo sem ela e, quando estou, parece que é para lhe ralhar.”

Margarida Alegria, psicóloga clínica, também concorda com a ideia de que as mães, muitas vezes, são vistas como a figura que impõe as regras. “Os pais são mais direcionados para as brincadeiras, enquanto as mães não são tão liberais e costumam apertar mais com as rotinas e regras. No entanto, tem a ver muito com cada caso”, conclui a especialista.

 

Risco de violência sexual online mais agressiva é maior para eles do que para elas

Março 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 7 de março de 2018.

Embora as meninas representem perto de dois terços das vítimas identificadas, o abuso mais violento acontece com meninos.

Karla Pequenino

O pior do abuso sexual de menores online, com níveis de sadismo e violência elevados, é mais provável de afectar meninos do que meninas. A informação surge num novo relatório da Interpol e da ECPAT (sigla inglesa para Fim da Prostituição, Tráfico Sexual e Pornografia de Crianças).

“Estamos a falar de crianças muito pequenas, bebés de apenas alguns meses, a serem vítimas de violência sexual extrema”, frisou Björn Sellström, o director do departamento da Interpol que investiga crimes contra crianças, na apresentação do relatório.

Embora as meninas representem perto de dois terços das vítimas identificadas (65%), os meninos participavam em formas de abuso violento e fantasias de parafilia. De acordo com o relatório, isto inclui desejo sexual por comportamento que põe a outra pessoa em aflição psicológica, física e resulta em lesões ou morte.

As conclusões baseiam-se na análise do conteúdo e de metadados (origem, data, duração) de imagens e vídeos recolhidos pela base de dados de crimes sexuais contra crianças da Interpol entre Junho e Agosto de 2017. “É comum pensar que a maioria das vítimas de abuso e exploração sexual são meninas. Contudo, a proporção significativa de meninos nas imagens e vídeos da base de dados pede mais atenção a este grupo”, lê-se nas conclusões do relatório publicado esta terça-feira.

Nos últimos anos, o aumento da disponibilidade de Internet de banda larga, a preços reduzidos, combinado com o uso de smartphones, impulsionou a indústria do tráfico sexual online. Isto inclui crianças a serem abusadas, em vídeos em directo, a troco de dinheiro, ou a serem vendidas para sexo na Internet.

Desde 2009, altura em que a Interpol começou a recolher e arquivar dados sobre o abuso sexual de crianças na Internet, a organização já conseguiu identificar mais de 12 mil vítimas. Das que faltam identificar, mais de 60% são crianças de idades muito precoces (incluindo bebés) e um terço são rapazes. Cerca de 5,6% dos ficheiros com crianças não identificáveis (um total de 34.474 imagens ou vídeos), incluem um abusador conhecido das autoridades.

As armadilhas do online

Além de analisar extensas bases de dados, a Interpol e a ECPAT entrevistaram autoridades envolvidas na investigação de abuso sexual de menores em Novembro de 2017. O objectivo era perceber as dificuldades em investigar estes crimes na Internet, em diferentes partes do mundo.

Um dos problemas destacados é que cada vez mais jovens produzem imagens e vídeos sexuais que publicam, voluntariamente, na Internet. “O fenómeno de ‘conteúdo sexual produzido por jovens’ parece ser um desafio”, lê-se nas conclusões do relatório. “Há uma necessidade de adaptar a gestão destes casos para distinguir aqueles em que houve uma ofensa criminosa.” Um exemplo recente data de Janeiro, quando mais de mil jovens dinamarqueses foram convocados a entrevistas com a polícia devido à partilha de  vídeos que circularam na Internet de dois jovens a terem relações consensuais (os vídeos, porém, não tinham sido partilhados voluntariamente).

Parte do propósito do estudo actual era “desenvolver um perfil das crianças não identificadas” para investir em melhores sistemas de apoio. A grande conclusão é que as crianças mais novas são as maiores vítimas de abuso sexual online, com os meninos (um terço) a receber frequentemente o tratamento mais violento.

As imagens recolhidas também permitiram identificar o género do atacante em perto de 50% dos casos. A grande maioria (93%) era do sexo masculino. Nos 7% dos casos em que surgem mulheres, o abuso era feito quase sempre em parceria com homens. “Isto mostra que ainda há muito que não sabemos e é preciso mais investigação”, frisou um representante da  ECPAT em conversa com a Reuters. No futuro, as organizações responsáveis pelo relatório querem, também, comparar as diferenças entre o conteúdo estático e em vídeo, e ver os efeitos de abuso offline comparativamente àquele que é transmitido online.

Descarregar o relatório Towards a Global Indicator on Unidentified Victims in Child Sexual Exploitation Material

Aumenta o fosso entre rapazes e raparigas no sucesso escolar

Fevereiro 2, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 12 de janeiro de 2018.

O género e o contexto socioeconómico continuam a marcar fortemente o desempenho dos alunos. Ministério divulga resultados do indicador que mede quantos conseguem ao longo da escolaridade um percurso “limpo” de chumbos.

CLARA VIANA

É sabido que em média as raparigas têm melhores desempenhos escolares do que os rapazes, mas em Portugal esta tendência está a acentuar-se no 3.º ciclo e no ensino secundário. É o que mostram os dados sobre os chamados percursos directos de sucesso divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Educação (ME).

Para o ME, um aluno com um percurso directo de sucesso é aquele que, cumulativamente, não chumbou em nenhum dos anos do seu ciclo de escolaridade e que obteve positiva nos principais exames. No conjunto dos alunos, estes casos de “percursos limpos” ainda são a minoria, embora estejam a aumentar. Como também aumentou o fosso entre rapazes e raparigas neste indicador.

No ensino secundário a diferença entre eles e elas passou de sete pontos percentuais em 2015/2016 para 10 pontos em 2016/2017. No 3.º ciclo, a diferença que separa uns e outros subiu, num ano, de nove pontos percentuais para também 10. No concreto: 47% das raparigas conseguiram, em 2016/2017, concluir o 12.º ano com um percurso directo de sucesso — ou seja, não chumbaram nem no 10.º, nem no 11.º ano e tiveram positiva nas principais provas finais no 12.º. Os rapazes saíram-se pior: apenas 37% conseguiram um percurso livre de chumbos.

No 9.º ano as taxas de sucesso (zero chumbos no 7.º e no 8.º e positiva nos exames do 9.º) foram, respectivamente, de 51% e 41% para raparigas e rapazes.

“Existem mais repetências entre os rapazes”, confirma o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima que, no entanto, afasta a questão do comportamento como sendo actualmente uma das razões para que tal aconteça. “Posso dizer por experiência que hoje já não é verdade que as raparigas sejam mais bem comportadas que os rapazes”, refere.

O que poderá explicar então a diferença? “As raparigas amadurecem mais cedo e talvez estejam mais predispostas para os estudos do que os rapazes”, admite.

Ainda uma minoria

O indicador sobre os percursos directos de sucesso foi lançado pela primeira vez no ano passado pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC). Ficou a saber-se então que tanto no 3.º ciclo do básico como no secundário os alunos com “percursos limpos” de chumbos e que, cumulativamente, tinham nota positiva nos exames nacionais constituíam uma minoria.

Os dados agora divulgados confirmam este retrato, embora se tenha registado uma evolução positiva. Em 2016/2017, 42% dos alunos do 3.º ciclo tiveram percursos de sucesso, quando no ano anterior eram 37%. No secundário, o mesmo aconteceu com 46%. Em 2015/2016 eram 40%.

Em declarações aos jornalistas, durante a apresentação destes resultados, o secretário de Estado da Educação João Costa considerou que estas subidas se poderiam justificar pela “ligeira subida da média dos exames nacionais” registada no ano passado em quase todas as disciplinas e por algum impacto das acções entretanto adoptadas pelas escolas no âmbito do programa de promoção do sucesso escolar, lançado em 2016/2017. O governante frisou, contudo, que esta evolução deve ser “olhada com cautela” porque em educação dois anos não são tempo suficiente para identificar tendências.

“Penso que ainda é prematuro atribuir-se ao programa de sucesso escolar. Estamos só no segundo ano deste programa que, na maioria das escolas, tem incidido sobretudo no 1.º ano de escolaridade”, comenta Filinto Lima, em declarações ao PÚBLICO. Para o presidente da ANDAEP, esta evolução poderá reflectir sobretudo a preocupação das escolas em conseguir que “os bons alunos atinjam outros patamares”. “A par do combate ao insucesso escolar, existe hoje uma forte sensibilização das escolas para com os alunos que, estando já com notas positivas, podem melhorar ainda mais as suas aprendizagens.”

O peso do meio

O que os novos dados também mostram é que esta tendência de subida é transversal a todo o tipo de estudantes, independentemente do contexto socioeconómico de origem, embora o peso do meio continue a marcar profundamente o desempenho.

Para avaliar este impacto, a DGEEC foi saber qual a percentagem de alunos com Acção Social Escolar (ASE) que conseguiram ter percursos de sucesso e também a dos que não beneficiam destes apoios, que só são atribuídos a estudantes oriundos de agregados com rendimentos iguais ou inferiores ao salário mínimo nacional.

Os beneficiários da ASE estão divididos em dois escalões: A e B, sendo o primeiro o dos mais carenciados. Em 2016/2017, 28% dos alunos do escalão A e 35% do escalão B que concluíram o 12.º ano estavam entre os estudantes com percursos de sucesso. Em 2015/2016, estes valores tinham sido, respectivamente, de 23% e 30%.

Já entre os alunos de meios mais favorecidos, ou seja, sem apoios do Estado, esta proporção passou de 39% em 2015/2016 para 44% no ano lectivo passado.

No 3.º ciclo, 54% dos estudantes que não estão abrangidos pela ASE tiveram percursos de sucesso em 2016/2017. No ano anterior tinham sido 47%. Entre os alunos do escalão A da ASE a evolução foi de 18% para 22% e no escalão B passou-se de 28% para 34%.

É uma evolução que Filinto Lima vê com “muita satisfação”. “Significa que as escolas estão a cumprir o seu papel de elevador social.” Apesar disso não tem dúvidas de que a diferença a favor dos alunos mais favorecidos será “uma tendência que vai continuar”.

Também a nível distrital a tendência é de subida. No secundário as maiores subidas neste indicador de sucesso escolar (sete pontos percentuais) registaram-se em Aveiro, Beja, Castelo Branco e Porto. Braga e Viana do Castelo são os distritos que mais se distanciaram pela positiva: tiveram 48% de alunos com percursos de sucesso quando a média nacional foi de 42%. Braga volta a destacar-se no 3.º ciclo com 50% de estudantes nesta situação, mas a campeã é Coimbra que atingiu os 56%.

Para João Costa, a avaliação com base nos percursos de sucesso “permite contrariar análises simplistas e não induzir algumas más práticas educativas” nas escolas, ao contrário do que sucede com os rankings tradicionais, elaborados só com base nas notas dos exames. Um exemplo: este indicador, quando usado para comparar escolas, “penaliza as que estão a chutar alunos para fora para não ficarem mal” nos rankings. Mais: ele permite uma avaliação mais séria do trabalho realizado, acredita. “Uma escola é boa pelo progresso que os alunos fazem”, sublinha.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Provas Finais e Exames Nacionais 2017 – Principais Indicadores Ensino Básico e Secundário

 

 

 

Alunos do 4.º ano têm dificuldades na leitura – e os rapazes estão piores

Janeiro 3, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Snews

Texto do https://www.educare.pt/ de 20 de dezembro de 2017.

Estudo internacional mostra que os alunos portugueses do 4.º ano pioraram nas competências de leitura. Uma análise, também internacional, revela que as raparigas estão melhores do que os rapazes. E um projeto nacional garante que promover a leitura no pré-escolar tem resultados positivos.

Sara R. Oliveira

Os alunos portugueses do 4.º ano estão piores nas competências de leitura, que abrangem os principais processos de compreensão nesta área, como localizar e retirar informação explícita, fazer interferências diretas, interpretar e integrar ideias e informação, analisar e avaliar o conteúdo e outros elementos textuais. E, nesta área, os rapazes estão piores do que as raparigas. Entre 2011 e 2016, Portugal caiu 11 lugares, passando do 19.º lugar para o 30.º, na lista dos 50 países que participam nos testes PIRLS – Progress in International Reading Literacy Study. Numa escala de mil pontos, Portugal atinge 528. A Rússia, Singapura e Hong Kong ocupam os três primeiros lugares.

Esta queda na leitura acaba por não ser assim tão surpreendente até porque os diretores escolares do 1.º Ciclo já vinham a alertar para uma pouca preocupação com os processos que envolvem a leitura, bem como para uma atenção excessiva para os resultados. Antecipar as provas de aferição, para não esperar pelo 4.º ano para perceber em que nível estão os alunos, é uma possibilidade em análise pela tutela. As metas curriculares não deverão ser alteradas.

Nesta avaliação internacional sobre a compreensão da Leitura dos alunos do 4.º ano de escolaridade, desenvolvida por uma associação internacional independente, constituída por instituições de investigação educacional e por agências governamentais de investigação dedicadas à melhoria da educação, só o Irão desceu mais do que Portugal, caindo 29 pontos. Curiosamente, os alunos portugueses são os que referem que mais gostam de ler, mas os resultados não encaixam nesse gosto.

O estudo internacional sobre alfabetização em leitura mostra que há uma diferença substancial no desempenho de meninos e meninas do 4.º ano. Os rapazes estão mais atrasados do que as raparigas na leitura. Nesse estudo da UNESCO e da Associação Internacional para a Avaliação de Desempenho Educacional (IEA), neste domínio da compreensão da leitura, há boas notícias quanto à evolução nesta área, mas, ao mesmo tempo, revela dados preocupantes em termos de género: as alunas superam os alunos em 48 países, em 18 pontos, liderando em áreas como leitura literária e leitura informativa. No nosso país, as raparigas continuam melhores do que os rapazes, embora essa diferença esteja a ser esbatida desde 2011.

A qualificação dos professores também tem peso na leitura dos alunos. A percentagem de docentes que tem pedagogia de leitura, métodos de ensino específicos para a instrução de leitura, anda pelos 20% em termos internacionais. O estudo concluiu que o desenvolvimento profissional dos professores não aborda adequadamente as habilidades especializadas necessárias para garantir a realização de leitura a todas as crianças. O que significa que os professores podem não estar devidamente preparados para assegurar uma aprendizagem de qualidade inclusiva e equitativa.

Há boas notícias neste assunto. Uma é que os pais estão mais envolvidos neste processo de alfabetização dos seus filhos e mais empenhados em criar o gosto pela leitura. E outra é que há mais alunos a frequentarem o pré-escolar e que, na sua maioria, têm um melhor desempenho médio na leitura quando estão no primeiro nível de ensino.

Atividades estruturadas
Há um projeto português que se debruça precisamente sobre essa vertente e que conclui que a promoção de leitura no jardim de infância reduz dificuldades no 1.º ano de escolaridade. O projeto, que envolveu cerca de mil crianças de quatro agrupamentos escolares, deteta que as atividades de leitura no jardim de infância diminuem em 50% o risco de dificuldades de aprendizagem no primeiro ano da escola.

Este projeto, coordenado pelo Politécnico do Porto, avaliou a linguagem e a consciência cronológica de crianças que frequentavam o pré-escolar e o 1.º ano de quatro agrupamentos de escolas do município do Porto, envolvendo-as de seguida na intervenção CiiL (Centro de Investigação e Intervenção na Leitura).

O projeto, iniciado em 2015 e atualmente em vigor, tem como objetivo prevenir “percursos de insucesso precoce na aprendizagem da leitura e da escrita”, para diminuir dificuldades que as crianças possam transportar para o 1.º ano, segundo adiantou Ana Sucena, coordenadora do projeto e professora do Politécnico do Porto, em declarações à Lusa. Para a responsável, é fundamental sensibilizar os educadores de infância para a promoção da linguagem, através de atividades estruturadas e sistematizadas.

No 1.º ano, é importante promover a consciência fonémica, um trabalho que pode ser iniciado no pré-escolar. “Enquanto não houver um patamar mínimo de desenvolvimento para esta competência, dificilmente a criança avança na leitura e na escrita, ou não avança de todo”, avisa Ana Sucena.

O estudo demonstra que uma “grande percentagem “das crianças, “que tinham tudo para ter um percurso de insucesso”, acabam por ter um percurso inserido “naquilo que é o esperado”. Sinal de que a leitura pode começar a fazer parte do dia a dia dos mais pequenos fora de casa.

Interpretar e integrar ideias
A literacia da leitura avaliada pelo PIRLS baseia-se numa noção abrangente do que é saber ler, que inclui a capacidade de refletir e de utilizar o que se lê para alcançar objetivos individuais e sociais. Por isso, o estudo internacional contempla a leitura como experiência literária e a leitura como meio para adquirir e utilizar informação. Na análise do desempenho, estas áreas são cruzadas com os principais processos de compreensão da leitura, nomeadamente localizar e retirar informação explícita, interpretar e integrar ideias.

A prova é constituída por um conjunto de cadernos, cada aluno responde a um caderno da prova, e os itens não são públicos de forma a permitir a comparação de resultados dos alunos ao longo das várias edições do estudo e identificar tendências nos resultados. Ao mesmo tempo, aplicam-se questionários para retirar informação do contexto social dos alunos e outros fatores que podem influenciar o desempenho na literacia da leitura.

O estudo internacional é realizado de cinco em cinco anos em vários países, o que permite comparações e abre perspetivas de se aprender com as experiências dos outros participantes. E é realizado com alunos do 4.º ano, com 9 ou 10 anos, por ser o momento em que as crianças já aprenderam a ler e passam a ler para aprender. No nosso país, cerca de 150 escolas e aproximadamente 4000 alunos participaram no PIRLS de 2011.

O estudo citado no texto é o seguinte:

PIRLS 2016 : International Results in Reading

mais informações no link:

http://timssandpirls.bc.edu/pirls2016/international-results/pirls/summary/

 

Rapazes. Quanto mais dinheiro, mais comportamentos de risco

Outubro 25, 2015 às 10:24 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Expresso de 22 de outubro de 2015.

Rui Duarte Silva

Elas estudam mais e tentam fugir ao destino. Eles colocam-se em risco e envolvem-se na política. Um estudo sobre 3000 jovens de ambos os sexos nascidos nos anos 90, no Porto, mostra que o fado tem muitos tons mas continua pintado a negro.

Christiana Martins

Em português, destino é fado e ambos são descritos no dicionário como “uma força superior que se crê controlar todos os acontecimentos”. A pergunta que fica, então, é a capacidade humana de alterar o fatalismo. E parece que sim, que é possível mudar, no presente, o rumo do futuro. Pelo menos para os jovens do Porto.

Esta sexta-feira é apresentado na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, um estudo sobre a geração nascida na década de 90 do século XX e que em 2003 e 2004 frequentava as escolas públicas e privadas do Porto. Foram analisados os comportamentos de 2942 jovens, com 13, 17, 21 e 24 anos.

Com o título “Reproduzir ou contrariar o destino social?”, a investigação, coordenada pela socióloga Anália Torres e por Henrique de Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, teve como ponto de partida a análise de que forma a origem social e o nível de escolaridade dos pais afetam a escolaridade e a mobilidade social e educacional dos jovens. O percurso académico dos próprios jovens é tido em conta como fator de mobilidade social, sem esquecer a influência do género e da prática de desporto ou do tempo passado a ler ou a estudar.

Uma das dimensões mais relevantes do estudo passou pela definição de “percursos biográficos”, que consideram, para além da escolaridade, variáveis de caracterização social como os rendimentos do agregado, a condição perante o trabalho e a profissão dos pais.

Perfis educacionais

Para organizar o estudo, foram desenhados cinco “perfis de mobilidade educacional”, que compara a escolaridade dos jovens aos 21 anos com a dos respetivos pais. Os jovens de nível educacional mais baixo têm 12 anos ou menos de escolaridade e pais com nove ou menos anos de escolaridade; já aqueles jovens e pais que têm 15 ou mais anos de escolaridade são classificados como nível mais alto.

No grupo de jovens e pais pouco escolarizados, as raparigas são as que conseguem ir mais longe no ensino (66,7%) e, entre os filhos de pais licenciados, os rapazes são os que encontram maior dificuldade em atingir o mesmo patamar educativo.

“Os rendimentos do agregado familiar condicionam de forma expressiva a escolaridade dos jovens. Quanto maior é o rendimento familiar, maior é a escolaridade atingida”, refere a investigação. O estudo diz mesmo que “o papel da origem social e educacional dos jovens é visível na reprovação escolar”.

Aos 17 anos, e ainda sem grandes avanços educativos, os filhos de pais pouco escolarizados apresentam as mais elevadas taxas (78%) de reprovação. Mas é também sublinhado que “as práticas de leitura, estudo e desporto podem compensar a influência da origem social”.

Problemas por resolver

Marcantes foram, para a equipa de coordenação, os resultados alcançados pelas raparigas. Elas são “tendencialmente mais escolarizadas do que os rapazes (44,1% têm ensino superior contra 31,7% deles), mas apesar de uma maior escolarização, “persistem desigualdades de género à entrada no mercado de trabalho”, com elas a estarem mais empregadas a tempo parcial do que eles, enquanto estudam em simultâneo. Eles preferem trabalhar a tempo inteiro, mas, entretanto, deixam os estudos.

As surpresas surgem quando se começa a abordar os comportamentos de risco. Os jovens de nível educacional alto revelaram “uma relativa incidência de comportamentos de risco associados a estilos de vida que podem ser apelidados de ‘recreativos’, como o consumo de haxixe ou marijuana aos 21 anos, ou mais precocemente, aos 13 anos, na experimentação e consumo de álcool”.

Os comportamentos de risco estão ligados a um pior desempenho educacional aos 21 anos, com práticas como o envolvimento numa luta física ou um percurso de mau comportamento disciplinar, associado à não conclusão da escolaridade obrigatória (12.º ano).

Quando a investigação se debruçou sobre os jovens aos quais já foram diagnosticadas situações depressivas, as raparigas mostraram ser as mais afetadas, e foi visível uma tendência para um maior peso deste problema entre os jovens de nível educacional baixo ou ascendente.

O envolvimento em organizações cívicas e políticas aumentou significativamente na passagem dos 17 aos 21 anos, enquanto diminuiu a dedicação a organizações de desporto, culturais ou religiosas. Aos 21 anos, os rapazes mais escolarizados mostraram-se mais disponíveis para pertencer a alguma organização política ou pública. Mas, se estiverem desempregados, o empenho diminui.

 

 

É científico: raparigas começam a falar mais cedo do que os rapazes

Abril 3, 2015 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 29 de março de 2015.

Nuno Botelho

Isabel Leiria

Tal como já fazem para avaliar o peso e a altura, pediatras e especialistas em Portugal podem agora verificar em que percentil da linguagem se encontra um bebé e se apresenta ou não algum desvio relevante em relação ao padrão típico das crianças portuguesas.

Uma equipa de investigadores do Lisbon Baby Lab da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o primeiro do género a surgir em Portugal, concluiu este ano um trabalho inédito de adaptação do questionário conhecido como CDI (Inventário de Desenvolvimento Comunicativo – formas reduzidas) para português europeu, de forma a identificar as competências médias de bebés e crianças no que respeita à compreensão e à fala. Um instrumento que já tinha sido adaptado para meia centena de línguas, mas não para o português.

O estudo foi feito a partir de uma amostra representativa de 836 crianças, entre os 8 e os 30 meses. As curvas de desenvolvimento mostram que a compreensão de palavras precede a produção de vocábulos (ver caixa) e que enquanto a primeira tem uma progressão linear, a fala dá um salto a partir dos 15 meses. A investigação permitiu ainda verificar que desde muito cedo as raparigas começam a compreender, mas sobretudo a dizer, mais palavras do que os rapazes. A diferença foi encontrada em várias línguas, ainda que não em todas.

“Os estudos sobre o CDI reportam o resultado, mas não adiantam explicações. Todavia, estudos na área do desenvolvimento do cérebro revelaram que os cérebros de rapazes e raparigas apresentam diferenças no seu desenvolvimento ainda durante a gravidez e que podem estar relacionadas com a forma como homens e mulheres processam a linguagem, designadamente com o facto de as mulheres terem capacidades de linguagem mais fortes”, explica Sónia Frota: “A maturação de áreas do cérebro envolvidas na linguagem ocorre mais cedo nelas.”

Mais do que variações normais, os investigadores realçam a importância de se conhecer o desenvolvimento linguístico típico, por forma a detetar desvios significativos e desencadear uma intervenção “mais atempada e ajustada dos técnicos”. Uma das investigações em curso no Lisbon Baby Lab pretende precisamente detetar a existência ou não desses sinais em bebés de risco no espectro do autismo em vez de esperar dois ou três anos pela manifestação desses sintomas.

Ainda que não falem como os adultos – as primeiras palavras surgem à volta dos 12 meses, apesar de haver bastante variação entre crianças -, é possível, através de sistemas de monitorização do olhar (eye tracking), eletroencefalogramas, registo de sons perceber a relação de bebés e crianças com a linguagem. Quando e como começam a descodificar sons, palavras e frases é uma das perguntas a que se tenta responder naquele laboratório, criado há cinco anos. Sendo certo que antes de dizerem as primeiras palavras com sentido, os bebés desenvolvem capacidades relacionadas com a linguagem logo nas primeiras semanas de vida.

As crianças e as línguas estrangeiras

“Bebés recém-nascidos são capazes de discriminar a língua materna de línguas estrangeiras”, exemplifica Sónia Frota, diretora do laboratório. “São também capazes de distinguir entre duas línguas estrangeiras, dependendo das propriedades sonoras dessas línguas.”

O que as experiências mais recentes mostram é que tudo começa “mais cedo do que se pensava”, diz Sónia Frota. No Lisbon Baby Lab testou-se a reação de bebés com 5 meses a determinados contrastes de melodia (a mesma frase dita com entoação interrogativa ou afirmativa, como é comum na fala) e confirmou-se que os bebés já discriminam essa diferença. Mas quando foram expostos ao mesmo tipo de contrastes, usando uma língua estrangeira, no caso o mandarim, essa discriminação já não aconteceu da mesma maneira, relata. “Isto significa que aos 5 meses já estão sintonizados para a sua língua nativa”, sublinha a investigadora.

A partir dos 4-6 meses os bebés têm consciência da “distribuição dos sons típica de cada língua”, acrescenta. E não é de todo um mito que as crianças têm mais facilidade em aprender um idioma estrangeiro do que os adultos. “Mesmo entre as próprias crianças há uma grande diferença nessa capacidade, entre o que conseguem fazer entre o primeiro ano de vida e o que acontece entre os 4 e os 7 anos. A partir daí há uma quebra brutal dessa capacidade”, confirma. Porquê?

“Quando nascemos é como se o cérebro fosse um campo virgem que nunca foi ceifado, em que tudo tem a mesma importância. Um bebé exposto a sons do chinês, do árabe, do italiano, do português consegue discriminar todos eles, de uma forma que um adulto não consegue. Esse campo vai sendo ceifado pela língua a que estão mais expostos e há circuitos que vão sendo otimizados para determinadas combinações de sons e outros que vão sendo desativados”, numa espécie de “learning by forgetting” explica Sónia Frota.

É o que acontece com línguas relativamente próximas na sonoridade, como o Português e o Espanhol. “Um bebé espanhol não terá dificuldade em distinguir a vogal ‘e’ aberta ou fechada. Para um adulto espanhol isso é uma dificuldade porque só utiliza uma das vogais”, exemplifica. E está também demonstrado que, nalguns casos, as características dos idiomas acabam por facilitar ou dificultar o início da fala. Os bebés que falam inglês americano têm um desenvolvimento mais rápido do que os que falam francês, por exemplo.

http://labfon.letras.ulisboa.pt/babylab/
https://www.facebook.com/pages/Lisbon-BabyLab/119941204727631?fref=nf

 

 

Porque é que elas são melhores do que eles?

Março 7, 2015 às 6:02 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 3 de março de 2015.

O documento  citado na notícia é o seguinte:

Relatório Técnico : Retenção Escolar nos Ensinos Básico e Secundário  pág. 56

 

Nuno Fox

Raparigas têm melhor desempenho em todos os níveis de ensino e a taxa de chumbos chega a ser metade da dos rapazes

Joana Pereira Bastos (texto) Carlos Esteves (infografia)

Os rapazes estão a ficar cada vez mais para trás. Do 1.º ciclo à universidade, elas aplicam-se mais, têm melhores resultados e vão mais longe. Já não é de agora mas o fosso tem vindo a acentuar-se. Portugal é um dos países onde a desigualdade é maior. A diferença no desempenho escolar começa logo nos primeiros anos de escolaridade mas vai aumentando com a idade. “As taxas de retenção e desistência no ensino básico são sempre maiores nos homens do que nas mulheres”, sublinha um relatório do Conselho Nacional de Educação sobre os chumbos, divulgado na semana passada. No 5.º ano, por exemplo, os rapazes chumbam quase duas vezes mais do que as colegas.

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Para Luísa Saavedra, professora da Escola de Psicologia da Universidade do Minho e autora de uma tese de doutoramento sobre o impacto do sexo e da classe social no rendimento académico, a diferença deve-se sobretudo a uma questão de comportamento, a que não são alheias as representações sociais associadas aos dois géneros: “As raparigas são educadas para serem mais sossegadas e bem comportadas, características que favorecem o desempenho escolar. Já os rapazes são socializados para serem mais ativos, irrequietos e até mais violentos e indisciplinados, o que prejudica os estudos”.

Teresa Seabra, diretora do mestrado em Educação e Sociedade do ISCTE, corrobora: “Há mais semelhanças entre as competências desenvolvidas na socialização familiar das raparigas e as exigências da cultura escolar, nomeadamente a responsabilização, a organização dos tempos e dos espaços ou o auto-domínio. O seu comportamento é mais conforme às normas escolares e, por essa razão, as expectativas dos professores também são mais positivas em relação a elas”.

Namorados e futebol

Além dos fatores sociais e culturais, há também fatores mais biológicos que podem favorecer o desempenho feminino na escola. “Os tempos de maturação são muito diferentes, o que naturalmente tem implicações ao nível da aprendizagem. A linguagem e todas as competências verbais são desenvolvidas mais precocemente nas raparigas”, explica o neurologista Alexandre Castro Caldas, ressalvando que há muitas outras variáveis que podem explicar as diferenças e que o Ministério da Educação devia, por isso, fazer um estudo aprofundado sobre esta matéria.

Segundo um relatório da Eurydice  – a rede de informação sobre os sistemas educativos europeus – sobre as desigualdades de género na escola, Portugal é um dos países onde a disparidade é maior. Aos 15 anos, 11% das raparigas já chumbaram pelo menos uma vez. Já nos rapazes a percentagem sobe para os 20%.

Não é por acaso que as diferenças no desempenho escolar são maiores na adolescência. “Do ponto de vista do desenvolvimento, as raparigas atingem a puberdade mais precocemente e tornam-se mais maduras mais cedo. Se observar uma turma do 7.º ano, eles só pensam em futebol e elas já pensam em namorados porque já despertaram para a sexualidade”, exemplifica o psiquiatra Daniel Sampaio.

expresso

“De uma forma geral, elas são mais obedientes e responsáveis. Têm os trabalhos em dia, cadernos organizados e com letra certinha. Eles têm, por regra, uma adolescência mais turbulenta, com mais problemas de indisciplina e comportamentos de risco”, adianta o especialista do Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

A vingança das mulheres

Para a socióloga Maria Filomena Mónica, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, é também uma questão de atitude e de vontade de ir mais longe. “Intuitivamente, de uma forma inconsciente, as mulheres estão a querer vingar-se de séculos de opressão de que foram vítimas. São mais trabalhadoras e estão mais motivadas para subir na vida porque querem afirmar-se, não apenas na escola como no trabalho”.

O facto de o corpo docente ser esmagadoramente feminino – 70% dos professores desde o pré-escolar até ao ensino superior são mulheres – também pode ter influência nos melhores resultados obtidos pelas raparigas, diz Filomena Mónica. “É muito desequilibrado, o que não é bom para o sistema de ensino”.

Teresa Seabra, do ISCTE, concorda que esse fator pode favorecer as raparigas. E vai mais longe, considerando que a forma como o sistema de ensino está organizado pode discriminar os rapazes. “É preciso sensibilizar os docentes para os processos através dos quais podem penalizar os resultados escolares dos rapazes e tornar conscientes os processos de discriminação de género que podem ocorrer em sala de aula: menos elogios, menor benefício da dúvida e menor interpelação”.

 

 

 

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