Investigadores criam teste psicológico para avaliar transtorno do videojogo

Junho 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Público de 28 de maio de 2019.

Teste foi testado numa amostra de 550 estudantes do Reino Unido e da China e teve resultados “muito satisfatórios”.

Investigadores desenvolveram o primeiro teste psicológico mundial para avaliar o transtorno do videojogo e a severidade dos seus sintomas, através de critérios clínicos estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O teste é um instrumento psicométrico que foi testado numa amostra de 550 estudantes do Reino Unido e da China e que apresentou resultados “muito satisfatórios”, disse à agência Lusa o investigador e psicólogo português Halley Pontes, da Universidade da Tasmânia (Austrália).

“O que se verificou é que através de um conjunto simples de quatro perguntas podemos proceder a um diagnóstico e avaliar a severidade dos sintomas” dos jogadores, adiantou Halley Pontes, que liderou a equipa de investigadores que criou esta ferramenta e desenvolveu o estudo com a amostra de estudantes, a publicar no International Journal of Mental Health and Addictions.

Halley Pontes explicou que o “trabalho resulta do consenso a que Organização Mundial da Saúde chegou no passado fim-de-semana sobre o estatuto oficial do transtorno do videojogo” como uma perturbação psiquiátrica relacionada com “o uso excessivo e patológico dos videojogos”. De acordo com a definição da OMS, este padrão de comportamento deve ter sido evidente por um período mínimo de 12 meses e ter resultado num comprometimento significativo na vida familiar, do trabalho e da educação.

Questionários online a decorrer

Para a realização do estudo, foram criadas duas plataformas online, uma na Alemanha e outra no Reino Unido que permitem às pessoas que joguem activamente no computador, telemóvel ou consola responder a algumas questões e de imediato receber uma resposta sobre “o modo como se envolvem com os videojogos”, se é um envolvimento patológico ou normal.

O questionário online é baseado em critérios da OMS e regista as actividades de jogo dos últimos 12 meses numa escala de um (nunca joga) a cinco (muito frequentemente). As conclusões principais do estudo indicam que “o novo enquadramento clínico da OMS que define o transtorno dos videojogos é robusto e pode ser verificado em termos empíricos com os dados recolhidos”, sublinhou Halley Pontes.

Os dados revelam que, em média, os alunos inquiridos jogam 12 horas por semana, gastando quase metade deste tempo (46%) aos fins-de-semana sozinhos na frente de um computador ou com outros dispositivos móveis. Houve ainda 36 participantes (6,4%) que relataram grandes problemas no dia-a-dia devido ao seu comportamento. Halley Pontes explicou que o transtorno de videojogos é “uma incapacidade” de os jogadores controlarem o seu comportamento obsessivo, que é reflectido também no “aumento exponencial da prioridade que a pessoa dá ao jogo ao ponto de abafar outros interesses e actividades diárias” e continuar a jogar mesmo sabendo que “existem áreas da sua vida que estão a ser afectadas negativamente”.

O próximo passo dos investigadores das universidades da Tasmânia, de Birkbeck (Londres), de Pequim e de Ulm (Alemanha) é a realização do “maior estudo” sobre o transtorno do jogo, tendo para isso criado uma parceria com a empresa de eSports ESL, com laços estreitos com a comunidade de jogos, “um público potencialmente em risco”.

O novo estudo visa compreender de que forma o jogo está a tornar-se um problema de saúde e quais factores que contribuem para isso, incluindo variáveis sociodemográficas, de personalidade e motivações. Para Halley Pontes, a decisão da OMS vai “ajudar estas pessoas que sofrem a encontrarem validação para o seu sofrimento psicológico e, potencialmente, servirá também para desenvolver políticas que as ajudem a obter tratamento no sistema nacional de saúde”.

 

 

Kaspersky : “Dois terços das crianças europeias têm medo de utilizar a Internet”

Fevereiro 23, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do http://wintech.pt/ de 7 de fevereiro de 2017.

Escrito por João Fernandes

Um estudo elaborado pela Kaspersky Lab que marca o Dia da Internet Segura 2017 revela que o crescente número de ameaças que as crianças encontram online está agora a ter efeitos negativos, com dois terços (67%) das crianças europeias com idades compreendidas entre os 10 e os 15 anos a admitirem que têm medo ou estão preocupadas em estar online. Desde brinquedos que podem ser hackeados, a assédios em plataformas de jogos como Minecraft, não é surpresa nenhuma que as crianças comecem a ter medo do que podem encontrar online. Mas o que pode ser feito para reconstruir a sua confiança? A Kaspersky Lab apoia o Dia da Internet Segura 2017 para fazer face a este problema.

De acordo com as pesquisas elaboradas, quase um terço (29%) das crianças tem medo que um desconhecido as possa intimidar; 23% tem medo de que um desconhecido lhes peça para fazer algo com o qual não estão confortáveis; 22% receia que um desconhecido lhes peça para fazer alguma coisa ilegal; e 21% teme que pessoas desconhecidas consigam aceder a informações que colocaram online mesmo depois de as terem apagado.

A juntar a isso, as crianças questionadas têm consciência de que as suas próprias atividades online lhes podem causar problemas com os seus colegas, com um em cada quatro (41%) a admitir arrependimento relativamente a publicações que possam ter afetado amigos ou outras pessoas.

“As vantagens de as crianças estarem online e conectadas são muitas. Por isso, é fácil esquecermo-nos de que crianças e jovens são por si só vulneráveis e que se podem expor a perigos, tendo ou não consciência disso, na utilização da Internet e dispositivos conectados“, afirma Alfonso Ramirez, Diretor Geral da Kaspersky Lab Iberia. “O tema deste ano para o Dia da Internet Segura é ‘unidos por uma Internet melhor’. A preocupação com a segurança é um dever que tem de ser partilhado por indústria, governo, professores e pais, para atenuar os riscos e fornecer às crianças um ambiente online seguro onde possam trabalhar, descansar e brincar.”

A Kaspersky Lab recomenda que pais, professores e a própria indústria trabalhem em conjunto para criar um ambiente seguro para as crianças, para que estas possam aprender e explorar online, de forma a não terem medo ou estarem preocupadas quando ligadas à Internet.

Em baixo os principais conselhos da Kaspersky Lab para garantir a segurança online das crianças:

  1. Falar com eles sobre possíveis perigos – Os pais podem sentir que falar com os filhos sobre perigos online é demasiado repetitivo. No entanto, pode ajudar a lembrar que os mesmos perigos e conselhos aplicados aquando da utilização da Internet se aplicam no mundo real;
  2. Encorajá-los a falar sobre as suas experiências online e, em particular, sobre qualquer coisa que os faça sentir desconfortáveis ou ameaçados;
  3. Definir regras claras sobre o que podem e não podem fazer online e explicar o porquê das mesmas terem sido impostas. Estas devem ser revistas à medida que a criança cresce.
  4. Utilizar um Software de Controlo Parental para estabelecer um âmbito do que é aceitável – quanto tempo (e quando) podem estar online, que conteúdos devem ser bloqueados, que tipo de atividades devem ser bloqueadas (chat rooms, fóruns, etc.). Os filtros do Controlo Parental podem ser configurados para diferentes perfis de um computador, permitindo que haja uma personalização dos mesmos para diferentes crianças.
  5. Não esquecer de utilizar as configurações fornecidas pelo seu ISP, fabricante do dispositivo e fornecedor da rede do seu telemóvel. Por exemplo, a maioria dos telemóveis permite prevenir compras in-app, para que evite compras quando a criança está a jogar;
  6. Proteger o computador através da utilização de um Software de Segurança na Internet – Os melhores produtos de Segurança na Internet incluem agora um módulo de controlo parental que permite que os pais coloquem uma barreira protetora em torno das crianças – reduzindo os riscos a que estas estão expostas online.
  7. Não esquecer os smartphones ou tablets – que são dispositivos sofisticados. A maioria dos dispositivos móveis vem com controlos parentais, e os fornecedores de softwares de segurança podem oferecer aplicações para filtrar conteúdos inapropriados, etc.
  8. Utilize os ótimos conselhos disponíveis na Internet – por exemplo o site do Dia da Internet Segura (http://www.saferinternet.org/safer-internet-day).

Este questionário foi desenvolvido pela Opinion Matters e pedido pela Kaspersky Lab tendo sido realizado com 5.000 crianças com idades compreendidas entre os 10 e os 15 anos na Alemanha, França, Espanha, Itália e Benelux num período de 10 dias.

 

 

Filhos com peso a mais: Os pais são cegos?

Abril 11, 2015 às 2:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 30 de março de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Child obesity cut-offs as derived from parental perceptions: cross-sectional questionnaire

Reuters

Um terço dos pais são incapazes de determinar que os filhos sofrem de excesso de peso, a menos que os níveis de obesidade sejam extremos

Um estudo realizado Instituto de Saúde Infantil de Londres e pela Escola de Higiene e Medicina Tropical descobriu que 31% dos pais que participaram na investigação subestimam o peso dos filhos – Apenas quatro pais os descreveram como tendo grande excesso de peso, apesar de este ser o caso de 369 das crianças analisadas.

O estudo publicado no British Journal of General Practice conclui ainda que os pais mais propensos a subestimar o peso de filhos são os de raça negra ou do sul da Ásia, os que têm origem em meios mais desfavorecidos ou os que são pais de uma criança do sexo masculino.

Os investigadores sugerem que se os pais não sabem identificar se o filho está acima do peso saudável, a eficácia das intervenções de saúde pública acerca da obesidade estão em causa.

 

 

 

O SOS-Criança convida as famílias a avaliar a sua linha de emergência 116 000 para crianças desaparecidas

Fevereiro 20, 2015 às 12:14 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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MINIMIZAR a VIOLÊNCIA através do controle de qualidade :
Monitorar e avaliar 116 mil linhas de apoio para proteger as crianças que desaparecem

CARTA DE CONVITE PARA AS FAMÍLIAS

Caro potencial participante:
A Missing Children Europe (Federação Europeia de Crianças Desaparecidas) gostaria de convidá-lo a participar numa pesquisa relacionada com o serviço prestado no nosso país através do número ” 116 000 ” linha de emergência gratuita para crianças desaparecidas.
O estudo é um primeiro passo essencial no desenvolvimento de um mecanismo de acreditação baseado em padrões profissionais, que deverão melhorar ainda mais a qualidade do serviço 116 000 em toda a Europa. O mecanismo será utilizado para identificar os pontos fortes e fracos de cada organização, para o desenvolvimento de estratégias de qualificação a nível nacional e promover a partilha de boas práticas entre os colegas de diferentes países. O projeto é co- financiado pela Comissão Europeia.

A análise dos resultados deste questionário irá proporcionar uma base para o desenvolvimento de uma lista de padrões e indicadores de qualidade que formam a estrutura do sistema de acreditação.

Agradecemos se puder preencher o presente questionário, através deste link. O seu contributo é muito importante para atingir os objetivos do projeto, no interesse de todas as crianças desaparecidas e suas famílias. A duração do preenchimento é de 10 a 15 minutos e são questões de escolha múltipla.

Caso pretenda, poderá manter o anonimato.
Caso tenha alguma questão contacte-nos através do 116 000.
Obrigada!
SOS-Criança / IAC

73,1% dos jovens gostam da escola, mas só 39% gostam das aulas

Janeiro 13, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site Educare de 5 de janeiro de 2014.

o estudo citado na notícia é o seguinte:

A Saúde dos Adolescentes Portugueses – Relatório do Estudo HBSC 2014

 

snews

Ao todo, 6026 alunos do 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade das cinco regiões educativas de Portugal continental, com idades entre os 10 e os 20 anos, responderam a um questionário que aborda várias vertentes das suas vidas. Os adolescentes fumam menos, usam menos o preservativo, autoagridem-se mais. Perto de 54% gostam dos professores, 61,8% dizem que a matéria é aborrecida. Há assuntos a discutir, medidas a tomar.

Sara R. Oliveira

Como estão os estilos de vida e comportamentos dos adolescentes portugueses? E como têm evoluído? As respostas encontram-se no HBSC/OMS (Health Behaviour in School – aged Children), um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde (OMS) que analisa os estilos de vida dos adolescentes e os seus comportamentos nos vários cenários das suas vidas. O estudo tem sido realizado em Portugal de quatro em quatro anos, desde 1998, pela equipa Aventura Social na Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa, e no Centro de Malária e Doenças Tropicais da Universidade Nova de Lisboa. No nosso país, em 2014, o estudo foi financiado pela Direção-Geral de Saúde.

Em 2014, para o relatório nacional “A Saúde dos Adolescentes Portugueses (2014) foram inquiridos 6026 alunos do 6.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade das cinco regiões educativas de Portugal Continental, com idades entre os 10 e os 20 anos – 52,3% raparigas, 47,7% rapazes. A recolha de dados foi realizada através de um questionário online – questionários que foram aplicados nas turmas em sala de aula. O estudo surge numa altura especialmente relevante, uma vez que permite estimar o impacto da recessão económica na saúde dos adolescentes.

A pedido do EDUCARE.PT, Margarida Gaspar de Matos, coordenadora nacional do projeto, destaca os resultados que mais surpreendem pela positiva e pela negativa. Pela positiva, a diminuição do consumo de tabaco e os resultados não serem tão maus quanto o esperado, tendo em conta as dificuldades na vida dos portugueses nos últimos quatro anos. Pela negativa, várias situações. “O panorama muito negativo da saúde mental dos jovens que manifestam vários sintomas de mal-estar, físico e psicológico, e o facto de as escolas e os centros de saúde não estarem preparados para acolher estes jovens”, refere. “Os jovens referem ainda uma grande desesperança face ao futuro e uma menor crença de que a educação ajuda. Este facto remete para uma diminuição do aumento da escolaridade dos portugueses nesta geração”, acrescenta.

A provocação entre pares aumentou, pela primeira vez, desde 2002. Também está na parte negativa, bem como o aumento dos jovens que se autoagridem. O que, na opinião da coordenadora do estudo em Portugal e também psicóloga e investigadora da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, “remete para a falta de atenção geral em relação à saúde mental dos jovens e ao seu apoio no confronto com as dificuldades do dia a dia e na regulação das suas emoções por meios mais saudáveis”. A diminuição do uso do preservativo e a falta de gosto dos alunos pelas aulas são também fatores negativos. “Ainda bem que gostam dos intervalos, pena é que também não gostem das aulas, uma vez que a pergunta admitia a múltipla resposta”. “Preocupante numa altura em que tanto se fala de alimentação saudável – por causa do excesso de peso – e agora que tanto se fala de alimentação insuficiente, pela crise económica, é que a cantina seja o que os jovens menos gostam na escola”, comenta.

Perante os resultados, o que é que a sociedade e as escolas devem fazer? Margarida Gaspar de Matos pede prudência e que se encontrem planos B e C para que os jovens não fiquem reféns das políticas desta ou de uma outra tutela. Em seu entender, a aposta deve centrar-se nos próprios jovens e na sua formação para que saibam agir e de um modo que possam transformar a sociedade. Apostar nas organizações de jovens ligadas a várias áreas também é importante. E as autarquias não podem ficar de fora. “Neste segundo ano de atividade, o grupo Dream Teens vai agir por todo o país, a partir das autarquias da região onde moram, tentando ligar-se aos autarcas e contribuir para uma melhor qualidade de vida dos jovens, e não só, da sua zona. Vão também comentar este estudo e propor soluções”, adianta ao EDUCARE.PT.

“Se não há plano B acontece o que aconteceu, uma tutela inculta no que diz respeito à psicologia do desenvolvimento, às necessidades emocionais e desenvolvimentais das crianças e dos adolescentes. E lá vão pela janela 20 anos de investimento na dinâmica das escolas promotoras da saúde.” Segundo Margarida Gaspar de Matos, as escolas e os alunos ficaram muito prejudicados com a abolição das áreas curriculares não disciplinares. “Perderam ‘adultos de referência’ com quem podiam semanalmente discutir assuntos de saúde, relações interpessoais, cidadania, etc. Perderam a possibilidade de se ligar à escola sem ser num âmbito puramenre académico. Perderam-se anos de investimento no bem-estar dos alunos.” “Entende-se que foi em nome da crise, mas há prioridades e temo bem que estas tenham sido vistas na tutela por um olho economicista e ignorante em matérias de saúde, bem-estar, cidadania”, afirma.

Trabalhos de casa e a pressão dos jovens

O estudo tem dados relevantes quanto ao ambiente escolar. Comparando dados nacionais com dados internacionais, verifica-se uma fragilidade na relação dos adolescentes portugueses com a escola. “Eles são dos que pior perceção têm da sua competência escolar, são dos que maior pressão sentem com a vida escolar, mas são dos que mais dizem gostar da escola.” “O papel da escola na vida e no futuro dos adolescentes é pois um problema diversas vezes apontado e sem evolução positiva desde 1998”, lê-se no estudo.

Ao todo, 73,1% dos jovens inquiridos afirmam que gostam da escola, 26,9% não gostam da escola. E o que é que mais gostam na escola? A maioria (87,1%) responde que gosta dos colegas e 86,1% dos intervalos, da hora do recreio. Nesta pergunta, que admitia múltiplas respostas, seguem-se as atividades extracurriculares com 60,8%, os professores com 53,9% e as aulas com 39%. São os mais novos que afirmam ter uma melhor relação com os professores. E são os rapazes e os mais novos que dizem ter uma melhor relação com os colegas da escola. “Observa-se que conforme os jovens vão ficando mais velhos referem menos frequentemente gostar/gostar muito dos colegas, dos intervalos e das atividades extracurriculares”, refere o estudo.

Mais de um quarto (27,7%) refere sentir alguma pressão com os trabalhos de casa, 9,3% dizem que essa pressão é muita e 32,4% referem que não sentem qualquer pressão. São os alunos do 6.º ano que mais dizem não sentir nenhuma pressão com os trabalhos de casa, os do 8.º ano sentem pouca e os do 10.º ano sentem alguma pressão. Ou seja, conforme vão ficando mais velhos, mais sentem a pressão dos trabalhos de casa. No questionário, 73,5% dos alunos dizem que, às vezes, a matéria é muito difícil, 61,8% que é aborrecida e 60,9% que é demasiada. No entanto, mais de um terço (44,2%) garante que raramente ou nunca tem dificuldades de concentração nas aulas e 42,9% no estudo. Na comparação entre géneros, são as raparigas que mais referem que quase nunca ou nunca a matéria é inútil, que sentem muita pressão dos pais, ou que sentem que há problemas no ambiente da escola. Os rapazes, por seu turno, mencionam mais frequentemente que quase nunca ou nunca a matéria é demasiada e muito difícil e raramente ou nunca sentem dificuldades de concentração nas aulas e no estudo. Cerca de 43% dos jovens consideram que os professores acham que a capacidade académica dos alunos é média -13,2% dizem que é muito boa. São os rapazes que referem mais frequentemente que a perceção dos professores sobre a sua capacidade é muito boa. As raparigas referem mais frequentemente que essa mesma perceção é média.

Quanto ao futuro, 54,9% dos jovens pensam continuar os estudos no ensino superior, 10,8% não sabem o que vão fazer. A percentagem dos alunos que querem entrar na universidade é superior do lado das raparigas. Os rapazes pensam mais em cursos técnicos ou profissionais.

Nos últimos seis meses, 24,6% dos adolescentes revelam ter sentido preocupações com o futuro quase todos os dias. Cerca de 12% admitem andarem ou ficarem preocupados praticamente todos os dias. As raparigas e os jovens mais velhos são os que se sentem mais preocupados. No entanto, cerca de 40% mencionam que não deixam que as suas preocupações interfiram com os restantes aspetos da sua vida. São os rapazes e os jovens mais novos, sobretudo do 8.º ano, que referem que tentam resolver o assunto que os preocupa, fazendo algo que gostam muito, pedindo ajuda a um adulto ou tentando não pensar nessa questão.

Autoagressão aumenta

Quase 80% dos jovens afirmam que nunca se envolveram em lutas no último ano. Os rapazes referem mais frequentemente ter lutado na escola, enquanto as raparigas fazem-no mais frequentemente em casa, sobretudo com os irmãos ou irmãs. A maioria (79,7%) refere não se ter magoado a si próprio, mas mesmo assim 4,8% dizem tê-lo feito quatro vezes ou mais, e 8,8% uma vez durante os últimos 12 meses. Dos que se magoaram de propósito, 59% admitem que se sentiram tristes e 53,3% fartos durante esse comportamento. E mais de metade (51,7%) diz que se magoou de propósito cortando-se. Mais de metade fê-lo nos braços. São as raparigas e os jovens mais novos, sobretudo do 8.º ano, que mais frequentemente referem que se magoaram propositadamente nos últimos 12 meses.

Quanto à sexualidade, 87,2% dos adolescentes referem que ainda não tiveram relações sexuais. Dos jovens do 10.º ano, 76,2% afirmam que tiveram a sua primeira relação sexual aos 14 anos ou mais. A maioria (70,5%) afirma ter utilizado o preservativo na primeira relação sexual. Ao todo, 24,1% dos rapazes contam que não utilizaram preservativo na primeira vez. O terço dos que tiveram relações sexuais e não usaram preservativo revela, como principal motivo, não ter pensado nisso. Há ainda outras razões como não ter preservativo ou por serem caros ou ter bebido álcool em excesso.

Trinta e um por cento dos jovens do 8.º e 10.º anos contam que foi utilizada a pílula contracetiva na última vez que tiveram relações sexuais. As raparigas referem mais frequentemente que a pílula não foi o método utilizado na última vez. São os rapazes mais velhos, do 10.º ano, que também dizem que a pílula não foi o método utilizado na última relação. Mais de metade, 54,7%, conta que não utilizou o coito interrompido na última relação sexual.

São as raparigas que dizem mais frequentemente que não tiveram relações sexuais associadas ao consumo de álcool ou drogas. “Dos jovens que referem já ter tido relações sexuais, os rapazes referem mais frequentemente que gostariam que a primeira vez tivesse acontecido mais cedo, e as raparigas referem mais frequentemente que esta ocorreu na altura certa, que preferiam que tivesse acontecido mais tarde, e que não queriam realmente ter tido relações sexuais”, revela o relatório.

Em 2014, há uma diminuição do uso de preservativo e um aumento de relações sexuais associadas ao consumo de álcool. “Especialmente preocupante é esta associação do não uso com o consumo de bebidas álcoolicas, sugerindo a identificação de um grupo de risco agravado a necessitar de medidas urgentes de prevenção seletiva”, alerta o estudo.

Menos consumo de tabaco

A maioria dos jovens (77,8%) refere que nunca experimentou tabaco. São as raparigas que mencionam com mais frequência que já experimentaram tabaco. Mais de um terço (35,7%) menciona ter experimentado tabaco pela primeira vez aos 14 anos ou mais – a média é de 13,04 anos. Os rapazes referem mais frequentemente ter experimentado tabaco pela primeira vez aos 11 anos ou menos. A maioria (58,8%) diz que nunca experimentou álcool e que nunca se embriagou (82,8%). A média de idade de experimentação de álcool é de 12,8 anos e a de embriaguez de 13,94 anos. Os jovens mais novos, do 8.º ano, mencionam mais frequentemente ter experimentado álcool pela primeira vez aos 11 anos ou menos e aos 12 anos, e terem experimentado a embriaguez aos 11 anos ou menos, aos 12 e aos 13 anos. Os jovens mais velhos, do 10.º ano, referem com mais frequência ter experimentado álcool e embriaguez pela primeira vez aos 14 anos ou mais. A cerveja é a bebiba mais consumida.

A grande maioria (93,7%) responde que nunca experimentou drogas ilegais. São rapazes e os mais velhos que referem já ter experimentado. Dos jovens que já experimentaram drogas, cerca de dois terços fizeram-no aos 14 anos ou mais – a média de idade é de 13,76 anos. Dos que referem consumir, cerca de um quinto (19,7%) diz que o faz regularmente. Ao todo, 7,9% revelam que já experimentaram marijuana. Quanto ao tipo de drogas, a substância que os adolescentes referem mais frequentemente ter experimentado são os solventes, seguindo-se a marijuana – canábis, haxixe, erva.

E como estamos em relação aos tempos livres e ao uso das novas tecnologias? Mais de metade dos adolescentes (58,1%) vê entre uma e três horas de televisão durante a semana, aumentando para quatro ou mais ao fim de semana. Os jovens do 8.º ano são os que veem mais horas quer à semana quer ao fim de semana. Durante a semana, metade dos inquiridos (50,5%) joga computador meia hora ou menos. Ao fim de semana, mais de um terço (39,5%) joga computador entre uma e três horas – os rapazes mais do que a raparigas. Cerca de metade dos adolescentes utiliza o computador para conversar, navegar na Internet, enviar emails, fazer os trabalhos de casa da escola, entre uma e três horas durante a semana e são os adolescentes que frequentam o 6.º ano que utilizam o computador menos horas durante a semana e ao fim de semana.

Cerca de 40% dos jovens falam semanalmente com os amigos através de mensagens em tempo real como o Facebook. Mais de um terço comunica com os amigos semanalmente através de uma rede social e são as raparigas que o fazem com mais frequência. A maioria (60,3%) refere que raramente ou nunca tira selfies para enviar aos amigos ou para publicar online. Em termos de comunicação por mensagens escritas, mais de um quarto usa-as diariamente com os amigos – elas mais do que eles. A maioria (67,9%) refere que raramente usa o email para comunicar com os amigos.

Ao nível de dependência da Internet, são os rapazes e os jovens do 8.º ano que apresentam médias superiores. Quanto ao cyberbullying, situações de provocação com recurso a novas tecnologias, a maioria (89%) garante não se ter envolvido nesse tipo de provocação. Os rapazes envolvem-se mais frequentemente como provocadores e as raparigas como vítimas. O duplo envolvimento, como provocador e como vítima, é mais reportado pelos rapazes.

4,9% não tomam pequeno-almoço

Mais de metade dos adolescente (53,4%) considera ter um corpo ideal – mais eles do que elas. E mais de metade não está a fazer dieta porque o peso, na sua opinião, está bom. Pouco mais de metade (51%) pratica atividade física três vezes ou mais por semana – eles mais do que elas. Futebol, natação, basquetebol e ginástica são os desportos mais praticados pelos jovens – eles mais futebol e basquetebol, elas mais natação e ginástica. Os jovens do 10.º ano praticam menos atividade física, verificando-se que o exercício vai diminuindo ao longo da idade. São os jovens mais novos, do 8.º ano, que apresentam melhores resultados tanto na condição física geral como na condição física específica.

A maioria dos jovens refere que se alimenta bem (71,5%). No entanto, mais de dois terços dos jovens dizem que às vezes comem alimentos pouco saudáveis (73,2%) ou que comem de mais (63,9%). A maioria dos adolescentes toma o pequeno-almoço todos os dias durante a semana (84,8%) e ao fim de semana (84,3%). Mesmo assim, há uma percentagem de 4,9% que nunca tomam a primeira refeição do dia durante a semana e 5,1% ao fim de semana. No tipo de alimentação, verifica-se que a maioria come fruta (50,5%) e vegetais (57,8%) pelo menos uma vez por semana. São as raparigas que mais frequentemente consomem fruta e vegetais pelo menos uma vez por dia. A maioria dos adolescentes consome doces pelo menos uma vez por semana (65,1%) e metade (50,75) consome refrigerantes também pelo menos uma vez por semana. São os jovens que frequentam o 10.º ano que consomem mais doces e refrigerantes pelo menos uma vez por semana. A maioria (84,5%) refere que nunca ou quase nunca bebe café.

A maioria dos jovens (69,9%) lava os dentes mais do que uma vez por dia. Mais de um terço dorme oito horas (36,1%) ou mais do que oito horas por semana (35,1%). Ao fim de semana, a maioria dorme mais de oito horas (69,1%). São as raparigas que dormem mais ao fim de semana. A maioria dos adolescentes refere raramente ou nunca sentir sonolência durante o dia, mas um terço menciona ter dificuldades em acordar de manhã (34,4%) quase todos os dias.

Apesar de a maioria considerar ser fácil falar com os pais, especialmente com a mãe, 29% referem ter dificuldades em dialogar com o pai. No diálogo com os progenitores, os rapazes consideram ser fácil falar com o pai, enquanto as raparigas dizem ter dificuldade em comunicar com o pai. Cerca de um terço diz que raramente ou nunca toma o pequeno-almoço com a família, enquanto que a maioria (82,7%) refere que todos os dias janta com a família. Quanto ao impacto do desemprego no ambiente familiar, quase metade dos jovens diz que o desemprego do pai não tem afetado o seu bem estar emocional ou a relação entre ambos. Cerca de 30% dos joves que têm o pai desempregado referem que a situação afetou para melhor a relação entre pai e filho e 10% respondem que afetou para pior. Mais de metade (60,8%) refere que o desemprego da mãe em nada tem afetado o bem-estar emocional. Devido à crise económica, os jovens valorizam mais o que têm, poupam mais dinheiro e dão mais importância aos estudos e a tirar boas notas.

Jovens mais tristes estão no Algarve

A maioria dos adolescentes tem três ou mais amigos e um ou vários especiais com os quais pode sempre contar e nos quais sente que pode confiar. Mais de metade menciona ser fácil falar com o melhor amigo sobre os assuntos que os preocupam, além de ser fácil fazer novos amigos. A maioria diz que tem um bom apoio e uma boa qualidade de relação com os amigos. Mais de dois terços ficam com os amigos depois das aulas. Nas saídas à noite, a maioria responde que não sai nenhuma noite com os amigos durante a semana. A maioria dos jovens inquiridos tem animais de estimação e os que os têm referem que lhes proporcionam quase sempre ou sempre alegria, companhia, carinho, tranquilidade. O estudo sublinha, a propósito, que “o papel dos animais de estimação nos afetos e qualidade de vida dos adolescentes parece um assunto a merecer maior estudo”.

Cerca de metade dos adolescentes considera que a sua saúde está boa. Os resultados demonstram que é preciso atenção. “As preocupações dos adolescentes, bem como o descréscimo global desde 2010 da sua saúde percebida tanto a nível de sintomas físicos como de sintomas psicológicos de mal-estar, sugere que a saúde mental dos adolescentes é um assunto subestimado e a carecer de atenção urgente”.

Dos resultados obtidos, verifica-se que são os jovens do Norte que menos consomem bebidas destiladas e que menos ficam embriagados. São os jovens do Centro que mais tomam o pequeno-almoço todos os dias, que raramente bebem refrigerantes e que durante a semana dormem oito horas. São também os que mais frequentemente dizem gostar da escola, que são bons alunos e que têm expectativas de continuar os estudos depois do secundário. São jovens que dizem que não fumam e que nunca consumiram drogas no último mês.

Os adolescentes de Lisboa são os que apresentam mais frequentemente excesso de peso, dores de cabeça e que estão nervosos quase todos os dias e são também os que mais frequentemente referem já ter tido relações sexuais e que usaram preservativo na última relação sexual. No Alentejo estão os jovens que mais frequentemente referem ter relações sexuais associadas ao consumo de álcool. Os jovens do Algarve são os que praticam mais atividade física e os que sentem mais dores de costas, cansaço e exaustão, os que mais se sentem tristes ou deprimidos, que mais consomem tabaco e ainda os que mais admitem terem provocado ou terem sido provocados.

 

Cyberbullying: ameaças fazem-se cada vez mais pela Internet

Novembro 20, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da TVI 24 de 19 de novembro de 2014.

A tese de doutoramento citada na notícia pode ser consultada no link:

Bullying nas escolas: prevenção e intervenção

«É uma nova forma de violência que amplia as consequências do bullying tradicional», como revela uma investigação da Universidade de Aveiro

Por: Redação / CF

Um trabalho de investigação da universidade de Aveiro (UA), divulgado esta quarta-feira, conclui que crescem as ameaças através da Internet entre colegas de escola, para evitarem sanções disciplinares, num fenómeno em expansão, o chamado cyberbullying. «Este é um problema que diz respeito a toda a sociedade e não apenas às escolas», aponta José Ilídio Sá, autor da tese de doutoramento «Bullying nas Escolas: Prevenção e Intervenção», realizada no Departamento de Educação da UA, que durante um ano letivo estudou o comportamento de alunos de uma escola secundária de Espinho. «O ‘cyberbullying’ traduz inquestionavelmente uma forma mais complexa de ‘bullying’. Em muitos casos, surge como a continuação do ‘bullying’ presencial, mas noutras situações desponta como o «espaço predileto do agressor», explica o investigador. O anonimato ou a falsa identidade do ofensor, a enorme quantidade de observadores presentes, a velocidade “viral” de propagação das ofensas, agressões e humilhações, são fatores que levam os agressores a fazer essa escolha. Para a executar, dispõem hoje de variados meios ao seu dispor, como smartphones com câmara fotográficas e de vídeo, tablets, numerosos postos com computadores disponíveis e facilidade de acesso à Internet. «É uma nova forma de violência que amplia as consequências do ‘bullying’ tradicional. A difusão de ameaças, difamações e violência psicológica através da Internet é um meio cada vez mais utilizado pelos jovens para ofender terceiros», retrata. Segundo dados da investigação realizada numa escola secundária com o 3.º ciclo do Ensino Básico, que envolveu o estudo de duas turmas ‒ uma do 7.º e outra do 10.º ano, 31% dos alunos admitiu conhecer um colega que já foi “gozado ou ameaçado na Internet” e 13% dos estudantes do 10º ano já foram ameaçados, pelo menos numa ocasião, no ciberespaço, sendo essa percentagem mais significativa (19%) no caso dos jovens dos Cursos Profissionais. Outro «dado preocupante», apontado pelo estudo de José Ilídio Sá, diz respeito ao número significativo de jovens que admite desconhecer a identidade do seu agressor e que revelou não ter reportado a agressão de que foi alvo. A pesquisa permitiu apurar, na ótica dos agredidos, que perto de 45% dos jovens vítimas de agressão admitiu não ter reportado o sucedido a uma terceira pessoa tendo, por isso, «sofrido em silêncio de modo presumivelmente continuado e prolongado». Os que optaram pela denúncia fizeram-no a um colega (42,6%) ou a um familiar (29,7% dos casos, sendo que 23,8% aos respetivos pais e 5,9% aos irmãos). «Note-se que apenas uma percentagem muito residual de jovens (13%) mencionou ter participado essa agressão a um adulto da escola», diz. No caso concreto do ‘bullying’ eletrónico, «a fronteira entre o espaço escolar e o exterior torna-se quase impossível de delimitar» e por isso, «a responsabilização do agressor, quer seja na vertente disciplinar ou na criminal, torna-se assim muito difícil de comprovar». As famílias podem ter uma intervenção decisiva neste tipo de casos, «uma vez que um número significativo de situações de ciberagressão tem como palco o espaço do domicílio», para a vítima ou para o agressor. «O papel das famílias assume particular relevância, designadamente no que diz respeito à vigilância e à monitorização dos padrões de uso e de consumo da Internet por parte dos jovens, e à definição de regras por parte dos pais», afirma. Aconselham-se por isso os pais a estarem atentos e a definirem os tempos de utilização e dos conteúdos e a localização dos equipamentos, procurando inverter a «cultura do quarto» característica nessas faixas etárias, como apresenta a Lusa em síntese.

Na tua escola há bullying?

Abril 23, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do site Educare de 16 de abril de 2014.

educare

Em termos globais, 62% dos alunos respondem que sim num estudo realizado pela EPIS – Empresários Pela Inclusão Social. Há mais respostas afirmativas do lado das raparigas. O bullying verbal é referido como o mais comum, seguido do físico.

Sara R. Oliveira

A pergunta é direta. Na tua escola há bullying? De setembro a dezembro do ano passado, 1963 alunos do 3.º ciclo do ensino básico, com idades compreendidas entre os 12 e os 15 anos, de escolas de nove concelhos do país – Amadora, Setúbal, Campo Maior, Évora, Paredes, Matosinhos, Estarreja, Oliveira do Bairro e Madalena na ilha do Pico – responderam a questões elaboradas e colocadas pela EPIS – Empresários Pela Inclusão Social. As respostas demonstram que ainda há trabalho a fazer e que não basta falar do assunto a quem estuda, também é preciso sensibilizar professores, diretores, pais, responsáveis educativos. No fundo, a toda a comunidade. Em termos globais, 62% dos alunos inquiridos admitem que há bullying nas escolas que frequentam. Quando comparados os dados dos alunos em risco com os dos alunos sem risco, conclui-se que os alunos sem risco, 66% da amostra, referem mais vezes que existe bullying do que os alunos com risco (60%). Por género, 67% das raparigas e 57% dos rapazes, uma diferença de 10%, respondem afirmativamente à questão. Cruzando o risco com o género, são as raparigas sem risco que referem mais vezes situações de bullying, ou seja, 69%. O grupo que identifica menos situações são os rapazes com risco (45%). Outra questão sem rodeios. Que tipo de bullying é mais frequente na tua escola? Sessenta e um por cento, dos 1226 alunos que referem existir bullying nas suas escolas, apontam o bullying verbal como o mais comum, seguido do físico (30%). Uma tendência transversal quando a análise é feita por risco e por género. No entanto, neste ponto, as raparigas parecem menos sensíveis ao bullying do que os rapazes. Apenas 27% das raparigas apontam o bullying físico como o mais comum contra 35% dos rapazes. O bullying verbal é apontado como mais comum por 63% das raparigas e 58% dos rapazes. Quando a análise é feita por alunos com ou sem risco, verifica-se que os alunos com risco apontam mais vezes o bullying físico do que os alunos sem risco, isto é, 35% e 24% respetivamente. A tendência inverte-se no bullying verbal. Os alunos sem risco identificam-no mais vezes (66%) do que os alunos com risco (58%). O cruzamento das condições de risco e género permitiu concluir que os rapazes com risco são os que identificam mais vezes o bullying físico como o mais comum na escola e as raparigas sem risco são o grupo que o identifica menos. No que respeita ao bullying verbal, é identificado mais vezes como o tipo mais comum nas raparigas sem risco.

Mais perguntas. Já estiveste envolvido numa situação de bullying? Como? Cinquenta e oito por cento, dos 1226 alunos que referem existir bullying nas escolas que frequentam, revelam já ter estado envolvidos numa situação de bullying: 10% enquanto vítima, 4% enquanto agressor e 44% como espectadores. As raparigas com risco são mais vezes vítimas. O grupo que menos vezes está envolvido enquanto vítima são os rapazes sem risco. Em relação ao envolvimento enquanto agressor, os rapazes com risco são os mais envolvidos (10%) e as raparigas sem risco as menos envolvidas (2%). Os rapazes sem risco são os que referem mais vezes terem assistido a situações de bullying enquanto espectadores (84%).

A EPIS quis também saber se as escolas se envolvem nestes temas e perguntou aos alunos se a escola tem ou teve campanhas ou programas anti-bullying. Cinquenta por cento referem não ter conhecimento de qualquer campanha ou programa anti-bullying na sua escola. Quando comparados os dados dos alunos com ou sem risco, conclui-se que os alunos com risco recordam mais vezes as campanhas do que os alunos sem risco. Quando a análise é feita por géneros, não há diferenças: 50% das raparigas e 50% dos rapazes respondem afirmativamente. Quando se cruzam condições de risco e género, são as raparigas com risco que se recordam mais das campanhas na escola (57%) e as raparigas com risco as que menos se recordam (59%). Quando a pergunta é de que tipo de campanhas se recordam, as ações para alunos são as mais lembradas. Apenas 7% dos alunos se recordam de alguma vez terem tido conhecimento de ações para encarregados de educação e 3% para pessoal não docente. As ações anti-bullying são, de forma geral, mais recordadas pelos alunos sem risco.

Ouvir, denunciar, partilhar

O que fazer quando se assiste ou se é vítima de bullying? Como podem os pais identificar sinais de alarme? Como ajudar o jovem a resolver a situação? Estas e outras perguntas são pertinentes quando o bullying é o assunto. A EPIS elaborou um conjunto de dicas sobre bullying, com base nos resultados de um trabalho teórico e prático desenvolvido nas escolas desde 2007, e consciente do impacto do bullying na vida de crianças e adolescentes. Um documento com conceitos identificados, definidos e explicados, com várias dicas para alunos, pais, professores e diretores. “O bullying é um problema de todos”, sustenta. As dicas chegarão às escolas através do projeto Rede de Mediadores para o Sucesso Escolar e da plataforma Mentores EPIS, que abrangem 154 escolas em 87 municípios.

O que é, na verdade, o bullying? “Termo utilizado para descrever o uso da força, ameaça, coação ou outros atos de intimidação física ou psicológica, exercidos de forma intencional e continuada sobre uma pessoa considerada mais fraca ou vulnerável incapaz de se defender a si própria”. A EPIS explica conceitos. Como o cyberbullying, comportamento de bullying veiculado através da Internet ou de outro tipo de comunicação digital. “Ocorre normalmente pelo envio de mensagens para o telemóvel e publicação de comentários ou imagens nas redes sociais ou blogs, com o objetivo de hostilizar deliberada e repetidamente uma pessoa para a intimidar ou magoar.”

A EPIS lança assim várias dicas para os alunos: mostrar desacordo perante a atitude do agressor, procurar ajuda de adultos, denunciar situações nem que seja anonimamente, manifestar solidariedade com quem sofre. O que fazer quando se é vítima de bullying? Não ficar calado, não ter medo, denunciar. “Se te sentires assustado com uma ameaça ou se perceberes que te vão agredir e não tiveres como te defender, foge! Procura um lugar seguro onde estejam pessoas adultas e conta o que se está a passar. Fugir não é sinal de cobardia. Cobardes são os que agridem e os que são cúmplices.” Contar, denunciar, falar com um adulto, não reagir pagando na mesma moeda. As dicas da EPIS também incluem os pais e encarregados de educação. “Não tire conclusões ou faça suposições antes de saber todos os pormenores. Faça perguntas ao seu filho num ambiente calmo e reconfortante que lhe dê a segurança necessária para dar todas as respostas.” Recolher informações junto de eventuais espectadores, identificar a causa do problema, falar com a escola. Mudanças de comportamento, mudanças de humor, tristeza, choro, irritabilidade, pesadelos, dores de cabeça, arranhões ou contusões, recusa em participar em passeios ou outras atividades da escolas, são sinais que podem indicar vítimas de bullying. No caso dos agressores, os pais devem ter pulso firme, definir regras e limites. “Certifique-se que o seu filho sabe quais as consequências para o seu incumprimento. Aplique-as de uma forma coerente e sempre que as regras não forem cumpridas.” E converse com ele sobre as possíveis consequências do seu comportamento: ser suspenso da escola ou mesmo ter problemas com a justiça.

 

Indisciplina na sala de aula aumenta no Ensino Básico

Abril 10, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 3 de abril de 2014.

JN

Os professores do ensino básico sentem que a indisciplina na sala está a aumentar, havendo situações em que perdem metade da aula a resolver estes problemas, revela um estudo nacional, que alerta para a falta de formação nesta área.

Em apenas dois meses, cerca de 1500 docentes do 1.º ao 9.º ano responderam aos questionários do estudo sobre “Indisciplina em sala de aula no ensino básico”, que está a ser desenvolvido pela Universidade do Minho (UM).

“O estudo ainda não terminou, até porque ainda se pode responder aos inquéritos, mas já é possível perceber tendências sobre a perceção que os professores têm sobre indisciplina”, contou à Lusa João Lopes, docente do Instituto de Educação e Psicologia da UM e responsável pelo trabalho.

Mais de oito em cada dez professores inquiridos (84%) consideram que a indisciplina aumentou nos últimos cinco anos. Apenas 2,5% entende que a situação dentro da sala de aula está melhor e 11% acha que a situação se mantem inalterada.

Os problemas apontados “não são os mais graves”, sublinha o investigador, dando como exemplos a utilização de aparelhos eletrónicos durante a aula, falar com o colega do lado, sair do lugar e comer dentro da sala, ou ter uma atitude passiva e estar desatento.

No entanto, as atitudes perturbadoras obrigam muitas vezes a interromper a aula: um em cada quatro docentes (23%) perde 10% do tempo com problemas de indisciplina; outros 314 professores disseram gastar entre 20 a 30% da aula e 6% fica com menos de metade do tempo para dar matéria. Sete professores admitiram mesmo que perdem entre 80 a 90% com o mau comportamento dos seus alunos.

“Cerca de 12% dos professores perdem mais de 40% do tempo com este problema”, disse o especialista, alertando para o facto de 60% dos professores não terem tido, até hoje, qualquer tipo de formação específica para lidar com este problema.

João Lopes sublinha que existem muitos docentes que dão aulas há décadas e nunca receberam qualquer formação e, depois, existem “casos de professores que tiveram uma formação de apenas cinco horas”.

Para os inquiridos, a culpa da indisciplina dentro da sala de aula é, essencialmente, dos pais (39%), das políticas educativas governamentais (37%) e dos alunos (34%).

Com menos responsabilidade na indisciplina surgem os próprios professores. No entanto, ressalva João Lopes, “os professores não se desresponsabilizam completamente” e 3% considerou mesmo que estes são os principais responsáveis pela situação dentro da sala.

Além da recolha de dados demográficos e sobre os problemas mais registados na sala de aula, o estudo tem também questionários para aferir a perceção que o professor tem sobre a sua capacidade de lidar com os problemas, assim como a capacidade dos seus colegas e da própria escola.

O estudo questionou ainda os docentes sobre a frequência com que reportam os problemas a terceiros e as consequências das situações reportadas. “Nós sabemos que os casos reportados são muito menos do que os que ocorrem na sala de aula e os punidos ainda são menos”, sublinhou o investigador.

João Lopes diz que o estudo deverá em breve ser alargado ao ensino secundário e até ao ensino superior, onde acredita que se registem também cada vez mais casos de indisciplina.

 

 

 

 

 


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