Art Kids: a educação pela fotografia no Quénia

Agosto 30, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://p3.publico.pt/ de 18 de agosto de 2016.

Vincent Otieno

Vincent Otieno

autoria Art Kids Foundation

As fotografias não mostram luxo, mas são a voz de crianças que habitam o bairro de Kibera. E era esse um dos objectivos: dar voz às crianças que todos os dias habitam um bairro, no qual os outros só veem pobreza. A par desse objectivo a Fundação Art Kids tinha outro bem delineado: formar crianças do Quénia através da arte. O projecto “My First Camera”, da Fundação Art Kids, foi lançado em Setembro de 2014, em Nairobi, capital do Quénia. O bairro de lata Kibera recebeu este projecto que pretende colmatar falhas no ensino, mais particularmente das artes, que ali se vivem. As escolas no Quénia não incentivam o contacto com as artes, devido à falta de recursos e às condições de pobreza extrema que se fazem sentir no país, tornando as oportunidades de contacto com actividades extracurriculares e com a educação artística practicamente inexistentes. A Art Kids, enquanto fundação promotora de arte e cultura para o desenvolvimento pessoal de crianças e jovens, pretende que as crianças que habitam este espaço possam contar as suas próprias histórias, tornando-se o “gatilho” da mudança social, como se pode ler no site da associação. Para isso, são dotadas de câmaras fotográficas e de cursos em fotografia e em “storytelling”. Este projecto permite que as crianças captem o seu quotidiano, as suas alegrias e os desafios por que passam ao viver em Kibera. Com o objectivo de erradicar a pobreza através da educação formal e não formal, a Art Kids quer, não só transmitir conhecimento, como também ensinar a fazer uso desse mesmo conhecimento, alargando os horizontes dos participantes deste projecto. “My First Camera” é o nome do projecto que a jovem luso-moldava Natalia Jidovanu criou em Kibera, bairro de lata gigantesco às portas de Nairobi, no Quénia, em 2014.

 

Esta portuguesa está a salvar vidas de crianças quenianas

Abril 8, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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texto do Expresso de 16 de março de 2016.

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Dizem os relatório das Nações Unidas que quase um milhão de meninas não vão à escola no Quénia. Mas os números reais podem ser bem mais elevados, uma vez que muitas das crianças nascidas em bairro de lata e zonas rurais invariavelmente nem sequer possuem um registo de nascimento. No caso dessas meninas nascidas em meios totalmente desfavorecidos, o seu destino é quase sempre o mesmo: “Sem educação, muito dificilmente irão conseguir sair do bairro de lata. Vão casar cedo com algum vizinho, vão ter quatro ou cinco filhos (ou mais) e vão lutar todos os dias para sobreviver. À porta de casa, vão colocar um tecido no chão e vender vegetais ou roupas em segunda mão”. Palavras de Diana Vasconcelos, a portuguesa responsável pelo apadrinhamento de 200 crianças das favelas de Nairobi.

Engane-se quem acha que Diana só o consegue fazer porque é um género de magnata. Pelo contrário. Diana é uma jovem mulher de 28 anos, oriunda de Amarante e com uma vontade gigante de conhecer o mundo. Depois de terminar a licenciatura em Ciências de Comunicação, juntou todo o dinheiro que conseguiu ganhar a vender livros e a fazer limpezas numa pastelaria e meteu o pé na estrada. Andou pela Europa e pelo Estados Unidos – viagens cujos relatos foi partilhando no blogue “Há ir e Voltar” – até que um projeto de voluntariado a levou ao Quénia. É por lá que está há dois anos e onde, por iniciativa própria, começou a criar uma rede de apadrinhamento de crianças das favelas de Nairobi. O seu blogue pessoal deu nome ao projeto que hoje tem em mãos: assegurar educação a meninos que sem ela dificilmente sairão da pobreza extrema.

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Começou por se apaixonar pela simpatia dos habitantes de Kibera, um dos maiores bairros de lata da capital queniana. Foi lá que conheceu “teacher Benta”, uma mulher que todos os dias acolhia 27 crianças num pequeno barracão sem condições, para que os pais pudessem ir trabalhar. Durante semanas viu os petizes comerem arroz com arroz e decidiu apadrinhá-los com comida, pedindo ajuda a amigos em Portugal para criar um rede de donativos. Foi então que teve uma ideia: porque não tentar também construir uma escola? Na altura fez um apelo por email e nas redes sociais a todas as pessoas que quisessem ajudar e conseguiu reunir fundos suficientes para uma escola/orfanato. O “Há Ir Voltar” crescia, tal como a sua vontade de fazer a diferença na vida daquelas famílias. Ao mesmo tempo que construía a escola em Kibera, começou também a trabalhar com a comunidade local de Mathare, uma favela onde se estima que 1 em cada 3 habitantes tenha HIV e que praticamente todos vivam com menos de 1 dólar por dia. Lá, dedicou-se a arranjar “padrinhos” à distância para permitir que as 78 meninas que, mal ou bem, já conseguiam ir à escola, pudessem continuar a ir.

Um erro que podia ter sido o fim de tudo

De volta a Kibera: ingenuamente, Diana construiu a escola em seu nome, algo que se revelou um erro. Um dia foi chamada pela polícia que a obrigou a ceder-lhes o edifício recém-construído. Depois de “muita discussão e de muitas lágrimas”, não teve outra hipótese. As salas de aula iriam ser alugadas por Benta a famílias da favela. Pela primeira vez teve medo e passou noites sem dormir. “Foram os meus dias mais difíceis no Quénia. Todo o trabalho de um ano, todo o dinheiro que tínhamos conseguido angariar, tinha sido em vão. Pensei ir embora. Mas, aqueles 80 meninos que Benta estava a mandar embora ficaram sem escola. Eu não podia simplesmente fazer as minhas malas e ir embora como se nada estivesse a acontecer. Voltei a Kibera e comecei a colocar os meninos noutras escolas. A escola que construímos no ano passado já não é uma escola – foi uma ferramenta de educação que tínhamos criado e que falhou. Mas estas crianças ainda precisam da nossa ajuda, agora mais do que nunca.”

Além da rede de apadrinhamentos – que garante, por exemplo, alimentação e roupa a 200 crianças atualmente – focou-se então em Mathare e nas 78 meninas da escola Angel Girls, cujas professoras locais há mais de dez anos fazem todos os esforços para lhes dar educação. Mas a escola existente não é bem uma escola: são três salas de 4m2, onde chegam as estar 40 meninas dos 3 aos 12 anos. Com paredes de chapa, bancos partidos, chão de terra batida, ardósias esburacadas e telhado que deixa passar água quando chove (espreitem o vídeo em baixo). Sem casa-de-banho, só um esgoto a céu aberto. E Diana quer que estas crianças tenham direito a mais. Em vez de construir uma escola sua, desta vez Diana está a fazer uma recolha de fundos para a reabilitação do projeto já existente. Com a colaboração dos próprios pais das crianças, que terão de contribui com €1,50 para a construção. Um valor simbólico, é certo, mas que para a realidade da favelas é um esforço. Esforço esse que deverá contribuir para os tornar num género de guardiões do edifício.

Uma escola, uma refeição por dia, uma possibilidade de futuro

Com apenas 20 mil euros será possível transformar aquelas três salas em uma escola de dois andares, com janelas, salas onde se consegue respirar, materiais de estudo e casas de banho. Lá, será possível albergar inicialmente 78 meninas (o desejo é chegarem às 130) e garantir-lhes refeições quentes diárias, provavelmente as únicas que muitas daquelas crianças comerão por dia. E porquê meninas? Porque nas famílias mais carenciadas, culturalmente são sempre elas as últimas a terem direito a ir à escola.

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Na página da angariação de fundos, Diana e as outras três voluntárias portuguesas que se juntaram a ela para dar vida ao projeto explicam tudo e partilham os dados para transferência de donativos. Porquê no Quénia e não em Portugal? “Porque é aqui que quero estar”, explica Diana no seu blogue. “Sei que em Portugal há muita gente a passar necessidades, a passar fome. Que não tem uma casa, mas não podemos sequer comparar ao Quénia. O que importa é dar a mão a pessoas totalmente desamparadas. Adultos ou crianças que têm direito a viver e não a sobreviver com menos de 0,70 cêntimos por dia. Que morrem com doenças que são curadas com menos de cinco euros”.

Quando alguém ajuda quem realmente precisa, a pergunta “onde?” é a que menos importa. Uma vénia à Diana que, embora dedique a vida dela aos outros, a única coisa que nos pede a todos é que ajudemos com aquilo que pudermos dar. E dez euros que sejam já podem fazer a diferença.

 

 

 

Fotografias de uma cerimônia de circuncisão de raparigas no Quénia

Novembro 26, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Foto reportagem do http://www.dailymail.co.uk  de 13 de novembro de 2014.

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Reuters Siegfried Modola

Reuters Siegfried Modola

 

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Reuters Siegfried Modola

A study in barbarity: Tearful and terrified, young girls are lined up to undergo a tribal circumcision ceremony in Kenyan village

Photographer Siegfried Modola captured this ceremony in rural Kenya for four teenage girls of the Pokot tribe

More than a quarter of Kenyan women have undergone ordeal, despite the practice being outlawed three years ago

But in many tribes, it is considered a rite of passage that marks the transition into womanhood so girls can marry

By Khaleda Rahman for MailOnline

WARNING: GRAPHIC CONTENT

These pictures show frightened girls lined up before villagers in Kenya to be circumcised – even though the brutal practice is now illegal in the country.

But in many African tribes, traditions are more important than laws and circumcision is considered a rite of passage that marks their transition into womanhood so they can marry.

Reuters photographer Siegfried Modola captured this ceremony in rural Kenya for four teenage girls of the Pokot tribe, in Baringo County.

Draped in animal skin and covered in white paint, the girls squat over large stones in the remote village after being circumcised – a life-threatening custom banned in the country three years ago.

More than a quarter of Kenyan women have undergone the ordeal, despite government efforts to end the practice in the East African country.

‘It’s a tradition that has been happening forever,’ the father of one of the girls, who asked not to be named fearing reprisal from the authorities, told Reuters from the isolated Pokot settlement some 80km from the town of Marigat.

‘The girls are circumcised to get married. It’s a girl’s transition into womanhood,’ he said.

Wrapped in bright coloured shawls, the girls spent the night huddled around a fire in a thatched-roof house as local women gathered to sing and dance in support.

One woman fell into a trance after sipping a local wine.

Circumcision is heavily practiced among the Pokot community, and one of the girls’ mothers believes it is a sign of strength.

‘The pain will make her strong. She can show the rest of the community that she can endure it,’ the woman said after having her daughter circumcised by a Pokot elder donning a beaded neck collar and large brass earrings.

‘I’m proud of my daughter for doing this,’ she said.

At its most extreme, circumcision, also known as female genital mutilation, involves cutting off the clitoris and external genitalia, then stitching the vagina to reduce a woman’s sexual desire.

Anything from razor blades to broken glass and scissors is used.

The U.N.’s Children’s Fund, UNICEF, says more than 125 million women have been cut in the 29 countries in Africa and the Middle East where genital mutilation is carried out.

Kenyan law provides for life imprisonment when a girl dies from the procedure, which in addition to excruciating pain, can cause haemorrhage, shock and complications in childbirth.

It set up a prosecution unit in March and is currently investigating 50 cases.

Officials are optimistic they can force a change in attitude but still worry that the practice is too ingrained for legal threats to have an impact.

‘We face a myriad of challenges,’ said Christine Nanjala, who heads the prosecuting unit. ‘You will find the practice is something highly valued. You will keep quiet and you will not report it – if you do, you face reprisal.’

Still, Nanjala was optimistic that genital cutting would be eventually wiped out. ‘Not tomorrow but it will end, she said. ‘At the end of the day, without hope, you have nothing.’

 

 

 

 

 


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