O que os faz felizes?

Janeiro 2, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://expresso.sapo.pt/ de 16 de dezembro de 2017.

Katya Delimbeuf  texto

Carlos Esteves  infografia

Eles só querem tempo com os pais. E brincar. Quer saber o que faz o seu filho feliz? Leia

Dizem-nos que ser mãe ou ser pai é a melhor coisa do mundo, mas ninguém avisa que isso implica também passar a viver acompanhados por questões constantes. “Será que fiz bem?” “Exagerei no castigo?” “Será que não disse que não com a frequência que devia?” No meio de todas as dúvidas que assaltam os pais, há uma resposta universal. Pergunte-se a qualquer um qual a coisa mais importante que quer para o seu filho e a resposta será: que seja feliz. A forma que reveste essa felicidade é todo um novo capítulo.

O que os faz as crianças felizes? Brincar? Passar tempo com os pais? Fazer atividades físicas ou artísticas? Superar desafios? E os miúdos, têm noção da sua própria felicidade? Vários estudos trazem alguma luz sobre a questão. As respostas parecem apontar um caminho, o da simplicidade. É no tempo passado em família e nos momentos de brincadeira que as crianças encontram a felicidade. Assim comprova o último estudo de uma conhecida marca de brinquedos (a Imaginarium), que entrevistou 1131 pais portugueses de crianças dos 0 aos 8 anos. Mais de metade (51,89%) acredita que a origem da felicidade dos filhos está no tempo passado com os pais e familiares, e 34,56% no tempo de brincadeira. O afeto ocupa um lugar-chave na felicidade dos mais novos: 33% defendem que é quando os filhos se sentem “ouvidos e queridos” que são mais felizes. Na mesma linha, 14% defendem que é fundamental reforçar a autoestima das crianças “elogiando-as e incentivando-as quando fazem algo bem”.

O que têm as crianças holandesas?

Em 2013, um relatório da UNICEF que mediu a felicidade e o bem-estar em 29 dos países mais ricos do mundo (incluindo Portugal) concluía que as crianças mais felizes eram as holandesas. Que especificidades têm? Primeiro, os bebés holandeses dormem mais horas; as crianças trazem poucos ou nenhuns trabalhos de casa na escola primária; a liberdade é incentivada desde cedo, podendo os miúdos ir sozinhos de bicicleta para a escola, ou brincar na rua sem supervisão; fazem refeições em família regularmente; passam mais tempo com os pais que nos outros países europeus; não têm uma cultura materialista — brincam com objetos em segunda mão; e, numa nota curiosa, comem cereais de chocolate ao pequeno-almoço.

Neste estudo, Portugal encontrava-se a meio da tabela, no 15º lugar entre 29. Alguns destes itens, como as refeições em família, são comuns à nossa cultura, que traz para a mesa a maior parte dos convívios. Contudo, o grau de liberdade e de confiança depositada na criança é menor, o que não lhe permite superar por si mesma os desafios, e assim reforçar a autoestima. A psicóloga clínica Tânia Gaspar, da Universidade Lusíada de Lisboa, considera que esta questão não é tão linear como pode parecer. “Tem de haver supervisão, mas sem excesso de controlo”, defende.

O tempo passado com os filhos é outra desvantagem dos progenitores lusitanos. No inquérito da Imaginarium, mais de metade dos portugueses inquiridos sente que “passa pouco tempo de qualidade com os filhos”, e quase 90% acreditam que “um horário laboral mais flexível lhes permitiria aumentar esse tempo de qualidade”. Estes momentos são dos que mais contribuem para o bem-estar das crianças. Mais de metade dos portugueses (52%) que respondeu ao inquérito afirmou que “aquele bocadinho antes de ir para a cama” é o mais feliz. É o momento da história, do mimo, em que pai, mãe e filho partilham instantes de cumplicidade. 19,96% elegem o tempo de brincadeira no jardim ou no parque, e 11,52% a hora do banho.

Tânia Gaspar, que em 2008 se doutorou em Qualidade de Vida em Crianças: Fatores Pessoais e Sociais Promotores da Qualidade de Vida, pela Universidade do Porto, concorda que o tempo de qualidade é central. É importante “criar momentos próprios, de conversa, de partilha”, em que pais e filhos falam sobre o dia, o que correu bem ou o que correu mal. Alerta: “A comunicação aberta tem de começar desde pequenino, para que seja normal na adolescência.” É também importante aceitar, em vez de criticar, para que o canal se mantenha.

A psicóloga coordenou ainda, em 2013, a parte portuguesa do European Kidscreen, que mede a qualidade de vida e o bem-estar das crianças europeias dos 8 aos 18 anos em 13 países europeus. A principal conclusão é muito positiva: “As nossas crianças, de um modo geral, são felizes”, afirma. “As crianças mais novas — até aos 12 anos — são mais felizes do que as mais velhas”, quando entram na pré-adolescência, mas Tânia Gaspar atribui esse facto às “alterações de desenvolvimento que caracterizam esta fase”, em que o jovem se torna mais independente da família, tenta perceber quem é e fazer as suas escolhas. Neste estudo, Portugal encontrava-se de novo a meio da tabela. As razões prendem-se essencialmente com a escola. “As crianças portuguesas são das que têm pior relação com o meio escolar, a pressão académica, o facto de acharem que são maus alunos.” Nesse sentido, a ausência de trabalhos de casa na escolaridade primária dos holandeses joga em favor da sua felicidade. Habituam-se a gostar da escola antes de a associarem à obrigação de estudar e ser avaliado.

A psicopedagoga Ana Vasconcelos acredita igualmente que “o sucesso escolar de um país é um índice de felicidade”. O ser humano é por definição um animal curioso, que gosta de aprender. E desde que a escola cumpra a sua função e forneça ferramentas, os alunos gostarão de a frequentar e terão resultados em consonância. Dá o exemplo da matemática, eterno ‘bicho papão’ em Portugal. “Uma criança que pensa bem a matemática é uma criança com segurança pessoal. Para se ter pensamento abstrato, é preciso ter concentração ao aprender. E se se estiver preocupado, não aprende”.

Não fala em felicidade, mas em qualidade de vida. “A felicidade é um conceito moral. Tem a ver com emoções e com sentimentos. Qualidade de vida é o que dá a sensação de felicidade”, diferencia. Ana Vasconcelos aconselha os pais a manterem a “ternura na ponta dos dedos”. A seu ver, educar para a felicidade é simples. É preciso conseguir algum grau de “qualidade diária”, mesmo quando a vida profissional é intensa; e é importante os pais não se sentirem culpados. “Estes têm de estar seguros das suas competências.” O que mais entristece uma criança, assegura, é sentir a tristeza dos pais, captar a sua “insegurança face à vida”, e registar “incoerência no cuidar”. As crianças refletem muito o estado dos progenitores. Portanto, pais felizes têm maior tendência para criar filhos felizes. Tânia Gaspar ressalva o seguinte: “A felicidade é uma direção, um processo, algo que se vai construindo.” Estamos no bom caminho. Para os pais eventualmente preocupados com o que irão dar aos filhos este Natal, deixamos uma ideia. Em vez de prendas, deem-lhes tempo. É tudo o que querem.

 

 

 

 

 

5º Simpósio de Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA)

Março 24, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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http://simposio-phda.pt/

Seminário – A qualidade de vida das famílias com crianças e jovens com perturbações do espetro do autismo em Portugal: diagnóstico e impactos sociais e económicos

Março 25, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Capacidade de as famílias suportarem encargos baixa entre 2004/2011

Dezembro 19, 2013 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site OJE de 6 de Dezembro de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

INE divulga Índice de Bem-estar para Portugal

oje

O estudo, realizado pela primeira vez pelo Instituto Nacional de Estatística, foi desenvolvido nos últimos três anos e visa disponibilizar, anualmente, resultados que permitam acompanhar a evolução do bem-estar e progresso social em duas vertentes: condições materiais de vida das famílias e qualidade de vida.

O estudo, realizado pela primeira vez pelo Instituto Nacional de Estatística, foi desenvolvido nos últimos três anos e visa disponibilizar, anualmente, resultados que permitam acompanhar a evolução do bem-estar e progresso social em duas vertentes: condições materiais de vida das famílias e qualidade de vida.

Segundo o estudo, os índices dos indicadores relacionados com a capacidade de as famílias fazerem frente aos seus encargos financeiros e com a sobretaxa das despesas com a habitação apresentam um decréscimo.

Esta situação “evidencia uma deterioração da capacidade dos rendimentos familiares suportarem os compromissos financeiros assumidos, ou de suportarem despesas básicas como a habitação”, explica.

Os índices associados aos indicadores de pobreza monetária apresentam um crescimento ao longo deste período, expressando a redução da taxa de risco de pobreza de 19,4% para 17,8% e da intensidade da pobreza de 26,7% para 24,7%.

O Índice do Bem-Estar (IBE) ressalva que o indicador da taxa de risco de pobreza após 2010 merece “uma leitura atenta”, uma vez que “a manutenção da taxa de pobreza após 2009 reflete, mais do que uma manutenção ou melhoria das condições de vida dos indivíduos mais pobres, a acentuada descida do rendimento mediano e a subsequente redução do limiar de pobreza”.

“Particularmente significativo” é o agravamento do índice relativo à intensidade da pobreza em 2011, superior a cinco pontos percentuais, refere o estudo, que também apresenta resultados preliminares para 2012.

A leitura da evolução da taxa de privação material “é menos clara”, dadas as oscilações sofridas por este índice ao longo do período. Em termos globais, a taxa de privação material em 2012 é praticamente idêntica à do valor inicial de 2004, traduzindo-se num índice de 99,5 no final do período em análise.

A variação do índice no domínio Balanço vida-trabalho aumentou 11,3 pontos percentuais entre 2004/2012. “A capacidade de conciliação entre o tempo dedicado ao trabalho e a outras vertentes da vida pessoal, como a família, os amigos ou o lazer em geral, é um importante fator de caracterização do bem-estar”, observa.

O índice de conciliação do trabalho com as responsabilidades familiares, que retrata o grau de dificuldade em cumprir tarefas domésticas ou outras responsabilidades devido ao trabalho, ou de concentração no trabalho devido a responsabilidades familiares, teve uma evolução percentual positiva (48 pp) até 2007, “decrescendo lentamente a partir de então”.

 

A Educação Transforma a Vida

Outubro 18, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Ana Luísa, num quarto com vista sobre a aldeia

Agosto 25, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 14 de Agosto de 2013.

Ana Luísa, num quarto com vista sobre a aldeia

O artigo contém um texto de Andreia Sanches :

Até que ponto estás satisfeito com a vida? O que dizem os estudos e os especialistas sobre temas que marcam a adolescência? Hoje fala-se de saúde mental

Jornada Experiências de dor em crianças com cancro

Junho 13, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrições Até Jun 15, 2013

A Jornada “Experiências de dor em crianças com cancro” é organizada pela Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem, da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, e enquadra-se no projeto financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pelo Programa Operacional Fatores de Competitividade (COMPETE/QREN) com o titulo «Experiências de dor de crianças com cancro: localização, intensidade, qualidade e impacte» (PTDC/PSI-PCL/114652/2009).

Os organizadores da Jornada contam com a presença de personalidades nacionais e estrangeiras peritas na área e pretende-se que seja um espaço de debate sobre a investigação realizada na área das “Experiências de dor de crianças com cancro” e, consequentemente, se apontem caminhos para um cuidado de Enfermagem que promova a qualidade de vida das crianças com cancro e suas famílias.

IV Encontro dos Técnicos Superiores de Educação Social

Maio 2, 2013 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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KIDSCREEN – Qualidade de Vida e Saúde em Crianças e Adolescentes 2010

Janeiro 4, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Projecto Aventura Social

PREFÁCIO

As crianças e os adolescentes são hoje em dia reconhecidos como importantes facetas da saúde pública global nomeadamente na qualidade de vida. Como é que as crianças e os jovens Portugueses avaliam a sua qualidade de vida relacionada com a saúde? Há diferenças entre rapazes e raparigas? E entre as crianças e os adolescentes?

Numa perspetiva de saúde pública e tendo por base uma abordagem ecológica do desenvolvimento psicológico e social das crianças e dos adolescentes, a relevância destas questões é inquestionável. No entanto, a obtenção de respostas, cientificamente válidas, exige um instrumento de medida rigoroso, empiricamente validado. A este desafio procurou responder a equipa do Aventura Social em Portugal, em 2006, no âmbito do Projecto Europeu Kidscreen, no sentido da adaptação e validação de um instrumento para medir a qualidade de vida relacionada com a saúde em crianças e adolescentes.

Em 2010, em simultâneo com o estudo Health Behaviour School aged-children (HBSC), foi aplicado o questionário do Kidscreen (versão reduzida constituida por 10 itens), bem como questões incluídas no estudo HBSC (aplicado aos 6º, 8º e 10º anos de escolaridade) para uma posterior comparação ao longo da idade. Este questionário de auto-preenchimento foi aplicado a uma amostra nacional e representativa de alunos do 5º e do 7º anos de escolaridade.

O Relatório Português do Projecto Europeu Kidscreen 2010 dá conta dos principais resultados deste estudo conduzido de um modo rigoroso, claro e muito bem sistematizado. O Kidscreen apresenta boas qualidades do ponto de vista psicométrico e permitiu identificar diferenças significativas entre crianças e adolescentes, em função do género e ano de escolaridade.

Se estes resultados nos permitem ter, agora, uma caracterização cientificamente fundamentada sobre a qualidade de vida relacionada com a saúde das crianças e adolescentes Portugueses, por outro lado, com base nestes resultados e em outros estudos de aprofundamento construídos a partir daqui, será possível, no futuro, identificar, com mais rigor e precisão, as características específicas e desenhar programas de intervenção ajustados às necessidades do grupo-alvo, numa perspectiva desenvolvimental e ecológica empiricamente baseada.

Este estudo é um excelente exemplo do modo como se deve articular a investigação científica e a intervenção psicossocial, como se pode construir com rigor instrumentos para auscultar e captar os sinais e indicadores do terreno onde se quer intervir e como, a partir desse conhecimento empírico, se podem desenvolver boas práticas no sentido da promoção da saúde e do desenvolvimento.

Isabel Soares

Escola de Psicologia | Universidade do Minho

Measurig child poverty : New league tables of child poverty in the world’s rich countries

Junho 4, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Press Release da Unicef de 29 de Maio de 2012.

Dezenas de milhões de crianças vivem na pobreza nos países ricos

Bruxelas, 29 de Maio de 2012 – Num momento em que as medidas de austeridade e de redução de gastos sociais estão no centro dos debates, um novo relatório revela a extensão da pobreza infantil e das privações sentidas pelas crianças nas economias mais avançadas. Cerca de 13 milhões de crianças que vivem na União Europeia (e também na Noruega e Islândia ) não têm acesso a elementos básicos necessários para o seu desenvolvimento. Paralelamente, 30 milhões de crianças vivem na pobreza em 35 países economicamente desenvolvidos.

O Report Card 10, produzido pelo Gabinete de Investigação da UNICEF, debruça-se sobre a pobreza e privação infantis no mundo industrializado, comparando e alinhando os países de acordo com o seu desempenho.

Esta comparação internacional mostra que a pobreza infantil nestes países não é inevitável, mas antes susceptível a políticas postas em prática – e que alguns países estão a conseguir melhores resultados do que outros na protecção das suas crianças mais vulneráveis.

“Os dados disponíveis provam que um número demasiado elevado de crianças continua a não ter acesso a variáveis de base em países que têm meios para as proporcionar, “ declarou Gordon Alexander, Director do Gabinete de Investigação da UNICEF. ”O relatório mostra igualmente, segundo dados recolhidos maioritariamente antes da crise actual, que alguns países registaram bons resultados graças a sistemas de protecção social que estavam a funcionar. O risco é que no contexto da actual crise sejam tomadas decisões erradas, cujas consequências só serão visíveis muito mais tarde.”

O Report Card 10 analisa a pobreza e privação infantis sob dois ângulos diferentes. Examinando estes dois tipos de pobreza, o Report Card 10 reúne os últimos dados disponíveis relativos a esta matéria no conjunto dos países industrialmente mais avançados.

A primeira avaliação utiliza o Índice de Privação Infantil, que se baseia em dados das Estatísticas da União Europeia sobre Rendimento e Condições de Vida (Eurpean Union’s Statistics on Income and Living conditions) de 29 países europeus, que incluem pela primeira vez uma secção consagrada às crianças.

O Report Card 10 designa como “carenciada” uma criança que não tem acesso a duas ou mais das 14 variáveis de base, tais como três refeições por dia, um local tranquilo para fazer trabalhos de casa, livros educativos em casa, ou uma ligação à internet. A Roménia, A Bulgária são os países que apresentam as taxas de privação mais elevadas (70%, 50% respectivamente) seguidos por Portugal com uma taxa de 27%. No entanto, mesmo alguns países mais ricos como a França e a Itália tenham taxas de privação superiores a 10%. Os países nórdicos são os que apresentam níveis de privação mais baixos, todos eles inferiores a 3%.

A segunda medida analisada no Report Card 10 diz respeito à pobreza relativa e calcula a percentagem de crianças que vivem abaixo do “limiar de pobreza” – definido como 50% do da mediana do rendimento disponível por família.

Assim, o Gabinete de Pesquisa da UNICEF procura determinar a percentagem de crianças que se encontram significativamente abaixo do que pode ser considerado normal para as respectivas sociedades.

Os países nórdicos e a Holanda têm as mais baixas taxas de pobreza infantil relativa – próximas dos 7%. A Austrália, o Canadá a Nova Zelândia e o Reino Unido têm taxas entre os 10% e os 15%, enquanto que mais de 20% das crianças na Roménia e nos Estados Unidos vivem em situação de pobreza relativa.

A comparação entre países economicamente semelhantes é particularmente notória no Report Card 10, o que revela até que ponto as medidas adoptadas pelos governos podem mudar a vida das crianças. Por exemplo, a Dinamarca e a Suécia registam taxas de privação nas crianças bem mais baixas do que a Bélgica ou a Alemanha, ainda que estes quatro países tenham níveis de desenvolvimento económico e rendimentos per capita

“O relatório torna claro que alguns governos conseguem muito melhores resultados do que outros no combate ao problema da privação das crianças”, afirmou Gordon Alexander. “Estes países mostram que a pobreza não é inelutável apesar do contexto económico actual. Em contrapartida, não proteger as crianças dos efeitos da crise económica e financeira dos dias de hoje é um dos erros mais caros que uma sociedade pode cometer.”

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