Algarve e Alentejo só têm três psiquiatras da infância e adolescência

Novembro 9, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 10 de outubro de 2019.

“Está tudo como há 20 anos” no interior, refere responsável da Ordem. Faltarão 35 pedopsiquiatras. Director do Programa para Saúde Mental diz que prioridade são equipas comunitárias multiprofıssionais

As regiões do Algarve e do Alentejo têm apenas três especialistas em psiquiatria da infância e adolescência (pedopsiquiatras) e um deles já foi contratado este ano. Na Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste a única pedopsiquiatra que há anos dá resposta a uma vasta área do território transmontano reformou-se mas no mês passado aceitou continuar a trabalhar no hospital de Bragança até que alguém a venha substituir.

A falta de pedopsiquiatras no interior do país é um problema com anos. A nível nacional, o número de especialistas até tem vindo a aumentar – no final do ano passado havia 105 no continente, mais cinco do que no ano anterior e mais 13 do que em 2016. Continua, porém, a ser insufic iente, sobretudo no interior do país e especialmente nas regiões do Algarve e no Alentejo, obrigando a que crianças e adolescentes tenham por vezes que ser assistidos em Lisboa.

“Há uma grande assimetria entre regiões. Os problemas mais complexos concentram- se no Algarve, sobretudo no Barlavento, e no Norte alentejano”, sintetiza o director do Programa Nacional para a Saúde Mental, Miguel Xavier, que escolheu esta área tão carenciada para alertar para o défice crónico de investimento, no dia mundial da saúde mental que hoje se assinala. No total, faltarão 35 pedopsiquiatras, calcula Miguel Xavier, notando que, uma vez que havia no ano passado 74 internos (médicos a fazer a especialidade), a perspectiva de futuro não é má

“A falta de investimento na saúde mental e infantil é um problema muito sério e que tem décadas”, destaca Miguel Xavier, que faz questão de frisar que, nos últimos dez anos, “basicamente só aumentou o número de médicos”. O resultado do quase inexistente investimento reflecte-se na grande carência de outros profissionais não médicos que trabalham com crianças e adolescentes, como enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, psicomotricistas, elenca. Profissionais que, ao contrário dos pedopsiquiatras foram diminuindo na maior parte dos serviços nos últimos anos. “E estes são tão importantes como os médicos”, sublinha.

“Já temos uma rede de referenciação [documento concluído em 2018] onde estão elencados os recursos e definidas as necessidades, agora é preciso começar a preencher os buracos. Isto é como um queijo Gruyère”, ilustra ainda o psiquiatra, para quem a prioridade é actualmente a criação de equipas multidisciplinares comunitárias, que já têm luz verde do Ministério da Saúde mas ainda não avançaram por falta de financiamento. “É preciso contratar estes profissionais. A psiquiatria não necessita de máquinas, só precisa de pessoas”, acentua. Em causa estão, numa fase inicial, cinco equipas comunitárias de psiquiatria da infância e adolescência, uma por cada região de saúde.

Aprovada há precisamente um ano, em Outubro de 2018, a rede de referenciação hospitalar nesta área definia a estratégia e as medidas a concretizar no curto e médio prazo. No documento destacava-se que situação de maior carência de resposta assistencial se concentrava nas regiões de saúde do Alentejo e do Algarve, e nas zonas de Trás-os-Montes e da Beira Interior. E sublinhavam-se os efeitos secundários da falta de equipas multidisciplinares: “diminui a qualidade da resposta assistencial, implicando um maior recurso à Urgência e à necessidade de internamento”, além de potenciar “as descompensações e reinternamentos”.

Os especialistas consideravam então prioritária a colocação de médicos nas unidades sem especialista — e isso aconteceu em Évora, segundo Miguel Xavier — e o reforço dos serviços e unidades que têm apenas um especialista, como a Unidade Local de Saúde do Nordeste, o Centro Hospitalar da Cova da Beira, e o Centro Hospitalar Universitário do Algarve.

Em 2018, de acordo com aquele documento, havia nove serviços locais de psiquiatria da infância e da adolescência, 21 unidades em estruturas do SNS e, em seis destas, havia apenas um pedopsiquiatra, sendo que no Centro Hospitalar do Barreiro Montijo nem um havia. Em todo o país, existiam quatro unidades de internamento com 45 camas quando deveriam ser, “no mínimo”, 72.

“Não está quase nada feito”, corrobora Paulo Santos, presidente do colégio da especialidade de Psiquiatria da Infância e da Adolescência da Ordem dos Médicos, que prefere destacar a falta de camas de internamento e de especialistas. “O Algarve tem graves problemas de atendimento”, o Alentejo também tem carências. “O litoral está um pouco melhor, mas, no interior do país, as coisas estão quase como há 20 anos. Vai-se dando resposta com dificuldades”, diz. Há locais, como a Covilhã, onde a lista de espera para consulta é de um ano, exemplifica Paulo Santos. O problema não é de agora. “Nunca houve interesse dos vários governos. Há uma rede de referenciação anterior [2011] aprovada pelo ministro que quase não avançou”, critica.

Intitulado “Gerações mais saudáveis” e apresentado em Dezembro de 2018, o último relatório do Conselho Nacional de Saúde considerava também “muito deficiente” a oferta de cuidados de saúde mental dirigidos a crianças e jovens em Portugal. Recomendava um reforço dos cuidados, lembrando que a prevalência de perturbações emocionais e do comportamento nestas fases da vida “têm vindo a adquirir uma dimensão importante”. Estima-se que “entre 10% a 20% das crianças tenham um ou mais problemas de saúde mental, sendo que apenas 25% do total são referenciadas a serviços especializados”.

Gerações Mais Saudáveis – Políticas Públicas de Promoção da Saúde das Crianças e Jovens em Portugal

8.as Jornadas de Saúde Mental “Entre as Redes Neuronais e as Redes Sociais”

Outubro 13, 2015 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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8

mais informações:

http://8asjornadassaudementalgaia.weebly.com/apresentaccedilatildeo.html

 

Conferência João dos Santos no Século XXI : Saúde, Educação, Cultura, Sociedade

Julho 23, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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santos

João dos Santos, Sócio n.º 1 do Instituto de Apoio à Criança, nasceu a 15 de Setembro de 1913 e faleceu a 16 de Abril de 1987.

Conferência integrada nas comemorações do Centenário do nascimento de João dos Santos, que se vai realizar em Lisboa nos dias 6 e 7 de Setembro de 2013, na Sala 1 do Cinema São Jorge, Avenida da Liberdade 175, 1250-141 Lisboa, Portugal, telefone +351 213 103 400 (transportes públicos Avenida).

Para consultar o programa completo da conferência clique aqui [Programa da Conferência].

O preço de inscrição inclui um exemplar do livro “Prevenir a Doença e Promover a Saúde” de João dos Santos, em formato eBook, que será distribuído no princípio de Setembro de 2013, assim como uma brochura biográfica do autor que será entregue aos participantes nos dias da Conferência.

Inscrição:  20€10€para estudantes e séniores.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas através dos seguintes contactos. Por favor descarregue e preencha o seguinte Formulário de inscrição e remeta por email para coisasdeler.editora@gmail.com ou fax para 211 919 349 ou telefone com os seus dados para  211 919 350.

Online:       www.coisasdeler.pt
Email:        coisasdeler.editora@gmail.com ou info@joaodossantos.net
Telefone:   211 919 350      Fax:   211 919 349

Saúde Mental alerta para ‘escasso número’ de psiquiatras de infância

Julho 4, 2012 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sol de 27 de Junho de 2012.

O Programa Nacional para a Saúde Mental (PNSM) alerta para o «escasso número» de psiquiatras da infância e da adolescência e considera «prioritária» a abertura anual de um mínimo de 13 a 15 vagas nos próximos seis anos.

A Direcção-geral da Saúde (DGS) colocou em consulta pública (contributos.programas@dgs.pt), até 9 de Julho, o PNSM 2007/2016, um documento estratégico que define as metas e os objectivos a atingir nesta área.

Dados da Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente referem que uma em cada cinco crianças apresenta evidência de problemas mentais, proporção que tende a aumentar, registando-se que entre as referenciadas apenas um quinto recebe tratamento adequado.

Estimativas da Rede de Referenciação Hospitalar de Psiquiatria da Infância e da Adolescência referem que há um «escasso número» destes especialistas, uma situação que irá agravar-se com «o elevado número de saídas previsíveis por motivos de reforma».

O PNSM considera também «prioritário» rever o actual modelo contratual dos novos hospitais em regime de parcerias público-privadas (PPP), a nível de prestação de cuidados de psiquiatria e saúde mental, centrado exclusivamente em actividade intra-hospitalar (episódio de internamento, consulta externa, sessão de hospital de dia).

Este modelo «não permite configurar uma resposta assente no desenvolvimento de cuidados de proximidade, em contexto comunitário», refere o documento.

Dados preliminares do primeiro estudo epidemiológico nacional sobre prevalência de perturbações psiquiátricas apontam para 22,9% de prevalência anual, registando-se 6,3% de situações graves.

«Em Portugal existe uma das mais elevadas prevalências de doenças mentais da Europa e uma percentagem importante das pessoas com doenças mentais graves permanece sem acesso a cuidados de saúde mental», alerta o documento.

Uma das metas traçadas no programa é reduzir, até 2016, o impacto da doença mental, traduzido no crescimento máximo até 5% do número de episódios de urgência.

Outra das metas é reduzir o número de doentes institucionalizados em hospitais públicos em, pelo menos, 80%.

A crise financeira também é abordada no documento, frisando que «é plausível a ocorrência de um aumento da prevalência de algumas doenças mentais» e uma subida da taxa de suicídio em alguns sectores da população.

«Se o investimento no desenvolvimento dos serviços comunitários para doentes mentais graves já era uma prioridade antes da crise, é-o ainda mais agora», alerta.

Apesar de todas as dificuldades decorrentes da situação de crise, o plano afirma que já conseguiu «progressos significativos»: «o número de doentes institucionalizados em hospitais psiquiátricos diminuiu 40%» e «encerrou-se com sucesso o mais antigo hospital psiquiátrico do país [Miguel Bombarda]».

Para os autores do programa, os constrangimentos económicos actuais constituem também «uma oportunidade para se proceder a reformas importantes, até agora de difícil implementação, tais como a adopção de guidelines para a prescrição racional de psicofármacos e o envolvimento de profissionais não-médicos em programas terapêuticos».

Lusa/SOL

 

XXII Encontro Nacional de Psiquiatria da Infância e da Adolescência

Abril 28, 2011 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações Aqui

As Crianças e a Psiquiatria

Junho 4, 2010 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de Daniel Sampaio, no jornal Público de 30 de Maio de 2010.


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