Alunos do segundo ano com dificuldades motoras: 40% não sabem saltar à corda nem dar uma cambalhota

Junho 5, 2018 às 1:15 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 5 de junho de 2018.

Um terço dos alunos do 2.º ano que fizeram a prova de Expressões Físico-Motoras no ano passado teve dificuldade em participar num jogo de grupo, 46% não conseguiram dar seis saltos consecutivos à corda e 40% não conseguem dar uma cambalhota para a frente mantendo a direcção e levantando-se de pés juntos. Os dados foram divulgados pelo Jornal de Notícias (JN) e fazem parte do relatório do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), que analisa os resultados das provas de aferição e é divulgado esta terça-feira.

“Os resultados reforçam a ideia de que a Educação Física não é dada no 1.º ciclo como devia”, defende o presidente da Confederação Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física (CNAPEF), Avelino Azevedo, ouvido pelo JN. Azevedo diz que “os resultados são inquietantes” e que deveria ser repensado o modelo de ensino da Educação Física no ensino primário, idades em que se desenvolvem capacidades como o equilíbrio ou flexibilidade, diz.

Além da disciplina de Educação Física, há outras áreas em que os alunos apresentam dificuldades: 72% dos estudantes do 5.º ano não conseguiram identificar o rio Mondego na prova de História e Geografia de Portugal; nesta disciplina, as questões sobre o Tratado de Tordesilhas foram aquelas com menos respostas correctas, com 65% dos alunos a errarem todas as perguntas. Com base nos mesmos dados, Diário de Notícias (DN) refere que 45% dos 90 mil alunos que realizaram as provas de aferição de História e Geografia do 2.º ciclo não conseguiram localizar Portugal no continente europeu.

Em Matemática, o insucesso é generalizado: na prova do 5.º ano, só 10% dos alunos conseguiram calcular a área de um polígono que envolvia a área de dois triângulos e de dois rectângulos.

 

 

 

Há muita coisa a influenciar quem classifica os exames. Até a letra dos alunos

Julho 6, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista do https://www.publico.pt/ a Leonor Santos no dia 24 de junho de 2017.

 

A especialista em avaliação, Leonor Santos, considera que os exames não contribuem para as aprendizagens e também que não garantem a equidade. Por isso é contra este tipo de provas tal como elas são feitas em Portugal.

Clara Viana

Trabalhos de grupo, com uma componente oral, ou projectos de investigação prolongados no tempo podem ser uma alternativa aos exames de Matemática que conhecemos. Quem o diz é Leonor Santos, especialista em avaliação das aprendizagens, responsável pelo mestrado em Educação da Matemática, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

Leonor Santos deixa ainda um aviso: o programa da disciplina, em vigor no ensino básico, é “um crime” e deve ser alterado quanto antes.

Os exames são um instrumento útil da avaliação das aprendizagens a Matemática?

Não há evidência de que a existência de um exame contribua para as aprendizagens. A investigação, e a nossa própria experiência pessoal, mostram, aliás, que o estudo intensivo que se faz nas vésperas de exame traz alguma aprendizagem, mas que esta é de curta duração. Não creio que seja essa a razão principal para existirem exames. Podemos ter argumentos de natureza social, por exemplo, o dos exames serem uma prestação de contas ou de fornecerem elementos que identifiquem a qualidade ou não do sistema educativo.

Mas do meu ponto de vista esse objectivo não se alcança através de exames, mas sim de provas de aferição que, aliás, voltaram, o que vejo com muito agrado. São instrumentos importantes para revelar o próprio sistema educativo, servem para identificar as dificuldades principais dos alunos e permitem, inclusivamente, que se façam alterações fundamentadas nos currículos.

Mas os exames também não permitem que tal se faça?

Não é esse o seu objectivo. Os exames, o que pretendem é certificar as aprendizagens realizadas e ver quais os alunos que são capazes de ter um desempenho satisfatório ou bom e quais aqueles que não capazes de ter. Só que, na minha perspectiva, o sucesso escolar não é igual a aprendizagem. O sucesso escolar é ter bom aproveitamento, mas nem sempre um aluno que aprendeu tem necessariamente um bom desempenho numa prova que é limitada no tempo e que tem algumas características particulares, como acontece com os exames.

A diferença entre as provas de aferição e os exames é que as primeiras não contam para a nota.

A diferença é enorme porque os propósitos destas provas são distintos. O exame é uma prova que tem por objectivo classificar e hierarquizar os alunos. Enquanto as provas de aferição têm como preocupação fornecer informação detalhada às escolas sobre o desempenho dos alunos, o que pode constituir mais um elemento sobre o que há a regular, sobre aspectos a que é preciso dar mais atenção, etc. E, portanto, existe a preocupação de se dar um contributo para melhorar o ensino e, consequentemente, as aprendizagens dos alunos. O que não acontece com os exames. Sabemos que o que sai no exame vai influenciar grandemente o trabalho do professor em sala de aula. A existência de exames tem o efeito de reduzir o currículo aos conteúdos que saem na prova. Portanto, traduz-se num ensino muito centrado na preparação para esta avaliação.

A professora é contra a existência de exames seja em que nível for, mesmo no ensino secundário?

Os exames não contribuem para as aprendizagens e também não garantem a equidade entre os alunos. Antes pelo contrário. Por isso não, não estou de acordo com a existência destas provas.

Mas o argumento de que os exames promovem a equidade é recorrentemente utilizado pelos defensores desta forma de avaliação

Pois é, mas eu acho o contrário. Penso que os exames aprofundam a desigualdade. E porquê? Até chegarem àquele momento do exame, os alunos têm experiências que foram muito distintas. Nem todos trabalharam os mesmos temas com o mesmo nível de profundidade. Tiveram professores distintos, ensinos distintos e chegam ali com um passado muito diferente. Não é o facto de existir uma prova única para todos, num mesmo momento, que garante a equidade.

Podem dizer que os exames servem para responder a uma necessidade, que a sociedade sente, de que haja uma prova e resultados com garantias de objectividade, já que as classificações são dadas por um grupo de avaliadores que seguem os mesmos critérios de correcção. Mas também isto é uma fantasia. Se assim fosse não havia recursos de exames, porque as pessoas não iam gastar dinheiro a pedir a revisão de provas se com esta se não houvesse mudanças nas classificações.

Na revisão das provas geralmente as classificações sobem.

E porquê? Isto acontece não porque os primeiros classificadores tenham agido de forma incorrecta, mas porque somos humanos e temos atitudes diferentes que podem influenciar o modo como se aplicam os critérios de avaliação. Há investigação que já demonstrou que a preocupação dos avaliadores que estão a classificar pela primeira vez é a de manter os mesmos critérios para todas as provas. Mas quando está a fazer uma revisão de prova, a sua atitude é completamente diferente: tenta aproveitar tudo o que for possível.

Isso não quer dizer que aplique critérios de correcção diferentes daqueles que constam do referencial, mas por mais pormenorizados que estes sejam existe uma grande margem de decisão do próprio avaliador e isso é incontornável.

Os investigadores que têm estudado estas questões chegaram à conclusão que um classificador é sujeito a dois efeitos enquanto está a classificar as provas, sejam elas de exame ou testes dos seus próprios alunos. São os efeitos de assimilação e o de contraste.

E isso quer dizer o quê?

Comecemos pelo efeito de contraste. Foi constatado que um classificador quando se depara com uma prova de qualidade elevada, acima da média, vai ser mais exigente com a prova que vai ver a seguir. E o efeito contrário também se dá: quando encontra uma prova de nível muito baixo, na seguinte é mais permissivo. E quando se diz mais exigente e mais permissivo não se está a dizer que não respeite os critérios de avaliação. As decisões que se tomam para além do que está definido é que são diferentes.

Quanto ao efeito de assimilação o que este põe em evidência é quando se olha para uma prova, mesmo que esta seja anónima como é o caso dos exames, se infere um conjunto de coisas sobre a pessoa que a fez. Por exemplo, se é uma prova toda rasurada, em que se escreveu tudo encavalitado, involuntariamente, e inconscientemente, pensa-se que esse aluno tem as ideias muito confusas. Se, pelo contrário, for uma prova muito direitinha, sem rasuras, com uma letra bem-feita, infere-se que deve ser um aluno com bom desempenho. E estas informações vão, uma vez mais, ter efeito sobre a maneira como se aplica os critérios de correcção. Se for um aluno que tem um desempenho elevado somos mais tolerantes do que para aqueles que achamos que têm desempenhos baixos.

Para além das provas de aferição, que outro tipo de avaliação é que pode ser mais útil no que respeita às aprendizagens a Matemática?

Há desafios na avaliação externa que, com o tempo, podemos procurar enfrentar. Não há nenhuma teoria que diga que um exame tem de ser uma prova escrita, feita em tempo limitado, individualmente. Pode ser de outra maneira. Pode ter uma componente de trabalho colectivo, pode ter uma componente de trabalho oral, pode ser uma tarefa que seja mais da natureza de trabalho de projecto ou uma tarefa de investigação — em Matemática, faz todo o sentido —, em que o tempo não é um elemento informativo da maior ou menor capacidade que o aluno tenha.

Por exemplo, na Suécia realizaram-se provas orais feitas por grupos de alunos, em que lhes era dada uma proposta de trabalho de natureza investigativa, que eles exploravam e depois tinham de explicar como tinham feito e porque tinham feito dessa maneira. Qual é a grande vantagem destas alternativas? A vantagem é que permite testar capacidades matemáticas que fazem parte do que é expectável o aluno desenvolver e que não são possíveis de serem consideradas numa prova escrita com tempo limitado. E, se assim for, o tal fenómeno, que referi há pouco, do exame contribuir para reduzir o currículo já não acontece da mesma forma. Se existir uma prova oral em que os alunos têm que evidenciar a sua capacidade de raciocínio matemático e comunicação matemática então o professor tem de se preocupar em desenvolver essas capacidades ao longo do ano.

Mas este tipo de exames contam para avaliação?

Um exame conta sempre para a avaliação. Como já disse, é uma prova que tem por objectivo classificar e hierarquizar os alunos.

Que avaliação faz dos programas que estão em vigor?

O programa do ensino básico de Matemática foi mudado [pela anterior tutela] de forma radical em termos do que é que se entende que é saber matemática. De uma forma muito simplista, diria que uma grande orientação do programa de 2007 era a de que os alunos soubessem matemática com compreensão, percebendo o que estavam a fazer. Neste novo programa o que importa de facto é ter um grande domínio de cálculo e a compreensão virá mais tarde, quando o aluno for mais maduro. Tem coisas absolutamente desadequadas para o nível etário dos alunos. Estes memoriam, aprendem a fazer, mas de facto não compreendem. Isto não é saber matemática.

Defende a revisão do programa?

Defendo de uma forma absolutamente categórica que o programa devia ser quanto antes alterado. O que estamos a fazer é um crime relativamente aos alunos do ensino básico.

 

Faz sentido uma prova logo no 2.º ano? Professores duvidam

Janeiro 19, 2016 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia de Ana Bela Ferreira, publicada no Diário de Notícias em 11 de janeiro de 2016.

Ministério esclarece que este ano é o meio do 1.º ciclo, mas docentes dizem que os alunos ainda sabem pouco nesta idade.

Devem crianças de 8 anos e no início do percurso escolar fazer provas de aferição? Os professores começam a questionar esta escolha feita pelo Ministério da Educação, agora que o regresso das provas de aferição e o fim dos exames no 4.º e 6.º anos são uma realidade. Para os especialistas, o 2.º ano será ainda muito inicial da escolaridade para só se voltar a avaliar os conhecimentos no 5.º ano e alguns questionam se não seria mais útil fazer essa aferição no 3.º ano.

Questionada pelo DN sobre a escolha deste ano letivo, a tutela justifica a escolha com “a localização exata do 2.º ano a meio do 1.º ciclo”. Acrescentando que se pretende que “a passagem de cada aluno pelos instrumentos de aferição tenha uma dupla finalidade: por um lado, a geração de dados globais que permitam a regularização e monitorização do sistema; por outro, um contributo para a identificação de necessidades específicas de cada aluno. Uma aferição no momento final permite monitorizar o sistema, mas já não contribui para que a escola e os professores possam trabalhar especificamente as dificuldades detetadas para cada estudante”.
No entanto, o professor do 2.º ciclo (5.º e 6.º anos) e historiador de Educação Paulo Guinote acredita que a diferença entre o 2.º e o 5.º anos, quando se realizam as duas primeiras provas de aferição, “não permite que se tire conclusões. Porque no 5.º ano, quando voltarem a repetir-se, já são outros professores a dar a matéria”. Daí que defenda que “se devia fazer uma segunda aferição no 1.º ciclo ou então fazer no 3.º ano”.

O docente acredita também que o 2.º ano de escola “tem ainda um nível muito incipiente de conhecimentos para se estar a avaliar”.

É nesse sentido que a Associação Nacional de Professores de Português (Anproport) escreve no parecer sobre a avaliação no ensino básico, a que o DN teve acesso, considerar que “a prova de aferição do 2.º ano não dispensa a do 4.º ano”. Uma vez que no 1.º ciclo “é muito grande a diferença, no que ao Português diz respeito, entre os conteúdos e objetivos dos dois primeiros anos e os dos dois últimos anos”. A que se junta ainda o argumento de que “o 4.º ano é o do final de um ciclo em que há monodocência e que tem características muito diferentes das do ciclo seguinte, pelo que se impõe uma avaliação externa no final desse ciclo”.
Ainda também com dúvidas sobre a escolha deste ano de escolaridade – quando os alunos têm 8 anos de idade – estão também a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) e a Associação de Professores de Matemática (APM).

O presidente da SPM, Fernando Pestana da Costa admite: “Ainda não sabemos se o 2.º ano é o ano ideal para aferir as dificuldades. Talvez o 3.º ano fosse mais indicado”. Enquanto a presidente da APM, Lurdes Figueiral, revela que a associação está “a pensar sobre esta questão”, que “levanta dúvidas”. “Neste momento estamos a avaliar o currículo para perceber a pertinência de se fazer a aferição neste ano. Ainda temos dúvidas se será ou não mais vantajoso fazer no 2.º ano”.

No comunicado, divulgado na sexta-feira, com a apresentação do novo modelo integrado de avaliação do ensino básico, o Ministério da Educação explicava que as provas de aferição visam “acompanhar o desenvolvimento do currículo” ao mesmo tempo que fornece “informações detalhadas à escola, aos professores, aos encarregados de educação e aos alunos sobre o desempenho destes”. E, por fim, potenciam “uma intervenção pedagógica atempada, dirigida às dificuldades específicas de cada aluno”. No mesmo documento, o ministério liderado por Tiago Brandão Rodrigues justificava ainda os anos escolhidos para as provas por serem “antes da conclusão de cada ciclo de modo a poder agir atempadamente sobre as dificuldades detetadas”.

A questão para os professores é saber como é que se mede o resultado dessa intervenção pedagógica ao longo do 1.º ciclo, uma vez que a segunda prova de aferição é feita num ciclo de ensino já com uma estrutura muito diferente (com vários professores e um leque mais alargado de disciplinas). Neste novo modelo, os alunos fazem provas de aferição a cada três anos.

Fonte

 

Quase todos os alunos do 4º e 6º fazem erros de concordância resultados nas provas de aferição foram melhores em Leitura e Estatística

Janeiro 26, 2012 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 16 de Janeiro de 2012.

Por Clara Viana

Apenas 8% dos alunos do 4.º e 6.º ano consegue escrever frases sem erros de concordância. Em ambos os anos de escolaridade, este foi o item das provas de aferição de Língua Portuguesa, realizadas em Maio por cerca de 216 mil estudantes, que obteve a taxa de sucesso mais baixa, revelam os relatórios com a análise pormenorizada do desempenho dos estudantes divulgados sábado pelo Ministério da Educação.

Também na prova de Matemática houve consonância nas dificuldades demonstradas pelos alunos dos dois anos. Só 19% dos estudantes do 4.º e 6.º ano mostraram saber o que é um múltiplo de um número e o que fazer com um problema que envolva este conceito. Os itens que envolviam múltiplos de números foram os que obtiveram piores resultados nas provas de aferição de Matemática.

Na prova do 4.º ano apresentavam-se quatro números, indicando que alguns eram múltiplos de 3, e pedia-se ao aluno que explicasse o que teria de fazer para saber quais deles cumpriam aquela condição. Na do 6.º ano propunha-se um problema, que envolvia múltiplos de 3 e de 5, onde num intervalo entre 30 e 50 os alunos teriam de identificar o total exacto de moinhos em miniatura existentes numa loja.

Nos dois anos, em ambas as provas, os alunos voltaram a coincidir nas perguntas com melhores desempenhos. Na de Língua Portuguesa, mais de 90% acertaram, numa questão de escolha múltipla, na resposta que identificava qual a ideia principal do texto proposto para leitura. A segunda questão com maior percentagem de respostas certas diz respeito à compreensão do número de linhas pedido para a composição. Na prova de Matemática, em ambos os anos, as questões com melhor classificação solicitavam interpretação de informação contida num pictograma: mais de 90% tiveram cotação máxima.

No geral, os alunos mostraram melhores desempenhos na Leitura e na área de Estatística e Probabilidades. Na disciplina de Português, o 6.º ano foi pior na parte da gramática e o 4.º no domínio da escrita. Na Matemática, os piores desempenhos, em ambos os anos, registaram-se na área dos Números e Cálculo.

Falta de sentido crítico

No 6.º ano, os alunos voltaram a revelar particulares dificuldades na resolução de problemas e na compreensão do conceito de fracção. Num dos problemas apresentados perguntava-se quanto dinheiro tinha uma rapariga levado para férias, sabendo-se que na compra de três livros, a seis euros cada, ela tinha gasto 2/5 daquela verba. “Muitos alunos responderam com um total inferior à parte que foi gasta” e continuam a evidenciar “uma preocupante falta de sentido crítico face à plausibilidade das soluções que apresentaram”, frisa-se no relatório do Gabinete de Avaliação Educacional (Gave) do ministério.

“A falta de sentido crítico advém do tipo de ensino que ainda está vigente no país”, constata a presidente da Associação de Professores de Matemática, Elsa Barbosa, em resposta a questões do PÚBLICO.

Quanto à análise dos resultados por área, esta docente considera que os bons desempenhos a Estatística e Probabilidades se devem, sobretudo, ao seu reforço no novo programa, que começou a ser aplicado há dois anos em todas as escolas, e também às acções de formação de professores desenvolvidas no âmbito do Plano de Acção para a Matemática. Antes este tema “era muito pouco trabalhado e, inclusive, era uma das áreas onde os professores do 1.º ciclo tinham mais dificuldades”, explica.

Já os maus resultados na área dos Números e Cálculo devem-se, sobretudo, ao facto de o actual programa ser “mais exigente”. “É preciso tempo para que se alcancem os resultados esperados”, acrescenta.

Por comparação a 2010, a média global nacional das provas de aferição de Matemática desceu de 62% para 58% no 6.º ano e de 71% para 68% no 4.º ano. Nas provas de Língua Portuguesa, as médias nacionais mantiveram-se no 6.º ano (65%) e desceram de 70% para 69% no 4.º ano. No relatório do Gave chama-se a atenção para o facto de os alunos do 6.º ano continuarem a mostrar “uma grande dificuldade em utilizar diferentes tempos verbais do modo indicativo e em converter discurso indirecto em directo”. Quase metade destes alunos também errou na ordenação alfabética de um conjunto de palavras começadas por “C”. No seu comentário sobre a prova do 6.º ano, a Associação de Professores de Português manifestara surpresa pela existência desta questão, “por parecer pouco exigente”.


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