Dois terços dos alunos carrega mochilas com demasiado peso

Setembro 12, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do http://lifestyle.publico.pt/ de 29 de agosto de 2017.

Lusa

O peso é carregado por alunos sujeitos a uma carga horária que pode chegar a nove horas, sem contar com o percurso entre a casa e a escola.

Dois terços dos alunos portugueses carregam às costas mochilas demasiado pesadas, que podem atingir 11 quilos com todos os livros e material necessário, segundo a associação Deco Proteste, que analisou seis escolas públicas e privadas da Grande Lisboa.

No estudo, publicado no número de Setembro da revista Proteste, aponta-se os riscos para a saúde de tanto peso a que estão sujeitos corpos cujos ossos ainda estão a formar-se, nas idades entre os 10 e os 13 anos.

O caso mais extremo de excesso de peso encontrado foi o de um rapaz de 11 anos que transportava 11 quilos, mais de um terço do seu peso corporal, o que é três vezes mais do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

A Deco vai pedir uma audiência à comissão parlamentar de Educação e Saúde, a quem enviará os resultados do estudo.

Uma petição com 48 mil assinaturas pedindo medidas para reduzir o peso das mochilas está já a ser analisada na comissão.

A investigação, conduzida em Março deste ano, centrou-se em 174 alunos, 66% dos quais tinham peso a mais nas mochilas, percentagem superior aos 53% encontrados no estudo semelhante anterior, feito em 2003.

As cargas mais intensas, representando 20% do peso corporal de quem as carrega, também são mais frequentes: aumentaram de 4,5% em 2003 para 16% este ano.

Para além dos livros necessários a cada disciplina, alguns dos quais com muito pouco uso, o que enche as mochilas são cadernos, dossiês, estojos, carteiras, chaves, roupa e calçado para Educação Física, enumera um aluno entrevistado pela Proteste.

Este peso é carregado durante todo o dia várias vezes por alunos sujeitos a uma carga horária que pode chegar a nove horas, sem contar com o percurso entre a casa e a escola.

A Deco apela à tutela, às editoras e às escolas, defendendo medidas como mais conteúdo digital na educação, livros em fascículos ou instalação de cacifos. Aos pais, pede-se um olhar atento para distinguir o que é mesmo necessário nas mochilas, que devem ir à balança antes de saírem de casa.

 

 

 

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Obesidade infantil: onde os pais erram

Janeiro 30, 2016 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto da http://www.deco.proteste.pt de 25 de janeiro de 2016.

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Um inquérito a 637 portugueses com filhos com menos de 10 anos revela que muitos controlam demasiado o consumo de alimentos menos saudáveis, forçam a comer e premeiam com comida. Atitudes como estas podem dificultar o controlo do peso.

Pensa que o seu filho come pouco e insiste para que limpe o prato, como metade dos inquiridos? Este comportamento pode levar a criança a criar o hábito de não deixar comida, seja qual for a quantidade, e, assim, ter problemas de peso no futuro. Muitos dos comportamentos que adotamos no dia-a-dia de forma não consciente podem contribuir para que os nossos filhos interiorizem ideias que dificultam o controlo do peso, tanto no presente como no futuro.

Usar a comida sistematicamente como prémio ou castigo (“se não fizeres birra, dou-te um chocolate” ou “se não comeres tudo, não tens sobremesa”) e proibir com rigidez os alimentos que mais agradam às crianças são atitudes a evitar. Estas contribuem para uma relação pouco saudável com a comida e para o excesso de peso. “As crianças frequentemente recompensadas com comida aprendem a vê-la como gratificação, podendo mais tarde utilizá-la como mecanismo compensatório”, explica André Ferreira, psicólogo clínico no hospital de Évora. O mesmo se aplica aos casos em que os alimentos são utilizados para regular as emoções, como tristeza e ansiedade.

O estudo mostra que os pais demasiado restritivos, que controlam ao pormenor a alimentação das crianças, impedindo a ingestão de alimentos menos saudáveis, como batatas fritas e guloseimas, são também os que têm filhos mais gordinhos. Segundo André Ferreira, “o comportamento restritivo por parte dos pais poderá tornar as crianças mais suscetíveis à ingestão dos alimentos hipercalóricos alvo da restrição”. O psicólogo indica ainda que, “quanto maior for restrição e maior a apetência das crianças pelos alimentos restringidos, mais dificuldade estas terão em regular o seu comportamento alimentar” na ausência dos pais. O segredo está no equilíbrio.

Os mais pequenos aprendem sobretudo com o exemplo dos mais velhos. De nada vale explicar que não se podem comer bolachas antes do jantar, se vai petiscando enquanto prepara a refeição ou devora um chocolate quando está mais ansioso.

Prevenir de pequenino

O controlo do peso das crianças começa na gravidez, através da alimentação variada e equilibrada da mãe. Depois, o leite materno, além de outras virtudes, também ajuda neste aspeto. Seis em cada 10 inquiridos afirmam que os filhos foram amamentados durante, pelo menos, seis meses, como recomenda a Organização Mundial de Saúde. Os inquiridos que referem que os seus bebés não beberam leite da mãe (13%), tendencialmente, têm filhos mais pesados.

Após os 2 anos, a maioria faz 4 ou 5 refeições por dia (em geral, recomendam-se 5). No entanto, cerca de 17% dos inquiridos afirmam que os filhos não fazem as 3 refeições principais todos os dias. As falhas mais frequentemente referidas são os almoços (14 por cento). A sopa, parte essencial para equilibrar as refeições, faz parte do menu, pelo menos, 5 dias por semana, dizem 79% dos pais que nos responderam. Uma boa prática, a manter para a vida.

Mais de metade dos pais afirma que os filhos comem uma grande variedade de alimentos, mas 23% confessam ter dificuldade em fazê-los provar algo que nunca tenham comido; sensivelmente a mesma percentagem afirma que os pequenos decidem que não gostam sem provar. A bem da educação alimentar, é importante expor as crianças a variados sabores e texturas desde cedo. Por vezes, os pais têm de ser “mais diretivos”, diz André Ferreira, mas “a forma como os alimentos são apresentados às crianças também pode influenciar a sua vontade de comer, pelo que mais do que forçá-las a ingerir os alimentos, pode ser necessário repensar a apresentação dos mesmos”, acrescenta. Veja algumas ideias no nosso projeto Fica na Linha.

Os hábitos alimentares (bons e maus) adquirem-se nos primeiros anos de vida, com a ajuda e o exemplo dos pais. Eis algumas dicas:

  • enquanto são bebés, não lhes dê leite e papa em excesso;
  • durante a infância e a adolescência, não insista para que ingiram grandes porções;
  • não salte refeições e explique aos seus filhos que não devem fazê-lo.;
  • reserve tempo suficiente para comer com calma;
  • crie o hábito de consumir fruta e legumes;
  • durante as aulas incentive as crianças a comer na cantina. As suas ementas são preferíveis a uma refeição rápida na bar.

Inquietação por comer pouco

A grande maioria dos inquiridos afirma não haver problemas alimentares entre a sua prole. Quem revela dificuldades neste domínio (15%) indica sobretudo que as crianças comem pouco. Contudo, quando se lhes pergunta se os filhos têm peso a mais, 37% respondem afirmativamente.

Comer a menos na ausência dos pais preocupa mais inquiridos do que comer de mais, embora um terço dos inquiridos tenha receio de que os filhos se tornem obesos quando crescerem. Os distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia, e as doenças relacionadas com a alimentação, como diabetes e problemas cardiovasculares, também inquietam mais de 30% dos pais.

Com maior ou menor preocupação dos progenitores, as crianças passam uma média de duas horas em frente ao ecrã da televisão ou dos videojogos. Além de eventuais problemas para os olhos, esta (in)atividade é uma conhecida causa dos quilos em excesso. Mais: um terço dos pais indica que os filhos não praticam exercício físico fora da escola. Talvez os inquiridos não se tenham lembrado de que correr ou jogar à bola no parque também é atividade física, mas o número merece reflexão.

 

 

Bullying. Um terço dos inquiridos pela Proteste já foram vítimas na escola, trabalho ou Net

Setembro 3, 2012 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do i de 23 de Agosto de 2012.

Por Agência Lusa,

Mais de um terço das 1.240 pessoas inquiridas pela revista Proteste afirmaram já ter sido vítimas de bullying na escola, no trabalho ou na Internet.

Os resultados deste inquérito, que vão ser divulgados na edição de setembro da Proteste, indicam que 12% das vítimas de bullying escolar mantêm recordações que os perturbam mesmo na idade adulta.

O bullying pode ser definido como um comportamento agressivo, físico ou verbal, repetido no tempo em relação a uma vítima que não é capaz de se defender.

“Os inquiridos já adultos sonham com os eventos (14%) ou recordam com sofrimento a situação (36%). No global, há uma prevalência de 20% de bullying escolar retrospetivo, ou seja, recordado pelos nossos inquiridos”, refere o artigo da revista.

Ainda no contexto escolar, só em 21% dos casos os professores ficaram a par da situação de bullying, uma situação que ocorre com maior prevalência até ao 6.º ano.

Segundo a Proteste, faltou à maioria das crianças e jovens instrumentos para resolver o problema, optando por ignorar ou evitar a situação.

O bullying assume maior prevalência nas raparigas, e a timidez, um estilo mais passivo ou uns quilos a mais são os motivos mais indicados.

Aliás, em 47% dos casos, os inquiridos dizem ter sido vítimas por causa da timidez e 28% afirma que foi por ser considerado uma pessoa fraca.

Já no local de trabalho, o bullying (ou mobbing) é mais frequente entre colaboradores com vínculos precários e é um comportamento que afeta a produtividade e o empenho.

Entre os inquiridos ativos do estudo, cerca de um quarto reconheceu ter sido submetido a atos de bullying no emprego, no último ano. As chefias são quem mais exerce este tipo de agressão.

Segundo os dados do inquérito, trabalhadores que são vítimas relatam mais problemas de saúde, estando o bullying associado a cansaço extremo, ansiedade ou depressão.

Na análise feita aos inquiridos que já foram vítimas de bullying no ciberespaço, fica demonstrado que o fenómeno é mais frequente entre os 18 e os 24 anos.

Aqui, a estratégia passa por escrever frases replicadas nas redes sociais ou enviar mensagens sem remetente para provocar medo ou intimidar.

O questionário da Proteste foi enviado em novembro do ano passado a uma amostra representativa da população portuguesa, entre os 18 e os 64 anos, tendo sido recebidos 1.240 questionários válidos.

 

 


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