Aidan, de 9 anos, criou uma mão feita com Lego

Dezembro 1, 2014 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do P3 do Público de 19 de novembro de 2014.

Matthew Kramer DR

Criança norte-americana que nasceu sem mão esquerda desenvolveu uma prótese feita com peças de Lego. Modelo de prótese vai estar disponível para quem quiser imprimi-lo em 3D

Texto de Ana Maria Henriques

Com apenas 9 anos, Aidan Robinson já usou várias próteses. Nasceu sem antebraço esquerdo e, por isso, desde bebé que tem vindo a experimentar várias, de diferentes materiais, que lhe possam conferir algumas das capacidades motoras correspondentes à mão esquerda que lhe falta. Uma questão evidente, no entanto, impede-o de ter acesso a próteses avançadas: como criança que é está em crescimento, o que implica a compra de novas e muito caras soluções. Há dois anos que deixou de usar próteses — até que um campo de férias pensado para crianças na mesma situação o ajudou a criar uma mão feita com peças Lego.

A história de Aidan é contada num artigo da revista norte-americana “The Atlantic”, que apelida a criação do menino de “prótese de super-herói”. A nova mão de Aidan permite-lhe pegar em talheres, em comandos de consolas de vídeo e em pistolas de água — algumas das funções que indicou como importantes para o seu dia-a-dia. Em Julho último, Aidan — que “joga no computador, compete na equipa de natação e faz karaté (é cinturão verde)”, enumera a “The Atlantic” — participou no “Superhero Cyborg Camp”, durante uma semana.

Promovido pela KIDmob, uma organização sem fins lucrativos de São Francisco, o campo acolheu 9 crianças com membros superiores em falta e, através de “workshops”, forneceu-lhes ferramentas de resolução de problemas e prototipagem, bem como design. “Parte do nosso propósito era convidá-los a considerar a possibilidade de não estarem limitados ao conjunto de próteses que existe no mercado”, disse Kate Ganim, co-fundadora da KIDmob. “Como utilizadores finais das próteses, se eles tiverem uma ideia que não está no mercado, devem concretizá-las por si mesmos.”

“Utilizando brinquedos antigos e peças doadas por uma loja de ferragens, ele [Aidan] moldou o protótipo de uma prótese feita a partir de uma haste de metal com rosca, que pudesse ser aparafusada em diferentes partes: o seu comando da Wii, um garfo e uma versão em tamanho real das mãos das figuras Lego”, descreve a mesma publicação. Ao contrário da maior parte das crianças — que vai para casa no final do campo com um aparelho “fixe mas, em última instância, decorativo” —, Aidan teve a sorte de conseguir avançar com o projecto e torná-lo realidade. Coby Unger, do programa “Artist in Residence” da empresa de software de design 3D Autodesk, “ofereceu-se para ajudar no desenvolvimento de uma versão funcional do novo braço de Robinson, utilizando os recursos lá disponíveis”, continua a “The Atlantic”.

Prótese acompanha o crescimento

Coby Unger trabalhou, assim, numa versão do protótipo que pode ser adaptada à medida que Robinson cresce, recorrendo a materiais disponíveis em lojas de ferragem e de desporto. A mão de Lego em tamanho real apresentado no campo de férias “foi transformada numa mão de gancho” com o mesmo mecanismo de ligação dos tijolos Lego: assim, o menino pode desenvolver novas ligações a partir dos famosos brinquedos.

O artigo da “The Atlantic”, assinado por Victoria Chao, aponta ainda algumas estatísticas referentes aos Estados Unidos: todos os anos, uma em casa 2000 crianças nasce sem parte das mãos ou dos braços. Um aparelho como o que Aidan Robinson e Coby Unger desenvolveram é visto como “um sinal de que a indústria de próteses está a mudar” — e o seu design vai estar disponível, ainda durante o mês de Novembro, para “download” na plataforma Instructables, para que todos os que tenham uma impressora 3D o possam replicar.

 

 

 

Esta mão artificial foi produzida numa impressora 3D

Novembro 17, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do P3 do Público de 11 de Novembro de 2013.

O pai de Leon McCarthy, um menino que nasceu sem os dedos da mão esquerda, desenhou e “imprimiu” uma mão biónica “low cost” para o filho

Texto de Daniel Cerejo/JPN

Foi o pai de Leon McCarthy,  jovem que nasceu sem os dedos da mão esquerda, que desenhou uma mão biónica para o filho. Mas foi a impressão 3D que possibilitou esse sonho, a um custo acessível.

Foi ainda na barriga da mãe de Leon McCarthy que começou esta história com final feliz. Até pode parecer que não, mas sim, tudo acabou bem. Pode parecer que não, porque há 12 anos atrás Leon desenvolvia-se na barriga da progenitora com uma malformação. Os dedos da mão esquerda teimavam, eles sim, em não se desenvolver.

Leon veio ao mundo, cresceu e, até há bem pouco tempo, teve uma infância algo diferente da dos demais amigos. Não podia andar de bicicleta, praticar determinados desportos e fazer algumas actividades que, para qualquer outra pessoa, são consideradas básicas. Paul McCarthy, o pai, acompanhou o crescimento do filho com mágoa. O facto de se ver impotente para dar a Leon aquilo que lhe fazia falta assombrava os seus dias, ou não custasse uma mão biónica — a única coisa que poderia solucionar o problema do filho — cerca de 20 mil euros.

No entanto, depois de várias pesquisas na Internet sobre o tema, Paul encontrou ali o trabalho de Ivan Owen, um inventor que vinha desenvolvendo experiências no campo das próteses tecnológicas, disponibilizando-as online na forma de vídeos e outras instruções, tais como o design das peças. Paul McCarthy não hesitou. Pediu autorização a Ivan, para usar aquelas guias, e começou a desenhar uma mão biónica para o filho.

Depois de concluída essa fase, Paul comprou alguns materiais que pudessem compor a mão e recorreu a uma impressora 3D para a materializar. Os materiais custaram-lhe 7,5 euros, a impressora cerca de 1500. A conclusão é simples: tudo saiu muito mais em conta a Paul McCarthy do que se tivesse recorrido a uma prótese profissionalmente concebida.

Hoje, o pequeno Leon McCarthy é um dos jovens mais idolatrados na escola, onde lhe chamam de “cyborg”, algo que Leon considera “cool”. “Fazer os nossos filhos felizes é a coisa mais recompensadora do mundo, não?”, diz Paul McCarthy, sem dúvida um dos pais mais felizes do mundo, actualmente.

 

 

Associação Salvador distingue prótese para crianças

Março 2, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 22 de Fevereiro de 2011.

Foto Expresso

Foto Expresso

 

Carlos Abreu

Organização criada em 2003 por Salvador Mendes de Almeida premeia tecnologia made in Portugal para melhorar as condições de vida dos deficientes motores.

Talvez nunca tenha pensado nisto, mas uma criança a quem tenha sido amputada uma perna terá de trocar a prótese diversas vezes durante o seu crescimento. Para além de ser caro, a adaptação é quase sempre um processo penoso.

Sensibilizados com o problema, dois jovens estudantes de mestrado do Instituto Politécnico de Leiria, João Leite e João Ferreira, conceberam uma prótese que visa acompanhar o crescimento de crianças amputadas. Um projeto agora distinguido com o prémio “Ser Capaz – Inovação e Tecnologia”, uma iniciativa da Associação Salvador .

A organização fundada em 2003 por Salvador Mendes de Almeida, tetraplégico aos 16 anos em consequência de um acidente de viação, pretende desta forma estimular a investigação na área da reabilitação psicomotora.

Nesta primeira edição do prémio, o júri composto por António Câmara (YDreams), Fernando Lobo (Universidade do Algarve) e Salvador Mendes de Almeida, distinguiu ainda mais dois projetos: um dispositivo que permite alcançar pequenos objetos, como por exemplo um molho de chaves de Luís Alexandre e Diogo Correia (Universidade da Beira Interior), e um sistema que acende a luz de um quarto assim que a pessoa entra e apagá-la, quando sai. Um trabalho de Flávio Rosa Soares, aluno do Instituto Politécnico de Leiria.

O prémio “Ser Capaz – Inovação e Tecnologia” contou com o patrocínio dos mecenas da Associação Salvador, Banco Espírito Santo e Semapa. As candidaturas para a segunda edição serão abertas em meados de Abril.


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