Carta ao aluno que não lê “Os Maias”

Dezembro 24, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Texto de Afonso Reis Cabral publicado na Visão de 6 de dezembro de 2018. Imagens da Visão

O escritor Afonso Reis Cabral, trineto de Eça de Queirós, escreveu para a VISÃO uma carta aos estudantes sobre o “calhamaço” publicado há 130 anos e ensinado nas nossas escolas. “Vês como respira? Como precisa de ti para sobreviver?”

O calhamaço que te obrigam a ler na escola está velho. Foi escrito há 130 anos (imagina a tua vida multiplicada por oito), é pois natural que te pareça demasiado pesado, um cadáver de papel do qual queres livrar-te o mais rapidamente possível. Mas atenção, tem calma. Pega-lhe com cuidado, sopesa-o na palma da mão como o telemóvel do qual dependes.

Vês como respira? Como precisa de ti para sobreviver?

Eu sei: a obrigação pesa. Só o facto de te meterem o livro à frente, de o analisarem contigo; pior, de o limitarem àquele tipo de estudo muito vazio que visa o exame, só isso já te estraga a vontade. A mim também estragou. Mas repara: o Eça não tem culpa de o submeterem à burocracia do ensino, de o terem posto nessa camisa de forças, e de te obrigarem a ti, que tens mais que fazer, a acatar ordens. Pensa que ele não escreveu para ti. Quer dizer, para te estragar a vida. Muito pelo contrário.

Talvez por te sentires encurralado, preferes trocar apontamentos nos corredores, pedir os esquemas ao idiota útil que até conseguiu ler a obra toda, ou, mais simples, talvez te decidas pelos primeiros cinco resultados no Google. Estes falam das características físicas e psicológicas das personagens, dão-te tabelas com datas, citações, resumos de cada capítulo, expõem a biografia do Eça – esse escanzelado de monóculo –, explicam a analepse inicial, sempre gigantesca, mostram laivos da vida no século XIX, e descrevem o virar do Romantismo para o Realismo. Mas que te interessa a ti como viviam as pessoas daquela época? De facto, concluis tu, só um parvo pode achar que este livro tem qualquer interesse.

Os bons professores libertam-se dos formalismos do ensino burocrático e são generosos a ponto de te mostrarem Os Maias a outra luz, apesar de perceberem que tentas ignorá-los. Querem mostrar-to não como livro-montanha, uma seca difícil de escalar, mas sim como porta para a descoberta.

Se te mantiveres na tua, até podes acabar o ano lectivo com uma nota decente no exame e a consciência tranquila. Mas confessa lá, sê honesto. Apesar dos muitos preconceitos, aposto que algures entre os teus afazeres já surgiu uma suspeita inquietante.

De noite, ouves um chamamento vindo da mochila onde esqueceste o calhamaço, como se este cantasse baixinho. Embora queiras rejeitá-lo, talvez acabes por aceitar, e ainda agora to disseram na aula de Português, que estás no limiar da tal descoberta.

Por isso levantas-te, resgatas o livro (sim, tem 130 anos mas aguenta-se firme enquanto o manuseias) e passas além de “A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na rua de São Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela casa do Ramalhete ou simplesmente o Ramalhete.”

Quando dás por ti, a obrigação de ler nada significa; depois de superares a primeira descrição mais longa, os diálogos mais enfadonhos, estás em pleno ritual de passagem, cativado por essa coisa maravilhosa e produtiva chamada curiosidade; quando chegas a meio, percebes que o medo do desconhecido, que até então te constrangia, caracteriza quem evita crescer; e ao acabares, até sorris num momento autodepreciativo próprio de quem é inteligente.

Descobriste que a ironia é uma forma de realçar incongruências (o “foi ali” de Alencar), que a cultura é insignificante se não entrarmos a fundo na vida (Carlos da Maia, a quem tudo foi dado, nada fez), que há sempre dois lados na mesma relação (os beijos da condessa de Gouvarinho a compensarem a indiferença de Carlos), que o humor ilumina os momentos mais tensos (Vilaça a buscar o chapéu em plena conversa difícil), e que a procura de projecção social sem substância é ridícula (quantos Dâmasos Salcede não existem no Instagram?), entre tantos outros exemplos.

Tal como te avisaram, percebes que ainda hoje muitas das pessoas que ali encontras se repetem, não porque a nossa sociedade seja igual à do século XIX, mas porque o ser humano continua o mesmo, e o Eça conseguiu captá-lo na sua universalidade.

Repara que nem falei de incesto. Mas se queres ir por aí, muito bem: vais encontrar dois irmãos na cama, sendo que um deles continua a deitar-se nela mesmo depois de saber a verdade. Deixo-te o spoiler porque a boa literatura não depende só do enredo.

Se ainda não estiveres convencido, asseguro que este livro, embora calhamaço, te vai dar simplesmente o prazer único e memorável de uma boa história.

Enquanto tens esse prazer, usas o melhor dos músculos. O mais potente. Exercitas o cérebro contra a superficialidade, conheces os fios que cosem o dia a dia, enriqueces o raciocínio – vais ganhando experiência. Na verdade, precisas de muitas vidas para viver a tua vida, e podes encontrá-las nos livros.

A tua obrigação não é para com a escola, os professores, a nota. A tua única obrigação é para contigo, para com o teu próprio crescimento, e obras como Os Maias e escritores como o Eça de Queiroz dão-te armas para o futuro.

Se suspeitares disto e mesmo assim decidires não ler, preferindo resumos que esquecerás logo depois do exame, paciência. Tu é que ficas a perder.

 

 

LER… Um verbo que devemos conjugar na prática – Eu leio, Tu lês… As crianças leem também!

Dezembro 17, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Imagem retirada daqui

Incentivar a leitura das crianças- como, porquê, para quê e quando?

Dezembro 11, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

AnnHe

Texto do site Uptokids

Hoje em dia há uma grande variedade na oferta de bens de consumo para as crianças, todos incluídos (embora às vezes até de forma errada) na categoria dos “brinquedos”. Entre jogos, bonecos, consolas, tablets e outros materiais aparentemente mais apelativos e que apresentam resultados mais imediatos, os livros foram perdendo o seu lugar de destaque entre o público infantil
e juvenil.

Daí a necessidade de voltar a aproximar crianças, jovens e famílias dos livros e das histórias e de criar nas crianças e jovens o hábito e o gosto pela leitura, ou o gosto e o hábito (nunca sei qual deve vir primeiro!) um dia de cada vez, todos os dias.

Como?

Proporcionar espaços e tempos propícios e prazerosos para a leitura;

Ter à disposição livros em quantidade e qualidade e adequados;

Conhecer o gosto da criança ou jovem e respeitá-lo sem nunca perder a perspectiva de que é o adulto que deve ter a última palavra na escolha;

Ler histórias com e para as crianças.

Porquê?

Porque estimular a leitura é importante desde cedo. Porque ao ler podemos viajar e conhecer o mundo sem sair do lugar. Porque é divertido.

Quando?

Desde cedo. Desde que a criança consiga manusear objectos na mão deve começar a contactar a ter contacto com os livros para que não sejam “objectos estranhos”. Antes da criança aprender a ler as palavras, ela vai aprender a ler imagens e o gosto pelos livros começa aí.

Para quê?

Para estimular a criatividade; desenvolver capacidades pessoais; promover o conhecimento e cultura geral; melhorar a expressão oral e preparar a escrita; influenciar estados de espírito; ajudar a lidar com emoções e sentimentos.

Os livros antigamente serviam exclusivamente para ensinar. Tinham como objetivo serem veículos de transmissão de informação, de morais e bons costumes. Hoje em dia já não é assim, o livro ganhou outro estatuto. Foi sofrendo transformações ao longo dos anos, dando-se cada vez mais importância ao carácter estético e lúdico. Encara-se o livro como um objeto com o qual se pode
estabelecer uma relação afetiva, com muito mais potencialidades do que apenas o ensino formal de conceitos, teorias e retificação de comportamentos.

Por todas estas razões e mais algumas que não me ocorrem neste momento, leiam… ontem, hoje e sempre!

image@AnnHe

 

 

Que livros para bebés dos 6 meses aos 2 anos?

Dezembro 8, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

DAT

Texto e imagem do site DAT de 15 de junho de 2018.

É frequente encontrar pais e professores a perguntar que livros são apropriados para o seu filho/aluno de determinada idade.

By João Manuel Ribeiro

Infelizmente não existe uma fórmula mágica, para esta pergunta. Quem nos dera! Damo-nos conta amiúde de que mesmo entre crianças da mesma idade há diferenças assinaláveis em termos de interesses, capacidades e experiências de leitura que se (co)relacionam com a personalidade, os gostos, o contexto (familiar e não só) e ainda com outros fatores. Se a isto juntarmos a constatação de que existem muitos e variados livros, resta-nos concluir que à resposta inicial só podemos responder, oferecendo considerações gerais e sugestões. São as crianças e os adultos que com eles privam quem melhor pode determinar as leituras adequadas para si.

O ideal seria ter, em termos de leitura, uma alimentação equilibrada e variada. Como uma dieta de leitura, com dois ingredientes que devem evitar-se: linguagem excessivamente difícil, narrativas excessivamente longas ou demasiado complexas.

Ler, folhear os livros que vamos oferecer/ler, saber se nos agradam a nós, pode ser a “receita” certa para nos ajudar na tarefa de escolher livros.

Assim, sem nos substituirmos aos leitores e acreditando no seu sentido crítico, deixamos algumas sugestões para bebés de 6 meses a 2 anos.

1 – Nesta fase da vida do bebé, é importante que o livro se faça presente como um objeto familiar, porque, para eles, os livros funcionam como uma presença física, um brinquedo para morder, apertar, chupar, mexer, passar as páginas. Juntamente com as rimas e as cantilenas, as histórias contadas no regaço, constituem o primeiro contacto afetivo e efetivo com a literatura.

  • Livros (não tóxicos) de cartão, plástico ou pano, de encadernação resistente e arredondado nas pontas.
  • Livros que o bebé possa levar à boca, manipular e/ou até usar no banho.

2 – Mais tarde virão os livros para reconhecer objetos familiares; quando o bebé identifica com o seu dedito o animal que está na ilustração do livro e o chama pelo nome, está a fazer a transição do físico ao mental. Nos livros mais complexos, os objetos familiares relacionam-se uns com os outros através das páginas.

  • Livros de imagens que retratem objetos e personagens próximas ao mundo do bebé, como os livros sobre brinquedos, alimentos ou animais.

3 – Depois da etapa de identificação podem introduzir-se os livros com alguma trama: o animal é agora o protagonista de uma história simples com princípio, meio e fim.

  • Livros ilustrados que incluam as primeiras histórias de forma ágil, muito breve e simples.
  • Rimas infantis e cantilenas breves, narrativas simples para ler ao colo ou no regaço

 

 

A criança para ler – Miguel Esteves Cardoso

Dezembro 5, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Artigo de opinião de Miguel Esteves Cardoso publicado no Público de 22 de novembro de 2018.

A única maneira segura de pôr uma criança a ler para o resto da vida é ver os pais constantemente a ler. Não gostam de ser interrompidos porque gostam de ler.

A única maneira segura de pôr uma criança a ler para o resto da vida é ver os pais constantemente a ler. Não gostam de ser interrompidos porque gostam de ler.

Assim a criança vê os livros como um prazer adulto. Ler como andar e falar é uma coisa que consegue fazer quase tão bem como os mais velhos. E, tal como andar e falar, a criança depressa repara que está sempre a melhorar, para mais a um ritmo agradavelmente rápido.

A criança deve descobrir a leitura sem sermões sobre o lindo que é ler ou exortações agressivas a ler ou ficar burro toda a vida.

Aquilo que se descobre nos livros é uma maneira de fugir às ordens e desejos dos nossos pais. Os pais querem impingir-nos livros bons, artísticos e poéticos, cheios de lições de vida.

Lembro-me perfeitamente do prazer de descobrir os livros do William escritos por Richmal Crompton que se tornou a minha primeira escritora preferida. William era desobediente, mentiroso, ladrão, megalómano, vaidoso e azarado. Era o meu herói.

Quando Tom Sawyer e o Huckleberry Finn abriram a minha imaginação ao mundo eu recebi-os como extensões gloriosas do William. Se tivesse começado como os meus pais queriam teria lido devagar e sem urgência porque o texto era difícil de mais para a minha idade e para o meu apetecimento.

Ao fingirem que não gostavam das minhas leituras os meus pais souberam viciar-me nos livros. Era eu que os escolhia e era através deles que eu fugia para um mundo onde não havia regras e onde as famílias eram coisas chatas que nos atravancavam as vidas.

 

Pôr os miúdos a ler? “Contem-lhes histórias”, diz Mia Couto

Novembro 6, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Entrevista da Sábado a Mia Couto no dia 22 de outubro de 2018.

Mia Couto diz que é pela oralidade que os pais vão conseguir levar as crianças até aos livros. Com mais uma obra infantil a chegar às livrarias, o escritor explica-nos como cria histórias.

Nunca escreve a pensar que os leitores são crianças. Diz que escreve para “conversar com as vozes” que tem dentro de si. Mia Couto tem um novo livro A Água e a Águia, editado pela Caminho, e com ilustrações Danuta Wojciechowska.

Desta vez, no seu quinto livro infantil, acompanhamos as grandes águias que sobrevoam a terra e pelo meio aprendem-se letras. Mais uma fábula carregada de imaginação e de uma relação próxima com a terra. Lê-se no livro: “Foi então que a mais velha das águias juntou toda a comunidade e perguntou: – Sabem o que é a letra i? Uma disse: é um pau espetado no abecedário. Outra disse: é um dançarino com um chapéu alto.”

Mas numa altura em que os tablets e telemóveis ocupam muitas vezes o lugar principal no entertenimento, como se incentiva à leitura? O escritor, de 63 anos, vencedor do Prémio Camões, em 2013, defende que é primeira pela oralidade, pela rotina de contar histórias, que se vão conquistar os miúdos. Criar o hábito da leitura terá de ser pela sedução.

Como surgiu a ideia para escrever o livro A Água e a Águia?
Os livros não me surgem nunca a partir de uma ideia claramente definida. Não seguem assim um propósito consciente. Deve haver, no início, uma história ainda informe mas com suficiente sedução para que eu queira saber mais. Neste caso concreto, os bichos que tanto fazem correr palavras nas histórias de infância surgiam-me, desde logo, como os donos dessas palavras, dessas letras. Havia portanto uma instigante inversão entre os lugares conferidos ao que é humano e não humano.

Neste livro brinca com as letras, foi uma escolha consciente de ensinar letras?
Não, não houve um propósito didático. Não sei manter essa relação funcional com a escrita. A história pode e deve ensinar se ela for bonita e for capaz de encantar.

Há personagens que resultam melhor em livros infantis do que outras? Por exemplo, usa muitas vezes animais.
Não sou eu que o faço. É pratica velha e comum a todas as culturas a criação e de fábulas para reproduzir saberes e atitudes. Desde sempre os animais nos ensinam a ser mais humanos.

É diferente escrever livros infantis ou para adultos? 
Tenho uma enorme dificuldade em fazer essa distinção. E confesso mesmo que não sei exatamente o que é “escrever para crianças”. Talvez porque toda a escrita tem esse apelo de me remeter para a minha própria infância.

Como escolhe os temas para os livros infantis?
Sou eu que sou escolhido. Acredito que haja autores que fazem um plano e uma construção antecipada da história. Não tenho essa competência. A história vai-se revelando à medida que a escrevo. E enquanto vou escrevendo vou sabendo também mais de mim mesmo.

Quando os escreve imagina um leitor tipo?
Não. Escrevo para conversar com vozes que há dentro de mim.

Hoje é mais difícil pôr as crianças a ler do que quando começou a escrever livros infantis? Porquê?
Não sei comparar. Eu tive sorte, nasci numa casa em que, mais do que um poeta, vivia a própria poesia. Apesar das estantes forrarem as paredes da minha infância, os livros vieram até mim por via de vozes. Eu escutava histórias que os meus pais contavam. E ouvi muito discos com poetas declamando os seus próprios versos. Insisto muito nisto: os meninos chegam à escrita por via da oralidade. Contem-lhe histórias e, mais do que isso, valorizem o seu papel como autores de histórias.

Como é que se tira os miúdos da frente dos tablets e dos telemóveis?
Só por ser por via da sedução. Uma posição normativa – mesmo que se apresente necessária – não resolve o fundo da questão. Muitas das vezes os pais deixaram de estar presentes e deixaram de ter tempo para brincar com os filhos. Não são apenas a leitura e os livros que faltam. É uma relação familiar diferente, mais divertida, mais produtora de encantamentos. Os pais não brincar com os filhos para os divertirem. Devem-se divertir-se na mesma medida. As crianças sentem a incapacidade de os pais retornarem à infância. Vivemos um tempo em que os avós, os tios e toda a família alargada deixou de habitar o mesmo espaço. Há que saber vencer essas ausências por via de outros modos de estar presente.

Qual era o seu livro preferido em criança?
Platero e Eu, de Juan Ramon Jimenez. Porque aquele burrinho que vivia no livro passeava pelos meus sonhos.

Link para o livro:

http://caminho.leya.com/pt/infantil-juvenil/7-9-anos/a-agua-e-a-aguia/

 

 

8 livros para as crianças lerem antes do regresso às aulas

Agosto 31, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Texto da Evasões de 25 de agosto de 2018.

Cláudia Carvalho

As férias já vão longas e é preciso começar a preparar mais um ano. Porque não pô-los a ler banda desenhada e livros ilustrados? Dos grandes nomes da filosofia à história dramática de Anne Frank, do inventário ilustrado de aves a um guia para descobrir a natureza, as propostas são muitas e variadas.

Banda desenhada, rock, viagens, botânica, natureza ou História… São múltiplos os temas abordados nestes 8 livros ideais para pôr as crianças a ler (e a aprender) enquanto não chega o dia do regresso às aulas de mais um ano letivo. Tome nota das sugestões percorrendo a fotogaleria acima.

 

Bibliotecas de Verão em Portugal – Praias, piscinas e jardins

Agosto 17, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Mais informações sobre as bibliotecas no link:

http://bibliotecas.dglab.gov.pt/pt/noticias/Paginas/Bibliotecas-de-Verao-2018.aspx

O que fazer para que os nossos filhos tenham prazer a ler livros?

Agosto 14, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

Texto e imagem da Activa de 30 de julho de 2018.

Pedimos estratégias com provas dadas a uma investigadora em educação, a pais, e sugestões de leitura a crianças. Era uma vez…

Gisela Henriques

“Carolina, queres ler este livro?” Andreia Santos já perdeu a conta às vezes que fez esta pergunta à filha de 8 anos, cuja resposta oscila entre um encolher de ombros desinteressado e um redondo ‘não’. Carolina cresceu numa casa cheia de livros e adormecia com histórias contadas pelos pais, que adoravam ler. É-lhe familiar? Não está sozinha, bem-vinda ao (cada vez maior) clube de pais desesperados porque os filhos não acham piada aos livros. A parte preocupante é que os miúdos, ao privarem-se do mundo maravilhoso dos livros, não usufruem dos enormes benefícios que eles nos trazem: informam, enriquecem o vocabulário, estimulam a criatividade, a imaginação, o raciocínio, reduzem o stresse, ajudam-nos a criar empatia com os outros e está provado que ler por prazer é mais importante para o sucesso escolar que a riqueza ou a classe social a que a família pertence. Com tantas vantagens, vale mesmo a pena despertá-los para o prazer da leitura.

Tanta coisa interessante, tão pouco tempo livre

Sempre houve crianças que fugiam dos livros a sete pés mas nos últimos anos o problema parece ter alastrado. Lourdes Mata, professora e investigadora no Centro de Investigação em Educação no ISPA – Instituto Universitário, não tem dúvidas quanto às razões deste desinteresse, “agora as crianças têm múltiplas solicitações, outro ritmo de vida e estão rodeadas de coisas interativas e que despertam mais curiosidade: a televisão tem desenhos animados 24h por dia, vivem rodeadas de tablets, telemóveis… Outro dos problemas tem a ver com a escola, que se tem preocupado muito em ensinar a ler e a escrever mas pouco em motivar as crianças e a alimentar a curiosidade por histórias. Assim que entram no 1.º ciclo deparam-se com a enormidade das tarefas que têm para fazer e a leitura de livros acaba por se tornar mais um TPC. Há uns anos fizemos um estudo com crianças que foram do pré-escolar para o 1.º ano de escolaridade e verificámos que além da motivação para a leitura diminuir, o tempo que as famílias dedicavam à leitura de histórias decrescia drasticamente porque há outras tarefas ligadas à escola que são mais valorizadas. É esta perda de práticas de literacia em família que não pode acontecer”.

Pequenas estratégias para grandes leitores

Mesmo que o seu filho já tenha 8-10 anos e não goste de ler, não dê a batalha como perdida. “Vai ser difícil convencê-lo – porque muitas crianças não associam a aprendizagem a coisas agradáveis –, mas não impossível”, afirma a professora e investigadora Lourdes Mata.

  • Faz o que eu faço. Não pode estar à espera que ele seja um bom leitor se nunca vê os pais a ler.
  • Leia-lhe histórias mesmo que ele já saiba ler sozinho. Sentem-se lado a lado, abram o livro e cada um lê uma página. A leitura partilhada, em família, é a base para criar um leitor apaixonado por livros.
  • Deixe-o escolher a história. Mesmo que seja infantil para a sua idade, ou uma BD, não critique, “é porque se sentem mais confiantes naquele formato. Há crianças que se assustam só de olhar para uma página cheia de texto, para elas é um sofrimento”. Ah, e nada de livros da escola.
  • Não o obrigue a ler na hora dos desenhos animados favoritos senão vai pensar que é uma punição.
  • Crie a lagarta dos livros. Por cada livro já lido, escreva o título num círculo em cartolina e cole na parede do quarto. A ideia é fazer uma lagarta gigante.
  • Saibam tudo sobre o Ronaldo. Se ele gosta muito de um futebolista, porque não leem as notícias desportivas de um jornal?
  • Leiam sempre o livro antes de ver o filme (‘Charlie e a Fábrica de Chocolate’, ‘Matilda, ‘Rapunzel’, ‘Crónicas de Nárnia’, ‘Crónicas de Spiderwick’). Depois digam o que gostaram mais ou menos no livro e no filme.
  • Sugira que ele leia livros para os irmãos ou primos mais novos.
  • Façam um audiolivro e ouçam a gravação nas viagens.
  • Ler para uma plateia de 4 patas. As crianças sentem-se mais confiantes quando leem para cães e gatos, eles não criticam, limitam-se a ouvir. “Estive envolvida num projeto com a Câmara de Silves, chamado ‘Cãofiante’, em que um cão servia de elemento motivacional para as crianças aderirem à leitura. Os miúdos adoraram, estavam o mês inteiro à espera do dia em que liam para o cão na biblioteca. No fim da sessão, faziam-lhe festinhas e escolhiam um livro para levar para casa e ler em família”.
  • Formem um clube de leitura com os amigos: podem discutir as personagens favoritas, o que não gostaram… Os pais não devem interferir.
  • Não obrigue a ler até ao fim se ele não gostar do livro. Vão à biblioteca e explorem temas diferentes.
  • Façam um diário de férias. “Não tem de escrever todos os dias e pode incluir o bilhete de cinema, do museu, fotos que tenha tirado. Algumas impressões sobre a experiência e pronto”, aconselha Lourdes Mata.
  • Façam de turistas na própria cidade (ou fora dela). Podem ir ao posto de turismo e depois ele que leia os locais de interesse a visitar.
  • Peça-lhes para tomar nota da lista de compras.
  • Façam um bolo e peça para ler os ingredientes e a preparação.

 

 

Como pôr os miúdos a ler

Julho 23, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Josh Applegate

Texto do MAGG de 12 de julho de 2018.

Ana Roque

Tornar um livro atrativo pode não ser tarefa fácil, sobretudo se estivermos a falar de crianças. Fomos pedir ajuda a quem sabe.

Um livro pode muito bem ser um amigo, e não só pela companhia que nos faz – também pede tempo e muita dedicação. Mas o YouTube é mais rápido, e as séries, assim como assim, também contam uma história. Pôr os miúdos a ler pode ser díficil, e até já foi mais fácil fazê-lo com os adultos. Para nos ajudar com esta tarefa, recrutámos uma mãe, uma psicóloga e uma professora de Português.

Sónia Morais Santos, autora do blog “Cocó na Fralda” e mãe de quatro filhos, acredita que “há livros que não podem passar ao lado de certas idades”, e que ninguém vai ler “Os Cinco” aos quarenta anos. Ao perceber que, para além de terem crescido num ambiente em que os livros não são (nem nunca foram) estranhos, os filhos não pegavam num livro por iniciativa própria, tomou uma atitude – há cerca de um ano e meio, criou um “clube de leitura” em casa.

Todos têm de ler um livro por mês (os pais também), e todos os meses há uma tertúlia em que cada um faz uma apresentação do livro que leu – e não, não pode ser um resumo encontrado no Google. Quanto aos livros, num mês escolhem os pais, noutro escolhem os filhos. Tudo para evitar “escolhas duvidosas”.

Quem não ler o livro do mês, fica sem acesso a tablets, computadores e telefones, no mês seguinte. A questão da obrigatoriedade da leitura não preocupa a blogger, que acredita que este tipo de leituras “pode começar como uma obrigação, mas acabar por derivar num prazer”. Deu, como exemplo, o filho mais velho, que já toma a iniciativa de procurar livros, e cada vez mais complexos.

Para Rita Castanheira Alves, a história não é bem assim. A psicóloga clínica infanto-juvenil e de aconselhamento parental disse à MAGG que “ler por obrigação pode resultar, mas só até uma certa idade”, e que os hábitos de leitura deverão ser incutidos de forma gradual, sem exigências nem imposições, uma vez que obrigar as crianças a ler pode impedir o desenvolvimento do gosto pela leitura.

“A leitura deve produzir prazer, e não stress. As respostas químicas cerebrais são diferentes para os dois casos. Se a leitura produzir prazer, há mais probabilidade de ser um escolha repetida pela criança, pela vida fora”

Mas há uma distinção a fazer: uma leitura que resulte, não de uma imposição, mas de uma negociação com os pais, pode derivar num gosto real pela leitura. É importante que ela esteja associada a memórias e momentos bons, e por isso mesmo, um castigo terá sempre menos sucesso, se o objetivo for o de fazer dela um hábito.

Os livros devem entrar na vida das crianças mesmo antes de elas saberem ler

A “Psicóloga dos Miúdos” sugere que se coloquem livros adequados a cada faixa etária (desde sempre) perto das crianças, começando com os indicados para os mais novos, com poucas palavras e muitas ilustrações – é importante que os livros não sejam um objeto estranho. Mais tarde, o momento da história para adormecer também é crucial, mas tem de haver um envolvimento da criança com a leitura – uma leitura interativa, em que se dá atenção não só ao que está escrito, mas também às imagens, e em que se fazem perguntas sobre a história.

Para os mais crescidos que não tenham adquirido hábitos de leitura, também há soluções: ler revistas, artigos de jornal, visitar bibliotecas e livrarias ou falar sobre livros.  Os pais têm um papel preponderante – podem ajudar na escolha dos livros, tentando sempre ir ao encontro dos interesses dos filhos, e dando-lhes a conhecer livros que eles próprios tenham gostado naquela idade.

Salomé Carvalho, professora de Português do primeiro ciclo do ensino básico (num colégio), disse à MAGG que, no que toca a incentivar as leituras, o professor da língua materna tem um papel determinante, mas “não há nenhuma fórmula. Era bom que houvesse”.

“As crianças leem pouquíssimo. Cabe aos professores e aos familiares facilitar o acesso à leitura, e incentivá-la.”

Antes de começar a ler um livro, será uma boa estratégia explorá-lo enquanto objeto. Tal como Rita Castanheira Alves, a professora acha importante que o livro não seja algo estranho. Por isso, deve perder-se tempo a explorar a capa, as ilustrações, o título e nome dos capítulos. Fazer de tudo para que haja interesse pelo livro, mesmo antes de se iniciar a leitura.

Depois, também a família pode ser um excelente facilitador de leitura. É boa ideia que haja leituras em conjunto, feitas em voz alta, e a terminarem precisamente naquele momento em que toda a gente quer saber o que vem a seguir. Tal como nas séries, é também isso que nos mantém presos: a curiosidade.

No que toca à escolha dos livros, Salomé Carvalho avançou que “quando queremos pôr alguém a ler, é importante escolher o livro certo. Se estivermos a falar de crianças, devemos ter sempre em mente que elas continuam a ser crianças, e a adorar clichês.

 

 

« Página anteriorPágina seguinte »


Entries e comentários feeds.