Quatro mil crianças não são vacinadas anualmente em Portugal

Janeiro 18, 2017 às 11:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 17 de janeiro de 2017.

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Sofia Salgado Mota segue o Programa Nacional de Vacinação com a filha, Carlota, e já fez o mesmo com o filho mais velho. Também dá as vacinas sugeridas pelo pediatra. Acredita que vacinar é proteger | Miguel Pereira / Global Imagens

Pediatras garantem que as vacinas são seguras e eficazes. Em Portugal, 95% dos jovens são vacinados. Há quem não veja benefícios

“Por que razão hei de empestar o corpo das minhas filhas?” Paulo, 50 anos, não vacinou nenhuma das duas filhas, agora com 13 e 8 anos. Se tivesse um terceiro filho, seguiria o mesmo caminho. “Dar vacinas seria destruir o sistema imunitário delas”. Já Sofia Salgado Mota, mãe de Rui, de 21 anos, e Carlota, de 2, tem uma posição diferente. “As crianças contactam diariamente com diversos vírus, principalmente quando estão inseridas em contexto escolar. Vaciná-las é protegê-las”.

Como se pode ver, a vacinação não é uma questão consensual. Em Portugal, embora não seja obrigatória, é uma opção para 95% dos pais e é “altamente recomendada” pelos pediatras. Contudo, há uma minoria que prefere não imunizar os filhos. Analisando os números mais recentes, a atendendo às estimativas da Direção-Geral da Saúde, ficam por vacinar cerca de 4000 crianças por ano. Em 2015, por exemplo, nasceram 85.500 bebés, o que quer dizer que 4275 não foram vacinados.

Na semana passada, o assunto voltou a estar em discussão, depois de o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, se ter reunido com Robert F. Kennedy, um ativista antivacinas, que nomeou para presidir uma comissão sobre a segurança da vacinação nos EUA. Isto depois de, em 2015, ter dito que as vacinas infantis causam autismo. Uma ideia disseminada após a publicação de um artigo na revista Lancet, em 1998, que mais tarde foi considerado uma fraude.

“Nenhum estudo feito posteriormente comprovou essa associação”, destaca Luís Varandas, diretor da Sociedade de Infecciologia Pediátrica da Sociedade Portuguesa de Pediatria. Embora nos Estados Unidos e em alguns países da Europa a moda antivacinação esteja a causar alarme, por cá esses movimentos não têm grande expressão. “Até hoje, só tive dois pais que não quiseram vacinar. E eu não quis seguir as crianças, porque, embora até possa perceber que não o queiram fazer, é uma questão de saúde pública”, refere o pediatra.

Apesar de as escolas verificarem o boletim de vacinas quando as crianças se matriculam, em Portugal, a vacinação não é obrigatória. “Essa é uma falsa crença. Mas as vacinas são altamente recomendadas”, diz ao DN Luís Varandas, acrescentando que não conhece pediatras que não aconselhem as vacinas incluídas no Programa Nacional de Vacinação (PNV).

Para Sofia, autora do blogue Pedaços de Nós, “a vacinação é a proteção ideal para as doenças, muitas vezes a única.” E muitas doenças “já não se manifestam porque quase todas as crianças estão vacinadas.” Luís Varandas confirma: “Se não há uma grande percentagem de pessoas vacinadas, as doenças regressam. A imunidade de grupo só existe se as pessoas continuarem a ser vacinadas.” Além da varíola, que foi erradicada, o sarampo, a poliomielite, a rubéola, a difteria e o tétano neonatal já foram eliminadas em Portugal, mas podem ser contraídas fora do País. “Já tivemos casos de sarampo importados e só não houve surto porque as crianças estão vacinadas”. Numa comunidade onde não estão imunizadas, pode surgir uma epidemia.

Celeste Barreto, diretora do serviço de pediatria do Hospital Santa Maria, só se recorda de acompanhar duas famílias que, nos últimos anos, não quiseram vacinar. E uma delas voltou atrás na decisão. “O filho de um amigo ficou doente e decidiram começar a vacinar”. A pediatra é “da época em que não havia vacina da Meningite C”, por exemplo, e “a diferença para os dias de hoje é abismal”. “O número de casos era significativo e os quadros eram gravíssimos”.

Milhões de mortes evitadas

De acordo com a OMS, as vacinas evitam anualmente a morte de três milhões de pessoas. O pediatra Mário Cordeiro acredita que “muitas pessoas não têm uma pálida ideia da importância da vacinação e dos milhões de vidas que as vacinas já salvaram.” Cinquenta e dois anos após a criação do PNV, “já se tornou um hábito e desvalorizamos o assunto, o que não acontece nos países menos desenvolvidos”.

Mário Cordeiro já conheceu muitos pais que não quiseram seguir o PNV, mas diz que continuam a ser a minoria: “Respeito as decisões mas pretendo que saibam a responsabilidade que assumem e tento desmistificar o que os assusta: um misto de ‘complô das multinacionais’ e teorias da conspiração, ou que as doenças são inventadas. Não são! [..] As doenças matam, as vacinas salvam”.

Vírus em constante mutação

Paulo é um nome fictício, porque este pai considera que a sociedade não aceita a sua decisão. “Incutiu-se o medo que a criança pode morrer se não for vacinada”. Uma das razões que o leva a não imunizar as filhas é o facto de os vírus estarem “em constante mutação”. “Quanto te infeta, já está alterado. Podes sofrer menos danos, mas serás infetado na mesma. E entretanto já colocaste veneno no corpo”. Por outro lado, considera que estaria a destruir o sistema imunitário das filhas. Mas a forma como as vacinas mexem com o sistema imunitário, esclarece Mário Cordeiro, é a “forma como mexem as dezenas e dezenas de microrganismos com os quais os nossos filhos contactam todos os dias, connosco, com a família, no infantário e escola.”

O PNV inclui 12 vacinas, universais e gratuitas. Além dessas, existem outras recomendadas pelos pediatras, mas cujos custos são suportados pelos pais. Sofia Salgado Mota dá todas à filha mais nova, Carlota, e, enquanto educadora de infância, apercebe-se que a maioria dos pais tenta fazê-lo. “Quando não o fazem é porque a nível financeiro não conseguem”. A vacina contra a meningite B, por exemplo, custa quase 100 euros.

Tal como Paulo, Maria (nome fictício), 47 anos, também escolheu não vacinar a filho, de 6 anos. “A vacinação está a ser feita de forma estandardizada, mas as necessidades, os ambientes e as pessoas são diferentes”. Adepta de “coisas mais naturais, sem muitos químicos”, leu diversos livros e estudos antes de seguir este caminho. Ao DN, destaca argumentos que leu repetidas vezes: “Alguns efeitos secundários eram unânimes: as alergias, o autismo, a toxicidade cancerosa.” O desconhecimento face à composição da vacina e o enfraquecimento do sistema imunitário ajudaram a suportar a decisão. Ainda colocou a hipótese de escolher apenas algumas vacinas, mas o PNV “não prevê o meio-termo”. Eficácia e segurança garantidas

De uma maneira geral, as reações adversas da vacinação não são graves. O pediatra Hugo Rodrigues considera que as pessoas que não seguem o PNV “só têm coragem de o fazer porque a taxa de vacinação em Portugal é elevada”. Testadas durante anos, “as vacinas são seguras, muito eficazes e não matam”. Basta olhar para “a descida a pique na mortalidade infantil nas últimas décadas”. “A mudança é radical e benéfica, por isso custa a perceber esta onda antivacinação”.

O pediatra Gomes Pedro também defende que “as vacinas são fundamentais”, pois “protegem contra infeções que não podem ser evitadas de outra forma”. Tal como Mário Cordeiro, gostaria de ver incluídas no PNV as vacinas antirrotavírus e antimeningite B: “Faço um grito de alerta para que o País garanta a sua comparticipação.”

 

Vacinas devem ser obrigatórias para ir à escola?

Setembro 14, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto publicado no  https://www.publico.pt/ de 4 de setembro de 2016.

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David Marçal

Há coisas inacreditáveis que são mesmo verdade e outras que parecem certas mas que não resistem a uma análise crítica. As doenças infecciosas hoje assustam menos do que antes e muitas pessoas consideram que não vacinar é uma escolha legítima. A sério?

Em Portugal não é obrigatório ter as vacinas em dia para ir à escola. Apesar disso, todas as vacinas do Plano Nacional de Vacinação têm taxas de adesão acima dos 95%. Como esta elevada cobertura vacinal protege toda a gente, somos, por assim dizer, um paraíso para crianças não vacinadas. Mas estas não contribuem para a imunidade de grupo e estão, por assim dizer, à boleia das vacinas dos outros. Nalguns países há comunidades com taxas de vacinação perigosamente baixas, porque os pais recusam vacinar os filhos. Acreditam que as vacinas lhes fazem mal ou simplesmente que não são precisas. Por vezes as autoridades tomam medidas para impor as vacinas. Como se equilibra a liberdade de escolha dos pais, o direito à saúde dos filhos e a responsabilidade de contribuir para a segurança colectiva?

Velhos argumentos

Na edição de 2 de Janeiro de 1888 da revista Scientific American dava-se conta do sucesso de um grupo antivacinas, que logrou revogar uma lei de vacinação obrigatória contra a varíola que vigorou em Zurique durante vários anos e até 1882. O argumento era estarrecedor: não tinha havido nenhum caso da doença na cidade em 1882. Nos anos seguintes as mortes por varíola voltaram.

Cem anos depois, os programas de vacinação intensivos acabariam por erradicar a doença. O último caso ocorreu em 1977 e hoje podemos dizer que a varíola “foi” uma doença contagiosa. É um exemplo que atesta o sucesso das vacinas. Curiosamente, é esse sucesso, e a segurança que as vacinas conferem, que abre espaço aos movimentos antivacinas. Estes tiveram um importante impulso em 1988 com a publicação de um artigo na prestigiada revista médica The Lancet, da autoria do médico Andrew Wakefield, no qual se defendia que a vacina tríplice (contra o sarampo, a papeira e a rubéola) causava autismo. Era uma fraude. Descobriu-se que Wakefield foi pago para falsificar os dados clínicos e em 2012 a revista Time incluiu o seu nome na lista das maiores fraudes científicas de sempre.

Mas os movimentos antivacinas continuam de boa saúde. E Wakefield, embora desacreditado na comunidade científica, também. Realizou recentemente o filme Vaxxed, no qual alega a existência de uma grande conspiração para esconder que as vacinas causam autismo. O filme foi apadrinhado pelo actor Robert De Niro, que atribui o autismo do filho à vacina tríplice. Mas o medo do autismo já não é a razão principal para recusar as vacinas.

Um inquérito publicado em Agosto último na revista Pediatrics revelou que 87% dos pediatras norte-americanos foram consultados em 2013 por pais que recusam vacinar os filhos (em 2006 eram 75%). Entre os pais que recusam vacinar, 64% fazem-no por medo do autismo (74% em 2006). Mas a razão principal é a mesma de Zurique em 1882: 73% dos pais antivacinas acreditam que elas não são necessárias (63% em 2006).

Imunidade de grupo

No mês passado, a australiana Sandra Tee colocou no Facebook um vídeo da sua bebé de cinco semanas com tosse convulsa. É uma infecção que pode causar a morte e a bebé é demasiado nova para ser vacinada. A mãe escreveu que “os bebés dependem da imunidade de grupo para estarem em segurança, o que não é possível sem taxas elevadas de vacinação”.

A recusa das vacinas é responsável por novos surtos de doenças infecciosas, anteriormente controladas. No ano passado surgiu o primeiro caso de difteria em Espanha desde 1987, que culminou com morte de um menino de seis anos. Como a segurança de todos depende de escolhas individuais, medidas para impor as vacinas são uma questão que se tem vindo a colocar em vários países.

O parlamento australiano aprovou recentemente uma lei que retira todos os apoios fiscais relacionados com educação a pais que não vacinem os filhos. Há estados norte-americanos em que algumas vacinas são obrigatórias para frequentar a escola pública, embora habitualmente estejam previstas dispensas por motivos religiosos ou pessoais. Mas, depois do surto de sarampo com origem na Disneylândia no início deste ano, que se deveu a baixas taxas de vacinação, essas isenções estão a ser abolidas. Os partidários antivacinas respondem com acções nos tribunais.

A Academia Americana de Pediatria recomendou há dias que se acabem com todas as isenções por motivos não médicos. E diz que é aceitável os pediatras retirarem da sua clínica famílias que não vacinem. A morte de um menino de 18 meses com sarampo em Berlim no ano passado desencadeou um debate sobre a obrigatoriedade das vacinas. A medida soa demasiado radical.

Mas, mesmo em países com taxas de vacinação elevadas, em determinados locais podem surgir comunidades em que estas são perigosamente baixas. E isso é um risco para todos. Nenhuma vacina é 100% eficaz e uma criança não vacinada pode contagiar uma vacinada. Ou uma pessoa que não se pode mesmo vacinar, por ser imunocomprometida. A segurança colectiva depende de elevadas taxas de vacinação. E talvez tenhamos de nos preparar para o debate da obrigatoriedade das vacinas.

Bioquímico

 

Mitos sobre a Vacinação – Informação da Direção-Geral da Saúde

Julho 2, 2015 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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dgs

Descarregar o Boletim Vacinação Nº 4 Junho 2012.

Mitos sobre a vacinação

mais informações sobre vacinação nos links:

http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/informacoes+uteis/vacinacao/vacinas.htm

https://www.dgs.pt/outros-programas-e-projetos/paginas-de-sistema/saude-de-a-a-z/vacinacao.aspx

 

Vacina Prevenar gratuita desde hoje – Medicamento grátis para crianças nascidas desde 1 de janeiro

Julho 1, 2015 às 11:22 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Correio da Manhã de 1 de julho de 2015.

A vacina Prevenar passa a partir desta quarta-feira a estar disponível gratuitamente nos centros de saúde, para todas as crianças nascidas desde 1 de janeiro deste ano, uma vez que foi integrada no Programa Nacional de Vacinação.

A vacina Prevenar previne doenças provocadas pela bactéria pneumococo, como a pneumonia, meningite, otite e septicemia, entre outras.

O esquema de vacinação recomendado fica completo com três doses da vacina, devendo ser administrada aos dois meses, quatro meses e 12 meses.

Comunicado da Direção-Geral da Saúde

Vacinação contra a doença pneumocócica Prevenar 13 Pn13

 

 

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