Metade dos alunos melhorou aproveitamento depois de a escola garantir pequeno-almoço

Julho 22, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 18 de Julho de 2013.

Programa Escolar de Reforço Alimentar (PERA)

Andreia Sanches

Programa Escolar de Reforço Alimentar resulta de várias parcerias com entidades públicas e empresas. E chegou a mais de dez mil alunos. Já foram assinados mais protocolos.

Muitas das crianças sinalizadas como precisando que a escola lhes garantisse o pequeno-almoço melhoraram o seu desempenho a partir do momento em que a primeira refeição do dia passou a estar assegurada. De acordo com os dados apresentados nesta quinta-feira, 50% dos 10.186 alunos abrangidos pelo Programa Escolar de Reforço Alimentar (PERA) viram o seu aproveitamento melhorar.

Em 37% dos casos não houve alteração em termos de aproveitamento escolar. Em 13% das situações o desempenho não melhorou, ainda segundo o balanço feito no Ministério da Educação e Ciência, em Lisboa.

O impacto no comportamento dos alunos abrangidos pelo reforço alimentar também foi medido: 42% revelaram melhorias; em 49% dos casos não houve alteração.

Ainda assim, as taxas de aproveitamento escolar entre os alunos abrangidos pelo PERA são mais baixas do que a média — 21% chumbaram. O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, diz que isto mostra como as “dificuldades sociais” têm impacto no aproveitamento. “Mas temos que lutar contra isso”, disse, e o PERA ajuda a “trabalhar nesse sentido”. Os últimos dados disponíveis no site do ministério mostram que em 2009/2010 a média nacional de retenção e desistência variou entre 7,6%, no ensino básico, e 18,9%, no secundário.

O projecto PERA foi criado em Setembro, na dependência directa do secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, para responder à “excepcionalidade do momento” que, nas suas palavras, o país atravessava. Havia mais crianças que estavam a ir para as aulas sem tomar o pequeno-almoço, relatavam as escolas.

Com uma duração prevista de dois anos lectivos, o objectivo essencial do PERA é “conciliar a educação alimentar com a necessidade de suprir carências alimentares detectadas em alunos” de escolas públicas.

Quase 400 escolas abrangidas
Neste que foi o primeiro ano de aplicação, o PERA chegou a 387 agrupamentos e escolas não agrupadas de todo o país. E abrange actualmente mais de 10 mil crianças e jovens de diferentes níveis de ensino não superior. Mas “muitos outros já passaram pelo PERA, tendo entretanto as suas famílias sido sinalizadas para o Instituto da Segurança Social, que as referenciaram para que pudessem receber apoio de instituições de solidariedade social e/ou os apoios sociais aos quais têm direito e para que o pequeno-almoço passasse a ser tomado em casa”, segundo o comunicado do ministério.

“O Ministério da Solidariedade e Segurança Social apoiou o programa também através da utilização das cantinas sociais pelos alunos durante os períodos de interrupção da actividade lectiva.”

Na base do PERA estão parcerias várias entre o Ministério da Educação e empresas de comercialização e produção de géneros alimentares, bancos alimentares contra a fome e instituições particulares de solidariedade social. O PERA não tem custos para o ministério.

Um outro protocolo assinado com a Associação Nacional de Municípios Portugueses permitiu garantir o transporte dos produtos para as escolas. E estas últimas, por sua vez, fizeram parcerias com as redes locais de acção social.

No final da apresentação do balanço, foram assinados protocolos com dez empresas do ramo alimentar (Jumbo, Sumol+Compal, Danone, Jerónimo Martins, Lactogal, Nestlé, Sonae, Dia, Lidl e E.Leclerc), uma empresa de transportes (Luis Simões, SA), empresas de outros ramos que quiseram apoiar o projecto através do pagamento de pequenos-almoços servidos nas escolas (Grupo Portucel Soporcel, Colomer Portugal e BP) e o Lions Club.

Nuno Crato agradeceu a colaboração dos que têm apoiado com alimentos e vão continuar, sobretudo numa altura “em que muitas empresas portuguesas não estão a viver os seus dias mais felizes”.

Escolas podem não ter sinalizado todos os alunos com carência alimentar

Julho 19, 2013 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 19 de Julho de 2013.

O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, admitiu que as escolas possam não ter tido este ano letivo a capacidade de identificar todos os alunos com necessidades alimentares, mas garantiu que, dos identificados, nenhum ficou sem apoio.

No final de uma conferência de imprensa para apresentar o balanço do primeiro ano de aplicação, nas escolas, do Programa Escolar de Reforço Alimentar (PERA), o ministro Nuno Crato admitiu também que, com maior vigilância, outros casos de necessidades alimentares entre os alunos podem ser detetados, garantindo apoio para todos.

“Não estou a prever maiores dificuldades para o próximo ano letivo, mas sabemos que há dificuldades que ainda não estão satisfeitas. Portanto, a maior colaboração de todos será essencial para alargar o programa a mais pontos do país. Nós esperamos que as escolas detetem essas necessidades e que haja sempre empresas que possam colaborar”, afirmou Nuno Crato.

O ministro sublinhou que “há uma ligação muito direta” entre uma má alimentação e os maus resultados escolares, referindo que um aluno mal alimentado é um aluno que “não está na posse de todas as suas faculdades”, nomeadamente a capacidade de concentração.

De acordo com os números apresentados pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), 79% dos alunos apoiados este ano letivo pelo PERA transitaram de ano, 50% dos alunos melhoraram o seu aproveitamento escolar e 42% tiveram melhorias ao nível do comportamento na sala de aula.

O programa que abrange o território continental de Portugal, que vai ter continuidade no próximo ano letivo, envolve parcerias entre o Ministério e diversas empresas de produção e distribuição alimentar, assim como empresas de transporte.

No ano letivo de 2012-2013 foram apoiados pelo PERA 10186 alunos de 387 agrupamentos e escolas.

O programa foi criado para colmatar situações de emergência de crianças que chegam à escola sem tomar o pequeno-almoço.


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