1ªs Jornadas do Centro de Estudos do Bebé e da Criança “Olhar a Primeira Infância” 4 de Junho na FCG

Maio 30, 2018 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A inscrição nas Jornadas tem o valor de 30€ e deverá ser feita através do link:

https://goo.gl/forms/7TM6ClDloIoGSbMG2

e o comprovativo de pagamento enviado para o e-mail:

jornadascebchde@gmail.com

mais informações no link:

http://www.spp.pt/eventos/default.asp?ida=1776

 

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Apresentação do “GABC – Apoio à Disseminação e Criação de Novos Grupos” dirigido a crianças com idades entre os 0 e os 4 anos e seus cuidadores – 18 maio na FCG

Maio 4, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrição:

https://www.tfaforms.com/4670158

Informações sobre o projeto:

https://gulbenkian.pt/project/playgroups-for-inclusion/

 

 

Os conselhos de Brazelton, da gravidez aos três anos

Maio 4, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://observador.pt/ de 14 de março de 2018.

Ana Cristina Marques

O homem que revolucionou a pediatria morreu esta quarta-feira aos 99 anos. T. Berry Brazelton deixa várias obras publicadas, incluindo “O grande livro da criança”, que aqui resumimos.

O pediatra T. Berry Brazelton morreu esta quarta-feira aos 99 anos, a dois meses de completar um século de vida. Considerado por muitos o homem que revolucionou a pediatria, escreveu mais de 200 artigos científicos e 30 livros nas áreas da pediatria, desenvolvimento infantil e parentalidade, incluindo o muito conhecido “O grande livro da criança”.

Com base na mais recente edição do livro, em Portugal, recordamos alguns dos conselhos do cientista e perito norte-americano em desenvolvimento infantil que, segundo o pediatra Mário Cordeiro,humanizou a criança e reforçou o reconhecimento das competências parentais. O livro em questão, editado pela primeira vez em Portugal em 1995, resulta dos 40 anos de prática pediátrica de Brazelton em Cambridge, no Massachusetts, ao longo dos quais ajudou 25 mil pacientes. Foi com base nessa “amostra” que Brazelton desenhou um mapa de desenvolvimento comportamental e emocional, destinado a ajudar pais a enfrentar os “surtos previsíveis do desenvolvimento”.

O livro tem por base o conceito de “touchpoints” (pontos de referência), que Brazelton define como “aquelas fases previsíveis que ocorrem precisamente antes de um surto de crescimento rápido em qualquer linha do desenvolvimento — motor, cognitivo ou emocional –, quando, durante um breve espaço de tempo, se verifica uma alteração no comportamento da criança”.

Considerando os diferentes “touchpoints”, reunimos e resumimos alguns dos conselhos de Brazelton, para aplicar desde a fase de gravidez até aos três anos de vida de uma criança.

Gravidez

O sétimo mês de gravidez é encarado por Brazelton como a altura ideal para uma primeira consulta entre pais e o pediatra que, após o nascimento, acompanhará a criança. Este é, na verdade, o primeiro “touchpoint” apresentado no livro, já que corresponde a uma oportunidade para o médico se relacionar com os pais. “Esta visita pode ter efeitos duradouros”, escreve. A ideia é conhecer bem pai e mãe antes de o bebé vir ao mundo, conhecer as suas preocupações, angústias e dúvidas. Brazelton reforça a igualmente importante participação do pai e explica que, no caso de ambos os progenitores estarem envolvidos na gravidez, é natural que haja uma competição saudável e normal pela atenção e afeto do bebé. “Se os maridos tencionam participar, pai e mãe têm de estar preparados para esta subtil competição.”

Há uma grande riqueza de informação na primeira parte do livro, sendo que, entre muitos outros aspetos, Brazelton explora um pouco da vida intra-uterina. “Existe alguma correlação entre a atividade fetal e o comportamento do bebé. O modo como um feto responde a estímulos pode ser significativo”, escreve, explicando que os fetos adaptam-se à tensão e ao meio ambiente e que podem fazer aprendizagens desse mesmo meio — alguns ficam sossegados, outros mais ativos. Há motivos de preocupação quando há demasiada atividade ou quando o feto não responde aos movimentos da mãe.

Neste capítulo destinado à gravidez também se abordam algumas preocupações associadas ao parto e a alguns dos momentos mais importantes imediatamente após o nascimento. No que à amamentação diz respeito, Brazelton assegura que o leite materno tem inúmeras vantagens e é o ideal para o bebé: “Nenhuma criança é alérgica ao leite materno. A percentagem de proteínas e de açúcar é a ideal, e o leite materno contém anticorpos que vão aumentar o nível de imunidade das mães através da placenta, mas esta imunidade vai diminuindo ao longo dos meses seguintes, a não ser que o leite materno a mantenha. Por isso, os riscos de infeção diminuem com a amamentação”. A amamentação, garante, é a forma ideal de comunicação entre mãe e bebé.

Recém-nascido

O segundo “touchpoint” estipulado por Brazelton consiste na observação do bebé após o nascimento. A observação inicial, refere o autor, é conhecida por índice de Apgar e tem em conta a cor do bebé, a sua respiração, o ritmo cardíaco, o tónus muscular e a sua atividade, sendo feita momentos depois do parto. Este método pretende avaliar a capacidade do recém-nascido em responder ao trabalho de parto e ao novo meio ambiente — a avaliação descrita não prevê o futuro bem-estar do bebé, mas reflete o tipo de parto em causa. Uma avaliação mais profunda, essa, acontece durante os primeiros dias de vida e, já nesta altura, o bebé é avaliado quanto ao “bem-estar físico e ao modo como reage, sob o ponto de vista nutricional”.

“O comportamento de um recém-nascido parece destinar-se a atrair os pais. A maneira como se aconchega deliciosamente ao pescoço ou ao ombro e como procura o rosto do pai ou da mãe, provocam nestes um enorme desejo de o amparar e compreender.”

No livro, Brazelton deixa claro que o bebé é dotado de uma “espantosa variedade de respostas” desde o momento em que nasce. A importância dos estímulos é clara para o autor, que procura esclarecer que quando os bebés são prematuros ou foram sujeitos a sofrimentos intra-uterinos têm uma particular dificuldade em alhear-se de estímulos repetidos. “Respondem a cada agitar da roca, a cada toque de campainha, a cada foco luminoso”, escreve Brazelton, referindo que tal é penoso para os prematuros. “Mostram desagrado, e por vezes dá-se até uma alteração na cor da face, visto que os seus ritmos cardíaco e respiratório aceleram cada vez que há um estímulo.”

Muitos bebés, no período pós-parto, reagem aos estímulos de uma forma muito lenta, “como se estivessem a recuperar do sofrimento que passaram para nascer”, diz o autor. Nesse sentido, e caso a situação persista, deve ser encontrada uma causa, como por exemplo, “um sistema nervoso abalado”. “Será necessário agir o quanto antes”, escreve Brazelton. “Sabemos hoje que uma intervenção precoce num bebé perturbado pode ser muito útil à sua recuperação.”

“O arquear da cabeça e o levar das mãos ao rosto para retirar o pano são exemplos de um sistema nervoso intacto num recém-nascido de termo. Se o bebé estiver muito sedado por medicação materna, ou se for prematuro, todos os seus padrões motores estarão acentuadamente diminuídos. Se houver uma lesão cerebral, a sua atividade motora será desorganizada, e o tipo de tentativas ineficazes para desempenhar todos estes comportamentos tornam-se indicativos de que ele tem problemas.”

Três semanas

“No nosso mapa de pontos de referência, em que são abordadas as fases da vida da criança em que é mais provável surgirem problemas, a questão da alimentação surge inevitavelmente nesta altura em que ela tem três semanas”, assegura Brazelton. Se no início de tudo dar de comer ao bebé sempre que ele acorda é a resposta mais adequada, a partir da terceira ou da quarta semana as mamadas podem ser um pouco adiadas em substituição de um momento de brincadeira. “Não fará mal ao bebé esperar um pouco. Ele aprenderá gradualmente que as brincadeiras intercalares podem ser tão agradáveis como as mamadas.”

“Os pais normalmente encaram a alimentação como a sua maior responsabilidade. Quanto mais intenso é este sentido de responsabilidade, mais receiam que a criança não esteja a alimentar-se convenientemente.”

Assim que os pais ganham maior confiança tendo em conta a alimentação do bebé, estes “podem começar a prolongar os estados vígeis que medeiam entre a altura da sua higiene e o sono”. Segundo Brazelton, as mães têm mais e melhor leite depois de um intervalo de três a quatro horas do que após períodos de amamentação mais próximos uns dos outros. A isso junta-se o facto de as mamadas com intervalos maiores entre si serem menos lesivas para os seios das mães.

“O objetivo é conseguir que o bebé fique acordado cerca de três a quatro horas entre as refeições e faça um sono longo durante a noite.”

Já o ajustamento dos ciclos de sono e de vigília do recém-nascido constituem a primeira tentativa dos pais de adaptaram o bebé ao mundo que o acabou de receber. De facto, conseguir controlar os seus estados de consciência é também uma tarefa muito importante para o recém-nascido. Nesse sentido, importa conhecer os diferentes estados: sono profundo; sono ligeiro; estado indeterminado; completamente acordado, vigília total; estado vígil, agitado, e choro.

Quatro meses

O comportamento exploratório tendo em conta a alimentação faz parte desta fase, altura em que o bebé vai começar a querer brincar com o biberão — não há motivo para não deixá-lo pegar-lhe pela parte de baixo. A alimentação, garante Brazelton, é muito mais do que comida, e a comunicação com o bebé é fundamental. Para atestar esta afirmação, o autor cita estudos que demonstram que os fluídos necessários à digestão “não são ativados se o bebé não tiver um clima agradável quando está a comer”.

Considerando os alimentos sólidos, Brazelton faz notar que alimentos mistos, ovos e trigo são de evitar até aos nove meses, uma vez que estes são alimentos com maior probabilidade de desencadear alergias nos mais pequenos. A introdução dos alimentos sólidos vem acompanhada de uma natural experimentação e brincadeira por parte do bebé que deve ser encorajada.

Mais importante do que os alimentos sólidos é o leite. Caso o bebé esteja a ser alimentado a biberão, o autor sugere como quantidade de leite adequada 570 a 680 gramas. “Quando se torna difícil dar-lhe o peito ou o biberão, é aconselhável diminuir os sólidos, para ser mais fácil dar-lhe o leite. Pode dar-se-lhe o peito ou o biberão duas vezes por dia, num quarto sossegado e escurecido. Deste modo ele irá ingerir o leite de que precisa para crescer e aumentar peso. Um bebé só aumenta de peso quando está a ingerir a quantidade adequada de leite.”

No que toca ao sono, e caso o bebé já consiga adormecer sozinho, os pais podem contar que ele durma noite fora. Certo que ainda se vai agitar na cama, chorar e voltar a adormecer — estes padrões de autoconforto, bem como a capacidade de adormecer sozinho, “tornar-se-ão ainda mais importantes para o bebé ao longo dos dois meses seguintes”.

Ainda nesta altura, o desenvolvimento cognitivo é contínuo, pelo que o mais provável é que o bebé esteja um tanto ou quanto irrequieto, o que obriga a uma vigilância redobrada dos pais: “É vital nunca o deixar sozinho enquanto lhe mudamos a fralda ou o vestimos depois do banho, sobre o tampo da banheira. Deve mantê-lo sempre seguro, mesmo que só com uma das mãos.”

Nove meses

Brazelton é perentório: aos nove meses o bebé vai precisar de ganhar um maior controlo sobre a sua própria alimentação, mesmo que isso faça torcer muitos narizes adultos. Nesta fase, e ao contrário do que se possa pensar, os alimentos não são o mais importante, uma vez que a necessidade que o bebé tem de “imitar, de explorar, de começar a aprender a recusar” passa a ser prioritária. “Aconselho firmemente o pai e a mãe a reconsiderarem quaisquer tentativas para dominarem a refeição da criança e, em vez disso, tornarem esta num espaço de entretenimento e de aprendizagem”, escreve o autor.

“É demasiado importante para a criança começar a aprender a comer sozinha. O problema é que a maioria dos pais sobrevaloriza as refeições. É uma herança do seu próprio passado, que é difícil não querer perpetuar.”

Aos nove meses dá-se o caso de os bebés começarem a acordar de noite à medida que vão adquirindo novas capacidades motoras, ao porem-se de pé e até caminharem, situações de grande excitação para os mais novos. É nesse sentido que Brazelton sugere que os pais estejam preparados “para manter um padrão de conforto mas que seja firme, ajudando o bebé a adormecer sozinho após cada ciclo de sono”.

Ainda neste capítulo, o autor refere-se ao controlo das necessidades fisiológicas para explicar que, ao contrário do que terceiros possam sugerir, é a criança que deve instruir-se a si própria. “Se o fizerem [se treinarem os bebés nesse sentido], estarão a treinar os esfíncteres do bebé, tal como se fazia antigamente quando ainda não havia fraldas descartáveis.”

No reino dos ensinamentos está, então, a difícil arte da separação de pais e bebé. Até por causa dos meses que se seguem, o autor aconselha os pais a prepararem os filhos de cada vez que tiverem de sair e, ao início, a estarem ausentes por um curto período de tempo e a deixarem-nos com alguém familiar. O tempo de ausência deverá ser gradualmente aumentado. “Nesta idade, ele está a desenvolver o conceito de independência e o de afastamento, mas à medida que o faz torna-se cada vez mais dependente.”

Um ano

O primeiro ano de um bebé consiste num surto de desenvolvimento, que precede um período de desorganização. É precisamente nesta fase que o desejo de independência se intensifica e a palavra “não” passa a ser constantemente usada. O negativismo é natural, pelo que os pais têm de se preparar e aceitar a situação, sem que se sintam culpados — “Caso contrário, encaram esse negativismo como se se dirigisse a eles em particular e tentam reprimi-lo ou contrariá-lo”. Morder, bater e arranhar são atitudes que fazem parte de um comportamento exploratório e estão associadas a períodos de sobrecarga.

As birras também são protagonistas desta etapa e, nesse ponto, Brazelton refere que, por vezes, uma atitude firme e fria pode ser a solução: “Sei que parece cruel ignorar uma grande birra, mas as pessoas experientes sabem que, se os pais interferirem, é muito provável que a birra se prolongue mais”. A disciplina é, então, necessária — diz Brazelton que, depois do amor, a disciplina é a segunda coisa mais importante para uma criança.

“Nesta idade, quando a criança pede atenção, precisa de carinho ou de um pouco de consideração, mas não de repreensões. Os castigos físicos como bater-lhe ou dar-lhe palmadas significam duas coisas para ela: uma, que os pais são maiores e não precisam dela para nada e, outra, que gostam de agredir.”

Dois anos

Aos dois anos de idade, uma criança está pronta para começar a ajudar nas tarefas domésticas. Um ponto interessante se pensarmos que o sentimento de utilidade e o ser-se capaz reforça a auto-estima dos mais novos. Ensinar um filho a ajudar em casa deve ser feito de forma gradual e não isento de elogios, que devem acontecer na sequência da participação ativa da criança. Diz o autor que todos estes momentos são um investimento no futuro: “Nesta geração, os rapazes e as raparigas que aprendem a ajudar estarão muito mais bem preparados para um mundo em que os dois elementos do casal têm de trabalhar. Estarão prontos a compartilhar as tarefas domésticas e não ficarem à espera que lhes peçam ajuda”.

É nesta fase que Brazelton introduz o tópico da televisão. Diz o pediatra que a televisão exige um esforço de atenção visual e auditiva muito grande, pelo que uma criança pequena fica extenuada ao assistir a programas televisivos. A TV não pode, por isso, fazer de baby-sitter, até porque as crianças não podem ver televisão durante mais de 30 minutos e apenas duas vezes por dia. 

“Os programas devem ser cuidadosamente escolhidos e as crianças só devem ver no máximo meia hora de cada vez, e não mais de duas vezes por dia. O ideal é a mãe ou o pai participarem pelo menos numa destas sessões”, escreve o autor, que garante que os programas televisivos constituem uma agressão aos sentidos das crianças. “Isso paga-se caro.”

Três anos

“O tipo de aprendizagem tumultuosa que a criança faz neste período parece-me uma antevisão do turbilhão da adolescência”, escreve o autor, referindo-se ao desenvolvimento intenso a que uma criança de três anos está sujeita. É nesta fase que se dá a aprendizagem da identidade sexual e que a criança se identifica mais com o pai ou com a mãe. “Neste período, centraliza a sua paixão e absorve completamente um deles durante algum tempo, ignorando o outro. Se observarmos de perto uma criança desta idade, poderemos detetar características de identificação com o pai ou com a mãe no modo como ela caminha, no ritmo com que fala, nas suas preferências alimentares e em muitas outras áreas.”

Aprender a dominar a fúria e a agressividade é das tarefas mais difíceis para uma criança desta idade, que testa os pais até obter deles uma reação ou regressa a antigos padrões de birra. “Prefiro ver uma criança desta idade ficar zangada, arreliar e provocar os pais. Está a exprimir abertamente a sua agitação e a aprender mais. Uma criança desejosa de agradar a todos os que a rodeiam sofre mais e terá de estar os pais mais tarde.”

E não esquecer: para Brazelton, brincar é o modo mais poderoso de as crianças aprenderem tarefas importantes.

https://twitter.com/mercnews/status/973945613736992769

 

 

Baby Led Weaning: O método que acaba com “miúdos esquisitinhos” com comida

Abril 16, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 3 de fevereiro de 2017.

Rita Ferro JORNALISTA

Se o seu filho tem mais de 6 meses está na altura de guardar as trituradoras, varinhas mágicas e robots de cozinha que põem tudo em puré, sem grumos e sem bocados. Há um novo método que está a conquistar as mães portuguesas. Apesar da sujidade, quem pratica defende que há muitas vantagens, entre elas, miúdos “pouco esquisitinhos” com comida. Andamos à procura de fotos de experiências [e de grandes bagunças]. Tem disso aí por casa? Envie fotos do seu filho em estado #blw com uma pequenina legenda, nome e idade para eureporter@sic.pt

O Baby Led Weaning [ou BLW para os amigos] é um método cada vez mais conhecido e adotado pelas mães portuguesas para introduzirem sólidos a partir dos 6 meses. Na sua essência mais pura, o BLW consiste no desmame conduzido pelo bebé. Ou seja, a partir do meio ano de idade o bebé vai, lentamente e ao seu ritmo, trocando a amamentação exclusiva por alimentos, inteiros.

O regresso ao trabalho antes desta altura, que acontece para tantas mães, pode comprometer a amamentação em exclusivo e leva à introdução de biberão, ou outras soluções. Entao aí, o BLW, já não serve completamente a sua função mas ainda conquista noutras. Com esta técnica, o bebé vai também ganhar gosto pela comida, descobrir texturas e sabores, trabalhar a motricidade fina e movimentos e ganhar autonomia.

Há regras para este método? Há algumas, sim. Deve ser feito juntamente com a família à mesa de refeição para que os mais crescidos sirvam de exemplo e “estarem de olho” no bebé, os alimentos devem ser cozinhados e cortados de forma especial conforme as idades, é preciso ter paciência e, o mais difícil de tudo, tempo.

Sentámo-nos à mesa com três mães bloggers adeptas do BLW e pusémos mãos à obra.

Joana Paixão Brás é co-autora do blog A mãe é que sabe e é onde costuma mostrar a filha mais nova, Luísa, a aventurar-se no Baby Led Weaning. A primeira questão que lhe fizemos [para sossegar quem nos está a ler] foi: E não tem medo que ela se engasgue?

Não muito. Do que li, este é, caso eles já mostrem estar preparados, um período óptimo para aprenderem a mastigar e, como têm uma coisa chamada gag reflex (que traduzido para reflexo de engasgo ou engasgamento parece mais assustador do que é, porque eles não se chegam a engasgar), que é uma espécie de ânsia de vómito, em que eles, sentindo que a comida não está ainda suficientemente pequena para engolir, voltam a trazê-la para a frente da boca para a mastigarem melhor.

E não foi só para passar da amamentação para os alimentos que Joana escolheu este método. A filha mais velha abriu portas a um caminho de descobertas para a caçula da família.

“Já tinha em casa uma filha pisca para comer e esquisitinha e quis tentar uma coisa diferente com a segunda. A Luísa não era amante de sopas, tentei três ou quatro vezes. Cuspia, protestava e não quis “fazer aviõezinhos” e obriga-lá a comer. Percebi que através do BLW, ela adorava comer, experimentar, provar e fazia as caras e os sons mais engraçados.”

Como está em casa, Joana tem conseguido este método praticamente no seu todo. Une a amamentação ao BLW e faz dele um ritual para bons momentos em família.

“O principal alimento continua a ser o leite materno. Estando em casa, acredito que tenha esta tarefa facilitada relativamente à grande maioria dos pais. Faço coisas simples, de forno e a vapor, não perco muito tempo com as refeições! Perdemos, sim, mais tempo à mesa. Mas não considero “perder”, considero ganhar. É óptimo comer com eles, com calma.”

Vera, do blog As viagens dos Vs, que também adotou a técnica com a Laura, a filha mais nova, é rápida a enumerar vantagens.

Do ponto de vista do bebé, são várias. Para mim, a principal é mesmo a autonomia no momento da refeição, pois é o bebé quem decide o que comer e qual a quantidade; facilita o desenvolvimento motor e também o processo de mastigação do bebé. Da perspectiva da mãe, ajuda-nos a ganhar mais confiança no nosso bebé e nas suas capacidades e, muito importante, a aprender a respeitar as suas vontades. Não somos nós que estamos a levar a colher à boca e, assim, deixamo-nos de guiar pelos “ml” de quantidade que supostamente um bebé deve comer em cada refeição.

Nas rotinas da família e já com outro filho, seria mais fácil para todos se a Laura partilhasse da nossa comida e a verdade é que ela começou desde logo a fazer parte dos nossos momentos das refeições e para o Vicente isso foi muito bom, ver que a irmã comia as mesma coisas que ele.

Eu sou completamente fã!

Beatriz do blog Better With my mom diz que, no início, é normal ter-se medo do engasgo, mas depois a confiança vence quando as mães se apercebem de que os bebés estão preparados [enquanto todas as regras do Baby Led Weaning estiverem asseguradas] para resolver o assunto e o medo vai desaparecendo.

Quanto mais ele treina a mastigação com alimentos sólidos mais rapidamente vai aprender a desengasgar-se. O Salvador já o faz. Quando tem um pedaço que não consegue engolir deita-o fora. Ter sempre um biberão com àgua e saber o que fazer caso isso aconteça traz-nos mais segurança.

Vermos as crianças como capazes de desenvolver determinadas actividades que nós achamos dificeis ou “perigosas”. Eles são curiosos por natureza e devemos deixá-los explorar. O nosso pediatra apoia muito esta ideia e estamos muito contentes com o resultado.

Dizem as mães que o Baby Led Weaning é um caso de paixão. Até porque uma vez que os bebés lhe tomam o gosto, já é difícil alimentarem-se de outra maneira.

Espreite a galeria que preparámos com fotos de bebés adeptos do Baby Led Weaning.

Envie fotos do seu filho em estado #blw com uma pequenina legenda, nome e idade para eureporter@sic.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A reputação importa desde o jardim-de-infância

Abril 15, 2018 às 3:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 29 de março de 2018.

As crianças começam a preocupar-se com a sua imagem pública e a cuidar da sua reputação logo no jardim-de-infância, por volta dos cinco anos, concluem dois investigadores norte-americanos. Mais cedo do que se pensava, portanto.

ANDREA CUNHA FREITAS

As crianças de cinco anos demonstram ser mais generosas e, de uma forma consistente, quando sabem que estão a ser observadas. Esta será uma das várias pistas que levou dois psicólogos norte-americanos a antecipar os primeiros sinais de preocupação com a reputação em crianças para a fase do jardim-de-infância. Até agora, a maioria dos estudos sugeria que os comportamentos que denunciam um cuidado deliberado com a imagem pública surgiam por volta dos nove anos, já durante a etapa do ensino básico.

O artigo com o título “Pequenas [a versão original é pint-sized, sem tradução para português mas que remete para um tamanho reduzido de algo] relações públicas: O desenvolvimento da gestão da reputação” foi publicado na revista Trends in Cognitive Sciences, do grupo Cell.

Ike Silver e Alex Shaw, investigadores na área da psicologia da Universidade de Pensilvânia e de Chicago, respectivamente, começam por constatar que até há pouco tempo existia muito cepticismo sobre o desenvolvimento de um comportamento complexo associado à reputação antes dos nove anos. Porém, notam os autores, os resultados de investigações recentes “sugerem que por volta dos cinco anos as crianças começam a perceber a ampla importância da reputação e envolvem-se numa gestão das impressões surpreendentemente sofisticada”. Tal como os adultos ou as crianças mais velhas, os miúdos que frequentam o jardim-de-infância revelam que querem ser aceites por aquelas pessoas que admiram. Os investigadores fizeram uma revisão de estudos publicados recentemente e encontraram sinais da percepção de crianças pequenas sobre a reputação, nomeadamente quando mostram agir propositadamente para ter uma imagem positiva.

Parece demasiado cedo mas o marco dos cinco anos para o início de um “sofisticado sistema de gestão da reputação” não é sequer definitivo. Pode até ser que esta preocupação com a imagem pública surja antes disso, adiantam os investigadores que constatam a necessidade de mais investigação nesta área. “Há muito tempo que os psicólogos se interessam pela forma como construímos as nossas identidades e pela diversidade de estratégias que usamos para estar na sociedade”, refere Alex Shaw, num comunicado de imprensa da Cell sobre o estudo.

Além da questão da idade, de acordo com estes investigadores, a gestão da reputação acontece em várias culturas, apesar das diferentes normas e expectativas sociais. Exemplo: “Num estudo recente com crianças da China e do Canadá, entre os sete e os 11 anos, os investigadores perceberam que os dois grupos se mostravam motivados em causar uma impressão positiva depois de praticar uma boa acção em privado, mas apresentavam estratégias diferentes: no caso das crianças chinesas havia mais probabilidades de esconderem esse bom comportamento (sinal de modéstia), enquanto nas crianças canadianas a probabilidade de divulgarem esse comportamento era maior.”

No artigo, os psicólogos apresentam o resultado de algumas experiências que usaram a partilha de brinquedos para explorar a questão da reputação e da preocupação com a imagem no seu ambiente social nas crianças. Além de revelaram mais generosidade quando estão a ser observadas, o que indicia uma preocupação com a imagem, também adoptam mais este tipo de bons comportamentos perante “pessoas-chave”, como o professor ou educador, por exemplo.

Numa experiência de um outro estudo, as crianças revelaram mais generosidade quando estavam a ser observadas por alguém que interagia com elas do que com uma pessoa sobre a qual não tinham expectativas de interagir mais tarde. Noutra experiência com crianças de seis anos relatada no artigo, os pequenos comportaram-se de forma justa na presença de um observador, mas já não o fizeram quando foram levadas a acreditar que podiam ser injustas e, mesmo assim, parecer justas.

Por último, os investigadores referem ainda que as crianças reagem quando lhes é dito que têm uma boa reputação aos olhos dos seus colegas e que, neste contexto, é muito menos provável que cedam a fazer uma aldrabice que lhes é proposta. Ou seja, conclui-se que fazem uma gestão da sua imagem e reputação. “Na sociedade estamos muito focados na construção de imagens e na autoapresentação, e os nossos filhos são antecipadamente expostos às ideias de imagem e estatuto social”, refere Ike Silver. “As crianças são sensíveis à forma como as pessoas que estão à sua volta se comportam, incluindo os adultos que valorizam muito a sua reputação.”

Mais do que constatar que o comportamento das crianças à volta dos cinco anos já denuncia uma preocupação com a reputação e a imagem, há muita coisa que ainda não se sabe. “Sabemos que os adultos usam uma grande variedade de situações para gerir e criar impressões, mas ainda não sabemos se as crianças entendem a importância de diferentes características (coragem, riqueza inconformismo) em diferentes momentos para diferentes públicos. Assim, é importante perceber onde, neste processo, as crianças conseguem controlar a sua reputação e onde têm dificuldade em fazer isso”, refere o comunicado. Os investigadores notam que é interessante, por exemplo, constatar que as crianças não reagem de forma negativa a algumas manifestações de “auto-promoção” – o chamado pôr-se em bicos de pés no mundo dos adultos.

E há também diferenças entre os cinco e os nove anos, ou seja, entre as crianças do jardim-de-infância e as da escola primária. Segundo os autores do artigo, a “generosidade privada” é aceite de melhor forma do que a pública para os miúdos à volta dos nove anos, enquanto para os mais pequenos passa-se exactamente o contrário. Talvez, admitem os investigadores, isso aconteça porque os mais novos são mais hábeis na gestão das suas próprias reputações do que na identificação deste comportamento nos outros. Os investigadores admitem que é necessário mais investigação com crianças mais novas para chegar a conclusões mais claras sobre este tema, e deixam mais uma intrigante questão em aberto: O que será que acontece antes dos cinco anos?

O artigo citado na notícia é o seguinte:

Pint-Sized Public Relations: The Development of Reputation Management

 

 

 

 

 

Tão crescida a usar chucha, que feia!

Março 22, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/

A nossa filha já foi alvo deste comentário várias vezes. Geralmente vira a cara, encosta-se a mim e tente ignorar o interlocutor; são claros os seus sinais de desconforto. Para muitos, estes sinais são interpretados como um incentivo para continuar pois estão a ter na criança o efeito desejado.

Acredito que a maior parte das pessoas profere este género de comentários com a melhor das intenções, querem que a criança se livre da chucha e acreditam que ao repreenderem-na estão a ajudar os pais nesta árdua tarefa. Contudo, tal não funciona.

Irei dividir as minhas observações em duas partes: 1) Para os outros; 2) Para os pais.

1) Para os outros

Quantas vezes fumaram um cigarro e alguém vos disse que deviam “largar isso pois faz mal à saúde”?; quantas vezes vos disseram que se deviam afastar daquele/a amigo/a pois é uma má influência nas vossas vidas?; quantas vezes comerem fast food e alguém vos alertou que dessa forma iriam engordar? Em termos concretos, que resultados isso provocou em vocês? Atiraram o cigarro fora e nunca mais fumaram? Enviaram uma mensagem ao/à amigo/a dizendo que pretendiam terminar a amizade? Cuspiram o alimento que estavam a ingerir e desde então detestam-no? Provavelmente não. Nada mudou com os comentários que vos foram feitos ou eventualmente ainda se ligaram mais “ao fruto proibido” exactamente por isso.

Não existe mudança sem motivação e esta última tem de ser intrínseca, isto é, tem de partir do próprio, caso contrário a mudança será temporária. Comentários negativos, que muitas vezes enfatizam a incapacidade de auto-controlo da pessoa e mexem com a sua auto-estima (como quando dizemos a uma criança que é feia por determinado comportamento) podem conduzir à manutenção do comportamento por o outro se sentir incapaz de mudar.

“Devo então incentivar ou ignorar?”, perguntarão alguns. Nem uma, nem outra; podemos encaminhar para a mudança num registo positivo. Quando eu digo: “acredito que vais ser capaz, levarás o teu tempo mas acredito que irás conseguir”, sobretudo quando é dito em frente aos outros, estou a deixar uma semente potente de expectativa que o outro se sentirá tentado a concretizar; mostro que o aceito, que o compreendo, que não o irei pressionar e que confio nas suas capacidades (afago-lhe a auto-estima).

Criticar de forma negativa sem deixar uma linha orientadora ou é improfícuo ou pura maldade.

2) Para os pais

Sejamos sinceros, a maior parte dos comportamentos dos nossos filhos, sobretudo quando são pequenos, resultam de escolhas nossas, ainda que nos arrependamos delas ou que não as reconheçamos a 100%, estamos na origem.

A nossa filha não escolheu usar chucha, na verdade quando nasceu ela até a rejeitava. Acabei por insistir por sentir que isso a iria acalmar e servir de consolo. Hoje, com 2 anos e meio, não a quer largar, se eu permitisse passava o dia todo com ela na boca.

Temos conversado sobre o assunto, sem pressões. Não a comparo com o menino x ou y que não usa chucha pois ela também não me compara com a mãe x ou y Mostro-lhe que vários desenhos de que ela gosta não usam chucha (sem comparar), digo-lhe que não percebo o que ela diz com a chucha posta, explico que a chucha precisa de descansar e por vezes guardamo-la.

Em momentos de crítica em público eu JAMAIS me junto ao outro para a criticar/fazer troça dela. Geralmente coloco-me ao nível dela e respondo que um dia, quando lhe apetecer, irá largar a chucha e evidencio os esforços que já faz: “ela tem usado muito menos, noutro dia até a guardou no quarto durante a manhã toda, fiquei mesmo feliz! Em breve iremos conseguir passar menos tempo com a chucha na boca, vamos com calma”; se tiverem dito que ela é feia, ainda acrescento um “estás tão crescida e LINDA, filha!”.

Não acho que tenhamos sempre de defender os nossos filhos, eles erram tal como nós. Não obstante, acredito que os assuntos se resolvem entre nós e ainda que possa dar razão à pessoa que o repreende, não é saudável juntar-me a ela numa sessão de linchamento público.

Como referi, a nossa filha não queria usar chucha, foi um hábito criado também por mim. Assim, assumo essa responsabilidade, aceito que sou parte activa na sua resolução e defendo a nossa filha de qualquer julgamento exterior feito em tom negativo, mostrando que este não é um problema só dela, é nosso, e como tal iremos resolvê-lo JUNTAS, ao nosso ritmo.

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“Até aos três anos de idade as crianças não devem dormir em casa do pai”

Março 22, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no https://www.publico.pt/ de 13 de fevereiro de 2018.

Que impacto no bem-estar da criança pode ter a ausência de pernoitas com o pai durante os três primeiros de vida?

Esta é uma afirmação e premissa de base sobre a qual assentam muitos, mas mesmo muitos, processos de regulação do exercício das responsabilidades parentais. Os pais separaram-se ou divorciam-se quando a criança é ainda bebé ou em idade pré-escolar e, desde logo, parte-se do pressuposto que até aos três anos deve apenas pernoitar em casa da mãe, mantendo contactos com o pai durante o período diurno.

Estes contactos podem ser mais ou menos frequentes, o que depende de diversas variáveis como, por exemplo, a idade da criança ou a proximidade geográfica entre residências. No entanto, permanece a ideia de impossibilidade de permanência na residência paterna até aos três anos de idade.

Penso que é preciso reflectir sobre isto. Se nos focarmos nos estudos sobre a relação de vinculação entre as crianças e os seus pais/cuidadores, é na primeira infância que as crianças estabelecem essa relação, pedra basilar do seu desenvolvimento. Para que esta se estabeleça é fundamental que ocorram interacções continuadas e regulares entre a criança e os cuidadores. Estas podem ocorrer em diversos contextos de cuidados, por e.g., mudar uma fralda ou dar o leite, ou de brincadeira e lazer. O principal é que as interacções ocorram e sejam marcadas pela sensibilidade e responsividade dos cuidadores: mãe ou pai.

Se, tradicionalmente, a mãe está associada ao papel cuidador, actualmente o pai está mais investido nos cuidados e educação da criança e, tal como a mãe, o pai aprende e constrói a sua parentalidade. Estudos apontam que os pais podem ser cuidadores sensíveis dos seus filhos e que as crianças estabelecem relações seguras, quer com as mães, quer com os pais nos primeiros anos de vida.

É nesta fase do desenvolvimento infantil, mais sensível e crucial para que esta relação de vinculação possa ser estabelecida. E para que a vinculação possa ser segura é fundamental que a criança se sinta amada, protegida e cuidada, permitindo-lhe criar laços que, de uma forma gradual, irão potenciar também a capacidade em explorar o seu meio envolvente e socializar.

Ora, para que estes vínculos possam ser estabelecidos é imprescindível um convívio regular e extenso com estas figuras de referência. O que implica mais do que meras “visitas”, termo que devia mesmo ser proibido neste contexto. Implica estar com a criança, satisfazer-lhe as suas necessidades mais básicas mas, principalmente, brincar, expressar afecto, ser parte integrante das suas rotinas, ajudar nas dificuldades, estar presente quando a criança experiencia emoções positivas ou negativas. Implica também participar nos rituais do adormecimento, aconchegar na cama, consolar um sono agitado, vestir e levar à creche ou jardim-de-infância. Implica estar presente nas festas e celebrações dos familiares e amigos, levar e ir buscar às actividades diversas, explorar os sons, as cores, as imagens… ou simplesmente não fazer nada.

Como me dizia uma vez uma criança de quatro anos, “é tão bom quando estamos sentados no sofá, com uma manta, só a rir e a fazer parvoíces”. Ser pai ou mãe implica tudo isto. E para isto é necessário tempo. Tempo. Tempo que as tais “visitas” nem sempre permitem. Tempo que as pernoitas permitem e com uma riqueza inigualável. Tempo que permita o envolvimento emocional de ambos os pais na vida da criança, aprendendo a reconhecer e a satisfazer todas as suas necessidades.

Querem-se pais sensíveis, responsivos e competentes para exercer de forma adequada a função parental. Para tal, é fundamental um convívio frequente e extenso com a criança, desde que esta nasce.

Pois vejamos então os estudos que contrariam estas conclusões e que sugerem que, até aos três anos, as crianças não devem dormir em casa do pai. Procuramos estudos metodologicamente válidos, com amostras adequadas e revisão de pares, cujos resultados possam ser generalizados à população em geral. Dificilmente encontramos estes estudos.

Encontramos, sim, teorizações acerca do modelo tradicional de família, assente na ideia de uma única figura primária de referência para a criança — a figura materna. Ideias apoiadas na premissa de que a mãe é, indubitavelmente, a figura mais importante para o desenvolvimento harmonioso da criança, e que o pai desempenha um papel importante, sim, mas secundário. Complementar.

Encontramos também estudos cujos resultados dificilmente podem ser generalizados, na medida em que utilizam amostras de conveniência, não têm grupos de controlo ou, ainda, não acompanham as crianças ao longo do seu desenvolvimento (estudos longitudinais), de forma a perceber o impacto que estas pernoitas podem ter a médio e/ou longo prazo. Encontramos ainda outros estudos que não controlam diversas variáveis, como a existência de irmãos, novos/as companheiros/as dos pais, nível de conflito parental, competências de comunicação e cooperação parental.

É urgente desenvolver mais estudos sobre esta questão, sendo que uma resposta do tipo “sim” ou “não” revela-se demasiado simplista e redutora, quando se pergunta se deve, ou não, uma criança com idade inferior a três anos pernoitar em casa do pai.

Temos todos que fazer esta reflexão. Que impacto no bem-estar da criança pode ter a ausência de pernoitas com o pai durante os três primeiros anos de vida? Que impacto tem na relação de vinculação que virá a estabelecer com esse pai mais ausente?

Assim sendo, e na ausência de validação empírica desta premissa de base, importa que todos nós (pais, mães e outros familiares, técnicos das diversas entidades e peritos, advogados e magistrados) façamos um esforço no sentido de uma mudança de paradigma. Que se traduza em acordos de regulação do exercício das responsabilidades parentais mais adequados e justos, adequados a cada caso em concreto, e centrados na perspectiva da criança. E no seu superior interesse.

Psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, Psicoterapia e Psicologia da Justiça; docente e investigadora no ISCTE-IUL

Lançamento do Livro “Ser Bebé na Creche” 16 de Fevereiro, 19 horas, nas instalações da ESE Almeida Garrett

Fevereiro 13, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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ESE Almeida Garrett tem o prazer de Vos convidar para o lançamento do livro de uma docente desta Escola, Professora Mestre Ana Bela Baptista da Silva, intitulado

“SER BEBÉ NA CRECHE. VIAGEM MARAVILHOSA PARA
A AUTO CONFÇIANA”,

cuja apresentação será feita pela Senhora Professora Doutora Ângela Cremon de Lemos.
Dia 16 de Fevereiro de 2018 pelas 19 horas, nas instalações da ESE Almeida Garrett, na Rua de São Paulo, nº 89, 1200 – 427 Lisboa.

Colóquio Literacias na primeira infância – 24 e 25 novembro na Biblioteca Municipal José Saramago (BMJS), em Loures

Novembro 16, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://www.cm-loures.pt/Conteudo.aspx?DisplayId=3638

James Heckman e a importância da educação infantil

Outubro 24, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da http://veja.abril.com.br/revista-veja/ a James Heckman no dia 22 de setembro de 2017.

O Nobel de Economia, que falará em São Paulo nesta segunda 25, diz que investir nos anos iniciais das crianças é o caminho para o país crescer

Por Monica Weinberg

O americano James Heckman, 73 anos, é reverenciado tanto em sua área de origem, a economia — que lhe rendeu o Prêmio Nobel em 2000 —, como na educação, que ele investiga com a curiosidade de quem ama calcular. Heck­man criou métodos científicos para avaliar a eficácia de programas sociais e vem se dedicando aos estudos sobre a primeira infância — para ele, um divisor de águas. É sobre esse assunto que falará, na segun­da-feira 25, no encontro Os desafios da primeira infância — Por que investir em crianças de zero a 6 anos vai mudar o Brasil, organizado pelas revistas Exame e VEJA e apoiado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, pela Funda­ción Femsa e pela United Way Brasil. Professor na Universidade de Chicago, Heckman veio uma dezena de vezes ao Brasil. Estava no Rio quando recebeu o telefonema de sua vida. “Disseram-me que seria premiado com o Nobel, e eu achei que era trote”, revela ele, que fala com rara propriedade sobre o país.

Por que os estímulos nos primeiros anos de vida são tão decisivos para o sucesso na idade adulta? É uma fase em que o cérebro se desenvolve em velocidade frenética e tem um enorme poder de absorção, como uma esponja maleável. As primeiras impressões e experiências na vida preparam o terreno sobre o qual o conhecimento e as emoções vão se desenvolver mais tarde. Se essa base for frágil, as chances de sucesso cairão; se ela for sólida, vão disparar na mesma proporção. Por isso, defendo estímulos desde muito cedo.

Quão cedo? Pode parecer exagero, mas a ciência já reuniu evidências para sustentar que essa conta começa no negativo, ou seja, com o bebê ainda na barriga. A probabilidade de ele vir a ter uma vida saudável se multiplica quando a mãe é disciplinada no período pré-natal. Até os 5, 6 anos, a criança aprende em ritmo espantoso, e isso será valioso para toda a vida. Infelizmente, é uma fase que costuma ser negligenciada — famílias pobres não recebem orientação básica sobre como enfrentar o desafio de criar um bebê, faltam boas creches e pré-escolas e, sobretudo, o empurrão certo na hora certa.

Qual é o preço dessa negligência? Altíssimo. Países que não investem na primeira infância apresentam índices de criminalidade mais elevados, maiores taxas de gravidez na adolescência e de evasão no ensino médio e níveis menores de produtividade no mercado de trabalho, o que é fatal. Como economista, faço contas o tempo inteiro. Uma delas é especialmente impressionante: cada dólar gasto com uma criança pequena trará um retorno anual de mais 14 centavos durante toda a sua vida. É um dos melhores investimentos que se podem fazer — melhor, mais eficiente e seguro do que apostar no mercado de ações americano.

Se isso é tão claro, por que a primeira infância não está na ordem do dia de quem tem a caneta na mão para decidir? Há ainda uma substancial ignorância sobre o tema. Algumas décadas atrás, a própria ciência patinava no assunto. A ideia que predominava, e até hoje pesa, é que a família deve se encarregar sozinha dos primeiros anos de vida dos filhos. A ênfase das políticas públicas é na fase que vem depois, no ensino fundamental. E assim se perde a chance de preparar a criança para essa nova etapa, justamente quando seu cérebro é mais moldável à novidade.

A classe política também evita olhar para a primeira infância por achar que esse é um investimento menos visível a curto prazo? Os políticos podem, sim, considerar isso, mas estão redondamente enganados. Crianças pequenas respondem rápido aos estímulos de qualidade. Para quem tem o poder de decidir, deixo aqui a provocação: não investir com inteligência nesses primeiros anos de vida é uma decisão bem pouco inteligente do ponto de vista do orçamento público. Basta usar a matemática.

O que mostra a matemática? Vamos pegar o exemplo da segurança pública. Há ao menos dois caminhos para mantê-la em bom patamar. Um deles é contratar policiais, que devem zelar pelo cumprimento da lei. O outro é investir bem cedo nas crianças, para que adquiram habilidades, como um bom poder de julgamento e autocontrole, que as ajudarão a integrar-se à sociedade longe da violência. Pois a opção pela primeira infância custa até um décimo do preço. Recaímos na velha questão: prevenir ou remediar? Como se vê, é muito melhor prevenir.

O senhor pode soar fatalista: ou bem a criança é estimulada cedo ou terá perdido uma oportunidade única para o aprendizado? A discussão realmente abre uma margem para essa interpretação, mas não é bem isso. A mensagem jamais pode ser: depois dos 5 anos, já era. Desde que a criança esteja vivendo em sociedade, ela vai aprender. Existe na espécie humana uma extraordinária capacidade de se beneficiar do ambiente. Só não podemos deixar de encarar o fato de que uma criança que tenha sido alvo de elevados incentivos conquistará uma vantagem para o resto da vida. De outro lado, quanto mais uma criança fica para trás, mais dificuldade ela terá para preencher as lacunas do princípio.

O senhor discorda então de uma ala de cientistas que vê as chamadas janelas de oportunidade para o aprendizado como algo mais definitivo? Acho que há exagero nesse campo: é como se tivéssemos no cérebro janelas que se abrem por inteiro numa fase e se fecham por completo em outra. Dito isso, há, sim, momentos mais favoráveis para a aquisição de certos conhecimentos: se quiser falar um idioma sem sotaque, é mais apropriado começar aos 8 do que aos 16 anos.

A propósito dos 8 anos, o economista Adam Smith (1723-1790) dizia que as crianças eram todas essencialmente iguais até essa idade. O senhor concorda? Não. Smith tinha uma visão idealista segundo a qual todos seríamos iguais por natureza até esse ponto da vida e, só aí, começaríamos a nos diferenciar uns dos outros. Mas a ciência já deixou claro que há capacidades inatas que nos distinguem, como a noção espacial ou a habilidade numérica ou ainda o talento para piano, artes e xadrez. Reconhecê-las e incentivá-las cedo torna-­se uma vantagem.

Que tipo de política pública de primeira infância tem surtido mais efeito? O grande impacto positivo vem de programas que conseguem envolver famílias pobres, creches e pré-­escolas, centros de saúde e outros órgãos que, integrados, canalizam incentivos à criança — não só materiais, evidentemente. O programa americano Perry, da década de 60, é um exemplo clássico de que o investimento em uma boa pré-escola produz ótimos resultados.

Por que esse modelo é bom? Ele envolve ativamente os alunos em projetos de sala de aula, lapidando habilidades sociais e cognitivas, sob a liderança de professores altamente qualificados. A família mantém um estreito elo com a escola. Temos de ter sempre certeza de que a família está a bordo, qualquer que seja a iniciativa.

Não é irrealista esperar tanto de famílias que vivem na pobreza, como no Brasil? Um bom programa de primeira infância consegue ajudar a família inteira, fazendo chegar até ela informações, boas práticas e valores essenciais, como a importância do estudo para a superação da pobreza.

Pesquisas brasileiras mostram que muitas crianças que frequentam creches e pré-escolas acabam se saindo pior nos primeiros anos de estudo do que outras que ficam em casa. O resultado o espanta? Não. Já vi estudos que chegaram a conclusão idêntica nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa. Trata-se de uma questão sem resposta absoluta: tudo depende do tipo de incentivo que a criança tem em casa e daquele que receberá na creche. Não é que a escola faça mal, mas é preciso indagar: onde a criança tem mais a ganhar ou menos a perder?

O que o Brasil pode aprender com a experiência internacional? Os programas de maior retorno são justamente aqueles que se apoiam em uma rede e, através dela, levam às famílias toda sorte de incentivos, de diferentes áreas que convergem. Aliás, o Brasil tem uma vantagem aí: o sistema público de saúde alcança todos os cantos e pode funcionar como ponto de partida para essa rede de estímulos. O país também deveria prestar atenção na qualidade dos professores: países como a Finlândia souberam valorizar a carreira docente — não apenas no salário, que fique claro — e colheram grandes resultados na educação desde cedo.

Existe um debate no Brasil sobre a extensão da licença paternidade — a lei brasileira garante hoje apenas cinco dias ao pai. O senhor é a favor? O princípio de o pai ter a chance de estreitar laços com o filho desde o começo é bem-vindo. Os benefícios vão depender, porém, de como esse tempo será efetivamente aproveitado.

O senhor é um dos precursores de uma discussão que agora está em alta nas rodas educacionais: o desenvolvimento de habilidades so­cioemo­cio­nais. É possível mesmo ensiná-las? Sim, na escola e em casa. O grande erro nesse debate é tratar tais habilidades — autocontrole, resiliência, trabalho em equipe — como algo que não tem nada a ver com as habilidades cognitivas, o aprendizado das matérias propriamente ditas. Não existe essa fronteira. O bom professor está sempre ensinando as duas: ao aprender a ler e a soletrar as palavras, a criança interage com amigos, forma vínculos, lida com emoções ligadas ao sucesso e ao fracasso — enfim, aprende a se comunicar de forma ampla.

Por que tantos educadores torcem o nariz quando se fala em habilidades socioemocionais? Eles ainda estão aferrados à ideia obsoleta de que inteligência se resume a QI, um conceito de cinquenta anos atrás que não evoluiu com o mundo.

Ler para a criança desde cedo está no rol dos grandes incentivos de efeito comprovado pela ciência. Por que isso é tão poderoso? Porque estimula ao mesmo tempo o gosto pela leitura, a capacidade de comunicação e a curiosidade para adquirir conhecimento. Se nada der errado, isso se desdobrará por toda a vida.

O incentivo dos pais pode virar exagero? Observo em famílias de classes mais altas uma tendência à proteção exagerada dos filhos. Considero isso um erro. Todo mundo deve experimentar não só as vitórias como também os fracassos. São eles, afinal, uma fonte essencial para o aprendizado.

Publicado em VEJA de 27 de setembro de 2017, edição nº 2549

 

 

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