Ricardo Barroso: “A violência psicológica está completamente enraizada no quotidiano dos adolescentes”

Dezembro 10, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia do Expresso de 20 de setembro de 2019.

Helena Bento

A par de uma intervenção psicológica nas escolas e da distribuição de uma ferramenta que ajuda os adolescentes a identificar comportamentos violentos e a entender como estes “progressivamente vão escalando”, uma equipa de docentes da UTAD recolheu dados de milhares de alunos que, quando devidamente analisados, serão determinantes para entender a violência entre os jovens. Mas já há conclusões e não são animadoras.

A palavra-chave é antecipar. Antecipar “comportamentos violentos e agressivos nas múltiplas relações” de modo a conseguir evitar que aconteçam. Mas para isso é preciso saber identificá-los e saber como se sucedem uns aos outros, continuamente, e precisamente com esse objetivo foi criado o Violentómetro, um projeto da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Ao Expresso, Ricardo Barroso, psicólogo e docente na UTAD, e um dos responsáveis pelo projeto, explica que a ferramenta, uma espécie de régua, permite identificar 30 comportamentos violentos numa ordem crescente de gravidade — começa nas “piadas agressivas”, passa por “controlar e proibir” e termina em “matar”. Os vários comportamentos dividem-se em três grupos, consoante a sua gravidade: os primeiros exigem “cuidado”, os segundos que se reaja e os terceiros que se “peça ajuda a um profissional”.

Depois de ter sido implementado em mais de 100 escolas e apresentando a quase 14 mil estudantes do continente e Açores, até julho de 2019, no contexto de um programa de intervenção da responsabilidade do Departamento de Educação e Psicologia da UTAD, designado Prevint, esta ferramenta está agora disponível online, num site criado para esse efeito.

Especialista em violência sexual juvenil, tema sobre o qual tem escrito na comunicação social, Ricardo Barroso conta que começaram a chegar-lhe, e à sua equipa, pedidos de esclarecimento relativamente à melhor forma de intervir nos casos de violência em contexto escolar. “Eu sabia que as intervenções que iam sendo feitas nas escolas não tinham muita eficácia. Há uma necessidade concreta, chama-se a atenção para um determinado problema, mas depois o assunto é esquecido. Não há uma continuidade.”

Percebeu, depois, que se conseguisse explicar “como é que o comportamento agressivo funciona, à partida seria possível antecipar esse tipo de comportamentos”, e mais ou menos por essa altura conheceu um projeto, de uma universidade do México, que ia precisamente ao encontro daquilo que pretendia. “O violentómetro que essa universidade tinha criado, já em 2014, encaixava muito bem no programa de intervenção que já tínhamos delineado.” E encaixava porque mostrava que “a violência nas relações, todas as relações, tem sempre uma história, um percurso”.

“Os comportamentos violentos, seja em contexto escolar ou no local de trabalho, seja nas relações de intimidade ou entre familiares, tendem a ter a mesma dinâmica em termos de funcionamento. No início são simples, sub-reptícios, e progressivamente vão escalando, sendo necessário travá-los ou aprender a travá-los o quanto antes”.

Aprender a identificar comportamentos violentos e formas de reagir — a intervenção nas escolas

A intervenção nas escolas foi feita em quatro sessões em que participaram psicólogos e professores, com o compromisso de dar formação aos alunos. Havia duas missões: por um lado, ajudar a identificar comportamentos agressivos e, por outro, capacitar para uma reação a esses mesmos comportamentos. “Nós entendemos isto como uma espécie de vacina comportamental”, compara Ricardo Barroso. “Do mesmo modo que as vacinas protegem as pessoas de um vírus, também o objetivo desta intervenção é esse — protegê-las do perigo, ensinando-as a antecipá-lo e, quando está já instalado, a reagir”, explica.

O professor e psicólogo nota que não só os adolescentes como muitas outras pessoas “não entendem os comportamentos agressivos e violentos como tal”, considerando-os, pelo contrário, “como parte da sua rotina”. “Isto é um problema. Somos alvo de violência, seja de que natureza for, e achamos que é uma pieguice falar sobre isso.” Um exemplo: o controlo, as “carícias agressivas” e as “bofetadas” (assim aparecidos descritos no Violentómetro), “são entendidos muitas vezes como manifestações de amor”, diz Ricardo Barroso, reforçando a importância de haver uma “sequência” que mostre que, de facto, e “salvo algumas excepções”, “o comportamento violento tende sempre a progredir e a tornar-se cada vez mais violento”.

Questionado sobre quais os comportamentos agressivos mais difíceis de identificar por parte dos adolescentes, Ricardo Barroso conta que, a par da intervenção nas escolas, foram recolhidos dados de cerca de 7.000 estudantes que, quando analisados e tratados devidamente, irão revelar muito sobre a violência nas escolas e a prevalência de cada um destes comportamentos.

Mas foram já retiradas várias conclusões. Esta é uma delas e é particularmente importante: “percebemos que os comportamentos que fazem parte do primeiro grupo, e que têm que ver com violência psicológica, estão extremamente enraizados nos rapazes e nas raparigas”. Surgem, continua o investigador, “como banais, fazem parte do quotidiano e do comportamento dos jovens, e a sua existência é tão comum que chega a impressionar-nos”.

“Frequentes são também as agressões físicas entre colegas, mas também nas relações de intimidade e, embora menos, mas também frequentes, as relações sexuais forçadas e a violação, do lado sobretudo das raparigas”, numa percentagem “bastante elevada”. É aguardar a divulgação.

Conferência Prevenção e Direitos da Criança, 23 de novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian

Outubro 18, 2019 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

mais informações no link:

https://caminhosdainfancia.wixsite.com/conferencia

Aprender a lidar com a violência é uma ferramenta essencial para os jovens

Outubro 8, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Notícia e imagem da TSF de 2 de outubro de 2019.

No âmbito do programa Cidadãos Ativos, o projeto Ser Plus da APAV quer transmitir bases, a centenas de jovens, para lidarem com a violência.

No projeto SER Plus, a Associação de Apoio à Vítima (APAV) quer treinar crianças do ensino primário a reconhecerem situações de violência e a lidarem com elas.

Chama-se Hora do Ser e junta crianças dos seis aos dez anos, professores e jovens universitários numa espécie de momento de brincadeira onde, uma vez por semana, se aprendem coisas sérias como a prevenção da violência.

“Não é uma aula, trabalhamos muito a mímica, jogos que nos permitem trabalhar competências de assertividade, como é que o outro reage perante uma situação de violência, como é que aquela pessoa se sente, procurar na experiência das crianças encontrar resposta para os objetivos do projeto”, explica Rosa Saavedra, da APAV.

A responsável explica que os objetivos do projeto passam por preparar os mais novos para lidarem com potenciais situações de violência, nomeadamente a “empatia relativamente à vítima” para que as crianças sejam “capazes de identificar sentimentos e emoções”, mas também as “consequências que uma situação de vitimação pode desencadear numa vítima”, bem como a capacidade de “identificar estratégias de segurança na eventualidade de assistirem e testemunharem uma situação ou serem elas próprias vítimas”.

Para garantir essa segurança, a APAV ensina as crianças a escolherem uma pessoa adulta de confiança em quem possam pedir ajuda caso venham a ser vítimas de crime. Pode ser um familiar, mas também um professor ou alguém da escola.

“Não é só a pessoa com quem partilha as situações de receio e de medo, à partida será também as situações de felicidade e de partilha positiva”, explica.

Em causa podem estar os maus tratos na família, na escola, mas também a violência sexual. Além da violência física, Rosa Saavedra refere que o programa também trabalha a violência mais difícil de ver a olho nu.

“Não é tão fácil que as crianças aceitem a violência psicológica como violência”, explica, já que não é visível nem tão explícita, o que leva a APAV a trabalhar esta questão.

O projeto Ser Plus quer chegar a 700 crianças em todo o país, a 100 jovens universitários em regime de voluntariado e 150 profissionais de educação, numa lógica de usar a prevenção como ferramenta para defesa dos direitos humanos.

mais informações no link:

https://apav.pt/publiproj/index.php/98-projeto-ser-plus

Nasceu um jogo para prevenir a violência no namoro. Joga-se no smartphone e no computador

Novembro 5, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia e fotografia do Público de 19 de outubro de 2018.

O jogo, denominado “UNLOVE”, pode ser descarregado gratuitamente. Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, considerou que estas ferramentas são “fundamentais, porque falam e são o meio que hoje os jovens utilizam”.

Lusa

O Movimento Democrático de Mulheres (MDM), em parceria com a Universidade de Aveiro (UA), lançou nesta sexta-feira um jogo destinado a adolescentes para smartphone e computador que visa, entre outros objetivos, prevenir a violência no namoro.

Em declarações à Lusa, Joana Lima, do MDM, disse que a finalidade do jogo é “dar ferramentas de treino às crianças e jovens para depois, na sua vida, poderem lidar com situações reais“.

“É um jogo baseado em princípios não moralistas e não limitadores. A personagem que é criada é completamente costumizada. Eu crio uma personagem que me representa a mim e o meu ou a minha namorada”, adiantou Joana Lima. O jogo permite que os utilizadores vivam uma “história de namoro”, onde lhes são colocadas situações sobre as quais terão de tomar decisões comportamentais para prosseguir.

As decisões conduzem a diferentes caminhos de relação e ocorrem em diferentes espaços (a casa, o café, a escola, a praia) e o jogo está desenvolvido para que o jogador vá tomando consciência do resultado das suas decisões.

Na ocasião, a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, considerou que estas ferramentas são “fundamentais, porque falam e são o meio que hoje os jovens utilizam, e tem essencialmente uma abordagem que não é conservadora, nem moralizadora”.

“Temos de ser inteligentes e falar a linguagem, usar o meio, usar os códigos que eles utilizam. Acho que aqui está a chave do sucesso. A minha expectativa relativamente a estes instrumentos é imensa”, disse a governante, apelando a uma “grande difusão” destas ferramentas, levando-as ao conhecimento de todos os agentes educativos do país.

Para crianças e jovens dos 12 aos 18 anos

O jogo, denominado “UNLOVE”, pode ser descarregado gratuitamente para os sistemas Android e iOS e pode ser usado num computador ou no smartphone. Destina-se a crianças e jovens dos 12 aos 18 anos, foi desenvolvido ao longo de 18 meses, com a realização de várias atividades em escolas secundárias do distrito de Aveiro e na UA, abrangendo mais de duas mil pessoas.

O primeiro protótipo surgiu no âmbito de um trabalho desenvolvido por alunos da UA no ano lectivo 2013/2014. Cinco anos volvidos, o MDM partilhou com a comunidade a versão final do jogo, que contou com o financiamento da Secretaria de Estado da Cidadania e Igualdade.

Além do videojogo, em simultâneo foi lançado o guião UNPOP, um ‘kit’ pedagógico para ensinar a utilizar, em contexto educativo, videoclipes que os jovens consomem quotidianamente em elevadas quantidades, e onde estão presentes estereótipos de género, a banalização da erotização e sexualidade, preconceitos e mitos sobre modelos de relação, que podem estar associados ou possam ser geradores de discriminações e de violências”.

Neste momento, o MDM já tem várias solicitações para apresentar os dois produtos em escolas e outras organizações e associações, disse Joana Lima, adiantando que a UA vai garantir a monitorização do impacto que o jogo tem nos estudantes.

Site do jogo:

http://unlove.web.ua.pt/sobre.php

 

 

I Jornadas do Alto Alentejo Contra a Violência, 12 outubro em Ponte de Sor

Agosto 27, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

mais informações no link:

https://apav.pt/jornadas/index.php/home-alto-alentejo

 

Voluntariado Jovem Geração Z

Junho 30, 2018 às 5:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Texto do Portal da Juventude:

Queres ocupar o teu tempo livre durante as férias grandes, ou mesmo até novembro próximo?

Está a decorrer o período de inscrições para jovens voluntários no âmbito do Programa Voluntariado Jovem Geração Z, cujas atividades decorrem até novembro.

Áreas de intervenção

  • Participação cívica;
  • Prevenção da violência no namoro;
  • Prevenção de comportamentos agressivos (bullying);
  • Igualdade de género;
  • Desporto;
  • Intercâmbio cultural;
  • Solidariedade intergeracional;
  • Emprego e empreendedorismo;
  • Turismo juvenil;
  • Inclusão social, com especial atenção para ações dirigidas a jovens NEET;
  • Combate a extremismo e comportamentos violentos;
  • Saúde juvenil;
  • Ambiente;
  • Associativismo.

Podem inscrever-se:

Jovens com idade dos 16 aos 30 anos (inclusive);

Nota: a participação de menores em projetos está  condicionada à entrega da declaração de autorização de participação, assinada pelo encarregado de educação.

mais informações no link:

https://juventude.gov.pt/Eventos/VoluntariadoJovem/Paginas/VoluntariadoJovem-GeracaoZ-Inscricoes-Jovens.aspx

Preventing violent extremism through education: A guide for policy-makers

Maio 15, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

descarregar o guia no link:

http://unesdoc.unesco.org/images/0024/002477/247764e.pdf

Como lidam os jovens com a violência no namoro? Perguntem-lhes

Maio 12, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Texto do Público de 29 de abril de 2018.

Alunos de Valadares mergulharam nas causas e consequências da violência no namoro através de diferentes métodos. E trazem respostas. Entre as soluções está a ideia de que o assunto “deve ser tratado na escola, desde pequenos”, para ajudá-los a reconhecer o problema.

Aline Flor

O que pensam os estudantes sobre as diferentes formas de violência no namoro? Como é que os jovens reagem a este tipo de violência? Que estratégias usar para que compreendam melhor o problema? Para a turma de multimédia do 11.º ano da Escola Secundária Dr. Joaquim G. Ferreira Alves, em Valadares, Vila Nova de Gaia, as respostas vieram sob várias formas.

Ao longo do último ano lectivo, rapazes e raparigas investigaram a violência no namoro com recurso a diferentes métodos: inquéritos, entrevistas, fotografia, teatro. O tema foi escolhido pelos próprios alunos, no âmbito do projecto europeu Catch-Eyou, que em Portugal é coordenado por Isabel Menezes, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP). No ano passado, com a ajuda de investigadores da FPCEUP e através de metodologias ligadas ao Teatro do Oprimido, analisaram algumas dinâmicas de poder presentes na sociedade e que identificam também no seu dia-a-dia.

Ao fim do primeiro ano do projecto, a turma tinha explorado a violência no namoro e a desigualdade entre alunos e professores. “Mas este ano decidimos que a violência no namoro era mais importante”, conta-nos Catarina Machado, 18 anos. Os resultados foram apresentados na semana passada, através posters, vídeos e teatro, num evento aberto à comunidade escolar no qual também estiveram presentes investigadores e outros membros externos para ouvir e debater com os alunos os resultados que encontraram.

“Não é uma coisa de que se fale regularmente, mas sabemos o que é e as consequências que tem”, explica Paulo Silva, 18 anos, que ficou no grupo de rapazes que elaborou o questionário distribuído por turmas do 7.º ao 12.º ano. Perguntaram aos colegas: acham normal um namorado dar uma bofetada à namorada? Pedir-lhe o telemóvel “para ver o que se passa”? E se for ao contrário? As conclusões: “A grande maioria dos jovens é contra a violência no namoro”, apesar de haver estudantes “menos conscientes” sobre as diferentes formas de violência.

E quando o agressor é o nosso melhor amigo, o que devemos fazer? As opiniões dividem-se – e os alunos tentaram mostrar os diferentes pontos de vista num debate em role playing, em que cada personagem representa as conclusões retiradas de cada fonte.

Assunto “deve ser tratado na escola”

Catarina Machado e outras quatro colegas ficaram com as entrevistas; falaram com um agente da polícia e com a representante de uma organização de apoio a vítimas de violência no namoro. Ouvidas as partes, concluíram que o assunto “deve ser tratado na escola, desde pequenos, para interiorizarmos melhor estes temas”. “Muitas vezes nós não vemos as coisas como sendo aquilo que são, e acho que deveríamos ter mais noção das coisas”. Por exemplo? Estar alerta quando alguém numa relação tenta controlar a roupa ou os contactos da outra pessoa. As fontes ouvidas pelas estudantes afirmaram ainda que “os professores deviam ser alertados para este problema”, para estarem prontos para intervir.

O grupo da colega Jéssica Santos, 18 anos, tentou perceber como é que vítimas, agressores e colegas reagem à violência. O método: a fotografia. “Na nossa fotografia, tentamos pôr-nos no corpo da pessoa, sentir o que ela sente. Através disso, encontrar algo que transmita o que a pessoa numa relação dessas está a sentir e tentar fazer com que, ao verem a nossa imagem, as pessoas pensem. Talvez até ganhem uma ideia nova sobre o que é este tema”. O resultado: uma “árvore cronológica” de uma relação violenta, que cresce desde a raiz até dividir-se entre “a decisão de tentar libertar-se dessa relação” e um lado mau, de sofrimento e solidão. Para Jéssica, é preciso “incentivar as pessoas a ajudarem-se umas às outras”. “Muitas vezes vemos as coisas mas não nos queremos meter nos problemas dos outros.”

E o que estará na raiz desta violência? Para o grupo que explorou o tema através do teatro, a resposta está nas “diferentes intenções que levam as pessoas a estarem juntas e o lugar que cada um ocupa na sociedade”, lê-se num dos posters elaborados pelos alunos para apresentar os seus resultados. Mas se, por um lado, “o homem tem alguns privilégios” numa relação e “maior liberdade sexual” do que a mulher, tem também “uma pressão social para se comportar de maneiras pré-determinadas: deve ser forte, protector, determinado, activo”.

O rapaz gosta de futebol, a rapariga de dança

Na peça criada pelos estudantes, os rapazes começam por representar a vida de duas pessoas, “desde bebés até adultos, com vários estereótipos”, descreve Rodrigo Pereira, 17 anos. Por exemplo, “o rapaz gosta de futebol, a rapariga gosta mais de dança”. Para o jovem, corrigir estes desequilíbrios pode fazer com que as mulheres não sejam desvalorizadas, por exemplo, no mercado de trabalho; ou que homens e mulheres tenham menos vergonha de denunciar quando são vítimas de violência. E esta intervenção tem que ser mais próxima dos jovens, ao invés das “muitas campanhas de sensibilização” que não conseguem de facto “sensibilizar os indivíduos que estão em risco de fazer uma agressão”.

O objectivo do projecto Catch-Eyou é pôr os jovens a interessar-se por questões com que se deparam no seu dia-a-dia. Não apenas reflectir sobre as suas realidades, mas também desenvolver uma cidadania activa, a consciência de que podem agir e que isso pode fazer a diferença. “Deu-me oportunidades para expressar a minha opinião e dar um voto para que isto não continue a acontecer”, conta Diogo Santos, 18 anos.

Para Anabela Amaral, presidente do conselho geral desta escola, “o que é importante é ver o processo de decisão, a implicação e a intervenção” dos alunos. E este tipo de abordagem faz com que os jovens aprendam melhor como agir? O que nos dizem eles? “Metiam-nos em papéis para naquele momento sentirmos o que uma vítima e um agressor sentiam, e estudámos várias atitudes que ambos podiam ter. Se uma pessoa já se tiver sentido naquela posição, se calhar já sabia como agir mais tarde quando o assunto fosse a sério”, diz-nos Diogo.

Os resultados a que os estudantes chegaram serão apresentados por eles em Bruxelas, em Setembro, num evento onde alunos de escolas de outros cinco países também vão apresentar os resultados das suas pesquisas sobre outros temas, como a questão dos refugiados.

 

Violentómetro: Travar a violência no namoro antes que esta atinja níveis elevados de agressão

Janeiro 7, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Texto do site http://www.90segundosdeciencia.pt/ de 28 de dezembro de 2017.

O violentómetro é uma tabela que define os diferentes tipos de violência no namoro e nas relações, com o objetivo de alertar os jovens para sinais de uma possível escalada de agressão nos seus parceiros, de forma a prevenir futuros comportamentos de violência.​

Ricardo Barroso, coordenador do Laboratório de Agressão Interpessoal, e professor auxiliar do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), desenvolveu este sistema de referência que é hoje usado em ações de formação para jovens nas escolas portuguesas.

O violentómetro trabalha com crianças e jovens entre os doze e os dezoito anos de idade. Segundo o investigador, os dados obtidos até ao momento referem que existe de facto violência nas relações de namoro.

“Temos encontrado na ordem dos 20% das amostras que recolhemos entre os jovens, sinais de violência no namoro. É óbvio que para lá destes 20% há um conjunto de comportamentos que são entendidos como não sendo problemáticos pelos jovens, como por exemplo, o controlo do telemóvel, das redes sociais, e do que a vítima poderá ou não vestir que, mas que nós procuramos consciencializar como possíveis primeiros sinais de uma escalada de agressão mais grave que poderá decorrer ao longo do tempo”, explica.

Ricardo Barroso reforça que os comportamentos agressivos não começam como atos muito graves logo à primeira vez. Estes normalmente começam com coisas muito simples que acabam por escalar para algo mais sério e violento. Quanto mais cedo esse percurso de escalada for cortado, maiores são as hipóteses da vítima não chegar a sofrer qualquer ato de violência por parte do seu parceiro ou parceira.

Quanto mais cedo a vítima cortar com os comportamentos de abuso do agressor, mais cedo terminará o processo de agressão. “Com uma outra vantagem, é que quanto mais cedo for terminado, maior a probabilidade do agressor não continuar. Quanto mais cedo terminarmos esta escalada, melhor”, alerta.

Saiba mais sobre o investigador em: Linkedin | DeGóis

 

Emoções, Relações e Complicações: Prevenir a Violência ao Longo da Vida – livro digital do Serviço Nacional de Saúde

Dezembro 25, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , ,

visualizar o livro digital no link:

http://biblioteca.min-saude.pt/livro/violencia#page/1

Página seguinte »


Entries e comentários feeds.