Investigação a pedófilos portugueses é ‘case study’ internacional

Fevereiro 2, 2020 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 23 de janeiro de 2020.

Valentina Marcelino

Dois pedófilos portugueses, condenados à pena máxima de prisão, 25 anos, abusaram e violaram bebés e crianças, com idades entre os 2 meses e os 10 anos. O caso Baby Heart trouxe a Lisboa, à sede da PJ, a Europol, a Interpol e a Homeland Security.

Durante, pelo menos, quatro anos, abusaram sexualmente de 12 crianças e bebés em Portugal, filmando e partilhando na internet estes crimes com pedófilos de todo o mundo. Um deles, de 27 anos, que usava o pseudónimo Twinkle, já tinha sido condenado antes por partilhar na internet este género de conteúdos. Criou, alimentou e geriu um site a partir de uma sucata em Águeda e utilizava oito menores seus familiares. O outro condenado, que usava o pseudónimo Forgotten, abusou, entre outros, de um enteado, de 6 anos, e da própria filha, uma bebé de 2 meses, filmou e partilhou na net.

Os dois pedófilos portugueses foram condenados pelo tribunal, a 23 de dezembro passado, à pena máxima de prisão, 25 anos, num caso que ficou conhecido como Baby Heart – o nome do site criado. A investigação foi considerada um case study internacional e, nesta manhã, a Polícia Judiciária (PJ) falou pela primeira vez publicamente sobre o processo numa conferência que contou com a participação da Interpol, Europol e Homeland Security Investigation (EUA). Esta tarde, a Europol publicou um comunicado sobre “como a cooperação internacional levou à detenção” destes abusadores, destacando o papel da PJ.

O fórum foi ganhando notoriedade na comunidade pedofilia de vários países pois incentivava e produzia novos conteúdos envolvendo abusos de menores, promovendo os conteúdos feitos a pedido

O Baby Heart foi criado em finais de 2015, na chamada dark web (rede fechada a um grupo privado de pessoas), por um utilizador que se apresentava como Twinkle. De imediato este fórum começou a ser monitorizado por autoridades internacionais, sem saber ainda a origem ou nacionalidade do seu fundador. “O fórum foi ganhando notoriedade na comunidade de pedofilia de vários países, pois incentivava e produzia novos conteúdos envolvendo abusos de menores, promovendo os conteúdos feitos a pedido”, sublinha ao DN o coordenador da PJ, Pedro Vicente, responsável pela equipa da Unidade de Combate ao Cibercrime (UNC3T) que investiga esta criminalidade.

“Trata-se de um caso paradigmático de cooperação internacional, um case study numa investigação de um processo de exploração, produção e partilha de conteúdos sexuais online“, assinala Pedro Vicente.

Na verdade, esta investigação foi aberta em março de 2017, quando a UNC3T da Judiciária recebeu uma informação da polícia australiana que tinha detido um suspeito pedófilo e apreendido conteúdos retirados do Baby Heart. Havia alguns posts em português e o endereço de uma operadora de telecomunicações portuguesa. Foi o primeiro alerta de que o pedófilo que criara a rede poderia ser português.

A equipa da PJ juntou-se a uma task force internacional, que envolveu a Interpol, a Europol e a norte-americana Homeland Security Investigation, perita em investigação digital. “Os utilizadores do fórum tinham ordens do gestor (Twinkle) para não deixarem rasto algum que permitisse as autoridades poderem identificá-los. Era de tal forma cautelosos que lhes era ordenado que não falassem na sua língua nativa e utilizassem os tradutores da net“, conta Pedro Vicente. A darknet, explica, “é como andar numa rua escura onde se suspeita que há crimes”, mas “a PJ tem equipamento que permite andar à vontade por estas ‘ruas’, apesar de todos os manuais de encriptação e anonimização”.

A intensa cooperação internacional teve os seus frutos e, já com as ‘antenas’ da investigação viradas para Portugal, veio do Brasil a prova que faltava. Em material apreendido a um pedófilo naquele país, estavam registos de contactos com Twinkle, fora dos encriptados fóruns do Baby Heart.

A intensa cooperação internacional teve os seus frutos e, já com as ‘antenas’ da investigação viradas para Portugal, veio do Brasil a prova que faltava. Em material apreendido a um pedófilo naquele país, estavam registos de contactos com Twinkle, fora dos encriptados fóruns do Baby Heart. Twinkle escrevia em português de uma forma que nenhum google translator poderia traduzir, utilizando expressões bem portuguesas como “custou os olhos da cara”. Tudo foi passado a pente fino pela equipa da UNC3T e pelas bases de dados internacionais, cruzados os ficheiros da Trace an Object da Europol (objetos e peças de vestuário identificadas na net em abusos de crianças) com as fotos das redes sociais, analisadas minuciosamente todas as fotos apreendidas.

Predador detido em flagrante

“O trabalho do Laboratório de Polícia Científica (LPC) da PJ foi crucial neste caso”, sublinha o coordenador da UNC3T. Conseguiu tirar uma impressão palmar de uma das imagens apreendidas (por precaução os membros do Baby Heart só mostravam as mãos e nunca a cara) que correspondia à do principal suspeito. O LPC foi distinguido com um prémio internacional.

Em maio, chegou informação da polícia austríaca, obtida da apreensão de mais material a outro pedófilo detido. Este tinha combinado com Twinkle e Forgotten um encontro em Portugal para filmar novos abusos e fazer uma produção exclusiva. As crianças da família iriam ser utilizadas. E a partir daqui a PJ começou a preparar toda a operação para deter, não só Twinkle mas também os cúmplices.

A operação aconteceu a 20 de junho de 2017, liderada pelo inspetor-chefe Jorge Duque. Twinkle foi apanhado em flagrante com duas crianças, todos nus, em casa deste último. Entregou-se e perante todas as provas que a UNC3T já tinha reunido contra si, entregou aos investigadores todo o material que tinha escondido. “Sabíamos perfeitamente que estávamos a lidar com um predador. Ficou desarmado com tudo o que tínhamos e percebeu que não havia escape possível.” À medida que iam fazendo as buscas iam encontrando as peças, objetos, roupas, que já tinha identificado digitalmente. Twinkle levou-os depois ao encontro de Forgotten que também foi detido. Ambos ficaram presos até ao julgamento e estão a cumprir a pena.

Durante o julgamento, a procuradora lamentou que as vítimas tenham ficado “marcadas para a vida”. “São crimes horrendos”, concluiu a magistrada.

Twinkle, que tinha como profissão segurança privado, era acusado pelo Ministério Público de 583 crimes de abuso sexual de crianças e 73 577 de pornografia de menores. As vítimas são oito rapazes e raparigas, quase todos bebés na altura dos factos. São primos e sobrinhos seus. Durante o julgamento, a procuradora lamentou que as vítimas tenham ficado “marcadas para a vida”. “São crimes horrendos”, concluiu a magistrada. Segundo descreve o acórdão, o principal arguido chegava a atar e a algemar os bebés para se manterem numa mesma posição e permitir que filmasse os abusos.

“Podiam ter feito algo para que isto parasse”

Durante a leitura do acórdão, o juiz que presidiu ao coletivo repetiu por duas vezes que no julgamento deste caso “os factos impuseram-se de tal forma que qualquer comentário é desnecessário”. “Os factos falam por si”, salientou, referindo que os dois arguidos condenados a 25 anos de prisão foram considerados “imputáveis” e que “tiveram oportunidade de parar”.

“Podem vir com a conversa da perturbação pedofílica, mas podiam ter feito algo para que isto parasse” como procurar ajuda especializada, insistiu, referindo ainda que ambos “estavam cientes da ilicitude dos atos e continuaram a praticá-los”.

Detido jovem que aliciava menores no Fortnite a enviarem vídeos em práticas sexuais

Janeiro 30, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário as Beiras de 23 de janeiro de 2020.

A Polícia Judiciária (PJ) de Aveiro deteve um jovem de 19 anos suspeito de aliciar menores que conhecia no jogo ‘online’ Fortnite a enviar-lhe vídeos enquanto praticavam atos sexuais, informou hoje aquele órgão de polícia criminal.

Em comunicado, a PJ refere que o jovem, que desenvolvia este seu comportamento “predatório” a partir de casa, numa freguesia do concelho de Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém, é suspeito da prática dos crimes de abuso sexual de crianças e de pornografia de menores.

Segundo a PJ, o suspeito conhecia os menores na sequência da interação proporcionada pelos videojogos jogados na Internet, principalmente “os multijogadores do conhecido Fortnite”, contactando com eles através da aplicação WhatsApp e das redes sociais Facebook e Instagram.

“Criada esta relação de proximidade, instava os menores a filmarem-se com o telemóvel enquanto praticavam atos sexuais de relevo, vídeos esses que depois as crianças lhe enviavam através daquelas plataformas de comunicação”, refere a mesma nota.

De acordo com os investigadores, estes ficheiros destinavam-se a servir a própria satisfação sexual do suspeito, que também os partilhava com outros internautas.

A PJ refere ainda que, para ocultar e dissipar o rasto digital da sua atividade delituosa, o suspeito criava e enviava instruções aos menores, ensinando-lhes a apagar quer a gravação dos vídeos que lhe enviavam, quer os registos digitais gerados pelas comunicações entre ele e as vítimas.

Durante uma busca à residência do suspeito, os inspetores encontraram milhares de ficheiros multimédia de crianças em práticas sexuais explícitas, tendo sido apreendidos telemóveis e diverso material informático, designadamente computadores e discos de armazenamento externo.

O detido foi presente a primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe sido aplicadas as medidas de coação de apresentações diárias no posto policial da área de residência, proibição de usar equipamentos informáticos com acesso à Internet e obrigação de se sujeitar a tratamento psiquiátrico, em instituição adequada.

Ainda na mesma nota, a Judiciária adianta que a investigação vai prosseguir no sentido de tentar identificar o maior número possível das inúmeras vítimas existentes, a partir da análise dos dados apreendidos e da realização de perícias forenses de informática.

TikTok: a rede social que está a “viciar” as crianças

Janeiro 18, 2020 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do site Delas de 9 de janeiro de 2020.

Provavelmente já se deparou nas redes sociais com vídeos provenientes do TikTok ou já viu os seus filhos a dançar para uma câmara sem entender as razões. Saiba tudo sobre esta App.

Provavelmente já se deparou, enquanto vê os stories do Instagram, com várias das pessoas que segue a publicar vídeos vindos de uma App chamada TikTok. Apesar de não ser propriamente recente, parece que só nos últimos tempos é que esta aplicação tem sentido um verdadeiro boom nos seus seguidores e participantes.

Outro cenário possível: também já se deve ter deparado com os seus filhos a dançar avidamente para uma câmara sem entender as razões. Tem dúvidas sobre o que raio é a aplicação TikTok ou se é segura? Nós ajudamos a desvendar este mistério.

O que é e para que serve

O TikTok é uma aplicação que permite aos seus usuários publicar um vídeo de até 15 segundos na sua conta. Desde fingir que se canta a fazer passos de dança ousados, podendo ainda fazer vídeos com amigos ou animais de estimação, uma breve passagem por esta aplicação mostra-nos que humor e criatividade não faltam.

Titania Jordan, responsável de curadoria e entrevistada pelo site Good House Keeping, explica que a aplicação é “muito divertida”, chegando mesmo a ser “viciante”, acrescentando ainda que é uma aplicação “muito popular entre a a Geração Z, particularmente porque consegue combinar o humor, a dança, a música, a performance e o entretenimento num só sítio onde há micro conteúdos intermináveis e adaptados ao que cada um gosta de ouvir, graças ao seu poderoso algoritmo“, explica a especialista.

A especialista explica ainda que alguns usuários fazem os seus vídeos apenas “por diversão”, já outros ambicionam chegar mais longe, vendo os seus vídeos transmitidos a todos os usuários do TikTok – isto quando alcançam muitas visualizações. Desafios constantes e vídeos em formato de memes é algo muito habitual na aplicação, existindo vários jovens a entrar nos desafios e tentar superar-se uns aos outros, criando novas tendências.

É ou não seguro para as crianças e jovens

Esta rede social permite que os usuários se conectem uns aos outros, podendo ver qualquer tipo de conteúdo que não se consegue filtrar, o que começou a preocupar alguns pais.”Embora existam recursos de privacidade, o controlo parental não existe na App“, explica Titania Jordan.

“Os usuários podem entrar em contacto com qualquer pessoa do mundo, uma vez que a plataforma é de cariz público”, continua a explicar a especialista, acrescentando que “embora seja possível bloquear ou denunciar outras pessoas por mensagens inapropriadas, por exemplo, o TikTok não possui controlos parentais mais amplos“, reitera.

Se o Instagram, por exemplo, permite que os perfis sejam privados e que exista um maior controlo sobre com quem se está a falar ou o que se está a ver, esta rede social é publica e permite que todo o conteúdo seja visível a todos os usuários. “Como o TikTok é uma plataforma que incentiva a performance, isto pode facilitar a que alguns ‘predadores’ usem elogios ou métodos idênticos para chegar mais facilmente às crianças e jovens, fazendo com que se sintam especiais”, avisa a especialista em curadoria.

Mas Titania Jordan adverte ainda para mais algumas questões pertinentes: ainda que seja possível colocar o perfil privado, isso não quer dizer que dê para filtrar o conteúdo que o usuário vê. “Mesmo que coloquemos a nossa conta como privada, ainda podemos ser expostos a conteúdo sexual ou violento, porque estes conteúdos são publicados no feed público”, explica, acrescentando ainda que “este tipo de conteúdo pode variar desde vídeos de cariz sexual, passando por mostrar acrobacias fisicamente perigosas (que as crianças acabam por conseguir recriar), tendo ainda a possibilidade de comentários racistas e discriminatórios”, termina por explicar.

Para além do mais, como qualquer outra rede social, o TikTok pode ainda propiciar sentimentos de tensão e ansiedade por se querer criar ‘mais e melhor’, o que pode não ser vantajoso para o publico mais jovem: “As crianças podem ser absorvidas pela pressão de ‘terem’ de criar mais e melhores conteúdos, e isso pode causar sentimentos de ansiedade, especialmente se o seu conteúdo não estiver a ser destacado como popular”, adverte ainda a entrevistada.

As políticas de segurança da App

Para que existisse uma maior consciencialização sobre as políticas de segurança da aplicação, o TikTok fez uma parceria com a Family Online Safety Institute (FOSI), organização internacional sem fins lucrativos, que afirma que a rede social “que oferece espaço para a expressão criativa e oferece uma experiência genuína, alegre e positiva, que vai ao encontro da missão da FOSI de incentivar as famílias a compartilhar de forma positiva as suas experiencias online e a conversar com as crianças sobre o que fazem online”, podemos ler na plataforma digital da instituição.

Conseguimos ainda, na mesma página, ter acesso a algumas dicas de segurança bem como um guia para os pais. São ainda disponibilizados vários vídeos educacionais que ensinam a gerir melhor os controlos no site.

Têm entre 11 e 13 anos e mandam cada vez mais selfies de sexo

Janeiro 16, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 15 de janeiro de 2020.

Paula Freitas Ferreira

De todas as páginas da Internet que mostram imagens de abuso sexual infantil, um terço consiste em imagens feitas pelas próprias meninas, em suas casas, diz a Internet Watch Foundation. Conteúdos sexuais que envolvem crianças estão a aumentar.

O alerta vem da Internet Watch Foundation (IWF): 80% das selfies sexuais encontradas nas redes são imagens de abuso sexual infantil e de crianças do sexo feminino com idades entre os 11 e os 13 anos. São as meninas as principais vítimas de um esquema que as leva a enviar imagens íntimas captadas pelas suas próprias webcams.

A organização encontrou 37 mil imagens do género – cerca de 30.000 eram de adolescentes, descreve a BBC.

Susie Hargreaves, principal responsável da Internet Watch Foundation, diz que o número de casos está a crescer a um ritmo alarmante.

Hargreaves percebeu que as imagens e filmes eram geralmente captados em ambientes domésticos. Havia crianças a olhar para a câmara e a obedecer a pedidos – alguém as ordenava a ter determinado comportamento.

De acordo com a IWF, de todas as páginas da Internet que mostram imagens de abuso sexual infantil, um terço consiste em imagens feitas pelas próprias meninas, em suas casas.

“Estas são imagens e vídeos de meninas que foram coagidas e induzidas a apresentarem-se sexualmente através de uma webcam, e esta situação está a tornar-se uma crise nacional”, disse, referindo-se ao Reino Unido, onde a fundação atua.

As vítimas são cada vez mais novas, uma vez que as crianças começam também a ter cada vez mais cedo acesso a uma webcam, que muitas vezes está no seu próprio quarto.

“São lisonjeadas. Dizem-lhes que são lindas”

“Nessas idades, elas são incrivelmente vulneráveis”, alerta Hargreaves. “Ainda estão a desenvolver-se fisicamente e não têm maturidade emocional para entender o que está a acontecer. “São lisonjeadas, dizem-lhes que são lindas. Costumam pensar que estão a ter um relacionamento com alguém”, explica.

Uma vítima contou à BBC que foi convidada a enviar uma fotografia em topless online para alguém que dizia ser uma agente de modelos.

A vítima, que tinha 13 anos na altura, disse que depois de ter enviado a foto, o comportamento da “mulher” mudou. Foi forçada a enviar mais fotos e a dizer onde morava – sob a ameaça de que a primeira imagem ia ser imprimida e divulgada em locais perto da sua escola.

Um homem chegou mesmo a dirigir-se a sua casa, onde a agrediu sexualmente no quarto e tirou ainda mais fotos.

“Na altura não percebi, mas o agressor que veio a minha casa era a mesma pessoa com quem eu conversava online”, contou a adolescente. O mesmo homem também a ameaçou, dizendo-lhe que se não fizesse aquilo que ele queria, que iria expor publicamente todas as imagens e vídeos da vítima.

Tink Palmer, da Fundação Marie Collins, que trabalha com a IWF, corrobora a perceção da fundação: conteúdos sexuais envolvendo crianças estão a aumentar na web.

“Todos os internautas têm de perceber que estão a infringir a lei quando visualizam esse material, independentemente de quem o tenha publicado ou partilhado”, avisou.

Mais informação na notícia da Internet Watch Foundation:

The dark side of the selfie: IWF partners with the Marie Collins Foundation in new campaign to call on young men to report self-generated sexual images of under 18s

Aplicação TikTok deixa crianças expostas a predadores sexuais

Maio 2, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 5 de abril de 2019.

Uma investigação revelou centenas de mensagens de cariz sexual.

A aplicação de vídeo TikTok está a ser acusada de falhar em proteger crianças que estão a receber mensagens de cariz sexual. Uma investigação da BBC revelou centenas de casos.

São muitos os comentários explícitos que chegam a ser publicados em contas de crianças com apenas nove anos. Apesar da maioria ser apagada pela aplicação quando são reportados pelos utilizadores, os seus autores não são banidos da plataforma, apesar dos regulamentos desta proibirem expressamente estes comportamentos.

A TikTok é uma aplicação que permite a publicação de pequenos vídeos. Tornou-se particularmente popular entre jovens, que a utilizam para gravar vídeos a cantar e dançar, a contar piadas ou a completar desafios. Terá mais de 500 milhões de utilizadores ativos por mês em todo mundo.

Centenas de mensagens e comentários explícitos

Durante três meses, a BBC reportou centenas de comentários que encontrou em vídeos de menores de idade. As denúncias foram feitas através das ferramentas disponibilizadas pela aplicação ao utilizador comum. Apesar da grande parte dos comentários ter sido removida em 24 horas, houve muitos que continuaram públicos e as contas ativas.

Segundo o regulamento, são proibidos quaisquer “publicações ou mensagens privadas que assediem utilizadores menores” e que se a empresa tiver “conhecimento de conteúdo que explore sexualmente ou coloque em perigo crianças (…) alertará as autoridades”.

Para além das mensagens de cariz sexual, há também denúncias de conteúdo misógino, racista, homofóbico e antissemita.

O perigo à espreita

“Estas pessoas estão a usar estas plataformas para ganhar acesso a crianças”, explicou a comissária inglesa para os direitos das crianças, Anne Longfield. Enquanto muitos destes predadores utilizam perfis anónimos, outros não escondem nomes e fotografias reais.

Contactado pela BBC, o pai de uma criança de 10 anos revela que apagou a aplicação do telemóvel do filho depois de ter descoberto mensagens de um homem adulto.

“As mensagens, que continham asneiras, diziam ‘não me ignores’, ‘sei quem és e vou-te buscar’ (…) Se o meu filho tivesse respondido, o que podia ter acontecido a seguir? (…) É nojento, a TikTok tem uma responsabilidade agora e se as pessoas estão a receber mensagens como estas, deviam pelo menos contactar as autoridades”.

Entretanto, a plataforma emitiu um comunicado onde garante estar “comprometida em aprimorar as medidas existentes e introduzir processos técnicos e de moderação adicionais”.

 

Boas notícias para os pais: YouTube desativa canais com conteúdos suicidas e violentos para crianças

Março 20, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 1 de março de 2019.

A secção de comentários em dezenas de milhões de vídeos com menores de idade será também removida, após a denúncia de um circuito de pedofilia existente na plataforma

André Manuel Correia

O YouTube, principal plataforma agregadora de conteúdos audiovisuais do mundo, anunciou ter “cancelado determinados canais que colocam em perigo, de alguma forma, as crianças”, como conteúdos que incitam, por exemplo, ao suicídio ou abrem espaço, na secção de comentários, à apologia predatória do abuso sexual de menores.

A decisão surge na sequência de uma onda indignação e de queixas relativamente a um circuito de pedofilia, desvelado pelo youtuber Matt Watson — sobre o qual pode ler mais neste artigo —, a que se soma a denuncia do blog de pediatria “Pedimon.com” de um polémico vídeo, com desenhos animados, interrompido inesperadamente para explicar a forma correta de cortar os pulsos “para chamar a atenção”.

O Youtube reitera o compromisso em criar atualizações para garantir a segurança dos mais jovens e pede para que todos os utilizadores continuem empenhados na denúncia de todos os vídeos potencialmente nocivos e de teor criminoso.

 

Empresário criou 11 perfis falsos no Facebook para atrair menores

Fevereiro 24, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem da Sábado de 24 de janeiro de 2019.

O método do predador sexual do Porto passava por criar identidades de adolescentes na rede social de maneira a convencê-los a enviar-lhe fotografias íntimas.

Um empresário do Porto criou 11 perfis falsos na rede social Facebook de maneira a entrar em contacto com menores e convencê-los a enviar-lhe fotografias íntimas. De acordo com a acusação do Ministério Público, referida na edição desta quinta-feira do Jornal de Notícias, a abordagem a jovens terá começado em 2012 e terá continuado até 2017, ano em que o homem – agora com 70 anos – foi detido pela Polícia Judiciária do Porto. O caso começa a ser julgado em breve no Tribunal de São João Novo, no Porto.

O método do predador sexual passava por criar identidades de adolescentes e o seu alvo eram, maioritariamente, rapazes de origem africana ou asiática entre os 10 e os 16 anos. As suas personagens tinham nomes como “Luís Manuel”, “José Manuel”, “Filipo Gomez”, “Nani Durão”, Rucas Filipe”, “Andónio”, “Rakell Wish”, “Francisca Chica”, “Mário Lucas”, “Rita João” e “Alex Manu”.

No Facebook, o empresário do Porto também utilizava como fotografias de perfil imagens de adolescentes retiradas da internet, mentindo sobre a sua idade e naturalidade. Está agora acusado de 16 crimes de pornografia de menores e três de abuso sexual.

De acordo com o jornal, a PJ descobriu através de buscas à vivenda do indivíduo, um telemóvel e um cartão de memória com cerca de cinco mil ficheiros de vídeos e imagens envolvendo menores em cenas sexuais. No entanto, depois de detido, o juiz resolveu libertar o arguido sob termo de identidade e residência.

 

 

Grooming: a nova técnica dos abusadores para atrair miúdos

Fevereiro 14, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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thumbs.web.sapo.io

Notícia do Sapo LifeStyle de 8 de janeiro de 2019.

É um fenómeno que preocupa todos os pais. Saiba o que fazer para prevenir que o seu filho seja alvo de um predador através das redes sociais.

A Internet e as redes sociais facilitam a aproximação de predadores sexuais. Se antes montavam estratégias para se aproximar fisicamente e conquistar a confiança dos miúdos, hoje basta criarem um perfil falso e esperarem que as vítimas mordam o isco.

A esse processo de sedução e aliciamento chama-se hoje grooming e mereceu um extenso artigo no jornal espanhol La Vanguardia. Nele, é referido que a maioria desses casos ocorrem quando os miúdos têm entre os 12 e os 15 anos de idade. O grooming é uma forma de assédio a menores praticada por adultos, particularmente profícua na Internet e manifestada em redes e fóruns sociais.

A terapeuta clínica Patricia Santisteban explicou ao jornal La Razon que esses canais funcionam como “um trampolim para os pedófilos ganharem a confiança das vítimas e conseguirem depois obter algum benefício sexual.

Durante esse processo, o agressor passa a conhecer os pontos fracos da criança e utiliza-os para obter o que pretende. Pode conhecer a rotina dos pais, as horas em que o menor está sozinho em casa e até descobrir algum tipo de conflito familiar – ou problema na escola – que não hesitará em explorar a seu favor, fingindo apoiar a criança”, diz a terapeuta.

“A incidência de grooming é semelhante à que antes se verificava fora das redes”, afirma Santisteban, prosseguindo: “Mais do que aumentar, a atividade dos pedófilos mudou.” O que muda fundamentalmente é que decorre em espaços que os pais não conseguem controlar, já que lhes é impossível monitorizar as atividades on-line dos filhos a tempo inteiro ou proibir o uso de redes sociais e telefones. Essas medidas, aliás, e como sublinha a terapeuta clínica, podem ser contraproducentes. “A partir de certa idade, se os pais impedirem os filhos de ter as suas páginas nas redes sociais, eles vão acabar por mantê-las, mas de forma secreta, o que complica tudo”.

Santisteban diz que é preciso estar atento a possíveis comportamentos depressivos dos jovens, reforçando que esse tipo de problema torna-os mais vulneráveis ao assédio.

E há alguma coisa que os pais possam fazer para evitar que os miúdos caiam nessas terríveis armadilhas? O melhor mesmo, diz a especialista, é conversar. Mas deixa algumas estratégias que podem servir aos pais.

Tente ajudar os adolescentes a refletir com quem devem ou não estar em contacto. Lembre-lhes que é melhor não falarem com estranhos ou pessoas com as quais não se dão no mundo real.

Deve alertá-los para as consequências da partilha de fotografias ou vídeos, explicando que mesmo entre namorados é melhor manter alguma privacidade. Recorde-lhes que esses conteúdos, uma vez partilhados, entram no domínio público, ficando eles sem qualquer hipótese de os controlar (podem ser vendidos, manipulados, etc).

Não proíba os adolescentes de usarem redes sociais e smartphones, pois isso pode acicatá-los e levá-los a fazer pior – só que em segredo.

Explique-lhes que, protegidas atrás de um ecrã, as pessoas nem sempre são honestas: podem mentir sobre o nome, o sexo, a profissão, a idade, bem como sobre interesses e hobbies (algo muito comum nos agressores para agradarem e atraírem os adolescentes).

Fale sobre educação sexual. Se eles estão curiosos, vão procurar respostas seja aonde for. É melhor tratar o tema com calma e segurança, por mais desconfortáveis ​​que seja.

 

Direito à privacidade vs. proteção da criança

Novembro 5, 2018 às 5:05 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Tito de Morais publicado no Jornal de Notícias de 26 de outubro de 2018.

A União Europeia (EU) prepara-se para aprovar legislação que poderá resultar na proteção da privacidade de pedófilos e predadores sexuais e, simultaneamente, dificultar a deteção, eliminação e denúncia de material de abuso sexual de crianças.

Em fase avançada de discussão, a proposta de regulamento relativa ao respeito pela vida privada e à proteção dos dados pessoais nas comunicações eletrónicas é uma necessidade, conforme afirmam inúmeras organizações de proteção da privacidade e dos direitos digitais dos cidadãos.

No entanto, através de contactos com a Children”s Charities” Coalition on Internet Safety (CHIS), soube que parece existir o risco de, na sua redação atual, o regulamento tornar ilegal o uso de tecnologias de monitorização das comunicações atualmente em uso por diversas empresas tecnológicas para detetar, eliminar e reportar a existência de material de abuso sexual de crianças.

A redação atual do artigo 5 da proposta de regulamento parece proibir os operadores de serviços online de processar dados e metadados de comunicações eletrónicas “por outras pessoas que não os utilizadores finais”, exceto quando estes derem o seu consentimento. É pouco provável que criminosos como pedófilos e predadores sexuais deem tal consentimento…

Esta falha é incompreensível quando se pretende que o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) e o regulamento agora em discussão se harmonizem e se complementem. Não se compreende, assim, que todas as isenções incluídas no artigo 6 do RGPD estejam ausentes do regulamento em discussão, sobretudo as alíneas c), d) e e).

Se estas isenções não forem adicionadas ao artigo 6 (relativamente a conteúdo e metadados) da proposta de regulamento, as empresas de tecnologia podem não ser capazes de processar, intercetar, remover ou reportar material de abuso sexual de crianças. Tal pode ser facilmente obviado adicionando “verbatim” as isenções relevantes ao artigo 6 da proposta de regulamento.

Faço votos que o Governo português trabalhe para evitar aquilo que organizações de proteção da criança consideram um problema potencialmente grave.

*FUNDADOR DO PROJETO MIUDOSSEGUROSNA.NET

Reino Unido alerta que 80 mil predadores online representam ameaça para menores

Setembro 10, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 3 de Setembro de 2018.

Sajid Javid defendeu que as grandes empresas do setor da Internet, como o Facebook, Microsoft, Google, Twitter e outras, devem combater o abuso online de menores .
O Governo britânico reconheceu nesta segunda-feira a existência no Reino Unido de pelo menos 80 mil predadores sexuais de menores online, advertindo as grandes empresas do setor para eventuais novas leis que obriguem a uma maior proteção das crianças.

A declaração foi feita pelo ministro do Interior britânico, Sajid Javid, que defendeu que as grandes empresas do setor da Internet, como o Facebook, Microsoft, Google, Twitter e outras, devem combater o abuso online de menores e canalizar a mesma intensidade de reação que é utilizada para remover conteúdos extremistas publicados na rede.

Sajid Javid declarou que as ameaças contra as crianças evoluíram mais rapidamente do que as respostas do setor da Internet. Citado pela agência norte-americana Associated Press (AP), o ministro disse que a atividade de pedófilos na Internet registou um aumento “horrífico”.

“Não estou apenas a pedir mudanças. Estou a exigir”, afirmou Sajid Javid. “Se as empresas de tecnologia não tomarem mais medidas para remover este tipo de conteúdos, eu não terei medo de agir”, advertiu o ministro do Interior britânico.

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