Surdos não são mudos: as palavras de Maria são um manual contra a ignorância

Julho 16, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 30 de agosto de 2018.

Quando a intérprete de Língua Gestual Portuguesa (LGP) da escola de Maria Oliveira entrou de licença de maternidade, não houve ninguém que a substituísse. Depois de uma reclamação, o caso acabou por se resolver, mas o episódio, ocorrido neste ano lectivo, o 12.º para Maria, é um dos casos de discriminação que a transmontana de 18 anos recorda.  Foi por esse e outros exemplos — a falta de intérpretes no Serviço Nacional de Saúde é possivelmente o mais gritante — que Maria decidiu que devia fazer algo, contou ao P3.

Num vídeo com quase oito minutos, confronta os preconceitos e ignorância dos ouvintes em relação à comunidade surda numa tentativa de tornar as mentalidades “mais abertas”. E uma das primeiras lições é repetir que os surdos não são mudos, como é costume ouvir-se dizer. “Vocês querem que eu grite?”, desafia a estudante, para logo de seguida provar que tem voz: “O meu nome é Maria”, ouve-se. A primeira língua dela foi a LGP, mas a partir dos três anos aprendeu também português. “Sou bilingue”, diz, deixando mais uma informação que muitos parecem ainda não ter apreendido: a LGP é uma língua, não uma linguagem. Maria Oliveira tem um implante coclear. Na escola, chegou a tocar flauta e violino. Já fez ballet. Recentemente, completou estágios na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego e no Museu do Douro. Fez provas de aptidão profissional com o tema “acessibilidade para o mundo surdo” e por estes dias espera os resultados das colocações na universidade: a sua primeira opção é a licenciatura em Comunicação e Design Multimédia em Coimbra.

Já muito foi feito para melhorar as acessibilidades para surdos, diz Maria Oliveira. Já há intérpretes de LGP nas escolas, universidades, museus e concertos, já há músicas traduzidas no YouTube, exemplifica. Mas o caminho por percorrer é ainda longo — nas escolas, continua a ensinar-se inglês, francês, espanhol e outras línguas. E se LGP também fosse parte do currículo de todos e fosse a “segunda língua oficial do país”? Não sairiam todos a ganhar? “Muitas pessoas dizem que não pareço surda”, conta Maria num vídeo que fez sozinha: “Precisa ter cara de que pareço surda?”, questiona. Há barreiras de comunicação, sim. Há dificuldades extra. Mas não são pessoas diferentes de todas as outras. E há coisas que todos podemos e devemos saber. Se a aposta na LGP e o esforço dos ouvintes aumentar, acredita, já muito muda. O vídeo de Maria, qual manual de combate à ignorância e preconceito, pode ser um bom começo.

 

 

Crianças não nascem preconceituosas, a culpa é do ambiente onde elas vivem

Fevereiro 9, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://paisefilhos.com.br/

Segundo pesquisa, ninguém nasce achando que é melhor que o outro não

Redação Pais&Filhos

Um novo estudo realizado pelos pesquisadores das Universidades de Nova York (NYU) e Amsterdam, mostra que crianças de 5, 6 anos se inspiram nos adultos para formar tanto a personalidade e traços psicológicos quanto a maneira de agir de acordo com o ambiente em que estão inseridas e não pela cor da pele. Essa pesquisa contradiz a ideia de que as pessoas já nascem ou criam com algum tipo de preconceito cedo, na infância, achando que o mundo é dividido por raças e cores e melhores e piores.

Outra descoberta foi que outras características das crianças como crenças variam de acordo com o ambiente em que são criadas, principalmente que convivem em um bairro com pessoas de diferentes etnias e trajetórias de vida.

Por isso, Tara M. Mandalaywala, da NYU, que liderou o estudo disse que “tudo indica que crenças sobre raça se desenvolvem com o tempo em resposta a situações específicas”.

O estudo

Os pesquisadores avaliaram 203 crianças de 5, 6 anos brancas e negras nova iorquinas e 403 adultos brancos e negros americanos. Eles fizeram perguntas sobre se os entrevistados viam a cor da pele como algo que poderia ser herdado e se eles acreditavam que a raça determina o que as pessoas serão quando crescerem (o quão inteligentes, legais, atléticos seriam).

O resultado

As crianças consideram a cor da pele como algo que poderia ser herdado, mas não contribuindo para estereótipos ou preconceitos. Elas esperam que as características comportamentais e psicológicas de uma pessoa sejam determinadas pelo ambiente em que ele ou ela foi criado, não por uma raça herdada.

Marjorie Rhodes, professora de psicologia na NYU, co-autora do estudo, complementa que a pesquisa “sugere que as crenças sobre raça que contribuem para o preconceito levam muito tempo para se desenvolver (isso quando acontece), e esse desenvolvimento depende, de certa maneira, dos bairros nos quais as crianças crescem”. Quanto maior a diversidade, mais fácil de mostrar para as crianças o quão todo mundo é igual e, claro que o seu comportamento faz toda a diferença na visão do seu filho.

 

Porque é que os meninos não devem brincar com bonecas?

Março 14, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Paula Cosme Pinto publicado no http://expresso.sapo.pt/ de 1 de março de 2017.

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Lembro-me de há uns tempos o marido de uma amiga ter ficado altamente incomodado quando ela deixou o filho pintar a unhas com verniz. O miúdo, com pouco mais de cinco anos, achava um piadão às unhas coloridas da mãe e deleitou-se quando viu as suas transformadas num verdadeiro arco-íris. Como podem calcular, a única coisa de que o miúdo não gostou, nem sequer percebeu, foi a zanga. Conto este episódio porque já discorremos sobre ele em conjunto e porque é apenas um entre os muitos que acontecem entre pais e filhos, quando os primeiros têm dificuldade em deixar cair ideias pré-definidas no que toca ao que é apropriado a meninas e meninos. Afinal, qual é o mal de um miúdo querer pintar as unhas?

O mal está exclusivamente na cabeça dos adultos, que carregam consigo uma série de preconceitos, enraizados na nossa sociedade há séculos e que demoram a cair, mesmo quando estamos despertos para a necessidade urgente de o fazer. Continua a existir uma vontade e necessidade de se colocar rótulos naquilo que é esperado de cada género, desde criança, seja na forma como nos comportamos em sociedade e no seio familiar, nas atividades que gostamos de fazer, nas escolhas para o futuro. Em parte, isto também explica porque teimamos em dar carrinhos, bolas e miniaturas de materiais de construção aos garotos, enquanto que às garotas a escolha habitual – e igualmente pouco refletida – vai para cozinhas em miniatura, tiaras de princesa e bonecos ao género do bebé chorão.

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Muito se tem falado sobre a importância de estimularmos as meninas a fazerem outro tipo de atividades nas suas brincadeiras para além do universo cor-de-rosa, desde o desporto às ciências. Fazemo-lo convictos de que a alteração de certos padrões associados às expectativas que recaem sobre o sexo feminino desde tenra idade venham a contribuir para que elas se possam transformar em mulheres menos submissas, menos espartilhadas nas suas escolha e com a confiança suficiente para escolherem o que bem lhes apetecer para o seu futuro, mesmo que seja um trabalho ou atividade regra geral associado ao sexo masculino. Contudo, temo-nos esquecido constantemente de fazer o exercício contrário: promover a igualdade de género também entre os meninos e rapazes, dando-lhes espaço para serem e fazerem aquilo que mais gostarem. Para além dos tais rótulos do que supostamente é para menino ou para menina.

#ABoyCanToo, o projeto que todos devemos espreitar

Há uma fotógrafa canadiana que se dedica precisamente a tentar quebrar este estereótipos de género tão comuns na educação das crianças há mais de uma ano. Baseada nas diferentes personalidades dos seus três filhos, Kirsten McGoey começou em 2016 um movimento fotográfico associado à hashtag #ABoyCanToo, que se tornou num enorme sucesso. Em 2017, a primeira foto que publicou foi precisamente a de um menino a pintar as unhas e foi por isso que me lembrei de hoje o partilhar convosco.

As fotos de McGoey são feitas em estúdio, com meninos e pré-adolescente dos 4 aos 16 anos. Um género de elogio às suas escolhas, como fonte de inspiração para outras crianças que não se sentem à vontade para fazer coisas tão simples quanto patinagem artística, sapateado, cozinhar, brincar com bonecas, usar cabelo comprido e por aí fora. O resultado é um conjunto de retratos simbólicas que para muitos podem até ser desconfortáveis, mas cuja leitura aos olhos de uma criança não deveria ser mais do que normalidade.

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Hoje, o projeto alargou-se (e até aceita propostas de outros países), mas McGoey começou por fotografar os seus próprios filhos, fascinada pela diversidade de comportamentos e escolhas que cada um fazia individualmente. Tanto gostavam de jogar à bola e de brincar às lutas, como também gostavam de dançar, de usar peças cor-de-rosa e de fazer bolos (principalmente o filho do meio). O mais importante? Não era nenhuma destas coisas isso que os definia no seu todo. Não é o facto de gostarem de usar cor de rosa ou de brincarem com bonecas que os torna menos rapazes, nem tampouco menos masculinos. Não é isso que vai ditar o futuro da sua vida, incluindo as escolhas afectivas ou de orientação sexual. Escolhas que, quer queiramos quer não, serão individuais, sem direito a opinião alheia, incluindo a dos pais.

Aos olhos desta mãe tudo isto era e é cada vez mais claro: como crianças que são, devem ter espaço para explorar e descobrir os seus gostos individuais, e terem a liberdade para fazerem escolhas, sem os espartilhos criados pelos preconceitos dos adultos. Preconceitos que as crianças vão aprender rapidamente e adoptar para as suas vidas, tanto na sua autopercepção como na percepção do próximo. Se não queremos ter crianças preconceituosas, cabe-nos a nós dar-lhes o bom exemplo desde cedo e estarmos abertos para as clarificar quando as dúvidas surgirem. Mesmo que tal não aconteça em casa, acreditem, mais cedo ou mais tarde alguém lhes vai dizer que não é normal um menino brincar com bonecas ou pintar as unhas. Haja alguém que lhes explique que fazer esse comentário é que não é normal.

Espreitar este magnífico trabalho em conjunto pode ser um bom ponto de partida para mostrarem às crianças que vos rodeiam que o preconceito individual de cada uma nós depende… só de nós mesmos.

 

 

 

Abusos sexuais: há juízes que só acreditam se a “criança chorar”

Fevereiro 1, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Catarina Ribeiro ao https://www.publico.pt/ de 23 de janeiro de 2016.

Psicóloga entrevistou juízes e procuradores nFactos/Fernando Veludo

Psicóloga entrevistou juízes e procuradores nFactos/Fernando Veludo

 

Catarina Ribeiro, psicóloga do Instituto de Medicina Legal, estudou perspectivas de juízes e procuradores. Tese de doutoramento conclui que crenças e preconceitos influenciam a forma como decidem processos de abuso sexual intrafamiliar.

Ana Cristina Pereira

Primeiro, estudou as perspectivas das crianças vítimas de abuso sexual intrafamiliar. Depois, as perspectivas dos magistrados. Quis perceber o processo de tomada de decisão nos processos de promoção e protecção e nos processos-crime. Fez um estudo qualitativo, que envolveu entrevistas semi-estruturadas a 27 procuradores do Ministério Público e a 25 juízes. A tese de doutoramento Decisão judicial em casos de abuso sexual de crianças no contexto familiar: perspectivas, experiências e processos psicológicos de magistrados foi aprovada, com distinção, pela Universidade do Porto. Catarina Ribeiro, professora da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica do Porto e técnica do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, encontrou “forte adesão a práticas baseadas em crenças e não em evidência científica”.

Os magistrados do Ministério Público são diferentes dos magistrados judiciais?

Há uma discrepância muito grande. Os procuradores parecem estar muito mais abertos ao conhecimento científico e muito menos autoconfiantes nas suas capacidades pessoais. Os juízes têm um discurso mais centrado nas suas capacidades, na sua superioridade, não só em relação aos procuradores, como em relação aos outros profissionais que trabalham este tipo de processos. “O juiz é o perito dos peritos”, diz um deles. “É um bocadinho como ser Cristo na Terra”, diz outro.

Por isso dão tanta importância ao contacto directo?

Este grupo dá muita importância ao contacto directo com a criança e com o arguido, ao que chama o imediatismo, que é um termo muito jurídico. Nós conhecemos muito mais as características das crianças – limitações e potencialidades ao nível da memória, da linguagem, das dinâmicas que têm a ver com ansiedade – do que a abordagem que é feita por estes profissionais. E temos estes profissionais que neste estudo verbalizam, na sua maioria, entenderem que têm boas capacidades para recolher o testemunho das crianças e que ao mesmo tempo revelam pouco conhecimento científico sobre as reais potencialidades do testemunho das crianças.

Têm crenças?

Sim. Crenças sociais, preconceitos, estereótipos. Há juízes que entendem que a criança tem de manifestar sofrimento e que esse sofrimento tem de ser visível naquele contacto imediato, por exemplo. Há magistrados que dizem: “Tenho de ver a criança chorar à minha frente.” Alguns acham que a criança tem de dar todos os detalhes, nomeadamente dizer as horas, os detalhes periféricos sobre o espaço.

O que é expectável?

Depende da fase de desenvolvimento em que a criança se encontra (a partir dos 3, 4 anos de idade, mesmo com dificuldade, conseguem fazer relatos simples). Há vários factores a ter em conta. Quantas vezes a criança foi entrevistada? Por quem? De que forma? Quanto tempo é que passou desde o evento? Muitas vezes há um hiato muito grande entre o evento e a recolha do testemunho. No abuso intrafamiliar, o segredo é uma das características mais centrais.

Que perícias psicológicas pedem os magistrados?

O que este grupo de magistrados enfatiza é a credibilidade do testemunho das crianças. Pede uma perícia muito direccionada para avaliar se a criança tem capacidade para dar um testemunho que possa ter considerado credível. Do grupo de 52 magistrados, quatro juízes afirmam que se pudessem se recusariam a pedir perícias porque sentem que o que os peritos fazem eles conseguirem fazer. Lembro-me de uma pessoa que disse: “Eu não preciso de peritos, porque aquilo que eles fazem eu também consigo fazer, porque sou um bocado psicóloga, sou muito intuitiva, sou muito sensível”. Houve outra que disse: “Eu mal vejo uma criança a entrar percebo o que ela está a sentir porque sou muito intuitiva.” Esta confiança cega na intuição é problemática.

A maior parte considera o apoio dos peritos da psicologia útil?

Sim. E isso é importante destacar, porém, essa utilidade é muito associada à credibilidade. Estão muito mais interessados em perceber se a criança tem ou não capacidade de testemunhar do que em perceber o impacto do evento.

Há mais pedidos de perícia no âmbito dos processos-crime do que no âmbito dos processos de protecção?

Há. Isto é um dado importante. Parece haver uma discrepância entre a avaliação do testemunho e a avaliação de outras dinâmicas psicológicas que podem estar associadas a esta situação de eventual abuso.

Há tendência para pensar que as crianças mentem?

Temos um pequeno grupo neste estudo – são dez magistrados, a maior parte procuradores – que refere: “Nós não podemos olhar para o testemunho da acriança como mais falível do que o de um adulto”. Aliás, há um magistrado que diz: “Se o problema fosse as pessoas distinguirem a verdade da mentira, os tribunais fechavam porque a maior parte dos adultos mente em tribunal.”

Esses são a minoria…

A maior parte refere as crianças como testemunhas pouco credíveis, com mais tendência a mentir do que os adultos. Há um magistrado que diz: “As crianças vêm muitos filmes e têm muitas fantasias e portanto não podemos acreditar na maior parte do que elas dizem.” São perspectivas muito pouco fundamentadas. Alguns acham que as crianças mentem para castigar os adultos, por exemplo, quando isso é a excepção, não é regra. Alguns acham que as crianças não são capazes de produzir um testemunho real, que se lhe dissermos alguma coisa facilmente vão acreditar. A perspectiva sobre o testemunho da criança é essencialmente negativa.

Em que se baseiam?

Estas perspectivas negativas baseiam-se mais em crenças sociais do que em evidência empírica. Há um grupo que tem uma perspectiva mais autocritica e que diz: “Calma. Os miúdos têm problemas comuns aos adultos e problemas que podem ser contornados através de uma postura melhor da nossa parte.” Reforçam muita a ideia: “Nós temos que nos adaptar, podemos recorrer aos peritos.”

Isto choca com o estudo que desenvolveu sobre crianças…

O meu estudo e outros feitos noutros países mostram que as crianças têm noção que quando entram nos tribunais têm de dizer a verdade e algumas acham que podem ser castigadas se não o fizerem. Isto é interessante porque depois há estes profissionais que dizem que as crianças mentem imenso ou têm mais tendência a mentir, o que, segundo a investigação científica, não é verdade.

Que outras contradições há entre as percepções das crianças e as dos magistrados?

Quando fiz a recolha de dados com crianças percebi que a principal expectativa delas era que o abuso acabasse e que a família se reorganizasse. Muitas das medidas de protecção eram vistas como punitivas. Na maior parte das vezes, isso tem a ver com necessidade de tirar a criança. Essa medida muitas vezes é necessária e é o melhor para a crianças, nem sempre o que as crianças querem é o que é melhor para elas, mas não posso deixar de dizer que os magistrados parecem ter muito pouca noção do que as crianças desejam que a justiça faça. Estão muito focados no processo. Têm de ser objectivos a analisar os dados. Mas o que aconteceu a esta criança? Sentiu-se segurança depois disto? Cresceu melhor? Parece que há um certo desfasamento.

 

 

Campanha “Despir os preconceitos, Vestir a Inclusão”

Julho 28, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto da EAPN Portugal de 21 de junho de 2016

Campanha “Despir os preconceitos, Vestir a Inclusão” No seguimento do trabalho realizado pelos Núcleos Distritais do Núcleo Regional do Centro da EAPN Portugal (Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria, Santarém e Viseu), juntamente com os Conselhos Locais de Cidadãos desses mesmos distritos, constituídos por pessoas que experienciam ou experienciaram situações de pobreza e/ou exclusão social, surgiu a necessidade de sensibilizar para a desconstrução de preconceitos e estereótipos. Pessoas com deficiência e incapacidades, idosos, desempregados, minorias étnicas e migrantes, famílias em situação de pobreza, pessoas sem abrigo, ex-toxicodependentes e ex-reclusos são alguns dos grupos socialmente vulneráveis ainda sujeitos a preconceitos e estereótipos pela sociedade, impedindo a sua plena inclusão.

Assim surgiu a Campanha “Despir os Preconceitos, Vestir a Inclusão”, apresentada no passado dia 17 de junho, em Coimbra, por todos os que diretamente estiveram envolvidos neste processo. A dinamização desta Campanha consiste na distribuição de materiais (cartazes, crachás, sacos e canetas) junto de entidades e organismos que trabalham diretamente com estes grupos, assim como escolas e outras instituições, no sentido de sensibilizar para o combate deste tipo de estereótipos e preconceitos, contribuindo, desta forma, para a inclusão social.

A DISTRIBUIÇÃO DE MATERIAIS DA CAMPANHA É GRATUÍTA

PARA SABER COMO OS PODE OBTER CONTACTAR, POR FAVOR, OS seguintes Núcleos Distritais da EAPN Portugal

Castelo Branco; Coimbra; Guarda; Leiria; Santarém e Viseu

– os contactos encontram-se em www.eapn.PT

 

 

 

 

 

Crianças livres de preconceitos: lembrem-se, pais, que ‘quem cala consente’

Novembro 3, 2015 às 10:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto da http://activa.sapo.pt/ de 25 de outubro de 2015.

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Os estudos mostram que é preciso falar com as crianças. não termos preconceitos não chega. O silêncio abre a porta à discriminação.

Bárbara Bettencourt

Queremos que os nossos filhos cresçam capazes de formar as suas próprias opiniões sobre o mundo. Educar, diz-se, é conduzir para a autonomia. Mas até que sejam capazes de pensar por si cabe-nos incutir-lhes regras e valores. Obviamente os nossos valores. Inevitavelmente também os nossos preconceitos. Os cães são maus. Os meninos não andam no ballet. As meninas não brincam com carrinhos. Há milhares de preconceitos e formas de os passar às crianças. Será possível evitá-lo? Não, diz a psicóloga Ana Paula Trindade. “Passamos sempre os nossos preconceitos. Alguns de forma assumida outros de forma inconsciente. “Se a mãe tem medo de cães, vai ficar perturbada quando vir um animal, agarrar na mão do filho e mudar de passeio, mostrar-se ansiosa se ele quiser fazer festas.” Não podemos evitar ser modelos. “E o que dizer daquelas famílias que dizem mal de tudo o que as rodeia, que mostram vivências negativas das intenções alheias (do vizinho, do chefe, da sogra), daqueles pais que quando entram no carro emitem juízos mordazes contra a diferença (pela cor, pela forma de pensar, pela origem). Não se duvide que geraremos pessoas intolerantes, racistas, xenófobas”, garante o psicólogo espanhol Javier Urra no livro ‘Educar com Bom Senso’ (Esfera dos Livros).

“O que somos é o que iremos passar aos nossos filhos”, corrobora Ana Paula Trindade. E, mesmo não indo tão longe como a família de que fala Javier Urra, é verdade que por vezes não temos noção do peso daquilo que dizemos, sobre os nossos filhos, sobretudo quando são pequenos. Segundo os especialistas em Psicologia do Desenvolvimento, as crianças começam a aplicar estereótipos entre os três e os seis anos. Antes dos 10 não conseguem formar opiniões por si, são autênticas esponjas para quem o que os adultos dizem é lei.

Foi também o que concluíram dois estudos sobre o preconceito nas crianças feitos na Universidade de Toronto e publicados em 2012 no Personality and Social Psychology Bulletin.

Nas pesquisas, as crianças foram separadas em dois grupos e colocadas em salas diferentes. Eram instruídas pelos adultos de que os meninos da outra sala eram maus. De seguida os grupos trocavam de sala e ao entrarem encontravam doces que o outro grupo tinha deixado de presente. A ideia era perceber se a perceção das crianças acerca dos outros era mais influenciada pelo que os adultos diziam ou pela sua própria experiência. Nos resultados percebeu-se que só as crianças mais velhas conseguiam sobrepor a sua experiência – deram-me doces – à opinião dos adultos – eles são maus. Os mais novos continuaram a percecionar o outro grupo como sendo de meninos maus, tal como os adultos tinham dito. Os investigadores concluíram que nas crianças pequenas o que os pais dizem é muito determinante, pelo que para prevenir o preconceito é bom que os pais falem de forma explícita e positiva acerca de outras raças. Às mais velhas será importante dar oportunidades de estarem em ambientes multiculturais diversos – com meninos de raças, países e costumes diferentes – que lhes proporcionem experiências positivas e lhes permitam formar uma opinião por si.

Pais seguros têm menos preconceitos

À partida, quanto menos inseguros forem os pais, menos preconceitos passarão aos filhos, sugere a psicóloga Ana Paula Trindade. “Estes pais admitirão visões diferentes e não irão ridicularizar as coisas que os filhos valorizam, mesmo que sejam diferentes das que eles valorizam.” No filme ‘Billy Elliot’ conta-se a história de um rapazinho com gosto pelo ballet que tem de ultrapassar o preconceito do pai, para quem a dança é coisa de mulheres. Ana Paula Trindade conhece várias histórias deste tipo. “Tenho um caso de um rapaz que tinha assumido a homossexualidade com 19 anos. Veio ter comigo e trouxe a mãe, porque não sabia como lhe dizer. Eu falei com a mãe, que curiosamente aceitou bem, mas disse: ‘Eu quero que ele seja feliz, mas o que é que os outros vão dizer? Como é que eu digo à família?’ É um bom exemplo do peso social no preconceito.”

Obviamente não podemos fugir às nossas preferências. “Se somos ateus, não metemos os filhos na catequese. Mas se mostrarem interesse pela religião não temos que dizer que é uma treta. Podemos dizer que não acreditamos, mas há pessoas que acreditam: Dizemos o que pensamos e deixamos uma porta aberta para a criança poder formar uma opinião por ela própria”, sugere. Também há valores que fazemos questão de passar aos filhos. É importante distinguir valores de preferências e, em qualquer caso, “ter cuidado para não os ‘castrar’ demasiado. Por exemplo, há formas hábeis de condicionar as crianças a hábitos saudáveis sem lhes dar a sensação de que não têm escolha. Em vez de dizer ‘não podes comer bolachas!’, é mais eficaz dizer ‘queres pão com marmelada, queijo ou fiambre?’. Desta maneira damos várias opções que são aceitáveis para nós. Esta via é sempre melhor porque tudo o que é imposto tem tendência a ser contrariado”, lembra a psicóloga.

Explicar às crianças o que é a raça e a cor da pele é bom ou mau para elas?

Há quem pense que é mau. Afinal, falar seria chamar a atenção para uma diferença quando o que se pretende é que as crianças cresçam com o sentido de igualdade. “Durante décadas, presumimos que as crianças só veem a raça quando a sociedade chama a sua atenção. Esta ideia era partilhada por grande parte da comunidade científica”, contam Ashley Merryman e Po Bronson no livro ‘Choque na Educação – Como os nossos erros estão a afetar os nossos filhos’ (Lua de Papel). Os autores defendem que falar abertamente é essencial, pela simples razão de que as crianças discriminam por natureza, faz parte do seu desenvolvimento. Categorizam tudo, desde a comida aos brinquedos, passando pelas pessoas e a sua cor. E contam como um estudo da Universidade do Colorado mostrou que aos seis meses os bebés já diferenciam rostos familiares de estranhos: “A raça propriamente dita não tem qualquer significado étnico mas os cérebros registam as diferenças de cor da pele e tentam perceber o seu significado”, explica Merryman. Aos três anos mostraram às crianças fotografias de outros meninos perguntando de quais queriam ser amigos e 86% escolheu crianças da sua raça. Aos cinco deram-lhes baralhos de cartas com desenhos de pessoas e pediram para as dividirem em dois montes. 68% usou a raça para dividir as cartas sem ter recebido qualquer instrução nesse sentido. Isto acontece com crianças que têm pais que não querem que os filhos sejam racistas. Se os próprios pais forem racistas será obviamente pior. Ana Paula Trindade conta um caso emblemático: “Na clínica, uma das nossas pediatras era de raça negra. A receção tinha ordens para dizer que a pediatra era de cor, porque havia pais que quando a viam diziam ‘não quero uma pediatra negra para os meus filhos’. E era uma excelente pediatra. O que é que estes pais estão a ensinar aos filhos?”

Pôr o preto no branco

Só que falar sobre as raças com os filhos pode revelar-se mais difícil do que parece. Num estudo da Universidade do Texas, em 2006, ficou patente a dificuldade, mesmo quando os pais não são racistas. A pesquisa recrutou 100 famílias caucasianas com um filho entre 5 e 7 anos e tentou perceber se ver vídeos infantis com histórias multiculturais tinha um efeito positivo nas crianças. A um terço dos casais foi dito para verem os vídeos com os filhos. Outro terço devia ver os vídeos e conversar com os filhos sobre as raças, o último terço não via vídeos, só falava sobre o assunto. As crianças que só tinham visto os vídeos não mostraram modificações na atitude racial. Nos casais que conseguiram falar abertamente sobre a amizade racial (só seis em 100!) a atitude das crianças mostrou ser menos preconceituosa. O surpreendente foi a maioria dos pais ter confessado que não tinha sido capaz, ou não queria, falar sobre raças com os filhos. Os que tentaram usavam frases vagas, como “somos todos iguais”… Quando testados, os seus filhos mostraram ter preconceitos e alguns até a convicção de que os pais eram racistas, apesar de não ser verdade.

Merryman está convicta de que é importante falar com as crianças sobre as raças, porque além de discriminarem tudo elas estabelecem preferências baseadas nas semelhanças. Colocá-las em ambientes multiculturais, como escolas multirraciais, não chega. Os estudos mostram que o preconceito não diminui nestas escolas. Pelo contrário, são as próprias crianças a estabelecer um mecanismo de segregação. Falar desde cedo parece ser a forma mais eficaz de evitar o preconceito, desde que seja de forma bem explícita. Evite frases vagas. Merryman conta: “Uma amiga minha dizia vezes sem conta ao filho de 5 anos, ‘lembra-te, somos todos iguais!’. E pensava que estava a passar a mensagem, mas ao fim de sete meses o filho perguntou: ‘Mamã, o que quer dizer igual?’.”

 

 

Alunos de turmas PIEF de Lisboa dizem não aos rótulos! – Vídeo

Junho 16, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Jovens que frequentam o Programa Integrado de Educação e Formação (PIEF) em diversas escolas na grande Lisboa juntaram-se numa campanha de combate à estigmatização, organizada pelas 6 entidades que trabalham em parceria com as respetivas escolas. Por frequentaram este programa, muitos são imediatamente “catalogados” de forma negativa por muitos dos agentes educativos e pela sociedade em geral.

Seminário Europeu “Lidar com o Discurso de Ódio Online e Offline”

Dezembro 5, 2013 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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As inscrições decorrem até 6 de dezembro em: http://www.odionao.com.pt/campanha-em-acao.aspx


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