Unicef: “mundo falhou em proteger as crianças em 2018”

Janeiro 15, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Unicef/Ashley Gilbertson Na República-Centro Africana Africana o conflito piorou e duas em cada três crianças precisam de assistência humanitária

Notícia da ONU News de 28 de dezembro de 2018.

Agência destaca abusos ocorridos em vários conflitos, incluindo a pobreza extrema; comunicado ressalta que atrocidades acontecem de forma quase impune e situação está piorando.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, alerta que o futuro das crianças está em risco em nações onde ocorrem conflitos devido às violações cometidas pelas partes envolvidas nos confrontos.

Em comunicado emitido esta sexta-feira em Nova Iorque, o diretor de Programas de Emergência do Unicef, Manuel Fontaine, aponta que líderes mundiais falharam em  responsabilizar os autores dessas violações.

Zonas de Conflito

Para o representante do Unicef, as crianças que vivem em zonas de conflito em todo o mundo continuam sofrendo com a pobreza extrema.

Fontaine destacou que por muito tempo, as partes envolvidas em confrontos têm cometido atrocidades com quase total impunidade, uma situação que “está piorando”.

O responsável disse que “muito mais pode e deve ser feito para proteger e ajudar” crianças que vivem em países em guerra, que “estão sendo atacadas diretamente, usadas como escudos humanos, mortas, mutiladas ou recrutadas para combater”.

Síria

Fontaine mencionou crimes como estupro, casamento forçado e sequestros que se tornaram um padrão de táticas nos conflitos como na Síria, no Iêmen, na República Democrática do Congo, na Nigéria, no Sudão do Sul e no Mianmar em 2018.

Ele também cita o Afeganistão, onde “a violência e o derramamento de sangue ocorrem diariamente”. No país, mais de 5 mil crianças morreram somente no primeiro semestre do ano.

Nigéria

A nota destaca ainda o conflito no nordeste da Nigéria com grupos armados, incluindo facções do grupo terrorista  Boko Haram, que usam meninas como alvo. Elas são estupradas, forçadas a se tornarem esposas de combatentes ou usadas como “bomba humana”.

Nos Camarões aconteceu uma escalada do conflito nas regiões do noroeste e sudoeste. Nesses locais, “escolas, alunos e professores  são frequentemente atacados”.

Na República Centro-Africana o conflito piorou e duas em cada três crianças precisam de assistência humanitária.

Escolas

O representante do Unicef pediu aos países que cumpram suas obrigações sob a lei internacional “e parem imediatamente com as violações contra crianças e ataques contra infraestruturas civis, incluindo escolas, hospitais e fontes de água”.

Fontaine disse que “muito mais precisa ser feito para prevenir as guerras e acabar com os vários conflitos armados que arrasam a vida das crianças de forma desastrosa”. Ele declarou que “ataques contra crianças nunca devem ser admitidos”.

O diretor apela que as partes nos confrontos sejam obrigadas a cumprir a obrigação de proteger as crianças, caso contrário “elas, suas famílias e comunidades continuarão sofrendo consequências, agora e por muitos anos.”

 

 

Noma, a doença que corrói o rosto das crianças mais desfavorecidas

Setembro 5, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 24 de agosto de 2018.

Ana Cristina Marques

Afeta crianças dois 2 aos 6 anos que vivem em pobreza extrema. O casos mais frequentes ocorrem na África subsariana. Investigação recente aponta miséria como principal fator de risco.

É conhecida como o “rosto da pobreza”. Noma é uma doença que destrói o rosto das crianças que vivem em contextos de pobreza extrema. O termo vem do grego e significa “devorar”. É uma doença necrosante destrutiva da boca e do rosto. Conhecida há mais de 1.000 anos, só em 1994 a noma foi considerada um problema de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde. A entidade estima que, todo os anos, 140 mil crianças contraem a doença.

No princípio, a doença assume a forma de uma ferida no interior da boca, na gengiva, tal como se lê neste boletim informativo realizado pela OMS. A lesão evolui depois para uma “gengivite ulcerativa necrosante que se propaga rapidamente, destruindo os tecidos moles intra-orais e os ossos, progredindo para perfurar os tecidos duros e a pele do rosto”. Sem tratamento, o noma é considerada uma doença mortal em 90% dos casos mas, quando detetada precocemente, pode ser rapidamente travada (cuidados de higiene e antibióticos são parte da solução).

A doença em causa afeta sobretudo crianças dos dois aos seis anos de idade que têm uma alimentação deficiente, que vivem em pobreza extrema e cujo sistema imunitário está debilitado. Os casos mais frequentes ocorrem na África subsahariana, embora haja relatos raros descritos na América Latina e na Ásia. Uma vez afetados, os doentes podem morrer de septicemia, mas também de desidratação grave e de desnutrição. Já os sobreviventes ficam com graves mutilações faciais, bem como dificuldade em falar e comer. A par disto tudo, quem sobrevive à noma, garante a OMS, corre o risco de ser ostracizado socialmente.

O jornal espanhol El País cita uma pesquisa recente sobre a noma, na qual uma equipa dos Médicos Sem Fronteiras analisou um total de 74 casos recebidos naquele que o jornal descreve como sendo o primeiro hospital em todo o mundo dedicado à doença, em Sokoto, no noroeste da Nigéria. As conclusões do estudo, publicado na revista especializada PLOS NTD, apontam para aquilo que já então se desconfiava: o principal fator de risco é mesmo a miséria, com o problema a ser, sobretudo, uma dieta pobre e monótona, assente em papas de milho. O colostro, o primeiro leite que uma mãe dá ao filho, pode ser uma defesa contra a doença. Os investigadores admitem saber muito pouco sobre a doença, uma vez que os doentes vivem em lugares de difícil acesso.

 

Cerca de 385 milhões de crianças viviam, em 2013, em pobreza extrema

Outubro 4, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 4 de outubro de 2016.

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Agência Lusa

Os dados são de 2013 e aparecem num relatório da Unicef e do Banco Muncial, que alerta que as crianças são afetadas desproporcionalmente pelas más condições de vida.

Cerca de 385 milhões de crianças, entre os zero e os 17 anos de idade, viviam em 2013 em situação de pobreza extrema, de acordo com um estudo conjunto da Unicef e do Grupo do Banco Mundial, divulgado esta terça-feira.

Os dados fazem parte do relatório “Terminar com a Pobreza Extrema: Um Foco nas Crianças” (na tradução para português), relativo a 2013, que revela que as crianças têm duas vezes mais probabilidades de viver na pobreza extrema do que os adultos. De acordo com o estudo, “19,5% das crianças nos países em desenvolvimento faziam parte de agregados familiares que sobreviviam com 1,90 dólares [1,70 euros] por dia ou menos por pessoa, comparativamente com 9,2% dos adultos”. Mesmo quando o estudo avaliou os agregados familiares que subsistem com 3,10 dólares [2,76 euros] por dia, por pessoa, as crianças continuam a ser as mais afetadas, havendo 45% de menores que vivem nestas condições, contra 27% de adultos.

Segundo a Unicef, este é um estudo que surge na sequência do relatório de referência do Grupo do Banco Mundial, “Pobreza e Prosperidade Partilhada 2016: Assumindo a Desigualdade” (na tradução para português), que concluiu que, em 2013, cerca de 767 milhões de pessoas no mundo viviam com menos de 1,90 dólares por dia, metade das quais tinham menos de 18 anos. “As crianças são afetadas de forma desproporcionada, dado que representam cerca de um terço da população estudada, mas metade dos que vivem na pobreza extrema. O risco é maior para as crianças mais pequenas — mais de um quinto dos menores de cinco anos nos países em desenvolvimento vivem em famílias extremamente pobres”, lê-se no comunicado da Unicef.

Segundo o estudo, entre as 767 milhões de pessoas a viverem numa situação de pobreza extrema, 385 milhões são crianças com idade entre os zero e os 17 anos, enquanto os outros 382 milhões se dividem pelos adultos, a partir dos 18 anos. Aliás, é na faixa etária entre os 18 e os 59 anos que se concentra o maior número de pessoas em pobreza extrema, havendo 337 milhões, enquanto com 60 anos de idade ou mais são 44 milhões de pessoas. Já dentro dos 385 milhões de crianças em pobreza extrema, 122 milhões têm entre zero e quatro anos de idade, 118 milhões têm entre cinco e nove anos, 99 milhões entre os 10 e os 14 anos e 46 milhões estão na faixa etária entre os 15 e os 17 anos de idade.

O relatório resultou da análise de dados de 89 Estados, que representam 84% da população dos países em desenvolvimento, sendo que as crianças que vivem em pobreza extrema estão sobretudo concentradas na África subsariana. Aqui, 49% das crianças vivem em condições de pobreza extrema, ao mesmo tempo que 51% de todas as crianças pobres no mundo vivem nesta zona do globo. “Segue-se o sul da Ásia, com perto de 36%, com mais de 30% das crianças extremamente pobres a viver na Índia”, lê-se no relatório.

Por outro lado, também faz diferença se a criança vive em meio rural ou urbano, sendo que mais de uma em cada quatro (26%) das crianças em pobreza extrema vivem nas zonas rurais, enquanto nas zonas urbanas são cerca de 9%. Conta igualmente se o país de residência vive ou não uma situação de instabilidade, sendo que 58% das crianças extremamente pobres vivem em países onde há conflitos.

As duas instituições defendem, por isso, que os governos avaliem regularmente a pobreza infantil e deem prioridade às crianças nos planos de combate à pobreza, bem como reforcem os sistemas de proteção social, deem prioridade a investimentos na área da saúde, educação, água potável ou saneamento e que moldem as decisões políticas de modo a que o crescimento económico beneficie as crianças mais pobres.

 

 


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