Esta norueguesa de 12 anos vai casar amanhã com um homem de 37?

Outubro 20, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Campanhas em Defesa dos Direitos da Criança | Deixe um comentário
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texto do Sol de 10 de outubro de 2014.

Thea og Geir

Pedro Guerreiro

Thea tem 12 anos e a mãe disse-lhe que vai ter de casar com um homem 25 anos mais velho. Desde então, esta menina norueguesa tem alimentado um blogue onde conta os preparativos para a cerimónia forçada, sobre as intenções do futuro marido de a tirar da escola e sobre a ‘obrigação’ de ter filhos imediatamente.

O blogue conta com mais de meio milhão de leitores e já motivou uma torrente de chamadas para a polícia norueguesa. Nas redes sociais, a hashtag #stoppbryllupet (parem o casamento) tornou-se viral.

Tudo não passa de uma genial campanha de choque contra o drama dos casamentos forçados de menores. Todos os anos, 39.000 crianças em todo o mundo são entregues pelos pais a homens mais velhos. A maioria das vítimas que frequenta uma escola acaba por abandonar os estudos. Iniciam a sexualidade precocemente e, ao engravidarem durante a puberdade, correm graves riscos para a saúde, incluindo a morte.

A organização norueguesa responsável pela campanha, a Plan International, admite que as imagens e os textos do blogue de Thea são “provocantes” e assumem o objectivo de indignar a opinião pública.

O efeito tem sido positivo, já que a organização tem recolhido donativos para crianças em risco de casamento precoce. Não na Noruega, onde o fenómeno se reduz a casos muito raros de crianças de minorias étnicas, mas em países como o Bangladesh e a Tanzânia.

A escolha de 11 de Outubro como data para o ‘casamento’ também não acontece por acaso. Trata-se do Dia Internacional da Rapariga, uma data promovida pelas Nações Unidas para alertar a opinião pública mundial para os desafios que as meninas enfrentam.

De resto, a atribuição esta sexta-feira do Nobel da Paz a Malala Yousafzai vem sublinhar o problema do acesso das raparigas à educação. A jovem paquistanesa de 17 anos foi atingida a tiro na cabeça, em 2012, por um combatente talibã, em represália pelos seus textos críticos das restrições impostas às meninas do Vale de Swat.

pedro.guerreiro@sol.pt

mais informações sobre a campanha:

http://www.plan-norge.no/english

 

 

 

 


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