Acesso de alunos a Internet em casa quase quadruplicou em nove anos

Julho 8, 2011 às 11:55 am | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 28 de Junho de 2011.

Em 2000 apenas 24 por cento dos estudantes portugueses afirmavam ter acesso à Internet em casa. Em 2009 esse número subiu para 91,1 por cento. Portugal acompanha uma tendência geral mas o seu “salto” neste campo destaca-se.

Se em 2000 Portugal se encontrava bastante abaixo da média dos países da OCDE, em 2009 ultrapassa esse valor médio. O acesso a Internet em casa é apenas um dos muitos dados apresentados no retrato sobre as novas tecnologias e o desempenho dos alunos chamado “Estudantes On-Line”, no âmbito do mais recente relatório PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes) apresentado em Paris.

São quase 400 páginas de números, estatísticas e comparações. O mais recente relatório PISA inclui os resultados de um questionário geral sobre o uso de computadores na escola e em casa a países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) e alguns países convidados e ainda as conclusões de um projecto mais restrito levado a cabo em 2009, no qual Portugal não participou, e que quis testar a capacidade dos alunos em usar a informação on-line.

O documento da OCDE mostra, de facto, que os alunos portugueses estão hoje acima da média no acesso a computador e à Internet em casa, ao contrário do que se passava há nove anos. Porém, os nossos alunos continuam abaixo da média da OCDE no que se refere ao acesso a computadores na escola. Em 2009, 91,7 por cento dos estudantes portugueses tinham acesso a computadores na escola quando a média em 29 países da OCDE era de 93,1 por cento. No acesso à Internet na escola, Portugal já consegue ultrapassar a média de 92,6 por cento com o registo de 96,5 por cento. Por outro lado, o rácio de computadores por número de estudantes na escola aumentou de 0,07 para 0,10 entre 2000 e 2009 mas também continua abaixo da média de 25 países da OCDE (0,13 em 2009).

Onde é que Portugal se destaca? Portugal surge em primeiro lugar no quadro que exibe a percentagem de alunos que afirmam poder realizar uma apresentação multimédia, “com som, fotografias e vídeo” sem recorrer a qualquer tipo de ajuda. De 36 por cento em 2003 os alunos portugueses passam neste capítulo para 72 por cento, quando a média de 29 países da OCDE está nos 53,6 por cento. E neste tipo de tarefa quem mais parece ter evoluído são as raparigas. Em 2003 apenas 24,3 por cento das estudantes afirmavam ser capazes de fazer uma apresentação multimédia sem ajuda e em 2009 esse grupo já atingia os 71 por cento. Os alunos portugueses também superam os valores obtidos por 28 países da OCDE (que conseguem uma média de 82,8 por cento) quando vemos que 95,9 por cento consideram que “é muito importante trabalhar com um computador”.

Mas o relatório constata grandes disparidades entre países, do acesso quase universal à Internet em casa em países como a Noruega e a Finlândia, a menos de metade no México e a apenas 10 por cento na Indonésia. São também grandes as diferenças entre alunos socialmente favorecidos e alunos provenientes de meios sociais com dificuldades, realça o relatório PISA. No entanto, em países como Portugal, “o uso da Internet na escola compensa a falta de disponibilidade de computador em casa” e são os alunos mais desfavorecidos “que têm maior inclinação para usar o computador na escola”. Apenas 0,4 por cento dos cerca de 6.200 estudantes portugueses inquiridos para este estudo indicaram que nunca usaram um computador, uma das percentagens mais baixas neste indicador entre os membros da OCDE.

O PISA avalia as competências e conhecimentos dos alunos no nível de ensino correspondente aos 15 anos de idade. O programa completou a quarta série de estudos, analisando sucessivamente cada uma das áreas de interesse em 2000, 2003, 2006 e 2009.

Alunos portugueses usam mais Internet em casa do que na escola – de acordo com relatório da OCDE

Julho 5, 2011 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 28 de Junho de 2011.

O relatório mencionado na notícia é o seguinte:

PISA 2009 Results: Students On Line Digital Technologies and Performance (Volume VI)

Os alunos portugueses estão acima da média no uso da Internet em casa, mas abaixo da média no seu uso na escola, segundo um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) apresentado hoje em Paris.

O documento indica, no entanto, que Portugal – entre 70 países – tem uma das percentagens mais elevadas de alunos com acesso à Internet na escola.

Os dados fazem parte das conclusões do novo relatório PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes) sobre as novas tecnologias e o desempenho dos alunos, que actualiza o estudo de 2009 realizado pela OCDE.

Portugal ocupa o primeiro lugar em percentagem de alunos que afirmam poder realizar uma apresentação multimédia, “com som, fotografias e vídeo”, tendo registado uma duplicação deste indicador em relação a 2003, para uma percentagem (acima de 70) que mais do que triplica o valor médio dos países que participam no PISA.

O relatório constata grandes disparidades entre países, do acesso quase universal à Internet em casa em países como a Noruega e a Finlândia, a menos de metade no México e a apenas 10 por cento na Indonésia.

São também grandes as diferenças entre alunos socialmente favorecidos e alunos provenientes de meios sociais com dificuldades, realça o relatório PISA.

No entanto, em países como Portugal, “o uso da Internet na escola compensa a falta de disponibilidade de computador em casa” e são os alunos mais desfavorecidos “que têm maior inclinação para usar o computador na escola”.

Apenas 0,4 por cento dos cerca de 6.200 estudantes portugueses inquiridos para este estudo indicaram que nunca usaram um computador, uma das percentagens mais baixas neste indicador entre os membros da OCDE.

Entre os alunos portugueses inquiridos para o PISA 2009, 98 por cento responderam dispor de computador em casa. O número de estudantes nestas condições aumentou 41 por cento em Portugal de 2000 para 2009.

O PISA avalia as competências e conhecimentos dos alunos no nível de ensino correspondente aos 15 anos de idade, com atenção à leitura, matemática e ciências.

O programa completou a quarta série de estudos, analisando sucessivamente cada uma das áreas de interesse em 2000, 2003, 2006 e 2009. Este último relatório marca o regresso à análise das competências de leitura, permitindo um estudo comparativo com os dados de 2000 e introduzindo uma atenção especial ao uso e apreensão do texto digital.

 

Contexto familiar desfavorável explica maus resultados dos alunos portugueses no PISA

Janeiro 22, 2011 às 1:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 12 de Janeiro de 2011.

Estudo de Manuel Coutinho Pereira Desempenho Educativo e Igualdade de Oportunidades em Portugal e na Europa : O Papel da Escola e a Influência da Família

Recursos escolares têm uma contribuição pouco importante NELSON GARRIDO

Recursos escolares têm uma contribuição pouco importante NELSON GARRIDO

Por Bárbara Wong

Estudo revela que papel dos pais é mais importante nos países europeus onde os alunos têm melhores desempenhos.

Os maus resultados dos alunos nos testes do PISA devem-se, em parte, ao contexto familiar desfavorável, nomeadamente às habilitações e profissões dos pais, diz um estudo publicado pelo Banco de Portugal sobre o papel da escola e a influência da família no desempenho educativo dos alunos.

As variáveis socioeconómicas são “os principais determinantes do desempenho, enquanto os recursos escolares têm uma contribuição pouco importante”. Mas, em Portugal, estas variáveis têm “contributos mais fracos” do que nos países europeus com melhores desempenhos no Programme for International Student Assessment (PISA) de 2006, revela a investigação de Manuel Coutinho Pereira, do departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal.

O estudo, publicado ontem no Boletim Económico da instituição, debruça-se sobre os resultados na literacia matemática e de leitura dos alunos da União Europeia (UE), excepto a França, por falta de dados. Entre os 18 países da UE participantes no PISA, os alunos de 15 anos portugueses ficaram na 14.ª posição na literacia de leitura e na 16.ª em matemática. Estes “maus resultados não diferem muito dos obtidos em ciclos anteriores”, escreve o investigador.

Observando as habilitações e profissões dos pais, existe um hiato entre Portugal e os três países europeus com melhores desempenhos (Finlândia, Bélgica e Holanda). Por cá, cerca de um quarto dos alunos tem pelo menos um dos pais com uma ocupação intelectual especializada e cerca de um quinto tem pelo menos um dos progenitores com o ensino superior completo. Estas percentagens rondam os 60 por cento nos três países europeus mais bem posicionados no PISA, onde menos de cinco por cento diz que os pais têm só o 1.º ciclo, contra os quase 40 por cento dos progenitores portugueses.

Atitude passiva

Tendo em conta apenas o contexto socioeconómico dos alunos, contabilizado pela quantidade de livros que têm em casa, “os resultados confirmam que [estes] têm forte impacto nas pontuações dos testes”. Contudo, o impacto é menor para Portugal do que para os dois grupos de referência analisados no estudo – os três países com melhores desempenhos e os três com piores resultados (Espanha, Itália e Grécia).

Quanto à educação dos pais, também esta “é estatisticamente não significativa ou está no limiar da significância, o que contrasta com o forte impacto nos dois grupos de referência”, sobretudo no dos países com melhores desempenhos, aponta o relatório. Em Portugal, as justificações podem ser duas: os pais têm “uma atitude mais passiva” para com a educação dos filhos e a escola “tende a contrabalançar” as desigualdades entre os diferentes alunos.

Os países com melhor desempenho são mais ricos e têm uma proporção de alunos imigrantes ligeiramente maior do que Portugal, Espanha, Itália e Grécia. Por cá, os imigrantes de segunda geração têm piores resultados do que os colegas imigrantes de primeira geração, embora a diferença não seja significativa. Mas isto significa que o impacto negativo “não se atenua à medida que as famílias ficam mais tempo no país”, refere.

Quanto às escolas, as portuguesas são maiores e têm maior proporção de repetentes do que as dos dois grupos de referência. Já se sabe que as que têm mais repetentes têm piores resultados e que as que têm mais raparigas, melhores. Por cá, o efeito da autonomia é pouco significativo. Só a quantidade de horas de aulas tem um “impacto positivo e estatisticamente significativo sobre o desempenho”. Esta parecer ser a “única variável onde intervenções ao nível dos recursos poderão trazer resultados positivos”, conclui o estudo.

E os Alunos?

Dezembro 31, 2010 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Crónica de Daniel Sampaio na Pública de 19 de Dezembro de 2010.

“A escola ocupa-os tanto que não sobra tempo para ler”

Dezembro 27, 2010 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista de Alice Vieira ao Diário de Notícias de 13 de Dezembro de 2010.

A escritora Alice Vieira comenta os resultados do Pisa.

Olhando para os dados do PISA, da OCDE, vemos que só 59% dos jovens portugueses que participaram disseram ter clássicos da literatura em casa. E que estes tiveram resultados melhores do que os que disseram não ter. Acha os números surpreendentes?

Tenho sempre muito receio em relação a estes resultados. Por um lado, não sei muito bem o que é que os jovens que responderam consideram um clássico. Por outro lado, ter os livros em casa, são capazes de ter, resta saber se os lêem. Mas o facto de dizerem que os têm já é positivo, significa que pelo menos estão disponíveis.

Ler clássicos da literatura, especificamente, é importante para os resultados escolares?

É importante para tudo. É um erro pensar que a literatura, o estudo da língua, só é importante para a disciplina de Português. É importante para todas as outras disciplinas. Se não lerem, o domínio da língua é muito fraco. Aliás, a diminuição do vocabulário dos jovens é aflitiva. Ficamo-nos só pelo “dá-me as chaves” e por outras frases básicas, do quotidiano. Por isso, a literatura é fundamental em todas as camadas do ensino.

A escola e a carga horária a que os alunos estão sujeitos inibem a criação de hábitos de leitura em casa?

Não sou professora, nem nunca fui, mas ando sempre em escolas e tenho filhos e netos. A escola ocupa-os tanto que não sobra tempo para ler, nem para o cinema nem para nada. É uma questão que tem de ser muito bem estudada porque ninguém aguenta.

O estudo também mostra que os jovens com literatura em casa tiveram, em média, mais 20 pontos do que os que disseram ter Internet. Obviamente podem ter ambas as opções, mas a Internet não rouba tempo à leitura de livros?

Tudo depende de como usamos a Internet. É extraordinária se soubermos trabalhar com ela. Pode descobrir-se imenso sobre um livro, levar a uma releitura… mas tem de ser doseada e tem de se ensinar os miúdos a trabalhar com ela. A esmagadora maioria pen-sa que fazer uma pesquisa é ir à Internet, carregar nuns botões, copiar e assinar por baixo.

O estudo refere-se à literatura clássica. Quando é que os jovens estão preparados para ler os clássicos ?

Devemos dar-lhes todas as opções porque nunca sabemos que livro é que os vai atrair. Eu lembro-me de ter lido Os Lusíadas no liceu e de ter sido terrível. Só anos mais tarde, já adulta, consegui apreciar devidamente. Mas tenho amigas que leram na mesma altura que eu e adoraram. Agora, o gosto pela leitura não se adquire aos 20 anos e há outro tipo de livros que preparam para esse gosto. Da primeira vez que tentei ler as Viagens na Minha Terra, um dos livros da minha vida, foi a desgraça.

Qual foi o primeiro clássico que a marcou?

A Cidade e as Serras. Tinha 11, 12 anos e li durante uma gripe. Lembro-me de ter adorado e de ter pensado “estranho, aqui não há romance, não há um homens e uma mulher e um final feliz, e é tão bom”.

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