Estudo. Chumbar não ajuda os alunos a melhorar resultados

Setembro 29, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia http://observador.pt/ de 26 de setembro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Números, letras ou tubos de ensaio?

antonio-amaral

Agência Lusa

Estudo desenvolvido pelo projeto aQueduto revela que alunos repetentes do 9.º ano têm piores resultados do que os que nunca chumbaram. Portugal tem taxa de retenção de 34%, contra 4% da Finlândia.

Um estudo desenvolvido pelo projeto aQueduto revela que os alunos repetentes do 9.º ano têm piores resultados do que aqueles que nunca chumbaram, apresentando Portugal com uma taxa de retenção de 34%, contra 4% da Finlândia.

A partir de uma amostra de sete países (Holanda, Luxemburgo, Espanha, Irlanda, Dinamarca, Portugal e Finlândia), os autores do trabalho concluem que chumbar “não parece contribuir” para que os alunos melhorem as suas aprendizagens em nenhum dos domínios avaliados: matemática, leitura e ciências.

“Na generalidade dos países, incluindo Portugal, os alunos que frequentam o 9.º ano por terem chumbado apresentam piores resultados em todos os domínios do que os seus pares que também frequentam o 9.º ano, mas que nunca chumbaram”, lê-se no documento, que será discutido hoje no Conselho Nacional de Educação (CNE), em Lisboa.

Porém, há diferenças entre os sistemas de ensino dos vários países. Na Holanda, por exemplo, os alunos que chumbaram (28%) não estão um ano atrasados, sendo-lhes permitido continuarem o seu percurso entre os colegas da mesma idade. O Luxemburgo adota uma política semelhante.

Num plano mais alargado, que inclui também a República Checa, França, Suécia, Dinamarca, Irlanda e Polónia, é a Finlândia que tem a menor carga de trabalho fora da escola (incluindo trabalhos de casa, explicações e trabalhos de pesquisa).

No entanto, é aos alunos mais fracos que exige “um pouco mais de esforço”. Do mesmo modo, a República Checa, a Dinamarca, a Suécia e a Polónia “tendem a exigir mais trabalho aos alunos com piores resultados”.

Nos restantes países, entre os quais Portugal, são os melhores alunos que mais trabalham fora do horário escolar.

“Em Portugal, os alunos muito bons trabalham cerca de três horas semanais a mais, a maior diferença entre os países observados”, sublinham os autores do estudo.

Foram usados dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) de 2012 para este trabalho, que será discutido sob o tema “Números, letras ou tubos de ensaio?, numa sessão que conta com a participação do presidente do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), Helder Sousa.

O projeto aQueduto: avaliação, equidade e qualidade em educação é uma parceria entre o Conselho Nacional de Educação e a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

 

 

Banco de Portugal diz que chumbar nos primeiros anos de escola tem efeitos negativos

Junho 25, 2014 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de junho de 2014.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte.

Retenção escolar no ensino básico em Portugal: determinantes e impacto no desempenho dos estudantes  pág. 63-87

Enric Vives Rubio

Lusa e PÚBLICO

Ser filho de pais com níveis de educação mais elevados faz reduzir mais de dois pontos percentuais as hipóteses de chumbar de ano.

Os dados do Programa para a Avaliação Internacional de Estudantes (PISA), um grande estudo que analisa as competências dos alunos de 15 anos nos países da OCDE, e que é feito de três em três anos, já tinham mostrado como Portugal estava entre os países com maiores taxas de chumbo. Um grupo de investigadores do Banco de Portugal (BdP) aprofundou agora os resultados dessa análise. E conclui que chumbar nos primeiros anos não faz bem.

“Os efeitos de longo prazo da repetência no ISCED 1 [equivalente ao 1.º e 2.º ciclo do ensino básico] no desempenho dos estudantes em Portugal são negativos”, dizem.

Mais: isto sugere “que haverá vantagem em substituir, pelo menos parcialmente”, a prática da retenção “por métodos alternativos de apoio aos alunos que revelem dificuldades na aprendizagem nas etapas iniciais da vida escolar”, lê-se no artigo Retenção escolar no ensino básico em Portugal: determinantes e impacto no desempenho dos estudantes, publicado no último Boletim Económico.

Em Portugal, cerca de 30% dos alunos repetem pelo menos uma vez no 1.º ou 2.º ciclos. A média de 25 países da Europa é 18%. Só Espanha, Luxemburgo e França têm taxas de chumbo mais altas.

Prós e contras

Os investigadores do Departamento de Estudos Económicos, do BdP, Manuel Coutinho Pereira e Hugo Reis, começam por recordar argumentos pró e contra os chumbos. Como estes: “A repetência é defendida por aqueles que advogam que esta torna o sistema de ensino mais eficiente ao criar grupos de colegas mais homogéneos, e garante uma maior responsabilização das escolas. No entanto, a existência de alunos que repetem o ano implica custos, incluindo a despesa de fornecer um ano adicional de educação, bem como o custo para a sociedade em atrasar a entrada do aluno no mercado de trabalho. Além disso, os opositores da repetência enfatizam os efeitos psicológicos desta política. Em particular, destacam a redução da auto-estima, a deterioração da relação com os colegas, o afastamento da escola e, consequentemente, a maior probabilidade de um abandono escolar.”

Recordam ainda os autores que “alguns países europeus, como é o caso da Noruega e Islândia, optaram por instituir uma progressão automática ao longo de toda a escolaridade obrigatória, e proporcionam outras medidas de apoio educativo aos alunos em dificuldades”. E por cá?

Na análise que fazem dos dados, concluem o seguinte: “Estima-se que retenção escolar durante o ISCED 1 produza efeitos negativos sobre o desempenho dos estudantes no longo prazo (…). Numa perspectiva de política educativa, parece existir assim margem de intervenção no sentido de substituir, pelo menos parcialmente, esta prática por outros procedimentos de apoio aos alunos, os quais poderão ainda revelar-se menos dispendiosos do ponto de vista da utilização de recursos.”

Já os efeitos de curto prazo da repetência no 3.º ciclo para Portugal “são positivos, embora de pequena dimensão”. “Assim, apesar da incerteza quanto aos efeitos de longo prazo, os nossos resultados não põem em causa a prática da repetência em níveis mais avançados do percurso escolar.”

O peso da família

Usando os dados do PISA, cujos últimos resultados foram divulgados em Dezembro, os autores concluem ainda que as características individuais e familiares têm mais influência no sucesso escolar dos alunos portugueses do que nos estudantes dos outros países europeus.

Os alunos mais novos da turma e os que têm menos livros em casa estão entre os que têm mais probabilidades de chumbar. Pertencer a uma família monoparental e ser rapaz também fazem aumentar as probabilidades de ficar retido no ensino básico.

“Em Portugal, os alunos com menos maturidade e com piores condições socioeconómicas têm uma maior probabilidade de repetir. Para além dos aspectos socioeconómicos, as características da escola e as diferenças ao nível regional e do país (por exemplo, factores de carácter institucional) também ajudam a explicar o fenómeno”, descrevem.

Assim, no que toca à idade com que entram para o 1.º ano, o estudo sublinha que em Portugal a probabilidade de um aluno repetir o ano no 1.º ou no 2.º ciclo “diminui em cerca de 3,5 pontos percentuais com um aumento de um desvio-padrão na maturidade. A mesma probabilidade diminui numa magnitude semelhante, se o aluno for do sexo feminino”.

Também a influência da família é mais forte em Portugal: ser filho de pais com níveis de educação mais elevados faz reduzir mais de 2 p.p. as hipóteses de chumbar de ano, enquanto os alunos de famílias monoparentais correm mais riscos de reprovar (mais 3.3 p.p.).

A probabilidade de um aluno ficar retido antes de chegar ao 7.º ano “diminui cerca de 4,5 pontos percentuais para os alunos que têm mais livros em casa”, enquanto o valor médio europeu é de 1,1 p.p.

 

Quem sai aos seus…

Maio 19, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do site educare de 9 de maio de 2014.

educare

De acordo com a mais recente análise da OCDE aos resultados do PISA 2012, os filhos de profissionais mais qualificados obtêm melhores notas.

Andreia Lobo

A profissão dos pais tem impacto sobre o sucesso escolar dos alunos? Uma análise da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) aos resultados do PISA 2012 revela que os filhos de profissionais mais qualificados obtêm melhores classificações nos testes realizados a leitura, matemática e ciência. Portugal está longe de conseguir equilibrar as assimetrias familiares. Nada que surpreenda as federações regionais das associações de pais.

Após dez anos de presença no movimento associativo de pais, Isidoro Roque não tem dúvidas: “Não é preciso fazer um grande esforço para perceber que o sucesso escolar é maior nas escolas onde os alunos pertencem à classe média”. Por isso, é sem surpresa que o presidente da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais vê as conclusões apresentadas pela OCDE, que atribuem melhores resultados aos filhos das famílias com empregos mais qualificados e, portanto, com mais recursos económicos.

O estudo compara os resultados obtidos, pelos alunos de 15 anos, nos testes feitos pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) – nas áreas da leitura, matemática e ciências – com as profissões dos seus pais. Foi usada uma classificação que agrupa nove ocupações com tarefas semelhantes. Os “gestores” surgem como os mais qualificados, seguidos pelos “profissionais”, onde constam trabalhadores nas áreas da saúde, ensino, ciência, negócios e administração. A estes sucedem-se os técnicos, os administrativos e vendedores, os trabalhadores da agricultura, pescas e florestas, os artesãos, os operadores e montadores de maquinaria, e, por último, as profissões “elementares”.

Isidoro Roque remete as suas observações para a tradicional divisão de classes: alta, média e baixa. Enquanto pai e líder associativo, não está convencido de que a escola garanta a igualdade de oportunidades aos filhos de uns e de outros. “A ideia é contribuir nesse sentido, mas têm de ser criadas as condições para isso.” As desigualdades marcam logo presença nos discursos, garante: “A escola é lecionada por pessoas que pertencem às classes mais altas. A forma de falar e se fazer entender é mais fácil para quem provém do mesmo tipo de classe.”

Analisando as classificações a Matemática, a OCDE conclui que os filhos dos “profissionais” lideram os resultados obtidos na maioria dos países, enquanto os estudantes cujos pais têm ocupações “elementares” têm os piores desempenhos. Portugal não foge à regra.

Porém, quando se trata desta disciplina, a relação entre profissões dos pais e o sucesso escolar dos filhos varia consideravelmente entre países, alerta a OCDE. Assim, os filhos dos trabalhadores de limpeza em Xangai, China, superam os filhos dos “profissionais” nos Estados Unidos. E os filhos dos “profissionais” na Alemanha têm em média melhores notas que os seus congéneres na Finlândia. Já na Colômbia, Indonésia, Itália, México, Peru e Suécia são os filhos dos “gestores” que pontuam mais a matemática.

Em Portugal, “mais do que a profissão dos pais, a diferença entre o sucesso e o insucesso tem a ver com o valor que o agregado familiar dá à aquisição de conhecimentos”, contrapõe Carlos Bastos, vice-presidente da Federação Regional de Pais de Aveiro.

As diferenças entre os resultados obtidos pelos alunos dos quatro principais grupos – “gestores”, “profissionais”, trabalhadores de maquinaria e profissões “elementares” – justificam-se “em parte com o rendimento auferido pelos pais, a sua formação e o tipo de atividade que desempenham”, concorda o dirigente associativo. No entanto, fatores como “o meio onde a escola está inserida e a escolaridade dos pais não podem ser postos de lado”.

Entre os países que mais promovem a igualdade, apesar das diferenças no seio familiar, a OCDE destaca a Finlândia e o Japão, pois “conseguem alcançar níveis elevados de desempenho, garantindo a mesma educação, oportunidades e estímulo, tanto aos filhos de pais com profissões ‘elementares’ como aos dos ‘profissionais’”.

Outra novidade apontada por este estudo é que as diferenças por detrás da proveniência dos alunos, sendo mais acentuadas no que toca aos resultados obtidos na matemática, são mais esbatidas nos resultados obtidos na leitura.

De acordo com a OCDE, as assimetrias entre países e economias estão relacionadas com as profissões dos pais, mas também com a própria estrutura do mercado de trabalho. Isso explica como na Finlândia o desempenho global dos estudantes a Matemática é melhor do que na Alemanha, ainda que os filhos dos “profissionais” e dos “gestores” alemães estejam entre os melhores do mundo a esta disciplina e superem, em larga medida, os resultados obtidos pelos filhos destes dois grupos profissionais na Finlândia.

Ao mesmo tempo, os filhos dos trabalhadores manuais – artífices, operadores e montadores de máquinas e ocupações “elementares” – na Finlândia superam os alunos alemães cujos pais têm as mesmas profissões. Em Portugal, por exemplo, obtêm piores resultados quando comparados com a Alemanha, Finlândia, Polónia, Bélgica, Holanda, Canadá e países asiáticos; mas superam os alunos dos trabalhadores manuais do Luxemburgo e Suécia e estão próximos dos resultados obtidos pelos seus congéneres franceses.

No Suécia, há menos dispersão nos resultados obtidos entre diferentes grupos profissionais nos testes de matemática, ainda que as classificações tenham sido inferiores às dos alunos portugueses. Tanto neste país como na Eslovénia, os filhos dos trabalhadores da agricultura, pescas e florestas conseguem alcançar a média dos resultados dos seus países; os portugueses ficam nos últimos lugares.

Fátima Custódio, presidente da Federação Regional do Algarve, acredita que em Portugal a relação entre sucesso escolar e a profissão dos pais assume contornos diferentes dos que baseiam este PISA. “A dicotomia acaba por ser entre os filhos dos pais que trabalham e os dos que estão sem emprego.”

Numa região onde predomina o emprego sazonal, “as questões financeiras têm cada vez maior impacto em situações mais picuinhas como a compra de material escolar e de livros e noutras mais graves como a alimentação”. E mesmo entre os filhos de quem tem emprego, Fátima Custódio lembra que “a diferença na remuneração é outro aspeto importante” quando se analisa o que está por detrás do sucesso ou insucesso escolar.

Proporcionar a mesma educação e estímulo a todos é a receita para suprir as assimetrias familiares capazes de influenciar o desempenho dos alunos, alerta a OCDE. Fátima Custódio concorda que esta é a melhor receita para acabar com as desigualdades. Mas no sistema educativo português poderá estar a faltar mais um ingrediente, adverte: “As escolas não têm apoios financeiros da parte da Segurança Social, do Ministério da Ciência e da Educação ou das autarquias para ultrapassar essas situações na totalidade.”

Educação. Computador na escola não ajuda alunos a resolver problemas

Abril 3, 2014 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do i de 2 de abril de 2014.

O documento citado na notícia é o seguinte:

PISA 2012 Results: Creative Problem Solving: Students’ Skills in Tackling Real-Life Problems (Volume V)

results

Por Marta Cerqueira

Relatório avalia pela primeira vez situações aplicadas ao dia-a-dia. Portugueses são fortes a executar e fracos no pensamento abstracto

Ter um computador em casa é quase universal entre estudantes. Portugal não é excepção, tendo em conta que 96% dos adolescentes têm pelo menos um em casa, condição quase determinante para os alunos conseguirem ultrapassar os obstáculos do dia-a-dia. O mesmo não acontece quando o computador é só usado na escola, concluiu o relatório “Resolução Criativa de Problemas” do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), divulgado ontem. Num grupo restrito de países, no qual Portugal está incluído, os estudantes que não o usam na sala de aula têm melhor desempenho na resolução de problemas do que os que costumam utilizá-lo na escola. Estes resultados surgem depois de uma grande aposta dos últimos governos, principalmente durante o executivo de Sócrates, de equipar as escolas com tablets, computadores e ligações de banda larga.

A percentagem de alunos portugueses que usa equipamentos electrónicos na escola (69,4%) fica pouco abaixo da média da OCDE (72%). Apesar de os dados recolhidos não criarem um padrão comum na maioria dos países, em Israel, Uruguai, Singapura, Dinamarca, Estónia e Portugal, o uso de computadores na escola está inversamente relacionado com a resolução de problemas por parte dos estudantes.

Os resultados do PISA 2012, divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), apresentam um ranking com a média dos resultados obtidos pelos 85 mil alunos de 15 anos que participaram neste estudo. No total, Portugal obteve uma pontuação de 494 pontos, sendo a média da OCDE de 500 pontos. Os estudantes portugueses surgem em 20.º lugar numa lista de 44 países do PISA, que avaliou, pela primeira vez, a capacidade de os alunos conseguirem resolver problemas de matemática aplicados à vida real. “A crise económica aumentou a urgência de investir na aquisição e desenvolvimento das ferramentas para os cidadãos, através do sistema de educação e no local de trabalho”, pode ler-se no documento.

Comprar bilhetes de metro, mexer num MP3 ou num ar condicionado sem instruções ou ainda escolher a melhor combinação de rotas num mapa para chegar de um ponto a outro da cidade foram alguns dos testes apresentados aos alunos. Os resultados mostram que os jovens portugueses têm facilidade em utilizar o seu conhecimento para planear e executar soluções. O relatório refere que em países como Portugal e Eslovénia os alunos são melhores a usar o seu conhecimento para “planear e executar” uma solução do que a adquirir esse conhecimento, a questioná-lo, a gerar ou a experimentar alternativas. Todas essas fases da acção foram testadas com problemas que simulavam situações do dia-a-dia.

Entre os países da OCDE, 11,4% dos estudantes de 15 anos conseguiram resolver com sucesso os problemas apresentados. Além disso, um em cada cinco alunos foi capaz de resolver os problemas simples, desde que relacionados com situações familiares.

Fazendo uma avaliação geral, os estudantes que apresentaram melhores resultados foram asiáticos: Singapura, Coreia do Sul, Japão, Macau e Hong Kong, por esta ordem, dominam o ranking. Na outra ponta da tabela surgem o Uruguai com 403 pontos, a Bulgária com 402 e no final da tabela a Colômbia com 399 pontos.

 

Sistema de ensino português não consegue reduzir assimetrias sociais

Fevereiro 26, 2014 às 12:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de Fevereiro de 2014.

Daniel Rocha

Samuel Silva

Filhos de profissionais mais qualificados têm melhores resultados, revela análise da OCDE aos resultados do PISA 2012, publicada nesta terça-feira. Ao contrário de outros países, Portugal não consegue esbater diferenças.

Os estudantes portugueses têm conseguido melhorar o seu desempenho nos testes PISA, um exercício repetido a cada três em três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Mas são sobretudo os filhos das famílias com empregos mais qualificados e por isso com mais recursos económicos que conseguem melhores resultados. A conclusão é de um novo estudo daquele organismo internacional, que compara os resultados dos alunos com as profissões dos pais. Portugal está longe de conseguir mitigar os efeitos das diferenças familiares nos percursos escolares, ao contrário do que fazem outros países.

O estudo publicado na terça-feira usa uma classificação que agrupa empregos e tarefas semelhantes. A OCDE considera os gestores como os profissionais mais classificados, seguidos da categoria “profissionais” – que agrupa trabalhadores qualificados em áreas como a saúde, educação, ciência e gestão. Os filhos de trabalhadores destes dois grupos lideram os resultados na generalidade dos países e Portugal não é excepção. Independentemente da disciplina em análise – leitura, matemática ou ciência, os três testes feitos pelo PISA – os filhos dos “profissionais” têm sempre os melhores resultados, seguidos dos filhos dos gestores. Os estudantes cujos pais têm profissões técnicas qualificadas aparecem logo a seguir.

No extremo oposto, aparecem os resultados dos alunos cujos pais têm profissões “elementares” na classificação usada pela OCDE, bem como os trabalhadores manuais e os profissionais dos sectores agrícola, florestal e das pescas. Quando se compara os resultados de Portugal com países que têm melhores resultados que os seus, como a Polónia ou a Alemanha, percebe-se que se mantém alguma regularidade, mantendo as mesmas posições relativas entre grupos profissionais e a dispersão dos resultados.

No entanto, quando a análise se centra em países com piores resultados do que Portugal no último PISA, conseguem perceber-se resultados mais semelhantes entre os estudantes. É o que acontece com a Suécia, onde há notas mais próximas entre os filhos dos profissionais das várias áreas, Neste país e na Eslovénia, os trabalhadores do sector agrícola, florestal e das pescas, conseguem estar na média dos resultados dos seus países, ao passo que em Portugal ocupam as últimas posições.

Este estudo aponta o facto de existiram países onde essas diferenças conseguem ser ainda mais mitigadas. A Finlândia e o Japão são apontados pela OCDE como exemplos de sistemas escolares que conseguem fornecer educação de qualidade para todos os alunos, independentemente daquilo que os seus pais fazem para ganhar a vida. A organização internacional relaciona, de resto, os níveis de desempenho elevados alcançados por estes dois países com o facto de serem garantidas a mesma educação e estímulo a todas as crianças.

A OCDE sublinha no relatório que apesar de haver “uma forte relação” entre as ocupações dos pais e desempenho dos alunos no PISA, o facto de os alunos de em alguns sistemas de ensino, conseguirem superar os resultados de filhos de profissionais, independentemente do que seus pais fazem para ganhar a vida, “mostra que é possível que crianças de operários, se lhes forneceram as mesmas oportunidades de educação de alta qualidade que filhos de advogados e médicos desfrutam, tenham bons resultados”.

Em Portugal, parece persistir um “vector de desigualdade e de assimetria muito forte”, sublinha a investigadora do Instituto de Educação da Universidade do Minho Fátima Araújo. As escolas têm dificuldades em trabalhar com crianças que provêm de famílias com níveis escolares muito baixos ou situações sociais e económicas desfavorecidas, explica. Isto acentua as consequências de uma “fractura geracional” evidente para as cerca de 1,5 milhões de pessoas que não têm mais do que o primeiro ciclo.

Fátima Araújo recorda também uma regularidade já realçada por outros investigadores portugueses que mostram que os resultados nacionais neste tipo de estudos estariam em linha com a média da OCDE e, em alguns casos, mesmo acima, desde que fosse mitigado o efeito das reprovações, que têm um peso muito forte no sistema educativo nacional. Os “chumbos” têm “uma incidência muito elevada em estudantes de famílias que têm níveis escolares muito baixos”.

A OCDE baseia-se nos resultados do PISA 2012, que tinham sido divulgado em Dezembro, e que têm por base testes realizado por cerca de 510 mil estudantes de 15 anos, dos quais 5700 em Portugal. Nessa ocasião foi perguntado aos alunos qual a ocupação profissional dos seus pais e o estudo agora apresentado cruza as duas variáveis, tentando perceber a sua relação.

Apesar de continuarem abaixo da média das OCDE nos três testes realizados os resultados dos alunos portugueses foram sublinhados por aquele organismo internacional, uma vez que fora os que registaram uma melhoria de performance mais evidente na última década. A Matemática continua a ser a disciplina em que os estudantes nacionais têm piores resultados –obtiveram 487 pontos, sendo a média geral de 494. Na leitura, os portugueses tiveram 488 (a média geral foi de 496) e a ciências mais um ponto (a média é também a mais alta, 501).

Os resultados desta nova análise agora tornados públicos podem ser consultados através de um dispositivo interactivo – disponível em http://beta.icm.edu.pl/PISAoccupations2012/ – onde é possível conhecer o diagnóstico de cada um dos países que participou nos PISA 2012 e estabelecer comparações entre países, tendo em conta os resultados dos estudantes participantes nos testes de leitura, matemática e ciência e as ocupações dos seus pais.

Essa ferramenta permite, por exemplo, perceber a existência de diferenças geográficas nos resultados. Olhando para os resultados em matemática, por exemplo, os filhos de pessoas que trabalham em limpezas em Xangai ou Singapura conseguem ter resultados superiores aos dos norte-americanos que são filhos de “profissionais” – uma categoria que agrupa trabalhadores qualificados em áreas como a saúde, educação, ciência e gestão. O PISA revela ainda que os Estados Unidos e o Reino Unido, países onde estes profissionais estão entre os mais bem pagos do mundo, não têm tão bons resultados a matemática como os trabalhadores destas áreas profissionais noutros países do mundo.

5 segredos da melhor educação do Ocidente

Dezembro 25, 2013 às 8:05 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do site Educar para Crescer de 4 de Dezembro de 2013.

Maurício Melo

Em entrevista exclusiva para o Educar, a Ministra da Educação e da Ciência da Finlândia revela as diretrizes de seu sistema educacional

Texto Cynthia Costa

Você acredita que a necessidade é a mãe da inovação? Na Finlândia, aquele longínquo país nórdico entre a Rússia e a Suécia, a grande inovação do século 20 foi uma educação de qualidade – tanto, que há anos a terra do Papai Noel sempre ocupa bons posicionamentos no PISA (Programme for International Student Assessment, ou Programa de Avaliação Internacional de Alunos). Na edição de 2012 dessa avaliação promovida pela OCDE, a Finlândia conquistou o 5º lugar em Ciências, o 6º em Leitura e o 12º em Matemática – mais um resultado admirável da pequenina nação, a primeira entre as ocidentais a aparecer no ranking de Leitura.

E que necessidade levou a isso? “Depois da guerra, estávamos pobres, sem recursos naturais. A maior riqueza que tínhamos era a própria nação. Por isso, investimos em uma boa educação”, explica Krista Kiuri, Ministra da Educação e da Ciência da Finlândia, falando com exclusividade ao Educar.

Desde o fim da década de 1960, quando o governo finlandês – em regime parlamentar com inclinação política à esquerda – resolveu que precisava de um sistema em que todas as crianças fossem contempladas, os investimentos nunca pararam. Mas a Ministra pondera: “Não se trata apenas de um aspecto econômico. Valorizamos a formação dos professores, o seu trabalho e o seu papel para a educação”. Quanto aos brilhantes resultados do país em pesquisas mundiais, como o PISA, Kiuri não demonstra tanta tranquilidade assim. “Nem sempre é fácil ser o primeiro lugar”, diz ela modestamente, referindo-se à responsabilidade de se manter no topo do ranking.

O Brasil e a Finlândia são, claro, países bem diferentes. Não apenas a nossa população é 40 vezes maior do que a da nação escandinava, como nós também somos fruto de uma trajetória bastante diversa. Mas que conselho a Sra. Kiuri poderia dar para a melhoria da nossa educação? “A boa educação emerge, primeiro, de um projeto político”, lembra a Ministra.

A seguir, veja pontos essenciais que garantem a educação de qualidade da Finlândia.

Finlândia em números

– 5,4 milhões de habitantes em 2012
– Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2012: 0,892 (21º mais elevado do mundo)
– 2.717 escolas
– 20 universidades e 30 escolas superiores politécnicas
– Em 2011(última estatística publicada), o investimento do governo com a educação foi de 11,9 bilhões de euros
– Escola obrigatória entre as idades de 7 e 16 anos
– Praticamente 100% são alfabetizados no país
– Único país tetracampeão no PISA: entre 2000 e 2010, ficou quatro vezes em primeiro lugar entre todos os países do mundo* (duas vezes no critério Ciências, uma vez em Matemática e uma vez em Leitura). Em todos as edições, foi o melhor país ocidental em todos os critérios.
*Lembrando-se que cerca de 70 economias (número que varia entre edições) participam do PISA, entre as quais o Brasil, que ocupou a 58ª posição entre 65 países na última edição. Há três critérios avaliados separadamente: Ciências, Matemática e Leitura.

Para ler, clique nos itens abaixo:

1. “Nenhum aluno é deixado para trás”

Este não é apenas um slogan. A intenção do sistema educacional finlandês é buscar a igualdade, não a meritocracia. “Não investimos apenas nos melhores. O potencial de todos é levado em conta”, ressalta Krista Kiuri, completando: “O aluno pode se tornar um político, um matemático, um artista. Sabemos que todos colaborarão de alguma maneira com a sociedade”.

2. Valorização dos professores

Todos os professores são altamente qualificados, em geral têm no mínimo diploma de mestrado e recebem salários razoáveis – cerca de 3 mil euros mensais, o que não fica nem muito acima nem abaixo de outros salários no país. “Respeitamos os nossos professores e os tratamos como profissionais. Também investimos em sua boa formação”, declara a Ministra.

3. Confiança nos professores e nos alunos

Sobretudo nos últimos 20 anos, os professores finlandeses têm ganhado cada vez mais autonomia: desde que cumpram o chamado “currículo nacional”, ou seja, o conteúdo programático das disciplinas, garantindo que todos os alunos o aprendam, os mestres têm liberdade para planejar as suas aulas e até para escolher métodos. Nem o governo nem os pais seguem neuroticamente os passos de alunos e professores – há apenas um exame nacional, no fim do Ensino Médio, que mede o aprendizado.

4. Alfabetização eficaz

O método de alfabetização adotado na Finlândia em geral é o silábico (primeiro os alunos aprendem as letras, depois sílabas, palavras, frases e, por fim, textos), o que tem se mostrado bastante eficaz, seja porque é o mais apropriado para o idioma finlandês ou graças à maneira como é aplicado. Não se espera que as crianças sejam alfabetizadas antes dos sete/oito anos de idade. Na primeira rodada de resultados do PISA, no ano 2000, a Finlândia já apareceu em primeiro lugar no quesito Reading (Leitura). De lá para cá, tem variado entre primeiro, segundo e terceiro lugares no ranking.

5. Educação pública

Não há interesse em tirar a educação do domínio público na Finlândia. Apenas 2% das escolas são particulares, e unicamente porque se especializaram em algum tipo específico de educação. Os outros 98% são totalmente públicos e descentralizados – municípios podem adotar diretrizes próprias, desde que obedeçam ao currículo nacional.

PISA 2012

 

Relatório PISA 2012

Dezembro 6, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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pisa2012

PISA 2012 Results: What Students Know and Can do : Student Performance in Mathematics, Reading and Science (Volume I)

This report is the first in a series of volumes presenting the results of PISA 2012 that assessed the competencies of 15-year-olds in reading, mathematics and science (with a focus on mathematics) in 65 countries and economies. It provides an introduction to PISA and examines the performance of students in mathematics, reading and science.

Around 510 000 students between the ages of 15 years 3 months and 16 years 2 months participated in the assessment, representing about 28 million 15-year-olds globally.

Alunos portugueses mantêm-se abaixo da média

Dezembro 5, 2013 às 6:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 3 de Dezembro de 2013.

por Texto da Lusa, publicado por Lina Santos

Portugal mantém-se abaixo dos países que participam no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) nas áreas de leitura, matemática e ciências, destacando a OCDE a melhoria da performance dos estudantes nacionais desde 2003.

Os resultados do relatório PISA 2012, da responsabilidade da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) foram hoje divulgados, sendo testados os conhecimentos dos alunos de 15 anos de 65 países a nível mundial.

Nas três áreas, Portugal mantém-se abaixo da média, apesar de estar perto deste valor, no caso da Matemática, onde os alunos portugueses obtiveram 487 pontos, sendo o nível da média geral 494.

Na avaliação dos conhecimentos de leitura, os estudantes portugueses conseguiram um resultado médio de 488, enquanto o nível da média geral se fixou nos 496.

Nas ciências, os alunos nacionais obtiveram 489 pontos, sendo a média de 501 nesta área.

No sumário executivo do documento, a OCDE destaca que Portugal faz parte do grupo de países, que participando em todas as avaliações deste 2003, apresenta uma melhoria média em matemática de mais de 2,5 pontos por ano.

Assim, surge o parâmetro “mudança anualizada” (annualised change) que a OCDE considera ser uma medida mais robusta para avaliar as tendências no desempenho, porque se baseia em todas as informações disponíveis e não na diferença entre um ano e outro.

Na matemática, os alunos portugueses verificaram uma mudança anualizada de 2,8, enquanto na ciência obtiveram 2,5 e na leitura 1,6.

Entre 2003 e 2012, Itália, Polónia e Portugal aumentaram a participação de melhores desempenhos e, simultaneamente, conseguiram reduzir a parcela de baixo desempenho em matemática.

O sumário executivo do relatório destaca ainda que Portugal é um dos países da OCDE que melhorou o desempenho em termos de leitura nas várias avaliações do PISA.

Xangai (China), Singapura e Hong Kong (China) ocupam os três primeiros lugares nas três áreas de conhecimento avaliadas pelo PISA.

No PISA 2009, os alunos portugueses tinham conseguido uma classificação de 489 pontos, quase ao nível da média geral, que foi de 493 no parâmetro principal de avaliação, centrado na leitura.

Nos conhecimentos de matemática, os portugueses conseguiram então 487 pontos e na avaliação dos conhecimentos em ciência 493.

Cerca de 510 mil estudantes de 15 anos realizaram a esta prova, que ficou mais a matemática, mas abordou também a leitura e a ciência. Estes alunos representam os cerca de 28 milhões de estudantes de 15 anos que frequentam as escolas dos 65 países participantes no estudo.

O Pisa realizou-se pela primeira vez em 2000 e decorre de três em três anos. A escala utilizada foi construída de forma a que, no conjunto dos países da OCDE, a média fosse de 500 pontos.

OCDE adverte para importância do contexto socioeconómico


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