Fotografias dos filhos nas redes sociais? Por vezes, os pais são os primeiros a pô-los em risco

Maio 12, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 10 de abril de 2020.

Unidade de Cibercrime da APAV lembra que “aquilo que colocamos nas redes sociais pode ser usado em nosso desfavor” a partir do momento em que perfis podem ser “acedidos por desconhecidos”.

Daniel Dias

Com a propagação da pandemia que nos obriga ao isolamento, tem havido quem recorra às redes sociais para, através da câmara do telemóvel, mostrar o pequeno pedaço do mundo que consegue ver a partir da sua janela. Os filhos incluídos. Por isso, especialistas recomendam: em tempos de quarentena, e com o mundo “ainda mais ‘conectado’ do que é costume”, é importante não nos esquecermos da cibersegurança e dos perigos que podem espreitar.

“Nós temos a ideia de que as pessoas olham sempre para uma fotografia de uma criança de forma carinhosa. Mas, infelizmente, há quem, por exemplo, veja um objecto de desejo”, alerta Tito de Morais, fundador do projecto Miúdos Seguros na Net, que assume como missão ajudar “famílias, escolas e comunidades a promover a utilização responsável das novas tecnologias de informação e comunicação por jovens”.

“É óbvio que, em princípio, pensamos que não corremos nenhum risco quando o que circula não sai da rede de amigos”, faz questão de frisar o consultor. Mas, conta Ricardo Estrela, responsável pela Unidade de Cibercrime da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), “precisamos de ter em mente que, se há uma mínima possibilidade de os nossos perfis no Facebook ou no Instagram serem acedidos por desconhecidos, o que lá colocamos pode ser usado em nosso desfavor”.

“Temos um hábito muito mau. Primeiro, publicamos as coisas e só depois, normalmente na sequência de algum problema que nos acontece, é que pensamos nestas questões de segurança e de privacidade”, observa Tito de Morais. “De um dia para o outro, tivemos de passar do ensino presencial para as aulas à distância, assim como precisámos de nos adaptar ao teletrabalho. Fizemos essa transição atabalhoadamente. Começou tudo a correr para o Zoom, quando, pelo que temos vindo a ouvir e descobrir, essa plataforma não é necessariamente segura”, exemplifica.

Para o criador do Miúdos Seguros na Net, “não admira que as famílias estejam mal preparadas para mudanças desta magnitude se o próprio Estado não dá o exemplo”. Quando, no Dia Nacional do Estudante, a 24 de Março, o Ministério da Educação promoveu a iniciativa #EstudoEmCasa — na qual desafiou pais a partilharem fotografias do novo e provisório ambiente de trabalho dos seus filhos, “criando um movimento nacional de motivação” para que estes pudessem continuar empenhados, num ano lectivo “com contornos diferentes do habitual” —, a tutela “deixou a nota de que não seriam divulgadas as imagens que incluíssem os rostos das crianças, mas, se clicarmos na etiqueta, vemos que isso não aconteceu”, alerta.

Ricardo Estrela aponta para a necessidade de os pais “terem consciência do direito à salvaguarda da imagem dos filhos menores” e sublinha a importância de “não revelarmos ‘pistas’ ou informações visuais que permitam identificar a nossa localização quando decidimos divulgar essas imagens que mostram as ‘vistas’ do nosso distanciamento social”. Isto, explica o gestor da Linha Internet Segura, “não é paranóia”; é, sim, o que, “no mínimo”, devia ser “etiqueta” nas redes sociais.

E-mails duvidosos e perfis falsos

Durante as últimas semanas, a Unidade de Cibercrime da APAV tem identificado várias “tendências perigosas” na Internet. “Temos estado atentos a perfis falsos que se fazem passar por entidades ligadas à área da saúde e que se aproveitam da falta de acesso no mercado para vender máscaras protectoras a um preço muito acima do normal”, avisa Ricardo Estrela. “Normalmente”, continua, “as formas de pagamento não são comuns. Pede-se o IBAN para a realização da transferência. As pessoas precisam de ter cuidado com as páginas a que acedem e as fontes que consultam.”

Outro problema detectado tem que ver com “muitas tentativas de phishing” – a circulação de e-mails falsos com o objectivo de enganar utilizadores e induzi-los a fraudes em que revelam informação privada ou palavras-passe. Algumas mensagens de correio electrónico “seduzem com títulos espectaculares” — sugerindo, por exemplo, que foi encontrada uma cura para o novo coronavírus. Outras tentam dar a entender que “vêm da empresa onde a pessoa trabalha”. São, por norma, “e-mails muito genéricos”, “com um PDF executável que supostamente contém dados como as novas políticas de segurança no trabalho”, quando, na verdade, corresponde a uma armadilha.

Nos primeiros três meses de 2020, o Portal da Queixa registou mais de mil reclamações relativas a esquemas de burla e fraude, um aumento de mais de 30% face a 2019. Uma tendência que deve crescer nos próximos tempos “tendo em conta a obrigação da permanência das pessoas em casa, alterando os seus hábitos de consumo”, com o “fluxo de compra direccionado para os canais digitais”. O envio de SMS que dão conta de que o destinatário venceu um alegado passatempo constitui uma das “tácticas” comuns. Neste momento de pandemia, a rede aponta para a necessidade de uma “navegação consciente”.

Texto editado por Bárbara Wong

Empresário criou 11 perfis falsos no Facebook para atrair menores

Fevereiro 24, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem da Sábado de 24 de janeiro de 2019.

O método do predador sexual do Porto passava por criar identidades de adolescentes na rede social de maneira a convencê-los a enviar-lhe fotografias íntimas.

Um empresário do Porto criou 11 perfis falsos na rede social Facebook de maneira a entrar em contacto com menores e convencê-los a enviar-lhe fotografias íntimas. De acordo com a acusação do Ministério Público, referida na edição desta quinta-feira do Jornal de Notícias, a abordagem a jovens terá começado em 2012 e terá continuado até 2017, ano em que o homem – agora com 70 anos – foi detido pela Polícia Judiciária do Porto. O caso começa a ser julgado em breve no Tribunal de São João Novo, no Porto.

O método do predador sexual passava por criar identidades de adolescentes e o seu alvo eram, maioritariamente, rapazes de origem africana ou asiática entre os 10 e os 16 anos. As suas personagens tinham nomes como “Luís Manuel”, “José Manuel”, “Filipo Gomez”, “Nani Durão”, Rucas Filipe”, “Andónio”, “Rakell Wish”, “Francisca Chica”, “Mário Lucas”, “Rita João” e “Alex Manu”.

No Facebook, o empresário do Porto também utilizava como fotografias de perfil imagens de adolescentes retiradas da internet, mentindo sobre a sua idade e naturalidade. Está agora acusado de 16 crimes de pornografia de menores e três de abuso sexual.

De acordo com o jornal, a PJ descobriu através de buscas à vivenda do indivíduo, um telemóvel e um cartão de memória com cerca de cinco mil ficheiros de vídeos e imagens envolvendo menores em cenas sexuais. No entanto, depois de detido, o juiz resolveu libertar o arguido sob termo de identidade e residência.

 

 

Criámos um perfil falso e 78% das pessoas aceitaram o nosso pedido de amizade

Março 20, 2018 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://visao.sapo.pt/ de 25 de fevereiro de 2018.

Carmo Lico

Segundo dados do Facebook, 6 a 10% das contas na rede são falsas. Isso significa que há perto de 207 milhões de contas duplicadas e até 60 milhões de contas associadas a identidades fictícias. Tem alguma destas na sua lista de amigos? Não será tão improvável assim.

A VISÃO fez o teste. Criar uma conta no facebook foi bastante simples. Bastou associar um email, um nome e uma data de nascimento. Em menos de um minuto, o perfil estava online. O mais moroso foi mesmo chegarmos a um consenso em relação ao nome: Ficou Joana Lima. Depois disso, escolhemos uma cara a partir de um banco de imagens gratuito. Por sugestão do Facebook, uma vez que a redação da VISÃO é em Paço de Arcos, a Joana vive em Oeiras. Também foi a plataforma a sugerir que a Joana estudasse na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Ainda mérito do mesmo algoritmo, foram os 200 pedidos de amizade que fizemos.

Da lista que o Facebook disponibiliza como “pessoas que talvez conheças”, fizemos pedidos de amizade a homens e mulheres, de todas as idades. Em menos de dois minutos, tínhamos três amigos. E ainda não tinha passado um quarto de hora, quando recebemos o primeiro pedido de amizade. Antes de terminar sessão, e para tornar o perfil mais credível, decidimos adicionar ao perfil uma foto de um cachorro (do mesmo banco de imagens de onde escolhemos a foto da Joana).

No dia seguinte, o número de notificações surpreendeu-nos. Em menos de 24 horas, tínhamos 157 amigos – 78% das pessoas a quem enviámos um pedido de amizade, aceitaram partilhar os seus dados (mais ou menos privados) com um perfil de alguém que (de certeza) não conhece. Além de amigos, tínhamos comentários, gostos, pedidos de amizade e até mensagens privadas de homens e mulheres de todas as idades. Veja o vídeo para conhecer mais pormenores desta nossa experiência.

Se procurar na sua lista de amigos, não vai encontrar o perfil desta “Joana Lima”. Depois de recolhidas todas as informações para este artigo, o perfil foi eliminado. O mesmo não podemos garantir, relativamente às outras mais de 200 milhões “Joanas” falsas. Mas podemos ajudar: veja aqui os dez passos para identificar um perfil falso, segundo Dr.ª Luzia Pinheiro, investigadora no CECS, Universidade do Minho.

visualizar o vídeo da Visão no link:

http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2018-02-25-Criamos-um-perfil-falso-e-78-das-pessoas-aceitaram-o-nosso-pedido-de-amizade

 

 

Say No! – A campaign against online sexual coercion and extortion of children – Vídeo legendado em português

Junho 28, 2017 às 9:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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mais informações:

https://www.europol.europa.eu/activities-services/public-awareness-and-prevention-guides/online-sexual-coercion-and-extortion-crime

 

A história de Mariana (ou como manter o seu filho seguro no mundo virtual)

Abril 6, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto da http://visao.sapo.pt/ de 26 de março de 2017.

John Holcroft/ Getty Imagens

Luísa Oliveira

O rapto de uma criança no Norte do País lembra-nos aquilo que nunca devíamos esquecer: o mundo virtual esconde perigos bem reais. Mas há formas de os evitar.

Dia 3 de março, Mariana Leirinha, 13 anos, sai de casa em Beiral do Lima (Ponte de Lima) sozinha, para ir para a escola. Mas não chega ao destino. Ao final do dia, os pais alertam a Polícia Judiciária (PJ). A menina é encontrada uma semana depois, numa casa perto de Aveiro. Lá dentro está Manuel Fernandes, 24 anos, referenciado pela prática de crimes de natureza sexual envolvendo menores. Fica em prisão preventiva pela suspeita de rapto agravado. A menina, aparentemente bem, regressa a casa. Tudo indica que Mariana tenha sido aliciada através da internet por este homem, que tinha um perfil falso no Facebook, usando a fotografia de um modelo francês. A história não é original. No ano passado foram vários os casos que chegaram a público dando conta de homens que utilizam o mesmo meio para abusarem de menores. De pouco servem as recomendações: o estudo de 2013 Teens, Social Media and Privacy, do americano Pew Research Center, diz que 71% dos adolescentes que usam o Facebook revelam o nome da sua escola ou da cidade onde vivem, 53% o e-mail, e 20% o número de telemóvel.

Rute Agulhas, 43 anos, psicóloga clínica e forense, nota que os miúdos se inscrevem nas redes sociais com o consentimento dos pais. “Os adultos não têm a noção do perigo e supervisionam pouco”, nota a profissional, que há um ano criou o jogo de tabuleiro As Aventuras do Búzio e da Coral, para ajudar a educar crianças dos 6 aos 10 anos, com perguntas validadas pela PJ. “O tema sobre o qual eles revelam mais desconhecimento é a internet.” No verão sairá uma aplicação para adolescentes, para que aprendam a lidar com situações de risco. Pode ser uma ajuda, já que, como nota Tito de Morais, 54 anos, o mentor do projeto Miúdos Seguros na Net, “na adolescência, os filhos tendem a dizer que sim aos pais e depois comportam-se de maneira a agradar ao grupo”.

Vidas seguras dentro (e fora) do ecrã

É possível estar nas redes sociais sem medos – desde que se sigam algumas regras

Medidas elementares

– Evitar a impulsividade típica das redes. É tão fácil aceitar uma amizade como rejeitá-la.

– Ser desconfiado e cético em relação às amizades que se aceitam de pessoas que não se conhece – e o critério da manada, leia-se muitos amigos em comum, não basta. Pode significar apenas que muitos, antes de nós, já cometeram o mesmo erro.

– Averiguar o perfil de quem nos pede amizade. Começa-se por ver se é recente ou não, se está identificado em fotografias de outras pessoas ou se as suas imagens foram todas descarregadas no mesmo dia.

– No caso de se desconfiar da fotografia de perfil (se são de pessoas muito bonitas e elegantes, por exemplo), pode-se descarregá-la e pesquisá-la nas imagens do Google para verificar se ela existe noutro local na internet.

– Nunca publicar fotografias pessoais com localização em tempo real, com a farda ou o cartão da escola visível, ou em poses sexy, que possam dar a ideia errada.

– Tapar a câmara do computador com um autocolante, porque ela pode ser ativada à distância e esta é a única forma segura de não sermos filmados sem consentimento.

– Não marcar encontros presenciais com amizades que se fazem nas redes sociais. Caso se opte por quebrar esta regra, ir acompanhado, avisar outras pessoas do local (que deve sempre ser público) e garantir que o telemóvel está à mão para pedir ajuda.

Medidas intermédias

– Exigir a password aos filhos e espreitar os perfis deles em caso de desconfiança.

– Falar com eles sobre os perigos e deixá-los à vontade para contarem se alguém os abordar de forma estranha nas redes sociais.

– Criar a norma de que o computador só pode ser usado num sítio por onde todos passem.

Medidas drásticas

– Instalar software de controlo parental sem que os menores saibam. Mas é algo intrusivo, que regista todos os passos dados no computador – há o risco de eles descobrirem e passarem ao modo clandestino ou a usar outro dispositivo. Tito de Morais, do projeto Miúdos Seguros na Net, só o aconselha em caso de desconfiança grave. “O melhor software é ensinar-lhes a autodefesa, ajudá-los a descobrir as suas vulnerabilidades.”

 

 

 


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