O coronavírus visto pelas crianças: “Obrigado por me terem estragado as férias!”

Abril 16, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 6 de abril de 2020.

Natália Faria

Suspendeu o toque, os abraços e os beijos. Criou “uma trapalhada” que só deve acabar quando chegar o calor. Não é um vírus qualquer porque “está a afectar as necessidades fisiológicas e de segurança” das pessoas. Eis o coronavírus visto pelos alunos do 4.º A da Escola de S. Miguel de Nevogilde, no Porto.

O coronavírus é uma espécie “de lobo mau”, descreve Rita, que “está lá fora, pronto a atacar quem sair do seu domicílio”. Logo, “é um vírus mau”, vaticina Gonçalo. Nesta história, cujo desfecho ainda está a ser escrito, as crianças parecem mimetizar o comportamento responsável do mais velho dos três porquinhos. Assumem o isolamento social como uma forma de proteger os outros, particularmente os avós, aceitando-o com aparente resignação, mesmo que o vírus (perdão, o lobo) tenha conseguido pôr-lhes a vida em pantanas. Tanto que, se pudesse, Francisco “ia à China”, levando na mala uma mensagem bem clara aos respectivos governantes: “Obrigado por me estragarem as férias!”

Para tentar registar as percepções das crianças sobre a pandemia que suspendeu o mundo, o PÚBLICO desafiou os alunos de uma turma do 4.º ano da Escola de S. Miguel de Nevogilde, no Porto, a escrever uma composição sobre o novo coronavírus. Entre desenhos, poemas e textos, as crianças com idades entre os nove e os dez anos parecem ter bem estudada a lição sobre este “inimigo invisível” que, além de ter fechado com estrondo as portas das escolas, as transformou numa espécie de arma potencialmente letal para os avós.

“Quem morre são os idosos com mais de 70 anos ou as pessoas com doenças respiratórias, eu amo os meus avós”, escreve Miguel, numa declaração de amor que torna a pontuação supérflua, dizendo-se consciente de que, se está em casa, é para “não aumentar o número de mortos e infectados”. Menos conformada, Francisca queixa-se da suspensão sine die do toque, dos braços e dos beijinhos: “É possível acreditar que no dia do pai nem o pude abraçar?!”, indigna-se, explicando que “uns colegas dele estiveram numa festa e apanharam covid-19 e ele teve de estar afastado”.

“Quando sair vou querer estar com os meus avós”, anuncia também Sebastião, qualificando como “estranha” esta experiência de “ter de ficar em casa”. Isto apesar de “a melhor família do mundo”, que diz ser a sua, o ter ajudado a suavizar a espera com uma rotina bem oleada: “Acordar, trabalhar tudo o que foi proposto, descansar, almoçar, jogar jogos, lanchar, tomar banho, jantar e dormir.” Sem fugir a prognósticos, Sebastião imagina que “esta trapalhada toda vai acabar quando o Verão chegar (ou seja, quando o calor chegar)”.

De acordo quanto aos timings, Francisco perspectiva um Verão pouco dado a brincadeiras e a mergulhos na praia. “O que acho que vai acontecer é que teremos de ter aulas quase todo o Verão para compensar e só mais tarde (talvez no início de Outubro) é que iremos para o quinto ano.” Daí que lhe tenha apetecido ir à China “agradecer” aos respectivos governantes o facto de lhe terem estragado as férias por conta da propagação de um vírus que, segundo diz, “vem dos morcegos”, o que ajudará a explicar que o corpo humano não esteja “pronto a combatê-lo”.

Viver com medo 

Arredada das aulas desde o dia 13 de Março, apesar de as escolas só terem fechado no dia 16, Rita A. garante que nem todos os Google Party, Jitsi Meet ou WhatsApp do mundo curam as saudades dos avós, tios, primos e dos irmãos “que vivem noutra casa”. “As tecnologias que temos ajudam a ‘vê-los’, mas não é a mesma coisa”, lamenta. As aulas de ballet prosseguem, também via vídeo-qualquer-coisa. “Visto-me e faço o puxo como para uma aula normal”, descreve. Apesar disso, e dos trabalhos que a escola manda, a tristeza instala-se. “Não brinco com os meus amigos, os meus pais estão aqui, mas nem sempre têm tempo para me ajudar, porque também continuam a trabalhar mesmo em casa. Não é nada fácil estar tanto tempo fechada aqui dentro.”

Fechada para o mundo, mas sem que os ecos do mundo estejam necessariamente impedidos de entrar casa adentro, com a televisão a debitar non-stop a contabilidade enlouquecedora dos mortos e infectados, Beatriz diz preocupar-se com o cenário nos hospitais: “Há falta de material e os médicos e todas as pessoas que trabalham com eles estão exaustos”, aponta, dizendo-se igualmente apreensiva com “o problema económico”, dado que “muitas instituições e empresas já estão fechadas para evitar o contacto com outras pessoas”.

Leonor confessa-se igualmente “perturbada” com “a insegurança com que as pessoas estão a viver”. “Eu não sei se a pessoa que está comigo está infectada. As pessoas vivem com medo”, escreve, para, recorrendo à recentemente aprendida “pirâmide das necessidades” do psicólogo norte-americano Abraham Maslow, concluir que o SARS-Cov-2 “não é um vírus qualquer”. “Sabemos que está a modelar a nossa vida (…) e está a afectar as duas necessidades mais importantes: as necessidades fisiológicas e de segurança.”

Maria partilha das preocupações com “a morte e sofrimento”. Mas não deixa de lembrar que há “mais a pessoas a morrer à fome, à sede e etc…”. De resto, prefere ir olhando para o copo meio-cheio, porquanto a gazeta forçada às aulas lhe permite, por exemplo, não acordar tão cedo e apanhar sol na varanda. “Acho que as pessoas, depois desta crise, vão começar a dar mais valor ao que têm”, antevê, depois de concluir que, à falta de vacina, o remédio é “dormir bem, estar sempre a beber (água, chá…) e ter uma alimentação saudável”.

Voltando à metáfora do lobo e dos três porquinhos, Rita acaba a sua composição com um pedido público: “Imploro ao lobo que se vá embora rapidamente. Mas imploro também aos porquinhos que não saiam de casa e que lavem as mãos frequentemente”, enquanto Maria reitera que “o principal é não ficarmos nervosos”. E, sem dispensar um emoji sorridente, aproveita para declarar: “Gosto muito de si, professora Manuela.”

Elas querem ter o rosto perfeito

Outubro 26, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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texto do http://p3.publico.pt/ de 9 de outubro de 2016.

autoria Ana Maria Henriques

“Sou feia?” A questão é colocada por várias meninas, rostos infantis com dúvidas adultas. As histórias são ficcionadas — mas poderiam bem ser verdadeiras. A Internet vive de tendências e, no campo da beleza e maquilhagem, o “contouring” é a mais recente. Kim Kardashian é o exemplo mais citado: o rosto da norte-americana que diariamente é notícia é o exemplo perfeito desta “estranha ocorrência social”, como se lê na plataforma NOWNESS. Num jogo de luz e de sombras, os rostos ganham contornos e traços mais esguios, alterando assim a percepção da fisionomia feminina. Tudo através da maquilhagem, dos produtos certos (ou errados) e dos ângulos. As meninas e jovens que surgem a falar para a câmara como se estivessem a gravar um vídeo para o YouTube — palco por excelência para tutoriais de maquilhagem — admiram as celebridades e aspiram a ser como elas. Será que a cultura dos rostos definidos e angulosos foi longe de mais e está a alterar a forma como definimos a beleza? “Am I Ugly”, um trabalho da realizadora Marie Schuller, faz parte da série “Define Beauty”, que conta já com outros vídeos. O excesso de peso, a depilação ou até o espaço entre as coxas são outras dos temas abordados em “Define Beauty” — e muitas outras páginas da Internet.

 

Fichas para desenvolvimento da inteligência: atividades para crianças. Baixe o seu!

Agosto 19, 2014 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Recursos educativos | Deixe um comentário
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texto do site http://www.reab.me de 31 de julho de 2014.

fichas

por Ana Leite

Um material desenvolvido por José Luis Rivas e que faz parte das ferramentas de suporte educacionais distribuídos pelo site Santillana com o objetivo de facilitar o trabalho do aluno e do professor.

Com materiais para todas as fases, esse é contém atividades para desenvolver habilidades cognitivas de crianças em fase “primária”. As habilidades contempladas são: Percepção, Atenção, Memória, Compreensão Verbal, Compreensão do Espaço, Raciocínio Lógico, Organização Temporal e Habilidades Numéricas.

Esse material já pode ser conhecido de alguns pois é de 2004, mas como esse é o tipo de coisa é atemporal, resolvemos deixar o link aqui para que todos possam ter acesso e saber onde buscar, quando e se precisarem.

O material está todo em Espanhol, mas as figuras facilitam a compreensão e não impedem que a ideia seja utilizada por quem procura inspirações! =)

 fichas 2

Clique aqui e confira!

 

Estudo conclui que os bebés têm, aos 5 meses, consciência do ambiente que os rodeia igual à dos adultos

Abril 30, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da SIC Notícias de 18 de Abril de 2013.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

A Neural Marker of Perceptual Consciousness in Infants

Comunicado de Imprensa do Centre National de la Recherche Scientifique

Les bébés doués de conscience ?

Estudo conclui que os bebés têm, aos 5 meses, consciência do ambiente que os rodeia igual à dos adultos

Os bebés têm, aos 5 meses, uma consciência  do ambiente que os rodeia semelhante à dos adultos, conclui uma investigação,  que será publicada na sexta-feira na revista Science.

Para detetar este estado de consciência, cientistas europeus observaram  a atividade neural de 80 bebés, de 5, 12 e 15 meses, com a ajuda de um eletroencefalograma  que media o tempo de respostas elétricas do seu cérebro, no momento em que  lhes eram mostradas imagens de rostos, mais ou menos demoradamente.

Para os três grupos etários de bebés estudados, os investigadores observaram  a mesma resposta tardia verificada em adultos, confirmando “a marca neural  do estado de consciência”.

Os resultados do trabalho, citados pela agência AFP, revelam que os  mecanismos cerebrais da consciência da perceção estão presentes, bem cedo,  nos bebés, embora de forma mais lenta. A sua reação consciente acelera progressivamente,  à medida que vão crescendo.

Para os investigadores, o estudo poderá ajudar os médicos a compreenderem  melhor a perceção da dor e os efeitos da anestesia nos bebés, bem como avaliarem  a capacidade de perceção em doentes ou vítimas de acidentes de viação incapazes  de comunicarem verbalmente.

O estudo foi conduzido por vários cientistas europeus, nomeadamente do Centro Nacional de Investigação Científica do Laboratório de Ciências  Cognitivas e Psicolinguísticas de Paris.


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