Cerca de 2.500 migrantes menores na Grécia em situação “perigosa”

Julho 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Notícia da SIC Notícias de 12 de julho de 2018.

Cerca de 2.500 migrantes menores não acompanhados na Grécia, que representam dois terços do total deste grupo e registados, não possuem uma estrutura de alojamento e estão em situação “perigosa”, alertou esta quinta-feira a organização não-governamental (ONG) Metadrasi.

“De acordo com os dados do Centro de solidariedade social [Ekka] , 3.670 menores não acompanhados encontram-se atualmente no país e apenas 1.135 garantem alojamento em casas ou em famílias, com os restantes confrontados com uma situação perigosa”, indicou Evdokia Gryllaki, responsável na Metadrasi pela gestão de menores não acompanhados.

A maioria dos menores não protegidos são paquistaneses, 38,4% do total, que “não possuem o perfil habitual do refugiado que tenha a possibilidade de beneficiar de proteção, como é por exemplo o caso dos sírios”, lamentou esta responsável durante uma conferência de imprensa em Atenas sobre esta situação.

Evdokia Gryllaki sublinhou ainda que “12% dos menores sem proteção são SDF [sem domicílio fixo] , e que apenas 66% são escolarizados”.

“O atual desafio consiste em encontrar soluções para a sua integração, sobretudo através da sua escolarização, porque a maioria [55,5%] está indicada para permanecer no país” por não estarem incluídos nas categorias de relocalização ou reagrupamento familiar, revelou.

No total, e de acordo com a Ekka, existem na Grécia 28 estruturas de alojamento de menores não acompanhados, com uma capacidade de 1.115 lugares.

A Metadrasi, vocacionada para a defesa dos migrantes e refugiados, em particular dos menores são acompanhados, forneceu apoio desde 2015 — o ano mais intenso da recente crise migratória — a 4.133 menores, incluindo 3.633 rapazes, na maioria afegãos, sírios e paquistaneses.

LUSA

 

Malala Yousafzai, a menina que lutou contra taliban, luta agora contra a morte

Outubro 15, 2012 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Público de 12 de Outubro de 2012.

Por Cláudia Sobral

Eram muitas as noites em que Malala Yousafzai sonhava com soldados, helicópteros ou os taliban, também muitas aquelas em que não conseguia dormir. Mas tudo ficou ainda pior no dia em que a sharia (lei islâmica) passou a ser lei no Vale de Swat – uma concessão do Governo paquistanês para o cessar-fogo com os combatentes na região, em 2009.

Na noite de 14 de Fevereiro o pai pegava no rádio uma última vez para ter a certeza que nada tinha mudado, num gesto meio ingénuo, quase ridículo. Na manhã seguinte terminava o prazo dado pelos taliban: mais nenhuma menina poderia ir à escola. Malala, que já era conhecida pela sua luta pelo direito das mulheres à educação, foi. Apesar do medo.

“No caminho para a escola eles podem matar-nos, atirar-nos com ácido para a cara, fazer o que entenderem”, dizia então ao New York Times, que a acompanhava para o documentário Class Dismissed. “Mas eles não podem parar-me, eu vou ter a minha educação.” Tinha 11 anos.

No diário que escrevia para o site da BBC Urdu ja nessa altura (que assinava com o nome Gul Makai), descrevia a vida na sua cidade, Mingora, controlada pelos taliban. Insurgia-se sobretudo pelo direito das mulheres à educação. Via outros activistas mortos e exibidos pelas ruas e praças de Mingora, e sabia que um dia poderia chegar a sua vez.

Quando na terça-feira regressava da escola, apareceram dois homens armados que a atingiram na cabeça e num ombro. Gravemente ferida, está em estado crítico num hospital militar em Rawalpindi, a recuperar de uma operação à cabeça. Os próximos dias serão cruciais, não se sabe se sobreviverá ou não.

A jovem activista paquistanesa de 14 anos era já um símbolo da resistência contra os taliban do Paquistão – venceu o National Peace Award for Youth, no Paquistão, e foi nomeada para o International Children’s Peace Prize, da Dutch Kids Rights Foundation. Mas nos últimos dias o país esteve como nunca de olhos postos nela.

As orações semanais desta sexta-feira foram dedicadas a Malala por todo o Paquistão, dois dias antes as escolas tinham estado fechadas. O Presidente Asif Ali Zadari condenou o ataque, quis que ela fosse tratada no Dubai. No Vale de Swat são organizados protestos.

Os taliban já garantiram que se sobreviver voltarão a atacar. “Apesar de ela ser nova e uma menina e de os taliban não acreditarem em ataques a mulheres, qualquer um que faça campanha contra o islão e a sharia deve ser morto, segundo a sharia”, explicava há dias o porta-voz do grupo no comunicado em que o ataque foi reivindicado. “Não é apenas permitido matar uma pessoa assim, mas obrigatório.”

“Claro que vão tentar matá-la”, escreve o editor de política internacional da Slate. “Uma adolescente a falar no direito das mulheres à educação é a coisa mais assustadora no mundo para os taliban”, escreveu. “Ela não pertence a uma ONG estrangeira. Ela é muito mais perigosa do que isso: uma local, defensora do progresso da educação e do esclarecimento. Se pessoas como ela se multiplicarem os taliban não têm futuro.”

Pelo Paquistão já outras adolescentes disseram que não deixarão que o que aconteceu a Malala tenha sido em vão. Os dirigentes políticos fizeram o mesmo.

Um ícone

“Malala é o nosso orgulho. Tornou-se num ícone para o país”, disse o ministro do Interior, Rehman Malik. O primeiro-ministro, Raja Pervez Ashraf, foi visitá-la e pediu a todos os líderes paquistaneses que se juntassem a ele e o chefe das Forças Armadas, Ashfaq Parvez Kayani, afirmou que chegou a hora de “combater os que propagam esta mentalidade bárbara e os seus simpatizantes”.

Também Bushra Gohar, do Partido Nacional Awami, parte da frágil coligação governamental com o Partido do Povo do Paquistão (PPP) e no poder no Vale de Swat, já disse no Parlamento que “o tempo para acabar com o terrorismo chegou”.

Se este levará de facto à tomada de passos concretos na luta contra os taliban, que mantêm os alguns dos seus santuários no Norte, não se sabe ainda. Acontecerá o mesmo que em 2009, quando foi lançada uma grande ofensiva aos taliban depois de um vídeo de uma adolescente a ser espancada por um combatente? Para já não há movimentações militares no Vale de Swat, escreve o New York Times citando oficiais paquistaneses.O ataque contra a jovem activista, explicou num debate da Al-Jazira o presidente da Associação de Advogados Paquistaneses, Ahmad Malik, “prejudica a imagem do Paquistão tolerante que Malala representava”. Convidada no mesmo programa, Rubina Khalid, do PPP, disse que sentiu vergonha. “Não podíamos protegê-la e ela estava a lutar por aquilo por que devíamos ter sido nós a lutar. Devíamos ter sido nós na linha da frente, não ela.”

Malala dizia que queria estudar para ser médica. Mas esse era o seu sonho, como explicou numa das entrevistas para o documentário do New York Times. O pai queria que fizesse carreira na política. “Vejo um grande potencial nela. Ela pode criar uma sociedade em que um estudante de medicina possa facilmente tirar o seu doutoramento.”

 

Criança detida por blasfémia no Paquistão

Agosto 20, 2012 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , ,

Notícia do Público de 20 de Agosto de 2012.

Menor terá queimado páginas do Corão

 Por PÚBLICO

Uma criança paquistanesa está detida depois de ter sido acusada de desrespeitar o Corão. O caso da menor, filha de pais cristãos, está a suscitar a ira entre a população maioritariamente muçulmana, que exige que a criança seja punida. A lei paquistanesa prevê a pena de morte para alguns destes casos.

Rimsha, que terá entre 11 e 12 anos e trissomia 21 ou síndrome de Down, foi detida na última quinta-feira em Mehrabad, um bairro em Islamabad habitado por perto de 800 paquistaneses cristãos, depois de uma multidão em fúria ter exigido que fosse punida. O que terá estado na origem da detenção da criança não foi ainda confirmado oficialmente. Um responsável da polícia local disse à agência noticiosa AFP, sob condição de anonimato, que a criança terá sido vista em público com páginas queimadas entre as quais se encontravam versos do Corão e outros textos islâmicos.

Rimsha foi ouvida na sexta-feira em tribunal mas não terá conseguido explicar o que aconteceu e entendido as questões que lhe foram colocadas. Ficou em prisão preventiva durante 14 dias, ao fim dos quais deverá comparecer de novo em tribunal.

O ministro paquistanês para a harmonia nacional, Paul Bhatti, citado pela BBC, sublinhou que a criança sofre de perturbações mentais e tudo indica que não terá “desrespeitado propositadamente o Corão”. Com base nos relatórios a que tive acesso, foi encontrada com um saco de lixo que também teria páginas do Corão”, acrescentou o responsável à estação de televisão britância. “O caso enfureceu a população local e uma multidão começou a exigir que fosse punida. A polícia esteve incialmente relutante em deter a menina mas cedeu perante a enorme pressão da multidão, que chegou a ameaçar que iria incendiar habitações de cristãos”, contou ainda o ministro.

O Presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, já ordenou que fosse aberto um inquérito à detenção da menor e entregou o caso ao ministro do Interior.

A acusação de blasfémia feita a Rimsha pela maioria muçulmana levou a que muitos cristãos abandonassem temporariamente o bairro de Mehrabad, receando represálias, adianta a AFP. “Estes cristão estão refugiados em casa de familiares noutros bairros da cidade mas já começaram a regressar progressivamente a Mehrabad”, disse à AFP Tahir Naveed Chaudhry, de uma organização que representa as minorias no Paquistão. Tahir Naveed Chaudhry confirmou à agência noticiosa que Rimsha tem trissomia 21, associada a algumas dificuldades de habilidade cognitiva e desenvolvimento físico. As limitações mentais da criança são, no entanto, contestadas pela comunidade muçulmana, que asseguram que esta é “completamente normal” e que apenas tem um comportamento estranho. Fala sozinha e anda de uma forma peculiar, adiantou uma menina que afirma conhecer Rimsha citada pelo Guardian.

A polícia é acusada de impedir que advogados ou outros representantes da sociedade civil visitem Rimsha. “O Fórum de Acção das Mulheres está escandalizado com a total falta de humanismo” neste caso, afirmou Tahira Abdullah, membro da organização de defesa dos direitos das mulheres, exigindo a libertação imediata da menina e que esta seja tratada com base na legislação para menores.

O caso surge numa altura em que se debate a intolerância entre muçulmanos no Paquistão ou as leis contra a blasfémia do islão, que pode ser punida com a pena de morte. Activistas dos direitos humanos no país têm exigido uma reforma da legislação, nomeadamente a lei que prevê a prisão perpétua para quem seja acusado de desrespeitar o Corão.

Em muitos casos, aqueles que são acusados de blasfémia são mortos em ataques de multidões. Um desses casos foi registado no mês passado, quando um homem acusado de blasfémia, mentalmente instável, foi capturado de uma esquadra da polícia para ser queimado vivo na zona de Bahawalpur, na província de Punjab. A BBC lembra que no ano passado, Shahbaz Bhatti, ministro dos Assuntos Internos, foi morto depois de ter defendido a revisão da lei sobre a blasfémia. Dois meses antes, o governador de Punjab, Salman Taseer, foi também assassinado após ter assumido a mesma posição.


Entries e comentários feeds.