Quando a escola se transforma num campo de batalha de pais separados – o que fazer?

Dezembro 5, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto de Eva Delgado-Martins publicado no Público de 1 de dezembro de 2019.

VI Encontro CPCJ´S – “A geração i: Crianças de hoje, Adultos de amanhã – Que Futuro?” com a participação de Paula Duarte do IAC, 8 novembro em Tentúgal

Outubro 16, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Dra. Paula Duarte, coordenadora do Instituto de Apoio à Criança – Pólo de Coimbra irá participar com a comunicação “Um mundo melhor para a criança : uma responsabilidade de todos”.

Inscrições até 5 de novembro no link:

https://www.cm-montemorvelho.pt/index.php/residentes/comunicacao/eventos-e-agenda-cultural/item/3752-vi-encontro-cpcj-s-a-geracao-i-criancas-de-hoje-adultos-de-amanha-que-futuro-tentugal

As férias dos filhos de pais divorciados

Julho 29, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no Público de 25 de junho de 2019.

O que fazer quando, por alguma razão, a criança está longe de um progenitor mais tempo do que aquele que é capaz de compreender? Existem algumas formas de tentar minimizar o potencial impacto negativo que este distanciamento poderá ter na criança.

As férias escolares chegaram e, como em todos os anos por esta altura, temos um calvário que se repete. O calvário das férias dos filhos de pais separados.

A separação ou divórcio parental é (ou deveria ser) apenas entre os elementos do casal, e não entre pais e filhos. Entre pais e filhos não há divórcio. Assim, e partindo sempre do pressuposto que as crianças têm o direito a conviver regularmente com ambos os pais, os períodos de férias tendem a ser (e bem) igualmente repartidos com cada um deles. Mas atenção, porque nesta distribuição do tempo durante as férias e, particularmente agora, nas férias de Verão (mais extensas), há uma variável chave que deve ser tida em conta: a idade da criança.

Os períodos de tempo que a criança deverá passar com cada um dos pais devem ter em conta a sua idade e nível de desenvolvimento, e não apenas aquilo que dá mais jeito aos pais.

As crianças a partir dos dois ou três anos de idade têm uma noção de tempo que, na maioria das situações, não vai além do “hoje” e do “amanhã”. À medida que crescem, até aos cinco ou seis anos de idade, a sua noção de tempo aumenta um pouco mais, conseguindo já entender o que significa “hoje”, “amanhã”, “ontem” e “depois de amanhã”. Ainda recentemente uma criança de cinco anos me dizia que algo iria acontecer “duas vezes amanhã”, o que traduz bem a sua dificuldade em situar-se no tempo.

É a partir da idade escolar, de uma forma geral, que as crianças começam a interiorizar os conceitos de semana, fim-de-semana e mês. A escola e todas as rotinas a ela associadas ajudam as crianças neste tipo de aquisições.

Quando pensamos na divisão do tempo de férias de Verão com os pais, a noção de tempo daquela criança em concreto deve ser tida em conta. Ainda que estejamos a falar de um período que apenas acontece uma vez no ano, a regra base é simples: a criança não deve passar períodos de tempo que sejam muito mais longos do que aqueles que é capaz de compreender.

O que significa isto?

As crianças até aos três anos devem passar períodos de tempo mais curtos, que lhes permitam não estar mais do que três ou quatro dias seguidos sem estar com o outro progenitor.

As crianças em idade pré-escolar, com maior capacidade para lidar com as separações, já conseguem lidar com intervalos de tempo de cerca de uma semana, sem que a distância face ao outro progenitor seja geradora de stresse.

É a partir da idade escolar, de uma forma geral, que as crianças evidenciam um desenvolvimento cognitivo e emocional que lhes permite tolerar períodos de tempo mais longos, como uma quinzena.

E o que dizer dos adolescentes? Aqui, a nossa preocupação não se relaciona tanto com aspectos do seu desenvolvimento, mas sim com a necessidade, legítima, que sentem em estar com os amigos. Assim, será legítimo também ouvir o adolescente e tentar perceber de que forma a interacção com os seus pares poderá ser integrada nos períodos de férias escolares. Lembre-se que, para um adolescente, passar as férias todas com os pais e sem acesso aos amigos equivale a uma espécie de tortura.

E o que fazer quando, por alguma razão, esta regra não pode ser cumprida e a criança está longe de um progenitor mais tempo do que aquele que é capaz de compreender? Existem algumas formas de tentar minimizar o potencial impacto negativo que este distanciamento poderá ter na criança.

Uma imagem vale mais do que mil palavras

O Francisco tem um ano e meio de idade e nas férias irá estar uma semana com cada progenitor. Diariamente, faz uma videochamada com o progenitor que está longe. Mesmo que ainda não saiba falar muito bem, ouve a voz e vê a imagem, e a interacção é seguramente mais rica.

Torre de legos

A Inês tem três anos e vai estar uma semana com cada um dos pais. Como não tem ainda uma noção de tempo que lhe permita compreender o que isso significa, os pais arranjaram um jogo. No início de cada semana tem sete peças de lego espalhadas. Todas as noites, quando se deita, coloca uma peça em cima da outra. À medida que os dias vão passando, vai construindo uma torre. Ela sabe que quando a torre estiver completa será o dia de mudar para a casa do outro progenitor.

Um dia de convívio durante as férias

A Sara tem quatro anos de idade e tem o seu tempo de férias dividido por quinzenas. A meio de cada quinzena de férias com a mãe ela passa um dia inteiro com o pai. E vice-versa.

Caixa do tesouro

O Martim tem seis anos e tem o seu tempo dividido por quinzenas. Apesar de já ir para a escola este ano, ainda não consegue perceber muito bem o que são duas semanas seguidas. Então cada progenitor tem consigo uma caixa especial, que decorou previamente com ele, onde colocam pequenos objectos simbólicos durante o tempo em que estão longe. Uma flor de um jardim, uma concha da praia, um papel rabiscado com um desenho. Quando se reencontram, abrem juntos esta caixa e exploram cada objecto. Qual a mensagem que é transmitida? “Penso em ti mesmo quando estou longe de ti, nas mais pequenas coisas do dia-a-dia.”

Vamos tentar?

 

Psicóloga especialista em Psicologia Clínica e da Saúde, Psicoterapia e Psicologia da Justiça; docente e investigadora no ISCTE-IUL

Carta aberta aos pais divorciados em conflito

Fevereiro 19, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no DN Life de 18 de janeiro de 2019.

Caros pais separados ou divorciados, e que estão em conflito, esta carta é para vocês.

Não interessa a vossa idade, profissão ou estatuto socioeconómico. Não interessa se vivem numa barraca, numa casinha modesta ou numa mansão que vale milhões, no centro da capital. Não interessa também o volume da vossa conta bancária, o carro que conduzem ou o colégio que os vossos filhos frequentam. Se têm empregada externa ou interna, se não têm empregada nenhuma, se viajam muito ou pouco, nada disso realmente importa.

Aquilo que realmente importa é o que estão a fazer, muitos de vocês, aos vossos filhos.

Podia tecer aqui inúmeras considerações sobre o impacto negativo que as vossas discussões têm no bem-estar das crianças. Explicar o quão danoso é expor as crianças ao conflito, utilizá-las como arma de arremesso numa guerra que é vossa, e não delas, ou torná-las mensageiros entre os pais. Podia ainda explicar os sentimentos de tristeza e ansiedade que as crianças experienciam, o medo, a desconfiança, os conflitos de lealdade. Já para não falar das noites mal dormidas destas crianças, povoadas de insónias e receios, bem como das dificuldades em concentrarem-se na escola, por terem a cabeça tão cheia de pensamentos maus.

Mas porque explicar tudo isto tem, para tantos pais, impacto zero, na medida em que continuam centrados em si próprios e no conflito, ignorando totalmente o bem-estar das crianças, iremos abordar o assunto de outra forma.

Vamos utilizar um paralelismo com os maus tratos físicos, que são, efectivamente, mais fáceis de identificar. A única diferença é que os maus tratos físicos deixam marcas visíveis.

Deixo o resto à vossa consideração.

Dizer mal do pai ou da mãe na presença da criança equivale a dar-lhe um murro na cara.

Proibir a criança de levar as suas coisas de uma casa para a outra, alegando que são da «casa da mãe» ou da «casa do pai», equivale a apertar-lhe o pescoço.

Gerar discussões nos momentos festivos da criança, como a sua festa de aniversário, na presença dos amigos, equivale a dar-lhe pontapés e socos na barriga.

Dizer à criança que o pai ou mãe não gosta dela equivale a queimar-lhe o peito com um cigarro.

Proibir a criança de falar ou estar com o pai ou a mãe equivale a bater-lhe com a fivela do cinto nas costas e nas pernas.

Perguntar à criança se gosta mais da mãe ou do pai equivale a chicoteá-la com fios descarnados.

Gritar, berrar, ofender ou bater no outro, na presença da criança, equivale a derramar por cima dela uma frigideira com óleo a ferver.

Por fim, expor tudo isto nas redes sociais ou na televisão, equivale a prostituir a criança.

Sobre os jornalistas que publicitam e promovem esta violência, na senda de um aumento de audiências, pois equivale ao crime de lenocínio.

 

 

Programa de intervenção para Pais em conflito Coparental Pós-Separação ou Divórcio ​For2Parents

Outubro 10, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O que é o For2Parents?

​É um programa de intervenção psicológica para pais separados ou divorciados, em conflito judicial, por questões relacionadas

​com a guarda e/ou custódia dos filhos, promovido ​pela Escola de Psicologia da Universidade do Minho.

Proporciona, de forma gratuita, uma resposta inovadora para o conflito parental pós-divórcio.

mais informações no link:

https://www.psi.uminho.pt/pt/Sociedade/Paginas/Formacao.aspx

Como é o teu Natal? – pela voz de adolescentes com os pais separados.

Dezembro 24, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://uptokids.pt de 20 de dezembro de 2015.

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Está a chegar o Natal. A escola fecha para férias e as famílias preparam aquele que, supostamente, é o momento do ano em que se vive a paz e a harmonia.

Ouvimos dizer que o Natal é das crianças e quando o pai e a mãe não vivem na mesma casa, o Natal é necessariamente diferente.

Em vez de falarmos sobre o tema especulando como é que as crianças de pais separados vivem esta quadra, decidimos pedir a alguns pré adolescentes e adolescentes que nos dissessem como sentem e vivem o Natal…

No final cabe aos adultos enquanto pais sentirmos aquilo que os nossos filhos nos dizem. E talvez repensarmos e aprendermos com estes testemunhos, que o verdadeiro espírito natalício por vezes se perde por não sermos capazes de cumprir o nosso papel de adulto responsável. Podemos quase sempre decidir, escolher e comunicar sob o lema da paz, nem que seja só porque é Natal…

13 anos | Rapariga | Os pais nunca viveram juntos.

“Passo o Natal com a minha família, a mãe, os primos, o avô e os tios. Não mudava nada.”

13 anos  | Rapariga | Os pais estão separados há 11 anos.

“Gostava de passar o dia 24 com o pai e o dia 25 com a mãe, de forma alternada para poder estar com os dois no Natal. Teria que ser um dia com cada um, porque não se dão bem e quando estão juntos discutem”.

Diz que não tem sido possível porque o pai está neste momento a viver em França e não pode vir muitas vezes a Portugal. Há uns anos esta menina vivia em Angola e o pai em Portugal e refere que nessa época era ela que não conseguia vir cá.

15 anos | Rapaz | Os pais estão separados há 14 anos

“O meu Natal é muito feliz… um ano passo com a minha mãe e outro ano passo com o meu pai, noite e dia alternadamente.

Diz que não mudava nada, porque está bem como está.

14 anos | Rapaz | Os pais estão separados há 13 anos

“O meu Natal com os meus pais separados é diferente dos normais, já há muitos anos que a noite de natal (24 Dez) é passada com a minha mãe e o almoço de dia 25 é passado com o meu pai”

Diz que não sabe se mudava alguma coisa porque não se lembra dos pais juntos, pois estão separados desde os seus 18 meses.

 13 anos | Os pais estão separados há 1 ano

“O meu Natal é sem a minha mãe, mas com o meu pai, com o meu irmão e o meu avô. Se eu pudesse mudar alguma coisa punha os meus pais juntos.”

14 anos | Rapaz | Os pais estão separados há 5 anos

“O meu Natal é bom como antes, pois os meus pais já encontraram os dois outra pessoa e até o celebro com duas famílias e duas vezes. Se eu pudesse mudar alguma coisa não mudava nada, pois vejo os meus pais mais felizes e eu também fico mais feliz, assim tenho mais irmãos da minha idade.”

16 anos | Rapariga | Os pais estão separados há 8 anos

“O meu Natal é bastante normal, dentro dos possíveis, sendo que os meus pais estão separados. Passo a noite de 24 com a minha mãe e o almoço de 25 com o meu pai.

Não gostaria de mudar nada uma vez que sinto que sou mais chegada à minha mãe do que ao meu pai. Não sinto muito a falta do meu pai na noite de 24 porque, como os meus pais se separaram já há algum tempo, estou bastante habituada ao processo.

Sei que esta situação é o melhor e apesar de gostar que os meus pais continuassem juntos, sei que o facto de não estarem é para bem do resto da família.

Para além disto, não dou muita importância ao Natal, apenas gosto de estar com a minha família mais próxima.”

10 anos | Rapariga | Os pais estão  separados há 6 anos

“Este natal eu vou passar o dia 24 de Dezembro em casa da minha mãe e o dia 25 de Dezembro com o meu pai. Todos os anos o meu pai e a minha mãe trocam.

 Se eu pudesse mudar alguma coisa era que o meu irmão fosse simpático e brincasse comigo.”

16 Anos | Rapaz | Os pais estão separados há 1 ano

“Para mim o Natal é uma quadra que “morreu” um pouco, ou simplesmente hibernou da minha vida por uns anos até voltar a haver o conceito de família, desta vez criado por mim, pois ele desapareceu!

É uma época que se tornou menos alegre, embora veja os dois, normalmente janto dia 24 com o meu pai e depois vou a casa da minha mãe. No dia 25 alterno de ano para ano o almoço com os meus pais.

Neste momento, muito sinceramente, não mudaria nada, pois foi uma separação complicada e ainda é, se fosse logo a seguir acho que o que mudava era voltar a fazer tudo de modo a ficarem juntos, mas agora já não. Para mim também foi complicado, por isso seria difícil e estranho voltar a vê-los juntos.”

16 anos | Rapaz | Os pais estão separados há 12 anos

“Passo a véspera de Natal com um dos meus pais e o dia com outro, alterno todos os anos para não passar sempre os mesmos dias com um ou outro.

Se pudesse passava sempre a véspera com a minha mãe e o dia com o meu pai, pois a família da minha mãe tem muito mais tradição.”

13 Anos | Rapariga | Os pais estão  separados há 13 anos

“O Natal não tem grande significado religioso para mim, confesso que associo a palavra Natal a presentes, não a família, apesar de o passarmos juntos. Quando era mais nova passava-o com a minha mãe e com a avó. Muitas vezes a mãe só chegava do trabalho, na noite de Natal, depois da meia-noite, pois é enfermeira.

Nos últimos anos tenho passado com a minha mãe, o meu padrasto e os seus respectivos familiares.

Este ano, vou passar com a minha mãe e os familiares da parte dela, apesar de no ano passado a noite de Natal com a minha família da parte do pai.

Não mudaria nada, pois a família não é obrigada a estar junta, não há lei para isso. O que interessa é o bem-estar e o conforto”

14 Anos | Rapaz | Os pais estão separados há 3 anos

“O meu Natal com os pais separados é um pouco diferente do usual, porque nesta época encontramo-nos na mesma aldeia e passo o natal em casa dos dois.

Eu não mudaria nada.”

 

Este artigo foi escrito em parceria com a How To  – Centro Educativo.

Um agradecimento especial a todos os que participaram respondendo às questões que permitiram escrever este artigo.

A todos um Feliz Natal!

 

 

 

 

 


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