Carta aberta aos pais divorciados em conflito

Fevereiro 19, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no DN Life de 18 de janeiro de 2019.

Caros pais separados ou divorciados, e que estão em conflito, esta carta é para vocês.

Não interessa a vossa idade, profissão ou estatuto socioeconómico. Não interessa se vivem numa barraca, numa casinha modesta ou numa mansão que vale milhões, no centro da capital. Não interessa também o volume da vossa conta bancária, o carro que conduzem ou o colégio que os vossos filhos frequentam. Se têm empregada externa ou interna, se não têm empregada nenhuma, se viajam muito ou pouco, nada disso realmente importa.

Aquilo que realmente importa é o que estão a fazer, muitos de vocês, aos vossos filhos.

Podia tecer aqui inúmeras considerações sobre o impacto negativo que as vossas discussões têm no bem-estar das crianças. Explicar o quão danoso é expor as crianças ao conflito, utilizá-las como arma de arremesso numa guerra que é vossa, e não delas, ou torná-las mensageiros entre os pais. Podia ainda explicar os sentimentos de tristeza e ansiedade que as crianças experienciam, o medo, a desconfiança, os conflitos de lealdade. Já para não falar das noites mal dormidas destas crianças, povoadas de insónias e receios, bem como das dificuldades em concentrarem-se na escola, por terem a cabeça tão cheia de pensamentos maus.

Mas porque explicar tudo isto tem, para tantos pais, impacto zero, na medida em que continuam centrados em si próprios e no conflito, ignorando totalmente o bem-estar das crianças, iremos abordar o assunto de outra forma.

Vamos utilizar um paralelismo com os maus tratos físicos, que são, efectivamente, mais fáceis de identificar. A única diferença é que os maus tratos físicos deixam marcas visíveis.

Deixo o resto à vossa consideração.

Dizer mal do pai ou da mãe na presença da criança equivale a dar-lhe um murro na cara.

Proibir a criança de levar as suas coisas de uma casa para a outra, alegando que são da «casa da mãe» ou da «casa do pai», equivale a apertar-lhe o pescoço.

Gerar discussões nos momentos festivos da criança, como a sua festa de aniversário, na presença dos amigos, equivale a dar-lhe pontapés e socos na barriga.

Dizer à criança que o pai ou mãe não gosta dela equivale a queimar-lhe o peito com um cigarro.

Proibir a criança de falar ou estar com o pai ou a mãe equivale a bater-lhe com a fivela do cinto nas costas e nas pernas.

Perguntar à criança se gosta mais da mãe ou do pai equivale a chicoteá-la com fios descarnados.

Gritar, berrar, ofender ou bater no outro, na presença da criança, equivale a derramar por cima dela uma frigideira com óleo a ferver.

Por fim, expor tudo isto nas redes sociais ou na televisão, equivale a prostituir a criança.

Sobre os jornalistas que publicitam e promovem esta violência, na senda de um aumento de audiências, pois equivale ao crime de lenocínio.

 

 

Programa de intervenção para Pais em conflito Coparental Pós-Separação ou Divórcio ​For2Parents

Outubro 10, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O que é o For2Parents?

​É um programa de intervenção psicológica para pais separados ou divorciados, em conflito judicial, por questões relacionadas

​com a guarda e/ou custódia dos filhos, promovido ​pela Escola de Psicologia da Universidade do Minho.

Proporciona, de forma gratuita, uma resposta inovadora para o conflito parental pós-divórcio.

mais informações no link:

https://www.psi.uminho.pt/pt/Sociedade/Paginas/Formacao.aspx

Como é o teu Natal? – pela voz de adolescentes com os pais separados.

Dezembro 24, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do site http://uptokids.pt de 20 de dezembro de 2015.

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Está a chegar o Natal. A escola fecha para férias e as famílias preparam aquele que, supostamente, é o momento do ano em que se vive a paz e a harmonia.

Ouvimos dizer que o Natal é das crianças e quando o pai e a mãe não vivem na mesma casa, o Natal é necessariamente diferente.

Em vez de falarmos sobre o tema especulando como é que as crianças de pais separados vivem esta quadra, decidimos pedir a alguns pré adolescentes e adolescentes que nos dissessem como sentem e vivem o Natal…

No final cabe aos adultos enquanto pais sentirmos aquilo que os nossos filhos nos dizem. E talvez repensarmos e aprendermos com estes testemunhos, que o verdadeiro espírito natalício por vezes se perde por não sermos capazes de cumprir o nosso papel de adulto responsável. Podemos quase sempre decidir, escolher e comunicar sob o lema da paz, nem que seja só porque é Natal…

13 anos | Rapariga | Os pais nunca viveram juntos.

“Passo o Natal com a minha família, a mãe, os primos, o avô e os tios. Não mudava nada.”

13 anos  | Rapariga | Os pais estão separados há 11 anos.

“Gostava de passar o dia 24 com o pai e o dia 25 com a mãe, de forma alternada para poder estar com os dois no Natal. Teria que ser um dia com cada um, porque não se dão bem e quando estão juntos discutem”.

Diz que não tem sido possível porque o pai está neste momento a viver em França e não pode vir muitas vezes a Portugal. Há uns anos esta menina vivia em Angola e o pai em Portugal e refere que nessa época era ela que não conseguia vir cá.

15 anos | Rapaz | Os pais estão separados há 14 anos

“O meu Natal é muito feliz… um ano passo com a minha mãe e outro ano passo com o meu pai, noite e dia alternadamente.

Diz que não mudava nada, porque está bem como está.

14 anos | Rapaz | Os pais estão separados há 13 anos

“O meu Natal com os meus pais separados é diferente dos normais, já há muitos anos que a noite de natal (24 Dez) é passada com a minha mãe e o almoço de dia 25 é passado com o meu pai”

Diz que não sabe se mudava alguma coisa porque não se lembra dos pais juntos, pois estão separados desde os seus 18 meses.

 13 anos | Os pais estão separados há 1 ano

“O meu Natal é sem a minha mãe, mas com o meu pai, com o meu irmão e o meu avô. Se eu pudesse mudar alguma coisa punha os meus pais juntos.”

14 anos | Rapaz | Os pais estão separados há 5 anos

“O meu Natal é bom como antes, pois os meus pais já encontraram os dois outra pessoa e até o celebro com duas famílias e duas vezes. Se eu pudesse mudar alguma coisa não mudava nada, pois vejo os meus pais mais felizes e eu também fico mais feliz, assim tenho mais irmãos da minha idade.”

16 anos | Rapariga | Os pais estão separados há 8 anos

“O meu Natal é bastante normal, dentro dos possíveis, sendo que os meus pais estão separados. Passo a noite de 24 com a minha mãe e o almoço de 25 com o meu pai.

Não gostaria de mudar nada uma vez que sinto que sou mais chegada à minha mãe do que ao meu pai. Não sinto muito a falta do meu pai na noite de 24 porque, como os meus pais se separaram já há algum tempo, estou bastante habituada ao processo.

Sei que esta situação é o melhor e apesar de gostar que os meus pais continuassem juntos, sei que o facto de não estarem é para bem do resto da família.

Para além disto, não dou muita importância ao Natal, apenas gosto de estar com a minha família mais próxima.”

10 anos | Rapariga | Os pais estão  separados há 6 anos

“Este natal eu vou passar o dia 24 de Dezembro em casa da minha mãe e o dia 25 de Dezembro com o meu pai. Todos os anos o meu pai e a minha mãe trocam.

 Se eu pudesse mudar alguma coisa era que o meu irmão fosse simpático e brincasse comigo.”

16 Anos | Rapaz | Os pais estão separados há 1 ano

“Para mim o Natal é uma quadra que “morreu” um pouco, ou simplesmente hibernou da minha vida por uns anos até voltar a haver o conceito de família, desta vez criado por mim, pois ele desapareceu!

É uma época que se tornou menos alegre, embora veja os dois, normalmente janto dia 24 com o meu pai e depois vou a casa da minha mãe. No dia 25 alterno de ano para ano o almoço com os meus pais.

Neste momento, muito sinceramente, não mudaria nada, pois foi uma separação complicada e ainda é, se fosse logo a seguir acho que o que mudava era voltar a fazer tudo de modo a ficarem juntos, mas agora já não. Para mim também foi complicado, por isso seria difícil e estranho voltar a vê-los juntos.”

16 anos | Rapaz | Os pais estão separados há 12 anos

“Passo a véspera de Natal com um dos meus pais e o dia com outro, alterno todos os anos para não passar sempre os mesmos dias com um ou outro.

Se pudesse passava sempre a véspera com a minha mãe e o dia com o meu pai, pois a família da minha mãe tem muito mais tradição.”

13 Anos | Rapariga | Os pais estão  separados há 13 anos

“O Natal não tem grande significado religioso para mim, confesso que associo a palavra Natal a presentes, não a família, apesar de o passarmos juntos. Quando era mais nova passava-o com a minha mãe e com a avó. Muitas vezes a mãe só chegava do trabalho, na noite de Natal, depois da meia-noite, pois é enfermeira.

Nos últimos anos tenho passado com a minha mãe, o meu padrasto e os seus respectivos familiares.

Este ano, vou passar com a minha mãe e os familiares da parte dela, apesar de no ano passado a noite de Natal com a minha família da parte do pai.

Não mudaria nada, pois a família não é obrigada a estar junta, não há lei para isso. O que interessa é o bem-estar e o conforto”

14 Anos | Rapaz | Os pais estão separados há 3 anos

“O meu Natal com os pais separados é um pouco diferente do usual, porque nesta época encontramo-nos na mesma aldeia e passo o natal em casa dos dois.

Eu não mudaria nada.”

 

Este artigo foi escrito em parceria com a How To  – Centro Educativo.

Um agradecimento especial a todos os que participaram respondendo às questões que permitiram escrever este artigo.

A todos um Feliz Natal!

 

 

 

 

 


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