Estudo revela sinais de que os homens estão a mudar a forma como criam os filhos

Agosto 28, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Sapolifestyle de 14 de agosto de 2018.

Se acha que ser um bom pai é impor disciplina, assegurar o sustento da família e não mostrar sentimentos, talvez tenha uma noção errada da masculinidade. Os pais de família de hoje estão cada vez mais presentes na vida dos filhos e prestam-lhes apoio emocional.

A maioria dos homens que são pais está hoje mais envolvida na educação dos filhos. Eles procurar estar presentes nas atividades dos mais pequenos e preocupam-se em temperar a sua faceta masculina – ligada à força e à autoridade – com um lado mais carinhoso. A conclusão é de um estudo sociológico conjunto da Brigham Young University (BYU) e da Ball State University (BSU), que envolveu 2.194 pais de crianças entre os 2 e os 18 anos.
A pesquisa, publicada no Journal of Marriage and Family, revela que a paternidade contempla hoje um acompanhamento e uma preocupação maior do que antes. “Os pais preocupam-se em estar presentes fisicamente, por exemplo num jogo ou num recital de piano, mas também emocionalmente, de forma dar apoio e carinho em momentos difíceis”.
Kevin Shafer, professor de sociologia da BYU e co-autor do estudo, disse ao Journal of Marriage and Family que “embora a maioria encare o seu papel como um trabalho de equipa permanente, ao lado da mãe, ainda há um grupo de pais que acredita que a sua maior tarefa é fazer de chefe de família e disciplinador”.
O estudo revela outro dado curioso e que passa pela correlação entre sinais negativos da masculinidade tradicional e menor envolvimento na educação das crianças. Ou seja, os que se comportam de forma mais “dura” tendem a ser menos presentes e afetuosos.
“É importante entender o que é a masculinidade”, sublinhou Kevin Shafer. “Existem alguns aspetos muito benéficos na masculinidade – se forem orientados para a objetividade e a lealdade, por exemplo. No entanto, os mais problemáticos, como a agressão, o não demonstrar emoções e a dificuldade em pedir ajuda são aspetos negativos da masculinidade tradicional que tendem a prejudicar a família”, conclui.
Os investigadores perceberam que, em média, as crianças mais novas têm uma interação forte com os pais várias vezes por semana e que se pode manifestar em brincadeiras e passeios. Já os mais velhos, por vezes, vêm a relação mais cingida às questões de disciplina, mas sabem que eles estão bem informados sobre as suas atividades.
Em termos emocionais, concluiu-se que os pais de crianças mais pequenas encontraram no afeto trocado com os filhos algumas memórias do seu passado e que os pais de miúdos mais velhos admitiram que é comum serem procurados pelos filhos em busca de apoio emocional.
Os sociólogos das duas universidades dizem que, nas últimas décadas, os ideais da paternidade têm estado em constante mutação, muito devido à alteração de expectativas sobre os comportamentos paternos.
“Eles continuam a navegar nas expectativas sociais”, afirmou um outro autor do estudo, Lee Essig. “À medida que as tendências sociais empurram o homem para um maior envolvimento familiar, vemos mais pais a mobilizar-se para ter um papel ativo na vida dos filhos, e de várias maneiras”.
A mesma fonte salientou que “quando ensinamos rapazes e homens a serem mais conscientes emocionalmente e a cultivarem o bem-estar emocional, eles podem tornar-se melhores pais, deixando para trás o papel exclusivo de disciplinadores e fornecedores de rendimento financeiro e afirmando-se como contribuintes decisivos do seu bem-estar emocional”.
Os investigadores dão algumas dicas para os pais.

Se é homem e pai, tome nota

  • Não há problema em mostrar sentimentos. Isso ajuda a ser um pai melhor.
  • Os pais não devem ter medo de ser carinhosos, cuidadosos e ativos. Crianças e famílias só têm a ganhar com isso.
  • Seja um exemplo. As crianças que aprendem pelo exemplo usufruem mais da relação pai-filho, mas também aprendem a ser mais felizes em sociedade.
  • Há muitas maneiras de ser homem. O “durão” está associado a uma deficiente educação das crianças

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Does Adherence to Masculine Norms Shape Fathering Behavior?

 

É mais fácil ser pai na Islândia?

Julho 16, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Seathor, pai islandês ©Callie Lipkin

Texto do Público de 9 de julho de 2018.

A fotógrafa norte-americana Callie Lipkin sente-se 100% segura ao afirmar que “a Islândia é líder mundial no que concerne à qualidade da política de licença parental”. Mãe e pai têm direito a três meses de licença. Durante esse período, auferem 80% do vencimento e dispõem ainda de mais três meses de licença que podem ser distribuídos entre os progenitores, à medida das suas necessidades. “Estudos revelam que os pais que estão mais envolvidos no cuidado dos filhos desenvolvem, estatisticamente, uma parceria parental mais igualitária”, explicou ao P3, em entrevista. Callie também é mãe, motivo por que se interessou pelo tema. “Enquanto mãe, observar a forma como outras culturas abordam a educação das crianças ajuda-me a colocar a minha própria experiência em perspectiva.”

Ser pai na Islândia é mais fácil do que noutros países, diz a fotógrafa. No campo das vantagens, os pais referem o ambiente extremamente seguro que se vive na ilha. “Os índices de violência e crime são extremamente baixos, em comparação com os de outros países. Os pais afirmam que não existem más escolas no país e que podem escolher livremente a escola que os filhos frequentam, independentemente da região onde residem.” Mas também existem aspectos menos positivos. “As principais desvantagens prendem-se com o facto de a Islândia ser uma ilha isolada e pequena, onde o custo de vida é bastante elevado”, refere Callie. A localização geográfica da ilha também não é amiga dos pais islandeses, que se queixam da dificuldade em convencer os seus filhos a ir para a cama enquanto ainda há luz natural no exterior. “Apesar de tudo, as vantagens parecem suplantar os inconvenientes”, conclui.

Callie Lipkin (@clipkin, no Instagram) encontrou inspiração para o desenvolvimento do projecto Icelandic Dad Time após uma viagem à China, onde fez um trabalho fotográfico com o mesmo tema. A partir dos Estados Unidos, com recurso às redes sociais, a fotógrafa encontrou os pais islandeses que seriam retratados. Contactou-os e, com base em pequenas entrevistas, seleccionou os melhores casos. Meses mais tarde, quando Callie aterrou em Reiquejavique, já todas as sessões fotográficas estavam agendadas. O processo foi célere e eficaz.

“Este é o segundo capítulo internacional do projecto Dad Time”, explica. O primeiro foi desenvolvido na China e pode ser visto no seu site. “Adoro examinar como a cultura dos países influencia os diferentes estilos de educação que são implementados. A educação é uma construção social e não existe, nesta matéria, certo ou errado.

 

 

De onde vem a ideia de que as meninas são mais próximas dos pais e os rapazes das mães

Julho 8, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site MAGG de 13 de abril de 2018.

por Catarina da Eira Ballestero

Duas mães concordam com esta ideia, mas os especialistas acreditam que a aproximação com os pais depende da relação que têm com os filhos.

A ideia de que as filhas são mais ligadas aos pais, enquanto os rapazes têm uma melhor relação com as mães, é antiga e tem origem na teoria clássica freudiana. Hoje em dia, quase ninguém parece ter dúvidas disso.

“Esta foi uma teoria que revolucionou o modo de conhecer a sexualidade”, afirma à MAGG Beatriz Matoso, psicóloga clínica e psicanalista. “Efetivamente, o conceito de ‘complexo de Édipo’, que explica como as meninas são mais atraídas pelo pai e os meninos pela mãe, veio demonstrar que a sexualidade não tinha início na puberdade mas sim numa fase mais precoce do desenvolvimento.”

“O meu filho é completamente obcecado por mim”

Joana Pratas é consultora de comunicação, tem 36 anos e é mãe de duas crianças: Maria Teresa, de cinco anos, e António Maria, de três. “A minha filha é mais neutra em relação aos pais, embora tenha uma forte ligação com o avô materno. Já o meu filho é completamente obcecado por mim”, confessa à MAGG.

Embora o filho mais novo de Joana e do marido, João, recorra ao pai para brincadeiras e atividades relacionados com o exterior, o pequeno António Maria tem uma ligação muitíssimo forte com a mãe — tanto que já causa algum desconforto à filha do casal.

Estávamos a tentar perceber como gerir esta situação quando a minha filha me diz ‘Mãe, o mano está sempre colado a ti. Se vou para o teu colo, começa a chorar e vais logo ter com ele’.”

“Lembro-me de uma semana em que eles ficaram os dois doentes, o António primeiro e a Teresinha a seguir. Ele já estava a recuperar e tive de pedir ao meu marido para arranjar atividades para fazer com o António, dado que estava a chover e as brincadeiras habituais fora de casa não eram possíveis. Estávamos a tentar perceber como gerir esta situação quando a minha filha me diz: ‘Mãe, o mano está sempre colado a ti. Se vou para o teu colo, começa a chorar e vais logo ter com ele’.”

Joana conta que esta frase da filha foi um alerta e que, desde então, tem feito um esforço para ser mais neutra e equilibrar-se entre os dois filhos. “Ele também é mais novo, precisa mais de mim e é muito mais mimoso que a irmã. Mas é tudo comigo. Sou eu que adormeço, que dou banho, que dou de comer. Recusa-se mesmo a que seja o pai a realizar essas tarefas”, explica a consultora de comunicação.

A exigência constante da presença da mãe é desgastante e suga a energia de Joana, que admite que há alturas em que chega a ter guerrilhas tontas com o filho para que este permita que seja o pai a dar-lhe de comer, por exemplo — o que é raro acontecer. Mas a mãe de António e Maria Teresa, apesar do cansaço, confessa que não preferia outra situação.

“É desgastante sim, mas cada vez mais quero ter isto. O tempo passa muito depressa, tudo isto é demasiado rápido. É verdade que às vezes sinto que o meu filho me suga toda a atenção, mas prefiro assim. Até porque quando tiverem 10 anos já não vão querer dormir na cama dos pais.”

O que leva uma criança a aproximar-se do pai ou da mãe é a qualidade da relação

Beatriz Matoso acredita que o conceito dos filhos se ligarem mais aos pais consoante o género sexual está ultrapassado e evoluiu bastante da teoria original de Freud.

“O conceito de parentalidade tem cada vez mais importância para compreendermos as relações entre pais e filhos”, afirma a especialista, que acrescenta que este é um processo evolutivo de realização humana, que se inicia no desejo de ter um filho e se constrói pela experiência de “serem pais”.

O que leva uma criança a aproximar-se mais de um ou outro progenitor é a qualidade de relação, isto é, a capacidade de compreender e procurar satisfazer as necessidades dos filhos, de acordo com a sua fase de crescimento.”

“Esta experiência consiste em ir ao encontro da satisfação das necessidades físicas e emocionais do filho, de acordo com o seu grau de crescimento e a fase de vida em que se encontra.”

Se os pais são capazes de descodificar as necessidades do bebé e de as satisfazer de uma forma adequada, a criança sente-se satisfeita e segura, reforça a psicóloga clínica, que acredita que “o que leva uma criança a aproximar-se mais de um ou outro progenitor é a qualidade de relação, isto é, a capacidade de compreender e procurar satisfazer as necessidades dos filhos, de acordo com a sua fase de crescimento. ”

As mães são para as regras, os pais para as brincadeiras

Carolina, de 30 anos, é jornalista e mãe de Clara, de apenas um ano. E apesar da tenra idade da filha, é notória uma clara aproximação ao pai.

“Sempre ouvi dizer que as meninas eram mais apegadas aos pais e, no nosso caso, isso tem-se verificado. A Clara é completamente pai. Mas acho que também tem muito a ver com o tempo que passam juntos, que acaba por ser superior ao meu”, salienta a jornalista.

Devido aos horários do casal, é o companheiro de Carolina que acorda a bebé de um ano e a leva para casa dos pais antes de ir trabalhar, rotina que repete por volta das 18h30, quando apanha Clara e a leva de regresso para casa, lhe dá banho, brinca e, na grande maioria das vezes, dá jantar durante a semana.

“Num dia bom, consigo chegar a casa por volta das 19h30, ainda ajudo no banho ou dou a comida. Mas na grande maioria das vezes, quando chego já tudo isso está feito. A Clara tem horários que devem ser cumpridos, caso contrário fica completamente desrregulada e birrenta. E também já chegou a acontecer chegar a casa e ela já estar a dormir.”

Para além de ser menos presente durante a semana, Carolina acaba por ter uma postura mais rígida com a filha do que o companheiro.

Os pais são mais direcionados para as brincadeiras, enquanto as mães não são tão liberais.”

“Não sou nada dura, não se é dura com uma criança de um ano. Mas ela está numa fase em que adora explorar, que já começa a tentar ficar de pé, a abrir gavetas. E claro que se pode magoar e eu digo não, ela fica magoada e faz birra. Já o pai é mais desligado dessas coisas e, apesar de ter mil cuidados, é mais permissivo, deixa-a mexer em coisas que pode estragar, como os comandos da TV, por exemplo. Mas é um bocadinho frustrante, já passo imenso tempo sem ela e, quando estou, parece que é para lhe ralhar.”

Margarida Alegria, psicóloga clínica, também concorda com a ideia de que as mães, muitas vezes, são vistas como a figura que impõe as regras. “Os pais são mais direcionados para as brincadeiras, enquanto as mães não são tão liberais e costumam apertar mais com as rotinas e regras. No entanto, tem a ver muito com cada caso”, conclui a especialista.

 

O pai contemporâneo, uma figura ainda em construção

Abril 17, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 18 de março de 2018.

ANA CRISTINA PEREIRA

“As grandes transformações sociais decorrem muito das necessidades”, salienta Albino Lima, professor da Faculdade de Psicologia e Educação da Universidade do Porto.

A igualdade em matéria de responsabilidades parentais ainda é mais uma esperança do que uma realidade na sociedade portuguesa. A figura contemporânea de pai está ainda a construir-se.

O conceito de paternidade é alvo de debate e de estudo, pelo menos, desde o século XIX. O pai tradicional assumia as funções de ganha-pão. Cabia-lhe também desempenhar o papel de autoridade e disciplina. A mudança para um pai mais sensível, mais presente, mais compreensivo, mais responsável pelos cuidados diários, começou a acontecer na segunda metade do século XX.

“As grandes transformações sociais decorrem muito das necessidades”, salienta Albino Lima, professor da Faculdade de Psicologia e Educação da Universidade do Porto. “A entrada das mulheres no mercado de trabalho, a diminuição do número de filhos, o maior investimento nos filhos, o aumento exponencial do número de divórcios, as políticas de apoio à família, tudo isto faz com que a gestão da casa e dos filhos seja mais discutida e que o pai comece a participar mais.”

Os padrões de continuidade coexistem com os traços de mudança. Nos padrões de continuidade, Sónia Vladimira Correia, professora da Faculdade de Ciências Sociais, Educação e Administração da Universidade Lusófona, em Lisboa, destaca “a persistência do papel de ‘mãe ideal’, o recurso à figura feminina como ‘a peça central’ nos cuidados às crianças (‘a’ mãe, ‘as’ avós, ‘as’ tias, ‘as’ babysitters, ‘as’ educadoras, ‘as’ professoras…), a naturalização da competência feminina para os cuidados às crianças (‘instinto maternal’, ‘apelo biológico para a maternidade’) e, finalmente, a atribuição ao pai do papel secundário nos cuidados aos filhos”.

Nos traços de mudança, aquela mesma investigadora aponta “o divórcio e a separação, a definição de mulher desligada da experiência da maternidade”, mas também “a atribuição de importância ao papel do pai na vida dos filhos (presença nos cuidados, criação de espaços de proximidade afectiva, organização de momentos de lazer, etc)”, a emergência da “paternidade cuidadora e interventiva como parte integrante da identidade do homem”, e, por fim, “a negociação e partilha nos cuidados à criança”.

Não há uma definição única do que é ser pai hoje em Portugal. “Vão confluindo não um papel, mas diferentes papéis de pai”, torna Albino Lima. “Este pai está a tentar posicionar-se perante si próprio (enquanto pai o que é esperado que eu faça?) dentro de um determinado contexto sociocultural.”

Nos vários estudos que tem feito, aquele investigador nota que o pai continua a desempenhar um papel relevante na dimensão autoridade/disciplina, sobretudo no que diz respeito aos rapazes. Assume, porém, cada vez mais responsabilidades nos cuidados básicos, nas actividades do dia-a-dia, no apoio emocional, que tradicionalmente competem às mães.

Parece-lhe fundamental ter em conta que as relações são dinâmicas. Um dos seus estudos, que envolveu a participação de 346 crianças entre os oito e os dez anos, indica que “quando mais um pai assume responsabilidades – e as mães o permitem, porque muitas acham que este é um espaço muito delas – mais os filhos ficam satisfeitos”. Até porque quanto mais interage, mais competente se sente para o fazer. E quanto mais seguro, mais satisfeito.

Os pais têm tendência a seguir o modelo dos seus pais. Por outras palavras: os homens perspectivam-se como pais em função das experiências positivas ou negativas que tiveram enquanto filhos. Num estudo que envolveu 189 pais, Albino Lima viu a mudança a acontecer: “Muitos novos pais queriam repetir o modelo, mas muitos outros queriam fazer diferente, estar presentes, ter um papel activo”.

Fazer diferente, avisa, não quer dizer abandonar os tais modelos. Fazer diferente – pai e mãe ou mãe e mãe ou pai e pai ou mãe só ou pai só – é encontrar um novo equilíbrio entre o apoio e o desafio.

Pais e mães desempenham papéis complementares. “As mães tendem a ser mais apoiantes, os pais mais desafiantes”, diz. “Se pensarmos no que é o desenvolvimento humano, tem de haver um equilíbrio entre o apoio e o desafio. Se os pais forem demasiado apoiantes, não há desafio, não há desenvolvimento. Se o desafio não tiver suporte, apoio, também não há desenvolvimento.”

 

 

Há cada vez mais homens a cuidar sozinhos dos filhos

Abril 3, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Mariana tem 16 anos e vive há cinco com Pedro, o pai Fotografia de Miguel Manso

Notícia do https://www.publico.pt/ de 18 de março de 2018.

ANA CRISTINA PEREIRA

Sentem as mesmas dificuldades que as mulheres na conciliação da vida laboral com a vida familiar e pessoal, mas são encarados como pessoas especiais. “Era como se valorizassem mais o facto de eu ter a dupla jornada de trabalho que quase toda a mulher tem”, diz um deles.

 A primeira vez que Mariana Faria de Oliveira se viu com o período, deu um grito. O pai já lhe tinha falado naquilo, mas ela não estava à espera daquela mistura de sangue, muco e secreções vaginais. “Assustei-me. O meu pai explicou-me o que se estava a passar, disse-me que era normal, que eu não ia morrer.”

Encontra no pai o suporte financeiro, mas também afectivo e emocional. É com ele que fala sobre conquistas e derrotas, amores e desamores, anseios e receios. E depara-se com espanto sempre que alguém descobre que vive com ele. Tem 16 anos. Percebe a reacção. “Quando os pais se separam, os filhos vão viver com as mães ou ficam uma semana com um e uma semana com outro”.

Ainda que com oscilações, está a aumentar desde a década de 80 o número de famílias monoparentais, isto é, constituídas por um pai ou uma mãe e os filhos. As masculinas seguem a tendência, mas permanecem muito abaixo das femininas, o que quer dizer que ainda não mudou o regime padrão de residência (com a mãe) e de contacto (com o pai). Em 2017, havia 387.320 famílias monoparentais femininas e 52467 monoparentais masculinas.

Que homens são estes que assumem a 100% os cuidados parentais? Os últimos censos “sugerem que a monoparentalidade no masculino tende a ser mais frequente quando os filhos já são mais velhos e numa fase mais tardia do percurso de vida”, explica Sónia Vladimira Correia, docente da Faculdade de Ciências Sociais, Educação e Administração da Universidade Lusófona. Analisando o estado civil, nota que “é menor o peso relativo dos homens que entram na monoparentalidade por via de nascimentos fora da conjugalidade ou por via da ruptura de uniões de facto, sendo maior o peso relativo dos homens que entram na monoparentalidade pela viuvez”.

O processo de Mariana foi tranquilo. O actor Pedro Oliveira estava a pensar propor à ex-mulher ficar com a guarda e ela antecipou-se. “Ela tinha um trabalho instável. Mudava de casa muitas vezes. Eu moro na casa onde a Mariana sempre viveu, em Paço de Arcos. Ela podia ter um quarto, estar perto da escola, ter mais estabilidade”, conta.

Mariana não tem grandes memórias dessa mudança. “Perguntaram-me se queria viver com o meu pai. Eu disse que sim. Passado pouco tempo, estava a viver com o meu pai. Não me fez confusão. Não era muito bom viver com a minha mãe e o com o meu irmão. Era muita pressão para a minha mãe.”

Por trás dos pais sós estará uma variedade de situações: num extremo, o reconhecimento de que um pai pode cuidar tão bem de um filho ou de uma filha como uma mãe (e aí sobressairá a guarda conjunta e a residência alternada); no outro, mães consideradas inaptas para a função.

Quando o engenheiro informático José Soares se separou, sugeriu a guarda partilhada da filha de três anos. Parecia-lhe natural que continuassem ambos a ter total responsabilidade pelos cuidados a prestar e pela educação a dar. Ficou admirado quando ouviu a juíza dizer: “Não, os filhos têm de ficar com as mães.”

De repente, a ex-mulher afundou-se no consumo abusivo de drogas. “A situação estava muito deteriorada. Já não havia electricidade dentro de casa…” A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens acabou por remeter o caso para o Tribunal de Família e Menores, que decretou uma medida de emergência. José foi buscar a filha à creche. Quando a ex-mulher lá chegou já não a encontrou.

A menina, de quatro anos, perguntava-lhe pela mãe. Queria saber porque já não morava com ela. José dizia-lhe: “Tu estás só comigo porque a tua mãe está doente, ela vai ficar boa.” Não lhe parecia correcto dizer-lhe mais do que isso. “Os detalhes vão vindo com a idade, com naturalidade.”

Os pais sós têm as mesmas dificuldades que as mães sós em conciliar a vida profissional com a vida familiar e pessoal. O maior ou menor esforço depende da rede de apoio (formal e informal) e dos recursos económicos que têm (o que permitir ampliar essa rede), como sublinha Sónia Vladimira Correia.

José não podia partilhar qualquer responsabilidade com a ex-mulher. Naquela fase, os contactos desta com a filha estavam reduzidos ao mínimo e só podiam ocorrer com a supervisão dos avós maternos. Os pais dele não lhe podiam valer (moram no Brasil), tão-pouco a irmã (que morava em Inglaterra). Teve de fazer uma gestão muitíssimo apertada do tempo e dos horários.

Mora em Matosinhos. “Tinha de começar o dia uma hora e meia ou duas horas mais cedo e de terminar o dia duas horas mais tarde”, recorda. Despertava às 5h ou 5h30. Cuidava de si. Despertava a filha, vestia-a, dava-lhe o pequeno-almoço. Saiam às 7h. “Às 8h tinha de estar na Maia à espera que a que a creche abrisse, porque tinha de voltar para Matosinhos para começar a trabalhar às 9h.” O corre-corre repetia-se ao final do dia. “Saía do trabalho às 18h em ponto. Tinha de estar na Maia antes das 19h, porque a creche fechava. Chegava a casa às 20h.”

Naquela estafa, faltava tempo para brincar. “No início, deixava a minha filha a ver desenhos animados enquanto preparava o jantar.” “Era pesado. Nem sei como conseguia”, diz. Tudo melhorou no momento em que conseguiu encontrar uma vaga num colégio privado perto de casa.

Pedro Oliveira também tem uma vida profissional muito preenchida. Além de actor, dirige uma cooperativa, colabora com uma associação. Quando se separou, Mariana tinha nove anos. Ia nos 11 quando veio viver com ele. “Tenho muito que fazer, mas conseguia gerir. Quando não conseguia, tinha o apoio do meu pai. Havia muitas noites em que o meu pai ficava com a Mariana.”

Sempre se sentiu visto como “um homem especial” por estar a criar a filha sozinho. E, num mundo em permanente mudança, sempre foi assaltado pelos receios próprios da condição de pai. Conseguiria ter uma criança a cargo sem receber apoio financeiro do outro progenitor? Estaria a educá-la bem?

José Soares também sempre se sentiu valorizado. “As pessoas elogiavam, mostravam empatia, tinham curiosidade em saber como eu fazia”, recorda. “Deve ser o tal machismo enraizado. Era como se o meu trabalho fosse uma coisa fora do normal. Era como se valorizassem mais o facto de eu ter a dupla jornada de trabalho que quase toda a mulher tem.”

A filha está muito mais autónoma. Já completou 12 anos. No princípio deste ano, a guarda tornou-se partilhada e a residência alternada. A mãe está recuperada. E o pai tem vida própria. Há dois anos, começou a viver com uma pessoa do mesmo sexo.

O pai sozinho tem de falar de tudo, incluindo sentimentos. Tem é de adequar as palavras à idade. Antes de assumir em público uma relação com outro homem, José falou com a filha: “Tenho uma coisa para te contar. Lembras-te daquele livro Ser diferente é bom, da Sónia Pessoa? É o caso do teu pai.” A menina também lhe quis contar que gosta de um menino lá da escola. “Eu achei tanta graça nela.” Parece-lhe que está a lidar bem com o assunto. “Ela também acaba por servir de exemplo na escola, na sociedade. Pode ajudar a perceber que o importante é as pessoas serem felizes.”

 

 

O pai está em vias de extinção – Eduardo Sá

Setembro 13, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Eduardo Sá publicado na http://www.paisefilhos.pt/ de 29 de agosto de 2017.

Falta pai à maioria das famílias! Não o pai machista e autoritário de antigamente. Mas um pai que precisa de se reinventar. Com a certeza de que o crescimento e a função do pai se tem apagado…

 1- Talvez como nunca, fará tanto sentido comemorarmos o Dia do Pai. Não que o pai não tenha sido, desde sempre, um “bem de primeira necessidade” para o desenvolvimento de todas as crianças. É claro que foi! Mas receio que, duma forma subtil, e desde há vários anos, o seu papel tenha vindo a tornar-se, na dinâmica das mais diversas famílias, pálido e frouxo em demasia. E que, por isso, precise de ser reinventado.

É verdade que o mundo sempre foi machista. E que ainda será. Não acho que ele tenha ganho tanto assim com isso. Mas reconheço que a biologia e uma escolaridade precária contribuíram, desde sempre, para que os homens e as mulheres tenham vivido numa divisão de papéis que muitos foram tomando como mais ou menos inquestionável. O homem, foi assumindo a força do trabalho e a reunião dos recursos indispensáveis para a sobrevivência e para a defesa da família. A mulher, a maternidade e a gestão dos filhos e da casa. Escusado será dizer que, a par desta aparente fatalidade biológica (e dos constragimentos económicos, sociais e escolares em que ela se foi ancorando), a mortalidade peri-natal ajudou, ainda mais, as mulheres a ficarem “presas” à maternidade. Até porque a discrepância entre os nados-vivos e as crianças duma família foi, desde sempre, assustadora e, monstruosamente, dolorosa.

Com a progressiva medicalização da gravidez, do parto e da saúde do bebé, e com os novos recursos médicos trazidos para o planeamento da gravidez, a maternidade, entretanto, pôde passar a ser planeada. Menos filhos passou a significar melhores pais. Mais oportunidades de planeamento familiar. E melhores condições para que a mulher transformasse a formação escolar em compromissos profissionais e em oportunidades de carreira. Mas o mundo, apesar disso, foi permanecendo machista. E matriarcal. Isto é, foi prevalecendo a tutela do homem sobre a mulher que, em função da confluência de compromissos profissionais, familiares e domésticos, passou a “acumular funções” que a foram tornando mais expedita, mais sagaz e mais preponderante na dinâmica da família.

Evidentemente que um mundo assim se transformou, profundamente, ao longo de todo o século XX. E que, a par da paridade de direitos e de responsabilidades entre o pai e a mãe, os papéis de um e de outro se foram matizando. Melhor: o papel da mãe “apurou-se” e ganhou robustez e versatilidade; e o papel do pai “maternalizou-se”. O que, assumamos, trouxe a magnífica mais-valia de uma criança passar a ter duas “mães”: a mãe, ela-própria, divina e inimitável; e o pai, participando, com “sexto sentido”, em todos os momentos do crescimento de uma criança. Com um protagonismo que se foi “democratizando”, de forma transversal, independentemente das classes sociais ou dos estatutos económicos que, dantes, se iam tornando obstáculos para tamanha revolução da parentalidade. Chegámos, pois, à formula de que mais gosto: a primeira função de um ser humano é ser mãe! Que, por outras palavras, acaba por ser um modo minimalista de afirmar que o instinto maternal não é um “equipamento de base” de todas as mulheres e um “extra” de alguns homens. Será mais “democrático”, felizmente! Com a particularidade – preciosa! – dos desempenhos parentais das mulheres e dos homens terem vindo a melhorar tanto e terem-se tornado tão mais paritários e complementares, nos últimos cinquenta anos, que os filhos têm acumulado exemplos, recursos e oportunidades para se virem a tornar melhores pais.

2 – Há, no entanto, uma constante que, curiosamente, tem vindo a acompanhar estas condições únicas de que as crianças, hoje, dispõem. O modo como parecem ter, cada vez mais, uma relação muito difícil com a autoridade. O que, à primeira vista, não seria expectável. Por maioria de razão, porque nunca houve tão bons pais, tanta escolaridade, tanto contraditório diante dos gestos educativos dos pais e tanta democracia familiar.

Aquilo a que, dantes, se foi chamando “A Lei do Pai” representava uma forma autoritária de definir e de cuidar das regras familiares que, em inúmeras circunstâncias, se acompanhava de desempenhos tirânicos por parte do pai que, para mais, não se faziam acompanhar de atitudes que ligassem com coerência o exigido e o desempenhado. E implicavam medo – muito medo, por vezes – do pai. O que fazia com que o pai, para além de omisso, no dia a dia de uma família, surgisse como um juiz temido, muitas vezes inconstante e, frequentemente, incoerente. Por vezes, alimentado (ora de forma assustada e submissa, ora dum jeito um bocadinho batoteiro) pela mãe, com a célebre insinuação: “Ai quando o pai vier!…”, que transformou muitos pais em pessoas estranhas, aparentemente distraídas, afetuosamente inábeis e, sobretudo, muito trôpegas com as palavras e com os gestos de amor.

Todavia, e apesar dos formatos mais democráticos e mais plurais das famílias, quando perguntamos a crianças de cinco, seis ou sete anos se reconhecem existir uma “função paterna” diferente da “função materna” elas não só não as confundem como, aliás, as caracterizam ao pormenor. Dir-se-á que os modelos familiares pesam nesta caracterização? É verdade que sim. Por mais que não devamos excluir um certo “inconsciente coletivo” que, casando biologia e cultura, terá ajudado a compor, ao longo dos séculos, estas funções.

Só que eu não entendo porque é que, tomando os formatos tradicionais da família, um pai (felizmente) mais maternal terá de ser menos… pai. Porque é que não pode assumir um lado de “rei leão” de forma a que “a lei familiar” não tenha de casar com o autoritarismo? Porque é que na fabulosa transformação da família que estamos a viver, a “função do pai” se encolheu, como se a maioria dos homens parecessem viver tão atormentados pelas omissões e pelos maus desempenhos dos seus próprios pais que, sempre que se trata de serem firmes e serenos, guerreiros mas sensatos, bondosos e “duros”, justos mas escutadores, ora protagonistas ora “segundas figuras”, se baralham e se “perdem”? Como se dar colo a um filho para, depois, o colocar “às cavalitas”, ou ser-se protetor mas, também, amigo da sua autonomia não fosse, facilmente, conciliável. Como se parecesse não ser fácil ser-se maternante mas, todavia, pai!

Sim: falta pai à maioria das famílias! Não o pai machista e autoritário de antigamente. Mas um pai que precisa de se reinventar. Com a certeza de que o crescimento e a função do pai se tem apagado, de tal forma que, por causa destes “pais em vias de extinção”, a Humanidade tem vindo a desencontrar-se e a confundir democracia familiar com “comissões de gestão” familiares. Falta “autoridade de pai”. O desafio será imenso para todos os homens? Não! É fascinante para todas as famílias. Que, a par do modo como o pai se maternalizou, têm de recuperar a sensatez da “função do pai”. Nem que, para tanto, a mãe tenha, ela própria, de se paternalizar.

 

 

O pai que cuida do bebé não “ajuda”, exerce a paternidade

Março 8, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 20 de fevereiro de 2017.

O pai que cuida, que acalma o bebé quando está a chorar, que o embala ao colo, que troca as fraldas e que lhe ensina as primeiras palavras não está a “ajudar” a mãe, está a exercer o papel mais maravilhoso e responsável de sua vida: o da paternidade. Quando nos perguntam se o pai “ajuda”, é uma armadilha da linguagem em que muitas vezes caímos e que é necessário transformar.

Nos dias de hoje, e para a nossa surpresa, continuamos a ouvir muitas pessoas a dizer a clássica frase “o meu marido/namorado ajuda com as tarefas de casa” ou “eu ajudo a minha mulher a cuidar das crianças”É como se as tarefas e as responsabilidades de uma casa e de uma família tivessem património, uma característica associada ao género e que ainda não evoluiu nada nos nossos padrões de pensamento.

A figura do pai é tão relevante quanto a da mãe na criação dos filhosNo entanto, é natural que o primeiro vínculo de apego do recém-nascido durante os primeiros meses de vida se centra na figura materna. Atualmente a clássica imagem do progenitor cujo foco é a férrea autoridade e o sustento básico do lar deixou de ser sustentável e deve ser restituída.

É preciso acabar com o sistema patriarcal ultrapassado em que as tarefas são sexualizadas em cor-de-rosa ou azul para provocar mudanças reais na nossa sociedade. Para isso, devemos semear a mudança no âmbito privado das nossas casas e, acima de tudo, na forma como nos expressamos.

O pai não “ajuda”, o pai não é alguém que vai lá a casa e facilita o trabalho da mãe  de vez em quando. Um pai é alguém que sabe estar presente, que ama, que cuida e que se responsabiliza por aquilo que dá sentido à sua vida: a sua família.

O cérebro dos homens durante a criação dos filhos

É sabido que o cérebro das mães passa por várias alterações durante a criação de um bebé. A própria gravidez, a amamentação, e a tarefa de cuidar da criança todos os dias favorecem uma reestruturação cerebral com fins adaptativos. É algo impressionante. Além de a oxitocina aumentar, as sinapses neuronais mudam para aumentar a sensibilidade e a percepção para que a mulher possa reconhecer o estado emocional de seu bebé.

Mas o que é que acontece com o pai? Será que é um mero espectador biologicamente imune a este acontecimento? Claro que não. O cérebro dos homens também muda, e fá-lo de uma forma simplesmente espetacular. Segundo um estudo realizado pelo “Centro de Ciências do Cérebro Gonda da Universidade de Bar-Ilan”, se um homem exerce um papel primário ao cuidar do seu bebé, experimenta a mesma mudança neuronal que uma mulher.

Através de várias imagens do cérebro, retiradas em estudos realizados tanto em pais heterossexuais como homossexuais, foi possível ver que a atividade das amígdalas cerebrais era 5 vezes mais intensa do que o normal. Esta estrutura está relacionada com a advertência do perigo e com uma maior sensibilidade ao mundo emocional dos bebés.

Assim, surpreendentemente, o nível de oxitocina secretada por um homem que exerce o papel de cuidador primário é igual ao de uma mulher que também cumpre seu papel como mãe. Tudo isso nos revela algo que já sabíamos: um pai pode relacionar-se com os filhos no mesmo nível emocional que a mãe.

A paternidade e a maternidade responsável

Existem pais que não sabem estar presentes. Existem mães tóxicas, pais maravilhosos que criam seus filhos sozinhos, e mães extraordinárias que deixam marcas inesquecíveis no coração de seus filhos. Criar um filho é um desafio e pêras, algo para o qual nem todos estão preparados e que muitos outros enfrentam como o desafio mais enriquecedor das suas vidas.

A boa paternidade e a boa maternidade não têm a ver com géneros, mas com pessoas. Além disso, cada parceiro tem consciência das suas próprias necessidades e irá realizar as suas tarefas de criação e atenção com base nas suas características. Ou seja, são os próprios membros do casal que estabelecem a partilha e as responsabilidades do lar com base na disponibilidade de cada um.

Chegar a acordos, ser cúmplices uns do outro e deixar claro que o cuidado dos filhos é responsabilidade mútua e não exclusividade de um só irá criar uma harmonia que promoverá a felicidade da criança, pois terá acima de tudo um ótimo exemplo.

Da mesma forma, e além dos grandes esforços que cada família realiza, é necessário que a sociedade também seja sensível a este tipo de linguagem que alimenta os rótulos sexistas e os estereótipos.

As mães que continuam com a sua carreira profissional e que lutam para ter uma posição na sociedade não são “más mães”, e nem estão a deixar de cuidar dos seus filhos. Por outro lado, os pais que dão biberons, que procuram remédios para as cólicas dos seus bebés, que vão comprar fraldas ou que dão banho às crianças todas as noites não estão a ajudar: estão a exercer sua paternidade.

Por Valeria Amado, em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

 

 

Pais já podem assistir a partos por cesariana

Abril 28, 2016 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 19 de abril de 2016.

Natacha cardoso

TSF

A lei em vigor até agora permitia interpretações diferentes dependendo da unidade de saúde. O despacho publicado esta terça-feira clarifica o acompanhamento de grávidas durante o parto.

Os pais ou outros acompanhantes vão poder assistir aos nascimentos por cesariana. O despacho n.º 5344-A/2016, publicado esta terça-feira em Diário da República, esclarece que “estão reunidas as condições para que se assegure o acompanhamento à parturiente e o envolvimento do pai, ou outra pessoa significativa, em todas as fases do trabalho de parto, mesmo quando seja efetuada uma cesariana”.

Esta nova portaria estabelece os procedimentos no acompanhamento de grávidas durante o parto. A mulher só não poderá ser acompanhada em situações clínicas graves, “que deverão ser explicadas aos/às interessados/as e registadas no processo clínico”.

Em fevereiro o parlamento tinha aprovado uma recomendação ao Governo, proposta pelo PS, para que fosse clarificada através de portaria o direito de as grávidas a serem acompanhadas por alguém da sua escolha durante o parto.

A lei já previa o acompanhamento, mas deixava algumas questões por clarificar, o que permitia interpretações diferentes nas unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde. Alguns hospitais impediam por isso a presença de acompanhante em partos por cesariana realizados no bloco operatório.

 

 

 

 

Crianças que passam tempo com o pai têm QI mais alto

Janeiro 21, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 9 de janeiro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Why do some dads get more involved than others? Evidence from a large British cohort

Notícia do The Telegraph:

Children who spend time with their fathers have a higher IQ

JN

Investigadores britânicos descobriram que as crianças cujo pai se envolveu mais na sua educação têm um coeficiente de inteligência maior e acabam por ter, mais tarde, maiores possibilidades de ascensão social.

O estudo da Universidade de Newcastle investigou 11 mil pessoas nascidas em 1958 e tentou perceber de que forma o pai tinha influenciado a sua educação. Os cientistas perguntaram às mães destes homens e mulheres qual tinha sido o envolvimento do pai em atividades como leitura, passeios e “tempo de qualidade” com os filhos.

O resultado surpreendeu os cientistas, quando perceberam que as crianças cujos pais se tinham envolvido mais no seu crescimento tinham um QI maior e que tinham maior mobilidade social. Estas diferenças eram detetáveis ainda 42 anos depois. Ainda assim, o estudo salienta que não basta que os pais vivam na mesma casa, mas que o pai se envolva na vida da criança, revela o jornal britânico “The Telegraph”.

“O que foi surpreendente neste estudo é a diferença mensurável no progresso das crianças que beneficiaram do interesse parental e como, 30 anos depois, as pessoas cujos pais se envolveram na sua vida subiram mais na vida”, afirma Daniel Nettle, líder da investigação publicada no jornal “Evolution and Human Behaviour”.

No decorrer da investigação, os cientistas descobriram que os pais têm tendência a dar mais atenção aos filhos, do que às filhas.

 

 

 

 

Pai envolve-se mais rapidamente com o recém-nascido do que a mãe

Julho 12, 2014 às 4:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia do site Universia de 8 de julho de 2014.

Bárbara Figueiredo2

Um estudo da Escola de Psicologia da Universidade do Minho revela que os pais envolvem-se mais rapidamente com os recém-nascidos do que as mães.

Um estudo da Escola de Psicologia da Universidade do Minho  revela que os pais envolvem-se mais rapidamente com os recém-nascidos do que as mães.“A reação de amor imediato é, de facto, mais comum nos homens do que nas mulheres. Talvez devido ao facto de eles não passarem fisicamente pelo parto. A dor sentida durante este processo interfere no estado emocional da mãe após o parto, bem como na sua disponibilidade para se ligar afetivamente ao bebé”, explica Bárbara Figueiredo, que investiga há mais de uma década o envolvimento emocional dos pais com o recém-nascido. O trabalho contou com a participação de mil progenitores.

Ao contrário do que dizem as crenças populares, o envolvimento e a paixão de uma mãe pelo filho nem sempre são instantâneos. “Enquanto para algumas é imediato, para outras nem tanto. Temos fortes indicações para pensar que a ligação efetiva da mãe ao bebé se faz de um modo relativamente gradual”, desmitifica Bárbara Figueiredo. “Trata-se de um processo de adaptação mútuo que pode ser complicado ou facilitado dependendo de várias fatores como o desenrolar da gravidez e do parto”, destaca a autora de “Mães e Pais – Envolvimento Emocional com o Bebé”, uma obra recentemente publicada pela editora Psiquilíbrios que desconstrói alguns dos mitos mais associados à maternidade.

A intensidade da dor durante o trabalho de parto e logo a seguir é um dos fatores mais determinantes para o envolvimento emocional inicial. Quanto maiores são os níveis de dor, menor é o vínculo estabelecido ao 3º e 5º dias, contextualiza a professora universitária. A analgesia epidural surge, assim, como “uma ótima notícia”, “sobretudo hoje em que os níveis de analgesia já não adormecem o bebé, que nasce com a mesma vitalidade e com uma mãe muito mais disponível para ele”.

Doutorada em Psicologia Clínica pela UMinho, Bárbara Figueiredo é professora nesta instituição há 22 anos, tendo coordenado inúmeros projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação Bial. É responsável pela Unidade de Estudos da Família e Intervenção do Centro de Investigação em Psicologia e membro do Serviço de Psicologia da UMinho. Tem mais de duas centenas de publicações a nível nacional e internacional, dedicando-se particularmente à investigação e intervenção no domínio da gravidez e parentalidade.

Fonte: Universidade do Minho

 

Mães e Pais  : Envolvimento emocional com o bebé

 

 

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