Como é que os miúdos ainda acreditam no Pai Natal?

Janeiro 14, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Sérgio Condeço

Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ de 8 de dezembro de 2017.

Com tantos smartphones e internet à mão, com tantos amigos que já descobriram que afinal o velhinho de barbas não anda por aí a distribuir presentes, parece difícil acreditar que tantas crianças consigam mesmo agarrar-se à magia por bastante tempo. Quando as dúvidas forem mais do que as certezas, será tempo de se preparar para lhes dizer a verdade. Até lá, se tiver em casa crianças que ainda acreditam no Pai Natal mas já sabem ler, não lhes mostre estas páginas.

Naquele Natal, com os 9 anos acabados de fazer a 3 de dezembro (tem agora 12), Gabriel Silva passou a consoada a ser desafiado. O primo Rafael, dois anos mais velho, bem lhe dizia que não, que o Pai Natal não existe. Devia ser um bebé para acreditar naquelas lérias. Até ao momento em que o tio entrou na sala tão bem disfarçado que ambos vacilaram. «Nenhum reconheceu o meu cunhado, cheio de almofadas por baixo do fato», diz a mãe, Marina Silva.

Ainda hoje se pergunta como é que os miúdos acreditaram no Pai Natal até tão tarde, com tantos anúncios e tanto Google, mas sempre alimentou a ilusão por notar como era importante para Gabriel. «Foi encantador vê-los embarcar na magia já tão crescidos. Acho bonito. Vamos fazer o quê?»

Nada. Não há nada a fazer. É deixar seguir. Acreditar no Pai Natal não tem, de facto, limite de idade, garante a pediatra Mónica Cró Braz, do Hospital CUF Descobertas. A criança deve acreditar até querer. «Geralmente acontece por volta dos 5-6 anos, embora a fantasia possa ser levada até mais tarde sem prejuízo para o desenvolvimento infantil», explica.

Se é válido acreditar em super-heróis, sereias ou fadas, porque não no Pai Natal? «São personagens de que se vão desligando à medida que crescem», diz a pediatra, lembrando que os próprios pais, até uma certa fase, são vistos pelos filhos como super-heróis capazes de resolver tudo e de protegê-los dos males do mundo. «Não imagino que haja algum adulto traumatizado por ter confiado nos pais sobre a existência do Pai Natal ou da fada dos dentes.»

No caso de Marina Silva, os 9 anos de Gabriel passaram a voar. «Ele usava o meu tablet, via os anúncios na televisão, falava com os amigos. Em casa, contudo, só me perguntou uma vez se o Pai Natal existia depois de entrar para a primária.» A mãe respondeu-lhe que existia no coração dele enquanto acreditasse. O filho gostou da resposta e manteve a euforia (bem como as bolachas e o copo de leite para o receber).

«Fico um bocado triste que os miúdos hoje descubram tudo tão cedo», diz Marina. E bem pode ficar: há cada vez mais crianças (16,3%) a descobrir na Internet que o Pai Natal é uma farsa aos 6 anos, quando os pais só souberam aos 8-9. As conclusões são da Hide My Ass!, uma empresa líder em privacidade online sediada em Londres.

Segundo o estudo realizado em 2015, a maior aniquiladora de sonhos é a publicidade online – 44% dos miúdos somam 2+2 ao verem na internet os anúncios do que pediram ao Pai Natal –, logo seguida do Google: 35% vão lá buscar respostas e… encontram-nas, claro.

A pensar nisso, a empresa criou um plug-in para os browsers Google Chrome e Mozilla
Firefox que permite aos pais fecharem qualquer página sempre que surja a combinação de palavras «história do Pai Natal» ou «o Pai Natal é real?», de modo a evitarem surpresas.

«Parece um paradoxo, mas se hoje em dia as crianças ainda acreditam no Pai Natal é porque a própria internet, os media e a sociedade em geral continuam a alimentar esta mensagem», diz a pediatra Mónica Cró Braz.

E onde fica, afinal, a questão de não se dever enganar as crianças? Dizer-lhes que o Pai Natal existe não deixa de ser uma mentira. «Pois sim, mas então a própria imaginação é uma mentira, se formos por aí», contrapõe a psicóloga Leonor Baeta Neves, especialista em desenvolvimento infantil.

A ela, a experiência diz-lhe que acreditar em histórias como esta permite despertar a curiosidade e o sonho nos mais novos, transmitindo-lhes valores de altruísmo, gratidão, partilha não egoísta. «Há muita simbologia numa figura que é mais um avô do que um pai, risonho, caloroso, generoso, que num único dia visita as crianças do mundo para fazê-las felizes, todas iguais perante o Pai Natal.»

Claro que os miúdos veem e sentem as coisas de maneira diferente uns dos outros, mas os pais podem sempre explicar-lhes – aí sem faltarem à verdade – que quando tinham a mesma idade também eles acreditaram na existência do Pai Natal.

«Uma criança que tenha absoluta confiança nos seus pais não deve perdê-la apenas por essa desilusão. Não, se tiver outros comprovativos de que eles não lhe mentem», assegura Leonor Baeta Neves, apologista de se preservar a magia tanto quanto possível para não acelerar o golpe antes de os miúdos estarem preparados para saber a verdade.

Na dúvida, em vez de lhes contarmos que se trata de um velhote de barbas brancas que existe agora e anda de trenó pelo céu, a história torna-se mais verdadeira – e menos traumática – dizendo-lhes que São Nicolau foi uma pessoa como nós, que viveu na Turquia no ano 300 e era um bispo muito popular por deixar anonimamente cestos com comida à porta dos mais necessitados, sugere Teresa Andrade, psicóloga clínica e investigadora em pedagogia.

«Isto é real. Ele foi canonizado e, com base na sua vida de compaixão, nasceu a figura de São Nicolau, ou Pai Natal, associada à prática de caridade e partilha na quadra.» Se contarmos isto aos nossos filhos, ensinando-lhes que no Natal todos gostamos de ser um pouco como este santo – razão por que damos às crianças, e a quem mais precisa, algo que as faça felizes – eles compreenderão tudo melhor.

«Assim, até associam o Natal a valores mais humanistas e menos consumistas, sem ficarem com a sensação de que lhes andámos a mentir durante anos», defende Teresa Andrade, considerando que todos podemos trazer o Pai Natal dentro de nós e ajudar os outros, como fazia São Nicolau, porque o Natal é acerca de dar a quem mais necessita, num tempo difícil como é o inverno.

E o melhor é mesmo cingir-se à história do São Nicolau verdadeiro, caso contrário a mentira pode tornar-se uma bomba em potência, alertam Cristopher Boyle, professor de psicologia na Universidade de Exeter, Reino Unido, e Kathy McKay, especialista em saúde mental da Universidade da Nova Inglaterra, Austrália. Juntos, publicaram o ensaio A Wonderful Lie (Uma Mentira Maravilhosa) na revista médica The Lancet Psychiatry.

Tudo para avisarem que mentir a respeito do Pai Natal e da sua empresa inteligente no Pólo Norte é moralmente questionável, capaz de minar as relações familiares. «Se os pais mentem sobre algo tão especial e mágico, como poderão continuar a ser vistos como guardiões da sabedoria e da verdade?», questiona McKay.

A psicóloga Teresa Andrade concorda: a mentira tem o seu preço. Neste caso, é a perda clara de confiança nos adultos, porque afinal eles não contam sempre a verdade como julgávamos. «Aprender que os pais lhe podem mentir é uma grande desilusão, ainda que o façam com boas intenções.» Quando isto acontece – e toca a todas as famílias –, a melhor saída é voltar a São Nicolau. «Cabe-nos conseguir que a criança perceba que existe um fundo verdadeiro e nós só o adaptámos um pouco para torná-lo ainda mais bonito e mágico.»

Como as fadas, príncipes e princesas de outras histórias que, não sendo reais, nos ensinam lições de vida importantes.

PAIS, MUITA CALMA NESTA HORA QUE NÃO TARDARÁ A CHEGAR

RESPOSTAS
As histórias do Pai Natal e dos Reis Magos (para quem celebra o Dia de Reis com troca de presentes) transmitem valores de generosidade, amor, partilha e altruísmo. É importante assumir que a mensagem que todos passam é idêntica e falar abertamente com a criança sobre isso se começar a fazer perguntas – quando tal suceder, é um sinal de que também já estará preparada para ouvir as respostas.

SÍMBOLO
Porque a pressão comercial é grande e todos os centros comerciais estão inundados de Pais Natal nesta altura do ano, outra conversa que importa ter é a de que o Natal mora no melhor do ser humano. Católicos ou não, crentes ou não, é boa ideia explicar que as figuras de Jesus, São Nicolau ou Reis Magos simbolizam, afinal, amor e ações generosas que devemos ter com as outras pessoas. No Natal, sim, mas também no resto do ano.

REAÇÕES
Vão desde o silêncio ao desapontamento profundo quando as crianças finalmente descobrem que o Pai Natal não existe e se sentem enganadas. Umas encolhem os ombros e declaram que já sabiam, orgulhosas. Outras, ofendidas, choram – embora este processo de desencantamento costume ser progressivo e a desilusão transitória. O melhor é sublinhar que algumas coisas são verdade: há mesmo um sítio chamado Lapónia, há mesmo renas e houve mesmo um Nicolau que distribuía dinheiro em meias.

FRONTAL
No momento em que a criança pergunta diretamente se o Pai Natal é, ou não, real, ou se já expressa dúvidas sobre essa magia, é fundamental contar-lhe a verdade, tendo o cuidado de não a fazer sentir-se ridicularizada ou com medo de que se riam da sua ingenuidade. Se ficar sem reação, pode devolver a pergunta à criança para saber o que ela pensa ao certo e desenvolva o tema a partir daí.

APOIO
Os pais devem confortar e confirmar a verdade quando confrontados pelas crianças, explicando-lhes (de acordo com sua capacidade de entendimento) que o Pai Natal personifica a magia, a bondade e a entreajuda que devia haver sempre, mas que se acentuam nesta época. Muitas chegam a pensar ser impossível que os pais lhes tenham mentido e que os da escola devem estar todos enganados! Uma boa dica é os pais falarem de quando eles próprios eram pequenos e acreditavam no Pai Natal.

 

 

Psicóloga explica por que razão acreditar no Pai Natal faz bem às crianças

Dezembro 19, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 14 de dezembro de 2017.

Com a chegada no Natal muitos são os pais que se questionam se devem ou não contar a verdade sobre o Pai Natal aos filhos. Especialista acredita que é melhor não o fazer

época festiva é um momento de grande alegria especialmente para os mais novos que esperam ansiosamente pelo aparecimento do homem de barba branca que entra pela chaminé. vestido de vermelho e com um saco de presentes as ombro. Mas esta é também a altura em que os pais se deparam com o dilema de alimentar ou não esta fantasia que envolve o Pai Natal, preocupados com o impacto que a descoberta da verdade possa ter nos filhos. Kristen Dunfield, professora assistente de Psicologia na Universidade de Concordia, considera que acreditar no velho das barbas faz bem às crianças.

Kristen Dunfield começa por dizer que “pesquisas no campo do desenvolvimento psicológico sugerem que estas crenças imaginárias não são de todo nocivas, mas são sim associadas com um vasto número de resultados positivos no desenvolvimento ao exercitarem habilidades de raciocínio contrafactual necessárias para a inovação humana impulsionar o desenvolvimento emocional”.

Como cientista do desenvolvimento, Kristen falou com o Global News para esclarecer as dúvidas que pairam na cabeça dos pais e para dar dicas de como e quando contar a verdade aos mais pequenos. Kristen tranquiliza os progenitores ao esclarecer que “não depende tudo de vocês! Na verdade, a melhor abordagem consiste em apoiar as crianças enquanto elas descobrem tudo por conta própria. Mais cedo ou mais tarde, elas vão perceber e não vai ser tão mau como os pais pensam.”

Segundo a especialista, as crianças deixam de acreditar no mito do Pai Natal por volta dos oito anos de idade e, apesar de muitos pais temerem este momento, ela acredita que é um evento crucial do crescimento de uma criança. “Eu vejo o desenvolvimento da crença na realidade física do Pai Natal, e o eventual abandono do mito, como uma conquista impressionante que merece ser celebrada e não temida!”.

À medida que crescem, as crianças começam a perceber que o mito do Pai Natal envolve tarefas fisicamente impossíveis como voar num trenó com a ajuda de renas, percorrer o mundo inteiro numa só noite e saber exatamente quem são as crianças que se portaram bem ao longo do ano. É nesta altura do desenvolvimento que os mais novos começam a inundar os pais com perguntas. Kristen aconselha os pais a “ver estas perguntas por aquilo que são – desenvolvimento cognitivo em ação”.

Os pais que pretendam acabar com a mentira podem apresentar provas e explicações diretas aos filhos para que eles passem para a fase de perceção e desconstrução do mito. Quem não quiser destruir a crença tem várias hipóteses, segundo Kristen. Pode virar as perguntas para a criança e permitir que ela própria apresente explicações ou, no caso de querer mesmo manter a mentira, pode recorrer à plataforma Norad, que segue o percurso do Pai Natal na véspera da Consoada e vai certamente ajudá-lo a lidar com a curiosidade do seu filho.

Depois de decidirem se devem ou não contar a verdade, os pais deparam-se com outra questão: como é que a criança vai reagir ao descobrir que os próprios pais lhe mentiram? Pode isso afetar a confiança que os pequenos depositam nos mais velhos? Um estudo da Universidade do Texas revela que não. Foram analisadas as reações de 52 crianças que já não acreditavam no Pai Natal e estas foram “predominantemente positivas”. O mesmo não se pode dizer dos pais que se martirizaram mais com a transição do que as próprias crianças.

Kristen acrescenta que não há razões para os pais se preocuparem tanto com esta descoberta: “quando comparada com toda a informação confiável que os pais partilham com os filhos ao longo da vida, é altamente improvável que uma única mentira provoque danos irreparáveis”. É também nesta altura que as crianças começam a entender que algumas mentiras, como a do Pai Natal, são ditas com boas intenções.

 

 

Será que as crianças devem mesmo acreditar no Pai Natal?

Dezembro 24, 2016 às 1:44 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://www.dn.pt/ de 11 de dezembro de 2016.

dn

Joana Capucho

Psicólogos e pediatras ouvidos pelo DN defendem que acreditar no Pai Natal remete para a fantasia e é importante para o desenvolvimento das crianças. Lá fora, opiniões dividem-se

Aquele velhinho barrigudo de fato vermelho e barbas brancas que costuma entregar presentes na noite de Natal já anda há semanas a alimentar o sonho de milhões de crianças. Mas, para muitas, a fantasia já acabou. Ou porque o colega da escola falou de mais, ou porque o irmão não conseguiu guardar segredo, ou porque o avô saía sempre da sala antes de entrar o Pai Natal. Por esta altura, reacende-se o debate: as crianças devem acreditar no Pai Natal? Até quando? Descobrir a verdade pode afetar a confiança das crianças nos pais? “O meu filho ficava tão excitado com o Pai Natal que entrava na sala com um saco cheio de brinquedos que nunca reparou nos sinais mais evidentes de que era o pai disfarçado. Ele que sempre foi tão perspicaz não reparava nos sapatos, no relógio, nem sequer na voz do pai. “O pai está lá fora a tomar conta das renas.” Acreditava piamente nisso”, recorda Maria Pinto. Hoje, o filho já é um adolescente e “descobriu” naturalmente a verdade. “Durante a primária, ouvia os amiguinhos dizer que o Pai Natal era uma mentira dos pais e perguntava-me: “Ó mãe, o Pai Natal existe mesmo?” Dizia-lhe: “Se acreditas, existe.” Ele respondia sempre, convicto: “Eu acredito!” E acreditou até aos 9, 10 anos. Alimentei essa mentira, porque acho que é uma mentira bonita”, esclarece esta mãe.

“Não há problema nenhum em alimentar a fantasia. É bom para as crianças. A história do Pai Natal estimula a fantasia, o mundo imaginário. Faz parte da realidade infantil, do mundo das crianças”, diz ao DN Ana Gomes, psicóloga e docente na Universidade Autónoma de Lisboa. No entanto, ressalva, “quando as crianças começam a ouvir os outros e a desconfiar, a ter sentido crítico, não se deve mentir”.

A opinião é partilhada por Fernanda Viana, especialista em Psicologia da Educação e professora na Universidade do Minho: “Mesmo quando já sabem que não é o Pai Natal que dá os presentes, muitas crianças continuam a achar que a magia do Pai Natal está presente. Algumas até lhe continuam a escrever cartas. E isso não traz mal nenhum ao mundo. Falar do Pai Natal não é mentir às crianças. É entrar com elas pela via do imaginário coletivo.”

Para o pediatra Mário Cordeiro, é importante “falar no Pai Natal e manter essa lenda”, até porque é uma figura associada a valores como “a sabedoria, o altruísmo, a amizade, a idade, a velhice no que isso tem de bom, a família, os afetos”. Nem todos partilham a mesma opinião. Recentemente, Kathy McKay, especialista em saúde mental, e o psicólogo Christopher Boyle publicaram um artigo na revista médica The Lancet Psychiatry em que diziam que “a moralidade de fazer que as crianças acreditem nesses mitos deve ser questionada”. Segundo os autores, citados pelo El País, descobrir a verdade pode minar a relação de confiança entre pais e filhos.

Já a psiquiatra finlandesa Tuula Tamminen, presidente de honra da Associação Mundial para a Saúde Mental Infantil, defende que acreditar na personagem de vermelho apoia o desenvolvimento mental durante a infância e fala mesmo num “processo de amadurecimento” quando os mais pequenos descobrem a verdade.

Se quando os mais novos suspeitam de que o Pai Natal não existe, os pais contarem a verdade, estes não vão sentir-se enganados. É o que defende a psicóloga Ana Gomes. “A criança percebe que não é só ela que acredita, que há um envolvimento num contexto cultural.” É natural que exista desilusão, reconhece a investigadora, mas passará depressa.

O momento em que a criança descobre que aquele velhinho das barbas brancas não passa de uma fantasia será a altura indicada para lhe contar a história do Natal e de como surgiu aquela figura mítica. “Isso costuma acontecer entre os 5 e os 6 anos, que é quando começa a haver uma certa racionalidade, a distinção entre a fantasia e a realidade”, explica Cristina Valente, psicóloga e especialista em coaching parental. Mas pode acontecer antes. Para Cristina Valente, a forma como o assunto é entendido pela criança dependerá da maneira como a mensagem lhe é transmitida pelos pais. “Na idade em que se contam histórias, não há problema nenhum em contar a história do Pai Natal.” Mas, frisa, “não podemos nunca bater o pé, garantir, jurar que o Pai Natal existe”. Isso está relacionado com “a tranquilidade, a leveza e a isenção de culpa que temos de ter quando falamos das coisas”.

 

 

 

Hora do Conto “A lista de Natal” de Alexandra Monteiro no Feijó (Almada)

Dezembro 18, 2014 às 10:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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lista

Ana é uma menina que espera ansiosamente pelo Natal. Este ano decidiu que ia escrever a sua primeira lista de Natal, já que a avó a tinha ensinado a escrever. Ana escreveu tudo o que queria na sua lista, mas quando chegou o dia de Natal, nenhum dos embrulhos, destinados a ela, correspondia ao que tinha escrito na sua lista….Alguma coisa aconteceu. Será que o Pai Natal se enganou?

20 de dezembro às 16h00

Local

Biblioteca Municipal José Saramago. Setor Infantil

Centro Cívico do Feijó – Rua da Alembrança
2810-005 Feijó

Duração: 90m

Público-alvo: crianças dos 5 aos 12 anos

Lotação máxima: 12 famílias (máximo 24 participantes)

Inscrição gratuita sujeita a marcação prévia: Sandra Martins

biblactividades@cma.m-almada.PT

212 508 210

Sítio: http://www.m-almada.pt/bibliotecas

Crianças pedem bonecos, smartphones e “que o pai arranje emprego”

Janeiro 2, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 22 de Dezembro de 2013.

público

Patrícia Carvalho

O Pai Natal Solidário é uma iniciativa dos CTT. Até 6 de Janeiro qualquer pessoa pode fazer com que crianças apoiadas por 49 instituições tenham a prenda que pediram. Ainda há meninos à espera

A Nancy está na moda. A Mariana, de cinco anos, quer uma e muitas outras meninas também. Os Beyblades continuam a encher as medidas a muitas crianças – o Rafael, o Nuno e o Miguel são alguns dos meninos que os inscreveram na lista de desejos para este Natal. Até ao final da semana, estas e outras crianças continuavam à espera que um benfeitor anónimo clicasse em “Apadrinhar a Carta”, colocada junto ao seu pedido, na página do Pai Natal Solidário na Internet, uma iniciativa dos CTT – Correios de Portugal que há cinco anos anda a concretizar os desejos natalícios de crianças institucionalizadas ou carenciadas.

Não há mistério. “Os meninos pedem o que todas as outras crianças pedem”, explica Miguel Salema Garção, director de comunicação dos CTT e gestor da iniciativa solidária. Por isso, as cartas de pedidos dos meninos das 49 instituições inscritas no Pai Natal Solidário pedem bonecos e jogos, carrinhos e helicópteros, PSP e Nintendos, tablets e smartphones, Nancys, Nenucos, Princesas Sofia, bolas e skates. Mas também há quem acrescente ao pedido “uma camisola quentinha”, “um vestido de Inverno”, “umas luvas” e “que o pai arranje emprego”.

Este último será, provavelmente, dos poucos desejos que os CTT não conseguirão satisfazer. Os brinquedos, por outro lado, antes ou depois do dia de Natal, devem chegar às mãos das crianças. “Esta iniciativa tem uma coisa muito importante e inovadora – nem a criança sabe quem é o padrinho nem o padrinho sabe quem é a criança. As pessoas dão pelo simples gesto de dar e a experiência que temos é que o povo português é solidário”, diz Miguel Salema Garção.

Até ao final da semana passada, mais de 50% das 1832 cartas inscritas no Pai Natal Solidário já tinham sido apadrinhadas. Mas vários meninos ainda continuavam à espera de alguém que quisesse oferecer-lhe o presente mais desejado.

A noite e o dia de Natal podem passar sem que a prenda sonhada apareça, mas a iniciativa mantém-se activa até 6 de Janeiro, dia de Reis, e a experiência do gestor do projecto é que ninguém fica esquecido. Mesmo quando o que está em causa são presentes mais caros, como equipamentos electrónicos ou de telecomunicações. Há empresas que dão uma ajuda e os funcionários dos CTT também participam. “Os presentes mais caros também costumam ser apadrinhados e, normalmente, até é dentro dos CTT. Cada um dos funcionários das diferentes direcções da empresa contribui com o que quiser e consegue-se. A minha direcção apadrinhou quatro cartas e tentamos sempre ir aos presentes mais caros. Além disso, há algumas empresas que nos contactam, porque têm grupos de trabalhadores que querem apadrinhar.”

Os pedidos que ainda não foram apadrinhados podem ser encontrados online (painatalsolidario.ctt.pt) ou em lojas seleccionadas dos CTT (também identificadas na página da Internet). Assim que seleccionar a carta ou cartas que lhe interessam, esta fica “reservada”, durante três dias úteis, o tempo para que possa adquirir a prenda escolhida e entregá-la nos Correios. Não vale a pena embrulhar o presente – os CTT oferecem o embrulho e o transporte até à instituição e, se chegar a uma estação de Correios com o presente embrulhado, este será desfeito, para verificar se o que está lá dentro corresponde, de facto, ao brinquedo solicitado.

Depois, é deixar tudo nas mãos dos CTT. Eles farão chegar o presente à criança que o pediu, através da instituição que a representa. E na noite de Natal ou noutro dia qualquer, o menino ou a menina que apadrinhou há-de arregalar os olhos de alegria, como qualquer outra criança, porque a Nancy saltou do embrulho. Ou o Beyblade. Ou o helicóptero telecomandado. Ou o carrinho. Ou até uma camisola quentinha.

185 mil cartas para o Pólo Norte, Estrela Polar e afins
Aos CTT chegam, anualmente, milhares de outras cartas dirigidas ao Pai Natal. São escritas, sobretudo, pelas crianças das escolas e são “as únicas que circulam na rede dos Correios sem selo”, explica Miguel Salema Garção. Basta que estejam dirigidas ao Pai Natal (seja no Pólo Norte, Atrás da Estrela Polar ou em qualquer outro lado em que ele se possa esconder), e vão parar direitinhas às mãos das 12 pessoas que, nesta época, se dedicam especificamente a estas cartas e às do Pai Natal Solidário.

As cartas ao Pai Natal, que partem das escolas ou de qualquer casa em que exista uma criança, chegaram às 185 mil, no ano passado. A expectativa dos CTT é que, este ano, o número seja o mesmo. “Estas cartas são também um incentivo à escrita, ao desenvolvimento da Língua Portuguesa e acaba por ser um contributo junto do target mais jovem para o que é a simbologia da escrita. Eu diria que 99% delas são muito parecidas, com os pedidos habituais, mas também há as que pedem saúde para os avós ou para os pais”, diz o responsável.

Ao contrário do Pai Natal Solidário, os pedidos destes meninos não serão satisfeitos pelos CTT, mas fica pelo menos uma garantia. “Todas as cartas recebem uma resposta do Pai Natal e um gift”, diz Miguel Salema Garção. E o que é? “Isso não digo, senão os meninos ficavam a saber pelo PÚBLICO o que é que o Pai Natal lhes vai enviar pelo correio.”

http://painatalsolidario.ctt.pt/
 

 

Pai Natal Solidário – Seja Solidário e Realize o Desejo de uma Criança

Dezembro 12, 2012 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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pai

O Pai Natal Solidário dos CTT insere-se no espírito da Campanha de Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social, que os Correios lançaram há quase quatro anos, com o envolvimento de várias instituições, e que permitiu já ajudar milhares de pessoas.

Esta iniciativa envolve neste momento cerca de 66 instituições de solidariedade social, que acompanham crianças em risco de emergência social e que os Correios de Portugal contactaram para que as crianças ao seu cuidado, até 10 anos, escrevessem cartas ao Pai Natal.

Qualquer pessoa pode “apadrinhar”, de forma totalmente anónima, o desejo de uma ou mais crianças, contribuindo para tornar um sonho realidade. São os desejos escritos, desenhados ou colados nessas cartas que os portugueses poderão apadrinhar.

Para apadrinhar o desejo de uma criança basta selecionar uma carta, efetuar o registo para obter o código único da carta selecionada. Depois, no prazo de 3 dias úteis, só tem de se preocupar em satisfazer o desejo da carta escolhida por si e entregar o seu presente em qualquer Estação de Correio, informando aí o código da carta que lhe foi facultado. Os Correios tratarão de oferecer a embalagem e o envio dos presentes.

Cada uma das cartas está assinalada com uma de três cores (verde, rosa ou amarelo) que identifica o estado de cada uma das cartas. A verde, estão assinaladas as cartas livres para serem apadrinhadas; a rosa as cartas que já foram apadrinhadas; e, finalmente, a amarelo as cartas em espera, ou seja, que aguardam a entrega do presente nos correios.

Cada pessoa só poderá apadrinhar o máximo de duas cartas. Se o presente não for entregue durante os 3 dias úteis após ser feito o registo, a carta ficará novamente disponível para dar oportunidade a outra pessoa de a poder apadrinhar e a criança não ficar sem o presente.

Por razões de proteção das crianças, os envios são anónimos e os dados das crianças só serão conhecidos dos CTT, que garantem a entrega.

Haverá igualmente cartas disponíveis no Facebook em https://www.facebook.com/opainatal e em cerca de 70 Estações de Correio.

Mais informações Aqui

 

O IAC na Aula Magna no dia 17 de Dezembro de 2011

Dezembro 16, 2011 às 4:37 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No dia 17 de Dezembro de 2011 pelas 21h00 irá decorrer a peça de teatro infantil “A Grande Aventura do Pai Natal” na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa. O IAC/SOS-Criança vai estar presente com uma banca no hall de entrada da Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, onde será apresentado o livro Menino como Eu da autora Luísa Lobão Moniz. A integralidade da receita da venda do livro é oferecida ao IAC.

Mais informação sobre o livro em:

http://www.iacrianca.pt/pt/noticias1

 

Sobre o espectáculo: A Grande Aventura do Pai Natal:

http://www.ul.pt/portal/page?_pageid=173,1471952&_dad=portal&_schema=PORTAL

Natal… A Festa da Família!

Dezembro 16, 2011 às 10:00 am | Publicado em Actividade Lúdica, Divulgação, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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O Sector da Actividade Lúdica do Instituto de Apoio à Criança, preparou um conjunto de materiais sobre o Natal. Nesta época especial, todos ficamos maravilhados com as luzes cintilantes a espreitarem por trás de cada janela, os enfeites e a iluminação de rua, as músicas que se ouvem ao virar da esquina, o movimento nas lojas e o esplendor dos presépios.

Há ainda o sorriso; alegria nos rostos de quem passa… Natal é tempo de paz, amor e carinho! É a festa que reúne todos os que nos são queridos, onde nos aconchegamos nestes dias frios de Dezembro.

É tempo de ser criança! De brincar, de sorrir e de descobrir. Deixamos aqui algumas curiosidades sobre o natal: o que se comemora no Natal Cristão; o significado do presépio; o simbolismo da árvore de Natal; a troca de presentes; e a origem da figura do Pai Natal. Aqui fica também um conto de natal de Maria Rosa Colaço “O Natal de Natalina”.

Visualizar os documentos Aqui

“É preciso vocação para ser um Pai Natal”

Dezembro 30, 2010 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Diário de Notícias de 20 de Dezembro de 2010.

Fotografia Diário de Notícias

Fotografia Diário de Notícias

por RITA CARVALHO

Chegam a ganhar 400 euros por dia de trabalho. Enchem  de crianças os centros comerciais e animam as festas das empresas. Severino Moreira, bancário reformado, é dos mais procurados.

Perfuma a barba com água de colónia de bebé e dá os últimos retoques nas sobrancelhas e no cabelo grisalho. O Pai Natal está prestes a entrar em cena e Severino Moreira sabe que os pormenores são essenciais para encarnar a personagem que continua a encantar miúdos e adultos nesta época natalícia. Este bancário reformado, avô de dois netos, é um dos mais procurados entre as dezenas e dezenas de pais natais do País, que podem ganhar de 50 a 400 euros por dia de trabalho.

Severino não tem mãos a medir. Ocupa o trono do Centro Colombo, em Lisboa, no mês de Dezembro, distribui presentes no bairro e anima a consoada da família. Uma paixão com mais de dez anos que trouxe novo alento à vida do reformado, que em criança também acreditava que os presentes chegavam num trenó da Lapónia.

Para encarnar a personagem, começa a preparar-se em Junho, deixando crescer a barba e pensando no novo adereço para juntar à já elaborada indumentária, feita à medida numa modista e paga por si. “Sou pior que uma noiva. Levo uma hora a arranjar- -me”, diz, pondo laca no cabelo.

Os olhos azuis, a face rosada, a voz meiga e a barba verdadeira fazem dele um dos pais natais mais genuínos de Lisboa. Os 61 anos e a sensibilidade para interagir com as crianças são outros atributos preciosos, explica a agência Extra-A, que anualmente trabalha com cerca de 25 pais natais, entre eles Severino Moreira.

Por isso, é para estar nos centros comerciais que são recrutados os senhores mais velhos, já com ar de avô, e de preferência um pouco de barriga. O recrutamento começa pelos jornais, passa de boca em boca e mantém-se se a personagem for bem encarnada.

Da boca dos mais novos, Severino já ouviu todo o tipo de pedidos: desde o último grito da moda dos brinquedos ao irmão que já vem com nome, até um para que o pai não bata na mãe. “As crianças sentem-se à vontade, confiam e desabafam”, relata, sublinhando que para ser Pai Natal não basta vestir o fato. “É preciso vocação e saber amaciar os corações. Quantas vezes não ando de lagriminha no olho”, confessa.

Quando lhe pedem telemóveis ou dinheiro, entristece-se e dá a volta ao assunto. “Respondo que só tenho prendas para dar com amor”, diz, frisando o espírito natalício. Em tempo de crise, também já lhe pediram flores. Foi uma menina que, citando a mãe, explicou que quando não se tem dinheiro pode-se sempre dar uma flor. As centenas de histórias, tristes e alegres, estão reunidas em livro.

No trono do Centro Colombo, recebe por época, e há dez anos, milhares de crianças que vêm conversar e tirar fotografias com o senhor de barbas e fato encarnado. “Lamentam não me ter visto em casa mesmo tendo deixado leite e bolachas ou dizem que não lhes dei o que pediram. Muitas querem só sentar-se aqui porque represento o sonho do Natal.”

A sua credibilidade passa pela indumentária e a postura. Severino retoca a barba com spray branco, capricha em adereços como o bastão ou o saco dos correios e o seu oh oh oh soa mesmo a Pai Natal. O sorriso ajuda à expressão e a experiência no teatro credibiliza os gestos. “Isto da alegria é algo muito sério. E para podermos dá-la temos de a ter primeiro e de saber estimular a personagem”, explica.

Mas nem todos os pais natais são homens de barba feita. Se o propósito for promover uma marca ou produto na rua, o papel pode ser representado por um jovem estudante mascarado com fato barato e barba de algodão, a troco de 50 a 75 euros


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