Orquestra Geração. A música como perspetiva de futuro

Junho 18, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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A orquestra dirigida por Marija Mihajlovic esteve a atuar quarta-feira na abertura da Feira do Livro em Lisboa Foto Leonardo Negrão / Global Imagens

Notícia do Diário de Notícias de 1 de junho de 2019.

A Orquestra Geração da Santa Casa junta crianças e jovens acompanhados pela instituição, mas também filhos de funcionários, e tem por objetivo combater o insucesso escolar através da música.

Jéssica Silva, de 14 anos, descobriu a Orquestra Geração através das técnicas da segurança social. Chegou à formação de jovens músicos da Santa Casa para tocar violino. Com ela trouxe a amiga Cláudia Fernandes, de 13 anos, que toca violoncelo. Há pouco mais de um ano, foram juntas ver o que era a Orquestra, mas sem grande esperança de conseguir um lugar. “Viemos cá ver quais é que eram mais ou menos os instrumentos, mas não tínhamos a noção que íamos ficar, porque não estávamos assim muito motivadas”, recorda Jéssica.

As duas amigas chegaram tinha a Orquestra Geração Santa Casa apenas um ano. No arranque tinham 25 músicos, “jovens que nunca tinham visto um instrumento de música clássica”, sublinha António Santinha, diretor da Unidade de Apoio à Autonomia da Infância e Juventude da Santa Casa. Neste momento, são 35 elementos, dos seis aos 15 anos, do que é para já apenas uma orquestra de cordas. No próximo ano, a Santa Casa tem prevista a introdução de sopros, o que deve implicar mais dez elementos.

O projeto – que se inspira no Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela e tem como objetivo combater o abandono e insucesso escolar através do ensino da música – nasceu para “tornar acessível a cultura a todas as crianças, que dificilmente noutras condições teriam acesso a alguns instrumentos de cultura”, explica o responsável da Santa Casa. Integram este projeto as crianças que vivem nas casas de acolhimento da Misericórdia de Lisboa, crianças de famílias acompanhadas pela instituição e também filhos de funcionários.

A expectativa inicial era de perceber como é que as crianças iam reagir. Agora, chegam de todos os pontos da cidade – a Santa Casa trata da logística dos transportes – para aprender a tocar um instrumento. “Os miúdos neste momento estão entusiasmados. Uns, no intervalo vão jogar futebol, outros ficam a aprofundar os seus estudos com os instrumentos”, exemplifica, orgulhoso António Santinha.

Os alunos vão começar agora, ao fim de dois anos, a levar os seus instrumentos para casa, a “cuidar do seu instrumento”. Desta forma, aponta o responsável, vão colocar “instrumentos de música, pelos quais os miúdos têm grande afeto e carinho, em sítios onde a cultura às vezes não é tão valorizada e onde não é muito habitual encontrar este tipo de instrumentos e este tipo de atividades.”

O cuidado com os instrumentos

A relação especial de cuidado e carinho com os instrumentos é algo que António Santinha frisa na evolução das crianças e jovens que integram a Orquestra Geração. E de repente o projeto que quer levar a cultura a estes miúdos acaba por fazer nascer neles o desejo de serem músicos. “Vemos que alguns miúdos, de facto, estão muito interessados nos estudos.” A ajudar a esse entusiasmo, António Santinha não tem dúvidas que estão os professores. Um desses exemplos é Marija Mihajlovic Pereira, professora do naipe de violinos e preparadora orquestral. Está há um ano e meio na Orquestra. Começou por ser professora convidada e acabou por ficar a tempo inteiro.

Marija olha para os seus alunos e a primeira palavra com que os descreve é “diversificados”. Nas idades, no comportamento, na nacionalidade, e outros aspectos. “Temos alunos dos 6 aos 15 anos e isso exige um trabalho de abordagem muito diversificado do professor para abranger essas idades”, aponta. Durante a semana, têm três horas de aulas e aos sábados mais quatro. São momentos que os aprendizes de músicos passam com o instrumento que tocam.

E embora haja diferenças entre os mais “dedicados” e os mais “de brincadeira”, “todos eles acabam por se envolver de alguma forma”, defende a professora. Marija considera ainda o grupo “unido” e diz que teve “uma boa evolução” desde o arranque da Orquestra. E essa evolução é medida não só em termos musicais: “Evolução social, musical, da convivência, de empenho e de uma forma muito particular que faz esse projeto bem especial para mim, porque muitos deles sentem isto como uma segunda casa. É uma instituição acolhedora não só para eles, mas também para os professores”, elogia.

Como professora de um grupo de crianças e jovens que não tinha qualquer contacto com a música antes, Marija Mihajlovic Pereira elogia a entreajuda. “Os que aprendem primeiro puxam com tanta força os outros que eles rapidamente se agrupam.”

“Nem conseguia colocar bem o primeiro dedo”

Do lado dos alunos, também há o elogio ao esforço de quem ensina. “Os professores desta escola são melhores do que os professores da escola normal porque interagem mais com os alunos. Aqui conseguimos falar se estamos tristes ou se temos alguma coisa. Os professores perguntam”, refere Jéssica Silva.

Antes dos concertos, os professores insistem “na disciplina de concentração, não interagir com o público no concerto. Na hora do concerto eles dizem que sentem o coração a bater. Acho que ficam felizes”, descreve Marija Mihajlovic Pereira. E quantos mais concertos fazem, mais confiança de palco ganham. A Orquestra Geração já tem “uma tournée quase”, descreve António Santinha. Tocaram no primeiro dia da Feira do Livro de Lisboa, na passada quarta-feira, são presença assídua na Feira de Natal da Santa Casa, além de muitas solicitações da paróquia e de festas, que nem sempre conseguem cumprir devido à conciliação que é necessária com os horários da escola.

Mas mesmo que não consigam dar tantos concertos como gostariam, o importante, acredita António Santinha, é deixar nos músicos da Orquestra a ideia de que “a cultura alarga o leque de possibilidades de escolha e alarga o horizonte”. “Muitas vezes, em crianças e jovens que vêm de meios menos favorecidos, aquilo que nós notamos é a dificuldade no seu horizonte de futuro, e este tipo de atividades, em que eles podem sobressair, alargam o horizonte – porque

Amanda Silva diz que o seu professor “é um chato”, mas acaba por confessar que se dão bem. Aos 15 anos descobriu por acaso a paixão pelo contrabaixo. A aluna do 9.º ano recorda a sensação “estranha” de tocar nos instrumentos. Depois de tentar vários instrumentos acabou por escolher o contrabaixo: “Agora adoro.”

Amanda ainda se lembra de que quando chegou à Orquestra não tinha qualquer noção do instrumento. “No início nem conseguia colocar bem o primeiro dedo como deve ser que saía desafinado. Agora já consigo tocar bastante bem e andar mais rápido no contrabaixo.” A jovem é um dos elementos da Orquestra que quer seguir carreira. “Penso 24 horas por dia no contrabaixo. Penso logo tenho que acabar as aulas para começar a tocar.”

Sobre o ambiente da orquestra só tem coisas boas a dizer. “Aqui perdi a vergonha, posso falar com quem quiser que somos todos amigos.” Além de que é um espaço que a ajudou a encontrar a sua vocação. E nem os concertos a assustam. “Só fico nervosa um bocadinho antes. Quando estou lá já passaram os nervos, toco, penso em outras coisas.”

Antes dos concertos, os professores insistem “na disciplina de concentração, não interagir com o público no concerto. Na hora do concerto eles dizem que sentem o coração a bater. Acho que ficam felizes”, descreve Marija Mihajlovic Pereira. E quantos mais concertos fazem, mais confiança de palco ganham. A Orquestra Geração já tem “uma tournée quase”, descreve António Santinha. Tocaram no primeiro dia da Feira do Livro de Lisboa, na passada quarta-feira, são presença assídua na Feira de Natal da Santa Casa, além de muitas solicitações da paróquia e de festas, que nem sempre conseguem cumprir devido à conciliação que é necessária com os horários da escola.

Mas mesmo que não consigam dar tantos concertos como gostariam, o importante, acredita António Santinha, é deixar nos músicos da Orquestra a ideia de que “a cultura alarga o leque de possibilidades de escolha e alarga o horizonte”. “Muitas vezes, em crianças e jovens que vêm de meios menos favorecidos, aquilo que nós notamos é a dificuldade no seu horizonte de futuro, e este tipo de atividades, em que eles podem sobressair, alargam o horizonte – porque viajam, vão para fora do seu bairro, porque se encontram com outros miúdos, porque trocam impressões com outras pessoas que têm profissões diferentes.”

 

 

 

 

Música que causa avalanches e faz revoluções – Orquestra Geração

Maio 29, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem do Expresso de 18 de maio de 2015.

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Nos últimos oito anos a Orquestra Geração conquistou mais de 900 alunos de escolas problemáticas Expresso

Ana Soromenho

A Orquestra Geração anda a tocar desde 2007 para combater o abandono escolar e já conquistou 900 alunos das escolas mais problemáticas da área metropolitana de Lisboa. Esta terça-feira, pela primeira vez, juntam-se no palco do Teatro São Luiz, num concerto único com músicos consagrados como Mário Laginha, Adriano Jordão, Camané, Rodrigo Leão, Carlos Martins ou Celina Pereira.

Qualquer criança pode tocar um instrumento” ou “a música salva”. Concentremo-nos nestas duas máximas. Quando aplicadas à realidade podem-se tornar poderosas. É o caso da Orquestra Geração/Sistema Portugal, criada em 2007 por António Wagner Diniz, diretor adjunto da Escola de Música do Conservatório Nacional, e Jorge Miranda, na época diretor de Educação Cultural na Câmara Municipal da Amadora. A ideia era construir uma rede de orquestras juvenis composta por alunos de escolas problemáticas na área metropolitana de Lisboa para que no final todos pudessem tocar juntos. Partiu de um objetivo simples: “Promover o sucesso escolar em zonas problemáticas através do ensino da música.” Nesse sentido a Orquestra Geração  não é um projeto musical. É  um projeto social. “O propósito não é criar músicos, se acontecer melhor. O propósito é combater o abandono escolar, através da prática da orquestra”, sublinha Wagner Diniz.

Promover a concentração e a aquisição do trabalho em grupo através da aprendizagem de um instrumento e transformar a escola num lugar que se quer frequentar pode parecer uma tarefa difícil. Mas o crescimento da Orquestra neste últimos oito anos, prova o contrário e diz-nos que é possível acreditar no sucesso do ensino por via da arte.

Há oito anos, quando o projetou arrancou, participavam 15 crianças. Neste momento, integra mais de 900 alunos e abranje 18 escolas da zona metropolitana de Lisboa, mais quatro em Coimbra e outra em Gondomar. A ideia é conseguir contaminar o país e incluir todas as escolas assinaladas como problemáticas e de maior abandono escolar.

São as autarquias ou as juntas de freguesia que se inscrevem para que cada escola forme a sua própria orquestra e para que depois todos se encontrem na Orquestra Geração. Este modelo foi inspirado no El Sistema venezuelano, criado em 1975 pelo maestro economista José António Abreu, com o intuito de tirar crianças da pobreza com a ajuda de Mozart ou Vivaldi. O sucesso de El Sistema foi de tal ordem que neste momento conta com mais de 250 mil alunos e já pôs alguns dos alunos das escolas mais carenciadas da Venezuela a integrar grandes orquestras mundiais. Na prática, o sistema do ensino da música deste projeto baseia-se num método de aprendizagem muito simples de um instrumento, vendo o que o professor faz, copiando-lhe os gestos e confiando no ouvido sem ter de recorrer ao solfejo ou ao ensino da música tradicional, que rapidamente faria os alunos desistir.

Entre os países europeus, Portugal foi pioneiro a seguir o modelo do El Sistema, que entretanto tem-se vindo a espalhar e já conquistou 42 países da Europa: “Fazemos parte de uma rede de orquestras europeias de professores e alunos e muitas vezes somos consultados pelo sucesso que temos”, diz-nos Wagner Diniz.

A Orquestra Geração conta com as câmaras municipais e vive fundamentalmente de mecenas: “Neste momento, o orçamento que temos não chega para renovar os instrumentos, pagar a logística envolvida nos concertos ou o ordenado dos maestros”, enumera o mentor do projeto.

Pela primeira vez organizaram um concerto no qual se juntam ao empenho dos quase mil alunos do 1º e do 2º ciclo que formam a Geração, as sonoridades de consagrados como Mário Laginha, Rodrigo Leão, Camané, Celina Pereira ou Adriano Jordão que aderiram ao projeto, em nome da música que causa avalanches e faz revoluções.

vídeo da reportagem aqui

 

 

 

Orquestra Geração no Cineteatro Municipal João Mota – Sesimbra

Janeiro 22, 2014 às 4:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Orquestra Geração
24 JAN | sex | 21.30h
MÚSICA

Destinatários: maiores de 3 anos
Entrada livre (mediante lotação da sala)

Org.: CM Sesimbra e Agrupamento de Escolas da Boa Água
Cineteatro Municipal João Mota

Concerto de Verão da Orquestra Geração no Anfiteatro da Fundação Gulbenkian

Julho 8, 2013 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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Quinta, 11 jul 2013  |  19:00  |  Entrada livre sujeita aos lugares disponíveis

Anfiteatro ao ar livre

Entrada livre sujeita aos lugares disponíveis

Levantamento de bilhetes nas bilheteiras da Fundação a partir das 10:00 do próprio dia do espectáculo. (limite 2 bilhetes por pessoa)

Orquestra Geração no cinema

Outubro 12, 2012 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação, Vídeos | Deixe um comentário
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retrato de um grupo de alunos que faz parte do projeto da Orquestra Geração desde o seu arranque em Portugal, em 2007

O filme Orquestra Geração vai estar em exibição até ao final do mês de Outubro em exclusivo no Cinema City Classic Alvalade, em Lisboa.
Aos fins de semana, as sessões vão ser acompanhadas por um programa de debates e de curtos concertos.
Rodado durante um estágio de verão da Orquestra Geração com músicos da Orquestra Gulbenkian, em 2010, o filme retrata um grupo de alunos “avançados”, que faz parte do projeto da Orquestra Geração desde o seu arranque em Portugal, em 2007. “Foi emocionante ver a interação deles com músicos profissionais”, dizem os realizadores Filipa Reis e João Miller Guerra.
No filme podemos ver os alunos a ensaiar no Grande Auditório da Fundação e a tocar com a Orquestra Gulbenkian num concerto em Almada. Ana Manzanilla, violino na Orquestra Gulbenkian, é aliás uma das coordenadoras nacionais do projeto da Orquestra Geração. Ela própria é formada pelo Sistema de Orquestras Infantis e Juvenis da Venezuela, em que se inspira o projeto social da Orquestra Geração.
Para animar a programação paralela às projeções durante o mês, os protagonistas do filme vão juntarse a outros alunos da Orquestra Geração, no foyer do cinema, para performances de cerca de 20 minutos antes do início de algumas sessões. De acordo com a organização, pretende-se com isso “promover uma aproximação entre o espectador e as personagens” proporcionando “uma experiência nova na da ao cinema”. Os debates, por outro lado, realizam-se no final das sessões e tomam o filme como ponto de partida para a discussão de temas como Adolescência”, “A Arte na Educação”, “Inovação Social”, ou ainda “Identidades e Pertenças”.
Orquestra Geração foi produzido pela Vende-se Filmes, com o apoio da Fundação Gulbenkian.
Mais informação em: Vende-se Filmes


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