Inauguração da exposição “Bom Apetite! A ciência está na mesa” – 9 de Fevereiro no Pavilhão do Conhecimento às 18.30

Fevereiro 8, 2017 às 1:05 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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bom

mais informações no link:

http://www.pavconhecimento.pt/visite-nos/exposicoes/detalhe.asp?id_obj=4135

Sopa e peixe? Crianças consomem, adolescentes nem tanto

Outubro 10, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 22 de setembro de 2016.

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Um relatório do projeto “Almoço Virtual” mostra que mais de metade dos alunos dos seis aos 14 anos leva sopa nos tabuleiros, mas que a percentagem desce quando vão ficando mais velhos.

Novo relatório do projeto “Almoço Virtual” mostra que, à medida que envelhecem, as escolhas alimentares dos estudantes mudam e passam a consumir menos peixe e menos sopa.

O projeto “Almoço Virtual”, com a parceria da Direção-Geral da Saúde, monitorizou as escolhas alimentares em mais de 14.g00 crianças e adolescentes que frequentam escolas da Grande Lisboa durante o ano letivo 2015-2016. A análise mostra que maior parte dos estudantes analisados dava preferência a produtos excessivamente calóricos.

O estudo mostra que em mais de metade (57,5%) dos alunos entre os seis e os 14 anos levavam sopa nos tabuleiros. Na faixa etária seguinte, entre os 15 e os 18 anos, apenas 44% dos alunos escolhia levar sopa. No peixe, a frequência era maior nos alunos mais novos (23% escolheram peixe) do que nos mais velhos (21%).

Nos tabuleiros dos alunos mais velhos existe, por norma, mais carne e refrigerantes do que nos dos mais novos.

Na constituição da sua refeição, os adolescentes escolhem menos vezes sopa, peixe, água, legumes e fruta e mais vezes carne, cola e doces do que as crianças e do que os adultos, o que contribui para o facto de os adolescentes apresentarem um excesso calórico (67%) superior ao das crianças (62,6%).

João Martins, um dos responsáveis por este estudo, afirmou ao JN – na sua edição impressa – que os resultados “podem querer dizer que os mais novos ainda agem sob influência do que aprendem”.

O projeto “Almoço Virtual” promove a “informação e o espírito crítico das crianças e adolescentes” e pretende que estes façam escolhas alimentares saudáveis.

Depois do estudo, maior parte dos inquiridos revelaram querer mudar os hábitos alimentares, como se pode ver pelo gráfico abaixo.

A iniciativa do Almoço Virtual desenrola-se através da simulação de um self-service, disposto num autocarro, em que os inquiridos são convidados a escolher réplicas de silicone de alimentos comuns. O autocarro do Almoço Virtual vai rumar, durante o ano letivo 2016/2017, pelo Porto, Coimbra, Évora e Beja.

 

O telemóvel e a televisão também jantam com os portugueses

Dezembro 11, 2015 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://lifestyle.publico.pt  de 26 de novembro de 2015.

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Por Life&Style

Dietistas preocupados pois estes hábitos podem levar a maus comportamentos alimentares.

Cinco vezes por semana, 98% dos portugueses janta à frente da televisão ou com o telemóvel ao lado. Quem o diz é um inquérito levado a cabo pela Iglo, junto de cerca de 4500 pessoas.

Para a Associação Portuguesa de Dietistas (APD) e para o Movimento 2020 – um projecto da APD, com o objectivo de promover e implementar as boas práticas no que respeita à saúde alimentar e hábitos de vida saudável – estes hábitos podem levar a maus comportamentos alimentares.

Segundo Zélia Santos, presidente da APD e membro do conselho executivo do Movimento 2020, “o momento da refeição deve ir muito além da sua função nutricional, dada a conotação social e cultural que a alimentação tem nas nossas vidas. Cozinhar e conviver à mesa, na companhia de familiares e amigos, fomenta o bem-estar e cria condições para uma alimentação correcta e consciente. Por exemplo, a mesa é o cenário ideal para passar às crianças a importância de fazer uma alimentação equilibrada e criar apetência pelas escolhas mais saudáveis”. No contexto dos resultados apurados pelo inquérito, a responsável conclui: “Ao ritmo a que se vive, a hora de jantar torna-se no momento privilegiado para as famílias se reunirem e conversarem. Ao ocupar espaço com o telemóvel ou a televisão, há uma probabilidade acrescida de estarmos a tornar a refeição numa ingestão indiscriminada de alimentos e a perder o prazer do convívio, que é um dos conceitos em que assenta a dieta mediterrânica”.

O inquérito foi feito online através de um questionário, tendo a recolha de dados decorrido entre os dias 16 de Julho e 5 de Agosto de 2015. A amostra global é composta por 4469 indivíduos residentes em Portugal (86% do sexo feminino, 60% solteiros e 39% entre os 26 e os 35 anos), o que corresponde a uma margem de erro de 1,47%, para um intervalo de confiança de 95%.

 

 

 

A qualidade da alimentação nas nossas escolas

Novembro 3, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do blog http://nutrimento.pt de 12 de outubro de 2015.

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Foi publicado recentemente pela Dra. Joana Pinto de Carvalho, sob orientação da Prof. Doutora Margarida Liz Martins uma interessante investigação sobre o estado da oferta alimentar nos bufetes e máquinas de venda automática (MVA) em estabelecimentos públicos de 2º e 3º ciclos e ensino secundário da cidade do Porto.

Apesar de ser um estudo académico, que não dá informação nacional e da responsabilidade da oferta ser das próprias escolas, observou-se que 62,5% dos bufetes disponibiliza bolachas com elevado teor de gordura/açúcares e 56,3% tem produtos de pastelaria à venda. Dos bufetes observados quase todos fornecem alimentos não permitidos pelos regulamentos da Direção-Geral da Educação.

Estes dados sugerem, que apesar de existirem recomendações de elevada qualidade a nível nacional e da oferta ser boa, de um modo geral, ainda persistem muitas escolas com excesso de produtos de pastelaria à venda.

As soluções passam por uma maior vigilância e participação ativa dos encarregados de educação, por uma maior proatividade dos diretores e direção das escolas e maior vigilância e capacidade de fiscalização no geral.

Por outro lado, a oferta fora das escolas é muitas vezes de muito má qualidade comparada com a da escola mas a baixo preço, o que torna maior o desafio (colocado a toda a comunidade educativa, encarregados de educação incluídos).

A dissertação académica pode ser consultada aqui. Um trabalho para refletir e agir !

Imagem retirada de Dominic Morel

 

 

 

 

Más notas na escola? A solução pode estar na alimentação

Outubro 16, 2015 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 30 de setembro de 2015.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

A Western Dietary Pattern Is Associated with Poor Academic Performance in Australian Adolescents

Scott Barbour Getty Images

Um estudo científico sugere que os adolescentes com uma alimentação tipicamente ocidental (rica em carnes vermelhas, açúcares e gorduras) têm tendência a ter um desempenho escolar mais fraco.

Marta Gonçalves

Alguma vez pensou que as más notas do seu filho podem estar associadas à alimentação? Pois a solução para um melhor desempenho escolar pode estar no prato. Um estudo divulgado recentemente pela a revista “Nature”, identificou que os adolescentes que ingerem regularmente carnes vermelhas e alimentos ricos em açúcar e gorduras têm um “pobre desempenho académico”.

“Identificámos a dieta ocidental como um fator de risco para um pobre desempenho académico durante a adolescência, um período sensível para o cérebro e uma fase da vida vulnerável no que diz respeito à nutrição”, lê-se nas conclusões do estudo. A dieta ocidental (que de dieta, no sentido mais comum da palavra, não tem nada) é rica em carnes vermelhas, doces, comida com muita gordura, farinhas, bebidas com açúcar e carnes processadas.

Em média, os resultados a matemática, escrita e leitura dos jovens que seguem a dieta ocidental são 7% inferiores aos resultados obtidos pelos adolescentes cuja alimentação é à base de vegetais e cereais integrais. É durante os anos da adolescência que o cérebro atravessa uma fase crítica de alterações e a comida saturada e pobre em nutrientes dificulta esse desenvolvimento.

A investigação teve lugar na Austrália. Ao longo do último ano, os cientistas falaram com centenas de jovens até aos 14 anos, no âmbito do Western Australian Raine Study, um estudo de larga escala sobre gravidez, infância, adolescência e começo da vida adulta. E inclui análises na área da saúde cardiovascular, desenvolvimento muscular, nutrição, sono, saúde mental, etc.

Este estudo australiano, assinado por Anett Nyaradi, Jianghong Li, Siobhan Hickling, Jonathan K. Foster, Angela Jacques, Gina L. Ambrosini e Wendy H. Oddy, não é o primeiro a relacionar a alimentação com o desempenho académico. Em 2008, um estudo canadiano comprovou que comer frutas e vegetais faz com que os jovens alcancem melhores resultados. Mais recentemente, em 2010, uma investigação sueca e islandesa apoiou essa conclusão.

 

 

 

 

 

Desigualdade à hora do jantar

Outubro 2, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Reportagem da Visão de 18 de setembro de 2015.

Nunca foi tão clara a associação entre o que se come e o estatuto social. Em Portugal há um milhão de obesos e 31,6% de crianças com peso a mais, que vivem sobretudo no campo e pertencem a famílias desfavorecidas. Paradoxalmente, a pobreza obriga a alargar o cinto

Sónia Calheiros (texto) e José Carlos Carvalho (fotos) – artigo publicado na VISÃO 1175, de 10 de setembro

Rita Quintela não dá ponto sem nó. Todas as sextas-feiras gasta parte da hora de almoço a elaborar a ementa da semana. Antes, consulta os menus escolares dos quatro filhos de modo a variar entre a carne, o peixe, os ovos e os vegetais. O que nunca muda é a sopa no início e a fruta no fim das refeições, tal como recomenda a Organização Mundial de Saúde: ingestão diária de, pelo menos, 400 gramas de frutas e hortícolas. Segue-se a consulta dos sites e blogues especializados em cupões de descontos. As compras quinzenais feitas online evitam tentações de campanhas desnecessárias ou produtos apelativos. “Com um orçamento mensal para seis pessoas resvés aos dois mil euros esta gestão financeira ajuda-me a ter uma alimentação saudável”, explica enquanto prepara uma lasanha de carne para o jantar. Tenta que nenhuma refeição exceda um euro por cabeça. No final, contas feitas, o tabuleiro de lasanha para seis fica pronto por 3,50 euros.

Legenda: (de cima para baixo) - Família Furtado Rendimento mensal: €700. Na ementa de Isabel, jardineira e guisados alternam com massas e fritos. Os filhos não dispensam os refrigerantes; Família Quintela Rendimento mensal: €2 000. Rita fez um tabuleiro de lasanha por 3,50 euros. Todas as refeições começam com sopa e terminam com fruta; Família Marques Rendimento mensal: > €2 000. Sara cozinhou salmão de aquacultura sustentável no forno com bulgur e salada biológicos

Legenda: (de cima para baixo) – Família Furtado Rendimento mensal: €700. Na ementa de Isabel, jardineira e guisados alternam com massas e fritos. Os filhos não dispensam os refrigerantes; Família Quintela Rendimento mensal: €2 000. Rita fez um tabuleiro de lasanha por 3,50 euros. Todas as refeições começam com sopa e terminam com fruta; Família Marques Rendimento mensal: > €2 000. Sara cozinhou salmão de aquacultura sustentável no forno com bulgur e salada biológicos

É ao domingo, a partir das seis da tarde, que forno e fogão começam a aquecer. Metódica, Rita vai para a cozinha alinhavar o que lhe há de facilitar a confeção das refeições durante a semana. Por seis euros compra três quilos de carne de porco da mais barata e junta-lhe 200 gramas de soja hidratada, cenoura, molho de tomate e um refogado feito com azeite, cebola e alho. “Usar a soja como proteína saudável faz reduzir o consumo de carne”, argumenta. Depois da carne cozinhada divide em seis porções, deixando metade a uso no frigorífico e congelando a outra metade. Nessa noite ainda faz uma das quatro panelas de sopa semanais com legumes vindos da horta de um tio (outra forma de poupar), e um bolo, se tiver tempo, pois lá em casa não entram sobremesas prontas. Costuma fazer comidas de tacho e não abdica das refeições vegetarianas – ora ratatouille ora cuscuz e tofu com legumes salteados. Apesar da variedade, as quatro crianças da família Quintela nunca devem ter comido linguado. “O peixe continua a ser um alimento caro e dentro do meu orçamento só cabem tentáculos de lulas, pescada congelada, filetes para fazer no forno e pastéis de bacalhau”, enumera. Todos os truques que usa para esticar o orçamento foram partilhados, durante alguns anos, no site Mãe Galinha, a que se seguiu o blogue “O Que É o Comer”, por agora em banho-maria.

Este poderá ser o típico exemplo da família de classe média que desde o início da crise, em 2008, tem vindo a apertar o cinto e a fazer cada vez mais ajustes alimentares, procurando não ceder aos alimentos processados e às comidas prontas – quase sempre mais baratas mas cheias de gordura e açúcar

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Legenda (da esquerda para a direita): Família Furtado A sobremesa de maçã do Banco Alimentar partilha o espaço com frango, sopa de lombardo, refrigerantes e margarina; Família Quintela É ao domingo que se prepara a maior parte das refeições da semana. Depois é só escolher uma caixa no frigorífico e aquecer. A sopa nunca falta; Família Marques De forma exímia cada prateleira é dedicada a um grupo de alimentos, na sua maioria biológicos, orgânicos, caseiros, livres de gorduras e açúcar

Nunca se gastou tão pouco com a alimentação. Segundo o Inquérito às Despesas Familiares, do INE, em 1995 os portugueses gastavam 21,5% do seu orçamento em alimentação, valor que baixou para 13,3%, em 2011. Desde o último Inquérito Alimentar Nacional já passaram 35 anos e nesse tempo muitos hábitos se alteraram. Até ao início dos anos 80, o paradigma era os ricos serem gordos. “Nessa altura o peso a mais e a opulência eram fatores sociais diferenciadores, bem vistos pela sociedade”, nota Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Havia a ideia de que as populações com mais capacidade económica, de um modo geral, tinham acesso a produtos mais calóricos. Até que a indústria alimentar começou a produzir calorias baratas. “Com o aumento do número de hipermercados, mudou a forma de consumo. Passou a comprar-se com menos regularidade e isso fez com que os produtos tivessem de ser conservados à custa de dois ingredientes: gordura e açúcar”, explica o nutricionista. Só em 1995 se fala, pela primeira vez, da relação entre o estatuto social e a obesidade. É o pediatra William H. Dietz que afirma que “a fome e a obesidade ocorrem com uma frequência aumentada nas populações pobres”. E isso pode parecer, à primeira vista, estranho, como nota Pedro Graça: “Como é que uma pessoa que não tem dinheiro para comprar comida acaba por engordar?” Os dados hoje são inequívocos, como ficou bem expresso no final do Ciclo de Conferências da Gulbenkian, o Futuro da Alimentação, que aconteceu em 2012: a incidência de obesidade é cinco vezes maior no estrato socioprofissional mais baixo, sobretudo em famílias de maior vulnerabilidade económica, com horários irregulares, trabalhando até muito tarde ou por turnos, desfasados do resto da família. As crianças, estando sozinhas, acabam por fazer escolhas piores, preferindo alimentos muito calóricos, ricos em gorduras e açúcares.

Engordar em frente à tv

Portugal tem a taxa mais elevada de mães trabalhadoras da União Europeia e, segundo um estudo da OCDE, de 2011, é também o país onde os filhos passam menos tempo com os pais (100 minutos/dia, contra os 400 da Irlanda, que lidera a lista). A televisão depressa passa a baby-sitter, o que também aumenta o risco de obesidade e de tensão arterial alta. E quanto menor é o grau de ensino, maior é o valor de obesidade, concluiu-se ainda num estudo sociodemográfico para avaliar a alteração dos valores de obesidade infantil da população portuguesa, de 2002 a 2009, liderado por Cristina Padez, investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Foram inquiridas 17 424 crianças, dos 3 aos 11 anos, de várias regiões do País, e a percentagem que passa mais de duas horas a ver televisão, ultrapassando os limites considerados de referência pela Academia Americana de Pediatria, dá que pensar: 28% de meninos e 26% de meninas, durante a semana. Ao sábado e domingo os valores disparam para 75 e 74 por cento. “Ver televisão tem maior impacto no excesso de peso pois as crianças ingerem comida menos saudável, ao contrário de quando usam o computador ou jogos eletrónicos, que exigem mais concentração e interação”, explica a investigadora Cristina Padez. Quarenta por cento destas crianças permanecerão obesas na idade adulta. As que conseguirem estabilizar o peso terão, ainda assim, maior risco de doenças cardiovasculares.

No mesmo sentido vai o estudo publicado por Elisabete Ramos, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, na revista científica Nutrition, onde se comprova que o sedentarismo tem efeito nas escolhas alimentares dos jovens. Dos 1 436 participantes com 13 anos, 52% gasta, em média, mais de duas horas por dia a ver televisão, ficando mais propensos a consumir alimentos com altos teores de gordura e de açúcar, em detrimento de frutas e de hortícolas

O cenário não melhora na adolescência, apesar de os jovens ganharem autonomia para praticarem exercício fora de casa e depois das aulas. O problema é mais acentuado no meio rural, onde vivem os rapazes e as raparigas entre os 13 e os 16 anos que menos se mexem. Apesar dos espaços em liberdade, durante o ano letivo os miúdos dos meios rurais passam mais tempo a ver televisão do que os das cidades, que têm uma maior oferta de atividades extra curriculares, como o desporto ou a música, concluiu um estudo da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra que, entre 2007 e 2012, analisou o comportamento de 500 adolescentes da região Centro (Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Leiria e Viseu). No campo, a média semanal nos rapazes é de 3 horas e 24 minutos em frente à televisão, enquanto os da cidade estão 2 horas e 48 minutos. Nas raparigas, o valor desce para 2 horas e 48 minutos e 2 horas e 24 minutos, respetivamente.

“Os de 15 e 16 anos são menos ativos do que os de 13 e 14. Há um decréscimo da atividade ao longo da adolescência, mais visível nas raparigas, que nestas idades privilegiam o convívio social em detrimento do exercício físico. Os rapazes têm sempre um campo de brita para jogar à bola”, diz  o autor do estudo, Aristides Machado-Rodrigues. “Quem mora em zonas seguras, bem iluminadas, perto de jardins com sombras e bebedouros, com bons acessos propícios para se deslocarem a pé, tem um comportamento mais ativo. Além da escola, também as famílias, as autarquias e outros agentes sociais devem organizar e promover hábitos de exercício físico entre os jovens.”

Sopa, mas só às vezes

No frigorífico de Isabel Furtado, 54 anos, há sopa de lombardo, mas depois de andar desde manhã na rua a jogar à bola, o seu neto Max prefere, às cinco da tarde, almoçar restos de frango assado e comer depois um gelado cheio de corantes e açúcar. Falta uma hora e meia para o rapaz de 14 anos ir jantar e encher três vezes o prato com frango guisado e esparguete. Enquanto o ano letivo não começa é ainda mais difícil impor-lhe regras e horários, queixa-se Isabel, que sai de casa às sete da manhã e até regressar, à uma e meia da tarde, não consegue controlar quem já almoçou nem o que comeu.

Só ao fim de semana é que consegue juntar à mesa os sete inquilinos da casa alugada há 24 anos no bairro Sá Carneiro, em Caxias (o casal com os três filhos de 27, 23 e 18 anos, e dois netos de 14 e 5 anos).

Com o marido desempregado há mais de dois anos e sem receber subsídio de desemprego desde maio, Isabel tem cerca de 700 euros mensais para gerir, arrecadados entre os 460 euros que traz para casa das limpezas, mais uns pozinhos de dois filhos. O baixo rendimento familiar faz com que precisem de apoio social. Uma vez por mês, recolhem os cabazes do Banco Alimentar, um de secos, outro de frescos. Nunca fez contas ao que gasta todos os meses em alimentação, o que sabe é que consegue “dar conta do recado” e pôr comida na mesa para todos. Como anda sempre atenta às promoções dos supermercados nunca lhe falta proteína no congelador. Nem feijão demolhado, nem rissóis de carne ou panadinhos de salmão, opções mais baratas para as refeições familiares. E o dinheiro ainda estica para refrigerantes e gelados. A matriarca costuma fazer sopa mas reconhece que às vezes tem de deitá-la fora. Os filhos e netos nem sempre querem… e ela não consegue obrigá-los.

Comemos mais do que precisamos

Diz-me o teu peso, dir-te-ei o que comes. O padrão de alimentação saudável recomenda a ingestão diária de 2 000 a 2 500 calorias, consoante se é mulher ou homem, e as proteínas devem ser repartidas entre 40% animal e 60% vegetal. Estes valores são largamente desrespeitados na maioria da população – e nem sempre por questões económicas. Dados da Balança Alimentar Portuguesa (BAP) 2008-2012 revelam que atingimos, em média, 3 963 calorias per capita, um aumento de 2,1% face aos números da BAP 2003-2008. O suficiente para saciar não um mas dois adultos. Desde os anos 1990 que os portugueses têm vindo a afastar-se da combinação saudável, consumindo 62,8% de proteína animal e 37,2% de vegetais.

Mesmo quem está informado cede aos apelos do marketing. “Mais do que identificar o inimigo é preciso criar opções saudáveis e baratas”, refere Pedro Graça. Vivemos numa sociedade obesogénica, um “palavrão” que a OMS usa para falar de um conjunto de alterações que interfere com as escolhas. “Costumo dizer aos meus alunos do 4.º ano de Nutrição, talvez as pessoas que mais sabem do tema em Portugal, que basta marcar-lhes aulas ou um exame entre as 11 e as duas da tarde para desregularem a sua alimentação”, exemplifica o professor

Como Sara Marques dos Santos não trabalha fora de casa, pode dedicar-se à pesquisa e leitura sobre alimentos orgânicos, gastar tempo na ida às compras a diversos supermercados, dar um salto à praça e ao mercado de biológicos, onde por mês gasta perto de 600 euros só em comida para o casal, duas empregadas (uma delas interna) e três filhos com 7, 4 e 1 ano e meio.

O conhecimento existe mas o tempo é fundamental para esta ex-advogada, 39 anos, pôr em prática tudo o que aprendeu no curso online de “health coach”, uma espécie de treinadora de bem-estar, do americano Institute for Integrative Nutrition.

Foi há sete anos, com o nascimento do primeiro filho, que se intensificou a preocupação com o que a família come. “Abria-se um caminho para ingerirmos cada vez menos químicos”, explica. Quico nasceu com paralisia cerebral e Sara viu na alimentação saudável a maneira mais fácil de potenciar a aptidão cognitiva do filho. Anda sempre a pesquisar quais os alimentos que tratam problemas, aumentam capacidades e mudam o estado de espírito. “Sou realmente diferente do tradicional, uso muitos produtos biológicos, cereais integrais, presto mais atenção aos rótulos e à tabela de ingredientes.”

Na casa de Sara e Miguel Marques dos Santos o frigorífico organizado é digno de uma revista de decoração. Nas gavetas inferiores arrumam-se os frescos da estação do Prove, um cabaz semanal com seis quilos que Sara compra por dez euros. Nas prateleiras superiores há pasta de amêndoa (para barrar o pão ou usar em batidos), manteiga clarificada indiana (ghee), hummus (pasta de grão), doces de abóbora e de marmelo feitos com açúcar de coco (o único que entra lá em casa), potes com queijo quark (0% de gordura e fermentos lácteos), puré de fruta e granula caseira feita com cereais, sementes, frutos secos e mel. Um caso sério de sucesso entre os amigos que leva Sara a ponderar a sua venda. Já anda, aliás, a testar embalagens e logótipos – quem sabe não aproveita a imagem do seu blogue “S de Salada”. Para aqueles momentos de fome antes das refeições existem umas “bolinhas energéticas” de amendoim, coco, manteiga de coco, manteiga de amêndoa, levedura de cerveja e tâmaras. Na porta há chocolate preto (70% cacau), iogurtes artesanais, picle caseiro de cenoura, leite de coco, pasta de sésamo, leite caseiro de aveia e espelta. No congelador, os gelados feitos com fruta fresca são “um mimo” para os filhos.

A cada refeição, preocupa-se em servir depois da sopa um prato com proteína, hidratos e vegetais. A fruta vem em sumo ou como sobremesa. Para o jantar, entre frango biológico ou lombo de salmão de aquacultura sustentável optou por fazer no forno o peixe com citrinos e molho de arando, acompanhado de bulgur (um substituto do arroz) e salada. De tudo o que Sara faz a única coisa que Miguel rejeita são os sumos com legumes. Apesar de ter sido atleta de alta competição de ski aquático e de sempre ter tido cuidado com o que comia, o advogado não consegue beber o “sumo do Hulk”, como lhe chama Duarte, de 4 anos. E, de vez em quando, também jantam fora, sem fundamentalismos, e até comem pizza e batatas fritas. Em casa, Miguel gosta de cozinhar massas (o único senão é que a mãe só come as versões integrais). Divergências ultrapassadas com muito sabor – mas também sem a preocupação de olhar para o preço dos melhores produtos, na hora de decidir o que será o jantar.

 

Curso de Actualização Profissional Alimentação Saudável em Idade Escolar

Novembro 11, 2013 às 2:14 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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alimentação

Mais informações Aqui

Portugal – Alimentação Saudável em números – 2013

Outubro 25, 2013 às 1:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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dgs

Descarregar o documento Aqui

O documento contém dados sobre crianças e adolescentes:

2.3. Hábitos alimentares em crianças até aos 36 meses na região Norte pág. 17

2.4. Hábitos alimentares em adolescentes pág. 21

Quase 20% das crianças com 18 meses consomem refrigerantes diariamente

Outubro 25, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 24 de Outubro de 2013.

Por Agência Lusa

No que se refere à distribuição geográfica, as regiões autónomas são as que apresentam prevalências de obesidade maiores no 1.º ciclo

Quase 20% das crianças com um ano e meio da região Norte de Portugal consomem diariamente refrigerantes e 10% comem sobremesas doces também numa base diária, segundo dados de um estudo revelados hoje em Lisboa.

De acordo com o Estudo do Padrão Alimentar e de Crescimento na Infância, que avaliou hábitos das crianças até aos 36 meses, o consumo de sobremesas e doces nos meninos de 18 meses é semanal para 41% das famílias do Norte e diário para 10%.

Quanto aos refrigerantes sem gás, são 18,5% as famílias que dizem que os seus filhos com um ano e meio os bebem diariamente, enquanto 27,4% indicam que o consumo é semanal. Em 12% das famílias, as crianças com 18 meses nunca consumiram estas bebidas.

Pedro Graça, coordenador do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, explicou aos jornalistas que este estudo foi realizado em todo o país, com uma amostra representativa da realidade nacional, mas os resultados globais só serão conhecidos dia 01 de novembro.

Dos números já disponibilizados, relativos à região Norte, a conclusão nas crianças em idade mais jovem é a de que “o bom e o mau na alimentação” surgem muito associados.

A par do elevado consumo de refrigerantes e doces em idades precoces, regista-se uma “prática muito positiva” de consumo generalizado de sopa e fruta a partir dos seis meses de idade.

Assim, mais de 90% das crianças começaram a comer sopa e fruta diariamente a partir dos seis meses, refere o estudo.

Na apresentação do relatório “Alimentação Saudável em Números” , feita hoje pela Direção-Geral da Saúde, foram ainda incluídos dados de outro estudo que analisou hábitos alimentares em adolescentes entre os 6.º e o 10.º ano de escolaridade.

Concluiu-se que “quando [os jovens] começam a ficar mais independentes, há uma redução de práticas alimentares que os protegiam”, como se vê na redução do pequeno-almoço, refeição considerada essencial para os nutricionistas.

No 6.ºano eram 3,7% os jovens que nunca tomavam o pequeno-almoço, número que no 10.º ano subiu para os quase nove por cento.

Em relação às crianças do primeiro ciclo, o documento da DGS aponta para uma “aparente estabilização” do número de meninos com obesidade e excesso de peso.

De 2008 para 2010, passou-se de uma percentagem de 15,3% para 14,6% de obesos e de uma taxa de 37,9% para 35,6% de excesso de peso em crianças dos seis aos nove anos.

“Os números elevados são preocupantes, mas com uma aparente estabilização neste grupo etário, talvez fruto do trabalho que se realizou nesta área”, concluiu Pedro Graça, coordenador do Programa Nacional.

No que se refere à distribuição geográfica, as regiões autónomas são as que apresentam prevalências de obesidade maiores no 1.º ciclo, com valores de 22% nos Açores e de 16% na Madeira.

Na situação oposta surge o Algarve, que apresenta os mais baixos indicadores do país, com apenas 8,7% de obesidade e 10,7% de excesso de peso.

Pedro Graça apresenta como possível justificação para o sucesso no Algarve a “estratégia consolidada de combate à obesidade” que tem sido seguida na região nos últimos 20 anos.

Segundo o documento, a obesidade afeta cerca de um milhão de adultos em Portugal.

Tal como acontece noutros países, são os grupos socialmente mais vulneráveis que parecem estar mais expostos a situações de risco nutricional, o que leva os especialistas a acreditarem que são necessários materiais de comunicação e educação para grupos com menores níveis de literacia.

“O impacto crescente que as pessoas obesas começam a ter nos serviços de saúde, mesmo sub-reportados, demonstra a necessidade de se atuar cada vez mais cedo”, indica a DGS.

Outra conclusão do relatório é a de que há uma maior necessidade de apoio alimentar e nutricional por parte dos serviços de saúde à população mais idosa.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico

Quero maçã, agora, pai! Vídeo

Março 18, 2013 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do site Stop Cancer Portugal de 23 de Novembro de 2012.

Quando as crianças são educadas para terem comportamentos saudáveis, como por exemplo comer fruta, criam-se hábitos que perduram uma vida inteira.

O padrão de preferências e consumo de fruta e vegetais desenvolve-se nas crianças em idades precoces, pela influência direta dos pais, segundo a evidência científica.

Se os pais compreendem a importância do consumo diário de fruta e vegetais na promoção da saúde, expõem mais facilmente os seus filhos a experiências alimentares positivas. Haverá, por parte das crianças, maior aceitação e uma ingestão adequada destes alimentos.

Veja como a Ana Paula, uma criança de 3 anos, dá conselhos muito simples sobre a importância de comer fruta.

Referências: Haire-Joshu D, Elliott MB, Caito NM, Hessler K, Nanney MS, Hale N, Boehmer TK,Kreuter M, Brownson RC. High 5 for Kids: the impact of a home visiting program on fruit and vegetable intake of parents and
their preschool children. Prev Med.2008 Jul;47(1):77-82.

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