Medo de contagiar os avós foi preocupação das crianças na pandemia – Notícia do JN sobre um estudo do IAC

Agosto 3, 2020 às 7:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 26 de julho de 2020.

Deixar ou não os filhos com os avós nas férias de verão? A decisão natural que passou a ser um dilema

Julho 23, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 16 de julho de 2020.

Catarina Pires

As férias grandes, cortesia do verão, três meses inteirinhos, o triplo daquelas a que os pais têm direito, neste ano estão ensombradas pela pandemia de covid-19, que até o tempo com os avós, que devia ser considerado património imaterial da infância em particular e da humanidade em geral, põe em causa. Falámos com um pai, uma mãe e um pediatra.

Todos os anos, as férias de verão dos miúdos são um quebra-cabeças para os pais, reduzidos a míseros 22 dias úteis das ditas. Mas quando existem avós, e felizmente existem durante cada vez mais tempo, o quebra-cabeças é mais fácil de resolver.

Se, durante o ano, são um apoio fundamental, como revelava o estudo “A prestação de cuidados pelos avós na Europa”, da Fundação Calouste Gulbenkian, apontando Portugal como um dos países em que os avós mais cuidam, diariamente, dos netos, nas férias são a grande solução.

No entanto, este ano, a solução tornou-se um problema para muitas famílias que, desde que a pandemia começou, veem a mensagem repetida até à exaustão: os mais velhos são mais vulneráveis à covid-19 e o contacto entre avós e netos deve ser evitado e rodeado das maiores precauções. Tornou-se pois inevitável pensar duas vezes, ou mais, antes de tomar a decisão de lhes deixar as crianças a cargo.

Luís Milhano, que vive em Almada e tem três filhas, de 14, 11 e quatro anos, que costumavam passar dois meses com os avós maternos em São Martinho do Porto, onde estes têm casa, decidiu alternar as férias com a mulher para poderem ficar o máximo de tempo possível com as filhas e assim salvaguardar os sogros/pais.

“Entendemos que, não havendo vacina e tendo em conta a nossa forma de estar que é muito abraços e beijinhos com os avós, teríamos que arranjar uma alternativa quando começassem as fériasde forma a que as miúdas não fossem para os avós, por muito que nos custasse a todos”, diz Luís Milhano.

Apesar de ambos terem estado em teletrabalho até junho e neste momento estarem em regime misto (parte da semana presencial e parte à distância, também alternados) e as filhas terem estado as três sempre em casa, com a escola virtual, as duas mais velhas, e o “Canal Panda e o Zig Zag, a mais nova”, Luís e a mulher decidiram não arriscar.

“Entendemos que, não havendo vacina e tendo em conta a nossa forma de estar que é muito abraços e beijinhos com os avós, com os tios, com os primos, teríamos que arranjar uma alternativa quando começassem as férias, entre mim e a minha mulher, de maneira a que as miúdas não fossem para os avós, por muito que nos custasse, a nós, a elas e aos meus sogros, por uma questão de prevenção”, diz.

Tanto os sogros como os pais de Luís, que antes da pandemia eram o apoio diário das netas, para dar o almoço e ir buscar à escola, sentem-lhes a falta, mas compreendem a decisão. “É difícil porque os netos acabam por ser uma alegria, uma forma de se manterem ativos e de compensarem a solidão, mas neste momento é preciso salvaguardá-los. Apesar de termos muito cuidado, saímos para ir às compras e ir trabalhar e o risco é real”, diz Luís.

“Para os meus pais está a ser ótimo, o facto de estarem com o neto torna-os mais ativos e acho que em momento algum sentiram receio, porque sabiam dos cuidados que tivemos sempre a nível familiar e em casa”, diz Patrícia, que vive em Lisboa, e espera que o filho aguente um mês inteiro longe.

Patrícia Coelho está ciente dos riscos, mas ela e o marido fizeram uma escolha diferente. O filho, de oito anos, que, “desde pequenino”, passa 15 dias no Algarve, onde vivem os avós maternos, este ano ficará um mês.

“Em alturas normais, recorremos a campos de férias ou a outros programas e atividades de tempos livres, mas este ano, além de as ofertas serem poucas, não nos ofereciam muita confiança e, portanto, o que decidimos foi que passasse mais tempo com os meus pais.”

Em confinamento desde o início de março, com a escola à distância, sem contacto com os amigos e com os pais em teletrabalho, Rodrigo, na opinião de Patrícia e do marido, não constituía risco para os avós. “Não saíamos de casa e, se era necessário ir à rua, tínhamos imensos cuidados, quando chegávamos tirávamos a roupa e os sapatos e tomávamos banho, portanto, a probabilidade de contágio era mínima. Além disso, para os meus pais está a ser ótimo, o facto de estarem com o neto torna-os mais ativos e acho que em momento algum sentiram receio, porque sabiam dos cuidados que tivemos sempre a nível familiar e em casa”, diz Patrícia, que vive em Lisboa, e espera que o filho aguente um mês inteiro longe.

“Para ele também é sempre uma experiência fantástica, mas este ano o que notamos é que sente a falta da liberdade dos outros anos e de estar com outras crianças. Os meus pais são muito rigorosos com esta situação da covid e não há esplanada nem passeios à noite, não está com os amigos, só vai à praia de manhã e uma que garanta o distanciamento social e portanto há menos diversão, apesar de os meus pais serem muito ativos e brincarem muito com ele. Vamos ver.”

“Se a criança não está na escola, não está num contexto infeccioso significativo e está só com os avós não me parece que exista um risco grande”, diz o pediatra Hugo de Castro Faria.

Na consulta do pediatra Hugo de Castro Faria, da CUF Descobertas, tem sido muito frequente a questão do contacto entre as crianças e os avós, no contexto atual de pandemia e para o especialista não existe uma resposta simples e direta, existem é vários fatores a ter em consideração.

Por um lado, é preciso ter em conta o papel fundamental que os avós têm no crescimento, no desenvolvimento afetivo e psicológico e na educação das crianças e na importância que estas têm para a felicidade e bem-estar dos avós, “que são figuras de referência muito importantes pelo que significam em termos de experiência de vida e pela disponibilidade que têm para lhes dar tempo de qualidade. Este é um valor que não podemos esquecer nesta fase, em que obviamente a grande preocupação é proteger os chamados grupos de risco para infeção mais grave pelo coronavírus, em que muitos avós estão incluídos e isso também tem que ser tido em conta”, diz o médico.

Daí que, para Hugo de Castro Faria, seja essencial avaliar cada situação em particular. “Se os avós têm risco acrescido pela idade e por comorbilidades que possam existir, é importante que se aconselhem junto dos médicos assistentes.”

“As crianças fazerem uma quarentena antres de irem para os avós foi a solução que, segundo percebo, muitos pais encontraram”, diz Hugo Faria.

Outra questão importante para o médico é se a criança vai ficar com os avós em substituição da escola ou se está em contexto de creche ou ATL e só ao fim do dia fica com os avós. “Se a criança não está na escola, não está num contexto infeccioso significativo e está só com os avós não me parece que exista um risco grande. Em relação àquelas que depois do confinamento voltaram à creche, ao infantário ou ao ATL e estiveram em contacto com outras pessoas, é prudente que se mantenham afastadas durante um período.”

Fazerem uma espécie de quarentena antes de irem para os avós? “Exatamente. É aquilo que, segundo percebo, muitos pais têm decidido fazer antes do período de férias. Agora se a criança está só com os avós, o risco é semelhante à vida normal destes sem ela e por isso pode e deve ser fomentada a estadia com os avós, desde que considerados os riscos individuais que referi.”

Quaisquer que sejam as circunstâncias, estando as crianças com os avós, é fundamental que não se descurem os cuidados para prevenir o contágio, dentro e fora de casa: evitar locais com muita gente, manter o distanciamento, lavar frequentemente as mãos, usar máscara em locais públicos fechados, respeitar a etiqueta respiratória.

Jovens, a covid “não é uma constipação” e é preciso pensar nos avós

Junho 6, 2020 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 29 de maio de 2020.

Rita Rato Nunes

Diretora-geral da Saúde fala numa “tendência para aliviar o comportamento” de proteção contra a covid-19, por parte dos mais novos. Nas últimas três semanas, os números de novos contágios entre os jovens subiu ligeiramente.

Prestes a entrar na terceira fase de deconfinamento (marcada para a próxima segunda-feira 1 de junho), os jovens voltaram a estar no centro dos apelos das autoridades de saúde e do Presidente da República. Podem não sentir com tanta intensidade a doença como os mais velhos, mas a covid “não é uma constipação”, alerta a diretora-geral da Saúde, e é preciso pensar nos mais velhos e pessoas de risco que estão à volta.

“Há de facto uma tendência para aliviar o comportamento”, disse, em conferência de imprensa, Graça Freitas, referindo-se aos mais novos. Os números atualizados no boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS), das últimas três semanas (entre 8 e 29 de maio), mostram um crescimento ligeiramente superior na taxa de novas infeções nas faixas etárias mais jovens.

Neste período, a taxa de crescimento foi maior entre as crianças (dos 0 aos 9 anos e dos 10 aos 19 anos) e depois nos jovens entre os 20 e os 29 anos. Na primeira quinzena do mês, os novos casos entre estes jovens passaram de 3270 para 3627 (um aumento de 10,9%) e esta semana estão nos 4178 (subida de 15,2%).

Perante isto, a responsável pela DGS relembra que “esta doença não é uma constipação. Mesmo que tenham a doença na forma ligeira podem transmitir o vírus a grupos de risco e a familiares mais velhos”, interpela diretamente os jovens. Graça Freitas refere ainda que foi notado um aumento dos ajuntamentos entre os mais novos na região da Grande Lisboa – a mais afetada pela pandemia, neste momento. Esta sexta-feira, a zona de Lisboa e Vale do Tejo registou 97% dos 350 casos de covid-19 notificados nas últimas 24 horas.

Horas antes, durante uma entrevista à rádio renascença, o Presidente da República fazia o mesmo apelo. Marcelo Recebo de Sousa pediu aos mais novos para pensarem que “têm avós, têm pais e têm tios” e comportarem-se tendo em conta “o risco social dos outros”.

Recuperando o essencial, Graça Freitas, relembrou: é preciso evitar o contacto próximo, utilizar máscara e respeitar as medidas de higiene e etiqueta respiratória. Depois, o discurso endurece. “Não se podem tolerar comportamentos que ponham em risco a saúde pública. Depende de nós e do nosso comportamento interromper cadeias de transmissão”, afirmou.

13% do total de infetados são jovens

Atualmente, o boletim da DGS dá conta de 4178 casos de infeção pelo novo coronavírus em jovens entre os 20 e os 29 anos, desde o início da pandemia. O que representa 13% do total de infetados (31 946). A nível de óbitos, existe apenas registo de um caso de um jovem de 29 anos, que tinha outras patologias associadas. A morte de um jovem de 14 anos também chegou a ser referenciada como consequência do novo coronavírus, mas a autópsia afastou essa possibilidade.

Os dados globais da pandemia apontam no mesmo sentido. Indicam que o risco de ocorrer uma morte por covid-19 é tanto maior quanto mais elevada for a idade. Até aos 9 anos a incidência é nula, entre os 10 e os 39 anos atinge a taxa dos 0,2%, segundo os números mais recentes do surto do novo coronavírus, tendo como base informação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China (CCDC).

No entanto, estes número não devem servir de desculpa para o incumprimento dos conselhos divulgados pelas autoridades de saúde. No final do mês de março, numa mensagem dedicada aos mais novos, o diretor da Organização Mundial da Saúde lembrava isso mesmo. “Vocês não são invencíveis. Este vírus pode prender-vos durante semanas a uma cama de hospital ou mesmo matar-vos. E, mesmo que não fiquem doentes, as vossas escolhas sobre o que fazem e onde vão podem significar a diferença entre a vida e a morte para outras pessoas”, disse Tedros Ghebreyesus, congratulando-se depois com o facto de muitos jovens “estarem a passar a palavra e não o vírus”.

Um avô que faz todos os dias desenhos para os netos

Dezembro 17, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://p3.publico.pt/ de 5 de dezembro de 2016.

chanjae-lee

autoria Andreia Cunha

Natural da Coreia e residente no Brasil, Chanjae Lee, reformado de 75 anos, tinha até há pouco tempo uma única tarefa diária: levar os netos à escola. Um dia, Arthur e Allan regressaram à Coreia com os pais e o avô ficou sem nada para fazer. Os dias eram passados a ver televisão coreana. A família ficou preocupada e decidiu ajudar Chanjae a encontrar uma nova actividade. Ji Lee, um dos filhos, lembrou-se do tempo em que o pai costumava fazer desenhos para as crianças. A ideia era convencê-lo de que podia voltar a desenhar e depois partilhar as fotos no Instagram. O pai odiou a ideia e nem sequer sabia o que era esta rede social (nem um e-mail ou o Google). A mulher, por outro lado, é muito curiosa. Com 75 anos usa Gmail, Google, Facebook e Instagram. Ela e o filho uniram-se. Depois de algumas tentativas falhadas, Chanjae recomeçou um passatempo antigo. Os desenhos são para os três netos. De repente, passou de “velho mal-humorado” a ilustrador das aventuras de Arthur, Allan e Astro e a um sucesso do Instagram – como mostra o vídeo que o filho partilhou. Ensiná-lo a usar esta rede social não foi fácil, mas ele aprendeu (lentamente). Desde perspectivas de Nova Iorque a um retrato da mulher, de um desenho dos netos a tomar banho até ilustrações dos brinquedos que Arthur e Allan deixaram no Brasil. Tudo é partilhado na página @drawings_for_my_grandchildren (desenhos para os meus netos). Animais e plantas são outros dos temas preferidos, bem como as tradições e os locais da Coreia, desenhados com diferentes técnicas e estilos. Chanjae faz um desenho por dia e já tem centenas de ilustrações no Instagram. Mas não está sozinho no projecto. A avó é a responsável pelas histórias que acompanham os desenhos do avô e que encantam os netos. Os filhos traduzem cada uma para inglês e português. O projecto tornou ainda mais unida uma família que está em diferentes cantos do mundo. O sucesso foi tanto que até surgiu a ideia de expor e vender os desenhos para financiar as viagens de visita aos netos. Entretanto, “o Astro começou a correr e o Arthur e o Allan já não são pequenos rapazes”. Chanjae não mudou muito – “continua um velho mal-humorado” –, mas tornou-se um especialista do Instagram.

 

 

InfoCEDI n.º 52 Sobre Relação Intergeracional entre Avós e Netos

Junho 3, 2014 às 12:40 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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info

Já está disponível para consulta e download o nosso InfoCEDI n.º 52. Esta é uma compilação abrangente e actualizada de dissertações, estudos, citações e endereços de sites sobre Relação Intergeracional entre Avós e Netos.

Todos os documentos apresentados estão disponíveis on-line e pode aceder a eles directamente do InfoCEDI, Aqui

Avós e netos podem proteger a saúde mental uns dos outros

Agosto 26, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site Ciência Online de 12 de Agosto de 2013.

Mais informações sobre o estudo:

Strong grandparent-adult grandchild relationships reduce depression for both

Avós e netos desempenham papéis importantes na saúde de cada um, segundo um novo estudo. O estudo de duas décadas descobriu que a qualidade das relações entre as duas gerações tem consequências mensuráveis ​​sobre o bem-estar mental de ambos.

Os pesquisadores analisaram 376 avós e 340 netos, e seguiram a sua saúde mental entre 1985 e 2004. Eles descobriram que tanto os avós como os netos adultos que se sentiam emocionalmente perto da outra geração tinham menos sintomas de depressão.

“Membros da família, como avós e netos, têm funções importantes nas vidas diárias de cada um durante a vida adulta”, disse a pesquisadora Sara Moorman, professors de sociologia na Boston College, EUA.

As relações entre os membros da família podem ser mais importante hoje do que no passado, disseram os pesquisadores. Como a expectativa de vida está a aumentar, as gerações co-existem sem precedentes para longos períodos de tempo, e eles podem ser fontes de apoio, ou de tensão, através de vida das pessoas, disseram os pesquisadores.

Para o estudo, que foi apresentado hoje (12 de agosto), na Reunião Anual da American Sociological Association, em Nova York, os participantes preencheram pesquisas a cada poucos anos, respondendo a perguntas. Os participantes também relataram quantas vezes sentiam sintomas de depressão, como tristeza e falta de apetite.

Os resultados mostraram que, além dos efeitos de saúde mental positivos de ter uma relação emocionalmente próxima, é importante para os avós serem capazes de retribuir a ajuda que recebem dos seus netos, de acordo com os pesquisadores.

Os resultados também mostraram que é importante para os netos ajudarem os seus avós a permanecerem independentes, e manter uma relação de apoio, a fim de afastar os efeitos negativos do envelhecimento sobre o bem-estar mental e emocional dos idosos.

Quando o divórcio dos pais separa avós e netos

Setembro 15, 2012 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 19 de Agosto de 2012.

Por Maria João Lopes

Fernanda, de 65 anos, tem uma neta de seis anos que nunca viu. O filho e a mulher divorciaram-se e ela não chegou a conhecer a mais nova de três netos. Teresa, de 73 anos, tem uma neta adolescente que se esforçou por ir vendo, mas as dificuldades que enfrentou foram tantas que hoje sente que a adolescente a vê como uma estranha. Ivone, de 62 anos, perdeu um filho e, depois da morte dele, foi cada vez mais complicado estar com os netos. Hoje vivem no estrangeiro com a mãe e há mais de um ano que Ivone nada sabe deles.

Uma das consequências mais silenciosas dos divórcios em que os pais não se entendem é o afastamento entre as crianças e os avós de um dos lados da família. Para além dos divórcios, há casos em que a morte de um dos cônjuges também pode conduzir a essa separação.

“Os meus netos cresceram longe de mim”, diz Fernanda, uma antiga empregada de escritório agora reformada. Hoje, após o divórcio dos pais das crianças, vê o neto mais velho e a do meio de 15 em 15 dias. A mais nova nunca a viu: “Tem agora seis anos, não a conheço”, lamenta.

A relação, marcada pelos desentendimentos entre os pais das crianças, com sucessivas idas a tribunal, não ajudou na criação de laços: entre os 17 meses e os oito anos do neto mais velho, Fernanda nunca o viu. A neta do meio, que Fernanda só conheceu quando ela tinha sete anos, nem lhe chama avó, apenas “a mãe do pai”. “Nunca me abraçam com ternura”, admite.

Alguns avós nesta situação contactados pelo PÚBLICO não quiseram dar um testemunho. Dizem-se cansados e arrasados psicologicamente. Alegam que estão fartos de lutas, de idas a tribunal, que já não lhes apetece repetir até à exaustão as mesmas histórias. Alguns desistem. Outros não baixam os braços e socorrem-se de advogados ou contactam associações. Mas o sentimento de desânimo é frequente. Alguns falam numa “catástrofe” que lhes aconteceu e “dá cabo” deles.

“O meu filho e a minha nora separaram-se seis meses depois de a menina nascer, embora o divórcio só ficasse oficializado dois anos depois. Eles não se entendem. Andam sempre em tribunal. E eu estou cansada e triste”, admite Teresa.

Apesar de cada testemunho ter contornos próprios, em comum têm inúmeros episódios familiares conturbados: pais que não se entendem, acusações mútuas, sogros, genros e noras que se defendem como podem. Fernanda admite que é difícil, mesmo para os avós, lidar com um divórcio em que os pais ficam de costas voltadas. Mas ressalva: “As crianças não têm de ser penalizadas porque os adultos não se entendem, porque fazem mal uns aos outros, porque simplesmente não gostam uns dos outros”.

Justiça lenta

O caso de Ivone, também empregada de escritório reformada, é diferente. O filho morreu e, a partir de então, começou a ver cada vez menos os netos. Já recorreu a psicólogos para os desabafos e a advogados para as questões jurídicas. Apesar de já quase não acreditar em nada nem ninguém, mantém viva uma pequena esperança de voltar a ver os netos, que foram viver para o estrangeiro com a mãe. Ivone nem sabe exactamente onde – há um ano que não tem notícias deles: “Sinto-me revoltada, impotente. Revoltada com a sociedade, com os tribunais… Mas não perdi a esperança de ver os meus netos”, diz.

Fernanda, por exemplo, explica que a sua situação era dificultada pelo facto de tanto ela como o filho trabalharem numa empresa na qual o sogro pertencia ao conselho de administração: “Tive sempre medo de falar”, justifica.

Apesar de defender que a mãe das crianças “não tem o direito” de lhe “tirar” os netos, limita-se a aguardar que os pais consigam chegar a consensos e tudo se componha: “Os pais andam sempre em tribunal, mas eu tenho esperança que tudo se resolva pelo melhor um dia. Sei que há uma lei que protege os avós, mas nunca me quis meter nisso. Tive receio de prejudicar a relação dos pais, que fosse mau também para as crianças, e tinha medo que eu e o meu filho perdêssemos o trabalho”.

Ivone, que contratou um advogado, queixa-se da morosidade do tribunal. Já tentou de tudo. Antes de os netos irem viver para o estrangeiro com a mãe, ligava-lhe, aparecia em casa dela, esperava pelas crianças à porta do infantário e chegou mesmo a contratar uma empresa para lhes ir entregar prendas de aniversário a casa… Hoje não sabe mais o que fazer: “Só queria saber onde é que eles estão. O meu advogado diz que o processo está a andar no tribunal, que tenho de esperar. O que eu sei é que não tenho respostas”, resume.O que lhe vale, diz, é que tem uma neta de 17 meses de outra filha que ajuda a criar. “Dou três beijos à minha neta, ela não percebe porquê, mas é um beijo por cada neto. Tenho saudades dos outros dois. Não há palavras para exprimir a angústia que é estar longe deles. Aquelas crianças não podem ser felizes sem os avós, sem a família paterna. É muito complicado”, desabafa.

Ouve-se a mesma mágoa na voz de Fernanda: “Só eu sei como é sentirmo-nos a morrer aos bocados. Havia vezes em que chorava quando passava por uma loja de bebés, quando via um anúncio com crianças na televisão. Era uma dor. Depois, quando conseguia ver os meus netos, também chorava, chorava, chorava. Sei que não é muito pedagógico chorar em frente deles, mas às vezes não aguentava”, reconhece.

Teresa conta que a primeira decisão do tribunal autorizou o pai e os avós paternos a ver a criança aos sábados, em casa da mãe, entre as 11h e as 18h: “O meu marido [avô], que morreu entretanto, nunca subia. Não conseguia. Eu ia sempre. Queria ver a minha neta”, afirma.

Quando, mais tarde, o pai da menina arranjou trabalho longe de casa e ela deixou de poder ver a neta todos os fins-de-semana, Teresa, que não conduz, continuou a não falhar uma visita. Metia-se no autocarro e ia ver a criança, que vivia a 60 quilómetros: “Ia sozinha, mas ia”. Quando tinha 15 meses, o tribunal entendeu que a criança podia ir a casa dos avós, de 15 em 15 dias: “E nós também podíamos ir ao colégio vê-la quando quiséssemos”, conta ainda.

Dar e não dar tudo

Porém, apesar deste contacto regular, Teresa diz que viveram sempre numa “paz podre” que nunca lhe deixou dar à neta o amor que queria: “Penso que intelectualmente lhe dei tudo o que podia. Como fui professora do ensino primário, levei-a a museus, compro-lhe material escolar, dei-lhe o primeiro computador. Mas emocionalmente não lhe dei tudo”.

Alega que também carrega “uma revolta e uma mágoa”, e não tem “a mais pequena esperança” de que as coisas entre os pais da menina se resolvam: “Tenho muita pena, isto é muito desgastante. Mas, independentemente dos problemas dos pais, o que sei é que eu sou avó e também perdi a minha neta. Estou metida no meio disto tudo. E também sinto que devo defender o meu filho”, justifica.

Hoje enfrenta a adolescência da neta: “Está com 13 anos, é uma fase muito difícil. No Natal veio cá casa, sentou-se no sofá e não tirou a bolsa do colo. Parecia uma estranha que estava de visita. Ela já não se sente bem ao pé de nós. Foi a última vez que a vi, no Natal”, recorda Teresa.

Já o último episódio que Ivone conta refere-se à decisão do tribunal, segundo a qual os avós podiam ver as crianças, mas as primeiras visitas seriam em “terreno neutro”: “Nem em nossa casa nem em casa da mãe. O primeiro encontro seria na Segurança Social, com uma assistente social e uma psicóloga. Recebi a convocatória da Segurança Social em Maio”.

No dia da primeira visita, Ivone preparava-se para sair de casa quando recebeu um telefonema do advogado. Tinha sido contactado pelo advogado da mãe das crianças, que lhe comunicou que a cliente recebera uma proposta de trabalho no estrangeiro e mudara-se, com os miúdos. “Foi em Maio do ano passado. A partir daí nunca mais soube nada deles.”

Todos os nomes das avós retratadas neste artigo são fictícios

Dia dos Avós no Museu da Marioneta

Julho 25, 2011 às 9:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Das 10:30 às 12:30 – Durante a manhã, avós e netos unem-se na exploração do fascinante mundo das marionetas. Com as pistas espalhadas pelo museu vamos mergulhar na descoberta deste universo…
Das 14:30 às 17h – Durante a tarde, vamos jogar com contrastes de luz, sombra e cor a partir da criação de uma marioneta muito especial

Participação gratuita para avós com netos

Convento das Bernardas
Rua da Esperança, n° 146
1200-660 Lisboa

Tel +351 213 942 810
Fax +351 213 942 819
Geral museudamarioneta@egeac.pt
Web www.museudamarioneta.pt


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