Crianças que vão mais tarde para a escola são menos hiperativas

Fevereiro 3, 2016 às 11:30 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 26 de janeiro de 2016.

Reuters hannibal Hanschke

Marta Santos Silva

Um novo estudo demonstra que atrasar um ano a entrada para a escola torna as crianças mais atentas e controladas

A idade em que as crianças devem começar o jardim-de-infância ou a escola primária tem sido assunto de debate junto da comunidade científica que estuda o desenvolvimento das crianças. Agora, uma investigação da universidade norte-americana de Stanford vem mostrar que atrasar um ano a entrada das crianças para a escola pode ajudá-las a ser menos hiperativas e desatentas, e a terem mais autocontrolo.

O estudo da universidade de Stanford, publicado em outubro na revista científica do National Bureau of Economic Research, olhou para o caso de crianças dinamarquesas. O estudo demonstrou que as crianças que começavam a escola um ano mais tarde mostravam níveis inferiores de hiperatividade e eram mais concentradas, efeitos que se mantinham não apenas durante o primeiro ano de escola mas até pelo menos os onze anos de idade”.

“Descobrimos que atrasar a entrada na escola por um ano reduzia a desatenção e a hiperatividade em 73 por cento para uma criança ‘média’, aos 11 anos”, disse o principal autor do estudo, Thomas Dee, num comunicado da universidade de Stanford. “Ficava praticamente eliminada a probabilidade de uma queria ‘média’ nessa idade tivesse um nível anormal, ou mais alto do que o normal, de comportamentos hiperativos ou desatentos”.

A investigação de Thomas Dee, feita em colaboração com o investigador dinamarquês Hans Henrik Sievertsen, demonstrou também uma ligação entre níveis mais baixos de hiperatividade e desatenção e melhores resultados escolares. As crianças com uma maior capacidade de controlar os seus impulsos e manter-se atentas tinham melhores notas.

O estudo foi realizado usando dados dos censos dinamarqueses e informação de um inquérito que é realizado a nível nacional na Dinamarca para avaliar a saúde mental das crianças com 7 e 11 anos, que mede também os níveis de hiperatividade e desatenção. Na Dinamarca, como é habitual em Portugal, a entrada na escola faz-se no ano civil em que as crianças fazem seis anos. Assim, as crianças nascidas alguns dias antes de 31 de dezembro, que entram na escola com menos de seis anos, podem ser comparadas com aquelas que nascem poucos dias depois, que terão seis anos e oito meses quando começarem a escola.

“Ficámos surpreendidos com a persistência do efeito”, disse à Quartz o investigador Hans Henrik Sievertsen. Esperar um ano para começar a escola fazia com que as crianças não tivessem quase probabilidade nenhuma de vir a ter hiperatividade acima da média.

 

 

 

Entrar mais tarde para a escola pode ser benéfico, diz estudo

Novembro 23, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt de 13 de novembro de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

The Gift of Time? School Starting Age and Mental Health

mais informações na notícia:

Delaying kindergarten until age 7 offers key benefits to kids — study

 

Cientistas da Universidade de Stanford concluíram que ficar mais um ano no jardim de infância melhora o autocontrolo das crianças

Redação / RFO

Um estudo da Universidade de Stanford, EUA, concluiu que as crianças dinamarquesas que entram um ano mais tarde para o primeiro ciclo, prolongando a frequência no jardim de infância, apresentam níveis mais elevados de autocontrolo. A investigação foi realizada em parceria com o Centro Nacional Dinamarquês de Pesquisa Social.

“Descobrimos que atrasar o jardim de infância por um ano reduziu a desatenção e hiperatividade em 73% para uma criança com 11 anos,” afirmou Thomas Dee, um dos co-autores e professor da universidade.”

Na Finlândia e na Alemanha, as crianças já começam a escola um pouco mais tarde e isso não representa tempo perdido. Em termos estatísticos, a Finlândia tem conseguido bons resultados em testes internacionais para jovens de 15 anos. A desatenção e hiperatividade são duas perturbações que fazem parte do transtorno com deficit de atenção com hiperatividade e que enfraquecem a capacidade de uma criança ter controlo sobre si própria. Estudos anteriores, como o teste de “Marshmallow”, já tinham demonstrado que bons níveis de autocontrolo na infância levam à obtenção de sucesso com mais facilidade na idade adulta.

Ver a Rua Sésamo era tão educativo quanto o ensino pré-escolar

Junho 16, 2015 às 9:14 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 8 de junho de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Early Childhood Education by MOOC: Lessons from Sesame Street

STAN HONDA AFP Getty Images

Um estudo americano afirma que ver a série ajudou as crianças no percurso académico. As conclusões abrem portas ao desenvolvimento de programas educativos em outros meios de comunicação eletrónicos.

Sara Otto Coelho

Milhões de crianças em todo o mundo – portuguesas incluídas – de diversas gerações riram com o Popas, o Egas e o Becas, de Rua Sésamo. Mas não só. De acordo com um estudo que vai ser publicado esta segunda-feira, a vertente pedagógica do programa infantil era forte ao ponto de perdurar além dos ensinamentos da escola.

Phillip Levine, economista na Universidade de Wellesley, e Melissa Kearney, economista na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, quiseram ver até que ponto A Rua Sésamo cumpriu a função de preparar as crianças do ensino pré-escolar para a entrada no ensino básico. De acordo com o estudo, que o Washington Post considera ser o de “maior autoridade” no que toca ao impacto do programa, este foi especialmente benéfico para rapazes, para a comunidade não hispânica, negros e crianças inseridas em meios com problemas económicos.

As conclusões mostraram que assistir às aventuras do Monstro das Bolachas e restantes personagens foi tão proveitosa para estas crianças quanto frequentar o ensino pré-escolar. Os dois investigadores não sugerem, contudo, a substituição da pré-primária pela série, mas sim a complementaridade entre ambas.

A partir das conclusões do estudo, Phillip Levine e Melissa Kearney querem olhar para o futuro. “Se conseguimos isto com a Rua Sésamo na televisão, podemos potencialmente conseguir o mesmo com todo o tipo de meios de comunicação eletrónicos”, disse Kearney, citada pelo Washington Post. “É encorajador porque significa que podemos fazer progressos reais” de forma acessível.

A série televisiva estreou nos Estados Unidos em 1969, numa altura em que os estímulos eram muito diferentes daqueles a que as crianças têm acesso hoje em dia, pelo que comparar os efeitos nas crianças de agora pode dar resultados diferentes. É por isso que Diane Whitmore Schanzenbach, uma economista que teve acesso ao estudo antes da publicação e que foi dando feedback aos autores, prefere destacar a importância da educação pré-escolar no percurso académico das crianças.

Afinal, as horas passadas a ver o Conde de Contar não foram só diversão.

 

 

Nos Estados Unidos um pobre é um pobre, é um pobre, é um pobre

Janeiro 30, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 23 de Janeiro de 2014.

Andrew Burton Getty Images AFP

Ana Dias Cordeiro

O Presidente dos Estados Unidos já tinha evocado em Dezembro a ameaça ao “sonho americano”. Agora, um projecto de economistas de Harvard e de Berkeley concluiu que o contexto social exclui muitas crianças de um futuro que podia ser brilhante.

O retrato varia muito de cidade para cidade dos Estados Unidos, e de região para região. Como se o país não se enquadrasse afinal na ideia clássica de “terra de oportunidades” mas fosse um conjunto de terras diversas – algumas de oportunidades, outras não.

Numa mesma cidade, as oportunidades podem também variar entre uma pessoa que viva numa zona de transportes fáceis, boas escolas, cuidados de saúde e uma boa rede comunitária de participação e ajuda, e outra que esteja confinada aos subúrbios, viva longe do trabalho, seja obrigada a passar várias horas nos transportes ou a deixar os filhos em escolas problemáticas.

Essa diversidade é uma das principais conclusões – mas não a mais surpreendente – do estudo resultante do Projecto de Igualdade de Oportunidades (“Equality of Opportunity Project”) – conduzido por um grupo de académicos das Universidades de Harvard e Berkeley, e publicado esta quinta-feira nos principais jornais dos Estados Unidos.

A descoberta mais surpreendente, para economistas especializados nas questões da mobilidade social e das desigualdades, como os próprios reconheceram em várias entrevistas, é esta: o mundo de oportunidades que se abre para uma criança nascida numa família pobre, hoje, é praticamente o mesmo que era há 40 anos anos nos Estados Unidos. E fica abaixo de muitos países desenvolvidos. As consequências para uma criança de nascer numa família pobre, essas, são maiores do que em décadas anteriores. Isso acontece, sintetiza o Washington Post, porque a diferença entre extremos – ricos e pobres – é maior. E subir os degraus da escala social não se tornou mais fácil.

Assim, a pergunta “É a América a ‘Terra da Oportunidade’?” está longe de ter uma resposta clara, escrevem os autores numa síntese do estudo, que pode ser consultado em http://www.equality-of-opportunity.org/. Nathaniel Hendren, Patrick Kline, Emmanuel Saez, Nicholas Turner e Raj Chetty, que lidera a equipa, preferem descrever os Estados Unidos do século XXI como “um conjunto de sociedades” e uma mistura de “terras de oportunidades” (com elevados níveis de mobilidade social entre gerações) e de terras onde afinal muito poucas as crianças conseguem escapar à pobreza.

Nascer pobre e ficar pobre é mais provável em cidades como Atlanta (Geórgia), Cincinnati ou Columbus (Ohio), Charlotte e Raleigh (Carolina do Norte) entre outras. O Sudeste do país e o Midwest industrial são as zonas cinzentas, no extremo oposto do Nordeste ou Oeste, onde é mais fácil atravessar barreiras sociais, por exemplo no estado da Califórnia, ou em cidades como Pittsburgh, Boston ou Nova Iorque.

A mobilidade social em cidades como Salt Lake City (Utah) ou San Jose (Califórnia) estão ao nível dos níveis na Dinamarca. Atlanta (Geórgia), no outro extremo, consegue estar abaixo de todos os países desenvolvidos (para os quais existem dados disponíveis).

A riqueza de uma região não é absolutamente decisiva. O que muda entre estas cidades é também o que os autores identificam como os cinco factores que abrem ou fecham oportunidades: a segregação (viver num gueto racial ou social), a desigualdade, a estrutura familiar, a qualidade da escola e o grau de envolvimento comunitário na vida das pessoas.

A partir da análise de dados relativos ao rendimento de milhões de pessoas (sem especificar quantas), o estudo posiciona-se como o mais próximo da realidade alguma vez realizado na tentativa de associar as oportunidades ao meio onde se nasceu e cresceu. E conclui que 70% das crianças nascidas em famílias pobres permanecem abaixo da classe média na idade adulta.

“Somos melhores do que isto”
Com o tempo, nas últimas quatro a cinco décadas, o que podia ter melhorado com uma mais vasta oferta de bolsas de estudo e novas oportunidades de carreira para as mulheres e para as minorias foi afinal contrabalançado pelo aumento acentuado das desigualdades entre ricos e pobres.

A imprensa norte-americana prevê que o tema da mobilidade – desta forma associado ao da crescente desigualdade – seja agora ainda mais susceptível de entrar pelo discurso político. E de alterar os contornos que definem a ideia do “sonho americano” (American Dream) e dos Estados Unidos como uma “terra de oportunidades”.

Num discurso no Center for American Progress, em Dezembro passado, o Presidente dos Estados Unidos Barack Obama evocava o assunto ao qual deve voltar no discurso do Estado da União, no próximo dia 28.

“A ideia de que tantas crianças nascem pobres na mais rica nação do mundo já provoca consternação. Mas a ideia de que uma criança nunca será capaz de escapar à pobreza por não ter oportunidades de educação e de saúde deve indignar-nos a todos e obrigar-nos a agir. Enquanto país, somos melhores do que isto”, disse Obama.

 


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