Desgostos de amor também acontecem às crianças

Fevereiro 13, 2015 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 10 de fevereiro de 2015.

António Pedro Santos

António Pedro Santos

Por Sílvia Caneco

Tomás já chorou por uma namorada e Filipe cora de vergonha quando Eva lhe promete amor eterno. Pais não devem desvalorizar nem sobrevalorizar as paixões dos filhos

Aos nove anos, Tomás começa por dizer: “Agora tenho duas namoradas.” Logo depois hesita e volta atrás: “Não sei quantas tenho ao certo. Há uma terceira que não sei se ainda namora comigo.” Três, ainda assim, são poucas para a sua média: “Já tive dez.” Das duas que diz ter a certeza que tem neste momento, uma só vê de vez em quando, a outra está em Londres e apenas se encontram uma vez por ano. “Tenho saudades, mas aguento.”

Afinal os namoros não são novidade. Deu o primeiro beijo aos seis ou sete. Quem tomou a iniciativa? “Já não me lembro bem, mas dá-me ideia de que fui eu.” E desgostos de amor? “Às vezes”, resume Tomás, sem adiantar pormenores e esquecendo-se daquela vez em que, triste e choroso, ligou ao irmão, que estava em Madrid, porque uma das suas namoradas lhe deu uma tampa: “Lembras-te daquela menina com quem comecei a namorar ontem? Acabou hoje comigo.”

A partir de que idade nos podemos apaixonar? Pode um namoro de criança causar um desgosto? Não é a regra, mas elas podem estar apaixonadas de verdade, explica o pediatra Mário Cordeiro: “Nas faixas etárias mais jovens, os interesses são tantos que será difícil uma só pessoa preencher completamente a sua cabeça. Mas já tenho visto um ou outro caso, em idade escolar, mesmo muito antes da adolescência, em que isso acontece.”

E a tristeza que o amor provoca, avisa o especialista, também não escolhe idade: “Porque o desgosto (e o consequente luto, que é sempre triste) é proporcional ao investimento que se fez.” À medida que a idade avança, esse investimento será mais estruturado e profundo. Ou seja, vivido com mais entusiasmo. Logo, o choque de um desgosto será tendencialmente maior, explica o pediatra.

À semelhança de Tomás, também Filipe, da mesma idade, contava em casa ter várias namoradas ao mesmo tempo. “Ainda namoradinhas de creche”, recorda a mãe, Alexandra Amaral. “A professora diz a brincar que ele tem um coração enorme. Gosta de muitas.”

Apesar de ser recorrente ouvir os mais novos dizerem que têm mais de uma namorada ou namorado, as crianças, explica Mário Cordeiro, “são muito monogâmicas sequenciais e geralmente quando dizem ter um(a) namorado(a) é só um. Quando falam de vários, é mais para se fazerem de bons”.

E também não é geralmente ao acaso que escolhem namorar com o A ou com o B. A selecção representa “idealizações e preferências”, por vezes meramente circunstanciais, mas que têm algo de escolha intrínseca, muito feita, por vezes, à imagem da mãe ou do pai”, diz o especialista em pediatria.

Alexandra conseguiu, pelo meio da longa lista de namoradas do filho, perceber a diferença de intensidade entre os relacionamentos: “Teve duas que foram mais importantes. Uma no último ano da pré- -escola, a Lara, e a outra no 2.o ano do ensino básico, a Eva. Puxava-o para as traseiras da escola para lhe dar beijos.” No terceiro ano mudou de escola e sentiu muito a falta dela, conta a mãe. E apesar de estarem separados continuaram a encontrar-se. Ou é ele que pede para ir a casa dela ou é ao contrário. Já chegaram até a ir ao cinema, mas não foi bem uma saída a dois, porque aconteceu no aniversário dela e havia adultos à volta.

Assim que souberam que iam ficar em escolas diferentes, Eva passou-lhe um papel com o número da mãe. Já conversaram ao telefone e, num destes dias, Filipe até recebeu um sms da namorada: “Todo ele sorria”, recorda Alexandra Amaral, que até à data diz ter sido surpreendida apenas por um elemento. “Vejo as meninas a serem mais atiradiças que os meninos. Elas é que tomam a iniciativa. Via a Eva pegar na mão do Filipe e dizer coisas como ‘Ó Filipe, eu gosto tanto de você. Eu queria que você ficasse comigo para sempre!’ E ele superenvergonhado.”

Por norma, os pais já nem estranham ouvir as crianças falar de amor como se fossem adultos. Até porque o primeiro “namorico” tende a aparecer “logo entre os 18 meses e os dois anos”, altura “em que a criança faz um jogo de sedução com o progenitor do sexo oposto, depois de começar a confabular e a fantasiar filhos, e a desejar que esse ‘pai ou mãe perfeitos’ seja o pai ou mãe desses filhos.” A família de Tomás já não se espanta ao ouvi-lo dizer: “Dessa eu não gosto por amor.”

Isabel também já se habituou a ouvir o filho Francisco, de nove anos, desfiar teorias ultra-românticas. “Lá na escola todos dizem que a minha namorada é feia e é burra e é pobre e é isto e aquilo. Mas eu gosto dela e ainda vou descobrir uma coisa que ela tem de bom.”

Ao consultório de Mário Cordeiro chegam todos os dias histórias de pais preocupados com os estados de alma das suas crianças. O importante, frisa, é não “desvalorizar nem supervalorizar” esses estados: “Tão mau é dizer ‘que raio de ideia, não tens idade para ter namorado’ como querer forçar ‘casamentos’ e investir, mais do que as próprias crianças, nessa relação. Ou então, quando a criança diz que tem um(a) namorado(a), começar a ver quem é, investigar a família, a conta bancária e o status social… Também já vi disso.”

A mais hilariante história sobre namoros e paixões infantis que já ouviu teve como protagonista um rapaz de sete anos, que já sabia ao certo o que dizer para chocar os pais. O pediatra perguntou-lhe qual era o nome da escola, depois o nome da professora, e finalmente o da namorada. A criança, marota, respondeu: “Namorada ou namorado?” Perante o ar assustado dos pais, o rapaz riu-se e rematou: “Por enquanto é namorada e chama-se Rita, mas um dia pode ser um namorado e não sei como se vai chamar, mas há-de ter um nome.” “A naturalidade da criança fez-me rir… ou até se calhar o ar mais apavorado dos pais!”, conta o especialista.

No mesmo dia em que respondeu às perguntas do i chegou outra história ao consultório do pediatra. A de uma mãe que contou que o filho mantém “uma relação estável” com uma menina que conhece desde o berçário. Quando teve de falar com os pais da namorada do filho, ouviu de resposta: “Ah, é a mãe do futuro marido da minha filha!”

 

As novas tecnologias são o maior desafio da (nova) adolescência

Janeiro 31, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do Diário de Notícias de 19 de Janeiro de 2014.

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O teu namorado de 16 anos não é nervoso, é uma besta

Julho 8, 2013 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Paulo Farinha no Notícias Magazine de 23 de Junho de 2013.

Enviar-te 35 mensagens durante o dia a dizer que te ama e a perguntar onde estás não é uma prova de amor. É uma prova de que ele é um controlador e que, se tu deixas que ele o faça e não pões um travão a tempo, a coisa só vai ter tendência para piorar ainda mais.

Fazer-te perguntas sobre dinheiro não é indício de estar atento aos tempos difíceis em que vivemos, e reflexo de uma educação de poupança. Falar muitas vezes disso indica, isso sim, que um dia ele vai querer controlar o teu dinheiro. Aliás, se dependesse dele, era ele que geria já a tua mesada. Quanto gastas. Quando gastas. Em que gastas. Quando deres por ti, estarás a pedir-lhe autorização para comprar coisas para ti.

Pedir a password do teu e-mail ou da tua conta de Facebook não é sinal de que vocês nada têm a esconder um do outro. Não é sinal de que, entre vocês, tudo é um livro aberto. Mesmo que ele insista em dar-te a password dele. Isso é um sinal de desconfiança permanente. E um passo grande para o fim da tua privacidade. Sabes o que é privacidade,

certo? É uma zona tua, onde mais ninguém entra. A não ser que tu queiras.

Os comentários sobre a roupa que usas

ou o novo corte de cabelo não revelam um ciuminho saudável. Revelam que é ciumento. Ponto. Pouco lhe importa se tu gostas daquele top, daqueles calções ou daquelas calças apertadas. Entre os argumentos usados, talvez ele diga que já não precisas de te vestir assim, porque isso atrai a atenção de outros rapazes e tu já tens namorado. Se não fores capaz de lhe dizer, na altura, que te vestes assim porque te apetece, não para lhe agradar, pensa que este é o mesmo princípio que leva muitas sociedades a obrigar as mulheres a usar burka… Não é exagero. Controlar o que tu vestes é exatamente a mesma coisa.

Perguntar-te a toda a hora quem é que te telefonou ou ver o teu telemóvel, à procura das chamadas feitas e atendidas e das mensagens enviadas e recebidas não é um reflexo de pequeno ciúme. É um sinal de grande insegurança. Faças tu o que fizeres, dês tu as provas de amor que deres (na tua idade, o amor ainda tem muito para rolar, mas tu perceberás isso com o tempo), ele sentirá sempre que é pouco. E vai querer mais, e mais. E tu terás cada vez menos e menos.

Apertar-te o braço com mais força num dia em que se chatearam e lhe passou qualquer coisa má pela cabeça não é um caso isolado e uma coisa que devas minimizar porque ele estava nervoso. Aconteceu daquela vez e é muito, muito, muito provável que volte a acontecer. Um dia ele estará mais nervoso. E a marca no teu braço será maior. E mesmo que ele «nunca tenha encostado um dedo» em ti, a violência psicológica pode ser tão ou mais grave do que a física.

Gostar de ti mas não gostar de estar com os teus amigos não é amor. É controlo. E é errado. O isolamento social é terrível.Continuar a telefonar-te insistentemente depois de tu teres dito que queres acabar a relação, ou encher-te o telemóvel com mensagens a pregar o amor eterno, não significa que ele esteja a sofrer muito. Significa, sim, uma frustração em lidar com a rejeição. E se pensares em voltar para ele, pensa que da próxima vez que isso acontecer ele vai telefonar-te mais vezes. E enviar-te mais mensagens.

Guardares estas coisas para ti não é um sintoma da tua timidez. Não quer dizer que sejas reservada. É uma estratégia de defesa tua. E um pouco de vergonha, à mistura, não é? E que tal partilhares isso? Ficarias espantada com a quantidade de amigas tuas que passam por situações semelhantes.

Talvez a sua filha não leia isto. Mas que tal mostrar-lhe a revista, para ela pensar um pouco?

 

Conferência Internacional Família e Psicologia : Contributos para a Investigação e Intervenção

Maio 1, 2013 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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