Estudos dos pais ditam notas dos filhos mas há escolas diferentes

Fevereiro 25, 2015 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 18 de fevereiro de 2015.

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EstudosDosPais

 

Quem sai aos seus…

Maio 19, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo do site educare de 9 de maio de 2014.

educare

De acordo com a mais recente análise da OCDE aos resultados do PISA 2012, os filhos de profissionais mais qualificados obtêm melhores notas.

Andreia Lobo

A profissão dos pais tem impacto sobre o sucesso escolar dos alunos? Uma análise da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) aos resultados do PISA 2012 revela que os filhos de profissionais mais qualificados obtêm melhores classificações nos testes realizados a leitura, matemática e ciência. Portugal está longe de conseguir equilibrar as assimetrias familiares. Nada que surpreenda as federações regionais das associações de pais.

Após dez anos de presença no movimento associativo de pais, Isidoro Roque não tem dúvidas: “Não é preciso fazer um grande esforço para perceber que o sucesso escolar é maior nas escolas onde os alunos pertencem à classe média”. Por isso, é sem surpresa que o presidente da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais vê as conclusões apresentadas pela OCDE, que atribuem melhores resultados aos filhos das famílias com empregos mais qualificados e, portanto, com mais recursos económicos.

O estudo compara os resultados obtidos, pelos alunos de 15 anos, nos testes feitos pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) – nas áreas da leitura, matemática e ciências – com as profissões dos seus pais. Foi usada uma classificação que agrupa nove ocupações com tarefas semelhantes. Os “gestores” surgem como os mais qualificados, seguidos pelos “profissionais”, onde constam trabalhadores nas áreas da saúde, ensino, ciência, negócios e administração. A estes sucedem-se os técnicos, os administrativos e vendedores, os trabalhadores da agricultura, pescas e florestas, os artesãos, os operadores e montadores de maquinaria, e, por último, as profissões “elementares”.

Isidoro Roque remete as suas observações para a tradicional divisão de classes: alta, média e baixa. Enquanto pai e líder associativo, não está convencido de que a escola garanta a igualdade de oportunidades aos filhos de uns e de outros. “A ideia é contribuir nesse sentido, mas têm de ser criadas as condições para isso.” As desigualdades marcam logo presença nos discursos, garante: “A escola é lecionada por pessoas que pertencem às classes mais altas. A forma de falar e se fazer entender é mais fácil para quem provém do mesmo tipo de classe.”

Analisando as classificações a Matemática, a OCDE conclui que os filhos dos “profissionais” lideram os resultados obtidos na maioria dos países, enquanto os estudantes cujos pais têm ocupações “elementares” têm os piores desempenhos. Portugal não foge à regra.

Porém, quando se trata desta disciplina, a relação entre profissões dos pais e o sucesso escolar dos filhos varia consideravelmente entre países, alerta a OCDE. Assim, os filhos dos trabalhadores de limpeza em Xangai, China, superam os filhos dos “profissionais” nos Estados Unidos. E os filhos dos “profissionais” na Alemanha têm em média melhores notas que os seus congéneres na Finlândia. Já na Colômbia, Indonésia, Itália, México, Peru e Suécia são os filhos dos “gestores” que pontuam mais a matemática.

Em Portugal, “mais do que a profissão dos pais, a diferença entre o sucesso e o insucesso tem a ver com o valor que o agregado familiar dá à aquisição de conhecimentos”, contrapõe Carlos Bastos, vice-presidente da Federação Regional de Pais de Aveiro.

As diferenças entre os resultados obtidos pelos alunos dos quatro principais grupos – “gestores”, “profissionais”, trabalhadores de maquinaria e profissões “elementares” – justificam-se “em parte com o rendimento auferido pelos pais, a sua formação e o tipo de atividade que desempenham”, concorda o dirigente associativo. No entanto, fatores como “o meio onde a escola está inserida e a escolaridade dos pais não podem ser postos de lado”.

Entre os países que mais promovem a igualdade, apesar das diferenças no seio familiar, a OCDE destaca a Finlândia e o Japão, pois “conseguem alcançar níveis elevados de desempenho, garantindo a mesma educação, oportunidades e estímulo, tanto aos filhos de pais com profissões ‘elementares’ como aos dos ‘profissionais’”.

Outra novidade apontada por este estudo é que as diferenças por detrás da proveniência dos alunos, sendo mais acentuadas no que toca aos resultados obtidos na matemática, são mais esbatidas nos resultados obtidos na leitura.

De acordo com a OCDE, as assimetrias entre países e economias estão relacionadas com as profissões dos pais, mas também com a própria estrutura do mercado de trabalho. Isso explica como na Finlândia o desempenho global dos estudantes a Matemática é melhor do que na Alemanha, ainda que os filhos dos “profissionais” e dos “gestores” alemães estejam entre os melhores do mundo a esta disciplina e superem, em larga medida, os resultados obtidos pelos filhos destes dois grupos profissionais na Finlândia.

Ao mesmo tempo, os filhos dos trabalhadores manuais – artífices, operadores e montadores de máquinas e ocupações “elementares” – na Finlândia superam os alunos alemães cujos pais têm as mesmas profissões. Em Portugal, por exemplo, obtêm piores resultados quando comparados com a Alemanha, Finlândia, Polónia, Bélgica, Holanda, Canadá e países asiáticos; mas superam os alunos dos trabalhadores manuais do Luxemburgo e Suécia e estão próximos dos resultados obtidos pelos seus congéneres franceses.

No Suécia, há menos dispersão nos resultados obtidos entre diferentes grupos profissionais nos testes de matemática, ainda que as classificações tenham sido inferiores às dos alunos portugueses. Tanto neste país como na Eslovénia, os filhos dos trabalhadores da agricultura, pescas e florestas conseguem alcançar a média dos resultados dos seus países; os portugueses ficam nos últimos lugares.

Fátima Custódio, presidente da Federação Regional do Algarve, acredita que em Portugal a relação entre sucesso escolar e a profissão dos pais assume contornos diferentes dos que baseiam este PISA. “A dicotomia acaba por ser entre os filhos dos pais que trabalham e os dos que estão sem emprego.”

Numa região onde predomina o emprego sazonal, “as questões financeiras têm cada vez maior impacto em situações mais picuinhas como a compra de material escolar e de livros e noutras mais graves como a alimentação”. E mesmo entre os filhos de quem tem emprego, Fátima Custódio lembra que “a diferença na remuneração é outro aspeto importante” quando se analisa o que está por detrás do sucesso ou insucesso escolar.

Proporcionar a mesma educação e estímulo a todos é a receita para suprir as assimetrias familiares capazes de influenciar o desempenho dos alunos, alerta a OCDE. Fátima Custódio concorda que esta é a melhor receita para acabar com as desigualdades. Mas no sistema educativo português poderá estar a faltar mais um ingrediente, adverte: “As escolas não têm apoios financeiros da parte da Segurança Social, do Ministério da Ciência e da Educação ou das autarquias para ultrapassar essas situações na totalidade.”

Nos Estados Unidos um pobre é um pobre, é um pobre, é um pobre

Janeiro 30, 2014 às 2:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo do Público de 23 de Janeiro de 2014.

Andrew Burton Getty Images AFP

Ana Dias Cordeiro

O Presidente dos Estados Unidos já tinha evocado em Dezembro a ameaça ao “sonho americano”. Agora, um projecto de economistas de Harvard e de Berkeley concluiu que o contexto social exclui muitas crianças de um futuro que podia ser brilhante.

O retrato varia muito de cidade para cidade dos Estados Unidos, e de região para região. Como se o país não se enquadrasse afinal na ideia clássica de “terra de oportunidades” mas fosse um conjunto de terras diversas – algumas de oportunidades, outras não.

Numa mesma cidade, as oportunidades podem também variar entre uma pessoa que viva numa zona de transportes fáceis, boas escolas, cuidados de saúde e uma boa rede comunitária de participação e ajuda, e outra que esteja confinada aos subúrbios, viva longe do trabalho, seja obrigada a passar várias horas nos transportes ou a deixar os filhos em escolas problemáticas.

Essa diversidade é uma das principais conclusões – mas não a mais surpreendente – do estudo resultante do Projecto de Igualdade de Oportunidades (“Equality of Opportunity Project”) – conduzido por um grupo de académicos das Universidades de Harvard e Berkeley, e publicado esta quinta-feira nos principais jornais dos Estados Unidos.

A descoberta mais surpreendente, para economistas especializados nas questões da mobilidade social e das desigualdades, como os próprios reconheceram em várias entrevistas, é esta: o mundo de oportunidades que se abre para uma criança nascida numa família pobre, hoje, é praticamente o mesmo que era há 40 anos anos nos Estados Unidos. E fica abaixo de muitos países desenvolvidos. As consequências para uma criança de nascer numa família pobre, essas, são maiores do que em décadas anteriores. Isso acontece, sintetiza o Washington Post, porque a diferença entre extremos – ricos e pobres – é maior. E subir os degraus da escala social não se tornou mais fácil.

Assim, a pergunta “É a América a ‘Terra da Oportunidade’?” está longe de ter uma resposta clara, escrevem os autores numa síntese do estudo, que pode ser consultado em http://www.equality-of-opportunity.org/. Nathaniel Hendren, Patrick Kline, Emmanuel Saez, Nicholas Turner e Raj Chetty, que lidera a equipa, preferem descrever os Estados Unidos do século XXI como “um conjunto de sociedades” e uma mistura de “terras de oportunidades” (com elevados níveis de mobilidade social entre gerações) e de terras onde afinal muito poucas as crianças conseguem escapar à pobreza.

Nascer pobre e ficar pobre é mais provável em cidades como Atlanta (Geórgia), Cincinnati ou Columbus (Ohio), Charlotte e Raleigh (Carolina do Norte) entre outras. O Sudeste do país e o Midwest industrial são as zonas cinzentas, no extremo oposto do Nordeste ou Oeste, onde é mais fácil atravessar barreiras sociais, por exemplo no estado da Califórnia, ou em cidades como Pittsburgh, Boston ou Nova Iorque.

A mobilidade social em cidades como Salt Lake City (Utah) ou San Jose (Califórnia) estão ao nível dos níveis na Dinamarca. Atlanta (Geórgia), no outro extremo, consegue estar abaixo de todos os países desenvolvidos (para os quais existem dados disponíveis).

A riqueza de uma região não é absolutamente decisiva. O que muda entre estas cidades é também o que os autores identificam como os cinco factores que abrem ou fecham oportunidades: a segregação (viver num gueto racial ou social), a desigualdade, a estrutura familiar, a qualidade da escola e o grau de envolvimento comunitário na vida das pessoas.

A partir da análise de dados relativos ao rendimento de milhões de pessoas (sem especificar quantas), o estudo posiciona-se como o mais próximo da realidade alguma vez realizado na tentativa de associar as oportunidades ao meio onde se nasceu e cresceu. E conclui que 70% das crianças nascidas em famílias pobres permanecem abaixo da classe média na idade adulta.

“Somos melhores do que isto”
Com o tempo, nas últimas quatro a cinco décadas, o que podia ter melhorado com uma mais vasta oferta de bolsas de estudo e novas oportunidades de carreira para as mulheres e para as minorias foi afinal contrabalançado pelo aumento acentuado das desigualdades entre ricos e pobres.

A imprensa norte-americana prevê que o tema da mobilidade – desta forma associado ao da crescente desigualdade – seja agora ainda mais susceptível de entrar pelo discurso político. E de alterar os contornos que definem a ideia do “sonho americano” (American Dream) e dos Estados Unidos como uma “terra de oportunidades”.

Num discurso no Center for American Progress, em Dezembro passado, o Presidente dos Estados Unidos Barack Obama evocava o assunto ao qual deve voltar no discurso do Estado da União, no próximo dia 28.

“A ideia de que tantas crianças nascem pobres na mais rica nação do mundo já provoca consternação. Mas a ideia de que uma criança nunca será capaz de escapar à pobreza por não ter oportunidades de educação e de saúde deve indignar-nos a todos e obrigar-nos a agir. Enquanto país, somos melhores do que isto”, disse Obama.

 


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