9 mentiras que os pais têm de parar já de contar às crianças

Abril 30, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.noticiasmagazine.pt/ 11 de abril de 2018.

 

«NÃO VAI DOER NADA»

Qualquer pai gostaria de livrar um filho de todo o sofrimento, mas certas dores fazem parte e as mentiras que lhes contamos só as torna piores. Se ele gritar ao ter de levar uma vacina, por exemplo, tranquilize-o dizendo que é uma picada pequenina e passa num instante, em vez de lhe prometer que não vai doer nada. Afinal, basta-lhe levar a primeira para saber que o enganou e perder a confiança em si.

«ÉS MESMO UM ARTISTA»

Claro que é legítimo dizer isto à criança, desde que seja verdade e não esteja a elogiá-la em vão apenas para ficar contente. A ser esse o caso, pode acontecer que acabe por magoá-la sem intenção se ela perceber (e acredite: miúdos são ótimos a ler a linguagem corporal dos adultos) que os pais não estão a ser sinceros. O resultado não é bom, seja um desenho ou um boneco de plasticina? Releve os aspetos em que se destaca, como a originalidade, a iniciativa ou a escolha de cores.

«NÃO SEI O QUE ACONTECEU À TUA PINTURA»

Esta é outra frase que pode dizer ao seu filho se não souber, de facto, onde foi parar a tão procurada folha, mas nunca se tiverem sido os pais a dar-lhe sumiço enquanto dormia a sesta. É um facto que não pode guardar todos os desenhos que ele faz. Porém, para evitar enganos, designe uma gaveta ou caixa para o efeito e explique-lhe que naquele lugar das pinturas especiais só cabem os trabalhos mais mágicos. Depois dê-lhe a responsabilidade de decidir quais quer guardar.

«O PAI NATAL ESTÁ A VER-TE»

Embora a fantasia do Pai Natal possa ser mantida até depois dos 5-6 anos em nome da imaginação, sem prejuízo para o desenvolvimento infantil, não é boa ideia (também em nome da imaginação) servir-se do velhinho de barbas para ameaçar o seu filho de que ficará sem presentes se não se portar bem. Castigos devem ser justos, proporcionais à falta e dados na hora, como consequência de algo a corrigir. Imputar as culpas ao Pai Natal não só não é justo, como um dia a criança irá cobrar a mentira aos pais

«OLHA QUE ME VOU EMBORA»

Às vezes é só o que apetece: a criança está à mesa há horas e não dá sinais de ir comer a sopa tão cedo? «Olha que me vou deitar e ficas às escuras.» Queremos sair de casa, já sem tempo para nada, e ela descalça os sapatos e faz-se de morta? «Levanta-te do chão ou deixo-te sozinha.» Claro que a política de instilar medo nunca foi boa conselheira, pelo que é preferível dizer-lhe que se não entrar já no elevador deixa de haver tempo para irem comer o tal gelado mais tarde.

«NUNCA VOU DEIXAR QUE TE MAGOES»

Oposta à política do medo, a política da superproteção também não resulta pelo facto de não estar ao nosso alcance protegê-los de tudo o tempo todo. Nunca lhes diga «nunca vou». De novo, o melhor é agarrar-se à verdade para os fazer sentirem-se seguros sem, no entanto, deixar de lhes explicar – sempre com palavras tranquilizadoras para não gerar uma ansiedade acrescida – que existem perigos reais aos quais têm de estar atentos, como falar com estranhos ou largarem a mão dos pais num centro comercial.

«O PARQUE INFANTIL ESTÁ FECHADO»

E quem diz o parque diz a piscina ou qualquer outro lugar onde prometeu que levava o seu filho antes de chegar à conclusão que afinal não dá mesmo jeito nenhum. Seja qual for o cenário, não lhe minta. Ensine-lhe que nem sempre as coisas correm como nós queremos, por muito que nos custe, e que certos compromissos como ir às compras ou visitar os avós têm prioridade, sob pena de ficarmos com a despensa vazia ou magoarmos alguém querido. Ele acabará por perceber.

«NÃO TEMOS DINHEIRO PARA ISSO»

Desferir sem rodeios esta frase se a criança lhe pede um bolo ou um brinquedo pode assustá-la, já para não mencionar o facto de estar a faltar à verdade. Explique-lhe antes que não podemos ter tudo o que nos apetece porque o dinheiro não estica. Que ir à Disneyland, mudar de casa, de carro ou passar umas férias divertidas em família exige alguns sacrifícios, mas vai valer a pena. Sobretudo, envolva-a na questão das poupanças familiares (sem forçar nada) para que se sinta integrada.

«DÁ-ME SÓ UM MINUTO»

Somos ótimos a despachar as crianças com esta frase, mas não a use se souber que vai levar mais do que um minuto a poder ir brincar com elas, passear ou dar-lhes a atenção de que precisam. Conta demorar ainda uns dez minutos a terminar o bolo para pô-lo no forno? Ou um bom quarto de hora a preencher o IRS e a limpar o quarto? Pois diga-lhes isso: que vai só despachar aquela tarefa urgente e depois fica livre. Ser franco e pedir-lhes ajuda também as ajuda a entender o mundo à sua volta.

 

A diferença entre a imaginação e a mentira

Maio 12, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do http://uptokids.pt/ de 29 de abril de 2017.

 

ENTRE A IMAGINAÇÃO E A MENTIRA EXISTE UMA SEPARAÇÃO DE FAIXA ETÁRIA. ENTENDA QUAL É E APRENDA A LIDAR DA MELHOR FORMA COM ELA.

As crianças usam constantemente histórias quando estão a brincar, a contar algo ou até explicar o que uitas vezes é difícil para elas. Imaginar, fantasiar e contar faz parte do repertório da infância. É um recurso das crianças que é muito bem-estruturado para essa fase da vida. “A criança mais nova não mente: transforma e constrói uma realidade própria, o que é muito importante, pois a fantasia e a imaginação conduzem ao desenvolvimento de capacidades criativas”, afirma a psicóloga Maria de Lourdes Carvalho de Sousa Silveira, mãe de Leandro, Lucas e Larissa, terapeuta de casal e família do Instituto Persona de Passos, em Minas Gerais.

O problema é quando a criança começa a crescer e usa o mesmo recurso para mentir. As histórias continuam a ser para explicar acontecimentos, mas agora explicam por que não fez os trabalhos de casa, por que não chegou a tempo à aula de natação ou por que razão foi castigado na escola. As crianças encontram formas de se esquivar das consequências do que sabem que fizeram errado.

Aqui entram os pais e as diferentes formas de lidar com este recurso. Apontar o dedo e dizer a uma criança que está a mentir, não funciona!

No fundo não sabemos muito bem lidar com uma criança quer quando está no mundo da fantasia ou quer quando está realmente a mentir. Há que saber distinguir: – tanto para conseguir dialogar com a criança, como para orientá-la a não mentir e a lidar com os problemas e erros sem medo de enfrentá-los e assumi-los.

Mentira X Fantasia

Mentir faz parte da nossa espécie: a negação e o direito ao segredo são constitutivos na formação da subjetividade humana.  O psicanalista brasileiro Fábio Herrmann diz que a “mentira original é o início da humanização do ser” – já alguém viu um cão a mentir?

A mentira pode encobrir problemas graves por isso nós, como pais, queremos “cortar o mal pela raiz”. No entanto, é importante distinguir a mentira da fantasia pois desrespeitar ou cortar a criatividade numa fase de desenvolvimento em que a criança precisa de usar esse recurso, pode ter o efeito contrário.

Mas afinal, qual a diferença?

“Acho que, com a fantasia, brinca-se. Já a mentira é uma narrativa, uma forma da criança explorar o campo da oralidade. Na cabeça de uma criança pequena não existe diferença entre um e outro – são apenas meios e formas de lidar com os fatos.

É que os adultos atribuem nomes distintos “fantasia” e “mentira”, a algo que para uma criança é a mesma coisa. A criança vive, o adulto é que distingue os conceitos”, afirma o educador, Marcelo Cunha Bueno.

O que chamamos de fantasia é a transgressão da criança para um mundo paralelo – a forma como esta encara a realidade. Assim, vestindo-se de super-herói ou a contar uma história sobre um amigo imaginário, concebe um recurso para lidar com a realidade. A fantasia fornece instrumentos para a criança conseguir dar sentido e sensações, desejos e vontades às situações. É a fantasia que constitui repertório de como a criança vê o mundo.

Já a mentira, no sentido de aldrabar, disfarçar, negar é realizada por crianças um pouco mais velhas, a partir de 7 anos — quando  interiorizam as regras sociais, aprendem os binarismos (bom vs mau / justo vs injusto) e têm acesso a mais recursos linguísticos e poder de argumentação. Nesta idade, a criança poderá contar histórias para ganhar vantagem – ou seja, mentir.

O mais interessante é pensar  que a mentira é também a capacidade da criança se diferenciar da mãe, do pai ou da avó. Ou seja, a história criada é uma possibilidade de criar/manter um mundo próprio, que ninguém vê (interno, criativo), diferente da vida real, dos fatos.

Pinóquio, não!

Saber agir perante a mentira infantil é fundamental. Quando a mentira acontece, os adultos devem saber olhar com paciência e conversar com a criança: primeiro confronta-la dizendo que não está a contar a verdade e, segundo, facultando recursos e tempo para que a criança consiga refazer a situação, mas apenas com base nos facto reais.

O acolhimento é importante, já que muitas vezes as crianças mentem por medo. Então, se não contarem a verdade, procuram  um recurso de defesa contra o receio de ser castigada, julgada ou perder o amor dos pais.  O pior que podemos fazer é agir de forma repressiva, gritando, batendo ou rotulando a criança de “Pinóquio”.

“A Violência não acaba com as mentiras, aliás, antes pelo contrário, aumentam o medo de se ser descoberto, fazendo com que a criança minta mais.

Não importa quais são as desculpas que uma criança usa para não fazer os TPCs, por exemplo. Em vez de ficarem zangados, os pais devem explicar que é importante que cumpra suas obrigações, dando-lhe o tempo necessário para o fazer, não deixando que a criança comece outra atividade enquanto não tiver cumprido a sua obrigação”, explica o médico psiquiatra e escritor de livros sobre educação familiar Içami Tiba.

Outra motivação muito comum para a mentira da criança é a necessidade de chamar a atenção (mas, convenhamos, nós fazemos isso direto também!). Como quando se queixa de dores de barriga ou cabeça. “Inicialmente, é preciso dar o devido crédito e levá-la ao médico se for necessário”, diz o pediatra e consultor da Pais&Filhos, Claudio Len, pai de Fernando, Beatriz e Sílvia. Para ele, a criança pode mentir para não stressar a mãe e o pai. “A questão da mentira não é sempre uma tragédia. As crianças são muito sinceras, esta sim é a característica marcante da infância. São mais verdadeiras que adultos, especialmente as mais pequenas. É muito mais frequente os pais mentirem aos filhos do que o contrário”, afirma.

E o educador Marcelo Bueno concorda. Questionado se existe uma idade em que as crianças mentem mais, não hesita: “quando se tornam adultos”. Portanto, relaxe. A mentira está presente na vida de todos nós – e cabe ao adulto direcionar a criança para a verdade, sempre. Mas uma mentirinha ou outra que não prejudica a integridade de ninguém pode passar sem muito stresse.”

Era uma vez…

Ah! O mundo da fantasia… O extraordinário lugar onde tudo é possível, as situações têm solução e os personagens possuem personalidade bem delineada: o Lobo Mau é mau. O Príncipe é bom. O super-herói é forte. O lugar cheio de imaginação que é criado na cabeça das crianças a partir dos 2 anos, em média, é um mundo onde esta tem um certo domínio sobre o mesmo. E a fantasia existe porque o mundo real, o dos adultos, é muito complexo para a criança e difícil de ser assimilado e aceite. Assim, as crianças utilizam a fantasia para criar o seu próprio universo onde tudo é possível e as situações possuem solução – geralmente com um final feliz.

É entre os 2 e 7 anos, principalmente, que a fase de desenvolvimento acontece através da imaginação.

Além disso, é a fantasia que primeiramente mostra o lado bom e o mau dos fatos das nossas vidas: com os contos de fada, por exemplo, as crianças conseguem projetar-se nos personagens e entender basicamente o que é o correto e o errado, o justo e o injusto e assim por diante. Daí a importância tão grande dos contos dos Irmãos Grimm.

“As crianças aprendem e desenvolvem-se através do uso da fantasia. Pois é assim que vão entender o que se passa ao seu redor, contribuindo também para a formação da sua personalidade. A criança expressa as suas preocupações através dos personagens que escolhe e das histórias que cria. Por exemplo: uma criança pode fantasiar ser médico quando deseja cuidar de alguém de quem gosta e que esteve ou está doente. Ela pode fantasiar ser um super-herói procurando compensar a fragilidade que sente”, explica Mirian Chaves Carneiro (mãe de Conrado, Lígia e Estevão) psicóloga e professora do projeto Mala de Leitura da UFMG, idealizadora e coordenadora voluntária da Biblioteca Comunitária Etelvininha Lima, no bairro Pompeia, em Belo Horizonte.

É com a fantasia, também, que a criança expressa suas emoções e sentimentos.

Um urso está zangado com a mãe porque esta lhe ralhou. Exemplos fáceis de serem compreendidos e que têm mensagens bem subliminares.

Portanto, se o seu filho está no mundo da fantasia a única coisa a fazer é entrar na brincadeira. Estabeleça um diálogo com os personagens. Quanto mais brincadeira e fantasia, melhor. Então, deixe seu filho fingir que é super-herói e ter amigos imaginários. Faz bem! Agora, a criança não pode afastar-se de sua identidade constantemente. Isso significa que, em alguns momentos, é necessário que a criança viva a situação de forma completa, estando realmente presente.

O educador Marcelo Bueno dá um exemplo: na escola, durante uma atividade em grupo em que a criança é questionada sobre a sua opinião, esta deve responder como pessoa, e não como um super-herói.

O conto Serena, de Luís Fernando Veríssimo relata bem esta situação: uma menina tinha uns pais que discutiam muito. Um dia, discutem à mesa de jantar. Depois de comer, Serena sai da mesa e vai brincar às casinhas – pais e filha comem e os adultos discutem, então vem um gigante e manda os pais sossegarem. Na história, a fantasia esta menina a ajudou a lidar com a dificuldade, mas na verdade, não fez nada para ser o Gigante no momento da discussão. Ela foi o Gigante após viver a situação real, inventando com sua imaginação um novo final”, conta Marcelo.

À medida que a criança substitui a simbolização pela linguagem elaborada, saberá distinguir a fantasia da realidade e poderá utilizar a fantasia de forma criativa sem perder a noção do real. Naturalmente, usa menos a fantasia para se expressar, porque tem mais consciência sobre a realidade, noção de lógica, domínio de regras sociais etc. Por isso, os pais não precisam se preocupar em ser “politicamente corretos” em relação à fantasia da criança: ou seja, não é preciso – e nem bom! – que os pais derrubem as crenças dos filhos ou neguem a existência de alguns personagens como o Pai Natal ou Princesas.

Confie, a criança vai assimilando a realidade gradualmente e sem traumas, ao contrário do que muitos temem.

Como trabalhar a mentira de forma positiva

  1. Nunca chamar a criança de mentirosa mas sim escutá-la com atenção para poder ajudar-la
  2. Explicar as consequências de uma mentira com exemplos práticos, sempre tentando manter um canal de comunicação aberto entre pais e filhos
  3. Não gritar e nem pressioná-la com interrogatórios. O seu filho irá sentir-se acusado e o medo poderá fazê-lo mentir outra vez
  4. Estimular a criança a colocar-se no lugar dos outros
  5. Tentar compreender o significado implícito na mentira
  6. Na escola, os professores nunca devem expor crianças que mentem na frente dos colegas

Por Pais e Filhos Brasil, adaptado por Up To Kids®

 

 

 

Uma criança que mente precisa de ser educada, e não receber menos carinho

Março 1, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 2 de fevereiro de 2017.

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Uma criança que mente precisa de ser educada, e não receber menos carinho

Talvez levando em consideração uma fantástica frase do Dr. Seuss que diz que “os adultos são simplesmente crianças obsoletas” seja mais fácil entender porque mente uma crianç. A empatia com os mais novos é uma arma poderosa, porque também nós, adultos, mentimos de vez em quando.

Todos os pais gostam de saber porque razão os seus filhos mentem. Às vezes poderia ser tão simples como tentar pensar como eles. Será que nossos filhos são conscientes da gravidade da mentira? Sabem diferenciar o tipo de mentira que contam? Vamos tentar responder a estas perguntas.

O estudo sobre as mentiras das crianças

Não, uma criança que mente não é menos afável. De facto, segundo a psicóloga Victoria Talwar da Universidade McGill, no Canadá, nem sequer consideram a mentira como algo objetivo: dizer uma verdade ou uma mentira depende apenas das consequências da mensagem, ou seja, do dano que estas causarão.

Segundo o estudo de Talwar, a criança optará por mentir ou não, consoante o castigo ou a consequência a que será sujeita. As crianças não mentem de propósito, simplesmente tentam evitar uma situação negativa.

No entanto, quando a mentira é por parte do progenitor para a criança, o dano é muito maior. Nesse sentido, os nossos filhos consideram que estão a ser traídos.

O estudo realizado com 100 crianças de 6 a 12 anos e os respetivos pais, resume que os progenitores costumam ensinar aos filhos que não se deve/pode mentir. No entanto, os pais como educadores também mentem, mesmo que seja para tornar a vida mais fácil aos filhos, ou poupar-lhes alguma tristeza. Esta é uma atitude que confunde os filhos, especialmente quando se trata de crianças de tenra idade, que estão em fase de aquisição de exemplos comportamentais.

As crianças têm em mente a motivação da mentira na hora de julgá-la?

No estudo realizado por Talwar, foram exibidos diversos vídeos às crianças com situações nas quais alguém era castigado. Numas situações uma pessoa mentia e um inocente era castigado; noutras, ao dizer a verdade o culpado que recebia o castigo.

Depois de terem visto o vídeo, as crianças respondiam a questões sobre os diferentes personagens. A intenção da investigadora era conhecer o julgamento moral que as crianças retinham das situações apresentadas e analisar os estágios de desenvolvimento de cada criança a este respeito.

As respostas foram muito variadas e levaram a diferentes interpretações. Embora não haja nenhuma idade específica para distinguir entre a verdade e a mentira, foram observadas nuances em termos desta variável:

  • As crianças menores que participaram da experimentação em geral avaliaram a mentira como negativa.No entanto, também foram mais condescendentes quando a mentira evitava ou reduzia um dano ou castigo.
  • Para as crianças de idades compreendidas entre 10 e 12 anos, a diferença entre verdade e mentira era mais difusa. Eram conscientes das consequências tanto de dizer uma verdade como de não dizê-la, e agiam segundo seus interesses com total consciência.

Uma criança que mente tem os seus motivos?

Quando uma criança mente, sobretudo segundo sua idade, não devemos ver isso como uma traição ou um ato digno de indignação. Segundo Alicia Banderas, autora do livro “Pequenos Tiranos”, as crianças mentem para evitar para evitar castigos. Outros motivos poderiam ser: a vergonha de ter agido mal ou para aproveitar alguma atividade que elas adoram mas que sabem que está proibida ou restringida nesse momento.

Por outro lado, as pesquisas revelam que  crianças com um desenvolvimento cognitivo mais avançado já começam a mentir aos dois anos. O normal é começar a fazê-lo a partir dos 3 ou 4 anos e fazem-no da mesma maneira que mergulham no resto dos terrenos desconhecidos. Isto não é mais do que a experiencia por tentativa e erro, dizer uma mentira e comprovar até onde chega o drama das suas consequências.

Além disso, em determinadas situações e já com certa idade, a mentira pode ser provocada por querer chamar a atenção. Ou até mesmo por pura proteção da intimidade da criança ou até por puro desejo.

Assim, enquanto pais, devemos estar conscientes do que fazemos sempre que mentimos aos nossos filhos. Se descobrirem a mentira, provavelmente vão se sentir traídos. Além disso, se usarmos a mentira para manipular as crianças com promessas que depois não cumpriremos, um dia a nossa palavra não terá qualquer valor.

Por isso ficamos com a conclusão do estudo de Talwar.

Os pais e educadores têm que comunicar mais com os filhos e explicar as diferenças entre a mentira e a verdade. Como na maioria das situações, o diálogo é a melhor solução.

image@depositphotos

Por Pedro Liberdade em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

mais informações na notícia da McGill University:

Professor Victoria Talwar: The Truth About Lying

 

 

As crianças e a mentira

Fevereiro 9, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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mentira

 

Este artigo, publicado hoje no site Up to Kids, foi escrito pela Drª  Maria João Cosme, técnica do serviço SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança.

“A mentira é o acto de mentir, é uma ilusão, um embuste, um erro, uma vaidade, uma peta, uma falsidade, um engano propositado e é uma afirmação contrária à verdade com intenção de enganar.” (Dicionário de Língua Portuguesa).

Mas e no caso das crianças? Porque mentem as crianças?

O recurso à mentira ou a tendência para esconder a verdade é algo que assusta pais e cuidadores. Porque tudo o que não controlamos, assusta!..

Podemos referir vários motivos pelos quais se pode mentir:
Medo da Punição; Imaginação/Fantasia; Para proveito próprio; Agradar aos outros; Ser aceite socialmente; Imitação; Chamar a atenção; Negar responsabilidades; Melhorar autoestima.

Pode ainda existir outra situação que leve a criança a mentir, mas não intencionalmente, quando por exemplo ela não entende a pergunta dos pais. A mentira por mal-entendido. Por vezes as crianças não têm ainda adquiridas algumas noções, como a do tempo por exemplo, e os adultos terão que ter esse entendimento e utilizar uma linguagem mais adequada e adaptada à idade.

 

Será que a mentira também cresce com a idade?
A partir dos 3 anos
Por esta altura, a criança ainda não consegue estabelecer uma barreira entre a realidade e a fantasia. “A criança faz uso da mentira porque acredita que o que está a relatar aconteceu mesmo” (Ramalho, 2006).

A imaginação faz parte do desenvolvimento normal e emocional de uma criança.

A partir dos 7 anos
É por volta dos 7 anos que a criança começa a distinguir a verdade da mentira. Nesta idade, a criança acaba por usar a mentira para obter aprovação ou para fugir as consequências de um erro que cometeu, ou seja, já mente de uma forma intencional, o que não acontecia antes.

Adolescência
Na adolescência, “começam a usufruir cada vez mais da mentira quando descobrem que esta pode ser aceite em certas ocasiões e até ilibá-los de responsabilidade e ajudar a sua aceitação pelos colegas” (Carreteiro, 2004).

A mentira nesta altura pode surgir como uma atitude de revolta, ou devido à rigidez das regras impostas pelos pais, ou até mesmo para serem aceites socialmente. Nesta fase, existe intenção de enganar o outro e também de melhorar a sua autoestima e isto pode levar ao afastamento para com os progenitores.

 

O que se deve fazer?
É importante não ignorar, nem achar piada à atitude que a criança teve, pois a criança pode encarar a mentira como algo normal, algo aceite socialmente, mas também é importante não entrar em pânico, porque apesar de tudo, a mentira é utilizada com bastante frequência no quotidiano de toda a gente.

Diálogo: É importante que os pais tenham uma conversa calma com as crianças, para lhes explicar a importância da verdade no quotidiano, as vantagens que a mesma tem e até mesmo as desvantagens da mentira.

Confiança: Uma criança, de qualquer idade, vai sentir-se mais feliz e importante se os pais lhe demonstrarem frequentemente que confiam nela. Se a criança for apanhada a dizer uma mentira, os pais terão de lhe dizer que isso não irá fazer com que eles deixem de confiar nela, mas têm de lhe fazer ver que, se continuar a mentir, vai acabar por fazer com que ninguém acredite nela.

Segurança: A criança tem de se sentir segura para dizer a verdade, sem ameaças e sem receios. As mentiras nem sempre são fáceis de descobrir, pelo que os pais devem certificar-se sempre de que existiu mesmo uma mentira e se realmente a criança mentiu. A necessidade de saber o que realmente aconteceu é justificável. Só assim os adultos conseguem ajudar a criança a regular e corrigir comportamentos e assegurar a sua segurança e bem-estar.

 

A verdade na mentira
A verdadeira mentira implica alguma intencionalidade e está normalmente associada sobretudo a dois aspetos: evitar castigos ou desiludir o outro, ou conseguir algo que deseja muito. Assim, podemos ver alguma legitimidade no recurso à mentira, no sentido em que é uma tentativa de não desiludir ou evitar um problema maior. No entanto é importante não reforçar o comportamento de forma negativa.
A mentira frequente constitui um padrão de comportamento desadequado. Muitas vezes as mentiras são um recurso usado quando a verdade é demasiado dolorosa ou humilhante, ou como chamada de atenção.

É sempre importante estar atento aos sinais.

 

Alguns conselhos:

– Evitar rótulos. Dizer mentiras é diferente de ser mentiroso.

– Dar o exemplo.

– Clarifique que existem opções que não implicam mentir, por exemplo, ao receber um presente de que não gostou, pode simplesmente agradecer.

– Quando a criança mente, o assunto deve ser abordado com calma, sem ameaças de castigos ou de ressentimentos para com ela, para não reforçar pela negativa.

– Evitar dar oportunidade à mentira. Se já sabe que a criança não fez os trabalhos de casa, porquê perguntar se estão feitos?

– Elogiar o comportamento positivo e não recorrer à punição/castigo. Dizer que agimos mal ou que falhámos de alguma forma é difícil, especialmente quando o temos de fazer perante as pessoas mais importantes para nós. Elogie e reconheça a coragem da criança em fazê-lo. Promova a reparação do dano causado em vez do castigo.

Em jeito de conclusão, deve-se procurar reforçar a relação de confiança, assegurando à criança que por muito mau que tenha sido o comportamento, o importante é que ela seja capaz de o partilhar com os adultos próximos para que estes possam ajudá-la.

O meu filho mente. O que é que eu faço?

Janeiro 12, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 28 de dezembro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Detecting Deception in Children: A Meta-Analysis

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Avaliar personalidade: se a mentira é patológica, é necessária uma intervenção especial. Avaliar a personalidade da criança, a sua vida emocional, ambiente familiar, sentimentos de medo, ansiedade, rejeição, insegurança. Estudar com profundidade as causas desses comportamentos. Em caso de dúvida, fale com os professores e/ou consulte um psicólogo ou especialista em desenvolvimento infantil

Por: Sara Dias Oliveira

Fotografia @ Shutterstock

Quando os mais novos mentem, os mais velhos podem dar passos importantes. Deixamos algumas dicas.

Há filhos que mentem aos pais. Facto. E estes só conseguem detetar 47,5% das mentiras dos filhos, segundo um estudo internacional publicado no Law and Human Behavior, jornal da Associação Americana de Psicologia. Quase metade, portanto. A percentagem surge depois de 45 experiências com 7 893 adultos e 1 858 crianças em diversos contextos. Se há mentiras, há perguntas que batem à porta. Uma educação autoritária? Regras demasiado exigentes? Estratégia para evitar castigos? Uma maneira de chamar a atenção? Esconder sentimentos negativos? Fruto de uma imaginação fértil? Há mentiras e mentiras. As inofensivas e as preocupantes. Há causas e causas. E que podem estar dentro de casa.

«A mentira na criança pode ser um fator pontual, um comportamento frequente ou pode até chegar a transformar-se numa patologia», escreve o espanhol Guillermo Ballenato, especialista em Psicologia Educativa, no seu livro Educar sem Gritar [ed. Esfera dos Livros]. «A ocultação e a falsidade podem destacar em muitos casos o medo das consequências, a desconfiança ou um certo distanciamento dos pais.»

Mentira detetada, hora de atuar. Perante as mentiras dos mais novos, os adultos devem analisar as causas, entender os motivos, prevenir situações, e intervir.

Cada caso é um caso. Neste assunto, as particularidades são importantes. É preciso perceber se o discurso está ou não ligado a uma fase de fantasia, se as mentiras se repetem e se tornam um hábito, entender as razões por detrás da necessidade de contornar a verdade. «Quando um filho mente e consegue enganar-nos não se trata de saber se a criança é muito hábil ou o adulto muito ingénuo, o que denota é que estamos longe da criança», sublinha Javier Urra, psicólogo clínico e pedagogo terapeuta, no livro O Pequeno Ditador [ed. Esfera dos Livros].

Há mentiras que não provocam estragos e há mentiras que causam transtornos. As crianças, nos primeiros anos de vida, não mentem. Inventam histórias, contam aventuras imaginárias porque fantasia e realidade confundem-se e a imaginação trabalha sem parar. Até aos 7 anos, é normal que ficção e realidade andem lado a lado. É sobretudo na adolescência que os filhos tentam ocultar a verdade sobre determinados assuntos, como consumo de substâncias aditivas, por exemplo por medo da reação dos pais. Seja como for, os adultos, pais ou educadores, devem estar de olho bem aberto e não esquecerem que o exemplo é fundamental. «É preciso analisar serenamente as causas da mentira e compreender os motivos reais que a criança possa ter tido para a utilizar. Devemos compreender a mentira como um sintoma. Os pais podem prevenir em grande medida estas situações, e intervir perante elas», sublinha Ballenato.

 

 

Os filhos mentem aos pais. O que fazer?

Dezembro 9, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do http://www.educare.pt/ de 28 de novembro de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Detecting Deception in Children: A Meta-Analysis

educare

Sara R. Oliveira

Estudo internacional revela que os pais só “apanham” metade das mentiras dos filhos. Daniel Sampaio, psiquiatra, defende confronto firme quando as mentiras se repetem. E lembra que as mentiras de pais para filhos “são mais preocupantes”.

Não há volta a dar e não vale a pena colocar paninhos quentes. Os filhos, por vezes, mentem aos pais. Há um estudo internacional, que resulta de várias investigações feitas sobre o assunto, que conclui que os pais só conseguem identificar 47,5% das mentiras dos filhos. A análise agora revelada demonstra, portanto, que os pais nem sempre têm o faro apurado para perceber que há mentiras nas conversas dos mais pequenos. A pesquisa, publicada no Law and Human Behavior e que envolveu 7893 adultos e 1858 crianças em 45 experiências, lembra que os adultos analisam com regularidade se os mais novos dizem ou não a verdade em vários contextos, nomeadamente em casa e na escola.

As pequenas mentiras dos filhos acontecem e são normais. “São mais preocupantes as mentiras de pais para filhos, de que ninguém fala – porque os pais devem transmitir valores e a verdade é um deles”, refere o psiquiatra Daniel Sampaio ao EDUCARE.PT. “Se os pais são verdadeiros com os filhos e usam a verdade na relação, é raro que as mentiras dos filhos sejam preocupantes”, sublinha. O que deve preocupar, na sua opinião, são as mentiras persistentes, repetidas várias vezes, e sobre o mesmo tema, seja, por exemplo, sobre o estudo, os amigos, seja sobre o consumo de álcool e drogas. “Os pais não devem ter a obsessão de andar atrás dos filhos para ver se eles faltam à verdade, mas devem confrontá-los com firmeza se a mentira se repete”.

Os pais devem estar atentos, os professores também, sobretudo se as mentiras se repetem. “Na adolescência as mentiras são mais frequentes, porque há um mundo de descobertas que se quer, muitas vezes, manter privado, até por receio da reação dos pais”. O que fazer? A estratégia é sempre a mesma. Daniel Sampaio aconselha a falar com calma, ouvir com atenção, corrigir comportamentos. “Em caso de repetição, deverá haver um castigo imediato, que incida sobre a vida dos mais novos”. “Em todos os casos, a confiança interpessoal entre adultos e jovens é o caminho a seguir”, aconselha.

A relação e a comunicação entre pais e filhos são importantes neste contexto, mas nem sempre é possível detetar todas as mentiras. Se a mentira é apanhada, então é fundamental “perceber porque aconteceu e encontrar alternativas à mentira com a criança ou adolescente e as vantagens dessas alternativas”, afirma Rita Castanheira Alves, psicóloga infantojuvenil e de aconselhamento parental, ao EDUCARE.PT. Há estratégias para lidar com a situação. Comunicação saudável, conhecer bem como funcionam os mais novos, as suas reações e comportamentos, uma presença frequente e consistente dos adultos, são importantes para resolver problemas desta dimensão. “Mais do que o foco na deteção de mentiras, o trabalho preventivo de comunicação saudável, relação aberta, o adulto como modelo são estratégias eficazes e que poderão tornar a mentira uma exceção, ainda que possa inevitavelmente surgir, a par com a forma como se lida quando a mentira são aspetos fundamentais para a extinção ou reforço da mesma”, diz.

Fantasia ou experiência?

O que os pais devem fazer se confirmarem que os filhos mentem demasiadas vezes? “Antes de mais, refletir sobre que tipo de mentiras estão em causa, para que se perceba se é uma fase de fantasia ou uma ‘experiência’ de lidar com a realidade e paralelamente, acima de tudo, compreender esse sintoma: porque será que o meu filho necessita de mentir?”.

Há mentiras e mentiras. As mentiras não são todas iguais, não têm a mesma dimensão. Rita Castanheira Alves, que acaba de publicar o livro Adolescência, Os Anos da Mudança, lembra que em idades mais precoces, em que a fantasia e a imaginação estão muito presentes e a borbulhar, aparecem muitas mentiras em que a realidade se confunde facilmente com a ficção e, por vezes, surgem mentiras em que a própria criança parece quase acreditar e que são ditas quase como forma de interpretar e dar sentido à realidade “e não como uma estratégia premeditada, negativa e de recurso à mentira de forma negativa e preocupante”. E a forma como os adultos lidam com as primeiras vezes em que são confrontados com mentiras “poderá influenciar o recurso recorrente à mesma ou o abandono da estratégia e substituição por outra mais saudável e adequada”.

As crianças crescem e a mentira poderá tornar-se mais frequente. Por isso, é necessário que os pais compreendam o contexto e os motivos. Há vários aspetos que convém aprofundar. “Perceberem porque a criança precisa de recorrer a essa estratégia; frequência do uso da mesma e contextos (se é pontual, recorrente; só em casa; só na escola; com todos os adultos; com os pares; com adultos e/ou pares específicos); os pais refletirem sobre o seu próprio recurso à mentira; a forma como ela é praticada com a criança; se está a servir como fuga a uma consequência, punição; se poderá significar o receio da criança/adolescente desiludir o pai/a mãe; se é associada à fantasia ou a aspetos muito práticos e planeados; como foi trabalhada a relação entre pais e filhos quando a criança/adolescente optou por dizer a verdade mesmo sobre atos mais negativos; se houve e há ganhos com o recurso à mentira.”

Comunicação constante e saudável
Os professores também devem estar atentos. “São agentes educativos fundamentais na deteção precoce de situações de risco, com quem a criança/adolescente está bastante tempo, pelo que a deteção destas situações como de outras precocemente poderá ser excelente contributo para que depois se possam mobilizar as estratégias necessárias por parte dos pais e até a ajuda aos mesmos na compreensão dos motivos das mentiras dos filhos. Por outro lado, são modelos, pelo que poderão ser excelentes transmissores do valor e importância da verdade e ajuda da criança/adolescente a praticarem a mesma”.

Há conselhos neste domínio. “Estimular a comunicação constante e saudável com a criança/adolescente e a relação aberta como estratégias preventivas que permitam que, em momentos de crise, opte por partilhar a verdade com os adultos, evitando danos maiores.” Rita Castanheira Alves realça que os pais devem, antes de mais, refletir sobre o seu próprio recurso à mentira, sobre a necessidade e os motivos da criança recorrer à mentira tão frequentemente e agirem nos motivos que possam estar a perturbá-la. Devem reagir de acordo com a compreensão dos motivos do recurso à mentira e com a transmissão de soluções alternativas, objetivas e como uma oportunidade para, em conjunto, praticarem a verdade em futuras situações. Devem perceber se acontece só com os pais ou com outros adultos e amigos e noutros contextos.

Os adultos devem proporcionar e estimular positivamente o recurso à verdade, mesmo quando a criança ou adolescente partilham situações e comportamentos negativos. Devem também ter cuidado para não proporcionar um contexto de medo que faça com que os mais novos se retraiam nos momentos de partilha, e devem elogiar quando é dita a verdade mesmo que seja difícil ouvi-la – nestes casos, de comportamentos ou situações negativas, é necessário um trabalho de intervenção no comportamento negativo que foi partilhado para reparar a situação e, acima de tudo, aprender com os erros.

Pais autoritários criam filhos mentirosos

Setembro 1, 2016 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto da http://visao.sapo.pt/ de 26 de agosto de 2016.

Suzanne Plunkett

Rui Antunes

Mas, quanto mais precoces a fugir à verdade, maior a probabilidade de as crianças se tornarem inteligentes e bem-sucedidas

As crianças não mentem’ é uma daquelas verdades que damos como absolutas se nos quisermos enganar a nós próprios. Claro que mentem, sobretudo quando fazem algum disparate e não querem ser descobertas. Mas há umas que mentem mais do que outras: as que recebem uma educação autoritária e inflexível na imposição de regras.

Esta é a grande novidade do mais recente estudo conduzido pela canadiana Victoria Talwar, uma especialista na matéria que coleciona inúmeras investigações na área do desenvolvimento cognitivo das crianças. Já se sabia que elas mentem desde os dois anos e por vários motivos, como aponta o psicólogo infantil Mário Cordeiro neste artigo, mas a professora da Universidade McGill, em Montreal, veio agora relacionar a frequência das mentiras com o ambiente mais ou menos rígido em que são educadas. Em casa ou na escola, quanto mais regras os pais e os professores definirem e mais punições impuserem a filhos e alunos quando eles não as cumprem, maior é a tendência para criarem um mentiroso.

Um novo método da equipa de investigadores de Talwar para medir a honestidade das crianças consiste em fazê-las adivinhar qual o objeto que faz determinado som sem olharem para ele. Após duas ou três tentativas de resposta fácil, o teste chega a um ponto em que é impossível associar um som mais estranho a qualquer objeto. Então os investigadores arranjam uma desculpa para saírem da sala e, ao regressarem, insistem na questão: “Qual é o objeto que faz este som?”. E acrescentam outra: “Espreitaste?”

Victoria Talwar fez a experiência em duas escolas africanas, uma com um regime disciplinar mais autoritário e focado na obediência às regras, outra com menos obrigações e castigos. E os resultados do jogo da espreitadela, como lhe chamam, foram bastante conclusivos: enquanto na segunda escola a percentagem de crianças que mentiram, ao dizerem que não tinham espreitado o objeto, ficou em linha com a média de outros estudos do género, na primeira a quantidade de mentirosos disparou.

A explicação avançada é bem simples e lógica: as crianças mentem mais ao sentirem a ameaça de uma punição. É uma espécie de reação em legítima defesa.

Embora moralmente condenável, a habilidade para mentir também tem o seu lado positivo. As crianças que desenvolvem essa capacidade tendem a tornar-se mais inteligentes e bem-sucedidas. E, como ficou demonstrado neste estudo de Kang Lee, da Universidade de Toronto, quanto mais cedo começarem a fintar a verdade, melhor.

 

 

 

Pais acreditam nas mentiras das crianças

Junho 16, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do site http://www.paisefilhos.pt de 12 de maio de 2016.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Can parents detect 8- to 16-year-olds’ lies? Parental biases, confidence, and accuracy

Metade dos adultos é incapaz de adivinhar quando os filhos estão a dizer mentiras. De acordo com um estudo realizado por investigadores canadianos, na base desta dificuldade está o facto de pais e mães confiarem, a um nível subconsciente, na honestidade intrínseca das crianças e, assim, não estarem habitualmente desconfiados das suas intenções ou do seu discurso, a menos que a inverdade seja flagrante. Aí, o “detetor de mentiras” mostra-se mais eficaz.

Durante a análise, os especialistas das universidades de Brock e de Toronto avaliaram 72 famílias, com filhos entre os oito e os 16 anos. Todas as crianças e adolescentes foram filmadas quando questionadas sobre se tinham copiado num teste. Todas responderam que não, mas apenas algumas estavam a ser verdadeiras. Quando os adultos viram os filmes, apenas 50 por cento conseguiu descobrir quando estavam a mentir. Curiosamente, a idade dos filhos não fez qualquer diferença na incapacidade de os pais detetarem mentiras.

O fenómeno baseia-se na “visão distorcida – e muitas vezes mais positiva – que temos das pessoas que nos são mais próximas. No caso das crianças, muitas vezes temos a perceção de que são mais honestas do que na realidade acontece”, lê-se no relatório do estudo, o qual adianta que “as ferramentas para destrinçar a verdade da mentira falham frequentemente com estranhos, mas também com familiares”.

Os cientistas canadianos frisam que a “dizer a verdade é importante em qualquer relação e no caso de pais e filhos não há exceção a esta regra. No entanto, também é sabido que faz parte da natureza humana efabular”. Para promover uma ligação mais honesta, os mesmos especialistas advogam a criação de uma “cultura de verdade familiar” em que adultos e crianças “se habituam a dizer as coisas como elas são, sem receios de represálias injustificadas e com base no diálogo”.

 

 

Crianças que mentem bem têm memória melhor, aponta estudo

Agosto 12, 2015 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do site http://revistacrescer.globo.com de 15 de julho de 2015.

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Liar, liar, working memory on fire: Investigating the role of working memory in childhood verbal deception

ponoquio

Por Naíma Saleh

Seu filho é desses que vivem inventando histórias? Diz que foi a lugares que não foi, que comeu coisas que não comeu, que passeou por lugares onde, na verdade, nunca esteve? Ela conta que leu livros que nunca nem tocou?

Sim, é natural que os pais se preocupem quando surpreendem a criança contando uma mentira. Mas pesquisas apontam que esse “talento” para inventar  lorotas não é, de todo, ruim. Um estudo publicado no Journal of Experimental Child Psychology constatou que crianças que são boas em mentir tem uma melhor memória de curto prazo, principalmente sob o aspecto verbal. Isso porque é preciso ter certa habilidade para inventar histórias, sustentá-las sem cair em contradição e ainda convencer seu interlocutor pelos detalhes.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão ao realizarem um teste com crianças entre 6 e 7 anos. Eles propuseram aos pequenos um jogo de perguntas e respostas. Havia três cartas, cada uma com uma pergunta de um lado e a resposta no verso, ilustrada por um desenho. Os pesquisadores faziam a pergunta e as crianças deveriam respondê-la, se soubessem. Na última carta, a questão se referia ao nome de um personagem de um determinado desenho que… nunca existiu. Ou, seja as crianças jamais poderiam acertar a resposta. No entanto, antes de os pequenos terem a chance de contestar essa última questão, o pesquisador saía da sala por um momento – enquanto isso, as crianças eram gravadas.

Foram avaliadas as respostas de todas essas crianças que espiaram a carta enquanto o pesquisador não estava na sala e, portanto, responderam corretamente à questão. A qualidade da mentira foi avaliada pela riqueza de detalhes que cada criança deu. Alguns até disseram coisas como: “Esse é o meu personagem favorito, assisto todo sábado, então, conheço os personagens”.

Essas crianças que mentiram melhor também alcançaram notas mais altas nos testes de memória. Para os pesquisadores essa vantagem ficou evidente pela forma desenvolta com que os melhores mentirosos responderam. “É preciso muito esforço mental para manter em mente o que você sabe que disse, o que você acha que o pesquisador sabe e planejar uma maneira de não ser pego”, comentou a autora do estudo Tracy Alloway.

 

As mentiras na infância

Fevereiro 27, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Elsa Fernandes no Diário de Aveiro de 17 de fevereiro de 2014.

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