Onde vivem os monstros – Hora do Conto na Biblioteca Odete e Carlos Gaspar – Samora Correia

Fevereiro 11, 2015 às 3:04 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Maurice Sendak: o coração que vivia na infância

Maio 9, 2012 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 9 de Maio de 2012.

D.R.

D.R.

Por Diana Garrido

Morreu o autor de “Onde Vivem os Monstros” e de mais de duas dezenas de livros para crianças. Sendak tinha 83 anos e muitos milhões de livros vendidos

Não foi o amor às crianças que levou Maurice Sendak a dedicar mais de 50 anos de trabalho aos mais novos. Nem em criança ele gostava delas: “Não tive muitos amigos em criança. Basicamente observava-os. Punha-me à janela e desenhava-os.”

Não é por admiração que começa a escrever e a ilustrar livros. A razão é outra: “Escrevo livros para crianças, mas não é porque tenha uma adoração por elas – não tenho. É uma peculiaridade minha. É um mau funcionamento, está bem? É peculiar, mas é a única coisa que sei fazer”, confessou Sendak ao realizador Spike Jonze no documentário da HBO “Tell Them Anything You Want: a Portrait of Maurice Sendak”.

Então que diabo leva um homem a criar alguns dos mais populares livros infantis? “Tenho pensamentos e experiências de adulto na minha cabeça, mas nunca falarei sobre eles. Estarei preso na infância? Bom, acho que é lá que está o meu coração.”

E foi esse mesmo coração que o traiu, aos 83 anos. O autor de “Onde Vivem os Monstros”, adaptado ao cinema por Spike Jonze como “Sítio das Coisas Selvagens”, morreu ontem, de ataque cardíaco. Para trás ficam ilustrações para mais de 100 livros e 20 escritos e ilustrados por ele.

“Onde Vivem os Monstros”, que vendeu 17 milhões de cópias, é o livro mais popular do autor. Mas foram precisos dois anos “para as bibliotecas percebe- rem que era aquele o livro que os miúdos levavam vezes sem conta”, explica Sendak no documentário. Antes disso, a história foi alvo de duras críticas. “A controvérsia girou à volta da mãe incapaz de disciplinar o filho, uma mãe que se baixou ao nível de zanga da criança quando ela diz que não quer comer e atira com a comida. Nenhuma mãe deve fazer isso. E eu concordo. Mas também sei que mães e filhos são seres humanos e que por isso às vezes falham”, diz Sendak.

Foi Ursula Nordstrom, editora de Sendak, que insistiu na publicação do livro. “Eu sabia que o livro ia provocar controvérsia. Mas a Ursula encorajou-me e disse-me que não ligasse ao que diziam. Se não fosse ela eu não teria conseguido. Ela fez de mim o que sou hoje. Dava-me um livro para fazer todos os anos. Nunca andei numa escola de arte, mas ela via para lá disso e sabia que eu podia ser um ilustrador importante.”

Conhecido pelo seu sarcasmo e até pelo ódio ao mundo no geral, Sendak não hesita na resposta quando Jonze lhe pede um conselho para os jovens, “desistam desta vida o mais cedo que conseguirem”, ou quando uma jornalista do “The Guardian” lhe pergunta a opinião acerca dos ebooks: “Odeio-os. É como tentarem dizer que existe outra espécie de sexo. Não existe outra espécie de sexo e não existe outra forma de livro. Um livro é um livro!”

Maurice era filho de um casal de judeus emigrados da Polónia, e era o mais novo de dois irmãos. “Fui um acidente. O meu pai foi à farmácia e comprou tudo o que lá havia para a minha mãe abortar. Forçou-a a engolir uma série de coisas tóxicas. Até comprou uma escada para ela poder cair lá de cima caso as drogas não funcionassem. O resultado foi transformar-me num miúdo doente. Foram eles que me contaram isto. Contavam isto muitas vezes, tornou-se uma espécie de boa história”, confessa no documentário.

A salvação foram os irmãos, Natalie e Jack: “Eram pessoas maravilhosas. Tive muita sorte em ser o mais novo. A minha irmã levava-me ao cinema, a passear. Eu amava-a ferozmente. Ela foi a mãe que eu escolhi. Foram os meu professores. Eu copiava as fotografias do meu irmão e inventava cartoons e escrevíamos histórias. Com ele tudo tinha um sabor artístico. Esses foram os melhores tempos.”

Começou a carreira com Ruth Krauss, escritora de livros infantis, que se apaixonou pelos desenhos de Sendak. Após alguns livros em colaboração com Ruth, Maurice decidiu começar a escrever as suas próprias histórias. Com “Onde Vivem os Monstros” a vida do autor mudou para sempre.

Apesar de ter vivido uma relação estável durante 50 anos com o seu companheiro Eugene Glynn, que morreu em 2007, altura em que Sendak começou a ter problemas de coração, o autor lamenta não ter aproveitado a vida. “A diversão passou-me toda ao lado. Fui um miúdo muito aborrecido. E agora é triste porque acabou.”

 


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