Teste da UA e do IPS deteta crianças com problemas linguísticos

Fevereiro 14, 2014 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

Noticia do site da Universidade de Aveiro de 7 de Fevereiro de 2014.

aveiro

Chama-se Teste de Linguagem – Avaliação de Linguagem Pré-Escolar (TL-ALPE), permite avaliar o desenvolvimento linguístico em crianças dos 3 aos 6 anos e pretende ajudar a reduzir a percentagem de crianças – cerca de 10 por cento – que chegam ao 1.º ciclo com perturbações de linguagem por diagnosticar. Concebido por uma equipa de investigadoras da Universidade de Aveiro (UA) e do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) o TL-ALPE permite, de forma simples e eficaz, avaliar as competências linguísticas das crianças em idade pré-escolar nas áreas da semântica, da morfossintaxe e da fonologia. Desempenhos abaixo dos limites normais e não intervencionados em idade precoce podem comprometer o sucesso escolar e social.

O teste, aferido cientificamente para os pequenos falantes da língua portuguesa, está construído de forma a que, intuitivamente, possa ser utilizado pelos profissionais que trabalham diretamente com a faixa etária dos 3 aos 6 anos.

“Educadores de infância, psicólogos ou pediatras podem usar o instrumento para um despiste rápido de uma perturbação no desenvolvimento linguístico das crianças e sempre que necessário devem fazer o encaminhamento para um terapeuta da fala”, explica uma das quatro autoras do teste, Marisa Lousada, professora na Escola Superior de Saúde da UA. Já os terapeutas da fala, através do TL-ALPE, podem não só avaliar detalhadamente as competências linguísticas dos pequenos pacientes como, através dele, elaborar um plano de intervenção específico para os problemas encontrados.

“O TL-ALPE permite avaliar a compreensão auditiva e a expressão verbal oral em várias áreas”, aponta a investigadora que junta a docência à investigação no Instituto de Engenharia Eletrónica e Telemática de Aveiro (IEETA), um dos pólos de investigação da UA. Assim, através do teste “o terapeuta da fala pode avaliar nas crianças a forma como constroem frases, o tipo e a riqueza do vocabulário que utilizam e a compreensão que têm ou não sobre a linguagem”. Mais, os técnicos podem perceber se os pequenos “compreendem frases complexas, se conhecem o significado das palavras que são utilizadas e se são capazes de refletir sobre a linguagem”.

Tratamento precoce é fundamental

“É muito importante a capacidade que este instrumento dá ao terapeuta da fala de perceber como as crianças desta faixa etária estão entre os parâmetros linguísticos considerados normais para aquelas idades”, explica Ana Mendes, investigadora no IEETA, docente no IPS e responsável pelo projeto. “Quanto mais cedo se identificarem as crianças com problemas, mais cedo podem começar a ser tratadas de forma a que, quando ingressarem na escola, já estejam a ser acompanhadas”, explica a autora do teste. “Quanto mais tarde forem intervencionadas mais possibilidades há de terem um grande atraso não só no desenvolvimento linguístico como no cognitivo, escolar e social, com todas as repercussões que isso representa no desenvolvimento do ser humano”, alerta.

Adianta a investigadora que “estando o TL-ALPE aferido para a população portuguesa, o terapeuta aplica-o hoje, implementa o plano de intervenção e volta a usar o mesmo instrumento para analisar a eficácia da intervenção terapêutica”.

Ana Mendes lembra ainda outra das grandes vantagens do TL-ALPE: “Muitas vezes, os terapeutas da fala, como não têm estes instrumentos aferidos, usam o seu próprio instrumento criado por eles ou traduzido de outras línguas” devido ao escasso número de  instrumentos aferidos para o português europeu.

Constituído pelo manual de instruções, por um livro de imagens, por  uma folha de registo e por uma coleção de objetos próprios que estimulam as respostas das crianças de acordo com as indicações do terapeuta, o teste foi desenvolvido no âmbito de dois projetos de investigação financiados pela Fundação Calouste Gulbenkian, pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pelo Ministério da Educação e Ciência. Para além de Marisa Lousada e Ana Mendes, o TL-ALPE tem a assinatura das docentes Fátima Andrade, docente no Departamento de Educação da UA, e de Elisabete Afonso, antiga docente da UA, atualmente a dar aulas no ensino secundário.

Editado pela Edubox, uma empresa spin-off da UA, este novo instrumento de terapia da fala estará disponível a partir de fevereiro, estando atualmente a decorrer uma campanha de pré-reserva do TL-ALPE.

Nota: Mais informações sobre o TL-ALPE podem ser obtidas através dos contatos

_ Edubox SA
email: geral@edubox.pt / tlf: 234 380 309

_ Marisa Lousada
email: marisalousada@ua.pt

 

Universidade de Aveiro desenvolve instrumento único na área da terapia da fala

Julho 24, 2012 às 6:00 am | Publicado em Divulgação, Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , ,

Notícia do site da Universidade de Aveiro de 17 de Julho de 2012.

Crianças portuguesas em idade pré-escolar já têm ferramenta validada que analisa capacidades fonético-fonológicas

Acaba de ser desenvolvido pela Universidade de Aveiro (UA) e é o único instrumento testado e validado capaz de analisar a capacidade de produção de sons orais das crianças portuguesas em idade pré-escolar. Trata-se do Teste Fonético-Fonológico – Avaliação de Linguagem Pré-Escolar (TFF-ALPE) e, pelo grande interesse que tem suscitado entre os terapeutas da fala do país, o instrumento já se assume como um teste fundamental no rastreio, avaliação e diagnóstico das perturbações articulatórias e fonológicas das crianças portuguesas. A corrida ao TFF-ALPE tem uma razão de ser: os instrumentos atualmente utilizados não apresentam dados estandardizados relativos às crianças falantes do português europeu.

«É essencial fazer uma avaliação nesta faixa etária porque os problemas que ocorrem nestas idades em termos fonético-fonológicos podem, mais tarde, ter uma repercussão na aprendizagem da leitura e da escrita», explica Marisa Lousada, uma das investigadoras da Escola Superior de Saúde da UA, responsável pela criação do TFF-ALPE. Assim, «quanto mais cedo se identificar uma perturbação na criança, mais cedo se pode iniciar a terapia, evitando com isso repercussões negativas na altura da aprendizagem da leitura e da escrita», diz a docente da UA.

Terapeutas da fala mas também educadores de infância, psicólogos e outros profissionais de saúde e da educação «podem usar esta ferramenta para fazer o despiste das perturbações entre as crianças e, caso seja necessário, encaminharem-nas para os primeiros poderem intervir», diz Marisa Lousada, ela própria terapeuta da fala. Fácil de utilizar – a ferramenta vem acompanhada de um manual de utilização – o TFF-ALPE é constituído por um livro de imagens (que induzem a produção nas crianças) e pelas respetivas folhas de registo dos resultados.

Para além do teste facilitar a identificação de perturbações articulatórias ou fonológicas , ajuda também os terapeutas da fala a estabelecerem um plano de intervenção e a monitorizarem a sua eficácia e eficiência ao longo do tempo.

O ALPE, que aguarda apenas luz verde de uma editora livreira para satisfazer as necessidades dos profissionais portugueses que trabalham com crianças, foi desenvolvido no âmbito de dois projetos de investigação financiados pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e Ministério da Educação.

No grupo de investigadoras que lhe deu forma, para além de Marisa Lousada, estão também Ana Mendes, Elisabete Afonso e Fátima Andrade.

 


Entries e comentários feeds.