Os filhos únicos adaptam-se. E os pais?

Maio 13, 2016 às 12:30 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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notícia do Expresso de 8 de maio de 2016.

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Determinantes da Fecundidade em Portugal

Stephen Simpson Getty

Ser filho único pode ser uma oportunidade. O problema é a forma como os pais educam. Em Portugal, caminha-se para uma sociedade sem irmãos. É a isto que se deve o declínio da fecundidade no país

Luciana Leiderfarb

Mariana, Leyla, Afonso e Magda não se conhecem, mas têm coisas em comum. Aos sete anos pediram aos pais para ter um irmão. Todos foram guiados pela mesma razão: ter alguém com quem brincar. E nenhum consegue explicar porque essa consciência surgiu nessa idade e não noutra qualquer. Sim, serem filhos únicos é o que os quatro partilham sem o saberem. E não, isso não os tornou pessoas infelizes, mimadas ou egoístas, como os arautos dos estereótipos de café costumam propagar.

Se ser filho único já foi um lugar estranho, hoje é o mais comum. Em 2014, a maioria (54%) dos bebés nascidos em Portugal eram primeiros filhos — o segundo valor mais alto da Europa — enquanto o número de filhos por mulher situava-se em 1,2 — o mais baixo da UE. Os portugueses têm menos filhos, é certo, mas raramente decidem não tê-los, sendo que apenas 8% acabam por não ser pais. E é nesta baixa percentagem que reside a especificidade de um país onde o declínio da fecundidade não se deve ao aumento da opção por não ter filhos, mas ao facto de os indivíduos, querendo ter dois, terem só um. É esta a conclusão do relatório “Determinantes da Fecundidade em Portugal”: o desencontro entre vontade e concretização dita que sejamos cada vez mais uma sociedade de filhos únicos que, todavia, não o quer ser.

E porquê? Encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e coordenado por Maria Filomena Mendes, da Universidade de Évora, o estudo responde a esta questão. Aproveitando os dados do Inquérito à Fecundidade, de 2013, faz a análise dos motivos que leva uma sociedade a comportar-se assim. E o retrato de Portugal que daí decorre é o de um país desconfortável com a sua fecundidade. Onde, como no resto da Europa, se tem filhos tarde (a idade média ao nascimento do primeiro filho em 2014 era de 30 anos, mais 4,5 anos do que em 1990). E onde o tempo é um luxo e se trabalha demais, o segundo filho é ‘empurrado’ até ao limiar biológico. Onde ainda recai sobre a mulher a conciliação dos filhos com o trabalho, onde se ganha pouco e se tende a concentrar num só filho todos os recursos — onde a opção por um só filho, decorrendo de fatores vários, se resume ao possível face ao desejado.

“O estudo mostra uma fratura na sociedade. Mostra que por um lado existe um ideal e por outro um ajustamento que condiciona as decisões reprodutivas”, resume a socióloga Vanessa Cunha. Ajustamento que não é necessariamente mau sinal: “A sociedade troca o que considera o ideal pela qualidade da parentalidade, que não está disposta a ceder. E isto assenta na noção que a criança tem o direito a ver asseguradas as condições de bem estar e de sobrevivência”, explica a investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Ser ou não ser (filho único)

E o que pensa o quarteto que iniciou este texto do que é isto de ser-se filho único? “É mais exigente. Os pais concentram toda a atenção em nós. Há maior vigilância, que não é falta de liberdade. Não acho que se espere mais de mim por não ter um irmão”, diz aos 12 anos Leyla Mitchell, filha de uma portuguesa e de um sul-africano, ambos gestores, a residir na zona de Cascais.

“Tenho muitos primos e estou habituada a partilhar. Os meus pais têm mais tempo, ajudam-me nos estudos. Mas esperam mais de mim e ficam tristes se as coisas me correm mal”, conta Mariana Cardoso, de 16 anos, que vive em Odemira com os pais, funcionários da autarquia.

“Se tivesse um irmão, teria menos do que tenho. Mas teria usufruído a infância de outra maneira. Adaptei-me a ser filho único. Nunca me senti pressionado a ser o melhor”, admite Afonso Garcia, estudante de Desporto de 20 anos a viver na Grande Lisboa. Para Magda Almeida, psicóloga a trabalhar em intervenção comunitária e que olha para trás do alto dos seus 40 anos, as coisas são diferentes: “Não foi fácil, não por estar sozinha, mas pela pobreza das relações. Senti a expectativa dos meus pais: eu tinha de ser excelente e socialmente brilhante, como num conto de fadas. Eu era o que eles queriam que fosse.”

Ao tornar-se adulta, Magda fez uma opção contrária ao que o relatório aponta como tendência: teve mesmo dois filhos. E também contrariou a maioria dos portugueses ao discordar de que “é preferível ter um filho com mais oportunidades do que mais com restrições”. A franca concordância com esta premissa é uma das maiores descobertas deste estudo e “uma das mais fortes condicionantes” da transição para o segundo filho em Portugal.

Outra é a verificação, por parte de homens e mulheres, de que a ausência do pai enquanto os filhos são pequenos trava a decisão de se avançar para o segundo, enquanto a sua presença jogaria como fator facilitador. “Nenhuma política de estímulo à natalidade deve concentrar-se apenas no papel da mulher. E não é com licenças de maternidade mais alargadas que a desigualdade se resolve”, frisa a demógrafa Maria João Valente Rosa.

Duas visões do mesmo

Mas, afinal, o que é um filho único? “Há uma ideia preconceituosa, que eu não aceito. Estes filhos têm de desbravar caminho sozinhos e isso dá-lhes maior resiliência, autoestima e maturidade. Estão mais preparados para tomar decisões”, sustenta a psicóloga Isabel Feio. O problema é a forma como são educados: “Pais sobreprotetores podem abafar estas vantagens. Muitos transmitem uma dupla mensagem: por um lado infantilizam-nos e por outro exigem-lhes perfeição. Um filho mimado não é um filho único. É um ser asfixiado que não encontrou o seu lugar.”

Em termos sociais, o quadro é menos animador. “É uma sociedade que representa esse fortíssimo investimento numa criança, em que o centramento na criança é enorme. Em que há um empobrecimento das relações, pois perde-se um laço que não é substituível. É uma sociedade onde as crianças vivem no mundo dos adultos”, reflete Vanessa Cunha.

Os quatro filhos únicos que entrevistámos não parecem estar nesta situação. Coincidem numa palavra: adaptação. Adaptaram-se. “Nunca temos o que queremos nem queremos o que temos. Isto acontece sempre, faz parte do ser humano”, reflete Leyla.

 

 

Disparou o número de crianças a viver só com a mãe

Maio 10, 2016 às 9:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://rr.sapo.pt de 2 de maio de 2016.

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Determinantes da Fecundidade em Portugal

DR

A natalidade aumentou quase 4% em 2015, mas há um dado essencial a reter: mais de 16% destes pais não são casados nem coabitam. Um deles, habitualmente o pai, emigrou.

A percentagem de crianças a viver só com a mãe disparou em Portugal, e, na maioria dos casos, a responsabilidade é da crise e da emigração. As conclusões são do estudo “Determinantes da Fecundidade” que divulgado esta segunda-feira pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS).

O estudo conclui que em 2015 a natalidade aumentou em Portugal quase 4%, numa aparente inversão de tendência, mas há um dado essencial a reter: mais de 16% destes pais não são casados nem coabitam. A percentagem triplicou nos últimos 10 anos.

A coordenadora do estudo, a demógrafa Maria Filomena Mendes, aponta, em declarações à Renascença, duas explicações para o fenómeno. “Alguns dos casais que coabitavam deixaram de viver na mesma casa devido à emigração. Durante o período da crise, a partir de 2010, tivemos valores altíssimos de emigração, sobretudo masculina. Muitos dos bebés nascidos em Portugal no ano passado podem ser um reflexo desta situação”, observa.

“Outra razão será a própria crise. Alguns casais não têm condições para viver em casa própria. Ou seja, tem os filhos mas continua, cada um dos progenitores, a viver na casa dos pais”, explica a demógrafa.

Maria Filomena Mendes tem contudo a esperança de que, uma vez ultrapassada a crise, quando os pais não forem obrigados a emigrar, muitas destas famílias possam voltar reunir-se. “Acho que podemos ter essa expectativa, porque quer os homens quer as mulheres querem ter filhos”, afirma.

“O estudo mostra exactamente isso: A maioria dos portugueses quer ter filhos, pelo menos um filho, e tanto as mães como os pais querem participar activamente e ter tempo para acompanhar os filhos no seu crescimento e na sua educação”, sublinha. “Isso, provavelmente, é um motivo para termos esperança no futuro da fecundidade em Portugal.”

 

 

Mortalidade infantil está abaixo da média comunitária

Setembro 19, 2013 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da Rádio Renascença de 9 de Setembro de 2013.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Report on Health inequalities: gaps in life expectancy and infant mortality narrow across the EU

São dados da Comissão Europeia relativos a 2011. Apesar disso, caso português melhorou nos últimos 10 anos.

Portugal tem a sexta taxa de mortalidade infantil mais baixa da União Europeia. No entanto, a esperança de vida fica abaixo da média comunitária, segundo dados de um relatório sobre “desigualdades na saúde” divulgado pela Comissão Europeia.

De acordo com os dados do documento, a taxa de mortalidade infantil em Portugal baixou de 5 crianças por cada mil nados-vivos em 2001 para 3,1 em 2011, ano dos últimos dados conhecidos.

Já em termos de esperança de vida, em Portugal, os homens podem esperar ter 60,7 anos de vida saudável e as mulheres 58,7 anos, valores que também ficam abaixo da média comunitária.

Para Maria Filomena Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Demografia, os números da mortalidade infantil revelam uma aproximação a níveis europeus e mundiais, o que vai ter reflexo positivo no que toca à esperança média de vida.

Declaração de Maria Filomena Mendes Aqui

[notícia actualizada às 20h13]

 


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