Manuais Escolares Gratuitos 2018/2019 – 1.º ao 12.º ano das Escolas Públicas de Lisboa

Julho 13, 2018 às 9:18 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Manuais Escolares Gratuitos 2018/2019
A Câmara Municipal de Lisboa apela aos Encarregados de Educação que não comprem os manuais escolares.
A CML, em colaboração com o Ministério da Educação, oferecerá “vouchers” para serem trocados por manuais escolares nas livrarias habituais. Estes “vouchers” poderão ser descarregados a partir de uma plataforma eletrónica que será divulgada nas próximas semanas.
Mais informações: www.cm-lisboa.pt/manuaisescolaresgratuitos

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Os livros devem ser “lidos, explorados, anotados, sublinhados e guardados”

Janeiro 10, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo de Sara Oliveira para o site EDUCARE, em 21-09-2017.

Os hábitos de leitura sofrem com as novas tecnologias? A relação do livro com os mais novos está a mudar? O que se pode fazer? Como devem ser usados os manuais escolares? Sublinhar ou não sublinhar? Jorge Ascenção, Manuel Pereira, Filinto Lima e Paulo Guinote partilham as suas opiniões sobre estes assuntos.

Ler, livros, leitura. Juntar palavras, construir frases, contar ou inventar histórias. Descobrir novos mundos, entrar no reino da fantasia, acompanhar vidas reais ou imaginárias. Aprender, descobrir, pensar. Ler, sonhar, refletir. Construir valores, consolidar princípios. Crescer. Os hábitos de leitura mudam, as novas tecnologias estão para ficar, os alunos leem menos, qual a importância do livro nos primeiros anos da escola? Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, e Paulo Guinote, professor de Português, responderam a várias questões sobre leitura e o que está à sua volta.

“Uma criança que cresce com os livros, que aprende a ‘saboreá-los’ e a senti-los será uma pessoa da arte, da cultura e da cidadania. Será gente e com gente. Será seguramente alguém que vive para além de si e que melhor compreenderá o mundo e a humanidade, vivendo e fazendo parte ativa da sua construção social.
O livro é uma janela para o mundo que tem que se abrir e fechar conforme as circunstâncias. Ajuda-nos a construir uma visão do mundo, a conhecê-lo e a integrá-lo ao mesmo tempo que nos faz saber estar protegidos desse mesmo mundo”. É desta forma que Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), fala do livro e do que ele representa para quem descobre o mundo.

O livro é a base da construção de valores, do valor do trabalho, do afeto, do respeito, da amizade e do amor. Dos valores que fazem da vida um bem maior de experiência e de felicidade. Mas os hábitos de leitura têm vindo a sofrer alterações. São as mudanças tecnológicas, a alteração de estímulos, e outras coisas. “A pressão programática dos extensos currículos escolares, as metas e a obsessão por resultados escolares quase limitados à obtenção de uma nota classificativa (quem há anos atrás falava ou relevava os rankings) e a cada vez maior competitividade sem que se valorizem outras aspetos da formação e do desenvolvimento pessoal, onde o que importa é estar melhor e não o ser bom, são alterações dos últimos tempos que influem nos hábitos de leitura”, refere o presidente da CONFAP.

O livro é um amigo, um manual escolar também. A política de reutilização dos livros escolares no 1.º Ciclo do Ensino Básico condicionará a sua utilização, já que os manuais são cedidos gratuitamente com a indicação de serem devolvidos no final do ano escolar. Como deve então ser esta apropriação do manual escolar no primeiro nível de ensino? “Quando falamos de livros escolares, estamos a falar de um livro de trabalho, por isso lhe chamamos manuais. Um manual é para manusear e adequar ao estudo de quem o utiliza. Por isso não faz sentido impor regras de utilização comuns e uniformes”, refere Jorge Ascenção. Sublinhar ou não sublinhar? Sublinhar a lápis, a caneta, a marcadores de várias cores? “Para muitas crianças do 1.º ano do 1.º Ciclo este manual é o seu início de contacto com o livro e deve ser uma experiência inesquecível de afeto e de prazer com o cheiro e o folhear do livro.” Uma experiência que se quer inesquecível e, por isso, o dirigente da CONFAP defende que tudo deve ser feito para que esses primeiros livros sejam guardados na memória e em casa. “Esta deve ser uma das missões da escola e as políticas devem-no permitir e potenciar. Doutra forma poder-se-á estar a condicionar o gosto pelo livro e até o percurso académico de algumas crianças”, observa.

“O livro é para usar e abusar. Com respeito e responsabilidade, o que não significa necessariamente que não se possa sublinhar ou tomar notas. Depende do livro e do que se pretende com a sua utilização. Percebo o discurso do não estragar, no sentido em que devemos estimar o livro e não maltratá-lo, mas com as crianças temos que ter cuidado com as palavras para não se sentirem coagidas”, avisa. A ideia é que percebam que o livro é um suporte para o seu conhecimento e desenvolvimento. “O discurso de não estragar vai acabar por prejudicar os que mais precisam de ser incentivados por razões que todos entendem. Outra coisa é o estragar sem utilizar ou o negligenciar o cuidado com o livro, isso deve ficar claro em qualquer circunstância e nomeadamente se o livro é oferecido pelo erário público. Mas não se pode penalizar a utilização do livro de acordo com as respetivas necessidades de aprendizagem.”

Pequenas notas são “semáforos da memória”

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), faz suas as palavras do escritor Mário Cláudio que afirma que tem de haver colo para ler. E ler é essencial na formação da personalidade, na mecânica da leitura, na aquisição de vocabulário para expor ideias, para o sentido crítico, para argumentar, comentar o mundo, desenvolver a criatividade e a imaginação, para adquirir valores. “Uma família que não lê não forma para a leitura.”

Muitas vezes, o primeiro contacto com os livros acontece no primeiro ano de escola. “Estudar pressupõe sublinhar, fazer apontamentos. Se o aluno não o pode usar como instrumento de trabalho logo desde os primeiros anos da sua escolaridade, não será também assim que o vai encarar nos anos mais avançados.” Para Filinto Lima, um manual é para ser usado. “Impedir que os alunos sintam o livro como instrumento de trabalho pode ser prejudicial. Não sabemos como será o ensino no futuro, mas seja qual for o suporte de informação deverá ser permitido que se façam anotações (mesmo nos livros digitais, já há processos de anotar, fazer notas laterais, esquemas para estudo), porque é assim que se estuda, se faz a seleção da informação que se pretende para cada caso.”

Os livros de estudo devem, portanto, ser usados como sempre foram. “Lidos, explorados, anotados, sublinhados e guardados. Sempre há qualquer coisa que podemos aprender nos nossos velhinhos livros. Mesmo quando acharmos que já nada podem fazer por nós, os bons livros sempre trazem à memória ensinamentos, métodos de aprendizagem e pequenas coisas que nos escaparam quando fomos estudantes”.

O livro é um amigo no processo de socialização das crianças e jovens, um instrumento de desenvolvimento, de conhecimento, de habilidades de escrita, de criatividade, de interpretação. Um amigo que ajuda a conhecer melhor o mundo. “A apropriação do livro como instrumento de crescimento e aprendizagem, desde muito cedo, garante um maior equilíbrio nas aprendizagens e promove o sucesso formal e informal nas mesmas. Nesse sentido, o livro, de acordo com o nível etário, deve ser sempre visualmente estimulante, colorido em idades mais precoces e estruturado de forma apelativa, oferecendo manchas gráficas motivadoras e conteúdos que vão ao encontro da necessidade reprodutiva da imaginação das crianças e jovens. O livro, para os jovens, deve ser sempre o primeiro contacto estruturado com o mundo que fica para além das fronteiras visíveis”, refere Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE).

Manuel Pereira pertence a uma das gerações que se habituaram a usar os livros de estudo como bloco de notas. Para sublinhar, fazer apontamentos, notas de rodapé. Mais do que um hábito, uma estratégia promovida como boa prática. Os livros académicos estavam noutro patamar, protegidos de tais práticas, quase como uma questão cultural. Na sua opinião, os livros, nomeadamente no Ensino Básico, devem continuar a ser instrumentos a apropriar pelos utilizadores.

“Sublinhar ou colorir informações são estratégias difíceis de substituir. Registar pequenas notas é como colocar semáforos de memória na informação marcante ou mais relevante dos aprendentes. Daí que, percebendo o princípio que enforma a política de empréstimo de manuais escolares, não deixamos de registar, contudo, a enorme dificuldade que é essa mudança de paradigma. Admitimos a necessidade de reformular o conceito de livro académico, nomeadamente ao nível do Ensino Básico porque, de facto, a estrutura dos mesmos propicia as práticas tradicionais que agora se pretendem alterar”, adianta o presidente da ANDE e diretor do Agrupamento de Escolas de Cinfães.

Nada se muda de um dia para outro, mas Manuel Pereira considera que é necessário repensar o conceito de manual escolar. “Talvez esse, um passo a ser experimentado antes, para depois se poder estimular a devolução de manuais para posterior reutilização. O livro não pode ser um objeto intocável, antes deve ter uma relação quase quinestésica com os seus utilizadores e nesse sentido deve ser usado, manuseado e utilizado”, defende.

Para onde caminhamos nesta relação com os livros, nestes novos hábitos de leitura? “Os mais novos nascem agarrados ao suporte digital. Normalmente para jogos ou coisas mais supérfluas, como as redes sociais, ou mesmo para comunicarem entre si. Hoje os seus espaços de encontro são no computador, telefone ou tablet. Poderemos nós impor outros gostos ou relações? Mesmo que o pudéssemos fazer não teríamos o resultado pretendido, porque ninguém se desenvolve sem liberdade de escolha. O que precisamos é de ser capazes de descobrir e perceber como incentivar a leitura através de propostas que desafiem a criatividade e o espírito crítico das crianças e dos jovens”, refere Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP).

O que pode ser feito? Estimular a relação com a leitura, respeitando vontades e capacidades dos mais novos. Trabalhar de forma transversal as diferentes áreas do conhecimento. Trabalhar mais nas bibliotecas. Explicar a importância do livro na compreensão do dia a dia. “O aroma do livro insere-se no nosso cérebro e enraíza-se na nossa memória fixando a vontade de voltar ao seu contacto”, sublinha o dirigente da CONFAP.

As novas tecnologias vieram para ficar, facilitam o acesso à informação e às histórias, exigem pouco esforço, e os jovens não sentem a necessidade de ler. “A escola, por vezes, também mata a vontade de ler ou não seduz para a leitura. Ou a impõe, e a obrigatoriedade é meio caminho para a rejeição, ou retira o tempo necessário para o fazer priorizando outras competências, ou não seduz para ela: o docente que não lê não motiva para a leitura”, observa Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP). “Atrevo-me a dizer que os fracos hábitos de leitura serão nefastos para os homens e mulheres do amanhã já que lhes vai ser exigida a criatividade, o empreendedorismo e atualização de conhecimentos ao longo da vida. Só quem dominar a leitura e souber transformá-la em conhecimento conseguirá intervir de forma responsável na sociedade”, acrescenta.

Mas há coisas a fazer. Apostar na leitura, educar as famílias nesse sentido, incutir na sociedade que é fundamental valorizar esse hábito. “Se a escola encarar a leitura como uma mais-valia para a formação global da criança ou jovem dando-lhes tempo para ler e encarar a leitura não como um enfado, mas como uma fonte de prazer e fruição, então não teremos razões para alarme porque eles voltam.” Eles voltam a ler.

Os hábitos de leitura têm vindo a sofrer alterações substanciais ao longo dos últimos anos, nota-se um certo declínio da leitura como instrumento tradicional. Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), olha para tudo isso não como problemas, mas como oportunidades. “A leitura não perdeu importância nem o livro perdeu espaço. Motivar para a leitura requer, hoje, dinâmicas motivacionais diferentes e o recurso a novos estímulos menos formais e mais próximos das vivências experienciadas de cada um”, realça.

“O aparecimento de novos centros de interesse também se constitui como oportunidade na medida em que o próprio livro se consegue reinventar e oferecer, ele próprio, novos caminhos. Quando até há uns anos, o livro não tinha qualquer concorrência no processo motivacional proposto por pais e educadores, surgindo como o arquétipo do conhecimento, hoje, as novas tecnologias propostas pela Internet e por todas as valências a ela associadas oferecem um manancial de espaços motivacionais estimulantes, e mesmo viciantes, que não deixam espaço para o regresso ao livro, entendido, claro, como instrumento tradicional de leitura”. “É claro que o livro e a leitura não perderam o seu papel fundamental. Continuam a ser opções fundamentais na construção académica estruturada do conhecimento e da formação pessoal”, acrescenta o dirigente da ANDE.

Uma chave para novos mundos

Para Paulo Guinote, professor de Português, licenciado em História e doutorado em História da Educação, que durante anos geriu o blogue A Educação do Meu Umbigo, um dos mais lidos sobre temas educativos, os livros de estudos são como amigos que não magoamos, mesmo quando brincamos com eles. “Como qualquer outro ‘utensílio’ que usamos para uma função, mas não deitamos fora depois desse uso. Os livros de estudo são companheiros e, em simultâneo, cápsulas do tempo dos seus utilizadores, para quem podem constituir um inestimável e indispensável elemento de construção da memória e identidade pessoal. Os livros de estudo ajudaram-nos e ajudam-nos a sermos o que somos”.

Promover a leitura no suporte tradicional e tornar os livros mais acessíveis, com preços adequados, são caminhos possíveis. “O aumento dos níveis de leitura não passa por campanhas em que se anunciam futuros apenas digitais, desmaterializados e em que o objeto-livro de torna financeiramente pouco acessível. Há que adaptar o preço da oferta de forma a alargar a base da procura e não investir apenas num nicho estável de compradores recorrentes. O preço de certos livros para crianças e jovens é demasiado elevado, bastando comparar com o que é praticado em outros países (e estou a ter em conta a necessidade de pagar a tradução e os pagamentos de direitos de autor). Há livros a 12-15 euros de autores já no domínio público, quando em Inglaterra essas coleções têm preços de 3-5 euros. A inserção de algumas ilustrações não justifica a discrepância”, conclui.

Paulo Guinote olha para um livro como “uma chave que abre o acesso a um mundo novo, seja de conhecimentos sobre um dado tema, seja da imaginação dos autores”. “Um livro deve ser um ‘objeto’ que, quando aberto e interpretado, permite a transformação do seu leitor, trazendo-lhe uma mais-valia que deve ser mais do que meramente utilitária, contribuindo para o seu bem-estar e felicidade”.

Nunca gostou de escrever nos livros, a menos que fosse obrigado. Em seu entender, a apropriação do livro não passa necessariamente por sublinhar ou fazer anotações, práticas que, em seu entender, podem não interferir na relação com os livros. “Acho mais perigosa a ideia de ‘desmaterializar’ os manuais escolares, tornando-se algo imaterial e não manuseável pelos alunos. O livro foi ao longo do tempo um ‘espaço’ para o diálogo entre o seu conteúdo e o leitor, não sendo as anotações o mais importante. Acho que o ‘fim’ dos livros físicos é um atentado muito maior a essa relação de familiaridade”, comenta.

“O não estragar os livros nunca pode ser uma mensagem errada. O que deve sublinhar-se é uma utilização correta e responsável dos materiais escolares. Foi graças a isso que pude manter os meus livros da ‘Primária’ e ainda os ter, décadas depois. Mesmo se resolvi neles alguns exercícios. O livro não deve ser ‘sacralizado’ da forma errada. É um objeto que manuseamos, que exploramos, mas que não devemos estragar de forma desnecessária.”

O fim anunciado dos livros em suporte físico preocupa Paulo Guinote, mas, apesar da ameaça dos meios digitais, o professor verifica que a área infanto-juvenil é dos setores editoriais que mantêm maior dinamismo. “Uma coisa boa foi a promoção ativa da leitura a partir das escolas, o PNL é das medidas menos controversas na área da Educação, outra a permanência do gosto dos ‘miúdos’ por lerem num suporte tido como tradicional; por fim, uma terceira coisa boa é a qualidade média do que é editado, seja nacional ou importado. E não é apenas o fenómeno ‘Harry Potter’. O fenómeno menos bom é a insistência num discurso que parece estar sempre a anunciar o fim do livro tradicional e o suporte digital como o único ou dominante ‘no século XXI’. Quem isso faz, para além de objetivamente prejudicar o livro, é mais prisioneiro de algumas modas do que propriamente um profeta certeiro”, refere.

Fonte

 

Governo diz que pais devem fazer queixa se receberem manuais estragados

Setembro 19, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de setembro de 2017.

O Estado conseguiu reutilizar pelo menos 15 mil manuais do 1.º ano com a nova política de reutilização, mais os 15 mil manuais que passaram de mão no âmbito da Acção Social Escolar. Números “bastante encorajadores”, diz Alexandra Leitão.

Bárbara Reis

Se recebeu manuais escolares usados e considera que não estão em condições de poderem ser utilizados pelo seu filho do 1.º ano do ensino básico, o melhor solução é falar com a sua escola, aconselha a secretária de Estado Adjunta e da Educação Alexandra Leitão.

Ao ministério não chegaram protestos sobre o estado dos manuais escolares redistribuídos neste “ano zero” da nova política de gratuitidade e reutilização, lançada no ano passado pelo Governo de António Costa. Mas há casos — ninguém sabe quantos ou se são representativos —, em que as escolas deram aos pais, no início deste ano lectivo, manuais manifestamente impróprios para serem utilizados uma segunda vez: têm a escrita a lápis das crianças, as correcções a esferográfica dos professores, autocolantes colados e desenhos pintados com várias cores que cobrem páginas inteiras.

Livros que estejam nessas condições não devem ser reutilizados, diz a secretária de Estado. E, nesses casos, os pais “devem fazer o mesmo que fazem sempre que consideram que alguma coisa não corre de acordo com o que está regulamentado: contactar a escola e a Direcção-Geral de Estabelecimentos Escolares”.

“Se houver razão para isso, poderá equacionar-se a entrega de um manual novo”, diz a secretária de Estado. Por antecipar uma taxa de reutilização pequena nesta fase inicial, o Governo tem orçamento disponível para, se necessário, cobrir 100% dos alunos do 1.º ano. Havendo essa verba, “a escola pode vir a requerer se os pais se queixarem”.

“A indicação que demos às escolas foi a de que pedissem a verba integral para o 1º ano”, diz Alexandra Leitão. “Atendendo à idade das crianças e às características dos manuais, sempre dissemos que as expectativas de reutilização eram baixas.” As crianças são muito pequenas (entre os cinco e os sete anos) e os manuais são construídos para serem escritos, recortados e pintados da primeira à última página.

Neste momento, há um paradoxo evidente. Por um lado, o Governo deu instruções às escolas para fazerem “uso pleno” e trabalharem com os manuais “normalmente”, por outro, se os manuais existentes no mercado forem usados de forma “plena” deixam de poder ser reutilizados.

Desde 2006, com uma lei da então ministra socialista Maria de Lurdes Rodrigues, que os manuais têm de durar seis anos. É por isso necessário que os livros que agora estão em vigor cheguem ao fim do seu ciclo de vida e sejam substituídos por manuais sem tantos “espaços livres” para escrever para que a taxa de reutilização aumente.

No ano passado, a actual secretária de Estado fez um despacho (n.º 13331-A/2016), reforçando legislação anterior no sentido de obrigar as editoras a publicarem manuais “amigos da reutilização”. Desde 2016, esclarece o artigo 7 do despacho, que “os manuais escolares destinados ao 1.º ciclo do ensino básico e os manuais escolares de Língua Estrangeira dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico podem conter ‘espaços livres’, desde que a edição esteja concebida por forma a garantir a sua reutilização durante o período de vigência da respectiva adopção”.

O mesmo despacho diz também que “em nenhuma circunstância a existência de ‘espaços livres’ pode ser concebida por forma a impedir ou dificultar a reutilização do manual”. “Nós sabemos que começámos pelo mais difícil — os manuais do 1.º ano”, diz Alexandra Leitão. “Mas se não começarmos agora, quando estas crianças chegarem ao 3.º e 4.º ano, idade em que a reutilização já será muito mais fácil, a mentalidade não mudou e a mudança não acontece.”

Só metade dos agrupamentos de escolas deu feedback ao ministério sobre o número de manuais que conseguiu reutilizar a partir dos que recebeu no fim do ano lectivo anterior e que entregou aos alunos que entraram agora no 1.º ano. Dos dados existentes, o Governo sabe que foram reutilizados 15 mil manuais dentro da nova medida de gratuitidade. E que, a esses 15 mil, devem somar-se outros 15 mil manuais reutilizados no âmbito do programa de gratuitidade e reutilização da Acção Social Escolar (ASE), criado há seis anos, ou seja, 30 mil manuais reutilizados no conjunto do 1.º ciclo do ensino público. “É pouco, mas é bastante encorajador”, diz a secretária de Estado. Por uma razão matemática: só no 1.º ano, reutilizaram-se tantos livros como no conjunto dos outros três anos cobertos pela ASE.

Este ano lectivo 2017/18, a medida de gratuitidade abrange já todo o 1.º ciclo do ensino público — potencialmente os 320 mil alunos inscritos, num investimento de 12 milhões de euros.

galeria das imagens no link:

https://www.publico.pt/2017/09/19/sociedade/noticia/governo-diz-que-pais-devem-fazer-queixa-se-receberem-manuais-estragados-1785861#&gid=1&pid=1

 

 

“Não é de menor importância o tipo de imagens que transmitimos às nossas crianças”

Agosto 30, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista da http://sicnoticias.sapo.pt/ a Teresa Fragoso no dia 24 de agosto de 2017.

Visualizar o vídeo da entrevista no link:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-08-24-Nao-e-de-menor-importancia-o-tipo-de-imagens-que-transmitimos-as-nossas-criancas-1

As vendas de dois blocos de atividades para rapazes e raparigas, dos 4 aos 6 anos, lançados pela Porto Editora, foram suspensas após recomendação do Governo. A presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género, Teresa Fragoso, explicou, na Edição da Noite, as razões que levaram à recomendação para que a venda fosse suspensa.

 

“Se todos seguissem Setúbal, o problema dos manuais estava resolvido”

Agosto 28, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 14 de agosto de 2017.

Enric Vives Rubio

Distrito tem 30 pontos de recolha e 30 funcionários públicos que mantêm bancos de troca abertos durante todo o Verão.

Bárbara Reis

Henrique Trigueiros Cunha, fundador do Movimento Reutilizar, não tem dúvida: “Se todos os distritos de Portugal seguissem o exemplo de Setúbal, o problema dos manuais escolares estava resolvido.”

No distrito de Setúbal, que tem quase um milhão de habitantes e concelhos grandes como o Seixal, Almada e Barreiro, a associação de municípios regional inspirou-se no Seixal — que em 2005 lançou o projecto “Dar a Volta” na sua biblioteca municipal — e estendeu-o a todo o distrito em 2013, criando uma rede de bancos de troca de manuais nas 30 bibliotecas públicas e respectivos pólos. “É um caso exemplar”, diz Trigueiros Cunha, que desde 2011 é um empenhado activista da troca gratuita de manuais, ano em que abriu o banco-sede do movimento na Avenida da Boavista, no Porto.

“Não conheço nenhum outro distrito a trabalhar em rede”, diz. “Imagine se a Área Metropolitana de Lisboa, que tem [quase três milhões de habitantes] e 44 bancos de troca, funcionasse em rede?” Hoje, “só em Lisboa, há bancos a funcionar em juntas, bibliotecas, paróquias, clubes de futebol, associações religiosas, associações de moradores, casas de juventude…”, diz Trigueiros Cunha. “Como cada banco funciona à sua maneira, há queixas, sobretudo de que não cumprem os horários anunciados.”

Liliana Cunha, que trabalha no projecto coordenado pela Associação de Municípios da Região de Setúbal, explica que 3600 famílias recolheram manuais usados na rede distrital em 2015, num total de 4200 alunos beneficiados. A troca implica gastos, embora não directamente para as famílias, uma vez que há mais de 30 funcionários públicos que trabalham nas bibliotecas durante o Verão, para receber, fazer a triagem e entregar os livros. “É um serviço muito importante para a população, pois envolve poupança, respeito pelo ambiente, combate ao desperdício e solidariedade. Está tudo interligado.”

 

 

De que adiantam os manuais digitais se as escolas não investirem em tecnologia?

Agosto 22, 2017 às 6:00 am | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 2 de agosto de 2017.

Professores e escolas consideram positivo o recurso a manuais escolares digitais, mas alertam que é necessário dotar as escolas com as ferramentas necessárias, uma vez que o equipamento tecnológico existente está obsoleto.

Texto de Lusa | Fotografia de Shutterstock

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou na terça-feira um diploma da autoria do Partido Ecologista Os Verdes (PEV), que visa fomentar a desmaterialização dos manuais escolares, abandonando progressivamente os materiais em papel.

«Esta medida é muito bem-vinda» e «será muito bem acolhida pelas escolas», a questão «é como se vai implementar este processo», disse à agência Lusa a presidente da Associação Nacional de Professores, Paula Carqueja, que observa que «há muito equipamento tecnológico nas escolas, mas que está obsoleto».

Esta posição é partilhada pelo presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, que também considera a «medida positiva», mas defende que «é preciso haver um investimento nas novas tecnologias».

«Já há manuais digitais desde 2013, mas o que não há nas escolas é computadores e tablets suficientes para serem usados» pelos alunos, disse Filinto Lima à Lusa. Além de serem poucos, «os computadores das escolas públicas estão obsoletos», adiantou, defendendo que, antes de «a medida ser universalizada» é preciso dotar as escolas com estas ferramentas.

Para Filinto Lima, devia ser criado um «programa tecnológico de educação» semelhante ao que existiu há «alguns anos» e «dotou as escolas de bons computadores». «Não podemos começar a construir a casa pelo telhado, tem de ser pelos alicerces, que é dotar as escolas de material para que possam ter acesso posteriormente aos manuais digitais», disse Filinto Lima, sublinhando que, «sem isso, não vale a pena dar esse passo, que é um passo de futuro».

Paula Carqueja alertou também para o facto de o acesso à internet não ser uniforme em todo o país, afirmando que há regiões do interior que nem têm rede. «Quando falamos da desmaterialização e da utilização dos materiais digitais é preciso atender que há locais onde a internet é um bocadinho escassa e a ligação também», advertiu.

Outras questões apontadas por Paula Carqueja prendem-se com «quem vai equipar as escolas», que ferramentas serão utilizadas (‘tablet’, ‘ipad’ ou computador) e como.

Deve ser a escola a emprestar o meio eletrónico, que «a criança só utilizará na sala de aula», defendeu a presidente da Associação Nacional de Professores, advertindo que este encargo não pode ser pedido aos pais.

Para Filinto Lima, a aposta na tecnologia tem de ser feita pelo Estado e deve ser considerada uma prioridade, para que a escola possa acompanhar a evolução da sociedade. Se todos os setores «já estão a trabalhar com novas tecnologias, a escola não pode ficar para trás», defendeu.

Para Paula Carqueja, a medida exige também uma formação contínua dos professores para que possam acompanhar a permanente atualização dos meios tecnológicos.

Outros pontos positivos apontados por Paula Carqueja e Filinto Lima são a diminuição dos gastos das famílias com os manuais escolares e as melhorias para a saúde das crianças, ao aliviar o peso que transportam nas mochilas.

«O avanço para o digital é importante, tendo em conta o peso das mochilas, porque iria diminuir drasticamente os quilos de livros que levam para a escola», sublinhou Filinto Lima.

O diploma, que foi aprovado por maioria a 07 de julho, apenas com abstenção do CDS-PP, assenta em três pontos: poupança de recursos naturais, facilitar a gratuitidade dos manuais a todo o ensino básico e secundário e aliviar os estudantes dos pesos que transportam diariamente para a escola.

 

 

 

Um sorriso por um livro – campanha de recolha e troca de manuais escolares da Câmara Municipal de Loures

Agosto 10, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do Facebook da CML

Um sorriso por um livro é o nome da campanha de recolha e troca de manuais escolares da Câmara Municipal de Loures.

Se tiver livros escolares que já não sirvam, poderá cedê-los à bolsa de manuais escolares para que outros estudantes possam vir a beneficiar dos mesmos. Esta campanha destina-se a estudantes e/ou residentes no Município de Loures, dos 1º ao 12º anos de escolaridade.
A entrega de manuais escolares em condições de serem reutilizados (edições em bom estado, a partir de 2015) poderá ser feita, na Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures, na Biblioteca Municipal Ary dos Santos, em Sacavém, ou nos Livrões disponíveis.
Um sorriso por um livro é desenvolvido em parceria com o Departamento de Ambiente, que disponibiliza, em qualquer altura do ano, os Livrões, como pontos de recolha de manuais.
Veja como pode beneficiar desta bolsa e requerer livros escolares.

Saiba mais
http://www.cm-loures.pt/media/pdf/PDF20170808093218281.pdf

Programa de reutilização de manuais escolares precisa de mais livros

Agosto 1, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 16 de julho de 2017.

A Book in Loop proporcionou 300 mil euros de poupança em 2016 NUNO FERREIRA SANTOS

Plataforma Book in Loop diz que a procura é dez vezes superior à oferta.

Lusa

Setenta mil famílias podem este ano poupar um total de três de milhões de euros em manuais escolares usados, com a plataforma Book in Loop, mas é indispensável haver mais entregas de livros utilizados para satisfazer todas as exigências. De acordo com os responsáveis da empresa criada em Coimbra no Instituto Pedro Nunes, a procura é dez vezes superior à oferta.

No ano passado, a empresa teve 19 mil famílias registadas na plataforma e movimentou 30 mil livros, proporcionando 300 mil euros de poupança. Para este ano, João Bernardo Parreira, daquela empresa, estima movimentar 100 mil manuais e que o número de famílias registadas atinja as 70 mil.

Em 2016, a empresa Book in Loop criou um sistema de partilha de livros escolares cómodo, eficiente e com garantia de qualidade pedagógica que, num ano, cresceu substancialmente. No entanto, o director executivo, João Bernardo Parreira, lamentou à agência Lusa que haja “muito mais gente a reservar do que a entregar”. “É preciso que as famílias retirem os livros antigos das prateleiras, onde estão a ganhar pó, e os entreguem nos mais de 150 pontos de recolha que possuímos”, sublinhou.

A plataforma online de compra e venda de manuais usados do 5.º ao 12.º ano permite descontos de 60% nos livros adquiridos pelas famílias e o recebimento de 20% do valor dos manuais entregues, o que representa uma poupança significativa.

João Bernardo Parreira salienta que “quem entregar todos os manuais de que não precise e só adquirir livros usados poderá poupar 80% dos 216 euros que, em média, se gastam por ano com um filho no início das aulas”. “Há cada vez mais famílias à procura de livros usados, mas muitas ainda mantêm os manuais de que não precisa em casa, o que gera um desequilíbrio para suprir as necessidades”, referiu o responsável.

A entrega tem de obedecer a critérios definidos por uma equipa de Pedagogia da Universidade de Aveiro – não podem ter capa rasgada, nem estar sublinhados a tinta, nem ter etiquetas permanentes – caso contrário vão para a reciclagem.

A Book in Loop pretende, até ao fim do ano em curso, permitir a “poupança de três milhões de euros” às famílias portuguesas “e evitar a emissão de 300 toneladas de CO2” para a atmosfera. “Ao juntar quem tem livros de que já não necessita aos que precisam de os comprar, estamos a promover a sustentabilidade ambiental, económica e familiar”, afirma João Bernardo Parreira.

As famílias interessadas em aderir à plataforma devem registar-se em bookinloop.com e a recolha e entrega de livros pode ser feita em toda rede dos supermercados Continente, Bom Dia, Modelo ou Note, no âmbito de uma parceria com a Sonae para a campanha de 2017, que começou a 15 de Junho e termina a 6 de Agosto.

A empresa lançou também o Programa SPIN, orientado para as autarquias, com o objectivo de as famílias usarem um serviço de reutilização profissional de manuais escolares de forma gratuita.

A iniciativa da empresa de Coimbra integra já 11 municípios – Coimbra, Santarém, Guarda, Castelo Branco, Figueira da Foz, Famalicão, Fundão, Gouveia, Mação, Pinhel e Sertã – e a Junta de Freguesia da Estrela, em Lisboa. O programa nestes concelhos envolve 70 escolas e 50 mil alunos, que vão reutilizar manuais escolares no próximo ano lectivo.

A empresa Book in Loop, sediada no Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, foi criada em 2016 por três empreendedores e, neste momento, já conta com 24 trabalhadores.

 

https://www.bookinloop.com/

 

Diretores das escolas vão punir quem não devolver manuais

Maio 28, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 24 de maio de 2017.

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“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas”

Março 1, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/ de 9 de fevereiro de 2017.

A tese de mestrado citada no texto é a seguinte:

Transporte de cargas em populações jovens : implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares

snews

Petição sobre o excesso de peso das mochilas escolares já tem mais de 38 mil assinaturas. Signatários pedem legislação nesta matéria, balanças digitais nas salas de aulas, cacifos para todos os alunos, livros mais finos e conteúdos concisos. Editores escolares estão disponíveis para colaborar.

Sara R. Oliveira

O peso excessivo das mochilas que as crianças levam para a escola é uma situação que preocupa muita gente. E não é de agora. Neste momento, há uma petição pública dirigida à Assembleia da República para que se pare e se pense no assunto. Pede-se a intervenção do Parlamento para que, com urgência, haja legislação sobre esta matéria. “É consensual entre os especialistas de todo o mundo que as mochilas escolares não devem ultrapassar 10% do peso de quem as transporta. E porquê? Porque as crianças que transportam regularmente peso excessivo às costas são as que têm mais probabilidade de desenvolver deformações ao nível dos ossos e dos músculos. Quanto mais pesada for a mochila, maior probabilidade de problemas de saúde terá”, lê-se na petição que tem mais de 38 mil assinaturas e, por isso, pode ser discutida pelos deputados.

“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas” é o mote do texto que defende várias mudanças para “resolver este grave problema de saúde pública”. Pede-se às escolas que pesem as mochilas das crianças semanalmente, para “avaliarem se os pais estão conscientes desta problemática e se fazem a sua parte no sentido de minimizar o peso que os filhos carregam”. Pede-se que cada sala de aula tenha uma balança digital. Escolas públicas e privadas devem disponibilizar cacifos para que todos os alunos consigam deixar alguns livros e cadernos na escola, de modo a aliviar o peso das mochilas.

Os signatários pedem uma legislação definitiva que torne claro, e obrigatório, que o peso das mochilas escolares não deve ultrapassar os 10% do peso corporal das crianças, como sugerido por associações europeias e americanas, entre elas a Organização Mundial da Saúde. E havendo a opção de os alunos utilizarem o suporte digital, segundo o critério de cada escola, pede-se às editoras responsáveis pela produção de manuais escolares que criem livros “com papel mais fino, de gramagem menor, ou divididos em fascículos retiráveis segundo os três períodos do ano”. E, além disso, que os conteúdos dos manuais sejam “o mais concisos e sintéticos possível”, para ficarem com menos peso e volume.

Os editores escolares estão solidários com esta preocupação, disponíveis para colaborarem na definição de soluções, empenhados em “minimizar ao máximo as consequências negativas no presente e no futuro dos alunos portugueses”. “Os editores escolares estão muito atentos ao problema e têm investido bastante na procura das melhores soluções no que diz respeito aos manuais”, adianta, em comunicado, a APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.

Já há trabalho feito. “Ao longo dos últimos anos, os editores escolares tomaram algumas medidas como a divisão de alguns dos seus manuais em dois ou três volumes, pese embora isso constitua um acréscimo adicional nos custos de produção que não se reflete no preço final dos livros escolares”. “Os editores têm investido também noutras soluções para além da criação de volumes, tais como o tipo de papel, utilizando papeis mais leves, sem nunca afetar a qualidade dos manuais e a sua utilização plena, nomeadamente, no que concerne à leitura”, acrescenta a APEL no comunicado.

Gramagem e soluções informáticas

“Sendo um dos objetivos da Direção-Geral da Saúde e do Ministério da Saúde a promoção da saúde e a prevenção de doenças, esta deverá ser uma área de investimento, para garantir que as crianças de hoje sejam os adultos/profissionais de amanhã, e contribuam para a sustentabilidade económica do país”, lê-se na petição dirigida à Assembleia da República. O ator e encenador José Wallenstein é o primeiro signatário desta petição subscrita pela Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) e várias organizações médicas, como a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral.

Há várias perguntas na petição. Quantos mais estudos precisam de ser feitos? Quantas mais evidências científicas serão necessárias? Quantos mais problemas de saúde as crianças têm de desenvolver? Quantas mais campanhas terão de ser implementadas? Quantos mais planos ficarão no papel? Diretores de escolas e pais foram ouvidos nesta questão e defendem uma aposta nos livros digitais e aumento do número de cacifos nas escolas. “Todos os dias recebo os meus alunos à entrada da aula e, por vezes, pego nas mochilas e são pesos descomunais, sobretudo ao nível dos mais pequenos, que têm medo de ter falta de material. Acho que devemos ter cuidado com a saúde dos nossos alunos”, refere Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações à Lusa. A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) defende o suporte digital, cacifos para os alunos guardarem material e um modelo de trabalho que tenha em consideração o peso excessivo nas mochilas.

Antes das perguntas, apresentam-se estudos e respetivas conclusões nessa petição. Em 2003, mais de metade das crianças do 5.º e 6.º anos de escolaridade, 53% mais precisamente, transportavam peso a mais nas mochilas. E 61% dos alunos com 10 anos de idade transportavam cargas excessivas, tal como 44% dos estudantes com 12 anos. Estas foram as conclusões de um estudo da DECO e da revista Proteste em que foram pesadas 360 crianças e respetivas mochilas em 14 escolas públicas e privadas do país. “A pior das situações, refere aquela revista, foi verificada para uma criança de 11 anos, com 32 kg, que transportava uma mochila de 10! O ideal seria que esta criança não carregasse mais de 3,2 kg”, exemplifica-se na petição. “Independentemente da idade dos alunos, o estudo acrescentou que a percentagem de mochilas com peso a mais era maior nas escolas privadas do que nas públicas”.

Depois das conclusões do estudo, pediram-se intervenções. Apelou-se ao então Ministério da Educação, às escolas e às editoras, que unissem esforços para se chegar a um acordo quanto à gramagem do papel utilizado nos livros escolares e sobre a distribuição do programa dos vários manuais em CD-ROM, ou utilizando outras soluções informáticas. Apelou-se às escolas para que distribuíssem mais aulas por semana de forma a evitar a sobrecarga entre os alunos. E apelou-se aos pais para que verificassem, juntamente com os filhos, se as mochilas não teriam objetos desnecessários, e que as ensinassem a arrumá-las de maneira mais conveniente.

Dores nas costas

Em 2009, uma tese de mestrado realizada no âmbito do curso de Engenharia Humana, na Universidade do Minho, revelava que quase dois terços dos alunos se queixavam de dores por causa do peso que carregavam. O trabalho intitulado “Transporte de cargas em populações jovens: implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares” demonstrou que a maioria dos alunos envolvidos na pesquisa tinha alterações posturais relacionadas com a carga excessiva do material escolar. Foi avaliada a incidência de desvios posturais em estudantes dos 6 aos 19 anos, 54 rapazes e 46 raparigas, em escolas públicas e privadas, envolvendo uma amostra de 136 alunos de vários ciclos de ensino. Nesta investigação, verificou-se, por exemplo, que a hiperlordose lombar afetava 69% dos estudantes, a antepulsão dos ombros 59% e a projeção anterior do pescoço 49%, motivando queixas de dor.

“As crianças são os profissionais de amanhã. As crianças que transportam hoje mochilas muito pesadas começam cedo a ter problemas de coluna, sendo alguns dos mais conhecidos a hiperlordose lombar, a hipercifose torácica, a escoliose, as hérnias discais, entre outras ocorrências”. A petição deixa um aviso: “As crianças de hoje, adultos de amanhã, representarão gastos ao Estado, tanto no que respeita a consultas médicas e/ou de especialidade, que poderão prolongar-se por vários anos, como no que concerne a baixas médicas e abstenção profissional”.

Segundo a petição, há outras pesquisas que indicam que 80% das crianças, dos 8 aos 10 anos, já se queixaram de dores nas costas. O texto lembra ainda a campanha “Olhe pelas suas Costas”, criada em 2013, pela Sociedade Portuguesa de Coluna Vertebral, com apoio científico de associações de doentes e sociedades médicas. Um estudo, realizado no âmbito dessa campanha, indicava que 28,4% dos portugueses sentem que a sua atividade profissional já foi prejudicada ou comprometida, de alguma forma, pelo facto de terem dores nas costas e que mais de 400 mil portugueses faltam ao trabalho, por ano, precisamente por este motivo.

 

 

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