Governo diz que pais devem fazer queixa se receberem manuais estragados

Setembro 19, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 19 de setembro de 2017.

O Estado conseguiu reutilizar pelo menos 15 mil manuais do 1.º ano com a nova política de reutilização, mais os 15 mil manuais que passaram de mão no âmbito da Acção Social Escolar. Números “bastante encorajadores”, diz Alexandra Leitão.

Bárbara Reis

Se recebeu manuais escolares usados e considera que não estão em condições de poderem ser utilizados pelo seu filho do 1.º ano do ensino básico, o melhor solução é falar com a sua escola, aconselha a secretária de Estado Adjunta e da Educação Alexandra Leitão.

Ao ministério não chegaram protestos sobre o estado dos manuais escolares redistribuídos neste “ano zero” da nova política de gratuitidade e reutilização, lançada no ano passado pelo Governo de António Costa. Mas há casos — ninguém sabe quantos ou se são representativos —, em que as escolas deram aos pais, no início deste ano lectivo, manuais manifestamente impróprios para serem utilizados uma segunda vez: têm a escrita a lápis das crianças, as correcções a esferográfica dos professores, autocolantes colados e desenhos pintados com várias cores que cobrem páginas inteiras.

Livros que estejam nessas condições não devem ser reutilizados, diz a secretária de Estado. E, nesses casos, os pais “devem fazer o mesmo que fazem sempre que consideram que alguma coisa não corre de acordo com o que está regulamentado: contactar a escola e a Direcção-Geral de Estabelecimentos Escolares”.

“Se houver razão para isso, poderá equacionar-se a entrega de um manual novo”, diz a secretária de Estado. Por antecipar uma taxa de reutilização pequena nesta fase inicial, o Governo tem orçamento disponível para, se necessário, cobrir 100% dos alunos do 1.º ano. Havendo essa verba, “a escola pode vir a requerer se os pais se queixarem”.

“A indicação que demos às escolas foi a de que pedissem a verba integral para o 1º ano”, diz Alexandra Leitão. “Atendendo à idade das crianças e às características dos manuais, sempre dissemos que as expectativas de reutilização eram baixas.” As crianças são muito pequenas (entre os cinco e os sete anos) e os manuais são construídos para serem escritos, recortados e pintados da primeira à última página.

Neste momento, há um paradoxo evidente. Por um lado, o Governo deu instruções às escolas para fazerem “uso pleno” e trabalharem com os manuais “normalmente”, por outro, se os manuais existentes no mercado forem usados de forma “plena” deixam de poder ser reutilizados.

Desde 2006, com uma lei da então ministra socialista Maria de Lurdes Rodrigues, que os manuais têm de durar seis anos. É por isso necessário que os livros que agora estão em vigor cheguem ao fim do seu ciclo de vida e sejam substituídos por manuais sem tantos “espaços livres” para escrever para que a taxa de reutilização aumente.

No ano passado, a actual secretária de Estado fez um despacho (n.º 13331-A/2016), reforçando legislação anterior no sentido de obrigar as editoras a publicarem manuais “amigos da reutilização”. Desde 2016, esclarece o artigo 7 do despacho, que “os manuais escolares destinados ao 1.º ciclo do ensino básico e os manuais escolares de Língua Estrangeira dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico podem conter ‘espaços livres’, desde que a edição esteja concebida por forma a garantir a sua reutilização durante o período de vigência da respectiva adopção”.

O mesmo despacho diz também que “em nenhuma circunstância a existência de ‘espaços livres’ pode ser concebida por forma a impedir ou dificultar a reutilização do manual”. “Nós sabemos que começámos pelo mais difícil — os manuais do 1.º ano”, diz Alexandra Leitão. “Mas se não começarmos agora, quando estas crianças chegarem ao 3.º e 4.º ano, idade em que a reutilização já será muito mais fácil, a mentalidade não mudou e a mudança não acontece.”

Só metade dos agrupamentos de escolas deu feedback ao ministério sobre o número de manuais que conseguiu reutilizar a partir dos que recebeu no fim do ano lectivo anterior e que entregou aos alunos que entraram agora no 1.º ano. Dos dados existentes, o Governo sabe que foram reutilizados 15 mil manuais dentro da nova medida de gratuitidade. E que, a esses 15 mil, devem somar-se outros 15 mil manuais reutilizados no âmbito do programa de gratuitidade e reutilização da Acção Social Escolar (ASE), criado há seis anos, ou seja, 30 mil manuais reutilizados no conjunto do 1.º ciclo do ensino público. “É pouco, mas é bastante encorajador”, diz a secretária de Estado. Por uma razão matemática: só no 1.º ano, reutilizaram-se tantos livros como no conjunto dos outros três anos cobertos pela ASE.

Este ano lectivo 2017/18, a medida de gratuitidade abrange já todo o 1.º ciclo do ensino público — potencialmente os 320 mil alunos inscritos, num investimento de 12 milhões de euros.

galeria das imagens no link:

https://www.publico.pt/2017/09/19/sociedade/noticia/governo-diz-que-pais-devem-fazer-queixa-se-receberem-manuais-estragados-1785861#&gid=1&pid=1

 

 

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“Não é de menor importância o tipo de imagens que transmitimos às nossas crianças”

Agosto 30, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Entrevista da http://sicnoticias.sapo.pt/ a Teresa Fragoso no dia 24 de agosto de 2017.

Visualizar o vídeo da entrevista no link:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-08-24-Nao-e-de-menor-importancia-o-tipo-de-imagens-que-transmitimos-as-nossas-criancas-1

As vendas de dois blocos de atividades para rapazes e raparigas, dos 4 aos 6 anos, lançados pela Porto Editora, foram suspensas após recomendação do Governo. A presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género, Teresa Fragoso, explicou, na Edição da Noite, as razões que levaram à recomendação para que a venda fosse suspensa.

 

“Se todos seguissem Setúbal, o problema dos manuais estava resolvido”

Agosto 28, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 14 de agosto de 2017.

Enric Vives Rubio

Distrito tem 30 pontos de recolha e 30 funcionários públicos que mantêm bancos de troca abertos durante todo o Verão.

Bárbara Reis

Henrique Trigueiros Cunha, fundador do Movimento Reutilizar, não tem dúvida: “Se todos os distritos de Portugal seguissem o exemplo de Setúbal, o problema dos manuais escolares estava resolvido.”

No distrito de Setúbal, que tem quase um milhão de habitantes e concelhos grandes como o Seixal, Almada e Barreiro, a associação de municípios regional inspirou-se no Seixal — que em 2005 lançou o projecto “Dar a Volta” na sua biblioteca municipal — e estendeu-o a todo o distrito em 2013, criando uma rede de bancos de troca de manuais nas 30 bibliotecas públicas e respectivos pólos. “É um caso exemplar”, diz Trigueiros Cunha, que desde 2011 é um empenhado activista da troca gratuita de manuais, ano em que abriu o banco-sede do movimento na Avenida da Boavista, no Porto.

“Não conheço nenhum outro distrito a trabalhar em rede”, diz. “Imagine se a Área Metropolitana de Lisboa, que tem [quase três milhões de habitantes] e 44 bancos de troca, funcionasse em rede?” Hoje, “só em Lisboa, há bancos a funcionar em juntas, bibliotecas, paróquias, clubes de futebol, associações religiosas, associações de moradores, casas de juventude…”, diz Trigueiros Cunha. “Como cada banco funciona à sua maneira, há queixas, sobretudo de que não cumprem os horários anunciados.”

Liliana Cunha, que trabalha no projecto coordenado pela Associação de Municípios da Região de Setúbal, explica que 3600 famílias recolheram manuais usados na rede distrital em 2015, num total de 4200 alunos beneficiados. A troca implica gastos, embora não directamente para as famílias, uma vez que há mais de 30 funcionários públicos que trabalham nas bibliotecas durante o Verão, para receber, fazer a triagem e entregar os livros. “É um serviço muito importante para a população, pois envolve poupança, respeito pelo ambiente, combate ao desperdício e solidariedade. Está tudo interligado.”

 

 

De que adiantam os manuais digitais se as escolas não investirem em tecnologia?

Agosto 22, 2017 às 6:00 am | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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Texto do http://www.noticiasmagazine.pt/ de 2 de agosto de 2017.

Professores e escolas consideram positivo o recurso a manuais escolares digitais, mas alertam que é necessário dotar as escolas com as ferramentas necessárias, uma vez que o equipamento tecnológico existente está obsoleto.

Texto de Lusa | Fotografia de Shutterstock

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, promulgou na terça-feira um diploma da autoria do Partido Ecologista Os Verdes (PEV), que visa fomentar a desmaterialização dos manuais escolares, abandonando progressivamente os materiais em papel.

«Esta medida é muito bem-vinda» e «será muito bem acolhida pelas escolas», a questão «é como se vai implementar este processo», disse à agência Lusa a presidente da Associação Nacional de Professores, Paula Carqueja, que observa que «há muito equipamento tecnológico nas escolas, mas que está obsoleto».

Esta posição é partilhada pelo presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, que também considera a «medida positiva», mas defende que «é preciso haver um investimento nas novas tecnologias».

«Já há manuais digitais desde 2013, mas o que não há nas escolas é computadores e tablets suficientes para serem usados» pelos alunos, disse Filinto Lima à Lusa. Além de serem poucos, «os computadores das escolas públicas estão obsoletos», adiantou, defendendo que, antes de «a medida ser universalizada» é preciso dotar as escolas com estas ferramentas.

Para Filinto Lima, devia ser criado um «programa tecnológico de educação» semelhante ao que existiu há «alguns anos» e «dotou as escolas de bons computadores». «Não podemos começar a construir a casa pelo telhado, tem de ser pelos alicerces, que é dotar as escolas de material para que possam ter acesso posteriormente aos manuais digitais», disse Filinto Lima, sublinhando que, «sem isso, não vale a pena dar esse passo, que é um passo de futuro».

Paula Carqueja alertou também para o facto de o acesso à internet não ser uniforme em todo o país, afirmando que há regiões do interior que nem têm rede. «Quando falamos da desmaterialização e da utilização dos materiais digitais é preciso atender que há locais onde a internet é um bocadinho escassa e a ligação também», advertiu.

Outras questões apontadas por Paula Carqueja prendem-se com «quem vai equipar as escolas», que ferramentas serão utilizadas (‘tablet’, ‘ipad’ ou computador) e como.

Deve ser a escola a emprestar o meio eletrónico, que «a criança só utilizará na sala de aula», defendeu a presidente da Associação Nacional de Professores, advertindo que este encargo não pode ser pedido aos pais.

Para Filinto Lima, a aposta na tecnologia tem de ser feita pelo Estado e deve ser considerada uma prioridade, para que a escola possa acompanhar a evolução da sociedade. Se todos os setores «já estão a trabalhar com novas tecnologias, a escola não pode ficar para trás», defendeu.

Para Paula Carqueja, a medida exige também uma formação contínua dos professores para que possam acompanhar a permanente atualização dos meios tecnológicos.

Outros pontos positivos apontados por Paula Carqueja e Filinto Lima são a diminuição dos gastos das famílias com os manuais escolares e as melhorias para a saúde das crianças, ao aliviar o peso que transportam nas mochilas.

«O avanço para o digital é importante, tendo em conta o peso das mochilas, porque iria diminuir drasticamente os quilos de livros que levam para a escola», sublinhou Filinto Lima.

O diploma, que foi aprovado por maioria a 07 de julho, apenas com abstenção do CDS-PP, assenta em três pontos: poupança de recursos naturais, facilitar a gratuitidade dos manuais a todo o ensino básico e secundário e aliviar os estudantes dos pesos que transportam diariamente para a escola.

 

 

 

Um sorriso por um livro – campanha de recolha e troca de manuais escolares da Câmara Municipal de Loures

Agosto 10, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do Facebook da CML

Um sorriso por um livro é o nome da campanha de recolha e troca de manuais escolares da Câmara Municipal de Loures.

Se tiver livros escolares que já não sirvam, poderá cedê-los à bolsa de manuais escolares para que outros estudantes possam vir a beneficiar dos mesmos. Esta campanha destina-se a estudantes e/ou residentes no Município de Loures, dos 1º ao 12º anos de escolaridade.
A entrega de manuais escolares em condições de serem reutilizados (edições em bom estado, a partir de 2015) poderá ser feita, na Biblioteca Municipal José Saramago, em Loures, na Biblioteca Municipal Ary dos Santos, em Sacavém, ou nos Livrões disponíveis.
Um sorriso por um livro é desenvolvido em parceria com o Departamento de Ambiente, que disponibiliza, em qualquer altura do ano, os Livrões, como pontos de recolha de manuais.
Veja como pode beneficiar desta bolsa e requerer livros escolares.

Saiba mais
http://www.cm-loures.pt/media/pdf/PDF20170808093218281.pdf

Programa de reutilização de manuais escolares precisa de mais livros

Agosto 1, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 16 de julho de 2017.

A Book in Loop proporcionou 300 mil euros de poupança em 2016 NUNO FERREIRA SANTOS

Plataforma Book in Loop diz que a procura é dez vezes superior à oferta.

Lusa

Setenta mil famílias podem este ano poupar um total de três de milhões de euros em manuais escolares usados, com a plataforma Book in Loop, mas é indispensável haver mais entregas de livros utilizados para satisfazer todas as exigências. De acordo com os responsáveis da empresa criada em Coimbra no Instituto Pedro Nunes, a procura é dez vezes superior à oferta.

No ano passado, a empresa teve 19 mil famílias registadas na plataforma e movimentou 30 mil livros, proporcionando 300 mil euros de poupança. Para este ano, João Bernardo Parreira, daquela empresa, estima movimentar 100 mil manuais e que o número de famílias registadas atinja as 70 mil.

Em 2016, a empresa Book in Loop criou um sistema de partilha de livros escolares cómodo, eficiente e com garantia de qualidade pedagógica que, num ano, cresceu substancialmente. No entanto, o director executivo, João Bernardo Parreira, lamentou à agência Lusa que haja “muito mais gente a reservar do que a entregar”. “É preciso que as famílias retirem os livros antigos das prateleiras, onde estão a ganhar pó, e os entreguem nos mais de 150 pontos de recolha que possuímos”, sublinhou.

A plataforma online de compra e venda de manuais usados do 5.º ao 12.º ano permite descontos de 60% nos livros adquiridos pelas famílias e o recebimento de 20% do valor dos manuais entregues, o que representa uma poupança significativa.

João Bernardo Parreira salienta que “quem entregar todos os manuais de que não precise e só adquirir livros usados poderá poupar 80% dos 216 euros que, em média, se gastam por ano com um filho no início das aulas”. “Há cada vez mais famílias à procura de livros usados, mas muitas ainda mantêm os manuais de que não precisa em casa, o que gera um desequilíbrio para suprir as necessidades”, referiu o responsável.

A entrega tem de obedecer a critérios definidos por uma equipa de Pedagogia da Universidade de Aveiro – não podem ter capa rasgada, nem estar sublinhados a tinta, nem ter etiquetas permanentes – caso contrário vão para a reciclagem.

A Book in Loop pretende, até ao fim do ano em curso, permitir a “poupança de três milhões de euros” às famílias portuguesas “e evitar a emissão de 300 toneladas de CO2” para a atmosfera. “Ao juntar quem tem livros de que já não necessita aos que precisam de os comprar, estamos a promover a sustentabilidade ambiental, económica e familiar”, afirma João Bernardo Parreira.

As famílias interessadas em aderir à plataforma devem registar-se em bookinloop.com e a recolha e entrega de livros pode ser feita em toda rede dos supermercados Continente, Bom Dia, Modelo ou Note, no âmbito de uma parceria com a Sonae para a campanha de 2017, que começou a 15 de Junho e termina a 6 de Agosto.

A empresa lançou também o Programa SPIN, orientado para as autarquias, com o objectivo de as famílias usarem um serviço de reutilização profissional de manuais escolares de forma gratuita.

A iniciativa da empresa de Coimbra integra já 11 municípios – Coimbra, Santarém, Guarda, Castelo Branco, Figueira da Foz, Famalicão, Fundão, Gouveia, Mação, Pinhel e Sertã – e a Junta de Freguesia da Estrela, em Lisboa. O programa nestes concelhos envolve 70 escolas e 50 mil alunos, que vão reutilizar manuais escolares no próximo ano lectivo.

A empresa Book in Loop, sediada no Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, foi criada em 2016 por três empreendedores e, neste momento, já conta com 24 trabalhadores.

 

https://www.bookinloop.com/

 

Diretores das escolas vão punir quem não devolver manuais

Maio 28, 2017 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 24 de maio de 2017.

clicar na imagem

 

“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas”

Março 1, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.educare.pt/ de 9 de fevereiro de 2017.

A tese de mestrado citada no texto é a seguinte:

Transporte de cargas em populações jovens : implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares

snews

Petição sobre o excesso de peso das mochilas escolares já tem mais de 38 mil assinaturas. Signatários pedem legislação nesta matéria, balanças digitais nas salas de aulas, cacifos para todos os alunos, livros mais finos e conteúdos concisos. Editores escolares estão disponíveis para colaborar.

Sara R. Oliveira

O peso excessivo das mochilas que as crianças levam para a escola é uma situação que preocupa muita gente. E não é de agora. Neste momento, há uma petição pública dirigida à Assembleia da República para que se pare e se pense no assunto. Pede-se a intervenção do Parlamento para que, com urgência, haja legislação sobre esta matéria. “É consensual entre os especialistas de todo o mundo que as mochilas escolares não devem ultrapassar 10% do peso de quem as transporta. E porquê? Porque as crianças que transportam regularmente peso excessivo às costas são as que têm mais probabilidade de desenvolver deformações ao nível dos ossos e dos músculos. Quanto mais pesada for a mochila, maior probabilidade de problemas de saúde terá”, lê-se na petição que tem mais de 38 mil assinaturas e, por isso, pode ser discutida pelos deputados.

“Os nossos filhos não podem andar com o mundo às costas” é o mote do texto que defende várias mudanças para “resolver este grave problema de saúde pública”. Pede-se às escolas que pesem as mochilas das crianças semanalmente, para “avaliarem se os pais estão conscientes desta problemática e se fazem a sua parte no sentido de minimizar o peso que os filhos carregam”. Pede-se que cada sala de aula tenha uma balança digital. Escolas públicas e privadas devem disponibilizar cacifos para que todos os alunos consigam deixar alguns livros e cadernos na escola, de modo a aliviar o peso das mochilas.

Os signatários pedem uma legislação definitiva que torne claro, e obrigatório, que o peso das mochilas escolares não deve ultrapassar os 10% do peso corporal das crianças, como sugerido por associações europeias e americanas, entre elas a Organização Mundial da Saúde. E havendo a opção de os alunos utilizarem o suporte digital, segundo o critério de cada escola, pede-se às editoras responsáveis pela produção de manuais escolares que criem livros “com papel mais fino, de gramagem menor, ou divididos em fascículos retiráveis segundo os três períodos do ano”. E, além disso, que os conteúdos dos manuais sejam “o mais concisos e sintéticos possível”, para ficarem com menos peso e volume.

Os editores escolares estão solidários com esta preocupação, disponíveis para colaborarem na definição de soluções, empenhados em “minimizar ao máximo as consequências negativas no presente e no futuro dos alunos portugueses”. “Os editores escolares estão muito atentos ao problema e têm investido bastante na procura das melhores soluções no que diz respeito aos manuais”, adianta, em comunicado, a APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.

Já há trabalho feito. “Ao longo dos últimos anos, os editores escolares tomaram algumas medidas como a divisão de alguns dos seus manuais em dois ou três volumes, pese embora isso constitua um acréscimo adicional nos custos de produção que não se reflete no preço final dos livros escolares”. “Os editores têm investido também noutras soluções para além da criação de volumes, tais como o tipo de papel, utilizando papeis mais leves, sem nunca afetar a qualidade dos manuais e a sua utilização plena, nomeadamente, no que concerne à leitura”, acrescenta a APEL no comunicado.

Gramagem e soluções informáticas

“Sendo um dos objetivos da Direção-Geral da Saúde e do Ministério da Saúde a promoção da saúde e a prevenção de doenças, esta deverá ser uma área de investimento, para garantir que as crianças de hoje sejam os adultos/profissionais de amanhã, e contribuam para a sustentabilidade económica do país”, lê-se na petição dirigida à Assembleia da República. O ator e encenador José Wallenstein é o primeiro signatário desta petição subscrita pela Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) e várias organizações médicas, como a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação, a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, a Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral.

Há várias perguntas na petição. Quantos mais estudos precisam de ser feitos? Quantas mais evidências científicas serão necessárias? Quantos mais problemas de saúde as crianças têm de desenvolver? Quantas mais campanhas terão de ser implementadas? Quantos mais planos ficarão no papel? Diretores de escolas e pais foram ouvidos nesta questão e defendem uma aposta nos livros digitais e aumento do número de cacifos nas escolas. “Todos os dias recebo os meus alunos à entrada da aula e, por vezes, pego nas mochilas e são pesos descomunais, sobretudo ao nível dos mais pequenos, que têm medo de ter falta de material. Acho que devemos ter cuidado com a saúde dos nossos alunos”, refere Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações à Lusa. A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) defende o suporte digital, cacifos para os alunos guardarem material e um modelo de trabalho que tenha em consideração o peso excessivo nas mochilas.

Antes das perguntas, apresentam-se estudos e respetivas conclusões nessa petição. Em 2003, mais de metade das crianças do 5.º e 6.º anos de escolaridade, 53% mais precisamente, transportavam peso a mais nas mochilas. E 61% dos alunos com 10 anos de idade transportavam cargas excessivas, tal como 44% dos estudantes com 12 anos. Estas foram as conclusões de um estudo da DECO e da revista Proteste em que foram pesadas 360 crianças e respetivas mochilas em 14 escolas públicas e privadas do país. “A pior das situações, refere aquela revista, foi verificada para uma criança de 11 anos, com 32 kg, que transportava uma mochila de 10! O ideal seria que esta criança não carregasse mais de 3,2 kg”, exemplifica-se na petição. “Independentemente da idade dos alunos, o estudo acrescentou que a percentagem de mochilas com peso a mais era maior nas escolas privadas do que nas públicas”.

Depois das conclusões do estudo, pediram-se intervenções. Apelou-se ao então Ministério da Educação, às escolas e às editoras, que unissem esforços para se chegar a um acordo quanto à gramagem do papel utilizado nos livros escolares e sobre a distribuição do programa dos vários manuais em CD-ROM, ou utilizando outras soluções informáticas. Apelou-se às escolas para que distribuíssem mais aulas por semana de forma a evitar a sobrecarga entre os alunos. E apelou-se aos pais para que verificassem, juntamente com os filhos, se as mochilas não teriam objetos desnecessários, e que as ensinassem a arrumá-las de maneira mais conveniente.

Dores nas costas

Em 2009, uma tese de mestrado realizada no âmbito do curso de Engenharia Humana, na Universidade do Minho, revelava que quase dois terços dos alunos se queixavam de dores por causa do peso que carregavam. O trabalho intitulado “Transporte de cargas em populações jovens: implicações posturais decorrentes da utilização de sacos escolares” demonstrou que a maioria dos alunos envolvidos na pesquisa tinha alterações posturais relacionadas com a carga excessiva do material escolar. Foi avaliada a incidência de desvios posturais em estudantes dos 6 aos 19 anos, 54 rapazes e 46 raparigas, em escolas públicas e privadas, envolvendo uma amostra de 136 alunos de vários ciclos de ensino. Nesta investigação, verificou-se, por exemplo, que a hiperlordose lombar afetava 69% dos estudantes, a antepulsão dos ombros 59% e a projeção anterior do pescoço 49%, motivando queixas de dor.

“As crianças são os profissionais de amanhã. As crianças que transportam hoje mochilas muito pesadas começam cedo a ter problemas de coluna, sendo alguns dos mais conhecidos a hiperlordose lombar, a hipercifose torácica, a escoliose, as hérnias discais, entre outras ocorrências”. A petição deixa um aviso: “As crianças de hoje, adultos de amanhã, representarão gastos ao Estado, tanto no que respeita a consultas médicas e/ou de especialidade, que poderão prolongar-se por vários anos, como no que concerne a baixas médicas e abstenção profissional”.

Segundo a petição, há outras pesquisas que indicam que 80% das crianças, dos 8 aos 10 anos, já se queixaram de dores nas costas. O texto lembra ainda a campanha “Olhe pelas suas Costas”, criada em 2013, pela Sociedade Portuguesa de Coluna Vertebral, com apoio científico de associações de doentes e sociedades médicas. Um estudo, realizado no âmbito dessa campanha, indicava que 28,4% dos portugueses sentem que a sua atividade profissional já foi prejudicada ou comprometida, de alguma forma, pelo facto de terem dores nas costas e que mais de 400 mil portugueses faltam ao trabalho, por ano, precisamente por este motivo.

 

 

Manuais escolares do 3.º ciclo são os mais caros para as famílias

Agosto 7, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.jornaldofundao.pt/ de 21 de julho de 2016.

Os manuais escolares do 3.º ciclo são os que vão pesar mais no orçamento das famílias, no próximo ano letivo, para quem tem filhos a frequentar a escolaridade obrigatória, de acordo com os dados divulgados hoje por editores e livreiros.

Depois de ter chegado a acordo com o Ministério da Educação, em março deste ano, para manter congelados os preços dos manuais escolares para o ano letivo de 2016-2017, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) divulgou hoje o preço médio dos cabazes de manuais escolares, por ciclo de ensino, que varia entre os 34,7 euros, para o 1.º ciclo, e os 189,1 euros, para o 3.º ciclo.

Para o 2.º ciclo, comprar todos os livros tem um custo médio de 131,7 euros e, para o ensino secundário, o custo médio é de 174,8 euros.

Se não houvesse qualquer alteração nos preços, a escolaridade obrigatória (12 anos) dos filhos custaria às famílias 124,5 euros, em média, por ano.

“Estes dados são particularmente importantes porque dão uma perspetiva realista sobre o custo dos manuais escolares, contrariando perceções erradas ou mal informadas que, infelizmente, têm servido para alimentar um discurso demagógico e populista que pretende, em última análise, desvalorizar a importância do livro no dia-a-dia de alunos, professores e famílias”, refere a APEL em comunicado.

Os editores elencam ainda os anos e disciplinas em que há alterações de manuais, iniciando-se, no próximo ano letivo, um novo período de vigência de seis anos, conforme estipulado na legislação, para esses manuais.

Os livros escolares que sofrem alterações são os de Português, Matemática e Estudo do Meio, do 1.º ano, de Inglês, do 4.º ano, de Português, História e Geografia de Portugal, Matemática, Ciências Naturais, Educação Musical e Educação Física, do 5.º ano, e de Português, Matemática A, Matemática B, Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS) e Física e Química A, do 11.º ano.

O acordo assinado em março define ainda que, no ano letivo de 2017-2018, “a variação do preço dos manuais escolares vai seguir a taxa de inflação”.

 

 

 

Novos manuais escolares vão estar ligados ao telemóvel

Abril 23, 2016 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Recursos educativos, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 15 de abril de 2016.

Os alunos vão poder optar por uma solução que aplica aos manuais escolares a tecnologia da realidade aumentada, associando os livros ao telemóvel, anunciou esta sexta-feira a Porto Editora.

A editora desenvolveu uma aplicação gratuita, para Android, IOS e, em breve, para Windows, que, uma vez instalada no telemóvel, vai reconhecer o manual escolar através da capa e permitir a consulta de conteúdos multimédia em contexto, ou seja, à medida que o aluno vai evoluindo na exploração do livro, explica uma informação da empresa.

Esses conteúdos estão sinalizados no manual, bastando apontar o telemóvel para as páginas que estão assinaladas com o ícone da aplicação.

Os primeiros manuais híbridos correspondem aos novos livros escolares que vão entrar em vigor no próximo ano letivo: Inglês do 4.º ano de escolaridade, Português, Matemática, Ciências Naturais, História e Geografia de Portugal e Educação Musical do 5.º ano, Física e Química A, Matemática A, Matemática B, Matemática Aplicada às Ciências Sociais e Português dos cursos científico-humanísticos do 11.º ano de escolaridade.

Estes novos manuais vão chegar às livrarias no próximo verão, garante a Porto Editora, “não tendo qualquer alteração de preço ou custo adicional”, devendo o conceito dos manuais híbridos ser alargado aos outros anos de escolaridade à medida que forem entrando em vigor os novos manuais escolares.

O novo conceito foi desenvolvido ao longo de ano e meio e envolveu dezenas de profissionais da divisão editorial escolar e dos departamentos multimédia e de investigação.

“Na procura de promover a autonomia das aprendizagens, a tendência é a personalização dos recursos educativos e é esse caminho que estamos a seguir, e quando o aluno está a estudar em casa, queremos que ele tenho recursos coerentes, diversificados e complementares, que lhe facilitem as aprendizagens e que possam também promover o acompanhamento dos pais e encarregados de educação, no caso dos mais jovens”, explica na nota Vasco Teixeira, administrador e diretor editorial.

mais informações:

http://www.escolavirtual.pt/registar-livros/emanual/

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