Adolescentes : Estar perto sem controlar

Setembro 6, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Ler o artigo de Magda Gomes Dias nos links:

http://baby-blogs.com/pt/adolescentes-estar-perto-sem-controlar/

https://drive.google.com/file/d/0B03I9t2cyMpicjFCTlhENHpKWTQ/view

“Não é preciso gritar para nos fazermos ouvir”

Junho 13, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.paisefilhos.pt/ de 10 de janeiro de 2017.

Teresa Martins

“Berra-me baixo” mostra como deixar de gritar com os filhos em apenas quatro semanas. O resultado é uma relação parental fortalecida e mais harmoniosa.

É possível educar sem gritar, mesmo quando os pais andam exaustos e as crianças teimam em não cooperar. A coach parental Magda Gomes Dias propõe, no seu novo livro, um desafio a todos os pais que andam cansados de gritarias: mudar em 21 dias (para melhor) a relação com os filhos e passar a “berrar baixo”. A primeira regra é deixar de tentar e começar a fazer. É esse o compromisso que a autora e formadora na área da parentalidade positiva pede. Depois é seguir os passos de “Berra-me baixo”, sabendo que no fim a relação entre pais e filhos sairá fortalecida e muito mais harmoniosa.

Porque gritamos tanto com os nossos filhos?

Magda Gomes Dias (MGD): Por vários motivos e que diferem de pai para pai. Gritamos porque andamos sem paciência, porque nos sentimentos ameaçados e desafiados por uma resposta torta (logo nós que damos a melhor educação aos nossos filhos!), porque já pedimos 300 vezes as mesmas coisas, porque temos medo que eles descarrilem… E gritamos porque aprendemos a comunicar assim, também.

Estamos com défice de paciência e de estratégias alternativas?

MGD: Estamos pois! Andamos esgotados e queremos que tudo resulte do dia para a noite. Não resultando, gritamos para nos fazermos ouvir.

Mas dar “dois berros” por vezes funciona…
MGD: É importante dizê-lo com todas as letras: toda a gente grita. Para alguns pais a palmada na hora certa e os dois berros fazem parte de educar. Mas para um enorme número de pais, gritar é algo que não desejam fazer. Há estudos que provam que o stresse emocional provoca tudo menos coisas boas na criança. Mas o que eu vejo hoje em dia é mais do que isso. São pais que não se reveem nessa forma de educar – berrando, batendo, ameaçando ou humilhando. E querem fazer diferente só que, na ausência de modelos equilibrados, caem muitas vezes na justa oposição que é a permissividade… Mas há um caminho do meio que tem por base o respeito mútuo entre pais e filhos e que assenta na qualidade da relação criada. É quando apostam nisto que tudo o resto vem, incluindo a ausência da necessidade de dar dois berros.

Quais são as situações mais comuns que nos fazem “saltar a tampa”?

MGD: No livro escolhi 10 situações que nos fazem saltar a tampa. São os 10 “clássicos” que os pais com quem trabalho me apresentam com regularidade: quando não nos escutam; quando nos respondem torto; quando não querem cooperar; quando não param de choramingar; quando nunca estão satisfeitos; quando batem; quando temos um adolescente em casa; quando temos um marido/mulher que nos dá dores de cabeça; quando a casa está de pernas para o ar; quando os miúdos se dão mal.

O que estamos a fazer aos nossos filhos quando gritamos constantemente com eles?

MGD: Quando se berra de forma regular, estamos a criar um stresse desnecessário na vida dos nossos filhos – e na nossa. A maior parte dos pais que gritam dizem-me que os filhos não os ouvem. Por isso gritar faz com que os filhos deixem de escutar. Parece, à primeira vista, um grande paradoxo mas depois de bem analisado não é. Porque podemos ter uma de duas situações: aquela em que os miúdos dizem “oh, ela só grita, é sempre a mesma coisa” e ignoram; e a outra em que os miúdos ficam num estado de stresse tão grande que não conseguem reagir/responder. O que é péssimo e é a prova que a forma como exercemos a nossa autoridade parental é feita com base no medo. E medo não é respeito nem cooperação. Depois há também crianças que reagem de forma agressiva – e esta forma é também uma defesa e só se defende quem tem medo e se sente agredido. Além disso, gritar de forma continuada pode criar um caminho para uma autoestima muito baixa…

Qual é o primeiro passo para deixarmos de gritar? É preciso olhar para dentro?

MGD: Sim, é mesmo! Este é um livro justamente acerca dessa transformação! Primeiro, é preciso desejar mesmo criar uma relação com base no respeito mútuo. Depois, é preciso identificar os motivos que nos levam a gritar e refletir como é que eu quero fazer da próxima vez. É quando fazemos esta reflexão que estamos a praticar autorregulação. E depois lidar com a frustração de não o conseguirmos fazer sempre. O objetivo não é a perfeição, mas a melhoria continua.

Deixar de gritar é deixar de ralhar?

MGD: Esta é uma questão fundamental neste livro. De repente, o leitor mais cético pode dizer “mas então eu já não posso bater e agora já não posso gritar? O próximo passo é deixar de educar a criança?” Não é nada disto! Ralhar significa educar, orientar, acompanhar. E ralhar não tem de ser feito a gritar. Podemos fazê-lo sem levantar a voz. Afinal de contas, ralhamos com um colega ou corrigimos e chamamos à atenção? Os nossos filhos têm tanto (ou mais) valor que os nossos colegas. Se não grito com um, porque razão gritaria com o outro? Se o faço é porque não consigo ver essa igualdade enquanto pessoas.

Firmeza, mimo e paciência são os três ingredientes indispensáveis para melhorarmos a relação com os nossos filhos?
MGD: Claro que são! Todas as crianças precisam de pais firmes e justos. Pais que sabem o que estão a fazer… e a firmeza vem justamente dessa sabedoria. A paciência é uma característica que vamos perdendo quanto mais cansados estivermos – e os pais são pessoas cansadas, por natureza. Por isso é que a primeira regra da parentalidade positiva diz: pais felizes = filhos felizes. E depois o mimo… o mimo é amor. Se estraga, então é outra coisa. Mimo a mais não existe – o que existe é a falta de limites por parte do adulto.

Este exercício implica um crescimento interior dos pais…
MGD: Passamos a ter um maior conhecimento de nós, a perceber o quanto pode ser gratificante a nossa melhoria contínua e a nossa relação com os nossos filhos e isso enche a nossa vida.

Não há risco de “recaídas”?

MGD: Quando o foco é deixar de gritar, é bem possível que se tenha uma recaída. Este é um livro sobre amor e felicidade e sobre como é que podemos melhorar a nossa relação parental. O deixar de berrar vem por acréscimo. Se deixamos completamente de gritar? Isso é possível e vai depender da evolução que fizermos e da maturidade que ganharmos. Em primeiro lugar ganhamos o poder de identificar o que nos faz gritar. Por isso, vamos conseguir percecionar o momento em que o vamos fazer – é como se houvesse uma pausa entre aquilo que acontece e a nossa explosão. Se depois gritamos ou não, isso é uma decisão só nossa.

E é aí que percebemos que a forma como comunicávamos era talvez até violenta? Sentimos vergonha?

MGD: Vergonha ou culpa. Eu gostava de filmar as cenas em que gritamos com os nossos filhos. A primeira coisa que não fazemos é respeitá-los e o respeito mútuo é a base para a transformação. Se eu não vejo os meus filhos como pessoas com igual valor a mim, é difícil porque tudo o que eu vou fazer ou é autoritário ou permissivo. Depois, a forma como gritamos é de uma agressividade incrível, a começar pela nossa cara e pela violência dos nossos gestos. Está na hora de usarmos a culpa da melhor forma porque ela é benéfica se soubermos usá-la.

O que diria aos pais que dizem “hoje não se pode dar uma palmada ou um berro que os meninos ficam logo traumatizados…”
MGD: É legítimo termos receio que os nossos filhos não deem certo. E como a maior parte de nós se safou com o modelo da educação autoritária então porque é que isto não iria resultar nos filhos? O problema não é poder-se dar uma palmada ou gritar. O problema é que os pais estão na educação dos filhos como se um jogo de poder se tratasse e não é nada disso. Quando estamos numa relação mais punitiva, estamos apenas a dizer que os nossos filhos, porque são crianças, têm menos valor que nós. Que não são iguais. E são. São tão humanos e pessoas quanto eu sou e estão em crescimento. Precisam por isso de orientação.

Castigos ou consequências?

Os castigos ainda são uma fórmula recorrente para tentar incutir nas crianças que determinado comportamento não é o mais correto. Mas serão eficazes ou mesmo necessários? “O castigo tem vários objetivos e é antes de tudo a forma que a grande maior parte de nós conhece para… educar! É a forma que muitos pais e educadores têm de mostrar à criança que se prevarica, há que fazer sofrer”. E se na verdade o castigo “funciona no imediato, a médio e a longo prazo a criança vai aprender a esconder para não ser apanhada e aquilo que é mais importante – a responsabilidade – não foi conseguido”. Ou seja, o castigo é uma “excelente forma de desresponsabilizar a criança”.
As consequências, por outro lado, “têm a ver com a situação, são justas e ajudam a criança a tomar decisões e a serem responsáveis”. Por vezes, sublinha Magda Gomes Dias, “a diferença entre um castigo e uma consequência está apenas no tom e na intenção de fazer sofrer a criança”.

 

 

5 conselhos para deixar de gritar com o seu filho

Abril 22, 2016 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do Observador de 9 de abril de 2016.

Mimafoto iStock

Ana Cristina Marques

Magda Gomes Dias, formadora ligada à Educação Positiva, revela quais os passos a seguir para uma relação entre pais e filhos sem berros ou ralhetes desnecessários. Para poupar os ouvidos lá de casa.

Ninguém tem filhos para se zangar todos os dias, para gritar a plenos pulmões para ele ou ela deixarem de atirar comida para o chão ou para pararem de mexer onde não devem sequer encostar o dedo mindinho. Esta é a premissa que sustenta a nova obra de Magda Gomes Dias, formadora nas áreas de comportamento e comunicação há 15 anos, com certificação internacional em Inteligência Emocional, Educação Positiva e Coaching.

A mãe de dois é a autora de Berra-me Baixo (Manuscrito), que consiste basicamente num plano de 21 dias para que pais e mães deixem de berrar com os próprios filhos. Mas antes de aceitar o desafio e partir à aventura, a autora deixa ficar cinco conselhos para que a comunicação entre quem educa e quem é educado seja progressivamente mais fácil. E antes que seja apanhado desprevenido, a autora esclarece desde logo que a culpa de gritar com os miúdos é sua e não deles.

berra-me-baixo-mail

1. É tudo uma questão de autorregulação

O livro assinado por Magda Gomes Dias começa com a ideia de que a criança deve sentir que está a ser educada por um adulto, isto é, alguém capaz de gerir as suas próprias emoções e que não cai no erro de agir tendo por base o impulso. Sobre isso, a autora diz ao Observador que a questão da autorregulação dos pais passa, em primeiro lugar, “por descobrir ou escolher que comportamento ter em determinada situação”. Preto no branco, Magda convida pais e mães a pensar no que os faz gritar com um filho, bem como as circunstâncias em que tal acontece.

E o que é que um filho ganha com um pai apto a gerir os próprios sentimentos? “Quando alguém grita connosco, o mais provável é termos uma de duas reações, ou atacamos ou defendemo-nos. Quando colocamos a criança a defender-se ou a agredir, ela não está a pensar, está antes a reagir”, explica a responsável pelo blogue Mum’s The Boss. Ao falar calmamente com os filhos, argumenta, está-se a dar oportunidades para que estes reflitam sobre o que se passou, mas também para que desenvolvam empatia e a noção de cooperação. “A empatia, ao nível da inteligência emocional, é das coisas mais importantes e implica adaptarmo-nos à linguagem do outro. Permite ainda que as crianças se sintam mais próximas dos pais.”

2. Ralhar não é o mesmo que gritar

As duas palavras parecem não existir uma sem a outra, mas Magda Gomes faz questão de as separar, começando por dizer que toda a gente pode ralhar. “A nossa missão enquanto pais também passa por ralhar, o que significa corrigir, reencaminhar e orientar a criança.” É nesse sentido que se explica que é possível ralhar sem humilhar os mais novos, isto é, que é possível (e até necessário) ralhar sem gritar. “As coisas confundem-se porque a maior parte das pessoas ralha a gritar.”

“Se por ralhar entendes chamar a atenção, lembrar, mostrares-te desapontado(a)/chateado(a) com uma situação e a seguir orientares e indicares o comportamento do teu filho, então, por favor, continua a ralhar! Fica a saber, no entanto, que não tens de o fazer a gritar ou agressivamente, mas também não tens de o fazer num tom de voz que nada tenha que ver com a situação.”

Berra-me Baixo, página 25

3. O truque é falar assertivamente e com calma

Apesar de o livro em questão não garantir que um pai vai em absoluto deixar de gritar com os filhos, tem como objetivo proporcionar relações filiais mais felizes. E se a tónica principal está no ato de baixar o tom de voz, então a ideia de falar com calma também é protagonista desta história. Mas nem tudo é um mar de rosas: “Às vezes os pais ralham com muita calma e, se estiverem zangados, essa serenidade vai soar mal. A cara tem de bater com a careta.” Mais uma vez, o hábito volta a vestir o monge, no sentido em que é preciso ir experimentando vários tons de voz junto das crianças para que estas percebam a mensagem. Mas por muito que varie o tom, a assertividade e a firmeza são sempre precisas. “Os pais têm de se mostrar zangados quando estão zangados. A nossa função não é convencer os miúdos a parar de fazer asneiras, mas sim explicar as regras. É preciso enunciar e explicar as regras e só depois introduzir a consequência”, diz.

“Quando acionas o ‘comando da voz calma’ ajudas as crianças a acalmarem-se. Sentem que têm um adulto sereno e consciente junto delas. E que não faz birras. Os pais e os educadores são os modelos mais importantes que as crianças podem ter, pelo que a voz calma dar-lhes-á esse mote.”

Berra-me Baixo, página 53

4. Castigo não é sinónimo de consequência

Já antes Magda Gomes Dias tinha dito ao Observador que a Parentalidade Positiva olha para o castigo e para a palmada como a lei do menor esforço, como algo que funciona a curto prazo. No livro Berra-me Baixo o assunto volta à discussão, com a autora a fazer uma distinção de antemão: a consequência não é o castigo. “O castigo, por norma, não tem que ver com a situação; a sua essência é fazer com que a criança sofra e se sinta mal com determinada escolha. Isto porque acreditamos que se sentir mal da próxima vez já não vai fazer aquilo”, explica. Por oposição, a consequência tem o condão de responsabilizar a criança e, segundo a própria, é mais justa do que o castigo — no castigo não há regra, antes uma ameaça e implica fazer as coisas pela calada. No entanto, uma breve fusão entre conceitos ocorre, dado que “a consequência pode ser um castigo dependendo do tom de voz com que as coisas são ditas”.

“A consequência tem como objetivo levar a criança a perceber o impacto da sua decisão, responsabilizando-a e também a reparar a situação. E não, a criança nem sempre tem de sofrer para compreender qual é o comportamento adequado e querer recuperá-lo a seguir. Jane Nelsen [terapeuta familiar norte-americana] pergunta, e bem, onde fomos buscar a ideia louca que para se portar bem uma criança tem de se sentir mal.”

Berra-me Baixo, página 69

5. O vínculo entre pais e filho não deve ser ignorado

“Quando os pais têm um vínculo forte com os filhos, estes estão mais dispostos a cooperar com eles”, garante Magda Gomes, que afirma sem hesitar que os pais preferem filhos cooperativos a obedientes. “Os filhos obedientes são aqueles que não tem vontade própria, que não pensam sobre as coisas; já os cooperantes escolhem cooperar em consideração pelos pais.” A importância de trabalhar o vínculo em questão vai além da melhor dinâmica na vida familiar, uma vez que quando as crianças se sentem mais próximas dos pais, sentem-se também emocionalmente mais seguras. Tal realidade trabalha a autoestima dos mais pequenos, que percebem, assim, que têm valor.

 

 

 

 


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