Mafalda, 50 anos preocupada com o estado do Mundo

Outubro 8, 2014 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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vídeo reportagem da Euronews de 16 de setembro de 2014.

ver  a reportagem vídeo aqui

Rebelde e inconformista, a pequena Mafalda cumpre este mês 50 anos.

A Argentina celebra a sua mais famosa personagem de banda desenhada que, ao questionar durante décadas o estado atual do Mundo, ganhou popularidade tanto na América Latina como na Europa.

Em Buenos Aires, foi inaugurada uma exposição na presença do historiador gráfico e “pai” de Mafalda, Joaquín Salvador Lavado – mais conhecido com “Quino”.

O autor explica que “os problemas [do mundo] foram algo que sempre teve impacto em mim. As crianças hoje em dia estão tão informadas sobre tudo o que acontece no mundo. Quando era criança, não tinha ideia de quem eram pessoas como, por exemplo, o Papa. Hoje em dia, as crianças sabem tudo”.

Quino foi laureado, este ano em Espanha, com o prémio Príncipe das Astúrias da Comunicação e Humanidades.

Feroz defensora dos Direitos Humanos, Mafalda foi, em 1976, o “rosto” da Declaração Universal dos Direitos da Criança da UNICEF.

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Mafalda faz 50 anos…e continua actual

Setembro 30, 2014 às 11:17 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do i de 29 de setembro de 2014.

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Por Maria Ramos Silva

Faz hoje 50 anos que o semanário argentino “Primera Plan” começou a publicar regularmente a história da contestária mais famosa do mundo. No final de Outubro, a Verbo lança “Toda a Mafalda”, edição de coleccionador para fãs da miúda que só quer acabar com

Mafalda só queria mudar o mundo, e o mundo mudou com ela. Nem sempre para melhor, é certo, porque há coisas que permanecem, como a violência, o racismo, as desigualdades, a corrupção, e o ódio pela sopa. “Fico surpreendido quando vejo como temas que abordei há 50 anos permanecem actuais. Até parece que desenhei a tira hoje. Deve ser porque o mundo continua a cometer os mesmos erros”, comentou Quino em Abril deste ano, na inauguração da Feira do Livro em Buenos Aires. Não estranharia voltarmos a ouvi-la dizer uma das suas frases emblemáticas: “Parem o mundo, que eu quero descer!”

Com o seu palmo e meio, e eternos seis anos (oito quando diz adeus aos leitores), a voz do protesto que nasceu na Argentina e atravessou ditaduras e guerras frias, começou por ser um projecto para uma marca de electrodomésticos. A Mansfield encomendou a Quino a história de uma família com filhos da classe média como tantas outras. O desenhador que descobriu este jogo de pontos e linhas com o seu tio, o pintor e artista gráfico Joaquín Tejón, cumpriu a tarefa, mas os jornais torceram o nariz à publicação da publicidade encapotada.

Mafalda, nome inspirado na personagem do romance “Dar la Cara”, de David Viñas, foi recuperada por um jornalista e amigo de Quino, Miguel Brascó, que a divulga pela primeira vez em “Gregorio”, suplemento de humor da revista “Leoplán”. A 29 de Setembro desse mesmo ano de 1964, o semanário “Primera Plan” de Buenos Aires, começa a publicar Mafalda regularmente, vínculo que se mantém até Março do ano seguinte, quando a história da menina que adora a música dos The Beatles e os desenhos do Pica–Pau, e que se bate pela paz, os direitos humanos e a democracia, se muda para o jornal “El Mundo”. Por esta altura, Joaquín Salvador Lavado Tejón, mais conhecido como Quino, leva já mais de uma década a publicar as suas tiras humorísticas, mas os louros vão todos para este clã portenho, que seria alargado no final da década de 60, com a chegada de Gui, o irmão mais novo da protagonista.

toda a mafalda Em 1966, o editor Jorge Álvarez edita o primeiro livro de Mafalda, reunindo as tiras por ordem de publicação na imprensa. O lançamento coincide com a quadra natalícia e em apenas dois dias esgotam os cinco mil exemplares que chegam ao mercado. Meio século depois da sua estreia regular nos jornais, a Verbo, chancela que nos deu os seus títulos, lança no final de Outubro “Toda a Mafalda”. E o nome diz tudo, ao contrário dos pais da miúda, que nem sempre conseguem satisfazer a resposta às suas dúvidas existenciais. A obra, com capa inédita e uma série de artigos informativos que apoiam a leitura, inclui todas as tiras desta saga, que se estende até 1973, quando Quino, confessando ter esgotado as ideias, anunciou a despedida do boneco. “A partir de hoje vamos dar descanso aos leitores”, comunica Mafalda ao bando de amigos: Felipe, Manelito, Susaninha, Miguelito e ainda Liberdade, naquela que foi a última tira. O autor colaborava então com o “Siete Días”, relação encetada em 1968, depois de os quadradinhos terem estado em suspenso na sequência do encerramento do “El Mundo”, um ano antes. Na segunda metade da década de 70, a famosa personagem voltou apenas a ser resgatada a título pontual. Quino desenhou-a esporadicamente, em associação com campanhas pelos Direitos Humanos – como sucedeu em 76, quando ilustrou a Declaração Universal dos Direitos da Criança.

O desenhador mais influente da América Latina no século XX, autor que nasceu antes de Mafalda, apesar de todos crermos que nasceu com ela, tem sido homenageado este ano, dentro e fora de portas, com escalas em Espanha e França. A festa oficial acontece hoje em San Telmo, o bairro de Buenos Aires, onde a pequena rebelde terá aparecido e onde já tinha uma estátua. A partir de agora, contará com a companhia de mais duas, a de Susaninha, cujo sonho é casar com um bom partido e ter filhos, e Manelinho, que deseja ter uma rede de supermercados, onde por certo se venderia Quaker, a sopa preferida do seu criador.

 

 

 


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