Mães de 41,7% dos adolescentes obesos também o eram antes de engravidar

Julho 24, 2019 às 11:39 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 24 de junho de 2019.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Maternal body mass index, gestational weight gain, and the risk of overweight and obesity across childhood: An individual participant data meta-analysis

Crianças também vítimas se pais morrem ou matam

Março 23, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 9 de março de 2019.

Mães que bebem e amamentam podem ter filhos com problemas cognitivos

Agosto 12, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 31 de julho de 2018.

As mães que bebem álcool e amamentam podem ter mais probabilidade de ter filhos com problemas cognitivos do que as que se abstêm durante a amamentação, sugere um estudo australiano. Para estes, os investigadores examinaram os resultados de testes de raciocínio preenchidos por 5107 crianças, bem como questionários preenchidos pelas mães detalhando se, durante a gravidez e fase de amamentação, consumiram álcool ou tabaco.

Assim, os filhos das que beberam apresentaram classificações mais baixas no que se refere a testes de raciocínio não-verbal, entre seis e sete anos. Aliás, os resultados era piores quanto mais as mulheres bebiam, relatam os investigadores da área da pediatria. “A opção mais segura é que uma mãe que amamenta se abstenha de beber álcool até que o seu bebé deixe de mamar”, aconselha Louisa Gibson, da Universidade Macquarie, na Austrália.

Quanto aos filhos de mulheres que fumaram durante o período de amamentação, não se verificou qualquer diferença nos resultados dos exames feitos e comparados com os filhos de mães que não fumaram. “Tal não significa que fumar seja seguro”, salvaguarda Gibson. “Se as mulheres tiverem dificuldade em abandonar o álcool e os cigarros, devem conversar com o seu médico sobre maneiras de reduzir a sua ingestão para minimizar os impactos no bebé”, acrescenta.

Embora a exposição pré-natal ao álcool e à nicotina esteja, há muito tempo, ligada a problemas cognitivos nos mais novos, este estudo traz novas perspectivas sobre os riscos da exposição durante a lactação.

 

 

 

Mãe saudável, filho com menos probabilidades de ser obeso

Julho 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de julho de 2018.

As crianças cujas mães têm um estilo de vida saudável são menos propensas a serem obesas do que aquelas cujas mães são menos saudáveis, revelam investigadores norte-americanos. “Viver um estilo de vida saudável pode não apenas ajudar os adultos a melhorar a sua saúde e a reduzir o risco de desenvolver doenças crónicas, mas também pode trazer benefícios à saúde dos seus filhos”, defende Qi Sun da Escola de Saúde Pública de Chan, em Boston.

A equipa da universidade de Boston usou informações de dois estudos já desenvolvidos para perceber se existe uma associação entre o estilo de vida da mãe durante a infância e a adolescência dos filhos e o risco de obesidade entre os 9 e os 18 anos. Para isso, observaram cinco factores de estilo de vida de baixo risco: dieta saudável, índice de massa corporal na faixa normal, não fumar, consumo leve a moderado de álcool e actividade física moderada ou vigorosa pelo menos 150 minutos por semana.

Individualmente, cada factor de estilo de vida das mães, excepto a dieta saudável, foi associado a um risco significativamente menor de obesidade na sua descendência. O risco de obesidade diminuiu com cada factor de estilo de vida adicional. Por exemplo, os filhos de mulheres que seguiram três comportamentos de baixo risco (dieta saudável, actividade física e consumo leve a moderado de álcool) tiveram 23% menos chances de serem obesos, em comparação com crianças cujas mães não tinham nenhum factor de baixo risco.

Os investigadores observaram ainda que os filhos de mães que obedeciam aos cinco critérios tinham 75% de menos probabilidades de serem obesos do que filhos de mães que não tinham nenhum dos factores de estilo de vida de baixo risco.

Contudo, neste estudo, os estilos de vida saudáveis das mães não se traduziram necessariamente em estilos de vida saudáveis das crianças, mas quando o fizeram, os filhos tiveram um risco 82% menor de serem obesos, comparados a mães e crianças que tinham estilos de vida de alto risco.

“Este estudo sugere que as mães, vivendo um estilo de vida saudável e criando assim um ambiente saudável para os seus filhos, podem ajudar a reduzir o risco de obesidade infantil”, declara Sun. Assim sendo, “mães e pais devem apostar em melhorar o seu estilo de vida, de maneira a manter uma boa saúde para si e para a próxima geração”, conclui.

 

O estudo mencionado na notícia é o seguinte:

Association between maternal adherence to healthy lifestyle practices and risk of obesity in offspring: results from two prospective cohort studies of mother-child pairs in the United States

Filhos de mães fumadoras com maior risco de ter tensão alta

Julho 7, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 13 de junho de 2017.

Efeito é visível desde bem cedo, logo aos quatro anos de idade

As mães que fumam agravam o risco de pressão (ou tensão) arterial alta nos filhos. Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluiu que este efeito é logo visível aos quatro anos de idade.

Os autores do estudo, publicado na revista “Nicotine & Tobacco Research”, defendem que as mulheres devem deixar de fumar antes de engravidarem. Ao mesmo tempo, lembram que a pressão arterial sistólica alta está associada ao risco de doenças cardiovasculares, a principal causa de morte no nosso país.

A investigação envolveu 4.295 crianças nascidas em cinco maternidades da Área Metropolitana do Porto, pertencentes à coorte Geração 21 (projeto de investigação que acompanha mais oito mil crianças da cidade do Porto, desde o nascimento).

Num país como Portugal, onde a hipertensão é um problema major, onde muitas pessoas morrem de AVC [Acidente Vascular Cerebral] e muitas grávidas continuam a fumar durante a gravidez, estes resultados demonstram que começa bem cedo a programação da doença [hipertensão arterial] nas crianças. Portanto, a prevenção tem que começar antes”, alerta Henrique Barros, responsável do estudo.

Em análise, esteve a associação entre o tabagismo materno (antes da gravidez, durante a gravidez e quatro anos após o parto) e a pressão arterial das crianças, que foram avaliadas à nascença e aos quatro anos.

A conclusão fala por si: observou-se que os filhos de mães que fumavam apresentavam níveis de pressão arterial sistólica mais elevados, com um um percentil da pressão arterial sistólica superior. Mais de 22% têm já aos quatro anos uma pressão arterial sistólica considerada elevada.

O estudo designado “Maternal smoking: a life course blood pressure determinant?”  tem como principal autora Maria Cabral e é também assinado por Maria João Fonseca, Camila González-Beiras, Ana Cristina Santos e Liane Correia-Costa.

Maternal smoking: a life course blood pressure determinant?

 

 

Estudo confirma que as crianças portam-se pior na presença das mães

Junho 24, 2017 às 11:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/ de 22 de maio de 2017.

Um estudo do Departamento de Psicologia da Universidade de Washington revelou que as crianças são 800% piores na presença das respetivas mães.

Em crianças com menos de dez anos, a percentagem sobe para  1.600%

Não era preciso um estudo para nos dar esta novidade mas é bom ter aparecido para termos a certeza que não somos nós que estamos a ficar malucas!

Quantas vezes deixamos os miúdos na cresce a chorar e a educadora diz que passados 5 minutos estavam óptimos? Ou vamos busca-los e conseguimos vê-los a brincar animadamente, até que dão pela nossa presença e está o caldo entornado?

Pois é, não estamos sozinhas.

O estudo da Universidade de Washington acompanhou 500 famílias e avaliou em cada uma delas comportamentos como birras, gritos, tentativas de bater nos pais, carência e atos de começar a falar à bebé (crianças que já falam corretamente)… E  descobriram que as crianças de até aos oito meses de idade ficavam a brincar felizes de vida até verem a sua mãe chegar: 99,9% desta crianças demonstraram ter propensão para o choro e precisar de atenção imediata. Mesmo no caso de uma criança invisual que, a partir do momento em que ouviu a voz da mãe, começou a atirar coisas, e a querer lanchar (muito embora tivesse acabado de comer).

Um bebé de oito meses ainda se sente parte de sua mãe, o vínculo é fortíssimo. O fato de essa criança chorar, atirar as coisas ou “chamar a atenção” ao ouvir o som de sua mãe, é uma tentativa de voltar para perto de si!

Depois dos 2 anos, ou ainda nos 3 anos – idade da formação da sua própria identidade – as crianças tendem a confrontar mais aqueles em que eles têm maior apego e vêem como porto seguro, os pais, na procura das sua própria personalidade ainda em formação e ainda não conhecida por completo por eles. É algo complexo!

Crianças portam-se pior na presença das mães

O estudo revelou ainda que, nada mais nada menos do que a totalidade destas crianças se revelaram mais sensíveis às instruções passadas num tom de voz normal se provenientes de alguém que não a sua mãe. Para receber resultados comportamentais semelhantes, as mulheres tiveram de falar num tom de voz muito alto, como se alguém tivesse a ser atacado por um animal feroz.

Paul Olsen, pai de três crianças e participante no estudo, ficou chocado com os resultados: “Eu nunca percebi porque é que a minha mulher nunca conseguia fazer nada quando estava com os miúdos: ela é literalmente o íman e a kriptonite deles. No entanto, comigo eles são totalmente diferentes.”

Artigo de momsnewdaily, adaptado para Up To Kids®

 

 

 

Instituto de Apoio à Criança recebe 10 pedidos de ajuda por dia – reportagem da SIC Notícias

Maio 25, 2017 às 11:30 am | Publicado em O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da http://sicnoticias.sapo.pt/ de 24 de maio de 2017.

A reportagem contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança.

visualizar a reportagem no link:

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-05-24-Instituto-de-Apoio-a-Crianca-recebe-10-pedidos-de-ajuda-por-dia

Há cada vez mais pais ou mães que raptam os filhos. O Instituto de Apoio à Criança recebe 10 pedidos de ajuda por dia. Os dados foram revelados na véspera do Dia Internacional da Criança Desaparecida, que se celebra na quinta-feira.

 

Mães são principais agressoras dos filhos dentro da família – declarações de Manuel Coutinho do IAC ao DN

Maio 24, 2017 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do http://www.dn.pt/ de 24 de maio de 2017.

A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do  Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança.

As mães são as principais agressoras dos filhos dentro da família, mas também são estas que mais procuram ajuda no serviço SOS-Criança, disse à agência Lusa o secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

“Quem mais procura o serviço SOS Criança são as mulheres, e entre as mulheres, quem mais procura o serviço para apresentar situações são, efetivamente, as mães”, que curiosamente são também quem, dentro da família, “mais vezes bate nos filhos”, disse Manuel Coutinho em entrevista à agência Lusa.

Esta situação pode dever-se ao facto de estarem “mais próximas dos filhos” e passarem “mais tempo com eles”, justificou o coordenador do SOS-Criança.

Em 2016, o IAC recebeu 2.392 pedidos de ajuda, 216 dos quais referiam-se a “maus-tratos físicos” e “maus-tratos psicológicos” no seio familiar.

Dos 983 infratores identificados no serviço SOS-Criança em 2016, mais de metade (54%) eram mulheres.

Analisando a relação existente entre o infrator e a criança constatou-se que, à semelhança de anos anteriores, a grande maioria (80%) é um familiar, com as mães (45%) a destacarem-se relativamente aos pais (26%).

Manuel Coutinho adiantou que “os maus tratos psicológicos, a par dos maus tratos físicos na família”, são indicadores “de que as coisas nem sempre estão bem” no seio familiar.

“Às vezes podemos quase dizer que as famílias são o local onde a criança é menos protegida”, disse, defendendo que a sociedade deve refletir e perceber que “as crianças precisam de um ambiente familiar estável e equilibrador”.

Defendeu ainda que os maus-tratos são “um comportamento que tem que ser extinto”. “Não podemos” educar à “paulada, ou à bofetada ou com o açoite” e depois querer acabar com a violência doméstica.

“As crianças são o elo fraco dentro das famílias” e bater-lhes “também é um crime de natureza pública”, sustentou Manuel Coutinho.

Alertou também que estas crianças crescem e podem imitar o comportamento dos pais, tornando-se também agressivas.

Tornam-se crianças que “não contêm os seus instintos, os seus impulsos, e também elas descarregam umas sobre as outras, e torna-se ‘o jogo do passa'”.

Por isso, temos de ter uma educação “mais pela compreensão, mais pela repreensão, mais pela punição, mas não é preciso exteriorizar a violência através de maus tratos às crianças, não se deve fazer, porque um castigo desadequado à idade da criança é um mau trato”.

Há 19 anos no Instituto de Apoio à Criança, Manuel Coutinho confessou que ainda se surpreende com alguns casos que chegam ao serviço: “Muitas vezes a realidade ultrapassa a ficção”.

“Claro que há situações mais ligeiras”, mas há outras “muito preocupantes, de maus tratos graves, de abusos sexuais graves, de situações traumáticas graves, que têm de ser sempre bem orientadas, bem encaminhadas”.

Em todos os casos tem que “se salvaguardar os direitos e os interesses das crianças e, muitas vezes, também têm de se ajudar as famílias”, que estão “tão desestruturadas que, de repente, entram em rota de colisão”.

Mas a todos os casos tem de “se dar uma resposta”, “ser diligente e atuante”.

 

 

Entrevista a Eduardo Sá: “As mães têm sete sentidos”

Novembro 29, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Entrevista da http://activa.sapo.pt/ a Eduardo Sá no dia 11 de novembro de 2016.

O psicólogo tem um livro novo – “Querida Mãe” (Ed. Lua de Papel) – que, apesar da doçura do título, apela aos pais – e mães – para que assumam o seu papel. Diz que as crianças não são tão complexas que mereçam programas educativos e que não devemos viver para os filhos. Defende a brincadeira, a alegria, e o esforço. E também diz que o melhor do mundo continuam a ser… as mães.

Catarina Fonseca

– Este título é muito doce, mas depois o livro é um apelo à assertividade dos pais. As crianças estão mesmo a tornar-se chefes de família?

Sim. Tenho medo que os pais tenham crescido em famílias e escolas demasiado autoritárias, e na ânsia de não reproduzirem esse modelo acabam por lidar com a autoridade de forma estranha, como um tabu. Às vezes esquecem-se que a autoridade é um exercício de bondade. Quando os pais não exercem a sua autoridade simplesmente porque sabem mais, na ânsia de serem bons pais, acabam por se demitir da paternidade. E depois esquecem-se que a autoridade funciona como uma caixa de velocidades: é preciso regras, rotinas, atitudes ancoradas em reciprocidade. Deve haver um conjunto de regras, e as crianças podem por vezes não as cumprir. Mas demitindo-se do seu papel, os pais depois encontram nos filhos uma cópia refinada dos seus próprios pais.

– Diz uma coisa tão triste: “Os pais parecem presos aos mimos que imaginem não ter tido – e parecem ter vivido a infância deles tão sozinhos…” Isto é mesmo verdade’

Claro que é. Os nossos pais nunca foram perfeitos, e não é por isso que são menos merecedores de crédito. Mas também é verdade que, em muitos momentos, os nossos pais não foram capazes de pôr legendas em tudo aquilo que era indispensável para nós.

– Nós somos hoje melhores pais do que os nossos pais?

Infinitamente. Não tem comparação possível. Somos mais atentos, somos mais presentes, e se por vezes não conseguimos fazer tudo aquilo que queiramos ou da maneira que queríamos, tentamos com muita vontade. Mas tenho medo que em muitos momentos haja uma ideia muito cor de rosa da infância, que muitas pessoas consideram o paraíso perdido que nunca foi. A infância de muitos pais foi mais infeliz do que eles gostariam de admitir, e é normal que queiram ‘remendar’ nos filhos essas falhas. Eu não questiono por um minuto a generosidade que isto representa, mas tenho medo que pareçam gelatina Royal, que queiram ser pais sem dor.

– E não é possível ser pai sem dor?

Não. Ser pai ou mãe implica responsabilidade, implica perplexidade, implica muito contraditório.

– Diz que as regras não se explicam, não se negoceiam e não se justificam. Porquê?

Porque os pais acham que são as demonstrações quase matemáticas de uma regra que a tornam válida, e isso não é verdade. O que torna uma regra válida é que os pais exijam em função daquilo que fazem, o que muitas vezes não acontece. As explicações não resolvem tudo, precisamos de mostrar como se faz, o que torna tudo mais fácil.

– Porque é que os pais devem ter mais direitos que os filhos?

Porque ser pai é um estatuto. E as responsabilidades vêm equiparadas com direitos: quanto maiores as responsabilidades, maiores os direitos. E portanto, as crianças não devem dominar o comando da televisão, não devem dominar o fim-de-semana com as suas actividades e ocasiões sociais. Mas acho que às vezes os pais se queixam muito mas estão a ser um bocado batoteiros, apresentando os filhos como desculpa daquilo que não são capazes de construir com a pessoa que têm ao lado. É importante lembrar que os filhos são muito importantes, ajudam-nos a crescer como mais ninguém, mas a relação entre os pais é sempre mais importante que os filhos. Os pais, por melhores pessoas que sejam, precisam de ser felizes para serem bons pais. E quando põem os filhos à frente de tudo o resto, é uma maneira hábil de dizer ‘Já que eu não sou amado pela pessoa que tenho ao lado, ao menos que o meu filho me ame’.

– Tentamos compensar com os filhos o amor que não temos em casal?

Às vezes sim. Mas essa não é a função de um filho. Mal estaríamos.

– Também fala no livro sobre ensinar as crianças a não ter medo das dificuldades. Diz que encontrar uma paixão dá muito trabalho. Como é que, num mundo em que tudo é facilitado, se faz a apologia da dificuldade?

Estamos sempre a fazer publicidade enganosa, porque a única coisa verdadeiramente fácil é a estupidez. Tudo o que é verdadeiramente importante dá imenso trabalho. E às vezes não nos damos conta de tudo o que trabalhamos para que alguma coisa pareça fácil. Portanto, andamos a mentir às crianças e depois isso cria problemas. Percebo que as queiramos poupar a dificuldades, mas se as pouparmos a todas as dificuldades, estamos a limitá-las para o engenho de viver, estamos a torná-las frágeis e débeis.

– E para terminar, o que é que faz uma boa mãe?

(risos) Costumo dizer que as mães têm 7 sentidos: os cinco habituais, o sexto que é equipamento de base e que faz com que elas sejam capazes de traduzir por palavras coisas de que nem sequer nos tínhamos apercebido, e depois têm um sétimo, que não é bem um sentido, mas é uma espécie de sensor com que descobrem tudo aquilo que não era suposto que descobrissem. Depois têm um lado esganiçado, que é uma ternura, e fazem-nos cenas fantásticas do tipo ‘Qualquer dia saio desta casa e depois é que vocês vão sentir a minha falta’. Uma mãe é feita de tudo isto. Esta capacidade de serem de uma generosidade à prova de bala. Quando nós percebemos aquilo que se passa numa mãe quando ela dorme exausta e de repente o bebé abre um olho e ela acorda, percebemos tudo. Aquilo que faz uma boa mãe é este sorriso absolutamente transparente que faz com que uma pessoa, diante disso, se sinta Deus com os olhos dela.

– Isso é demasiado poético para algumas mães que eu conheço, mas pronto, vamos aceitar.

(risos) Olhe que a grande maioria das mães são assim. No meio do cansaço, dos desafios, das dificuldades, dos contratempos, das exigências, acho absolutamente fantástico que consigam ser como são. Porque ser mãe não é fácil.

 

 

Eduardo Sá explica “porque é que crianças inteligentes têm más notas”

Novembro 3, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 21 de outubro de 2016.

jose-carvalho

No seu mais recente livro, ‘Querida Mãe’, o psicólogo clínico e psicanalista Eduardo Sá lembra às mães que elas não têm de ser perfeitas. Que podem arriscar e errar e que, mesmo assim, nunca andarão longe da perfeição.

O psicólogo clínico e psicanalista Eduardo Sá acaba de lançar o livro Querida Mãe (Lua de Papel), dedicado, como o nome indica, às mães portuguesas. Num esforço para lembrar as mulheres que “não percisam de ser perfeitas, só precisam de ser mães”, o autor junta uma vasta série de conselhos para lidar com as inúmeras facetas da maternidade e recorda que “as mães podem arriscar e errar e que, mesmo assim, nunca andarão longe da perfeição”.

Aqui reproduzimos o capítulo “Porque é que as crianças inteligentes têm más notas”, do livro Querida Mãe, de Eduardo Sá

“Mal se chega ao fim de mais um período de aulas, vêm lá as notas.

E chegam as reuniões de pais com os professores e uma ou outra má notícia acerca da avaliação final de alguns alunos. Virá aí, para muitos deles, uma ou outra negativa. Evidentemente que a primeira tentação de todos os pais, numa circunstância como essa, é concluírem que os filhos terão sido “preguiçosos”. Havendo alguns que, numa decisão impulsiva, irão decidir castigá-los. Ora obrigando-os a deixar o futebol, por exemplo. Ora levando até ao fim a decisão de os privar de prendas no Natal. Será isso razoável?

Comecemos pelo princípio: porque é que crianças inteligentes têm más notas? Porque são inteligentes! Eu sei que a resposta pode parecer um desaforo. Mas é verdade. Acreditem que não estou enganado: a tentação de falar de dificuldades cognitivas ou de “deficiência mental”, a propósito das crianças, merece uma imensa ponderação. Mas, vamos por partes.

Não há crianças “burras”! Eu sei que há termos ásperos, como este, para todos nós. Mas é importante que sejamos claros: tirando raríssimas exceções, de crianças com quadros genéticos ou neurológicos muito graves (e que são, realmente, raríssimas!) não há crianças que nasçam “burras” como, desde sempre, se foi imaginando ou formulando. Recordo que algumas das crianças consideradas assim, que viveram a escola de forma penosa, com resultados catastróficos e com experiências humanas humilhantes, se transformaram em grandes empreendedores, grandes empresários e pessoas cuja singularidade trouxe, realmente, mais-valias ao mundo.

Mas, sendo assim, quem transforma crianças inteligentes em maus alunos? De certa forma, todos nós. É claro que para os resultados duma criança na escola faz diferença que ela tenha tido — pelo menos, até entrar no primeiro ano de escolaridade — uma família minimamente equilibrada. Porquê? Porque todas as crianças nascem altamente sensíveis, atentas, intuitivas e inteligentes, a grande dificuldade dos pais passa por se adequarem a essa “esponja” habilitadíssima para os recursos cognitivos (é assim que muitos definem a forma como elas “absorvem” conhecimentos e os multiplicam através de operações mentais que as parecem tornar a todas “matemáticos de fraldas”, não é?). Trata-se de adequar às crianças um conjunto de rotinas que façam com que os seus ritmos (de sono ou de alimentação, por exemplo) não se desorganizem, ligando-as a regras que as façam conjugar aquilo que elas desejam e o que os pais consideram desejável. Mas, para além de regras, rotinas e ritmos, as crianças necessitam da sabedoria dos pais. Porquê? Porque quando as crianças leem o mundo à sua volta, elas têm uma espécie de “instinto de adivinhar” que faz com que, em tempo real, intuam de forma fulgurante aquilo que se passa, por mais que uma imagem que fique duma experiência como essa possa levar trinta anos, por exemplo, a ter a “legenda” apropriada. Isto é: as “legendas” que os pais colocam naquilo que elas intuem servem para as crianças atribuírem palavras àquilo que veem, servem para lhes dar um significado, servem para que elas saibam discernir as operações mentais que as levem a resolver os problemas que a vida sempre lhes traz e servem, sobretudo, para que elas vão aprendendo “coisas” mais complexas e as atinjam duma forma mais simples, mais rápida e mais eficaz. Como se compreende, quando os pais, na ânsia de que elas cresçam mais depressa do que deviam ou esperando que as crianças se adequem a exigências de “agenda” que não são as suas (pensar e aprender exige tempo, tentativas, erros e uma dose generosa de experimentação “autodidática”), não respeitam os seus ritmos, não enquadram os seus ímpetos, não lhes dão um perímetro de segurança esclarecido para aquilo que podem e não podem fazer. Para além do mais, trazem-nas para burburinhos ou conflitos que as magoam – para além de as baralharem ao colocarem “legendas” um bocadinho “ao lado”, considerando aquilo que elas já perceberam – e contribuem muito (contra a sua vontade, sem dúvida) para os maus resultados escolares das crianças. Porquê? Porque a escola é uma espécie de enciclopédia que vai multiplicar os conhecimentos que a própria família já de si gerou. E chegar lá com “as ideias fora do lugar” é meio caminho andado para que tudo o que podia ser simples se transforme numa “confusão”

Para os bons resultados escolares duma criança faz, também, diferença que ela tenha uma educação infantil sensata, pouco apressada e pouco dada à vaidade de conhecimentos que se repetem sem que se perceba como eles funcionam. É claro que se a ausência de educação infantil pode trazer limitações cognitivas a uma criança, uma má-educação infantil não deixará de lhe trazer constrangimentos. Sendo curial que se pergunte o que poderá ser uma má-educação infantil? Aquela que coloca os desempenhos de curto prazo à frente de aprendizagens centradas em áreas de conhecimento que contribuam para que os recursos das crianças se transformem, progressivamente, em aptidões para ligarem palavra, aptidões abstratas, sentimentos e expressividade, autonomia e solidariedade, capacidade lúdica e tolerância à frustração. Escusado será dizer que sobrepor conhecimentos às operações mentais que as crianças ainda não agilizaram, e submetê-las aos ritmos e aos objetivos dos pais e dos colégios (independentemente das distorções de médio e longo prazos que isso traz à versatilidade da sua aprendizagem) é, a médio prazo, amiga das más notas.

Depois, há as escolas, propriamente ditas. E aqui tudo se complica mais. Porque embora haja uma política educativa, ela parece carecer, em muitas circunstâncias, de robustez, de coerência e, sobretudo, de uma ideia do que se pretende para a aprendizagem dos alunos. Não se trata de fazer “cruzadas” contra os critérios de avaliação (nem isso seria sensato), nem de eleger as provas de aferição e os exames como “alvos a abater”.

Mas trata-se de não nos ficarmos, unicamente, na discussão sobre esses aspetos quando se trata de transformar a educação.

Sem perguntarmos o que queremos em cada momento formativo, de ponderarmos se aquilo que se exige das crianças terá em termos de objetivos, de forma e de conteúdos, a metodologia correta (que se irá refletir “no fim da linha”). Como se já não bastasse a ideia de que um pacto de regime acerca da educação nunca ter merecido uma oportunidade política ser inquietante, a construção das turmas, o casamento das disciplinas, a ligação que elas não têm (muitas vezes) com a vida das crianças, ou a interseção entre o lúdico, o expressivo e o aprendido que não se estimula faz com que se torne fácil que a escola estimule as más notas.

E, finalmente, há os professores. Que são preciosos, claro, mas que nem sempre têm a formação indispensável, os recursos exigíveis, a retaguarda de técnicos que os apoiem e protejam, ou os conhecimentos tão agilizados dentro de si que transformem um programa numa tarefa apetitosa para todos os alunos.

E que têm vida própria mas que nem sempre são acolhidos por uma escola com o carinho e o respeito que a sua tarefa exige.

E que têm com o ensino uma paixão quase difícil de se entender mas, ao mesmo tempo, a vão sentindo a burocratizar-se todos os dias, mesmo quando têm diante de si turmas difíceis e exigentes e pais que os desconsideram, por vezes, mais do que deviam. Isto é, nem sempre os professores são – ao contrário do que, seguramente, seria o seu anseio – os melhores amigos das boas notas.

É fácil, portanto, uma criança “tirar” más notas! Porque há sempre um ou vários destes incidentes que se emaranham, num momento qualquer, no seu percurso educativo. Por mais que todas as crianças sejam, de forma ardente e continuada, as melhores amigas dos bons resultados. Tanto assim é que, sempre que eles não surgem, e os pais, os professores, os explicadores e os avós se unem no sentido de as ajudar a pensar — todos de forma diferente a congeminar sobre uma mesma disciplina –, se os maus resultados perduram as crianças baixam os braços. Ou ficam, aparentemente, “burras” de tanto terem medo de não saber, que erram diante de problemas que elas, efetivamente, dominam. Ou desistem e desinvestem, que é uma forma de terem a ilusão de saírem vitoriosas dum confronto onde, geralmente, acabam a perder. Ou “deixam-se andar”, parecendo preguiçosas (ou numa versão mais urbana: parecendo desmotivadas), que é uma forma de desistirem antes de declararem qualquer desistência. Ou foram acumulando “défices” de conhecimentos ou de raciocínio a algumas áreas e como a aprendizagem é um longo puzzle chega a uma altura e não se torna possível contornar por mais tempo essas dificuldades. Ou “encasquetam” que não são aptas para algumas disciplinas por mais que sejam muitíssimo capazes noutras, como se fosse possível ser inteligente e “burro” ao mesmo tempo. Ou estão a viver uma relação difícil com um professor ou com a escola e tudo se complica. Não se pense, no entanto, que as crianças são, unicamente, “vítimas”. Não são. Mas não serão, seguramente, as únicas responsáveis pelos seus maus resultados escolares. Só que, a existirem más notas, elas são, unicamente, suas. Quase todos – pais e professores, à cabeça — reagem como se se sentissem um bocadinho traídos por cada negativa manifestando, até, alguma estranheza pelos maus resultados e castigando-as a elas, unicamente. Como se as notas duma criança não representassem um percurso dum longo trabalho de equipa onde elas não mandam tanto como as suas notas fazem parecer.

Qual será, então, a vantagem de descobrirmos parcerias em cada uma das suas notas? Não tanto o de nos sentirmos levados a estudarmos com elas ou estudarmos por elas, mas percebermos que nem sempre ajudamos as crianças a aprender a aprender. Apesar de isso ser o que elas mais querem e aquilo para o que estão, inequivocamente, mais capacitadas. Terão elas, porventura, mais dificuldades de aprender do que os adultos que as ensinam? Não! Seguramente. Sendo assim, trata-se de aprendermos com erros, percebermos aquilo que estará a gerar as nossas dificuldades e, todos juntos, passarmos das necessidades educativas especiais ao sucesso (que será, ele também, sempre o resultado dum trabalho de equipa).

Em resumo: uma nota negativa existe porque os pais foram complicando a relação com a escola ao contrário das suas genuínas intenções. Porque o “sistema” precisaria dum plano individual de recuperação para deixar de querer positivas sem olhar a meios, em vez de perceber que uma negativa (ou muitas negativas, a determinadas áreas de aprendizagem, por exemplo) são interpelações que o colocam, verticalmente, em causa. Porque as escolas foram insistindo, teimosamente, em normalizar crianças quando as deviam singularizar. E porque alguns professores vão tendo muitas dificuldades para ensinar e para tornarem claros e apelativos, para todos, os conhecimentos que pretendiam partilhar. No final da cadeia, as crianças só não têm mais sucesso porque –às vezes, por azar – foram tendo pais, escolas e professores que, mal começaram a desenhar-se as primeiras dificuldades escolares, lhes atribuíram a elas – e, sobretudo, a elas – “a parte de leão” dessa má notícia. Quando, na verdade, cada “negativa” pressupõe várias “negativas”. Sendo assim, porque é que os menos responsáveis pelas “negativas” são repreendidos, advertidos e castigados e os outros todos… não?”

 

 

 

 

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