Incentivar as crianças a passar tempo no exterior pode ser a chave para proteger a visão

Janeiro 8, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://visao.sapo.pt/ de 2 de janeiro de 2018.

Cátia Leitão

Hoje em dia as crianças passam horas agarradas aos telemóveis, tablets e consolas. Se está preocupado com a visão do seu filho talvez deva incentivá-lo a procurar novos passatempos

Nos últimos anos as crianças perderam o hábito de sair para a rua e brincar com os amigos e colegas. Esse hábito foi substituído por várias horas a mexer no telemóvel e em frente ao computador ou às consolas. Além de não ser saudável, esta nova realidade pode realmente prejudicar as crianças em diversos níveis, um deles diz respeito à visão.

O número elevado de horas que os mais pequenos passam agarrados aos dispositivos tem levado ao aumento de crianças com dificuldades de visão, principalmente com miopia, caracterizada pela falta de visão à distância. A miopia é uma alteração da morfologia do globo ocular que afeta a forma como as imagens são formadas e transmitidas ao cérebro e leva a que as imagens de objetos distantes se formem em frente da retina. Uma pessoa míope vê os objetos longe dela como se estes estivessem desfocados, mas consegue ver com nitidez os objetos mais próximos.

Os especialistas acreditam que o aumento de crianças com miopia se deve à pouca exposição que estas têm, atualmente, à luz natural. Annegret Dahlmann-Noor, oftalmologista no Hospital Moorfields em Londres disse à BBC que “a principal causa [deste aumento] é a falta de exposição à luz direta do sol, porque as crianças que estudam muito e que usam computadores, smartphones ou tablets têm menos oportunidade de aproveitar o mundo exterior e estão menos expostas à luz do sol”.

Annegret Dahlmann-Noor, tem três filhos e considera que tentar acabar com o uso dos dispositivos é irrealista. “A única coisa que se pode fazer é dizer às crianças que [o uso excessivo dos telemóveis] pode deixar os olhos desconfortáveis e torná-los míopes por isso não podem usar as tecnologias tanto tempo quanto gostariam”, diz Annegret.

A miopia aparece normalmente em crianças e adolescentes e é mais frequente no sexo feminino. Estima-se que em Portugal, 25% da população sofra com miopia, embora existam poucos estudos a este nível. Um deles foi divulgado pela Universidade do Minho em 2015 e concluiu que a percentagem de alunos no ensino superior com miopia tem vindo a aumentar significativamente nos últimos anos. Este estudo analisou 200 estudantes e teve dois momentos diferentes, um em 2002 e outro em 2014. No primeiro momento, 23% dos alunos tinha miopia enquanto que no segundo momento a percentagem aumentou para 42%.

Chris Hammond, professor de oftalmologia na Universidade de Londres, disse à BBC que a miopia está a tornar-se cada vez mais comum. Este problema visual “tem atingido níveis epidémicos no este da Ásia, Singapura, Taiwan e Coreia do Sul onde afeta 90% dos jovens com 18 anos”, disse o oftalmologista, acrescentando que “na Europa, estes valores estão a subir e entre 40% a 50% dos jovens adultos da Europa Ocidental que estão na casa dos 20 anos têm miopia. Esta percentagem tem aumentado gradualmente desde o século passado em que os valores estavam entre 20% e 30%”.

Segundo os especialistas, nomeadamente Chris Hammond, a chave para o problema é incentivar as crianças a brincar no exterior o mais possível. “A proteção contra o desenvolvimento da miopia é o tempo passado na rua – desporto e lazer ao ar livre são boas formas de proteger a visão”, diz Hammond. O professor acrescenta ainda que “num mundo perfeito devíamos passar 2 horas ao ar livre por dia para proteger as crianças de desenvolverem miopia”.

 

Médica alerta que problemas de visão afetam uma em cada cinco crianças

Setembro 14, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://lifestyle.sapo.pt/ de 29 de agosto de 2017.

Nuno Noronha

Uma em cada cinco crianças sofre de problemas oftalmológicos, uma situação que pode agravar-se com o excesso de horas que os mais pequenos passam de olhos postos nas novas tecnologias.

Aproveitar o verão para tirar as crianças da frente dos aparelhos eletrónicos ajuda a minimizar os riscos, aconselha a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO).

“As horas passadas em contacto com dispositivos eletrónicos e exposição a ecrãs podem ser prejudiciais”, confirma Alcina Toscano, coordenadora do grupo de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo da SPO.

Apesar de, refere a médica, “não estarem diretamente relacionadas com problemas oculares”, quando em exagero “e em más condições ergonómicas (má postura, luminosidade incorreta, distância inadequada)”, os ecrãs que conquistam a atenção dos mais pequenos “contribuem para o aparecimento de sinais e sintomas, não só oculares como gerais. Estudos recentes apontam para uma maior incidência de miopia nestas crianças, quando comparadas com crianças que passam mais tempo ao ar livre”.

Recomendam-se, por isso, alguns cuidados. A começar pela atenção dada à posição, iluminação e distância adequada em relação a estes aparelhos, assim como a escolha “de programas de valor educacional”.

Alcina Toscano aconselha ainda o estabelecimento “de regras e tempos em que estes não devem ser usados (refeições, viagens em família)” e ainda aquilo que define como “a regra do 20/20/20 (sobretudo para os mais velhos): a cada 20 minutos olhar 20 segundos para uma distância de 20 pés (cerca de 6 metros)”.

Lá fora, há também que ter atenção ao sol. Neste caso, os cuidados para os olhos são os mesmos que aqueles que se deve ter com a pele: “evitar a exposição direta ao sol nas horas de radiação ambiente mais elevada ou onde houver maior radiação, e proteger a face do sol com uso de boné ou chapéu de abas largas”. No que diz respeito ao uso de óculos de sol, este está indicado para os mais pequenos “quando houver exposição a níveis elevados de radiação UV ou quando a refletividade for elevada”. No entanto, a médica reforça que “óculos com lentes escuras não são sinónimo de proteção ocular. O que cria barreiras aos raios UV é um filtro incorporado na lente e não a coloração”.

Não falando de situações agudas e benignas como as conjuntivites, os problemas oftalmológicos mais comuns entre as crianças são, avança a especialista, os erros refrativos, cujo diagnóstico e tratamento precoces fazem a diferença. “Podemos prevenir o desenvolvimento de ambliopia. Esta é uma doença exclusiva da idade pediátrica, que ocorre durante o período de desenvolvimento da visão, o chamado período crítico, de maior sensibilidade a qualquer interferência com a visão e maior plasticidade cerebral”, refere.

A médica salienta ainda que a “primeira avaliação oftalmológica deve ser realizada à nascença e pode ser realizada pelo pediatra, para despiste de patologias congénitas como a catarata”.

Para um rastreio oftalmológico “existem atualmente métodos de foto-rastreio, que podem ser realizados por técnicos de saúde, sendo a idade ideal para a sua realização entre os 2 e 2,5 anos e que se pretende que sejam implementados a nível nacional”.

Segundo a especialista, não havendo sinais ou sintomas de alerta, “nem história familiar de doença ocular, a primeira consulta de oftalmologia deve ser realizada entre os 3 e os 4 anos, para um exame oftalmológico completo”.

 

 

 

Luz do sol protege olhos das crianças

Outubro 27, 2015 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto da Pais & Filhos de 23 de setembro de 2015.

Os estudos citados na notícia são os seguintes:

Effect of Time Spent Outdoors at School on the Development of Myopia Among Children in China A Randomized Clinical Trial

Prevention of Myopia in Children

baby blick

A luz do Sol pode ser determinante para a manutenção de uma boa saúde ocular infantil, afirmam investigadores dinamarqueses, para quem um período de 40 minutos diários a brincar na rua corta significativamente o risco de desenvolvimento de doenças como, por exemplo, a miopia.

De acordo com investigações recentes, o número de casos de miopia infantil e juvenil tem vindo a aumentar significativamente ao redor do mundo. E em zonas como a Europa, o Médio Oriente ou a China o fenómeno é especialmente patente, com cerca de 80 por cento dos estudantes das regiões chinesas do sul a apresentarem sintomas míopes.

De recordar que na base da miopia está o facto de o globo ocular crescer em demasia, o que leva à incapacidade de focar a média e longa distância. Segundo o estudo citado no jornal científico “JAMA”, a luz do sol é determinante para um crescimento normal dos olhos, o que significa que a exposição moderada e regular aos raios solares poderá servir de agente “normalizador” e travar a miopia em cerca de um quarto dos casos.

Para além do aumento do tempo passado no recreio exterior, os cientistas também avançam com outras estratégias para combater a “epidemia de miopia”. São os casos da prática desportiva regular aos fins-de-semana e nas férias escolares, centrada no contacto com a luz solar.

 

 


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