II Simpósio – Família, Criança e Escola – 3 maio em Santo Tirso

Abril 26, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Quando um filho morre, um pai é esquecido

Abril 2, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do Público de 19 de março de 2019.

Lee e Hannah perderam o filho recém-nascido. Foi em 2013. Lee sentiu que tinha de apoiar a mulher e percebeu que como pai a sua dor não parecia tão importante como a da mãe. Por exemplo, conta à BBC, Hannah recebeu uma carta do hospital a lamentar o sucedido e nem uma palavra para o pai, que também estava em sofrimento, também precisava daquelas palavras. Na hora do luto, a sociedade trata de maneira diferente a mãe e o pai? É esperado que um homem não chore? Hoje é dia de celebrar os pais, uma comemoração, nestes casos, com sabor a raiva, a impotência, a ausência, a melancolia, mas sobretudo, a saudade dos filhos ausentes.

“Há que desmistificar a ideia de que as mulheres sofrem mais do que os homens”, começa por dizer o psicólogo Céu e Silva, da Associação Laços Eternos, que acompanha pessoas em luto, confirmando que dias especiais ou datas festivas são momentos difíceis para quem perde um filho. “Se um pai estiver mais reprimido emocionalmente, é muito doloroso. É uma dor íntima, é a consciência da realidade”, acrescenta.

Os dias festivos são o “confronto com a realidade da ausência” do filho, responde José Eduardo Rebelo, professor universitário e fundador da Apelo, uma associação de apoio a pessoas em luto. São dias que se “vivem com angústia”, diz Maria do Céu Martins, conselheira do luto, com uma pós-graduação em Perda e Luto pela Universidade Católica. “Também há quem consiga viver com serenidade. Encontro pais que preferem ignorar, outros querem que se lembre e que lhe dêem um abraço. Ninguém lhes vai dizer: ‘Parabéns, hoje é dia do pai’, mas pode simplesmente dizer: ‘liguei-te para dar um beijinho’”, exemplifica a conselheira.

Todas as festividades são momentos difíceis. O Natal pode ser das mais complicadas, avança Céu e Silva. José Eduardo Rebelo aponta para a data da morte. Seja qual for, o primeiro ano será sempre o mais difícil de suportar. Nesse “a ausência é mais forte. A partir de determinada altura, a pessoa habitua-se a viver com a ausência, nunca aceitando, mas vive-a com nostalgia. A palavra ‘pai’ a partir daquele instante [da morte] fica ferida, amputada. Sempre que é referida, mexe connosco”, refere o professor da Universidade de Aveiro, que vai lançar o seu quarto livro a 13 de Abril, naquela cidade. Chama-se Luto – vivências, superação e apoio.

Liberdade para exprimir a dor

Este é um dia que se pode viver de muitas maneiras. Para Maria do Céu Martins, a forma mais saudável será ir a um sítio que o filho gostava e recordá-lo. A pior será ignorar. “Quanto mais [o pai] ignorar, mais mostra que não está resolvido”, alerta. “É melhor quando consegue chorar, zangar-se, revoltar-se, para que possamos ajudar a trabalhar as emoções. Quando se obriga a pessoa a pensar sobre o que se passou, consegue encontrar respostas”, justifica.

Os homens não choram porque a sociedade não lhes permite expressarem as suas emoções? José Eduardo Rebelo recorre à biologia para explicar: “Partimos do princípio que existimos para nos perpetuarmos e quem monitoriza a vida é a mulher, é ela que concebe. E isso deixa-nos algumas pistas para perceber como é vivido o luto.”

As mulheres choram, expressam as suas emoções, falam com a família, com amigos, procuram grupos de ajuda, procuram explicações para o que aconteceu. “São as protagonistas da dor”, classifica Céu e Silva. Os homens “são mais pragmáticos e focam-se em actividades concretas como uma forma dissimulada de desanuviar as tensões do próprio luto”, descreve José Eduardo Rebelo. O que não significa que seja uma forma saudável de viver a dor, refere Maria do Céu Martins, que avança que os homens são um grupo de risco – “parece que está tudo bem e, de repente, um dia, podem ter reacções muito complicadas”.

“Às mulheres é-lhes dada mais liberdade para exprimir a dor, para chorar, enquanto ao homem é-lhe praticamente proibido chorar”, identifica José Eduardo Rebelo. A sociedade não espera que os pais chorem, sublinha Maria do Céu Martins. E espera que eles apoiem as mães, guardando a sua dor para si próprios, acrescenta. De regresso ao Reino Unido, Lee confessa à BBC que após a morte do filho, todo o apoio foi para Hanna e para o seu bem-estar, deixando-o negligenciado. Ele sentia também esse peso, o de não sobrecarregar a mulher. “Não queria acrescentar à dor de Hannah a minha própria dor e guardei-a”, diz.

Céu e Silva conta que os pais, quando chegam aos grupos de apoio não é porque confessem precisar de ajuda, mas porque vão acompanhar as mulheres. José Eduardo Rebelo confirma. É raro um homem ligar para as linhas de apoio das associações a pedir ajuda para si. No Reino Unido, Lee criou um grupo informal online onde os pais falam uns com os outros sobre a sua perda.

Eles vão aos grupos e ficam na retaguarda, insiste Céu e Silva. “Eles vão sempre na perspectiva de que estão a apoiar a esposa, nunca nenhum me procurou a dizer que perdeu um filho”, insiste José Eduardo Rebelo. Mas isso não significa que não precisem de ajuda porque quando vão à consulta, sozinhos, “eles choram tanto como elas, sentem o mesmo, têm espaço para expressar a raiva, mas quando estão no grupo não partilham da mesma forma”, testemunha Céu e Silva.

Divórcio, educação e formação

A falta de diálogo entre a mãe e o pai leva, em metade dos casos, ao divórcio, referem os especialistas. “O casal não dá tempo a si próprio para construir, estão divorciados emocionalmente, elas choram e eles fecham-se no seu silêncio”, descreve Céu e Silva. “Há raivas, há culpas que se transformam em incriminações de um contra o outro. A morte é uma prova que degrada as famílias”, lamenta José Eduardo Rebelo.

A forma como os familiares e os amigos vivem a morte também condiciona a expressão das emoções. As pessoas lidam mal com as situações negativas e, por isso, evitam-nas, aponta José Eduardo Rebelo que há 15 anos que se dedica a estudar o luto e a trabalhar com pessoas enlutadas em grupo ou pessoalmente.

O que fazer nessas situações​? “Ouvir as pessoas, validar os seus sentimentos”, responde Maria do Céu Martins. “Os amigos pensam que estão a ajudar quando distraem a pessoa ou quando se afastam e o que é preciso fazer é estar por perto, dar afecto. O apoio faz-se por estar presente”, aconselha.

Enquanto o pai luta por manter o filho vivo dentro de si, há alguém que lhe diz, com a melhor das intenções, “deixa lá, tens outros filhos” ou “precisas de ter coragem”, exemplifica José Eduardo Rebelo – “essa é uma palavra que é proibido dizer a um enlutado, ‘coragem’”, diz contundente –, essas intenções contribuem para que o homem se isole porque os outros não o querem ouvir, não o compreendem. “A sociedade continua a ter dificuldade em ouvir o outro quando atravessa um momento difícil”, confirma Maria do Céu Martins. “A sociedade desvaloriza o luto e apressa-o”, acrescenta Céu e Silva.

Falta educação emocional para lidar com o luto, continua o psicólogo, e essa começa em casa. É preciso espaço para falar de temas que incomodam como a morte, sem o desvalorizar. Assim como é preciso falar na escola. Falta informação, continua. “Não há consciência sobre a morte. Sabemos que vamos todos morrer mas fugimos de falar [sobre o tema]. Não se fala e há dificuldade em lidar com a morte.”

Contudo, os grupos de apoio existem e recebem telefonemas diariamente de pessoas que procuram ajuda. Os médicos de família também já recomendam este apoio aos seus doentes, mas falta formação nesta área para os profissionais ligados à saúde, bem como para os da educação, aponta Maria do Céu Martins, revelando que, em média, cada pessoa experienciará 30 a 40 perdas com significado emocional profundo na sua vida. “A perda é um buraco negro na pessoa e pode ter implicações várias, por exemplo, perda de concentração, doenças, problemas laborais”, enumera, reforçando que é preciso mais reconhecimento do trabalho das associações e dos conselheiros.

Um filho nunca se esquece, terminam os especialistas. “Cada filho que tenhamos é sempre um filho único. Conformamo-nos com a ausência, habituamo-nos à sua ausência, mas o luto prolonga-se durante toda a nossa vida”, conclui José Eduardo Rebelo.

 

 

 

A morte na família: como é que as crianças expressam o seu sofrimento?

Março 24, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Carmen Rosa publicado no Público de 12 de fevereiro de 2019.

A maioria dos adultos considera que a morte vai além da compreensão da criança e tenta protegê-la, evitando abordar o assunto.

Quando alguém morre, não podemos deixar de considerar o impacto desse momento no equilíbrio do sistema familiar, especialmente numa perda dolorosa, como quando se perde um dos pais.

A maioria dos adultos considera que a morte vai além da compreensão da criança e tenta protegê-la, evitando abordar o assunto. No entanto, é importante que sejam dadas respostas adequadas ao seu nível de desenvolvimento.

Uma das primeiras preocupações que surge é se a criança deverá estar presente no funeral. A criança deve ter a oportunidade de ir, mas não deve ser obrigada. Também não existe uma idade específica a partir da qual se possa afirmar que pode assistir ao funeral. Deve depender, sobretudo, do facto de isso ajudar, ou não, a criança a compreender e confrontar a experiência de morte.

Pode ser útil explicar antecipadamente o que irá ver, acontecer, ou o porquê de se ir ao funeral. As crianças em luto precisam também de saber que irão ser cuidadas e estimadas, de se sentir importantes e envolvidas e de alguém que oiça as suas dúvidas.

As crianças expressam o seu sofrimento de formas diferentes, através de mudanças emocionais, físicas ou comportamentais. Mas quais são então esses sintomas? E como devemos lidar com eles?

O estado de choque ou negação surge de forma mais intensa durante seis a oito semanas após a morte e em datas simbólicas. Nessa fase é importante o adulto proteger e apoiar a criança, com uma presença calma e estabilizadora.

Por vezes, a criança não sabe o que pensar ou sentir, mas essa falta de sentimentos deve ser reconhecida como forma de autoprotecção, não devendo punir-se a criança por isso.

Mudanças fisiológicas como cansaço ou fadiga/falta de energia, alterações de sono e apetite, aperto na garganta, falta de ar, nervosismo/tremores, dores de cabeça ou de estômago, são também frequentes. É importante ajudar a criança a entender estes sintomas como uma reacção normal e a expressar melhor o seu sofrimento, podendo ser necessário consultar um médico para despistar causas físicas para os sintomas.

Nalguns casos, surgem comportamentos de regressão, como dependência excessiva do progenitor e incapacidade de se separar dele, seja para brincar, ir à escola ou dormir, pedir ajuda para tarefas que já fazia sozinha ou regredir na linguagem. Deve tranquilizar-se a criança de que o progenitor vivo não a vai deixar.

Nos casos de Síndrome do “Homem grande” ou “Mulher grande”, a criança tende a crescer depressa para substituir o progenitor que perdeu, podendo usar palavras ou comportamentos típicos deste. Aí, devem apenas ser encorajadas as competências que são adequadas para o seu nível de desenvolvimento.

Pode acontecer, também, alguma desorganização e pânico, com comportamentos imprevistos, como sonhos, agitação, irritabilidade ou até dificuldade em concentrar-se. É necessário o reconforto e a presença física de alguém em quem confie.

Quando as emoções se tornam explosivas, com sentimentos de desamparo, frustração e mágoa, a criança sente-se zangada com a pessoa que morreu, o que implica perceber e aceitar que a zanga é parte natural do sofrimento e irá desaparecer.

Pode surgir algum temperamento explosivo, conflitos com os pares, desafio à autoridade, ou diminuição do rendimento escolar. Aqui os sermões são pouco produtivos, embora seja necessário pôr limites, bem como satisfazer as necessidades de afecto e segurança.

A criança pode passar a ter medo de não haver mais ninguém que cuide de si, de ver as outras pessoas sofrerem ou até da sua própria morte, sendo preciso reconhecer a necessidade de aceitação e ter sensibilidade para com os seus medos.

É frequente manifestar um sentimento de culpa. As crianças muitas vezes acham que por terem pensado uma coisa que depois aconteceu a culpa é sua. Deve-se evitar comportamentos que reforcem a ideia de que a morte é uma forma de punição e mostrar que é normal zangarmo-nos com as pessoas que amamos.

Podem ainda surgir sentimentos de perda, vazio e tristeza. A morte de um ente querido pode levar à depressão, à falta de interesse nela própria e nos outros, à incapacidade de vivenciar o prazer e a baixa auto-estima. Nesse caso, reconhecer a necessidade de ajuda profissional é essencial.

Ao longo do processo de aceitação da perda, o ente querido é lembrado e estimado e as memórias deixarão saudades, mas estes sentimentos não devem impedir a criança de descobrir novas formas de lidar com isso e ajustar-se ao seu dia a dia de uma forma adaptativa. O apoio do sistema familiar e escolar é nisso fundamental.

Quando as emoções se tornam explosivas, com sentimentos de desamparo, frustração e mágoa, a criança sente-se zangada com a pessoa que morreu, o que implica perceber e aceitar que a zanga é parte natural do sofrimento e irá desaparecer.

Pode surgir algum temperamento explosivo, conflitos com os pares, desafio à autoridade, ou diminuição do rendimento escolar. Aqui os sermões são pouco produtivos, embora seja necessário pôr limites, bem como satisfazer as necessidades de afecto e segurança.

A criança pode passar a ter medo de não haver mais ninguém que cuide de si, de ver as outras pessoas sofrerem ou até da sua própria morte, sendo preciso reconhecer a necessidade de aceitação e ter sensibilidade para com os seus medos.

É frequente manifestar um sentimento de culpa. As crianças muitas vezes acham que por terem pensado uma coisa que depois aconteceu a culpa é sua. Deve-se evitar comportamentos que reforcem a ideia de que a morte é uma forma de punição e mostrar que é normal zangarmo-nos com as pessoas que amamos.

Podem ainda surgir sentimentos de perda, vazio e tristeza. A morte de um ente querido pode levar à depressão, à falta de interesse nela própria e nos outros, à incapacidade de vivenciar o prazer e a baixa auto-estima. Nesse caso, reconhecer a necessidade de ajuda profissional é essencial.

Ao longo do processo de aceitação da perda, o ente querido é lembrado e estimado e as memórias deixarão saudades, mas estes sentimentos não devem impedir a criança de descobrir novas formas de lidar com isso e ajustar-se ao seu dia a dia de uma forma adaptativa. O apoio do sistema familiar e escolar é nisso fundamental.

 

 

As crianças e a morte

Março 6, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no https://ionline.sapo.pt/ de 13 de fevereiro de 2018.

Mário Cordeiro

Os efeitos da morte inesperada e súbita de uma pessoa querida da criança causam uma dor quase insuportável, um grande sentimento de vazio e de ausência… e de insegurança.

Amanhã é Quarta-Feira de Cinzas. Enterra-se hoje o Carnaval. Morre o Entrudo e abre-se caminho a um período de reflexão e de quaresma (que significa sofrimento e penitência), que culminará com a morte… e a ressurreição. É este o entendimento da moral judaico-cristã e a simbologia destes dias, seja-se crente ou não. E quando a morte é real e surge no seio de uma família onde há crianças? Como agir?

“A morte da avó da Teresa foi de repente. Provavelmente um enfarte, disse o médico. Mas a explicação em nada adiantou ao sofrimento da família, designadamente dos pais da Teresa. Para além do seu drama pessoal, ficaram apreensivos com outra coisa: como dizer à Teresa, de quatro anos, que a avó tinha morrido. A avó para casa de quem ela ia todos os dias, quando saía da escola, e com quem brincava até os pais a irem ‘pescar’, lá pelas oito da noite. A avó que lhe preparava o lanche e conversava com ela. A avó que a Teresa dizia ser “a pessoa mais querida do mundo”, para orgulho e também algum ciúme dos pais.

Como dizer à Teresa? Ou não dizer? Ou inventar um novo esquema de ATL e fingir que a avó, agora, não tinha tempo para a Teresa. Ou contar tudo e estar preparados para tudo?”

Acontecimentos destes são frequentes. Os efeitos de uma morte inesperada e súbita de uma pessoa querida da criança causam uma dor quase insuportável, e um grande sentimento de vazio, de ausência… e de insegurança – “se aconteceu isto, que nada fazia prever e que eu não queria, tudo o mais pode agora surgir”. A criança sente-se atraiçoada sem saber por quem ou porquê, talvez até pelo destino, sente que não consegue controlar tudo como desejaria, sente que a vida também tem cambiantes de tristeza e de luto, e perde alguma da sua inocência. Pode também pensar que os pais, que supostamente controlam tudo e tudo podem, falharam ou serão incapazes de a proteger, já que não protegeram a pessoa que morreu; para as crianças, os pais – nós – são super-heróis, mesmo que por vezes nos desafiem e façam a vida negra, num salutar processo de autonomia. Somos os seus ídolos, os seus gurus e os seus santos protetores, disso não tenhamos dúvidas.

As crianças vivem a morte, pelo que desiluda-se quem pense que a morte de alguém querido lhes pode passar ao lado. Obviamente que não têm uma conceção filosófica e abstrata como os mais crescidos e os adultos, designadamente no que toca à irreversibilidade do fenómeno – definem-se os seis anos como a altura em que há, em média, uma clara noção de que não se regressa da morte, mas isso depende muito da criança, não apenas do seu desenvolvimento como das experiências que já teve, seja com pessoas, seja com animais ou até em histórias e filmes, por exemplo.

Em todo o caso, os sentimentos que as crianças têm são similares: tristeza, incompreensão, raiva, culpa, ansiedade, desespero. Podem ficar perplexas e descrentes, inquietas e com problemas de sono. A estes estados de alma acresce verem os pais e restantes familiares, também eles, tristes e a chorar (e devem fazê-lo e não tentar esconder o que lhes vai na alma, mesmo que possam ter algum pudor e tentem evitar cenas mais “histéricas”, mas é indispensável não disfarçar os sentimentos). As crianças vivem, pois, uma dupla carga, por vezes muito traumática, e é comum os adultos preocuparem-se em tentar poupar a criança ao sofrimento, o que, repito, é inútil, porque ela sabe e sente, e acaba por se ver arredada do processo de luto familiar, o que acontecerá menos se os pais tentarem falar com ela, percebê-la, acompanhá-la, assumindo que ela sofre. Como se fosse um adulto, mas de forma diferente – sem mentiras, com a verdade, mas a verdade suficiente e não mais do que ela, poupando pormenores escusados e mórbidos, ou incompreensíveis, e com a doçura, mimo e ternura que funcionam como garante de proteção.

Mal estarão os pais que não assumam a condução do processo e deixem o tempo andar, mesmo que estejam, eles próprios, em sofrimento. Por muito que custe ou que se queira poupar a criança ao sofrimento, e o nosso próprio sofrimento ao ver a criança triste e revoltada, vale a pena relembrar alguns dos aspetos que estão em causa:

  • A vida não é um mar de rosas, e às vezes é um mar de espinhos – aprende–se isso mais cedo ou mais tarde, seja em que idade for, na vivência de acontecimentos como este;
  • As crianças não podem nem devem ser poupadas aos problemas, muito menos os desta dimensão, e têm o direito (sim, é um direito!) de sentir tristeza e de a sofrer;
  • A verdade deve ser sempre dita, e preferencialmente pelos pais. Mentir ou fingir só serve para que, quando ela a souber (e pode intuí-la do próximo telefonema ou nas entrelinhas de qualquer conversa), fique para sempre a pensar que os pais não lha disseram e com a sensação irreparável de que eles falharam no momento mais crítico, deixando de acreditar neles, com a insegurança correspondente;
  • A verdade deve ser dita de modo soft, poupando os pormenores mais mórbidos, e numa linguagem acessível à criança;
  • Deve sempre garantir-se à criança que a avó (ou seja quem for) está bem, que não sofre nem tem frio, sono, fome, enfim, as coisas de que a criança não gosta e com as quais sofre, e que fazem parte da sua vida e da sua maneira objetiva e concreta de ver e viver o mundo;
  • Deve também relativizar-se o facto e “garantir” que ela, criança, bem como os pais e os outros familiares não vão morrer num futuro próximo – pode usar-se um ligeiro humor para suavizar o momento; é grande o medo de um eventual “efeito de dominó”;
  • A avó (ou quem seja!) tem de ser lembrada, por exemplo através das fotografias expostas ou de álbuns, e deve falar–se dela como estando presente, embora fisicamente ausente – mas é bom a criança poder olhar para o céu e adivinhar a avó algures, onde ela quiser. A criança escolherá se é numa flor ou numa estrela – um qualquer “código secreto”. Há que se insistir, de igual modo, que a avó estará a acompanhá-la e que rirá com o seu riso e ficará triste com o seu sofrimento. E que a protege.
  • A avó deverá ser recordada com as suas virtudes, mas também com outras características da personalidade, nomeadamente os seus defeitos. Para que se mantenha “viva”, humana e de carne e osso. Não um mito ou um deus. Não um ser perfeito, distante. Só assim a criança fará o luto de maneira tranquila e matura. Caso contrário, duvidará sempre da morte – os mitos e os deuses são imortais – e permanecerá sempre numa constante regressão, e assombrada pelos fantasmas e fixações.

É um momento duro, a morte de uma pessoa querida. Para quem começa a entender as regras da existência, a confusão de sentimentos, revolta, perplexidade, ignorância e receio são grandes. Cabe-nos a nós, adultos, suavizar (que não aplainar) esta tempestade, até que o quotidiano traga a tranquilidade, o entendimento e a sabedoria.

Pediatra
Escreve à terça-feira

 

“Queria ter um sítio onde pudesse velar o meu bebé”

Setembro 4, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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texto do https://www.publico.pt/ de 23 de agosto de 2017.

Adriano Miranda

 

Em Junho, 11 corpos de fetos ou recém-nascidos não reclamados esperavam no Instituto de Medicina Legal. Alguns pais não querem ver o corpo e outros não são informados e não o reclamam. Outros queriam enterrar os filhos com menos de 24 semanas, mas a lei não os deixa.

No final de Junho deste ano, eram onze os cadáveres não reclamados de fetos ou recém-nascidos que estavam nas delegações de Lisboa, Porto e Coimbra do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses (IMLCF). No final do ano passado eram cinco.

“Há pais que não querem mesmo ver o corpo do bebé, por opção”, diz Vítor Varela, presidente da Mesa do Colégio da Especialidade de Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica da Ordem dos Enfermeiros. E, nesse momento, o corpo do feto ou recém-nascido fica “por reclamar”. “Por outro lado, há alguns pais que não são informados e não reúnem a informação suficiente para poderem optar por ver o bebé antes de ir para a morgue”, acrescenta Vítor Varela.

“Há o lado legal das questões, mas depois há o lado emocional. E o nosso país é bastante deficiente no apoio que dá aos pais para viverem as questões de luto na perda gestacional. Até porque as pessoas têm crenças religiosas bastante díspares e isto não é sequer tido em consideração”, sublinha Sara Vale, presidente e co-fundadora da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto.

Luto solitário

“Quando as mães perdem os bebés, muitas vezes ainda nem disseram a toda a gente que estavam grávidas e, por isso, quando elas dizem que perderam o feto é quase um luto solitário porque ninguém sabia. Não há muitas vezes o reconhecimento de que se perde algo, porque as pessoas nem estavam a par da gravidez”, explica Sara Vale.

Portugal optou por um caminho. Mas há outros. “Num país como a Inglaterra uma das grandes diferenças que se vê em relação a Portugal nestas questões da perda gestacional é a formação específica que alguns profissionais ingleses têm neste campo, o apoio psicológico dado aos pais e o respeito que há pela perda gestacional. Eles enquadram a perda gestacional como um parto, em que a mulher precisa de apoio no período das contracções e no fim, se desejar, pode ver o feto. Têm por exemplo berços frigoríficos em que o corpo está à disposição dos pais. E perguntam aos progenitores se querem ver o bebé, se querem dar o nome, se querem tocar”, afirma Sara Vale quando faz um retrato britânico em matéria da perda gestacional.

A presidente da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto acredita que a dor pode ser diminuída com pequenos gestos. “É claro que há certas práticas que não se conseguem transplantar de uma cultura para outra, mas acho que há bastante a aprender com a sensibilidade dos ingleses. Por exemplo, deve haver o cuidado de os pais estarem numa ala do hospital onde não estão outras mães, onde não se ouvem outros bebés a chorar”, defende Sara Vale.

Há casos em que o certificado de óbito e o funeral são necessários, noutros não. Segundo o director do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Medicina da Reprodução do Hospital de Santa Maria, Carlos Calhaz Jorge, “na morte fetal espontânea com mais de 24 semanas de gestação é obrigatório certificado de óbito e o funeral. No caso da Interrupção Médica da Gravidez ou morte fetal espontânea com menos de 22 semanas nunca há certificado de óbito nem funeral”. Nos casos intermédios, a morte fetal espontânea entre as 22 e as 24 semanas, cabe ao casal optar por certificado de óbito e funeral ou não.

As regras estão escritas mas alguns progenitores levantam questões. “Nunca me disseram o que ia acontecer”, afirma Sílvia Melo, agora 36 anos. “Eu tive duas perdas gestacionais. Na primeira o feto tinha 20 semanas e na segunda tinha oito semanas. Disseram-me que o bebé ia para analisar no Centro de Genética Clínica do Porto. Mas nunca me disseram o que depois acontecia com o corpo”, explica.

“Queria ter um sítio onde pudesse velar o meu bebé”, diz Sílvia. “Eu queria muito. Eu pedi muito. E disseram-me que era a lei. Que não a podiam alterar”, conta. “Mas explicaram-me também que antes das 24 semanas eu não podia fazer funeral. Na altura afectou-me muito não ter o corpo do bebé. Não saber onde ele estava. Acho que teria sido bom para mim e para o meu luto ter feito funeral”, afirma Sílvia Melo.

Não há uma lista

“Não há” um número total e exacto de corpos — de crianças e adultos — não reclamados em Portugal, diz Carlos Almeida da Associação Nacional de Empresas Lutuosas (ANEL).

A única conta que está feita resulta em 67 corpos que, em Junho deste ano, esperavam nas delegações do Instituto de Medicina Legal em Lisboa, Porto e Coimbra. Os cadáveres não reclamados que estão nas morgues dos hospitais ficam à espera de serem incluídos na soma.

A morte chega e ninguém a reclama. Espera-se 30 dias por um telefonema. E ninguém reclamou o corpo que jaz na morgue. “O Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses tem de aguardar no mínimo um mês pela reclamação dos corpos”, esclarece Pedro Tavares, porta-voz do Ministério da Justiça, que tutela o IMLCF. Só pode reclamar o cadáver, segundo a lei em vigor, “o testamenteiro”, o “cônjuge sobrevivo”, a “pessoa que vivia com o falecido”, “qualquer herdeiro” e “qualquer familiar”.

No final do ano de 2016, 58 corpos não tinham sido reclamados nas delegações do IMLCF. A meio deste ano, já eram 67. E há mais cadáveres sem reclamação, mas não se sabe quantos. Entre os que ficam nos hospitais e os que vão para o IMLCF, não existe uma lista que cruze os dados dos corpos não reclamados. Por exemplo, no Centro Hospitalar do Algarve, até à data, há três cadáveres, todos do sexo masculino, de nacionalidades espanhola, soviética e alemã.

O último dia de 2016 contava com 58 corpos não reclamados com mais de um mês de espera. Em 2014, o Instituto de Medicina Legal tinha lidado com 54 corpos não reclamados. Os números não se alteram muito. Mas este ano a marca dos sessenta cadáveres com mais de um mês já foi ultrapassada no mês de Junho.

Não há uma lista com todos os corpos não reclamados a nível nacional. Uns esperam no Instituto de Medicina Legal, outros nos hospitais. Mas só o IMLCF faz a soma de cadáveres não reclamados nas cidades de Lisboa, Porto e Coimbra. A restante estatística não é conhecida.

“Concordo com a existência da lista caso seja criada para fins estatísticos, visto que ainda não há uma forma de saber quantos cadáveres existem nestas circunstâncias”, afirma Carlos Almeida da ANEL.

Trinta dias depois de ninguém reclamar o cadáver, a responsabilidade pelo corpo transita imediatamente para as autarquias. “Compete à câmara municipal do local onde se encontre o cadáver promover a inumação do cadáver não entregue”, explica a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias ao PÚBLICO.

O fim chega sem família

“Quando vier a Primavera/ Se eu já estiver morto/ As flores florirão da mesma maneira”, esperava Alberto Caeiro. O heterónimo de Fernando Pessoa não contava que Luís Silva, da Funerária de Santa Cruz do Bispo, se preocupasse com as flores que acompanham o funeral dos corpos não reclamados. No fim dos trinta dias de espera, o agente funerário é informado pelo IMLCF que está disponível um corpo não reclamado para enterrar.

“A funerária desloca-se ao IMLCF para levantar a guia de transporte, cópias dos documentos do falecido (se houver). Com esses registos a funerária desloca-se à conservatória do Registo Civil para realizar o assento de óbito. E marcamos o funeral no cemitério de Agramonte, no Porto”, descreve Luís Silva.

Chega o dia. “No dia da inumação a funerária passa pelo IMLCF do Porto para levantar o corpo não reclamado, transporta-o no carro funerário directamente para o cemitério para efectuar o enterro (sem família, só com a funerária e os coveiros)”, as etapas estão todas memorizadas por Luís.

Texto editado por Pedro Sales Dias

 

A perda de um filho – intervenção psicológica – Workshop no Porto

Dezembro 27, 2016 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mdc

Calendário: 24-02-2017

Horário: 18:00 – 22:00

Preço: 30 €

Data limite de inscrição: 22-02-2017

mais informações no link:

http://www.mdcpsicologia.pt/formacao/catalogo/action-detail/a-perda-de-um-filho-intervencao-psicologica/

Oficina – Como abordar a perda e a morte com crianças? 24 de setembro em Leiria

Setembro 13, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/576901795822605/

Intervenção com crianças e adolescentes em processo de luto – Formação contínua no ISPA

Junho 8, 2016 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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ispa

Objectivos 

Sensibilizar para a perda, processo de luto e suas especificidades nas crianças

Compreender a importância da avaliação e intervenção no luto com crianças e adolescentes

Promover recursos pessoais na relação com o sofrimento e a perda

Conhecer programas e estratégias de intervenção dirigidos a crianças e adolescentes

Competências 

Compreender o processo de luto e as especificidades do luto patológico

Desenvolver o autoconhecimento e a relação com a morte

Promover competências para a intervenção no processo de luto em crianças e adolescentes

Conhecer programas e modelos de intervenção nacionais e internacionais

Programa 

Viver (com) a morte (3h)– Concepção da morte e etapas de desenvolvimento; Perda e desenvolvimento pessoal; Falar da morte – mitos e medos

Compreender o Processo de Luto (4h)– Processo de luto na criança – modelos e definições; Avaliar para intervir – variáveis e indagação; Necessidades Relacionais

Intervir no Processo de luto (7h)– Intervenção clínica com crianças e adolescentes – fala-me da (tua) saudade: Psicoeducação, Estratégias de intervenção clínica; Intervenção com a família – o (desas)sossego do silêncio; Intervir em contexto de grupo – fala-me de ti, para me ouvir melhor; Prática e discussão de casos

Intervir no Luto Patológico (7h)– Especificidades do Luto Complicado; Luto & Trauma – quando a dor transborda a vida; Prática e discussão de casos

Metodologias 

Exposição teórico-prática, discussão de casos

Duração 

21 horas

Calendarização

Sexta, Junho 17, 2016 a Sábado, Junho 25, 2016

mais informações:

http://fa.ispa.pt/formacao/intervencao-com-criancas-e-adolescentes-em-processo-de-luto

Entenda as reações das crianças diante da morte

Junho 24, 2015 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site http://www.ebc.com.br  de 15 de junho de 2015.

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Por Compreendendo a Infância

As crianças têm respostas diferentes em relação ao processo de falecimento e à morte, de acordo com suas idades e experiências interiores. Não existem estágios definidos, nenhuma sequência correta, nenhum tempo determinado para a duração do sofrimento. Portanto, não tente pensar a respeito do assunto em termos de “o modo adequado” de sofrer.

A idade da criança afeta as maneiras pelas quais ela provavelmente irá expressar seus sentimentos e o tipo de apoio que irá necessitar dos adultos que a circundam. É importante para as crianças não se sentirem sob pressão para demonstrar sinais mais convencionais de sofrimento, e que lhes seja permitido sofrer de sua própria maneira e no seu próprio tempo.

Os pais precisam estar preparados para ver as crianças menores alternando estados de sofrimento de uma maneira tal que pode transtorná-los e ser mesmo um choque para os adultos entristecidos.

  • Elas podem alternar as lágrimas e a tristeza sentida em um momento com a necessidade de alimento e guloseimas em outro – algo muito difícil de um adulto entender ou empatizar.
  • Elas podem solicitar coisas de formas que um adulto pode considerar insensíveis – “Já que a vovó morreu, posso ficar com o seu colar azul?”; “Posso dormir no quarto do João, já que ele morreu?”

É de ajuda conhecermos algumas reações típicas que podem ser observadas nas crianças:

Crianças pequenas e bebês

Quando alguém querido falece e temos uma criança com menos de dois anos passando por essa experiência,ela não terá vocabulário suficiente para expressar sua perda. No entanto, mesmo crianças muito pequenas e bebês estão cientes de que pessoas que lhes eram caras se foram e experimentam a nítida sensação de que elas não mais voltarão, de que a morte é permanente.

Para as crianças muito pequenas, que ainda não falam, a morte pode ser descrita como um receio ou apreensão sem definição. Você sabe como uma criança que se sente insegura pode chorar inconsolavelmente quando um dos pais sai do quarto e a deixa lá por um período mais longo do que ela pode suportar. Se o ser amado não retorna, as crianças pequenas podem acabar por sentir temor por sua própria sobrevivência.

Geralmente os adultos podem consolar as crianças quando eles próprios não estão por demais tristes. Mesmo os bebês serão afetados pelo estado emocional de seus pais. Uma morte na família pode perturbar os cuidados com as crianças e daí surgirem efeitos  colaterais. Tente minimizar as perturbações e mudanças. Com o tempo, com uma atmosfera estável e amorosa ao redor, a perda pode até certo ponto ser reparada.

É importante que a criança e aqueles que cuidam dela mantenham vivas as lembranças da pessoa que se foi. Ao crescer, a criança terá muitas oportunidades para entender melhor o que sentiu antes de que pudesse se expressar com palavras.

Crianças entre 2 e 5 anos

As crianças com idade entre dois e cinco anos têm uma vaga noção de que a morte é permanente e que a pessoa falecida não voltará mais. É difícil para elas reconhecer isto na sua totalidade, pois ameaça a segurança de seu mundo familiar, tão bem estruturado. No fundo, qualquer separação por tempo prolongado demais deixa um sentimento de receio pela própria sobrevivência.

Durante esses anos, as crianças construirão diversas ligações muito importantes com adultos e outras crianças. Um desenvolvimento normal lhes dará uma imagem razoavelmente segura daqueles a quem ama – um tipo de “mamãe e papai em sua mente” -, que lhes fornecerá consolo durante as separações.

Se a perda não é de um parente próximo, elas podem ficar curiosas e serem afetadas pelo evento, mas, provavelmente, conseguirão absorver tudo em suas brincadeiras e atividades diárias. Se, tragicamente, se tratar do falecimento de alguém importante para elas, passarão por um processo de sofrimento similar ao dos adultos.

Crianças de 6 a 12 anos

As crianças nessa faixa etária começam a desenvolver uma compreensão mais madura da vida e da morte, a se conscientizar de que um dia todos morrem, e que isso também vai ocorrer com elas. Elas querem saber mais a respeito da real causa da morte – “Por que câncer?”, “Por que suicídio?”.

Elas podem apelar para a negação, tornando-se incapazes de demonstrar seus sentimentos. Caso dêem a impressão de estarem estagnadas, sem capacidade de expressar a dor, talvez precisem da ajuda de um profissional – alguém que possa aceitar a sua negação -, principalmente se os adultos importantes em sua vida também estiverem sofrendo.

* Para saber mais sobre o assunto, acesse o folheto “Perdas” do projeto Compreendendo a Infância do Instituto de Psicologia da Usp.

Saiba mais:

Saiba como ajudar a criança a lidar com a perda de um ente querido

 

 

Intervenção com crianças e adolescentes em processo de luto – Formação Avançada

Junho 16, 2015 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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ispa

Objectivos 

Sensibilizar para a perda, processo de luto e suas especificidades nas crianças

Compreender a importância da avaliação e intervenção no luto com crianças e adolescentes

Promover recursos pessoais na relação com o sofrimento e a perda

Conhecer programas e estratégias de intervenção dirigidos a crianças e adolescentes

Competências

Compreender o processo de luto e as especificidades do luto patológico

Desenvolver o autoconhecimento e a relação com a morte

Promover competências para a intervenção no processo de luto em crianças e adolescentes

Conhecer programas e modelos de intervenção nacionais e internacionais

Programa 

Viver (com) a morte (3h)– Concepção da morte e etapas de desenvolvimento; Perda e desenvolvimento pessoal; Falar da morte – mitos e medos

Compreender o Processo de Luto (4h)– Processo de luto na criança – modelos e definições; Avaliar para intervir – variáveis e indagação; Necessidades Relacionais

Intervir no Processo de luto (7h)– Intervenção clínica com crianças e adolescentes – fala-me da (tua) saudade: Psicoeducação, Estratégias de intervenção clínica; Intervenção com a família – o (desas)sossego do silêncio; Intervir em contexto de grupo – fala-me de ti, para me ouvir melhor; Prática e discussão de casos

Intervir no Luto Patológico (7h)– Especificidades do Luto Complicado; Luto & Trauma – quando a dor transborda a vida; Prática e discussão de casos

Calendarização

26 de Junho a 4 de Julho

mais informações:

http://fa.ispa.pt/formacao/intervencao-com-criancas-e-adolescentes-em-processo-de-luto

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