100 Women: ‘We can’t teach girls of the future with books of the past’

Outubro 26, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.bbc.com/ de 9 de outubro de 2017.

Valeria Perasso

Social Affairs correspondent, WS Languages

In a textbook for students in Tanzania, boys are strong and athletic, while girls just look proud of their pretty frilly dresses.

In a primary school reader in Haiti, pupils learn that mothers “take care of the kids and prepare the food” as fathers work “in an office”.

There’s a Pakistani illustrated book where all politicians, authoritative and powerful, are male.

In Turkey, a cartoon of a boy shows him dreaming of becoming a doctor.

Meanwhile a girl imagines herself as a future bride in white gown.

The list goes on – and knows no geographical boundaries.

Gender bias is rife in primary school learning books and can be found, in a strikingly similar form, on every continent, various experts say.

It is a problem “hidden in plain sight”.

“There are stereotypes of males and females camouflaged in what seems to be well-established roles for each gender,” says sociologist Rae Lesser Blumberg.

Prof Blumberg, from the University of Virginia, has been studying textbooks from around the world for over a decade, and says she has seen women systematically written out, or portrayed in subservient roles.

“Gender bias is a low-profile education issue, not one that makes headlines when millions of children remain unschooled,” she says.

What is 100 Women?

BBC 100 Women names 100 influential and inspirational women around the world every year. In 2017, we’re challenging them to tackle four of the biggest problems facing women today – the glass ceiling, female illiteracy, harassment in public spaces and sexism in sport.

With your help, they’ll be coming up with real-life solutions and we want you to get involved with your ideas. Find us on Facebook, Instagram and Twitter and use #100Women

Although school enrolment has increased dramatically since 2000, Unesco estimates that over 60 million children still never set foot in a classroom – 54% of them are girls.

“These books perpetuate gender imbalance,” says Prof Blumberg. “We cannot educate the children of the future with books from the past.”

A Tunisian primary textbook portrays women cooking and cleaning UNESCO / GEM Report

 

Invisible or stereotyped

Last year, the UN’s education agency Unesco issued a stark warning.

Sexist attitudes are so pervasive that textbooks end up undermining the education of girls and limiting their career and life expectations, Unesco says – and they represent a “hidden obstacle” to achieving gender equality.

Whether measured in lines of text, proportion of named characters, mentions in titles, citations in indexes or other criteria, “surveys show that females are overwhelmingly underrepresented in textbooks and curricula”, says University of Albany’s Aaron Benavot, former director of Unesco’s 2016 Global Education Monitoring (GEM) report.

The problem is threefold, experts say.

The most evident aspect is the use of gender-biased language, as often male words are chosen to mean all of humanity.

Then there’s an issue of invisibility, as women are often absent from the texts, their roles in history and everyday life subsumed by male characters.

“There was one textbook about scientists I particularly remember, and the only woman in it was Marie Curie,” says Prof Blumberg.

“But was she shown discovering radium? No, she was timidly peeking over her husband’s shoulder as he spoke to somebody else, a man who looked elegant and distinguished.”

Thirdly, there are traditional stereotypes in use about the jobs that men and women perform, both in the household and outside, as well as cliched social expectations and traits assigned to each gender.

An Italian textbook provides a striking example in a chapter that teaches vocabulary for different occupations, with 10 different options for men, from fireman to dentist, and none for women.

Meanwhile, women are often portrayed in domestic tasks, from cooking and washing to caring for the children and elderly.

“The concern is also that women are portrayed as passive, submissive, fulfilling these gender stereotypical roles,” says education specialist Catherine Jere, a lecturer at the University of East Anglia who was also involved in the GEM report.

continuar a ler o texto no link:

http://www.bbc.com/news/world-41421406

 

 

 

 

Meninos e meninas: quando se agitam as águas há sempre quem não goste

Setembro 22, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Paula Cosme Pinto publicado no http://expresso.sapo.pt/ de 1 de setembro de 2017.

Em plena época de rentrées, não posso deixar de falar sobre o tão badalado caso dos livros de atividades para meninas e meninos – perdoem-me, eles são rapazes, que nisto da virilidade não há meninos. A indignação e desinformação contínua em torno disto faz-me concluir algo que, para quem se debruça nestas questões, não é novo: é impossível agitar as águas sem que quem lá está dentro, confortável, não se queixe da agitação e questione porque raio não as deixamos ficar paradas, já que aparentemente estão tranquilas. Esquecendo-se, como é óbvio, daqueles que têm de fazer esforços extras todos os dias para se movimentarem no lodo provocado por tal estagnação e comodismo.

Antes de qualquer outra coisa, julgo ser importante pararmos para pensar no sentido das palavras. Fazer uma recomendação – tal como indica o dicionário – é o ato de recomendar, aconselhar, advertir. Que eu saiba, isto não é igual ao significado da palavra ‘acusar’ ou da expressão ‘fazer queixa’ (algo que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género já fez a quem de direito em tantas situações, como por exemplo, no caso do taxista que dizia que “as meninas virgens são para ser violadas”, ou quando uma adolescente foi alvo de abusos de cariz sexual num autocarro) . Independentemente de ser um organismo público a fazê-la ou não, quem recebe uma recomendação tem, portanto, livre arbítrio para tomar uma decisão. Esse livre arbítrio faz parte do exercício da liberdade. Quem concorda com uma recomendação, fá-lo voluntária e conscientemente. Foi o caso.

Se o “Mein Kampf” pode estar à venda, tudo pode estar à venda?

Muito se têm atirado pedras ao charco com comparações vazias de sentido, como a do “Mein Kampf” (repetida até à exaustão). Se este título pode estar à venda, quem somos nós para questionar se um livro de exercícios para crianças, vendido em pleno mercado livre, tem um conteúdo desajustado em matérias de igualdade? A diferença parece-me clara: que eu saiba, o “Mein Kampf” não está à venda em secções de crianças, nem é propriamente vendido com o intuito de chegar a menores, muitos menos para estímulo intelectual e cognitivo de miúdos idades entre os 4 e os 6 anos. É uma comparação ridícula, mas que enche o olho e que faz muita gente agitar os braços no ar e dizer “estás a ver?”, sem se darem ao trabalho de pensar pela própria cabeça. Escusado será dizer que cabe a cada adulto que compra tal título ter consciência sobre o que vai ler. No caso das crianças, não podemos esperar o mesmo.

Há atenção acrescida que é necessária quando produzimos, editamos e vendemos livros a menores que estão em plena formação de personalidade. E uma coisa são roupas ou brinquedos (um dia lá chegaremos, é outro campeonato que, como se pode ver por esta discussão, vai demorar até ser entendido) outra são livros de exercícios para crianças no geral. Lamento, mas é um péssimo ponto de partida fazer diferenciação de género em produtos cujo intuito máximo é o estímulo intelectual de crianças. Uma forma de os encaminhar e incentivar, desde tenra idade, para diferenciações no que é adequado a meninos e meninas.

No que toca aos estereótipos, acrescem não só as cores escolhidas (isso até me parece o menos nesta fase do campeonato), mas também os universos ilustrativos dedicados a cada um dos públicos, feminino e masculino. Justificar isto dizendo que os livros foram feitos por equipas diferentes, é pobre. Para alguma coisa serve a revisão final, já para não falar do restante processo de produção de um livro onde várias cabeças estão sempre envolvidas. Parece-me, contudo, importante reforçar que não se sugeriu que determinada editora estivesse a fazer conteúdos propositadamente preconceituosos. É óbvio que, muito provavelmente, nenhum dos profissionais em causa fez opções sexistas deliberadamente. Não foi isso que alguma vez esteve em causa. Mas o resultado final falhou, tal como tantas vezes falham até mesmo os pais e educadores mais conscientes, e que que fazem todos os esforços para não resvalar em exemplos sexistas no dia-a-dia. Os papéis dos homens e das mulheres estão totalmente enraizados no nosso inconsciente coletivo e demorará anos, muitos anos, até que a realidade seja outra. Ainda faz parte, isto de se resvalar para o preconceito, mas não quer dizer que seja correto, por mais generalizada que a mensagem esteja.

É ingénuo acreditarmos que a maioria do pais sabe dar o exemplo

Agora uma coisa é certa: é preciso começar a agitar as águas para que a mudança aconteça. E a mudança vai sempre incomodar alguém. Claro que em termos de marketing o azul e o cor-de-rosa continuam a vender mais. Mas, a meu ver, por mais que o intuito de qualquer empresa seja vender o mais possível, a responsabilidade social não pode ser chutada para canto, quer estejamos nós numa pública, quer numa privada. A mim parece-me razoável que uma editora que dedica boa parte do seu trabalho a este público deva ter alguma consciência acrescida para este tipo de questões, tão essenciais na hora de passar conteúdos de aprendizagem a crianças, mesmo que estes não sejam manuais escolares oficiais (isso seria uma discussão de outras dimensões, com outras partes envolvidas).

Sim, os livros venderam muito. Qual é a surpresa? Por mais que a sua função seja educar, é ingénuo acreditarmos que a maioria dos pais, lá porque são adultos, faz a triagem ou dá o exemplo nas questões da igualdade. Por alguma razão ainda precisamos de ter um organismo público que ajude a zelar pela igualdade num país supostamente civilizado como é o nosso (para quem não sabe, essa é função da CIG). Não podemos esperar que sejam exclusivamente os pais ou os professores a promover a mudança. Todos nós, enquanto cidadãos de uma sociedade que se diz par, devemos estar envolvidos neste processo.

Questionar esta atuação da CIG é um sinal de que a apatia geral, afinal, até pode ser quebrada, mesmo que sejam as redes sociais o motor de arranque. Mas se queremos questionar, então eu diria que nada melhor do que começarmos por tirar conclusões pela nossa própria cabeça, por mais que seja mais fácil partilhar os discursos de estrelas da TV e demais opinadores generalistas. Um bom ponto de partida para uma reflexão séria e individual? Ler o relatório com o parecer técnico da CIG sobre estes livros (se clicarem aqui encontram-no). São poucas páginas, e explicam muito bem, percorrendo todo o livro, o porquê da tal recomendação.

Claro que há muitos outros casos que podiam e que deviam ser igualmente questionados, mas há que começar por algum lado. Acredito que depois deste, a atenção para aquilo que muitos dizem ser apenas subtilezas da desigualdade possa ser maior. Quanto ao desfecho, eis um belo exemplo de como uma empresa privada pode ter a nobreza de assumir um erro, suspender voluntariamente vendas -mesmo que isso ponha lucros em causa -, e colaborar com o Estado no bem maior que é a importância de se combater estereótipos e preconceitos obsoletos. Por mais que isto custe às águas paradas, as correntes estão a mudar. Ainda bem.

 

 

Livros de exercícios diferentes para meninos e meninas. Serão elas mais limitadas? A Porto Editora parece achar que sim

Agosto 23, 2017 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 22 de agosto de 2017.

Exercícios para crianças, dos quatro aos seis anos, em livros da Porto Editora, estão na mira da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Editora rejeita acusações.

Clara Viana

A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) está a analisar dois blocos de actividades publicados pela Porto Editora para crianças dos 4 aos 6 anos, que têm a particularidade de estarem divididos por género: um destina-se a meninos, e tem capa azul, outro a meninas e a capa está pintada de rosa. Acrescendo o facto de que alguns dos exercícios propostos, apesar de idênticos, serão de muito mais fácil resolução no livro para raparigas.

Na sua página do Facebook, a CIG informa que tem recebido muitos alertas sobre esta situação, que foi denunciada nesta terça-feira nas redes sociais, acrescentando que depois da análise das publicações irá “agir em conformidade”. “O assunto não é indiferente, nem vai morrer aqui”, confirmou ao PÚBLICO uma fonte da Comissão para a Igualdade e Cidadania de Género, que depende da presidência do Conselho de Ministros.

O PÚBLICO comparou os dois livros, que foram publicados no Verão de 2016. O que é destinado a eles, chama-se Bloco de Actividades para Rapazes. O que se destina a elas intitula-se Bloco de Actividades para Meninas. No conjunto das 62 actividades propostas, existem seis cuja resolução é mais difícil no livro dos rapazes e três que apresentam um grau de dificuldade superior no das meninas.

Mas a maior parte das actividades reproduzem uma série de velhos estereótipos. Apenas alguns exemplos: eles brincam com dinossauros, com carrinhos e vão ao futebol, enquanto elas brincam com novelos de lã, ajudam as mães e vão ao ballet; eles pintam piratas, elas desenham princesas. O universo caseiro do lar surge muito mais associado ao género feminino do que ao masculino.

Atitude discriminatória

“Total estupefacção”. Foi assim que a professora do Instituto Superior de Economia e Gestão, Sara Falcão Casaca, com diversa investigação sobre a igualdade de géneros, diz ter reagido quando se deparou com a imagem dos blocos de actividades nas redes sociais. Salvaguardando que apenas viu duas páginas, frisa ser “muito preocupante a representação social, transposta para os blocos de actividades, sobre o que os rapazes e as meninas estão aptos a desenvolver do ponto de vista das suas capacidades cognitivas”. “Assume-se que os rapazes estão aptos a desenvolver actividades de complexidade superior”, acrescenta.

A investigadora sublinha ainda que uma editora “que trabalha para um público infantil e juvenil, produzindo materiais educativos e manuais escolares e pedagógicos, deveria orientar-se sem desvios pelas políticas públicas em vigor. Ou seja, deveria co-responsabilizar-se por uma educação para a igualdade de género, para a não discriminação e a cidadania.”

Confrontada com a descrição das publicações, que desconhecia, a deputada socialista Elza Pais, ex-secretária de Estado da Igualdade, considerou “absolutamente inadmissível” que se reproduzam daquele modo “estereótipos de género”, que consubstanciam uma atitude “discriminatória”.

Editora rejeita acusações

Em resposta ao PÚBLICO, a responsável pelas publicações infanto-juvenis da Porto Editora, Susana Baptista, nega que existam exercícios com graus de dificuldade diferente para rapazes e raparigas. “Em ambas as edições são trabalhadas as mesmas competências, na mesma sequência e com exercícios semelhantes. A diferença está na ilustração e na abordagem artística que as diferentes ilustradoras fizeram”, refere, para acrescentar: “E se há um exemplo em que o exercício, no caso das meninas, é aparentemente mais fácil, há vários outros em que os exercícios são aparentemente mais difíceis” no livro que é dirigido a elas.

Quanto ao facto de terem optado por fazerem dois blocos de actividade distintos, um para rapazes e outro para raparigas, Susana Baptista esclarece que “são propostas editoriais de grande sucesso – ambas as edições estão em vias de esgotar – o que significa que pais e crianças gostam destas publicações.

Esta responsável diz ainda que a Porto Editora compreende “a preocupação que esteve na origem desta polémica”. Mas “estas publicações não reflectem uma visão discriminatória e preconceituosa, com a qual, obviamente, não nos identificamos”, sublinha de seguida.

Um exemplo de um exercício proposto para os meninos:

Um exemplo de um exercício proposto para as meninas:

 

 

 

 

Pobreza nas escolas. Cinco mil livros, um por cada aluno

Dezembro 23, 2014 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do i de 12 de dezembro de 2014.

Por Sara Amorim Queirós

Jorge Ascenção é o homem por detrás da iniciativa que também inclui um site para crianças

Cinco mil livros escolares serão oferecidos a cinco mil crianças do 4º ano que os necessitem. São como presentes de Natal que serão entregues às famílias mais carenciadas. Cada uma delas foi escolhida pelas associações de pais das escolas de todo o país, que pediram para os manuais serem enviados pela Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), que junto com a editora EDUMAIS começou esta iniciativa.

A ideia partiu desta editora especializada na área da educação. E chegou ao presidente da CONFAP “numa reunião relaxada em Lisboa”, conta Jorge Ascenção. A parceria surgiu com o objectivo de lançar um site que permitiria aos alunos do 4º ano ter acesso a exercícios explicados das disciplinas sujeitas a exames nacionais: Estudo do Meio, Matemática e Português. “A criação do site foi apoiada pelo Fundo Social Europeu”, explica ao i o dirigente a confederação. E foi assim que nasceu  o www.cadernovirtual.pt – pode ser usado por todos os alunos sem custos. Isto é, todas as crianças com acesso à internet.

Este ano, a parceria foi reforçada e a EDUMAIS, com o financiamento do Fundo Social Europeu, decidiu oferecer cinco mil livros da  editora. São manuais por estrear com exercícios, que serão distribuídos pelas associações de pais que os solicitem e que depois vão ser distribuídos pelos alunos carenciados.

Esta é uma das parcerias criadas com o objectivo de “apoiar e orientar” as crianças e também “criar o gosto pelas matérias”, diz o presidente da CONFAP, que também é pai de um aluno da Escola Secundária Rio Tinto, e representante da associação de pais nessa escola.

Conta, no entanto, que é complicado estas iniciativas sobreviverem só com o apoio das associações de pais. “E difícil os pais, por exemplo, criarem uma empresa”, pode “haver um conjunto de encarregados de educação com os conhecimentos para montar essa logística, mas manter isso já é outra história”, explica ao i. Por isso as associações de pais tentam estabelecer parcerias com entidades que estejam interessadas em colaborar.

O trabalho de Jorge Ascenção, como presidente da CONFAP, é estabelecer contactos para possibilitar estas parcerias e protocolos para que estas iniciativas se concretizem. São projectos que podem ir desde parcerias com outras editoras, a sinergias com instituições para que as crianças sejam acolhidas antes e depois da escola, enquanto os pais trabalham.

Jorge Ascenção, que também é presidente da Federação das Associações de Pais do Concelho de Gondomar e representante da associação de pais na Escola Secundária de Rio Tinto e garante: “O acesso à educação a todos tem que ser mais do que uma ideia, tem de ser uma prática”, e para isso é “preciso boa vontade”. Por isso o objectivo deste cinco mil livros oferecidos é “chegarem a todo o país”, e também, nos próximos anos, expandir para outros anos de escolaridade.

 

 

 


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