15 poemas famosos que as crianças vão adorar escutar

Abril 17, 2020 às 6:00 am | Publicado em Livros, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do site Cultura Genial

Carolina Marcello

Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes

A poesia tem o poder de nos emocionar, de nos transportar para outros mundos e de nos educar acerca da complexidade humana.

Por todos esses motivos, e muitos mais, o contato das crianças com a poesia pode ser mágico e potenciar um amor pela leitura que durará a vida toda.

Está procurando poemas curtos para ler com as crianças e inspirar os pequenos leitores? Confira as composições que selecionamos, e comentamos, para você.

1 Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo …
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meireles (1901 – 1964) foi um notória escritora, artista e educadora brasileira. Considerada uma das maiores poetas nacionais, a autora também se destacou no campo da literatura infantojuvenil.

Alguns dos seus poemas dedicados ao público infantil se tornaram verdadeiros clássicos e continuam sendo muito populares entre leitores de todas as idades.

O poema em análise, publicado na obra homônima Ou Isto ou Aquilo (1964) é, talvez, o mais famoso. A composição contém um ensinamento fundamental acerca do modo como a vida funciona: temos, constantemente, que fazer escolhas.

Isso implica, no entanto, que não podemos ter tudo ao mesmo tempo. Quando optamos por uma coisa, estamos abrindo mão de outra. A poeta consegue traduzir esse eterno sentimento de incompletude através de exemplos simples, com elementos do cotidiano.

2 Pessoas são Diferentes, de Ruth Rocha

São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes…

Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!

Uma delas usa óculos,
E a outra só usa lentes.

Uma gosta de gelados,
A outra gosta de quentes.

Uma tem cabelos longos,
A outra corta eles rentes.

Não queira que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
São duas crianças lindas,
Mas são muito diferentes!

Ruth Rocha (1931) é uma das maiores escritoras de livros infantis do panorama nacional. Sua composição mais popular é, sem dúvida, O Direito das Crianças, onde a autora enumera as condições para uma infância saudável e feliz.

Neste artigo, contudo, escolhemos analisar o poema Pessoas são Diferentes, pela sua forte mensagem social. Aqui, a autora ensina o leitor a compreender e a aceitar a diferença.

No poema, há a comparação de duas crianças e a conclusão de que contrastam tanto na sua imagem, como nos seus gostos. O sujeito poético deixa evidente que uma não é superior à outra: não existe um jeito certo de ser.

Num mundo que ainda é regido por padrões limitados de beleza e comportamento, Ruth Rocha lembra as crianças (e os adultos) que o ser humano é múltiplo e que todas as pessoas merecem o mesmo respeito.

3 O Pato, de Vinícius de Moraes

Lá vem o pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o pato
Para ver o que é que há.
O pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De jenipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.

Amado pelos adultos, Vinicius de Moraes (1913 — 1980) também foi um poeta e músico muito popular entre as crianças. O Pato faz parte das composições infantis do “poetinha” que foram publicadas na obra A Arca de Noé (1970).

Os poemas, focados sobretudo em animais, foram escritos para os filhos do artista, Suzana e Pedro. Anos mais tarde, em parceria com Toquinho, Vinicius lançou adaptações musicais desses versos.

O Pato é um poema divertido de ler com as crianças, por causa do seu ritmo e das suas aliterações (repetições de consoantes). Os versos contam a história de um pato que estava fazendo um monte de travessuras.

Vamos assistindo, gradualmente, às consequências do seu mau comportamento. Por conta de suas más ações, o pobre pato morre e acaba na panela.

4 O Cuco, de Marina Colasanti

Mais esperto que maluco
este é o retrato do cuco.
Taí um que não se mata
pra fazer um pé-de-meia
e nem pensa em bater asa
pra construir a casa.
Para ele o bom negócio
é morar em casa alheia,
e do abuso nem se toca.
Os seus ovos, rapidinho,
põe no ninho do vizinho
depois vai curtir um ócio
enquanto a vizinha choca

Marina Colasanti (1937) é uma escritora e jornalista ítalo-brasileira, autora de várias obras populares de literatura infantil e infanto-juvenil.

O Cuco faz parte da obra Cada bicho seu capricho (1992), na qual Colasanti mistura o amor pela poesia com o amor pelos animais. Assim, os seus versos observam e descrevem as singularidades de cada bicho, educando o leitor mirim.

O poema em análise se foca no comportamento do cuco, bem diferente da conduta das outras aves. Em vez de construir o próprio ninho, o cuco é famoso por deixar os seus ovos em ninhos alheios.

Assim, os ovos dos cucos acabam sendo chocados por pássaros de outras espécies. Esse fato faz com o animal seja encarado, na nossa cultura, como sinônimo de esperteza e independência.

5 Mãe, de Sérgio Capparelli

De patins, de bicicleta
de carro, moto, avião
nas asas da borboleta
e nos olhos do gavião
de barco, de velocípedes
a cavalo num trovão
nas cores do arco-íris
no rugido de um leão
na graça de um golfinho
e no germinar do grão
teu nome eu trago, mãe,
na palma da minha mão.

Sérgio Capparelli (1947) é um jornalista, professor e escritor brasileiro de literatura infantojuvenil que venceu o Prêmio Jabuti nos anos de 1982 e 1983.

O poeta escreveu várias composições sobre a figura materna e sua ligação intemporal com os filhos. Em Mãe, temos uma declaração de amor do sujeito à progenitora.

Enumerando todas as coisas que vê, ilustra que as memórias e os ensinamentos da mãe estão presentes em cada elemento da realidade, cada gesto do cotidiano.

Deste modo, as palavras doces de Capparelli traduzem um sentimento maior que a própria vida e um laço inquebrável entre mães e filhos.

6 Pontinho de vista, de Pedro Bandeira

Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.

Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
– Minha nossa, que grandão!

Pedro Bandeira (1942) é um escritor brasileiro de obras infantojuvenis que venceu o Prêmio Jabuti em 1986. Este é um dos poemas do livro Por enquanto eu sou pequeno, lançado em 2002. O sujeito parece ser uma criança que está transmitindo o seu “pontinho de vista” sobre a vida.

Ele afirma que é visto como pequeno pelos demais e precisa erguer a cabeça para falar com os outros. No entanto, ele sabe sabe que os conceitos não são absolutos e dependem da forma como encaramos as coisas.

Por exemplo, na perspectiva de uma formiga, o eu-lírico é enorme, um verdadeiro gigante. Deste modo, e através de um exemplo acessível para as crianças, Pedro Bandeira dá uma importante lição de subjetividade.

7 Porquinho-da-Índia, de Manuel Bandeira

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas…

— O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

Manuel Bandeira (1886 — 1968) foi uma das mais importantes vozes do modernismo brasileiro. Sua poesia de linguagem simples e direta cativou, e continua cativando, leitores de várias gerações.

Porquinho-da-Índia é uma das suas composições adequadas para o público infantil. Lembrando os tempos da infância, o sujeito poético reflete sobre o seu antigo porquinho-da-índia e a relação difícil que mantinha com o animal.

Apesar de oferecer todo o carinho e conforto ao bichinho, ele “só queria estar debaixo do fogão”. Nos versos, o eu-lírico fala sobre a primeira vez que sentiu a rejeição, memória que guardou para o resto da vida.

Por vezes o nosso amor não é correspondido com a mesma intensidade. Mesmo num tom melancólico, o sujeito encara o fato com leveza e sabe que ele faz parte da vida.

8 Menina passarinho, de Ferreira Gullar

Menina passarinho,
que tão de mansinho
me pousas na mão
Donde é que vens?
De alguma floresta?
De alguma canção?

Ah, tu és a festa
de que precisava
este coração!

Sei que já me deixas
e é quase certo
que não voltas, não.

Mas fica a alegria
de que houve um dia
em que um passarinho
me pousou na mão.

Ferreira Gullar (1930 – 2016) foi um poeta, escritor, crítico e ensaísta brasileiro, sendo também um dos fundadores do neoconcretismo.

Em Menina Passarinho, o sujeito se dirige a alguém cujos gestos são leves e delicados. Assim, ele compara a garota a um passarinho, que passa voando e pousa na sua mão.

Esse breve encontro é capaz de alegrar o sujeito, provocando uma festa no seu coração. Mesmo ciente de que esse momento é efêmero, e que provavelmente não voltará a ver a Menina Passarinho, consegue apreciar a sua recordação.

A composição vem lembrar os leitores que as coisas não precisam durar eternamente para serem especiais. Por vezes, os momentos fugazes podem ser os mais belos e também os mais poéticos.

Confira uma adaptação musical na voz de Cátia de França:

9 A Girafa Vidente, de Leo Cunha

Com
aquele
pescoço
comprido
espicha
espicha
espicha
a bicha
até parecia
que via
o dia de amanhã

Leonardo Antunes Cunha (1966), mais conhecido como Leo Cunha, é um jornalista e escritor brasileiro que tem se dedicado principalmente a criar obras para o público infantil.

Em A Girafa Vidente, o poeta se foca numa particularidade bem notória do animal: a sua altura. Como se assumisse o ponto de vista de uma criança, observa o longo pescoço da girafa, que parece quase não ter fim.

Por ser tão alta, o sujeito poético sugere que ela conseguiria ver além, podendo até prever o futuro. Também é engraçado reparar que a própria estrutura da composição (uma torre estreita e vertical) parece replicar o formato do animal.

10 Espantalho, de Almir Correia

Homem de palha
coração de capim
vai embora
aos pouquinhos
no bico dos passarinhos
e fim.

Almir Correia é um autor brasileiro de literatura infantojuvenil que também trabalha com animação. Talvez por isso, o poema Espantalho seja uma composição muito assente em aspectos visuais. Formado por apenas seis versos, o poema pinta uma imagem bastante nítida de um espantalho se desintegrando com o tempo.

Nada disso é descrito de forma triste ou trágica, pois tudo faz parte da vida. O espantalho, cujo propósito é assustar os pássaros, acaba sendo devorado pelos seus bicos.

11  A porta, de Vinicius de Moraes

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão

Conhecido como “poetinha”, Vinicius tinha o dom de conferir uma certa magia a acontecimentos e objetos aparentemente banais. Neste poema, o sujeito poético mostra toda a história que pode estar contida em uma simples porta.

Deste modo, fica claro que cada elemento do cotidiano faz parte da nossa vida e, se falasse, teria muito para contar sobre nós e aqueles que nos rodeiam. Aqui, existe uma personificação da porta, que escolhe se abrir de formas diferentes para cada personagem que aparece.

Escute, abaixo, a versão musicada, na voz de Fábio Jr.:

12 Amarelinha, de Maria da Graça Rios

Maré mar
é maré
mare linha
sete casas a pincel.
Pulo paro
e lá vou
num pulinho
segurar mais um ponto
no céu.

Maria da Graça Rios é uma escritora e acadêmica brasileira, autora de várias obras infantis como Chuva choveu e Abel e a fera. Em Amarelinha, o sujeito poético cria vários jogos de palavras a partir do nome da brincadeira famosa.

Na composição, o eu-lírico parece ser uma criança que está brincando de amarelinha e vai descrevendo os seus movimentos, até o final do jogo.

13 A Boneca, de Olavo Bilac

Deixando a bola e a peteca,
Com que inda há pouco brincavam,
Por causa de uma boneca,
Duas meninas brigavam.

Dizia a primeira: “É minha!”
— “É minha!” a outra gritava;
E nenhuma se continha,
Nem a boneca largava.

Quem mais sofria (coitada!)
Era a boneca. Já tinha
Toda a roupa estraçalhada,
E amarrotada a carinha.

Tanto puxaram por ela,
Que a pobre rasgou-se ao meio,
Perdendo a estopa amarela
Que lhe formava o recheio.

E, ao fim de tanta fadiga,
Voltando à bola e à peteca,
Ambas, por causa da briga,
Ficaram sem a boneca…

Olavo Bilac (1865 – 1918) foi um célebre poeta do parnasianismo brasileiro que também escreveu composições destinadas às crianças. Em A Boneca, o sujeito conta a história de duas garotas que começaram a brigar porque queriam brincar com a mesma boneca.

Em vez de partilharem e continuarem a brincadeira, cada uma queria a boneca para si. De tanto puxarem, acabaram destruindo a pobre boneca e, no final, ninguém brincou com ela. O poema vem lembrar as crianças que é fundamental aprendermos a partilhar e que a ganância apenas conduz a resultados ruins.

Conheça uma leitura e animação criada a partir do poema:

14 O Pinguim, de Vinicius de Moraes

Bom dia, Pinguim
Onde vai assim
Com ar apressado?
Eu não sou malvado
Não fique assustado
Com medo de mim.
Eu só gostaria
De dar um tapinha
No seu chapéu de jaca
Ou bem de levinho
Puxar o rabinho
Da sua casaca.

Neste poema cheio de bom humor, Vinícius brinca com a aparência dos pinguins. Por serem pretos e brancos, parecem estar vestidos de um jeito formal, usando uma casaca.

Assim, o sujeito lírico parece ser um garoto que vê o bichinho ao longe e quer se aproximar dele e tocá-lo, tentando não o assustar.

Não perca a versão do poema musicada por Toquinho:

15 Receita de espantar a tristeza, de Roseana Murray

Faça uma careta
e mande a tristeza
pra longe pro outro lado
do mar ou da lua

vá para o meio da rua
e plante bananeira
faça alguma besteira

depois estique os braços
apanhe a primeira estrela
e procure o melhor amigo
para um longo e apertado abraço.

Roseana Murray (1950) é uma escritora carioca, autora de obras de poesia e livros direcionados para o público infantil. A escritora publicou o seu primeiro livro, Fardo de Carinho, em 1980.

Em receita para espantar a tristeza, a poeta transmite uma mensagem muito especial de ânimo. Quando estamos tristes, o melhor que podemos fazer é interromper esse processo de sofrimento e procurar alguma coisa que nos faça rir (por exemplo, plantar bananeira).

Algo que também não pode faltar é a amizade: a simples presença de um amigo pode ser o suficiente para mandar a tristeza embora.

O Meu Herói és tu: há um livro para ajudar as crianças a combater a covid-19

Abril 15, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Livros, Recursos educativos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 11 de abril de 2020.

Numa altura em que muitas crianças têm de ficar em casa e todos os dias ouvem falar da covid-19, criou-se um livro para as ajudar a lidar com a situação e a tornarem-se heroínas das suas próprias histórias.

Teresa Sofia Serafim

Para Sara, a sua mãe é uma heroína porque é a melhor mãe e cientista do mundo. Mas, mesmo ela, ainda não conseguiu encontrar uma solução para a covid-19. Nesta altura, e porque todos podemos combater o novo coronavírus, a mãe de Sara precisa que seja ela a sua heroína também. E Sara pergunta-se: como? Para o descobrir, vai fazer uma viagem às costas de uma criatura fictícia. Este é o mote do livro O Meu Herói és tu criado para que as crianças possam compreender como podem lutar contra covid-19. O livro está disponível online em mais de dez línguas e já há uma versão em português.

O Grupo de Referência do Comité Permanente Interagências (IASC) para a Saúde Mental e Apoio Psicossocial em Emergências Humanitárias (criado pela ONU) tinha um grande objectivo: fazer um livro que ajudasse as crianças dos 6 aos 11 anos a entender a covid-19 e tudo o que está a acontecer à sua volta. A este grupo juntaram-se mais de 50 organizações do sector humanitário (alguns membros do IASC), como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e a Save the Children.

O tom do livro deveria parecer real. Portanto, ao longo do desenvolvimento deste projecto, mais de 1700 crianças, pais, cuidadores e professores de mais de 100 países partilharam como estavam a lidar com a actual pandemia. Também participaram crianças e pais portugueses. Como a amostra deve permanecer anónima, os seus nomes não puderam ser divulgados.

Tendo em consideração os testemunhos de diversas crianças e adultos, a escritora e ilustradora Helen Patuck e a sua equipa elaboraram então uma história que pretende englobar crianças de diferentes continentes e contextos.

Voltando à história: depois de ter falado com a sua mãe, Sara sentia-se tudo menos uma heroína. “Naquela noite, Sara encostou-se à cama e não se sentiu de todo uma heroína. Sentia-se irritada. Queria ia à escola, mas estava encerrada. Queria ver os seus amigos, mas não era seguro. Sara queria que o coronavírus deixasse de assustar o seu mundo”, lê-se. Foi então que apareceu Ario, uma criatura fictícia que iria transformar Sara numa heroína. Afinal, iria levá-la a dizer a todas as crianças do mundo como se podem proteger a si e aos outros do coronavírus, assim como se pode geria as emoções quando confrontados com uma mudança repentina.

Sara e Ario passaram pelo deserto, por uma pequena povoação, uma ilha ou por montanhas, onde outras crianças se foram juntando à viagem e relatando a sua experiência durante a pandemia. Falaram ainda de como podem proteger os seus avós, de como podem gerir as relações com os seus familiares enquanto estão confinados ou de crianças que já tiveram covid-19. No final desta aventura, Sara percebeu que todos podemos ser heróis nesta situação e que cada um tem os seus superpoderes. “Há muitos heróis que mantêm as pessoas a salvo do coronavírus, como médicos e enfermeiros maravilhosos. Mas tu recordas-me que todos podemos ser heróis, todos os dias, e a minha maior heroína és tu”, disse a mãe a Sara.

Em mais de 30 línguas

Há recomendações para a leitura deste livro: deve ser lido às crianças pelos pais, cuidadores ou professores. Na introdução do livro, refere-se ainda que, em breve, será publicado o guia complementar “Acções para Heróis” para dar apoio a temas relacionados com a covid-19, ajudando as crianças a gerir as emoções e sentimentos, bem como actividades baseadas no livro.

Até agora, o livro está disponível online já está traduzido em inglês, russo, francês, ucraniano, árabe, espanhol, alemão, turco, malaio, turco, dinamarquês, chinês e português. A tradução da publicação em português está disponível aqui. Espera-se que o livro seja traduzido em mais de 30 línguas e também será lançada uma versão áudio.

“Emergências humanitárias anteriores mostraram-nos como é vital lidar com os medos e ansiedade dos mais novos quando a vida, como a conhecemos, fica virada de cabeça para baixo”, afirma em comunicado Tedros Adhanom Ghebreyesus, director-geral da OMS. “Esperamos que este livro maravilhosamente ilustrado, que leva as crianças numa viagem ao longo de diferentes fusos horários e continentes, as ajude a compreender o que é possível fazer para se manterem positivas e seguras durante a pandemia do coronavírus.”

Já Henrietta Fore, directora-executiva da UNICEF, destaca que em todo o mundo as crianças estão a viver num mundo “invertido” e a maioria a viver de alguma forma confinada: “Este maravilhoso livro ajuda as crianças a compreender e a navegar nesse cenário e a aprender como podem realizar pequenas acções para se tornarem heróis nas suas próprias histórias.”

O rapaz que tinha zero a matemática (adaptação) de Luísa Ducla Soares

Abril 1, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Contar histórias nas paredes da escola

Fevereiro 24, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 18 de fevereiro de 2020.

Na Escola Básica Padre Doutor Joaquim Santos, em Cabeceiras de Baixo, as histórias saíram da biblioteca para dar cor às paredes do recreio

É a primeira vez que esta escola em Cabeceiras de Basto, no distrito de Braga, participa na campanha eleitoral pelos livros mais fixes. E como quem quer alcançar o nível dos mais experientes, começaram em grande.

No primeiro dia de campanha, 3 de fevereiro, marcaram uma sessão para toda a comunidade escolar. Pais, professores e colegas: todos ficaram a saber o que é o projeto «Miúdos a Votos», o que se vai passar até maio, e ainda se debateram os livros em campanha. Os miúdos vão andar em alvoroço e, além da campanha eleitoral, que já se mostra pelos corredores, têm um objetivo maior: «fizemos um debate, não só para nos divertirmos mas também para nos tornarmos melhores pessoas e aprendermos a discutir ideias. O mais giro é que são os livros que ganham, não as pessoas». Quem o diz é Inês Rodrigues, 9 anos, que faz campanha pelo livro «O Principezinho», de Antoine de Saint-Exupéry.

Para chamar à atenção de todos, resolveram pintar um grande mural no exterior da escola, com muitos desenhos coloridos que remetem para os livros. Convidaram o artista Mário Teixeira (e assim já envolveram mais uma pessoa de fora) e combinaram que desenhos eram precisos para passar a mensagem. Foi ele que desenhou uma menina com cabelos de mar – que faz uma referência ao livro «A Menina do Mar», de Sophia de Mello Breyner Andressen – uma galinha que põe ovos de todas as cores – apelando ao voto no livro «Os Ovos Misteriosos», de Luísa Ducla Soares – uma enorme flor, que lembra o livro «A maior flor do mundo», de José Saramago e claro, um Principezinho; depois dos contornos, todos os miúdos e miúdas que fazem campanha agarraram no pincel e coloriram as paredes.

Paredes cheias de cor

«O mural vai ajudar a chamar à atenção porque todos vão perguntar o que é – durante os intervalos vai ser uma loucura. Queremos muito que todos leiam mais e larguem os telemóveis», confessa Inês. Ao seu lado está Matilde Gonçalves, também com 9 anos, que faz campanha pelo livro «Gravity Falls», de Alex Hirsch. Escolheu-o porque «é um livro divertido que fala sobre o poder da amizade. Nesta história os monstros são amigos e lutam, juntos, pelo bem». Já Beatriz Barroso, que faz campanha pelo livro «A maior flor do mundo», de José Saramago – e que só o leu por causa da iniciativa – parece não pensar de forma diferente: «gostei deste livro porque a história conta-nos como é possível, ao salvar uma planta, salvar a natureza toda».

A Menina que Sabia Usar o Coração

Janeiro 17, 2020 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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O livro “A menina que sabia usar o coração” pode ser utilizado tanto em casa como na escola, mas foi especialmente criado com o intuito de apoiar as crianças e seus professores na melhoria de tempos de qualidade e criatividade nas creches, infantários, jardins infantis, escolas públicas, colégios, atl’s e centros de estudo. A obra encerra um conto infantil e um apêndice para professores sobre a disciplina extra curricular, o teatro. Conheça esta história que lembra os valores, os afetos, e os bons relacionamentos através de uma história infantil, uma meditação infantil, um artigo sobre arte terapia – teatro e os seus benefícios, um artigo que explica como organizar, ensaiar e encenar uma peça com os mais pequenos e uma adaptação para teatro do mesmo conto. A adaptação para teatro que se encontra neste livro é de autoria de Isabel Leal e procura incentivar os momentos de diversão e aprendizagem em todos os estabelecimentos de ensino ou apoio ao ensino espalhados pelo país, oferecendo a peça pronta a ser ensaiada e representada em qualquer festa ou evento infantil. Aguardo que este livro sirva o propósito e que haja muitas meninas e meninos pelo mundo a usar o coração em cima do palco e fora dele.

Aquisição do livro nas livrarias:

https://www.amazon.com/Menina-Sabia-Usar-Cora%C3%A7%C3%A3o-Portuguese/dp/9895175485

https://www.wook.pt/livro/a-menina-que-sabia-usar-o-coracao-persica-autora-isabel-leal/18897580

Peça de teatro “A menina que sabia usar o coração” https://alegrianainfancia.wixsite.com/index/teatro-infantil

“Já sou grande” na Rádio Miudos https://alegrianainfancia.wixsite.com/index/radio-miudos

Alegria na infância https://alegrianainfancia.wixsite.com/index

Palestra “Livros infantis sensíveis e apurados: os contos de Sophia e as suas ilustrações” 15 outubro em Guimarães

Outubro 14, 2019 às 3:07 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://ciecum.wordpress.com/2019/10/11/livros-infantis-sensiveis-e-apurados-os-contos-de-sophia-e-as-suas-ilustracoes/?fbclid=IwAR2Chb1Fw2c_yzadhpvVTFMJxK9RWEyKM75YQQbpXxqQHmqT0tGUkFhE11s

Descobertos desenhos de “O Principezinho” guardados numa casa na Suíça

Setembro 16, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 16 de agosto de 2019. Imagem retirada daqui

Desenhos de “O Principezinho”, criados pelo escritor francês Antoine de Saint-Exupéry para o seu livro, foram descobertos numa casa antiga no norte da Suíça, guardados por um magnata do imobiliário, entre milhares de obras de arte.

Adquiridos há mais de 30 anos num leilão, os desenhos estavam guardados numa pasta de cartão “em bom estado”, revelou à agência France Presse Elisabeth Grossmann, conservadora da Fundação para a Arte, Cultura e História de Winterthour, no cantão de Zurique.

Dentro da pasta encontravam-se três desenhos ligados ao livro – o bêbado no seu planeta, a jiboia que digere o elefante, acompanhada de anotações manuscritas, e o Principezinho e a raposa – e ainda um poema ilustrado com um pequeno desenho, mais uma carta de amor dirigida a Consuelo Suncín, mulher de Saint-Exupéry.

Os desenhos, cuja descoberta foi revelada pelo jornal diário Landbote, de Winterthur, não estão datados e foram realizados em tinta da China e aguarela.

O colecionador suíço Bruno Stefanini, que morreu em dezembro de 2018, com 94 anos, tinha comprado os desenhos em 1986, num leilão em Bevaix, no oeste da Suíça.

Proprietário de uma das maiores coleções de arte da Suíça, criou, em 1980, uma fundação em Winterthur para gerir o seu património.

“O Principezinho” foi escrito em Nova Iorque, nos Estados Unidos, por Antoine de Saint-Exupéry durante a Segunda Guerra Mundial, e ilustrado com as suas próprias aguarelas, tendo sido publicado em 1943 naquele país, e em 1946, em França, depois do desaparecimento do escritor e aviador, em 31 de julho de 1944, ao largo de Marselha, durante uma missão aérea para os Aliados.

O escritor viveu dois anos na Suíça, de 1915 a 1917, num internato religioso, em Friburgo.

As ilustrações originais do livro estão conservadas na Morgan Library, em Nova Iorque.

AG // MAG

Lusa/Fim

Mais informações na notícia:

Trois nouveaux dessins du Petit Prince découverts en Suisse

20 livros infantis para as férias de verão

Agosto 13, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Texto do Observador de 24 de julho de 2019.

Ana Dias Ferreira

Qual “silly season”. Os livros infantis publicados nos últimos meses falam do mundo em infografias, de mulheres com muita garra (mas pouco conhecidas) e até de democracia.

Eu, Alfonsina

De Joan Negrescolor (Orfeu Negro). 14,50€

A Alfonsina do título é Alfonsina Strada, a primeira mulher ciclista a participar no Giro d’Italia (a conhecida volta à Itália em bicicleta), em 1924. Joan Negrescolor — autor de Há Classes Sociais e A Cidade dos Animais, também publicados na coleção Orfeu Mini — conta a sua história em tons fortes, desde o dia em que recebeu uma bicicleta do pai, aos 10 anos, até vestir a dorsal na famosa prova, aos 33, e os tons fortes rimam com o exemplo de determinação. Numa altura em que o desporto (e muitas outras coisas) estava vedado às mulheres, Alfonsina passou por cima de proibições e de preconceitos e mudou a sua alcunha de “maria-rapaz” para “Rainha do Pedal”. Nunca desistiu, quebrou recordes, desafiou a família, e por isso mesmo o livro é dedicado pelo autor “a todas as mulheres que não se rendem” até chegar à meta.

O Livro dos Ursos

De Katie Viggers (Bizâncio). 14€

Como diz o pós-título, este livro nasceu para ficar “tu cá tu lá com os ursos de todo o mundo”. São negros, são pardos, são polares, são beiçudos, pandas, americanos, malaios ou asiáticos — oito espécies provenientes de diferentes partes do mundo que se juntaram para fazer esta espécie de enciclopédia ilustrada. Cada urso tem direito a um capítulo próprio recheado de curiosidades, com outros temas ainda abordados como a alimentação e a hibernação. Todos são ilustrados pela autora, Katie Viggers, num registo entre o selvagem e o humanizado que os torna simplesmente irresistíveis.

Eu e o Mundo — Uma História Infográfica

Texto de Mireia Trius, ilustrações de Joana Casals (Edicare)

Num formato para lá de original, Eu e o Mundo faz uma história do planeta através de infografias. São 28 ao todo, construídas em torno de uma menina chamada Maria e usadas para apresentar dados mundiais relacionados com os nomes mais comuns, as línguas, a população, as profissões, a religião, os engarrafamentos, as cidades e museus mais visitados e até os tipos de pequenos-almoços. O resultado é graficamente apelativo e para ir descobrindo com tempo e demorar em cada página.

Eleição dos Bichos

De André Rodrigues, Pedro Markum, Paula Desgualdo e Larissa Ribeiro (Nuvem de Letras). 12,50€

Esqueçam o tempo de antena. Uma forma de lutar contra a abstenção é começar a ler este Eleição dos Bichos desde tenra idade. A história chega-nos do Brasil para falar da importância do voto em democracia, e parte de uma revolta anti-monárquica. Tudo porque um dia o leão resolve desviar toda a água do rio para construir uma piscina em frente à toca e os animais da floresta decidem dizer basta “aos mandos e desmandos do rei” e fazer uma eleição para escolher um novo líder. Assim se explica o que é uma campanha, um candidato, um governo, um comício, um debate ou quais as regras de uma eleição — é proibido dar presentes aos eleitores e devorar os adversários, por exemplo. Uma forma divertida e clara de explicar e valorizar o que é a democracia, com direito a um desfecho — neste caso um presidente — decidido pela maioria das crianças que participaram em oficinas com os autores em São Paulo e Florianópolis.

Uma Girafa Reticulada, uma Zebra Bem Riscada e uma Grande Caminhada

Texto de Manuela Castro Neves, ilustrações de Madalena Matoso (Caminho). 10,90€

Como muitas fábulas, a história de Manuela Castro Neves começa com um facto inexplicável caído do céu: uma zebra e uma girafa que aprenderam a ler, “não se sabe bem como”, e que um dia encontram, numa folha de jornal, a notícia de uma selva de betão que cresce a poucos quilómetros do mar. Intrigadas com a flora de que nunca ouviram falar, questionam todos os animais que encontram e começam uma longa caminhada para ver a novidade com os seus próprios olhos. O betão, como seria de esperar, revela-se uma desagradável e cinzenta surpresa. Mas nada que faça desanimar a girafa reticulada e a zebra riscada, cada uma bem letrada e pronta para defender um mundo mais verde.

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20 livros infantis para as férias de verão

 

Ahahahahahaha! Livros infantis com sentido de humor

Julho 21, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Observador de 22 de junho de 2019.

Ana Dias Ferreira

Não contam piadas mas fazem rir, e o que lhes falta em princesas sobra-lhes em lata. Sete livros infantis (mais uma trilogia) que no último ano trocaram as lições de moral pelo humor certeiro.

1. Banana!

De Bernardo P. Carvalho (Planeta Tangerina). 12,50€

A Nuvem, o Sol, o Mar, o Iceberg, o Vento, o Vulcão, a Floresta, o Arco-Íris e o Reflexo. As nove personagens do novo livro de Bernardo Carvalho compõem uma panorâmica idílica, e sabem disso. O ilustrador deu caras sorridentes a colagens em papel colorido e pôs de pé esta história original onde a natureza se esmera para ficar bem nas fotografias e nas selfies dos turistas. Um dia o Vulcão acorda com má cara, “a chocar alguma”, e para além de uma erupção inesperada – “deve ter sido daquelas pedras que comi há 2500 anos” – há um sem-fim de brincadeiras com os elementos. Como diz a breve sinopse de uma linha, “um show daqueles”.

2. Trilogia das Formas

Texto de Mac Barnett, ilustrações de Jon Klassen (Orfeu Negro). 14€ cada

Jon Klassen é o Buster Keaton da ilustração infantil: bastam-lhe poucos traços e expressões impassíveis para nos fazer rir. De entre a sua já vasta obra, o melhor exemplo deste talento é mesmo a trilogia dedicada às formas geométricas, onde um triângulo, um quadrado e um círculo ganham vida com um simples par de pernas ou de olhos. A história de cada livro, escrita por Mac Barnett, é igualmente minimal e parte sempre de uma premissa quase nonsense: no primeiro volume, é o Triângulo que quer pregar “uma valente partida” ao Quadrado. No segundo, é o Quadrado que quer impressionar a Círculo com uma escultura. Resta esperar pela edição portuguesa do terceiro (no verão deste ano) e ver o que preparou a mais perfeita das formas.

3. Então, Morde?

De Jean Gourounas (Editorial Bizâncio). 11,90€

Um pinguim está parado no gelo, com um ar aborrecido, a pescar. A neve cai, o peixe não morde. Um a um, vão aparecendo outros animais do Ártico. A morsa pergunta “o que se passa aqui?”, a foca acrescenta “o peixe morde?” Mas nada acontece. A neve continua a cair, o pinguim continua no mesmo sítio com o mesmo ar aborrecido, o mesmo buraco no gelo e a mesma cana de pesca estática. Um mistério polar, explorado no sentido mais cómico pelas ilustrações do francês Jean Gourounas e o ritmo de animação lenta. Então, morde?, pergunta o título. O suspense permanece quase até ao fim.

4. Um Capuchinho Vermelho

De Marjolaine Leray (Orfeu Negro). 9,90€

Pequenino mas cheio de lata. Os dois adjetivos aplicam-se tanto a este livrinho como ao seu protagonista. Apenas com gatafunhos em três cores – branco, vermelho e preto –, a francesa Marjolaine Leray transforma o velho conto do Capuchinho Vermelho numa história inesperada e cheia de humor. Nesta versão, o dito Capuchinho não tem nada de ingénuo e é antes uma menina destemida, que não só não tem medo dos dentes afiados do lobo mau como ainda o acusa de ter mau hálito.

5. Lisboa Divertida — Livro de Atividades

Texto de Andreia Ribeiro, ilustrações de Alberto Faria (Caminho das Palavras). 9,90€

É apresentado como “uma passagem secreta para uma Lisboa diferente” e é, de facto, um livro especial. O divertido do título também não está lá por acaso, com uma série de atividades que desafiam os mais pequenos a atravessar um labirinto para ajudar Camões a encontrar o olho que perdeu em África, por exemplo, a contar os pombos em cima da estátua do cauteleiro ou a desenhar um teto para o Convento do Carmo. Uma visita guiada original que passa por outras paragens emblemáticas da capital, como a ponte 25 de Abril, o Oceanário, o Cristo-Rei ou o Museu dos Coches. Com mais um extra cómico: um marcador Martim Moniz, assim entalado no livro (e não na porta do Castelo dos Mouros).

6. Eléctrico 28

Texto de Davide Cali, ilustrações de Magali Le Huche (Nuvem de Letras). 14,90€

Davide Cali é conhecido pelos seus livros cheios de ritmo e sentido de humor. Em 2018, o autor suíço deu-nos este bombom com as suas melhores qualidades, passado num cenário familiar: o lisboeta elétrico 28. Na história ilustrada pela francesa Magalie Le Huche, não há enchentes de turistas (nem carteiristas), antes
um enredo imaginativo em que o condutor do elétrico, Amadeo, gosta de fazer de Cupido e dar uma mãozinha aos apaixonados tímidos que apanha entre o Martim Moniz e Campo de Ourique. Uma história de amor sobre carris, com direito a manobras, travagens bruscas e pastel de nata.

7. As Palavras que Fugiram do Dicionário

Texto de Sandro William Junqueira, ilustrações de Richard Câmara (Caminho). 14,90€

Quantas palavras existem num dicionário? O escritor Sandro William Junqueira, que as conhece bem, conseguiu inventar mais 23, num livro imaginativo e com sentido de humor. Três exemplos: alfabelo (“a pessoa que organiza alfabeticamente a beleza, para que seja mais fácil encontrá-la no meio das coisas feias”), esquecedor (“aparelho que aquece as pessoas esquecidas”) e orelheiras (“manifestação física de uma pessoa que está muito exausta de ouvir”). É fazer uma nova edição revista do dicionário de língua portuguesa e começar a usá-las.

8. Supõe…

Texto de Alastair Reid, ilustrações de Joohee Yoon (Bruaá). 16€

Todas as páginas começam pela palavra “supõe” e têm em comum um enorme sentido de humor. Às vezes são suposições muito curtas – “supõe que ensinava o meu cão a ler” –, outras muito longas e escritas de um fôlego, como os miúdos quando estão a contar coisas, demasiado entusiasmados para usar sinais de pontuação: “Supõe que construía o meu foguetão e ia até à lua mas não gostava muito e voltava para casa sem dizer nada a ninguém e me ria sozinho quando as outras pessoas falavam sobre isso.” Alastair Reid não precisa de supor: escreveu de facto um livro divertido, cheio de ideias estapafúrdias, nenhuma delas óbvia.

Pela Estrada Fascinante” 1º Encontro Internacional de Literatura, Ilustração e Edição para a Infância do Município de Aveiro – 6 de julho

Junho 30, 2019 às 5:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.cm-aveiro.pt/visitantes/agenda-aveiro/evento/pela-estrada-fascinante

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