José Fanha e António Torrado escrevem sobre Lousada para alunos do 4.º e 6.º ano – apresentação dos livros 12 outubro em Lousada

Outubro 12, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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http://www.cm-lousada.pt/pt/noticias/jose-fanha-e-antonio-torrado-escrevem-sobre-lousada

 

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Como afastar as crianças dos ecrãs e levá-las a desfrutar dos livros

Outubro 9, 2017 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 14 de setembro de 2017.

É verdade, aqueles ecrãs são muito tentadores, mas sejam fortes e preparem-se para as falinhas mansas, gestão de tempo e alguma criatividade, especialmente no que toca a definir o que significa ler um livro.

Culto e Rita Pimenta

No Verão há imensas desculpas: colónias de férias, piscina, praia, dias de preguiça quando não parecia muito mau os filhos ainda estarem de pijama e talvez a ver televisão ou a barincar no iPad. Era tempo de férias, certo? Eles liam quando a escola recomeçasse. Será que pressioná-los não iria criar resistência à leitura?

Agora voltaram para a escola e defrontam-se com algo talvez ainda mais assustador: os trabalhos de casa. (Mais os treinos de futebol, as aulas de piano, os encontros com os amigos e tantas outras coisas.)

Como é que se consegue tempo para ler neste horário já incrivelmente preenchido? E mais importante: como ajudar as crianças a ver a leitura como algo separado da escola, dos testes, do trabalho? Como promover a leitura por prazer?

A resposta simples é lerem – com e para os vossos filhos – sempre que possam. Façam dos livros parte das vossas rotinas, da decoração da casa, das conversas. É verdade, aqueles ecrãs são muito tentadores, mas sejam fortes e preparem-se para as falinhas mansas, gestão de tempo e alguma criatividade, especialmente no que toca a definir o que significa ler um livro.

Aqui ficam algumas dicas de bibliotecários e especialistas em educação:

— Leiam os vossos próprios livros. Quando foi a última vez que se sentaram na sala (ali mesmo no meio dos brinquedos, do caos, da confusão e das crianças) e leram um livro para vosso próprio prazer? Se estão a revirar os olhos neste preciso momento, não são os únicos. Mas ponham de lado o vosso cepticismo e tentem.

“Normalmente, as crianças são extremamente curiosas e ansiosas por ler se tiverem motivação suficiente”, diz Erika Christakis, educadora de infância e autora do livro The Importance of Being Little. “Está nas mãos dos adultos criar ambientes na escola e em casa que os levem a querer ler.” Em parte, significa terem de ler também e terem de largar os vossos ecrãs. “O que é que irá motivar as crianças se sempre que tiram os olhos de um livro vêem os pais agarrados ao telemóvel?”, pergunta Christakis.

Conclusão: se as crianças vos virem a ler por prazer, é mais provável que o façam também. Além disso, vocês acabam por também ler um livro!

— Leiam em voz alta. “Lembrem-se, uma criança nunca é demasiado velha para que lhe seja lida uma história. E vocês nunca estão demasiado ocupados para ouvir uma história lida por uma criança”, diz John Schumacher, também conhecido como Sr. Schu, embaixador das bibliotecas escolares da Scholastic Book Fairs. James Trelease, autor do venerado Read-Aloud Handbook, diz que quando lêem em voz alta para crianças não estão só a informá-los, mas a criar laços e a entretê-los. E estão também a “fazer publicidade aos prazeres da leitura”. Trelease, que leu para os seus filhos até estes estarem no 9.º ano, acrescenta que ouvir um livro aumenta a capacidade de compreensão e o vocabulário. “Se nunca ouviram uma palavra, nunca vão aprender a dizê-la ou a escrevê-la e nunca a vão ler.”

— Façam de visitas a bibliotecas parte da rotina das crianças. De acordo com o mais recente Scholastic Kids & Reading Report [Relatório sobre Crianças e Leitura feito pela Scholastic], os bibliotecários e os professores são a melhor fonte de factos divertidos sobre livros. Mesmo que as crianças sejam demasiado tímidas para pedir ajuda, quem sabe os títulos que eles podem descobrir nas prateleiras? (Se estão preocupados sobre se os livros são adequados, perguntem ao bibliotecário ou consultem o site Common Sense Media.)

— Deixem as crianças escolher os próprios livros à vontade. “Estudos mostram que, quando as crianças escolhem os livros que querem ler, lêem mais”, diz Karen MacPherson, coordenadora da secção de crianças e adolescentes da biblioteca Takoma Park Maryland. De acordo com um dos estudos mais citados, cerca de 80% das crianças envolvidas no estudo disseram que o livro de que mais gostavam era o que eles mesmos tinham escolhido.

— Encorajem as crianças a reler livros. “Os leitores jovens não deveriam ser forçados a experimentar coisas novas em casa”, diz Christakis. “Uma das melhores leitoras que conheço passou a infância dela a ler e a reler, do princípio ao fim, a colecção completa de Little House. Deve ter terminado a colecção dez ou 15 vezes, fazendo ocasionalmente um intervalo para ler a colecção de Harry Potter. Há formas muito piores de passarmos a infância.”

— Deixem as crianças ler ao nível deles e não aquele de que se gabam aos vossos amigos. “Os adultos tendem a impingir algumas das suas ansiedades de leitura aos filhos, o que é contraproducente”, diz Christakis. “Os pais de leitores precoces frequentemente fazem os filhos ler textos que são simplesmente demasiado difíceis para eles. Mesmo lendo um livro com 95% de exactidão, saltando ou não reconhecendo 5% das palavras, é surpreendentemente distractivo e desmoralizante”, diz. “As famílias deviam encorajar as crianças a escolher livros que sejam ‘confortáveis’ para eles e que não lhes causem ansiedade ou lhes dê a sensação de que é demasiado trabalhoso.”

— Livros não são só contos de fadas. Os livros de culinária também são livros, indica MacPherson. Tal como livros de banda desenhada e de factos interessantes como o Livro Guinness dos Recordes e o Ripley’s Acredite se Quiser — Ver Para Crer. Até folhear uma revista, um almanaque, uma enciclopédia ou um dicionário (que também tem o benefício de os ensinar a alfabetizar) pode ser uma forma divertida de explorar livros.

— Comecem a ouvir audiolivros. Quer estejam numa longa viagem de carro ou simplesmente a descansar em casa, ouçam um audiolivro e preencham qualquer tempo vazio com histórias. Trelease diz que ouvir este tipo de livros traz os mesmos benefícios que ler em voz alta, enriquece o vocabulário e aumenta a capacidade de concentração.

— Criem uma refeição de “leitura”. Escolham uma refeição (ou duas) em que toda a família possa trazer um livro para a mesa e possam ler enquanto comem, sugere MacPherson. Pode-se tornar uma refeição bastante silenciosa ou num aceso debate. De qualquer forma, a leitura dá origem a uma ocasião especial.

— Formem um clube de leitura no bairro. Ler não é necessariamente uma actividade solitária. Um clube de leitura com leitores de níveis semelhantes pode ser uma excelente forma de as crianças verem o que os seus colegas andam a ler e torna a leitura um evento social.

— Deixem os vossos filhos ouvir podcasts. As crianças podem escolher podcasts de histórias, como StoryNory ou Eleanor Amplified, ou um mais informativo, como Wow in the wold. Ouvir estes podcasts pode oferecer muitos dos mesmos benefícios que ouvir audiolivros.

“Há um ditado que diz: ‘Se não gostam de ler, é porque o estão a fazer mal’”, lembra Deborah Taylor, coordenadora da secção de escola e alunos da Enoch Pratt Free Library, em Baltimore. “Acho que significa que a pessoa ainda não estabeleceu uma relação com o livro certo”, acrescenta, dizendo que é “implacável” com os jovens leitores. “Se me dizem que não gostam de ler, digo-lhes que não vou desistir enquanto não encontrar o livro certo para eles, aquele que vai fazer deles leitores.”

As sugestões de Rita Pimenta

Porque preferimos que sejam as crianças a escolher, propomos uma lista com links que lhes permitem ver e escutar alguns dos títulos, mas não substituem a leitura em papel. Também privilegiámos autores portugueses. Porque sim.

O escalonamento por idades é apenas um indicativo (quase sempre falível…).

Dos 4 aos 8 anos

Eu Quero a Minha Cabeça! Texto e ilustração: António Jorge Gonçalves Edição: Pato Lógico

Histórias às Cores Texto: António Mota Ilustração: Paulo Galindro Edição: Gailivro

A Surpresa de Handa Texto e ilustração: Eileen Browne Tradução: José Oliveira Edição: Editorial Caminho

Dos 9 aos 12 anos

A Charada da Bicharada (Prémio Nacional de Ilustração 2008) Texto: Alice Vieira Ilustração: Madalena Matoso Edição: Texto Editores

O Estranhão (colecção) Texto: Álvaro Magalhães Ilustração Carlos J. Campos Edição: Porto Editora

O Incrível Rapaz Que Comia Livros (Prémio de Melhor Livro Infantil 2007, atribuído pelo Irish Book Awards) Texto e ilustração: Oliver Jeffers Tradução: Rui Lopes Edição: Orfeu Negro

A partir dos 12 anos

De Umas Coisas Nascem Outras (Prémio Autores 2017 na categoria Melhor Livro Infanto-Juvenil) Texto: João Pedro Mésseder Ilustração: Rachel Caiano Edição: Caminho

Lá Fora (Melhor livro na categoria Primeira Obra, Opera Prima, da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha 2015) Texto: Maria Dias e Inês Rosário Ilustração: Bernardo P. Carvalho Edição: Planeta Tangerina

Eu Espero Texto: Davide Cali Ilustração: Serge Bloch Edição: Bruaá

Mais sugestões de livros no blogue Letra pequena.

 

 

 

II Encontro Imaginários Iluminados: Era uma vez… a literatura para a infância – 17 novembro ESE de Viseu

Outubro 7, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://www.esev.ipv.pt/imaginarios/

https://app.box.com/s/0rmx7lfx7es2e8i3reoodhbunmzozg13

Faculdade de arquitetura da universidade de lisboa lança livro de arquitetura para crianças – 9 outubro

Outubro 5, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação, Livros | Deixe um comentário
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Pelas mãos da editora Livros Horizonte chega A Casa do Futuro, um livro único que tem como grande objetivo interagir com crianças e jovens, levando a temática da arquitetura, do urbanismo e do design a diversas idades e realidades. No livro, aproveitando o tema da arquitetura sustentável abordam-se os conceitos da arquitetura e do papel do arquiteto na construção da sociedade atual. A iniciativa deste livro nasceu no Gabinete FAJúnior, um projeto pedagógico de base científica e experimental da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.

Margarida Louro, a autora, nasceu em Lisboa em 1970. Licenciou-se em Arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa (FA-UTL) em 1993, em que é docente desde 1997. É membro efetivo do Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design (CIAUD) desde julho de 2006. Atualmente é coordenadora do gabinete FAJúnior da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.

A ilustradora, Camila Martinho nasceu em São Paulo em 1993. Licenciou-se em Design pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (FA-ULisboa), em 2015. É finalista do Mestrado em Design de Comunicação da FA-ULisboa. Atualmente é bolseira de investigação no Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design (CIAUD).

A sessão de apresentação do livro acontece no próximo dia 9 de outubro, pelas 11h00 no Auditório Rainha Sonja da Noruega na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. A obra será apresentada pelo Professor Fernando Moreira da Silva.

http://www.livroshorizonte.pt/catalogo/a-casa-do-futuro/

Dia Internacional do Livro Infantil 2017

Abril 2, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do Facebook da DGLAB 

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL 2017

No dia 2 de abril comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen. A partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância.

Para assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil 2017, a DGLAB convidou o ilustrador João Fazenda, vencedor do Prémio Nacional de Ilustração do ano passado, para ser o autor do cartaz.

As imagens para impressão podem ser descarregadas no site do Livro/DGLAB, em http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/noticiasEventos/Paginas/DIA-INTERNACIONAL-DO-LIVRO-INFANTIL-2017.aspx

A mensagem do IBBY internacional, este ano da responsabilidade da Rússia, pode ser encontrada em http://www.ibby.org/awards-activities/activities/international-childrens-book-day/. O texto é da autoria do escritor Sergey Makhotin, e o cartaz do ilustrador Mikhail Fedorov, que pode ser descarregado em grande formato no link http://www.ibby.org/fileadmin/user_upload/poster_02.04.2017.pdf (tradução no site do Livro/DGLAB).

Simona Ciraolo: “Qualquer tema pode ser bom para um livro infantil”

Março 9, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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texto publicado no http://observador.pt/ no dia 20 de fevereiro de 2017.

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Ana Dias Ferreira

Ao terceiro livro, Simona Ciraolo escolhe olhar para “O Rosto da Avó” e escrever sobre envelhecimento, mesmo para crianças. Conversa com a autora que pinta magistralmente as relações familiares.

Cada ruga tem uma memória e é uma linha na história desta mulher. Uma ruga remete para a noite em que conheceu o marido, na montanha-russa, outra para o melhor piquenique que fez à beira-mar, com as amigas, outra ainda para uma manhã de primavera em que fez uma grande descoberta e viu uma gata a dar à luz. O mais recente livro da italiana Simona Ciraolo faz zoom no rosto de uma avó para contar uma história ternurenta sobre o envelhecimento. Depois de Quero um Abraço (2015) e O Que Aconteceu à Minha Irmã? (2016), O Rosto da Avó é o terceiro livro da também ilustradora publicado em Portugal. Pretexto para uma entrevista por e-mail entre Londres, Lisboa e Nova Iorque onde se tenta perceber como nasce a motivação para escrever livros para crianças.

Na dedicatória do seu primeiro livro Quero um Abraço escreveu: “Para a Pam e para o Martin, que me fizeram deitar mãos à obra”. Quem são eles e de que forma influenciaram o seu trabalho?

A Pam e o Martin são os maravilhosos professores que tiveram de testemunhar as minha lutas durante o mestrado [em ilustração de literatura infantil]. Sempre que tive crises de confiança eles souberam fazer-me sair da minha própria cabeça e ver as coisas sob outra perspetiva. Souberam sempre quando eu precisava de um bom pontapé no rabo, metaforicamente falando! Sem essa energia e sentido de humor tenho a certeza que teria perdido uma quantidade ridícula de tempo com pensamentos que não interessavam nada.

Li que se mudou para Londres depois da licenciatura em cinema de animação e que trabalhou em filmes e publicidade antes de estudar ilustração em Cambridge. Como é que começou a escrever livros para crianças?

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Adorei esses primeiros anos em animação, é uma indústria maravilhosa para se trabalhar por causa das pessoas que se conhecem. Por outro lado, os livros ilustrados são o amor da minha vida. Já os colecionava nessa altura e olhava para eles como a arte narrativa mais perfeita de todas. Nunca tinha sentido a necessidade absoluta de contar uma história usando a animação, ao passo que o formato de livro ilustrado fazia todo o sentido para as histórias que tinha na cabeça, e de forma muito natural. Daí ter decidido embarcar nessa aventura.

primeiro

Como é que se lembrou de ter um cato como protagonista do seu primeiro livro?

Quero um Abraço é a história de alguém muito sensível e com um grande coração que é profundamente mal interpretado e visto como defensivo. Enquanto estava a pensar nestas caraterísticas, a ideia de um cato surgiu-me e instantaneamente soube que ele ia ser perfeito para a história que eu queria contar.

Mesmo com uma planta, Quero um Abraço é uma história sobre família e amizade. Tendo em conta os seus dois outros livros publicados em Portugal, O Que Aconteceu à Minha Irmã? e O Rosto da Avó, podemos dizer que escreve sobretudo sobre relações humanas e familiares?

Sim, até agora os meus livros têm mostrado sobretudo os temas comuns às relações e às dinâmicas familiares. Gosto muito de observar a forma como as pessoas interagem umas com as outras, especialmente dentro das fronteiras de uma casa particular, onde todas as suas idiossincrasias são sublinhadas. Suponho que este interesse influencia inevitavelmente as minhas histórias.

uma

Primeiro um livro sobre uma irmã mais velha, depois outro sobre uma avó inspiradora. Estas histórias são autobiográficas? Qual foi a ideia por trás de cada uma delas?

Os meus livros não são autobiográficos, mas escrevo sempre sobre sentimentos e emoções com os quais me consigo relacionar, direta ou indiretamente. Gosto de imaginar uma personagem numa situação específica e como é que isso a faria sentir. O que quer que a motiva parece-me tão real, tão tangível, que acabo por gostar das personagens como se fossem entes queridos.

segundo

Normalmente como é que identifica um bom tema? É a história que surge primeiro ou o universo visual?

Uma ideia que vale a pena perseguir é uma que me envolva de forma profunda. Normalmente tenho um “pressentimento” em relação à história que quero contar e, apesar de todo o trabalho envolvido entre o primeiro rascunho e a obra acabada, consigo sempre reconhecer esse primeiro “pressentimento” no livro final. A narrativa vem sempre primeiro, enquanto a imagética nasce em resposta aos requisitos da história.

Como é que gostava que as pessoas lessem os seus livros?

Espero que os leitores os achem honestos e que as personagens pareçam humanas, credíveis. Para além disso, espero que cada leitor encontre a sua própria forma de se relacionar com estas histórias e as experiências que são narradas. Acho que os meus livros podem ser lidos de formas muito diferentes, consoante se seja criança ou adulto, mas há pessoas da mesma faixa etária que parecem dar ênfase a aspetos diferentes de uma história e já recebi interpretações bastante pessoais do mesmo livro. Adoro ver como as minhas histórias são filtradas através das experiências de outra pessoa.

muitos

Envelhecer, ou a passagem do tempo, não são assuntos fáceis. Teve sempre confiança que dariam um bom livro para crianças?

Lembro-me de ter noção da passagem do tempo quando ainda era bastante pequena. Muitas vezes pensava nisso com impaciência, mas por vezes invadia-me uma sensação de perda eminente. À partida (espero), a maioria das crianças não tem tanta noção disto como eu tinha e se calhar, para algumas delas, O Rosto da Avó vai ser a primeira oportunidade de pensar neste conceito e irão reconhecer uma abordagem positiva do assunto. Talvez alguns miúdos não estejam preparados e regressem ao livro mais tarde. Acredito que qualquer tema pode ser bom para um livro infantil, mas a criança tem de encontrá-lo no tempo certo para ela.

recente

Falando da ilustração, como é que descreve o seu universo e a sua técnica?

Acredito que as ilustrações de um livro têm de servir a narrativa: afinal de contas, uma boa parte da história é contada através dos desenhos. Quando estou à procura da melhor abordagem a adotar para um livro em particular, procuro indicações no tom do texto mas também nas coisas que o texto não diz mas que estão implícitas — essas coisas têm de passar através das ilustrações. Por outro lado, se o texto nos está a dizer como é que uma personagem se está a sentir, posso querer usar as cores no desenho para dizer aos leitores que vai ficar tudo bem, ou seja, para tranquilizá-lo. A cor é apenas um exemplo: todos os elementos num desenho transportam uma qualidade expressiva, por isso quando estou a desenhar uma página tento explorar a força das marcas do lápis, o espaço livre à volta de uma figura, até o branco no papel, para me ajudar a atingir não só um efeito estético agradável mas também transmitir a atmosfera emocional certa.

memorias

No novo livro, por exemplo, é muito bonita a maneira como faz zoom na cara da avó ou como transforma as suas memórias em desenhos tão coloridos e cheios que quase saem das páginas.

Para este livro funcionar eu tinha de criar duas dimensões temporais separadas e precisava que esta distinção fosse inequívoca. O espaço em que a menina está com a avó tinha de parecer íntimo, enquanto eu pretendia que o reino das memórias se destacasse pela sua riqueza, por estar cheio de vida e carregado com estas emoções todas. Encontrei esta solução muito cedo na história e apesar de não ter a certeza se seria capaz de desenhar o rosto da avó com a graciosidade que tinha em mente, sabia que era um desafio a ultrapassar para poder criar um livro que celebra verdadeiramente a idade e a experiência.

 

 

 

6 livros e desenhos que explicam a crise de refugiados para crianças

Março 7, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do site https://www.nexojornal.com.br/de 1 de fevereiro de 2017.

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Tatiana Dias 01 Fev 2017 (atualizado 01/Fev 14h18)

O que leva uma pessoa a precisar fugir de seu país de origem? Essas obras tentam explicar a complexa questão para crianças

A crise dos refugiados é um problema complexo até para os adultos. Como explicar para as crianças, então, as razões que levam milhões de pessoas a fugirem de suas cidades e países? Algumas obras tentam adaptar o tema complexo ao entendimento infantil. E explicam, de maneira lúdica e sem caírem no simplismo, as razões das guerras e o seu impacto sobre as pessoas. São obras produzidas por especialistas, por entidades e até mesmo pelas próprias crianças refugiadas que mostram, através de sua visão e percepção do mundo, a realidade da guerra. A Organização das Nações Unidas estima que, hoje, 65 milhões de crianças estejam na condição de refúgio, a maior parte por causa da guerra da Síria, iniciada em 2011. É considerado refugiado quem deixa seu país em razão de guerras ou perseguições, sejam políticas, religiosas ou étnicas. Abaixo, o Nexo listou algumas das iniciativas que podem ajudar a explicar melhor o tema ao público infantil:

A crise dos refugiados para crianças

1 ‘Um outro país para Azzi

O livro narra, em quadrinhos, a história de uma família que precisa viajar às pressas para ter uma vida mais segura. Azzi é uma garota que precisa aprender uma nova língua, fazer novas amizades e lidar com a saudade dos parentes que ficaram para trás. A história foi escrita com base na experiência da autora, Sarah Garland, que conviveu com famílias de refugiados. Ela explicou em texto — publicado pela Editora Pulo do Gato — que optou por fazer o livro para quebrar as barreiras do idioma e contar as histórias das famílias de refugiados que conheceu em uma viagem à Nova Zelândia. A personagem Azzi é baseada em um livro de memórias de uma garota judia e em imagens vistas em uma biblioteca neozelandesa.

2. Drawfugees

O projeto documenta e apresenta desenhos criados pelas próprias crianças refugiadas — “draw”, em português, é “desenhar”. Com lápis e papel, elas mostram a sua visão sobre a própria condição: a saudade de casa, o barco em que viajaram e os planos para o futuro. O projeto foi criado por um brasileiro, o fotógrafo André Naddeo, que é voluntário em campos de refugiados na Grécia e publica em inglês, para facilitar a difusão do material.

Seva Abas, 11, Síria: ‘Outro dia alguém comprou balões para nós aqui no acampamento. Foi muito divertido. Então eu decidi desenhar toda a minha família, porque no dia que eu encontrar meu pai de novo (ele está na Suíça) nós vamos fazer uma grande festa. E vou abraçá-lo tanto!’

Seva Abas, 11, Síria: ‘Outro dia alguém comprou balões para nós aqui no acampamento. Foi muito divertido. Então eu decidi desenhar toda a minha família, porque no dia que eu encontrar meu pai de novo (ele está na Suíça) nós vamos fazer uma grande festa. E vou abraçá-lo tanto!’

3 ‘A Cruzada das Crianças’

O livro de Bertolt Brecht narra a viagem de crianças órfãs em busca de um lar durante a Segunda Guerra Mundial. A história mostra a dificuldade em se refugiar e conseguir um lar em segurança. Em 2014, a Editora Pulo do Gato lançou uma versão do livro em português.

4 ‘A viagem‘

O livro, inspirado em relatos reais de refugiados, fala sobre a busca de uma família por um novo lar. As ilustrações são da própria autora, Francesca Sanna. No Brasil, o livro foi publicado pela V&R em 2016.

5 Unfairy Tales

É uma série de animações produzidas pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) com o intuito de humanizar as crianças refugiadas. O nome da série, em português, significa “Contos de fadas injustos”. O título brinca com a palavra “fairy” (fada) e “unfair” (injusto). Os três filmes contam a história de diferentes crianças afetadas pela guerra: Ivine, 14 anos, é uma menina síria que precisou deixar o seu país de origem rumo à Alemanha. Sua aventura em direção à Europa, acompanhada de seu travesseiro, acaba de se tornar um desenho animado.”Malak e o Barco” narra a viagem de uma menina em um barco furado. E “Mustafa” mostra as dúvidas que surgem na cabeça de um garoto logo após deixar a sua casa: quem serão os seus amigos?

6 Uma viagem por um garoto de 16 anos

Um adolescente sírio de 16 anos narrou, em desenhos, sua viagem solitária até a Europa. Identificado publicamente com o nome fictício de “Omar”, o adolescente foi preso tentando entrar ilegalmente no Reino Unido. A “BBC” transformou os desenhos dele em uma animação, legendada em português.

 

 

 

 

Farto da Elsa? Chegou a Coleção Antiprincesas

Março 5, 2017 às 7:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/de 1 de março de 2017.

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A escritora brasileira Clarice Lispector é uma das quatro mulheres sul-americanas cuja vida é agora contada a um público infanto-juvenil. Pitu Sáa

 

Ana Dias Ferreira

Em vez de castelos e superpoderes, uma nova coleção de livros conta a história de mulheres reais que conseguiram ser extraordinárias. Frida Kahlo e Clarice Lispector são duas das “antiprincesas”.

Não usam tiaras e não têm superpoderes mas mudaram o mundo à sua maneira. Frida Kahlo, Clarice Lispector, Violeta Parra e Juana Azurduy são as quatro heroínas de uma nova coleção infanto-juvenil “para meninos e meninas” que chega dia 3 de março às livrarias. “Quatro mulheres do mundo real para combater estereótipos de género junto dos mais novos”, lê-se na apresentação da coleção batizada, sugestivamente, de Coleção Antiprincesas.

“Contamos histórias de mulheres porque sabemos de muitíssimas histórias de homens importantes, mas não tantas de mulheres. Conhecemos algumas histórias de princesas, é certo, mas quão longe da nossa realidade estão essas raparigas que vivem em castelos enormes e frios? Há muitas mulheres que quebraram os padrões da sua época, que não se resignaram a desempenhar as funções que a sociedade lhes impunha (os maridos, os pais, os irmãos mais velhos) e seguiram o seu próprio caminho”, escreve Nadia Fink, jornalista argentina que teve a ideia da coleção — editada originalmente pela conterrânea Chirimbote — e assina todos os textos.”

Para começar são quatro livros, um por cada uma destas mulheres, escritos com uma linguagem acessível e ilustrados a cores (com recurso a algumas imagens reais) pelo também argentino Pitu Sáa. Em Portugal a edição está a cargo da Tinta da China — numa parceria com a EGEAC e o programa Lisboa por Dentro — e a 8 de março, Dia da Mulher, há direito a lançamento no Cine-Teatro Capitólio, no Parque Mayer.

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Da pintura à literatura, passando pelas lutas políticas e a música, estas são quatro histórias inspiradoras que não podiam estar mais longe do “viveram felizes para sempre” da Disney e dos poderes mágicos de Frozen. Por isso mesmo, a primeira coisa que se vê quando se abrem os livros são as pernas de Branca de Neve, reconhecíveis pela enorme saia amarela, a irem embora para dar lugar a outras mulheres que “não se deixaram ficar à espera e, com vontade de ir mais longe, procuraram compreender o mundo de outra maneira, superar obstáculos e deixar uma obra que está para lá do tempo”. Sem tiaras nem coroas mas com muitas outras coisas na cabeça.

Quem são estas antiprincesas?

Antiprincesa nº 1: Frida Kahlo

Exemplo de força e de um imaginário sem igual, Frida Kahlo usou cores fortes para pintar o sofrimento da sua vida. Resumindo com a mesma linguagem acessível do primeiro livro da coleção — e que poupa os leitores mais pequenos, e bem, aos pormenores do famoso acidente que a deixou com a coluna partida (contados magistralmente por Alexandra Lucas Coelho num outro livro da Tinta da China, Viva México) –, Frida nasceu em 1907 mas preferia dizer que tinha nascido em 1910 “porque foi nesse ano que os camponeses começaram uma grande revolução no seu país, e por isso decidiu que ela e o novo México tinham nascido juntos”. Teve uma perna defeituosa, motivada por uma doença aos seis anos (poliomelite), e ficou presa à cama e com as costas engessadas depois do autocarro onde viajava ser esmagado por um elétrico, aos 18 anos. Para a entreter, a mãe montou um cavalete e um espelho sobre a cama: “A princípio, Frida enfurecia-se por se ver tão imóvel, mas acabou por decidir que seria a sua própria modelo. (…) Começou assim a pintar auto-retratos. E, para que a acompanhassem na solidão, acrescentava animais: nas suas pinturas passeavam macacos, cães, veados e papagaios.” Ao longo da vida pintou-se a si própria e ao México, ao muralista Diego Rivera, com quem casou, aos animais que a acompanhavam na grande Casa Azul, hoje uma casa-museu, e às lutas sociais.

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Antiprincesa nº 2: Violeta Parra

Menos conhecida dos leitores portugueses, Violeta Parra foi uma artista chilena que viajou pelo seu país de guitarra ao ombro, para ouvir e salvar do esquecimento as canções tradicionais do Chile. Nascida em 1917, numa família pobre, aprendeu a tocar sozinha, imitando os pais às escondidas (eles eram músicos de folclore mas já lhe tinham dito: “nada de ganhar a vida com a música”). Teve de usar saias feitas de cortinados e cantar na rua, em troca de esmola, encontrou e perdeu o amor em Santiago do Chile, para onde se mudou à procura de uma vida melhor, e percorreu as zonas mais recônditas do país, muitas vezes com os filhos pequenos, para ouvir e gravar, da boca dos mais velhos, as canções tradicionais que já estavam a desaparecer. “A minha única vantagem é que, graças à guitarra, pude deixar de descascar batatas. Porque eu não sou ninguém. Há muitas mulheres como eu por todo o Chile” é uma das suas frases citadas no livro. Outra, para terminar: “Eu não quero exibir-me. Quero cantar e ensinar uma verdade, quero cantar porque o mundo vale a pena e está mais confuso do que eu.”

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Antiprincesa nº 3: Juana Azurduy

A ser uma princesa da Disney, Juana Azurduy seria Mulan (ou Mulan é Azurduy, melhor dizendo). Guerreira e heroína nascida em 1780, foi uma espécie de Joana D’Arc da Bolívia que pegou na espada para lutar pela libertação do seu país, na altura colonizado pelos espanhóis. História e mito cruzam-se no livro, mas há factos que é possível balizar: aos 17 anos entrou num convento, “para onde as mulheres da altura iam para se tornarem freiras ou para estudarem”, mas foi expulsa pouco tempo depois. Casou aos 19 anos com um lavrador e juntos batalharam pela independência, ao lado dos guerrilheiros. Juana lutava a cavalo e armada com pistolas e um sabre, numa altura em que as mulheres não eram permitidas no exército. Não só lutava como um dia teve de salvar o marido que tinha sido feito prisioneiro, invertendo a ordem das histórias dos cavaleiros que salvam princesas de dragões em castelos. Comandou um esquadrão chamado Os Hussardos, teve cinco filhos — terá mesmo combatido grávida e com a filha recém-nascida nos braços — e depois da morte do marido, Manuel Padilla, numa batalha, foi lutar para a Argentina, tendo regressado à Bolívia com a independência do país, em 1824.

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Antiprincesa nº 4: Clarice Lispector

Mais do que antiprincesa, “esta brasileira considerava-se ‘anti-escritora’, porque não gostava de estruturas, das coisas académicas, nem de regras, e escrevia onde e como podia: em papelinhos, guardanapos ou com a máquina de escrever no colo, enquanto os filhos corriam e ela atendia o telefone e os ajudava com os trabalhos de casa”, lê-se na primeira página do quarto livro da coleção. Fascinante na obra e na personalidade, Clarice Lispector é o tipo de mulher difícil de resumir — até Benjamin Moser, que assinou uma monumental e excecional biografia sobre a escritora (publicada em Portugal pela Civilização, em 2010), dizia que Clarice é como a esfinge, um mistério difícil de desvendar. De “olhar felino”, como escreve Nadia Fink, Clarice Lispector nasceu em 1920, na Ucrânia, e foi para o Brasil com um ano, no navio que os pais, judeus, tiveram de apanhar para fugir das perseguições anti-semitas. Desde pequena gostava de inventar histórias com as amigas, sobretudo de contos que não tinham fim. “Quando chegava em um ponto impossível, por exemplo, todos os personagens mortos, eu pegava. E dizia: ‘Não estavam bem mortos.’ E continuava.” Ao longo da vida escreveu romances (muitos com o famoso final aberto, todos desconcertantes), livros infantis protagonizados por animais (estão publicados pela Relógio D’Água) e crónicas nos jornais para ganhar a vida, sobretudo depois de se divorciar do diplomata com quem tinha casado e regressar ao Brasil. O melhor será ficar com as palavras da própria Clarice, citada no livro anti-princesas, e esperar que a sua leitura incite os mais jovens a descobrirem-lhe a obra: “Escrever é usar a palavra como isca, para pescar o que não é palavra.”

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“Histórias Assim” para ler e partilhar em voz alta

Janeiro 10, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Texto do http://www.dn.pt/ de 30 de dezembro de 2016.

Taffy, a protagonista de dois contos de Rudyard, pelo traço do ilustrador Sébastien Pelon   |  Sébastien Pelon

Taffy, a protagonista de dois contos de Rudyard, pelo traço do ilustrador Sébastien Pelon
| Sébastien Pelon

Com ilustrações de Sébastien Pelon, os 12 contos que Rudyard Kipling escreveu para contar à filha já estão disponíveis em português, num só volume.

Como arranjou a baleia a sua garganta, porque tem o camelo uma bossa, porque é que os rinocerontes têm mau feitio e grandes pregas na pele? A resposta a estes e vários outros fenómenos ou simples acontecimentos do dia-a-dia surge no livro Histórias assim, que reúne doze contos do escritor inglês Rudyard Kipling num só volume.

Não se espere explicações complexas nem muito convencionais. Afinal, trata-se de contos originais de um dos maiores e mais inovadores escritores de literatura infantil, não de um livro científico. E embora com alguma veracidade, muitas das explicações são bastante fantasiosas. E mágicas.

Na origem destes contos que respondem a dúvidas que inquietam as mentes dos mais novos estão histórias que Rudyard, o primeiro autor inglês a ser distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1907), escreveu para à noite contar à sua filha Josephine. E surge no seguimento de O Livro da Selva, a sua obra mais popular, publicada em 1894, dois anos após o nascimento da rapariga. No caso da história protagonizada pelo pequeno Mowgli, num dos exemplares da primeira edição foi mesmo encontrada uma nota que comprovava a identidade do destinatário da produção literária de Kipling: “Este livro pertence a Josephine Kipling para quem foi escrito pelo seu pai.”

A explicação do título, Histórias assim (Just so Stories, no original, publicado em 1902, três anos após a morte da filha), também está relacionada com Josephine: as palavras usadas tinham de ser exatamente aquelas a que ela estava habituada.

E a tradução do livro, de Ana Mafalda Tello e João Quina, recentemente coeditado em Portugal pela Bertrand Editora e pelo Círculo de Leitores, mantém essas mesmas palavras, mesmo que algumas sejam pouco utilizadas atualmente e sendo o livro para um público infantil. Topete, badejo, tamariscos, drávido são palavras a procurar no dicionário antes de iniciar a leitura em voz alta para se ter resposta pronta porque o mais certo é os pequenos ouvintes terem uma curiosidade tão insaciável como o Elefante, do conto O filho de elefante.

Dizer que estas histórias são para partilhar é pôr em evidência a forma como foram escritas, interpelando quem as ouve – “Era uma vez, no fundo do mar, ó Mais-que-Tudo” -, passadas “no princípio dos tempos” ou “há muito, muito tempo” em épocas tão distantes quanto mágicas em que “a pele do rinoceronte se abotoava no ventre com três botões” e o elefante não tinha tromba, “só um nariz escuro e volumoso, do tamanho de uma bota”. E em locais tão reais como o mar Vermelho ou imaginários como “as desoladas Terras Completamente Desabitadas do Interior”, atravessadas pelo “grande, esverdeado e lamacento rio Limpopo” onde “há sorrisos que dão a volta à cara duas vezes”.

Segundo a editora, Ana Lúcia Duarte, do Círculo de Leitores, Histórias assim “tem todos os contos originais, só não se mantiveram os poemas que existiam no final de cada conto, por estarem ligados às ilustrações que o próprio escritor fez e que não são aqui reproduzidas, tendo-se antes optado pelas ilustrações de Sébastien Pelon, ao mesmo tempo doces e cheias de malícia”.

Aliás, estas características das ilustrações acompanham o tom das histórias de Rudyard Kipling que são também pontuadas de bom humor. Veja-se, por exemplo, o nome da protagonista de dois dos contos (Como se escreveu a primeira carta e Como se inventou o alfabeto) Taffimai Metallumai “que significa “Pequena-sem-maneiras-que-merecia-uma surra”; mas nós, Mais-que-Tudo, vamos chamar-lhe Taffy”. Ora, a pequena Taffy é, muito provavelmente, Josephine. E foi ela quem escreveu a primeira carta (desenhada), num pedaço de casca de bétula, com um dente de tubarão. Ela, que também inventou o alfabeto, é apenas uma das muitas personagens “de que o autor troça com ternura, para nos revelar a sua humanidade e as suas fraquezas”, como assinala Ana Lúcia Duarte no prefácio. Para descobrir ao longo desta 110 páginas.

mais informações sobre o livro no link:

http://www.bertrand.pt/ficha/historias-assim?id=17946814

 

 

Nascidos para ler

Janeiro 10, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 2 de janeiro de 2017.

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Escrito por Ana Sofia Rodrigues

Quando, em junho de 2014, a Academia Americana de Pediatria recomendou a leitura para bebés desde o nascimento, não foram poucos os que ficaram surpreendidos. A pediatra Pamela C. High, autora da nova conduta, revelava que “fortes evidências mostram que o facto de o pediatra, durante a consulta, recomendar a leitura em casa, pode fazer a diferença na vida das crianças e das suas famílias”. Uma confirmação científica que se baseou em inúmeros estudos que comprovam que ler para um bebé, desde o nascimento, estimula o cérebro de uma forma única e reforça o vínculo entre pais e filhos. Os efeitos desta “terapêutica” são unânimes: desenvolve a atenção, a concentração, o vocabulário, a memória e o raciocínio; estimula a curiosidade, a imaginação e a criatividade; ajuda a criança a perceber e a lidar com os sentimentos e as emoções; possibilita conhecer mais sobre o mundo e as pessoas; auxilia no desenvolvimento da capacidade de empatia; estimula o desenvolvimento da linguagem oral… além de criarem-se as fundações de um prazer incomparável para a vida.

Leituras intrauterinas
Antes desta recomendação, as práticas de promoção da leitura junto de pré-leitores (crianças entre os zero e os seis anos) eram já uma realidade consolidada em diversos países, integrando mesmo políticas oficiais. Desde os anos 90 do século passado, a escritora brasileira Alessanda Roscoe desenvolve inclusivamente programas de leitura ainda em útero, com grupos de grávidas que convocam a sua família para ler para o bebé, ainda na barriga da mãe. “Aletramento Fraterno” é a sua proposta mais recente, defendendo que os livros são o leite da alma e que estimular o hábito da leitura numa criança é uma tarefa que pode envolver toda a família. De facto, estudos mostram que o bebé, ainda em útero, já é capaz de captar as vibrações emitidas pela voz da mãe e consegue identificar a emoção das suas palavras. Após o nascimento, a missão é continuar. E apesar de a criança ainda não compreender o significado das palavras, elas servem como estímulo para o seu desenvolvimento.

Rimas de encantar
Infelizmente, ainda é comum a ideia de que se o bebé não percebe o que lhe estamos a ler, então não vale a pena fazê-lo. Muitos pais não compreendem a utilidade de um hábito tão precoce e também não sabem como pô-lo em prática. Dora Batalim, doutoranda de Literatura Infantil na Universidade Autónoma de Barcelona e coordenadora da Pós-Graduação em Livro Infantil da Universidade Católica, surpreende ao defender que “a primeira grande literatura, importantíssima para os bebés, são as lengalengas, as canções de embalar, as rimas infantis, os jogos de mãos e de corpo. É um mundo genial. Se não tivéssemos livros para bebés, este universo chegaria”. Tão balalão, cabeça de cão, orelhas de gato, não tem coração… Janela, janelinha, porta, campainha. Trrrimmm… Mão morta, mão morta, vai bater àquela porta… “Antigamente, as avós não tinham cursos de contadores de histórias, nem de mediação de leitura, nem liam blogues a explicar como se deve fazer… e faziam tudo”, reforça com graça. Estes textos que se repetem ao longo do dia, ditos por caras conhecidas, dão uma segurança e um vínculo ao bebé que ele adora. “Eles gostam e acalmam-se porque a maioria destas toadas está relacionada com os ritmos do bater do coração e da circulação sanguínea, que eles escutavam na barriga da mãe”, explica Dora Batalim. No entanto, muitos pais atuais já não as ouviram e não dominam esse reportório. Para eles, pedimos a esta especialista que indicasse algumas obras a que pudessem recorrer. “Já há bons livros que reúnem canções e rimas tradicionais, inclusivamente musicadas com CD a acompanhar. Por exemplo: ‘Rimas e Jogos Infantis’ (Raiz Editora/Lisboa Editora), ‘Cantar Juntos 1’ (Estúdio Didático/A PAR) e ‘Sementes de Música’ (Caminho)”. Ficam as sugestões.

Dieta variada
Depois deste “banho” de tradição oral, por que livros se pode então começar? Lamentavelmente, a publicação de autoria portuguesa dirigida a bebés é praticamente inexistente, mas algumas editoras já incluem nos seus catálogos várias traduções muito interessantes. Dora Batalim fica encantada com as potencialidades dos livros para a faixa etária dos zero aos dois anos. “A literatura para bebés é como se fosse um microcosmo: o que funciona ali é verdade para o resto”. Ao contrário do que se poderia pensar, a escolha do que comprar para os mais novos deveria ser muito exigente. “Normalmente, as pessoas reduzem a equação livros para bebés a livros muitíssimo básicos, mais ligados a jogo do que a fruição estética. E os pais esperam que sejam livros que ensinem coisas. Precocemente, há uma grande necessidade de injetar logo conhecimento científico! São as cores, as formas, os opostos…”, descreve Dora Batalim. Além disso, “há uma perseguição muito grande do texto verbal, pois o adulto não tem uma relação muito clara com a imagem. Não sabe lê-la, não está habituado e acha que as imagens estão ali ou para enfeitar ou para explicar melhor as palavras”. Pelo contrário, nos livros infantis mais atuais, as imagens formam textos autónomos, complementares, até divergentes do texto verbal e isso é uma riqueza a explorar.

A escolha dos livros para bebés deveria ser “uma dieta muito variada, ao nível das tipologias e das funções que desempenham, mas também ao nível das representações”. No início, Dora sugere começar com ofertas muito tranquilas, com uma progressão na intensidade das emoções. Com representações gráficas “muito limpas”, mas não necessariamente “abebezadas”. Com funções diversas: uns que ajudem o bebé a entender o mundo e a si próprio, outros puramente estéticos, uns com narrativas para cultivar as emoções, outros ainda para explorarem sozinhos com todos os sentidos. “Para que os livros sirvam de mapa seguro de começo no mundo”.
Não é difícil identificá-los. São livros com poucas páginas, pois o tempo de concentração dos bebés é muito curto, muitos são cartonados com pontas arredondadas, as imagens apresentam-se em grandes dimensões, as temáticas são familiares ao universo do bebé (alimentação, meios de transporte, animais, vestuário…), apelam ao contacto físico, o discurso verbal é simples, muitas vezes rimado e interpelativo e os textos recorrem a repetições, refrões, onomatopeias, jogos de sons e palavras.

Pontes literárias
Não há dúvida que os pais devem funcionar como exemplos e modelos de leitores e a leitura deve surgir habitualmente em casa, associada a momentos de prazer, encontro e afetividade. E quando os pais não são leitores? “Um filho é uma desculpa para fazermos o que nunca fizemos. Em nome dele, transformamo-nos”, defende Dora Batalim. Mas, sem prática, essa iniciação pode ser difícil. É precisamente na criação de pontes entre as famílias e os livros, que as bibliotecas representam um papel muito importante. Como? Criando programas, espaços e contextos específicos para a promoção precoce da leitura. Joaquim Mestre foi um dos impulsionadores do novo conceito de biblioteca, no início dos anos 90, em Beja. Referindo-se às “bebetecas”, costumava defini-las de uma forma inspiradora: “A bebeteca funciona como um imenso útero materno, com vários cordões umbilicais ligados ao bebé, aos pais e aos livros, como se fossem um complexo sistema de vasos comunicantes”. Susana Silvestre, atual responsável pelas bibliotecas municipais da Câmara de Lisboa, dedica-se à importância de partilhar livros com bebés há cerca de 16 anos. Primeiro, na Biblioteca de Odivelas e, agora, em Lisboa, promove programas continuados de promoção de literacia emergente. Ao longo de seis meses, de 15 em 15 dias, “tentamos fazer pais leitores, que consigam dominar as ferramentas para eles próprios serem mediadores de leitura em casa. E não fazemos em mais locais, pois os promotores de leitura ainda não se sentem à vontade com estas idades”, reconhece. As listas de espera são imensas, mostrando a necessidade de formação que muitos adultos sentem nesta área. “Verificámos, por exemplo, que os pais não se sentem à vontade com os álbuns de imagens ou com livros com poucas palavras”, destaca Susana Silvestre. Com um trabalho personalizado, são dadas ferramentas aos pais, apostando no prazer da leitura partilhada. “Os pais não devem ler para os bebés só porque é bom para eles aprenderem a ler mais depressa. Sou contra aos pais estarem a contar uma história sem prazer. Têm que se criar momentos de alta qualidade, mesmo que sejam menos do que a ‘literatura’ manda…” Para tal, a escolha dos livros pode representar um papel muito importante. “Os livros escolhidos devem ser objetos de prazer para pais e filhos”. Para tal, Susana Silvestre aconselha a que os adultos “não fiquem presos à indicação etária habitualmente presente na contracapa” e experimentem livros inusitados.
Também no caminho da leitura, os pais são chamados a um papel fundamental, transformando-a num hábito relevante. Leva tempo e exige afeto, dedicação, partilha, prazer, encanto e cumplicidade. Mas vale muito a pena.

São poucas, mas as lojas de literatura infantil são pequenos oásis, para pais e filhos.

Essenciais, segundo Dora Batalim

– “Eu Vejo”, “Eu Ouço”, “Já Sei” e “Eu Sinto”, de Helen Oxenbury (Gatafunho)
– “Primeiros Livros”
(Coleção de mini-livros),
de Stella Baggot (Edicare)
– “A Primeira Biblioteca do Bebé”,
de Madeleine Deny e Marianne Dubuc (Edicare)
– “As Roupinhas do Martim”,
de Xavier Deneux (Edicare)
– “Será… Um Caracol?”, “Será… Um Rato?”, “Será… Um Gato?”, “Será… Uma Rã?”, de Guido Van Genechten (Gatafunho)
– “Aí Vou Eu” e “Pequeno
Ou Grande”, de Hervé Tullet (Gatafunho)
– “Miffy” (vários títulos), de Dick Bruna (ASA)
– “As Estações”  e “O Balãozinho Vermelho”, de Iela Mari (Kalandraka)
– “Todos no Sofá”, de Luísa Ducla Soares e Pedro Leitão (Livros Horizonte)
– “Boa viagem bebé!”, de Beatrice Alemagna (Orfeu Mini)
– “A Lagartinha Muito Comilona”,
de Eric Carle (Kalandraka)
– “Tanto, Tanto!”, de Trish Cooke (Gatafunho)

Casas de livros

Aqui há Gato
Rua Dr. Mendes Pedroso, 21 – Santarém

Cabeçudos
Rua António Lopes Ribeiro, 7A – Lisboa

Gigões & Anantes
Rua Dr Nascimento Leitão, 30 – Aveiro
http://www.facebook.com/gigoeseanantes

Hipopótamos na Lua
Rua Gomes de Amorim, 12-14 – Sintra

Livro Voador

Av. Menéres, 536 – Matosinhos

Mercado Azul

Rua Calouste Gulbenkian, 419, R/C – Guimarães

O Bichinho do Conto

Estrada dos Casais Brancos, 60 – Óbidos

Salta Folhinhas

Rua António Patrício, 50 – Porto

 

 

 

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