Como levar o seu filho a gostar de ler

Junho 11, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do Notícias Magazine de 1 de junho de 2018.

Os livros são uma das coisas boas da vida, mas hoje têm muita concorrência. É pena que não exista uma receita mágica que faça as crianças interessar-se pela leitura. Não há receitas mágicas, mas há formas de fazer os miúdos gostarem de ler.

«O papel da leitura no desenvolvimento das crianças é fundamental, porque é uma boa forma de transmitir conhecimento», disse à Buena Vida a psicóloga educacional do centro Aprendert, Cármen Marco, explicando que é necessário garantir que as crianças leiam, mas que leiam bem, porque «se na fase de aprendizagem houver alguma falha, a longo prazo, a criança vai rejeitar a leitura.»

Brincar com as palavras através das imagens pode ser o primeiro passo para os mais pequenos começarem a gostar de ler. «O texto ilustrado permite-lhes associar as ideias de uma forma dinâmica e divertida, mesmo que não percebam o que está escrito», explica Cármen. Os livros que têm jogos lúdicos demonstram que é possível as crianças brincarem com as palavras através de formas muito simples.

«Uma criança de oito anos, que adora futebol mas não gosta de ler, nunca vai abrir um romance com muito texto», afirma Elisa Yuste, especialista em literatura infantil. «Nestes casos, o meu conselho é que os pais comprem livros sobre desporto, que tenham muitas imagens», esclarece.

Segundo a psicóloga, é importante que a prática de ler seja um exercício feito em família, para que a criança comece a incorporá-la nas suas rotinas. É tudo uma questão de hábito. O objetivo não é que as crianças se tornem verdadeiras devoradoras de livros, mas sim que se interessem pela leitura, da mesma forma que se agarram às séries que passam na televisão.

De acordo com uma pesquisa realizada pela maior editora infantil do mundo, a Scholastic, 2500 famílias com crianças entre os 6 e os 17 anos, são leitores regulares e têm nas suas estantes cerca de 205 volumes de livros.

«As crianças observam a rotina diária dos pais, sem pensarem muito no assunto.» O mesmo acontece com a leitura. Os familiares têm um papel muito importante na vida dos mais pequenos, pois são vistos com um modelo de exemplo a seguir.

A especialista em literatura infantil recomenda que os mais jovens tenham uma estante para os seus próprios livros no quarto ou na sala, pois é essencial que eles se familiarizem com o objeto. Já para os adolescentes partilhar a estante com os adultos pode funcionar bem. Tudo depende do autor e do conteúdo do livro.

Uma boa forma de incentivar os jovens à leitura são as idas ao cinema, por exemplo. Pode parecer estranho, mas os espetáculos suscitam curiosidade, o que os faz querer saber mais sobre determinados assuntos.

Os livros não servem apenas para decorar as prateleiras da nossa casa. Há livros que são eternos clássicos e podem tornar os seus filhos verdadeiros fãs da leitura.

Visualizar os livros no link:

https://www.noticiasmagazine.pt/2018/levar-filho-gostar-ler/

 

 

 

V Encontro de Literatura para a Infância, 19 maio na ESELX

Maio 7, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.eselx.ipl.pt/comunidade/encontros/v-encontro-de-literatura-para-infancia/programa

“Quando se lê em criança, o cérebro cresce”, diz Carlos Fiolhais

Maio 7, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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“Devo aos livros aquilo que sou. Só me conheço a ler”, diz Carlos Fiolhais DANIEL ROCHA

 

Texto do https://www.publico.pt/ de 19 de abril de 2018.

Para assinalar dez anos de vida literária, João Manuel Ribeiro organizou as jornadas 10 de Letra. Primeiro no Porto e agora em Lisboa. Carlos Fiolhais é um dos convidados.

RITA PIMENTA

Começou a ler cedo, “ainda antes da escola”, e não tem dúvidas de que, “quando se lê em criança, o cérebro cresce, desenvolve-se, eu sou a prova disso”. Quem assim fala é o físico Carlos Fiolhais. “Devo aos livros aquilo que sou. Só me conheço a ler, foi assim que conheci mundos que não conhecia”, diz o cientista e um dos oradores das Jornadas Literárias 10 de Letra que decorrem nesta quinta-feira, em Lisboa, na Sociedade Portuguesa de Autores (a partir das 17h30). Uma conferência que comemora os dez anos de livros de João Manuel Ribeiro, autor de mais de 50 títulos e editor da Trinta por Uma Linha.

Carlos Fiolhais diz ver os livros como “uma grande invenção que pôs os cérebros a comunicar” e “que, de uma forma compacta, nos levou à revelação e ao conhecimento”. Conta ao PÚBLICO que foi para cientista porque na adolescência descobriu, em bibliotecas, livros de divulgação científica: “O meu cérebro escolheu um caminho. Um livro é um abridor de portas. Eu descobri que o mundo é misterioso e quis ajudar a desvendar o mistério da sua formação.”

Sobre os destinatários das obras, crianças, jovens ou adultos, diz: “Os livros são de quem os apanhar, a idade é algo que nem sempre se percebe. Já escrevi a pensar que era para ser lido por adultos, mas foram os mais jovens que os preferiram.” O contrário também já lhe aconteceu.

No caso de João Manuel Ribeiro, que escreveu o primeiro livro para a infância em 2008 (Rondel de Rimas para Meninos e Meninas, ilustrado por Anabela Dias), a entrada neste segmento deu-se por acaso. Convidaram-no, num colégio com que colaborava, para escrever uma história de Natal. “Sem me dar conta da responsabilidade, escrevi um conto breve que foi do agrado dos alunos; no Natal seguinte, voltei a escrever outra história com igual aceitação. Nunca mais parei, Sem querer, contaminei-me com esta literatura e, desde então, vivo para ela, inteiramente.”

No passado, teve “participações poéticas esporádicas no Jornal de Notícias e no Diário de Notícias jovem”. Destes dez anos de letras, o que retém de mais relevante é a publicação do primeiro livro, “por ser o primeiro e abrir a porta a todos os outros, sobretudo os de poesia (ainda tão mal-amada)”; a publicação de Meu Avô, Rei de Coisa Pouca, “por ser autobiográfico e pelo imenso prazer que me deu escrevê-lo”; os encontros com os pequenos leitores, “nessa árdua mas deliciosa tarefa de ‘fazer’ leitores”, e “as recentes traduções no estrangeiro, pelo reconhecimento que proporcionam”.

“Se não tivesse conhecido os teus livros, seria mais pobre”

E quem é que pode ficar indiferente a estas frases que algumas crianças lhe foram dirigindo durante a última década? “Gostava de ter sido teu companheiro de infância”; “tu só escreves poesia, mesmo quando escreves em prosa”; “esse livro [Meu Avô, Rei de Coisa Pouca] produziu em mim um sismo interior” e “se não tivesse conhecido os teus livros, seria mais pobre”.

O autor (doutorado em Ciências da Educação, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e Mestre em Teologia, pela Universidade Católica do Porto) criou recentemente a revista de literatura infantil e juvenil A Casa do João (com o Centro UNESCO de Amarante) e tem um propósito que extravasa a literatura: “Espero, luto e trabalho (quase sempre sem o conseguir) por um mundo justo, fraterno, plural, que seja, de facto, uma casa grande, de todos e para todos.”

Com estas jornadas, deseja “ajudar a descobrir que a literatura faz bem, é uma vitamina sem a qual nos tornamos ictéricos”. Espera também “chamar a atenção para a importância da literatura infantil e juvenil na vida das crianças (e não só) e contribuir para mostrar, apesar do seu destinatário e da sua especificidade, que é literatura como a outra; não é uma literatura menor”.

Diz Fiolhais: “Escrever bem é escrever para todos.” Depois, pergunta: “Para que idade é o Principezinho, de Saint-Exupéry?” E conclui: “Um bom livro fala-nos de coisas possíveis e impossíveis. Faz-nos pensar e sonhar. No Principezinho, há desde ciência a auto-ajuda.”

Quanto mais cedo, melhor

O cientista afirma ser viciado em leitura e não conseguir viver sem livros. “Quanto mais cedo se começar, melhor. Não me fizeram mal.” Recentemente, participou num projecto de livro e CD que fala de ciência a crianças dos três aos dez anos através de poesia e canções de José Fanha e Daniel Completo: Entre Estrelas e Estrelinhas — Este Mundo Anda às Voltinhas. “Procurei que os versos contivessem a lição de interrogar, observar, demonstrar. Uma chamada à ciência.” E diz gostar de cruzamentos, não de becos. “Cruzamentos de temas, de cérebros, de autores.”

O físico ainda não sabia o que iria dizer na conferência desta quinta-feira, mas tudo pode acontecer quando Carlos Fiolhais se entusiasma. A conversa com o PÚBLICO terminou na seguinte reflexão: “Por que seria que andavam de mão em mão as pombinhas da Catrina?”

As jornadas abrem com o psicólogo Eduardo Sá e a comunicação “As crianças e a leitura”. Segue-se um painel que reúne ainda os autores de literatura para a infância e juventude Luísa Ducla Soares e José Jorge Letria, sob o mote “A literatura, o indispensável supérfluo” e moderado por Helena Gatinho.

A encerrar, o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores apresentará o livro Os Direitos das Crianças — Antologia Poética, que reúne poemas de cerca de 20 autores portugueses, espanhóis e brasileiros, como João Pedro Mésseder, José António Franco, Emiliana Carvalho (Brasil) António Garcia Teijeiro e Alfredo Ferreiro (Espanha).

 

 

Porque é que as crianças pedem sempre a mesma história na hora de dormir?

Abril 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 9 de abril de 2018.

A psicóloga Clementina Almeida acredita que esse pedido está relacionado com uma necessidade de rotina. “A rotina dá-lhes uma sensação de previsibilidade. Não é por acaso que eles pedem para ler aquela história outra vez e outra vez e é sempre a mesma – porque isso lhes dá segurança”, explica a psicóloga clínica.

Clementina Almeida explica que a previsibilidade, o saberem o que vem a seguir, ajuda as crianças a acalmarem-se e os momentos que antecedem a hora de dormir são muito importantes.

Para Clementina Almeida, não interessa qual é a rotina (porque cada família é uma família), o que importa é que ela exista.

Ouvir a psicóloga Clementina Almeida no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/interior/porque-e-que-as-criancas-pedem-sempre-a-mesma-historia-na-hora-de-dormir-9244306.html

Jornadas literárias ’10 de Letra’ 19 abril na SPA, com Eduardo Sá, Luísa Ducla Soares, José Jorge Letria

Abril 18, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://escritores.online/10-de-letra/

Homenagear os clássicos para crianças

Abril 17, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do blogue http://blogues.publico.pt/letrapequena/ de 27 de agosto de 2017.

Uma homenagem à literatura clássica infantil, num livro muito bonito e cheio de referências bibliográficas felizes.

Logo nas guardas de abertura, encontramos uma mancha de caracteres que invocam dezenas de títulos e escritores que nos remetem para leituras de infância: As Aventuras de Pinóquio (Carlo Collodi), Um Conto de Natal (Charles Dickens), 20.000 Léguas Submarinas (Júlio Verne), Aventuras de Alice no País das Maravilhas (Lewis Carrol), só para citar alguns.

Disseram os autores, Oliver Jeffers e Sam Winston, sobre o livro que criaram juntos: “Desde o início sabíamos que queríamos criar um conto que celebrasse o nosso amor pela literatura clássica infantil com um toque moderno. Para nós, tratou-se de capturar alguma da magia que acontece quando alguém se perde ao ler uma história intemporal, mas de um modo que os leitores ainda não tinham visto.”

E a verdade é que a obra é muito original e poética. Por isso mereceu este ano o Prémio de Melhor Livro de Ficção atribuído pela Feira do Livro Infantil de Bolonha.

A história começa assim: “Eu sou a menina dos livros. Venho de um mundo de histórias. E na minha imaginação eu flutuo.” A menina atravessa um mar de palavras para ir ter com um rapaz e o convidar a entrar no mundo dos livros, e da imaginação.

Esse “mar de palavras” é representado de uma forma muito expressiva, com um conjunto de frases retiradas de outra obras e que formam ondas.

O humor também está presente, como no plano em que se vê um homem a ler o jornal. Há três títulos impressos: “Negócios”, “Coisas importantes” e “Coisas sérias”.

Reproduzimos parte da notícia sobre coisas importantes: “Uma importante companhia vai parar de produzir coisas importantes no final deste ano. Alegam que ninguém quer esta coisa particularmente importante. Alguém num websitedisse: ‘Não é nada importante que tenham deixado de produzir essa coisa. Talvez não seja assim tão importante. A coisa mais importante agora é descobrir outra coisa que seja importante.’”

O que é verdadeiramente importante neste livro pode resumir-se na frase: “A nossa casa é uma casa de invenção, onde toda a gente pode entrar.”

A Menina dos Livros
Texto e ilustração: Oliver Jeffers e Sam Winston
Tradução e edição: Editorial Presença
36 págs., 12,90€

Texto publicado na edição do Público de 26 de Agosto, página Crianças. 

 

 

Os livros devem ser “lidos, explorados, anotados, sublinhados e guardados”

Janeiro 10, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Artigo de Sara Oliveira para o site EDUCARE, em 21-09-2017.

Os hábitos de leitura sofrem com as novas tecnologias? A relação do livro com os mais novos está a mudar? O que se pode fazer? Como devem ser usados os manuais escolares? Sublinhar ou não sublinhar? Jorge Ascenção, Manuel Pereira, Filinto Lima e Paulo Guinote partilham as suas opiniões sobre estes assuntos.

Ler, livros, leitura. Juntar palavras, construir frases, contar ou inventar histórias. Descobrir novos mundos, entrar no reino da fantasia, acompanhar vidas reais ou imaginárias. Aprender, descobrir, pensar. Ler, sonhar, refletir. Construir valores, consolidar princípios. Crescer. Os hábitos de leitura mudam, as novas tecnologias estão para ficar, os alunos leem menos, qual a importância do livro nos primeiros anos da escola? Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, e Paulo Guinote, professor de Português, responderam a várias questões sobre leitura e o que está à sua volta.

“Uma criança que cresce com os livros, que aprende a ‘saboreá-los’ e a senti-los será uma pessoa da arte, da cultura e da cidadania. Será gente e com gente. Será seguramente alguém que vive para além de si e que melhor compreenderá o mundo e a humanidade, vivendo e fazendo parte ativa da sua construção social.
O livro é uma janela para o mundo que tem que se abrir e fechar conforme as circunstâncias. Ajuda-nos a construir uma visão do mundo, a conhecê-lo e a integrá-lo ao mesmo tempo que nos faz saber estar protegidos desse mesmo mundo”. É desta forma que Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), fala do livro e do que ele representa para quem descobre o mundo.

O livro é a base da construção de valores, do valor do trabalho, do afeto, do respeito, da amizade e do amor. Dos valores que fazem da vida um bem maior de experiência e de felicidade. Mas os hábitos de leitura têm vindo a sofrer alterações. São as mudanças tecnológicas, a alteração de estímulos, e outras coisas. “A pressão programática dos extensos currículos escolares, as metas e a obsessão por resultados escolares quase limitados à obtenção de uma nota classificativa (quem há anos atrás falava ou relevava os rankings) e a cada vez maior competitividade sem que se valorizem outras aspetos da formação e do desenvolvimento pessoal, onde o que importa é estar melhor e não o ser bom, são alterações dos últimos tempos que influem nos hábitos de leitura”, refere o presidente da CONFAP.

O livro é um amigo, um manual escolar também. A política de reutilização dos livros escolares no 1.º Ciclo do Ensino Básico condicionará a sua utilização, já que os manuais são cedidos gratuitamente com a indicação de serem devolvidos no final do ano escolar. Como deve então ser esta apropriação do manual escolar no primeiro nível de ensino? “Quando falamos de livros escolares, estamos a falar de um livro de trabalho, por isso lhe chamamos manuais. Um manual é para manusear e adequar ao estudo de quem o utiliza. Por isso não faz sentido impor regras de utilização comuns e uniformes”, refere Jorge Ascenção. Sublinhar ou não sublinhar? Sublinhar a lápis, a caneta, a marcadores de várias cores? “Para muitas crianças do 1.º ano do 1.º Ciclo este manual é o seu início de contacto com o livro e deve ser uma experiência inesquecível de afeto e de prazer com o cheiro e o folhear do livro.” Uma experiência que se quer inesquecível e, por isso, o dirigente da CONFAP defende que tudo deve ser feito para que esses primeiros livros sejam guardados na memória e em casa. “Esta deve ser uma das missões da escola e as políticas devem-no permitir e potenciar. Doutra forma poder-se-á estar a condicionar o gosto pelo livro e até o percurso académico de algumas crianças”, observa.

“O livro é para usar e abusar. Com respeito e responsabilidade, o que não significa necessariamente que não se possa sublinhar ou tomar notas. Depende do livro e do que se pretende com a sua utilização. Percebo o discurso do não estragar, no sentido em que devemos estimar o livro e não maltratá-lo, mas com as crianças temos que ter cuidado com as palavras para não se sentirem coagidas”, avisa. A ideia é que percebam que o livro é um suporte para o seu conhecimento e desenvolvimento. “O discurso de não estragar vai acabar por prejudicar os que mais precisam de ser incentivados por razões que todos entendem. Outra coisa é o estragar sem utilizar ou o negligenciar o cuidado com o livro, isso deve ficar claro em qualquer circunstância e nomeadamente se o livro é oferecido pelo erário público. Mas não se pode penalizar a utilização do livro de acordo com as respetivas necessidades de aprendizagem.”

Pequenas notas são “semáforos da memória”

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), faz suas as palavras do escritor Mário Cláudio que afirma que tem de haver colo para ler. E ler é essencial na formação da personalidade, na mecânica da leitura, na aquisição de vocabulário para expor ideias, para o sentido crítico, para argumentar, comentar o mundo, desenvolver a criatividade e a imaginação, para adquirir valores. “Uma família que não lê não forma para a leitura.”

Muitas vezes, o primeiro contacto com os livros acontece no primeiro ano de escola. “Estudar pressupõe sublinhar, fazer apontamentos. Se o aluno não o pode usar como instrumento de trabalho logo desde os primeiros anos da sua escolaridade, não será também assim que o vai encarar nos anos mais avançados.” Para Filinto Lima, um manual é para ser usado. “Impedir que os alunos sintam o livro como instrumento de trabalho pode ser prejudicial. Não sabemos como será o ensino no futuro, mas seja qual for o suporte de informação deverá ser permitido que se façam anotações (mesmo nos livros digitais, já há processos de anotar, fazer notas laterais, esquemas para estudo), porque é assim que se estuda, se faz a seleção da informação que se pretende para cada caso.”

Os livros de estudo devem, portanto, ser usados como sempre foram. “Lidos, explorados, anotados, sublinhados e guardados. Sempre há qualquer coisa que podemos aprender nos nossos velhinhos livros. Mesmo quando acharmos que já nada podem fazer por nós, os bons livros sempre trazem à memória ensinamentos, métodos de aprendizagem e pequenas coisas que nos escaparam quando fomos estudantes”.

O livro é um amigo no processo de socialização das crianças e jovens, um instrumento de desenvolvimento, de conhecimento, de habilidades de escrita, de criatividade, de interpretação. Um amigo que ajuda a conhecer melhor o mundo. “A apropriação do livro como instrumento de crescimento e aprendizagem, desde muito cedo, garante um maior equilíbrio nas aprendizagens e promove o sucesso formal e informal nas mesmas. Nesse sentido, o livro, de acordo com o nível etário, deve ser sempre visualmente estimulante, colorido em idades mais precoces e estruturado de forma apelativa, oferecendo manchas gráficas motivadoras e conteúdos que vão ao encontro da necessidade reprodutiva da imaginação das crianças e jovens. O livro, para os jovens, deve ser sempre o primeiro contacto estruturado com o mundo que fica para além das fronteiras visíveis”, refere Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE).

Manuel Pereira pertence a uma das gerações que se habituaram a usar os livros de estudo como bloco de notas. Para sublinhar, fazer apontamentos, notas de rodapé. Mais do que um hábito, uma estratégia promovida como boa prática. Os livros académicos estavam noutro patamar, protegidos de tais práticas, quase como uma questão cultural. Na sua opinião, os livros, nomeadamente no Ensino Básico, devem continuar a ser instrumentos a apropriar pelos utilizadores.

“Sublinhar ou colorir informações são estratégias difíceis de substituir. Registar pequenas notas é como colocar semáforos de memória na informação marcante ou mais relevante dos aprendentes. Daí que, percebendo o princípio que enforma a política de empréstimo de manuais escolares, não deixamos de registar, contudo, a enorme dificuldade que é essa mudança de paradigma. Admitimos a necessidade de reformular o conceito de livro académico, nomeadamente ao nível do Ensino Básico porque, de facto, a estrutura dos mesmos propicia as práticas tradicionais que agora se pretendem alterar”, adianta o presidente da ANDE e diretor do Agrupamento de Escolas de Cinfães.

Nada se muda de um dia para outro, mas Manuel Pereira considera que é necessário repensar o conceito de manual escolar. “Talvez esse, um passo a ser experimentado antes, para depois se poder estimular a devolução de manuais para posterior reutilização. O livro não pode ser um objeto intocável, antes deve ter uma relação quase quinestésica com os seus utilizadores e nesse sentido deve ser usado, manuseado e utilizado”, defende.

Para onde caminhamos nesta relação com os livros, nestes novos hábitos de leitura? “Os mais novos nascem agarrados ao suporte digital. Normalmente para jogos ou coisas mais supérfluas, como as redes sociais, ou mesmo para comunicarem entre si. Hoje os seus espaços de encontro são no computador, telefone ou tablet. Poderemos nós impor outros gostos ou relações? Mesmo que o pudéssemos fazer não teríamos o resultado pretendido, porque ninguém se desenvolve sem liberdade de escolha. O que precisamos é de ser capazes de descobrir e perceber como incentivar a leitura através de propostas que desafiem a criatividade e o espírito crítico das crianças e dos jovens”, refere Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP).

O que pode ser feito? Estimular a relação com a leitura, respeitando vontades e capacidades dos mais novos. Trabalhar de forma transversal as diferentes áreas do conhecimento. Trabalhar mais nas bibliotecas. Explicar a importância do livro na compreensão do dia a dia. “O aroma do livro insere-se no nosso cérebro e enraíza-se na nossa memória fixando a vontade de voltar ao seu contacto”, sublinha o dirigente da CONFAP.

As novas tecnologias vieram para ficar, facilitam o acesso à informação e às histórias, exigem pouco esforço, e os jovens não sentem a necessidade de ler. “A escola, por vezes, também mata a vontade de ler ou não seduz para a leitura. Ou a impõe, e a obrigatoriedade é meio caminho para a rejeição, ou retira o tempo necessário para o fazer priorizando outras competências, ou não seduz para ela: o docente que não lê não motiva para a leitura”, observa Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP). “Atrevo-me a dizer que os fracos hábitos de leitura serão nefastos para os homens e mulheres do amanhã já que lhes vai ser exigida a criatividade, o empreendedorismo e atualização de conhecimentos ao longo da vida. Só quem dominar a leitura e souber transformá-la em conhecimento conseguirá intervir de forma responsável na sociedade”, acrescenta.

Mas há coisas a fazer. Apostar na leitura, educar as famílias nesse sentido, incutir na sociedade que é fundamental valorizar esse hábito. “Se a escola encarar a leitura como uma mais-valia para a formação global da criança ou jovem dando-lhes tempo para ler e encarar a leitura não como um enfado, mas como uma fonte de prazer e fruição, então não teremos razões para alarme porque eles voltam.” Eles voltam a ler.

Os hábitos de leitura têm vindo a sofrer alterações substanciais ao longo dos últimos anos, nota-se um certo declínio da leitura como instrumento tradicional. Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), olha para tudo isso não como problemas, mas como oportunidades. “A leitura não perdeu importância nem o livro perdeu espaço. Motivar para a leitura requer, hoje, dinâmicas motivacionais diferentes e o recurso a novos estímulos menos formais e mais próximos das vivências experienciadas de cada um”, realça.

“O aparecimento de novos centros de interesse também se constitui como oportunidade na medida em que o próprio livro se consegue reinventar e oferecer, ele próprio, novos caminhos. Quando até há uns anos, o livro não tinha qualquer concorrência no processo motivacional proposto por pais e educadores, surgindo como o arquétipo do conhecimento, hoje, as novas tecnologias propostas pela Internet e por todas as valências a ela associadas oferecem um manancial de espaços motivacionais estimulantes, e mesmo viciantes, que não deixam espaço para o regresso ao livro, entendido, claro, como instrumento tradicional de leitura”. “É claro que o livro e a leitura não perderam o seu papel fundamental. Continuam a ser opções fundamentais na construção académica estruturada do conhecimento e da formação pessoal”, acrescenta o dirigente da ANDE.

Uma chave para novos mundos

Para Paulo Guinote, professor de Português, licenciado em História e doutorado em História da Educação, que durante anos geriu o blogue A Educação do Meu Umbigo, um dos mais lidos sobre temas educativos, os livros de estudos são como amigos que não magoamos, mesmo quando brincamos com eles. “Como qualquer outro ‘utensílio’ que usamos para uma função, mas não deitamos fora depois desse uso. Os livros de estudo são companheiros e, em simultâneo, cápsulas do tempo dos seus utilizadores, para quem podem constituir um inestimável e indispensável elemento de construção da memória e identidade pessoal. Os livros de estudo ajudaram-nos e ajudam-nos a sermos o que somos”.

Promover a leitura no suporte tradicional e tornar os livros mais acessíveis, com preços adequados, são caminhos possíveis. “O aumento dos níveis de leitura não passa por campanhas em que se anunciam futuros apenas digitais, desmaterializados e em que o objeto-livro de torna financeiramente pouco acessível. Há que adaptar o preço da oferta de forma a alargar a base da procura e não investir apenas num nicho estável de compradores recorrentes. O preço de certos livros para crianças e jovens é demasiado elevado, bastando comparar com o que é praticado em outros países (e estou a ter em conta a necessidade de pagar a tradução e os pagamentos de direitos de autor). Há livros a 12-15 euros de autores já no domínio público, quando em Inglaterra essas coleções têm preços de 3-5 euros. A inserção de algumas ilustrações não justifica a discrepância”, conclui.

Paulo Guinote olha para um livro como “uma chave que abre o acesso a um mundo novo, seja de conhecimentos sobre um dado tema, seja da imaginação dos autores”. “Um livro deve ser um ‘objeto’ que, quando aberto e interpretado, permite a transformação do seu leitor, trazendo-lhe uma mais-valia que deve ser mais do que meramente utilitária, contribuindo para o seu bem-estar e felicidade”.

Nunca gostou de escrever nos livros, a menos que fosse obrigado. Em seu entender, a apropriação do livro não passa necessariamente por sublinhar ou fazer anotações, práticas que, em seu entender, podem não interferir na relação com os livros. “Acho mais perigosa a ideia de ‘desmaterializar’ os manuais escolares, tornando-se algo imaterial e não manuseável pelos alunos. O livro foi ao longo do tempo um ‘espaço’ para o diálogo entre o seu conteúdo e o leitor, não sendo as anotações o mais importante. Acho que o ‘fim’ dos livros físicos é um atentado muito maior a essa relação de familiaridade”, comenta.

“O não estragar os livros nunca pode ser uma mensagem errada. O que deve sublinhar-se é uma utilização correta e responsável dos materiais escolares. Foi graças a isso que pude manter os meus livros da ‘Primária’ e ainda os ter, décadas depois. Mesmo se resolvi neles alguns exercícios. O livro não deve ser ‘sacralizado’ da forma errada. É um objeto que manuseamos, que exploramos, mas que não devemos estragar de forma desnecessária.”

O fim anunciado dos livros em suporte físico preocupa Paulo Guinote, mas, apesar da ameaça dos meios digitais, o professor verifica que a área infanto-juvenil é dos setores editoriais que mantêm maior dinamismo. “Uma coisa boa foi a promoção ativa da leitura a partir das escolas, o PNL é das medidas menos controversas na área da Educação, outra a permanência do gosto dos ‘miúdos’ por lerem num suporte tido como tradicional; por fim, uma terceira coisa boa é a qualidade média do que é editado, seja nacional ou importado. E não é apenas o fenómeno ‘Harry Potter’. O fenómeno menos bom é a insistência num discurso que parece estar sempre a anunciar o fim do livro tradicional e o suporte digital como o único ou dominante ‘no século XXI’. Quem isso faz, para além de objetivamente prejudicar o livro, é mais prisioneiro de algumas modas do que propriamente um profeta certeiro”, refere.

Fonte

 

O Lápis Mágico de Malala chega a Portugal

Dezembro 19, 2017 às 12:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 15 de novembro de 2017.

Livro da activista paquistanesa Malala Yousafzai é editado pela Presença.

O livro ilustrado para a infância O Lápis Mágico de Malala, da jovem activista paquistanesa Malala Yousafzai, Nobel da Paz em 2014, é editado este mês em Portugal.

Trata-se de um conto autobiográfico no qual a jovem tenta transmitir uma das maiores batalhas pela qual é conhecida: a defesa do direito das raparigas irem à escola e terem acesso à educação. Na história, Malala diz que sonhava ter uma lápis mágico para poder desenhar vestidos bonitos para a mãe ou para desenhar “meninas e meninos, todos eles com direitos iguais”.

Neste primeiro livro para a infância, Malala revela que, com o poder da escrita, conseguiu chamar a atenção internacional: “Escrevia sozinha no meu quarto, mas pessoas em todo o mundo liam a minha história. (…) Finalmente encontrei a magia que procurava, nas minhas palavras e no meu trabalho”.

Sobre o ataque que sofreu em 2012, quando foi atingida a tiro na cabeça por elementos do Movimento dos Talibãs do Paquistão, o livro é omisso, com Malala a escrever sob um fundo negro: “A minha voz tornou-se tão poderosa que os homens perigosos tentaram silenciar-me. Mas falharam.”

A jovem paquistanesa, que desde 2009 criticava a violência dos talibãs e defendia a educação das raparigas no Paquistão, sobreviveu ao atentado e recebeu vasto apoio da comunidade internacional.

Em 2014, com 17 anos, tornou-se na mais jovem personalidade a receber o Prémio Nobel da Paz, partilhado com o activista indiano Kailash Satyarthi, de 60 anos. Na cerimónia em Oslo, Malala prometeu lutar até que a última criança seja escolarizada.

A jovem vive actualmente no Reino Unido, onde neste ano lectivo entrou para a universidade.

O Lápis Mágico de Malala, que sai este mês pela Presença, tem ilustrações de Sébastien Cosset e Marie Pommepuy, que assinam em conjunto como Kerascoet. Em Portugal está ainda editado o livro Eu, Malala (2013), no qual a activista conta a história de vida, dirigida a um público

mais informações sobre o livro no link:

https://www.penguin.co.uk/ladybird/books/306664/malala-s-magic-pencil/

“A Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, com edição inédita em alemão

Novembro 11, 2017 às 4:37 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/ de 5 de novembro de 2017.

“A Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, com edição inédita em alemão

O conto “A Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, foi traduzido para alemão por Isabel Remer e é publicado ainda este mês numa edição bilingue pela Oxalá Editora.

“O livro vai ser lançado oficialmente em meados de novembro. É a primeira vez que o célebre conto da escritora portuguesa é traduzido para a língua alemã”, afirma a editora Oxalá, em comunicado enviado à agência Lusa.

“A Menina do Mar” é “um dos contos infantis mais conhecidos da escritora”. “Há muitos anos que os alunos portugueses o leem na escola” afirma a editora, recordando que a obra faz parte da lista do Plano Nacional de Leitura.

Autora profícua, Sophia de Mello Breyner Andresen morreu em 2004, e os seus restos mortais encontram-se sepultados no Panteão Nacional, em Lisboa.

Além de contos para crianças, como “A Menina do Mar”, Sophia é autora de uma vasta obra poética, teatro e ensaio.

A Oxalá Editora tem sede em Dortmund, na Alemanha, e “age globalmente no mundo lusófono, tendo por detrás a ampla experiência editorial do Grupo Portugal Post Verlag”, conclui o comunicado.

mais informações no link:

https://www.facebook.com/Oxal%C3%A1-Editora-Autores-da-Di%C3%A1spora-700061390123122/

José Fanha e António Torrado escrevem sobre Lousada para alunos do 4.º e 6.º ano – apresentação dos livros 12 outubro em Lousada

Outubro 12, 2017 às 2:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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http://www.cm-lousada.pt/pt/noticias/jose-fanha-e-antonio-torrado-escrevem-sobre-lousada

 

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