Dia Internacional do Livro Infantil 2017

Abril 2, 2017 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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texto do Facebook da DGLAB 

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL 2017

No dia 2 de abril comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen. A partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância.

Para assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil 2017, a DGLAB convidou o ilustrador João Fazenda, vencedor do Prémio Nacional de Ilustração do ano passado, para ser o autor do cartaz.

As imagens para impressão podem ser descarregadas no site do Livro/DGLAB, em http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/noticiasEventos/Paginas/DIA-INTERNACIONAL-DO-LIVRO-INFANTIL-2017.aspx

A mensagem do IBBY internacional, este ano da responsabilidade da Rússia, pode ser encontrada em http://www.ibby.org/awards-activities/activities/international-childrens-book-day/. O texto é da autoria do escritor Sergey Makhotin, e o cartaz do ilustrador Mikhail Fedorov, que pode ser descarregado em grande formato no link http://www.ibby.org/fileadmin/user_upload/poster_02.04.2017.pdf (tradução no site do Livro/DGLAB).

Simona Ciraolo: “Qualquer tema pode ser bom para um livro infantil”

Março 9, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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texto publicado no http://observador.pt/ no dia 20 de fevereiro de 2017.

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Ana Dias Ferreira

Ao terceiro livro, Simona Ciraolo escolhe olhar para “O Rosto da Avó” e escrever sobre envelhecimento, mesmo para crianças. Conversa com a autora que pinta magistralmente as relações familiares.

Cada ruga tem uma memória e é uma linha na história desta mulher. Uma ruga remete para a noite em que conheceu o marido, na montanha-russa, outra para o melhor piquenique que fez à beira-mar, com as amigas, outra ainda para uma manhã de primavera em que fez uma grande descoberta e viu uma gata a dar à luz. O mais recente livro da italiana Simona Ciraolo faz zoom no rosto de uma avó para contar uma história ternurenta sobre o envelhecimento. Depois de Quero um Abraço (2015) e O Que Aconteceu à Minha Irmã? (2016), O Rosto da Avó é o terceiro livro da também ilustradora publicado em Portugal. Pretexto para uma entrevista por e-mail entre Londres, Lisboa e Nova Iorque onde se tenta perceber como nasce a motivação para escrever livros para crianças.

Na dedicatória do seu primeiro livro Quero um Abraço escreveu: “Para a Pam e para o Martin, que me fizeram deitar mãos à obra”. Quem são eles e de que forma influenciaram o seu trabalho?

A Pam e o Martin são os maravilhosos professores que tiveram de testemunhar as minha lutas durante o mestrado [em ilustração de literatura infantil]. Sempre que tive crises de confiança eles souberam fazer-me sair da minha própria cabeça e ver as coisas sob outra perspetiva. Souberam sempre quando eu precisava de um bom pontapé no rabo, metaforicamente falando! Sem essa energia e sentido de humor tenho a certeza que teria perdido uma quantidade ridícula de tempo com pensamentos que não interessavam nada.

Li que se mudou para Londres depois da licenciatura em cinema de animação e que trabalhou em filmes e publicidade antes de estudar ilustração em Cambridge. Como é que começou a escrever livros para crianças?

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Adorei esses primeiros anos em animação, é uma indústria maravilhosa para se trabalhar por causa das pessoas que se conhecem. Por outro lado, os livros ilustrados são o amor da minha vida. Já os colecionava nessa altura e olhava para eles como a arte narrativa mais perfeita de todas. Nunca tinha sentido a necessidade absoluta de contar uma história usando a animação, ao passo que o formato de livro ilustrado fazia todo o sentido para as histórias que tinha na cabeça, e de forma muito natural. Daí ter decidido embarcar nessa aventura.

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Como é que se lembrou de ter um cato como protagonista do seu primeiro livro?

Quero um Abraço é a história de alguém muito sensível e com um grande coração que é profundamente mal interpretado e visto como defensivo. Enquanto estava a pensar nestas caraterísticas, a ideia de um cato surgiu-me e instantaneamente soube que ele ia ser perfeito para a história que eu queria contar.

Mesmo com uma planta, Quero um Abraço é uma história sobre família e amizade. Tendo em conta os seus dois outros livros publicados em Portugal, O Que Aconteceu à Minha Irmã? e O Rosto da Avó, podemos dizer que escreve sobretudo sobre relações humanas e familiares?

Sim, até agora os meus livros têm mostrado sobretudo os temas comuns às relações e às dinâmicas familiares. Gosto muito de observar a forma como as pessoas interagem umas com as outras, especialmente dentro das fronteiras de uma casa particular, onde todas as suas idiossincrasias são sublinhadas. Suponho que este interesse influencia inevitavelmente as minhas histórias.

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Primeiro um livro sobre uma irmã mais velha, depois outro sobre uma avó inspiradora. Estas histórias são autobiográficas? Qual foi a ideia por trás de cada uma delas?

Os meus livros não são autobiográficos, mas escrevo sempre sobre sentimentos e emoções com os quais me consigo relacionar, direta ou indiretamente. Gosto de imaginar uma personagem numa situação específica e como é que isso a faria sentir. O que quer que a motiva parece-me tão real, tão tangível, que acabo por gostar das personagens como se fossem entes queridos.

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Normalmente como é que identifica um bom tema? É a história que surge primeiro ou o universo visual?

Uma ideia que vale a pena perseguir é uma que me envolva de forma profunda. Normalmente tenho um “pressentimento” em relação à história que quero contar e, apesar de todo o trabalho envolvido entre o primeiro rascunho e a obra acabada, consigo sempre reconhecer esse primeiro “pressentimento” no livro final. A narrativa vem sempre primeiro, enquanto a imagética nasce em resposta aos requisitos da história.

Como é que gostava que as pessoas lessem os seus livros?

Espero que os leitores os achem honestos e que as personagens pareçam humanas, credíveis. Para além disso, espero que cada leitor encontre a sua própria forma de se relacionar com estas histórias e as experiências que são narradas. Acho que os meus livros podem ser lidos de formas muito diferentes, consoante se seja criança ou adulto, mas há pessoas da mesma faixa etária que parecem dar ênfase a aspetos diferentes de uma história e já recebi interpretações bastante pessoais do mesmo livro. Adoro ver como as minhas histórias são filtradas através das experiências de outra pessoa.

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Envelhecer, ou a passagem do tempo, não são assuntos fáceis. Teve sempre confiança que dariam um bom livro para crianças?

Lembro-me de ter noção da passagem do tempo quando ainda era bastante pequena. Muitas vezes pensava nisso com impaciência, mas por vezes invadia-me uma sensação de perda eminente. À partida (espero), a maioria das crianças não tem tanta noção disto como eu tinha e se calhar, para algumas delas, O Rosto da Avó vai ser a primeira oportunidade de pensar neste conceito e irão reconhecer uma abordagem positiva do assunto. Talvez alguns miúdos não estejam preparados e regressem ao livro mais tarde. Acredito que qualquer tema pode ser bom para um livro infantil, mas a criança tem de encontrá-lo no tempo certo para ela.

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Falando da ilustração, como é que descreve o seu universo e a sua técnica?

Acredito que as ilustrações de um livro têm de servir a narrativa: afinal de contas, uma boa parte da história é contada através dos desenhos. Quando estou à procura da melhor abordagem a adotar para um livro em particular, procuro indicações no tom do texto mas também nas coisas que o texto não diz mas que estão implícitas — essas coisas têm de passar através das ilustrações. Por outro lado, se o texto nos está a dizer como é que uma personagem se está a sentir, posso querer usar as cores no desenho para dizer aos leitores que vai ficar tudo bem, ou seja, para tranquilizá-lo. A cor é apenas um exemplo: todos os elementos num desenho transportam uma qualidade expressiva, por isso quando estou a desenhar uma página tento explorar a força das marcas do lápis, o espaço livre à volta de uma figura, até o branco no papel, para me ajudar a atingir não só um efeito estético agradável mas também transmitir a atmosfera emocional certa.

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No novo livro, por exemplo, é muito bonita a maneira como faz zoom na cara da avó ou como transforma as suas memórias em desenhos tão coloridos e cheios que quase saem das páginas.

Para este livro funcionar eu tinha de criar duas dimensões temporais separadas e precisava que esta distinção fosse inequívoca. O espaço em que a menina está com a avó tinha de parecer íntimo, enquanto eu pretendia que o reino das memórias se destacasse pela sua riqueza, por estar cheio de vida e carregado com estas emoções todas. Encontrei esta solução muito cedo na história e apesar de não ter a certeza se seria capaz de desenhar o rosto da avó com a graciosidade que tinha em mente, sabia que era um desafio a ultrapassar para poder criar um livro que celebra verdadeiramente a idade e a experiência.

 

 

 

6 livros e desenhos que explicam a crise de refugiados para crianças

Março 7, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Texto do site https://www.nexojornal.com.br/de 1 de fevereiro de 2017.

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Tatiana Dias 01 Fev 2017 (atualizado 01/Fev 14h18)

O que leva uma pessoa a precisar fugir de seu país de origem? Essas obras tentam explicar a complexa questão para crianças

A crise dos refugiados é um problema complexo até para os adultos. Como explicar para as crianças, então, as razões que levam milhões de pessoas a fugirem de suas cidades e países? Algumas obras tentam adaptar o tema complexo ao entendimento infantil. E explicam, de maneira lúdica e sem caírem no simplismo, as razões das guerras e o seu impacto sobre as pessoas. São obras produzidas por especialistas, por entidades e até mesmo pelas próprias crianças refugiadas que mostram, através de sua visão e percepção do mundo, a realidade da guerra. A Organização das Nações Unidas estima que, hoje, 65 milhões de crianças estejam na condição de refúgio, a maior parte por causa da guerra da Síria, iniciada em 2011. É considerado refugiado quem deixa seu país em razão de guerras ou perseguições, sejam políticas, religiosas ou étnicas. Abaixo, o Nexo listou algumas das iniciativas que podem ajudar a explicar melhor o tema ao público infantil:

A crise dos refugiados para crianças

1 ‘Um outro país para Azzi

O livro narra, em quadrinhos, a história de uma família que precisa viajar às pressas para ter uma vida mais segura. Azzi é uma garota que precisa aprender uma nova língua, fazer novas amizades e lidar com a saudade dos parentes que ficaram para trás. A história foi escrita com base na experiência da autora, Sarah Garland, que conviveu com famílias de refugiados. Ela explicou em texto — publicado pela Editora Pulo do Gato — que optou por fazer o livro para quebrar as barreiras do idioma e contar as histórias das famílias de refugiados que conheceu em uma viagem à Nova Zelândia. A personagem Azzi é baseada em um livro de memórias de uma garota judia e em imagens vistas em uma biblioteca neozelandesa.

2. Drawfugees

O projeto documenta e apresenta desenhos criados pelas próprias crianças refugiadas — “draw”, em português, é “desenhar”. Com lápis e papel, elas mostram a sua visão sobre a própria condição: a saudade de casa, o barco em que viajaram e os planos para o futuro. O projeto foi criado por um brasileiro, o fotógrafo André Naddeo, que é voluntário em campos de refugiados na Grécia e publica em inglês, para facilitar a difusão do material.

Seva Abas, 11, Síria: ‘Outro dia alguém comprou balões para nós aqui no acampamento. Foi muito divertido. Então eu decidi desenhar toda a minha família, porque no dia que eu encontrar meu pai de novo (ele está na Suíça) nós vamos fazer uma grande festa. E vou abraçá-lo tanto!’

Seva Abas, 11, Síria: ‘Outro dia alguém comprou balões para nós aqui no acampamento. Foi muito divertido. Então eu decidi desenhar toda a minha família, porque no dia que eu encontrar meu pai de novo (ele está na Suíça) nós vamos fazer uma grande festa. E vou abraçá-lo tanto!’

3 ‘A Cruzada das Crianças’

O livro de Bertolt Brecht narra a viagem de crianças órfãs em busca de um lar durante a Segunda Guerra Mundial. A história mostra a dificuldade em se refugiar e conseguir um lar em segurança. Em 2014, a Editora Pulo do Gato lançou uma versão do livro em português.

4 ‘A viagem‘

O livro, inspirado em relatos reais de refugiados, fala sobre a busca de uma família por um novo lar. As ilustrações são da própria autora, Francesca Sanna. No Brasil, o livro foi publicado pela V&R em 2016.

5 Unfairy Tales

É uma série de animações produzidas pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) com o intuito de humanizar as crianças refugiadas. O nome da série, em português, significa “Contos de fadas injustos”. O título brinca com a palavra “fairy” (fada) e “unfair” (injusto). Os três filmes contam a história de diferentes crianças afetadas pela guerra: Ivine, 14 anos, é uma menina síria que precisou deixar o seu país de origem rumo à Alemanha. Sua aventura em direção à Europa, acompanhada de seu travesseiro, acaba de se tornar um desenho animado.”Malak e o Barco” narra a viagem de uma menina em um barco furado. E “Mustafa” mostra as dúvidas que surgem na cabeça de um garoto logo após deixar a sua casa: quem serão os seus amigos?

6 Uma viagem por um garoto de 16 anos

Um adolescente sírio de 16 anos narrou, em desenhos, sua viagem solitária até a Europa. Identificado publicamente com o nome fictício de “Omar”, o adolescente foi preso tentando entrar ilegalmente no Reino Unido. A “BBC” transformou os desenhos dele em uma animação, legendada em português.

 

 

 

 

Farto da Elsa? Chegou a Coleção Antiprincesas

Março 5, 2017 às 7:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia do http://observador.pt/de 1 de março de 2017.

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A escritora brasileira Clarice Lispector é uma das quatro mulheres sul-americanas cuja vida é agora contada a um público infanto-juvenil. Pitu Sáa

 

Ana Dias Ferreira

Em vez de castelos e superpoderes, uma nova coleção de livros conta a história de mulheres reais que conseguiram ser extraordinárias. Frida Kahlo e Clarice Lispector são duas das “antiprincesas”.

Não usam tiaras e não têm superpoderes mas mudaram o mundo à sua maneira. Frida Kahlo, Clarice Lispector, Violeta Parra e Juana Azurduy são as quatro heroínas de uma nova coleção infanto-juvenil “para meninos e meninas” que chega dia 3 de março às livrarias. “Quatro mulheres do mundo real para combater estereótipos de género junto dos mais novos”, lê-se na apresentação da coleção batizada, sugestivamente, de Coleção Antiprincesas.

“Contamos histórias de mulheres porque sabemos de muitíssimas histórias de homens importantes, mas não tantas de mulheres. Conhecemos algumas histórias de princesas, é certo, mas quão longe da nossa realidade estão essas raparigas que vivem em castelos enormes e frios? Há muitas mulheres que quebraram os padrões da sua época, que não se resignaram a desempenhar as funções que a sociedade lhes impunha (os maridos, os pais, os irmãos mais velhos) e seguiram o seu próprio caminho”, escreve Nadia Fink, jornalista argentina que teve a ideia da coleção — editada originalmente pela conterrânea Chirimbote — e assina todos os textos.”

Para começar são quatro livros, um por cada uma destas mulheres, escritos com uma linguagem acessível e ilustrados a cores (com recurso a algumas imagens reais) pelo também argentino Pitu Sáa. Em Portugal a edição está a cargo da Tinta da China — numa parceria com a EGEAC e o programa Lisboa por Dentro — e a 8 de março, Dia da Mulher, há direito a lançamento no Cine-Teatro Capitólio, no Parque Mayer.

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Da pintura à literatura, passando pelas lutas políticas e a música, estas são quatro histórias inspiradoras que não podiam estar mais longe do “viveram felizes para sempre” da Disney e dos poderes mágicos de Frozen. Por isso mesmo, a primeira coisa que se vê quando se abrem os livros são as pernas de Branca de Neve, reconhecíveis pela enorme saia amarela, a irem embora para dar lugar a outras mulheres que “não se deixaram ficar à espera e, com vontade de ir mais longe, procuraram compreender o mundo de outra maneira, superar obstáculos e deixar uma obra que está para lá do tempo”. Sem tiaras nem coroas mas com muitas outras coisas na cabeça.

Quem são estas antiprincesas?

Antiprincesa nº 1: Frida Kahlo

Exemplo de força e de um imaginário sem igual, Frida Kahlo usou cores fortes para pintar o sofrimento da sua vida. Resumindo com a mesma linguagem acessível do primeiro livro da coleção — e que poupa os leitores mais pequenos, e bem, aos pormenores do famoso acidente que a deixou com a coluna partida (contados magistralmente por Alexandra Lucas Coelho num outro livro da Tinta da China, Viva México) –, Frida nasceu em 1907 mas preferia dizer que tinha nascido em 1910 “porque foi nesse ano que os camponeses começaram uma grande revolução no seu país, e por isso decidiu que ela e o novo México tinham nascido juntos”. Teve uma perna defeituosa, motivada por uma doença aos seis anos (poliomelite), e ficou presa à cama e com as costas engessadas depois do autocarro onde viajava ser esmagado por um elétrico, aos 18 anos. Para a entreter, a mãe montou um cavalete e um espelho sobre a cama: “A princípio, Frida enfurecia-se por se ver tão imóvel, mas acabou por decidir que seria a sua própria modelo. (…) Começou assim a pintar auto-retratos. E, para que a acompanhassem na solidão, acrescentava animais: nas suas pinturas passeavam macacos, cães, veados e papagaios.” Ao longo da vida pintou-se a si própria e ao México, ao muralista Diego Rivera, com quem casou, aos animais que a acompanhavam na grande Casa Azul, hoje uma casa-museu, e às lutas sociais.

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Antiprincesa nº 2: Violeta Parra

Menos conhecida dos leitores portugueses, Violeta Parra foi uma artista chilena que viajou pelo seu país de guitarra ao ombro, para ouvir e salvar do esquecimento as canções tradicionais do Chile. Nascida em 1917, numa família pobre, aprendeu a tocar sozinha, imitando os pais às escondidas (eles eram músicos de folclore mas já lhe tinham dito: “nada de ganhar a vida com a música”). Teve de usar saias feitas de cortinados e cantar na rua, em troca de esmola, encontrou e perdeu o amor em Santiago do Chile, para onde se mudou à procura de uma vida melhor, e percorreu as zonas mais recônditas do país, muitas vezes com os filhos pequenos, para ouvir e gravar, da boca dos mais velhos, as canções tradicionais que já estavam a desaparecer. “A minha única vantagem é que, graças à guitarra, pude deixar de descascar batatas. Porque eu não sou ninguém. Há muitas mulheres como eu por todo o Chile” é uma das suas frases citadas no livro. Outra, para terminar: “Eu não quero exibir-me. Quero cantar e ensinar uma verdade, quero cantar porque o mundo vale a pena e está mais confuso do que eu.”

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Antiprincesa nº 3: Juana Azurduy

A ser uma princesa da Disney, Juana Azurduy seria Mulan (ou Mulan é Azurduy, melhor dizendo). Guerreira e heroína nascida em 1780, foi uma espécie de Joana D’Arc da Bolívia que pegou na espada para lutar pela libertação do seu país, na altura colonizado pelos espanhóis. História e mito cruzam-se no livro, mas há factos que é possível balizar: aos 17 anos entrou num convento, “para onde as mulheres da altura iam para se tornarem freiras ou para estudarem”, mas foi expulsa pouco tempo depois. Casou aos 19 anos com um lavrador e juntos batalharam pela independência, ao lado dos guerrilheiros. Juana lutava a cavalo e armada com pistolas e um sabre, numa altura em que as mulheres não eram permitidas no exército. Não só lutava como um dia teve de salvar o marido que tinha sido feito prisioneiro, invertendo a ordem das histórias dos cavaleiros que salvam princesas de dragões em castelos. Comandou um esquadrão chamado Os Hussardos, teve cinco filhos — terá mesmo combatido grávida e com a filha recém-nascida nos braços — e depois da morte do marido, Manuel Padilla, numa batalha, foi lutar para a Argentina, tendo regressado à Bolívia com a independência do país, em 1824.

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Antiprincesa nº 4: Clarice Lispector

Mais do que antiprincesa, “esta brasileira considerava-se ‘anti-escritora’, porque não gostava de estruturas, das coisas académicas, nem de regras, e escrevia onde e como podia: em papelinhos, guardanapos ou com a máquina de escrever no colo, enquanto os filhos corriam e ela atendia o telefone e os ajudava com os trabalhos de casa”, lê-se na primeira página do quarto livro da coleção. Fascinante na obra e na personalidade, Clarice Lispector é o tipo de mulher difícil de resumir — até Benjamin Moser, que assinou uma monumental e excecional biografia sobre a escritora (publicada em Portugal pela Civilização, em 2010), dizia que Clarice é como a esfinge, um mistério difícil de desvendar. De “olhar felino”, como escreve Nadia Fink, Clarice Lispector nasceu em 1920, na Ucrânia, e foi para o Brasil com um ano, no navio que os pais, judeus, tiveram de apanhar para fugir das perseguições anti-semitas. Desde pequena gostava de inventar histórias com as amigas, sobretudo de contos que não tinham fim. “Quando chegava em um ponto impossível, por exemplo, todos os personagens mortos, eu pegava. E dizia: ‘Não estavam bem mortos.’ E continuava.” Ao longo da vida escreveu romances (muitos com o famoso final aberto, todos desconcertantes), livros infantis protagonizados por animais (estão publicados pela Relógio D’Água) e crónicas nos jornais para ganhar a vida, sobretudo depois de se divorciar do diplomata com quem tinha casado e regressar ao Brasil. O melhor será ficar com as palavras da própria Clarice, citada no livro anti-princesas, e esperar que a sua leitura incite os mais jovens a descobrirem-lhe a obra: “Escrever é usar a palavra como isca, para pescar o que não é palavra.”

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“Histórias Assim” para ler e partilhar em voz alta

Janeiro 10, 2017 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Texto do http://www.dn.pt/ de 30 de dezembro de 2016.

Taffy, a protagonista de dois contos de Rudyard, pelo traço do ilustrador Sébastien Pelon   |  Sébastien Pelon

Taffy, a protagonista de dois contos de Rudyard, pelo traço do ilustrador Sébastien Pelon
| Sébastien Pelon

Com ilustrações de Sébastien Pelon, os 12 contos que Rudyard Kipling escreveu para contar à filha já estão disponíveis em português, num só volume.

Como arranjou a baleia a sua garganta, porque tem o camelo uma bossa, porque é que os rinocerontes têm mau feitio e grandes pregas na pele? A resposta a estes e vários outros fenómenos ou simples acontecimentos do dia-a-dia surge no livro Histórias assim, que reúne doze contos do escritor inglês Rudyard Kipling num só volume.

Não se espere explicações complexas nem muito convencionais. Afinal, trata-se de contos originais de um dos maiores e mais inovadores escritores de literatura infantil, não de um livro científico. E embora com alguma veracidade, muitas das explicações são bastante fantasiosas. E mágicas.

Na origem destes contos que respondem a dúvidas que inquietam as mentes dos mais novos estão histórias que Rudyard, o primeiro autor inglês a ser distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1907), escreveu para à noite contar à sua filha Josephine. E surge no seguimento de O Livro da Selva, a sua obra mais popular, publicada em 1894, dois anos após o nascimento da rapariga. No caso da história protagonizada pelo pequeno Mowgli, num dos exemplares da primeira edição foi mesmo encontrada uma nota que comprovava a identidade do destinatário da produção literária de Kipling: “Este livro pertence a Josephine Kipling para quem foi escrito pelo seu pai.”

A explicação do título, Histórias assim (Just so Stories, no original, publicado em 1902, três anos após a morte da filha), também está relacionada com Josephine: as palavras usadas tinham de ser exatamente aquelas a que ela estava habituada.

E a tradução do livro, de Ana Mafalda Tello e João Quina, recentemente coeditado em Portugal pela Bertrand Editora e pelo Círculo de Leitores, mantém essas mesmas palavras, mesmo que algumas sejam pouco utilizadas atualmente e sendo o livro para um público infantil. Topete, badejo, tamariscos, drávido são palavras a procurar no dicionário antes de iniciar a leitura em voz alta para se ter resposta pronta porque o mais certo é os pequenos ouvintes terem uma curiosidade tão insaciável como o Elefante, do conto O filho de elefante.

Dizer que estas histórias são para partilhar é pôr em evidência a forma como foram escritas, interpelando quem as ouve – “Era uma vez, no fundo do mar, ó Mais-que-Tudo” -, passadas “no princípio dos tempos” ou “há muito, muito tempo” em épocas tão distantes quanto mágicas em que “a pele do rinoceronte se abotoava no ventre com três botões” e o elefante não tinha tromba, “só um nariz escuro e volumoso, do tamanho de uma bota”. E em locais tão reais como o mar Vermelho ou imaginários como “as desoladas Terras Completamente Desabitadas do Interior”, atravessadas pelo “grande, esverdeado e lamacento rio Limpopo” onde “há sorrisos que dão a volta à cara duas vezes”.

Segundo a editora, Ana Lúcia Duarte, do Círculo de Leitores, Histórias assim “tem todos os contos originais, só não se mantiveram os poemas que existiam no final de cada conto, por estarem ligados às ilustrações que o próprio escritor fez e que não são aqui reproduzidas, tendo-se antes optado pelas ilustrações de Sébastien Pelon, ao mesmo tempo doces e cheias de malícia”.

Aliás, estas características das ilustrações acompanham o tom das histórias de Rudyard Kipling que são também pontuadas de bom humor. Veja-se, por exemplo, o nome da protagonista de dois dos contos (Como se escreveu a primeira carta e Como se inventou o alfabeto) Taffimai Metallumai “que significa “Pequena-sem-maneiras-que-merecia-uma surra”; mas nós, Mais-que-Tudo, vamos chamar-lhe Taffy”. Ora, a pequena Taffy é, muito provavelmente, Josephine. E foi ela quem escreveu a primeira carta (desenhada), num pedaço de casca de bétula, com um dente de tubarão. Ela, que também inventou o alfabeto, é apenas uma das muitas personagens “de que o autor troça com ternura, para nos revelar a sua humanidade e as suas fraquezas”, como assinala Ana Lúcia Duarte no prefácio. Para descobrir ao longo desta 110 páginas.

mais informações sobre o livro no link:

http://www.bertrand.pt/ficha/historias-assim?id=17946814

 

 

Nascidos para ler

Janeiro 10, 2017 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto da http://www.paisefilhos.pt/ de 2 de janeiro de 2017.

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Escrito por Ana Sofia Rodrigues

Quando, em junho de 2014, a Academia Americana de Pediatria recomendou a leitura para bebés desde o nascimento, não foram poucos os que ficaram surpreendidos. A pediatra Pamela C. High, autora da nova conduta, revelava que “fortes evidências mostram que o facto de o pediatra, durante a consulta, recomendar a leitura em casa, pode fazer a diferença na vida das crianças e das suas famílias”. Uma confirmação científica que se baseou em inúmeros estudos que comprovam que ler para um bebé, desde o nascimento, estimula o cérebro de uma forma única e reforça o vínculo entre pais e filhos. Os efeitos desta “terapêutica” são unânimes: desenvolve a atenção, a concentração, o vocabulário, a memória e o raciocínio; estimula a curiosidade, a imaginação e a criatividade; ajuda a criança a perceber e a lidar com os sentimentos e as emoções; possibilita conhecer mais sobre o mundo e as pessoas; auxilia no desenvolvimento da capacidade de empatia; estimula o desenvolvimento da linguagem oral… além de criarem-se as fundações de um prazer incomparável para a vida.

Leituras intrauterinas
Antes desta recomendação, as práticas de promoção da leitura junto de pré-leitores (crianças entre os zero e os seis anos) eram já uma realidade consolidada em diversos países, integrando mesmo políticas oficiais. Desde os anos 90 do século passado, a escritora brasileira Alessanda Roscoe desenvolve inclusivamente programas de leitura ainda em útero, com grupos de grávidas que convocam a sua família para ler para o bebé, ainda na barriga da mãe. “Aletramento Fraterno” é a sua proposta mais recente, defendendo que os livros são o leite da alma e que estimular o hábito da leitura numa criança é uma tarefa que pode envolver toda a família. De facto, estudos mostram que o bebé, ainda em útero, já é capaz de captar as vibrações emitidas pela voz da mãe e consegue identificar a emoção das suas palavras. Após o nascimento, a missão é continuar. E apesar de a criança ainda não compreender o significado das palavras, elas servem como estímulo para o seu desenvolvimento.

Rimas de encantar
Infelizmente, ainda é comum a ideia de que se o bebé não percebe o que lhe estamos a ler, então não vale a pena fazê-lo. Muitos pais não compreendem a utilidade de um hábito tão precoce e também não sabem como pô-lo em prática. Dora Batalim, doutoranda de Literatura Infantil na Universidade Autónoma de Barcelona e coordenadora da Pós-Graduação em Livro Infantil da Universidade Católica, surpreende ao defender que “a primeira grande literatura, importantíssima para os bebés, são as lengalengas, as canções de embalar, as rimas infantis, os jogos de mãos e de corpo. É um mundo genial. Se não tivéssemos livros para bebés, este universo chegaria”. Tão balalão, cabeça de cão, orelhas de gato, não tem coração… Janela, janelinha, porta, campainha. Trrrimmm… Mão morta, mão morta, vai bater àquela porta… “Antigamente, as avós não tinham cursos de contadores de histórias, nem de mediação de leitura, nem liam blogues a explicar como se deve fazer… e faziam tudo”, reforça com graça. Estes textos que se repetem ao longo do dia, ditos por caras conhecidas, dão uma segurança e um vínculo ao bebé que ele adora. “Eles gostam e acalmam-se porque a maioria destas toadas está relacionada com os ritmos do bater do coração e da circulação sanguínea, que eles escutavam na barriga da mãe”, explica Dora Batalim. No entanto, muitos pais atuais já não as ouviram e não dominam esse reportório. Para eles, pedimos a esta especialista que indicasse algumas obras a que pudessem recorrer. “Já há bons livros que reúnem canções e rimas tradicionais, inclusivamente musicadas com CD a acompanhar. Por exemplo: ‘Rimas e Jogos Infantis’ (Raiz Editora/Lisboa Editora), ‘Cantar Juntos 1’ (Estúdio Didático/A PAR) e ‘Sementes de Música’ (Caminho)”. Ficam as sugestões.

Dieta variada
Depois deste “banho” de tradição oral, por que livros se pode então começar? Lamentavelmente, a publicação de autoria portuguesa dirigida a bebés é praticamente inexistente, mas algumas editoras já incluem nos seus catálogos várias traduções muito interessantes. Dora Batalim fica encantada com as potencialidades dos livros para a faixa etária dos zero aos dois anos. “A literatura para bebés é como se fosse um microcosmo: o que funciona ali é verdade para o resto”. Ao contrário do que se poderia pensar, a escolha do que comprar para os mais novos deveria ser muito exigente. “Normalmente, as pessoas reduzem a equação livros para bebés a livros muitíssimo básicos, mais ligados a jogo do que a fruição estética. E os pais esperam que sejam livros que ensinem coisas. Precocemente, há uma grande necessidade de injetar logo conhecimento científico! São as cores, as formas, os opostos…”, descreve Dora Batalim. Além disso, “há uma perseguição muito grande do texto verbal, pois o adulto não tem uma relação muito clara com a imagem. Não sabe lê-la, não está habituado e acha que as imagens estão ali ou para enfeitar ou para explicar melhor as palavras”. Pelo contrário, nos livros infantis mais atuais, as imagens formam textos autónomos, complementares, até divergentes do texto verbal e isso é uma riqueza a explorar.

A escolha dos livros para bebés deveria ser “uma dieta muito variada, ao nível das tipologias e das funções que desempenham, mas também ao nível das representações”. No início, Dora sugere começar com ofertas muito tranquilas, com uma progressão na intensidade das emoções. Com representações gráficas “muito limpas”, mas não necessariamente “abebezadas”. Com funções diversas: uns que ajudem o bebé a entender o mundo e a si próprio, outros puramente estéticos, uns com narrativas para cultivar as emoções, outros ainda para explorarem sozinhos com todos os sentidos. “Para que os livros sirvam de mapa seguro de começo no mundo”.
Não é difícil identificá-los. São livros com poucas páginas, pois o tempo de concentração dos bebés é muito curto, muitos são cartonados com pontas arredondadas, as imagens apresentam-se em grandes dimensões, as temáticas são familiares ao universo do bebé (alimentação, meios de transporte, animais, vestuário…), apelam ao contacto físico, o discurso verbal é simples, muitas vezes rimado e interpelativo e os textos recorrem a repetições, refrões, onomatopeias, jogos de sons e palavras.

Pontes literárias
Não há dúvida que os pais devem funcionar como exemplos e modelos de leitores e a leitura deve surgir habitualmente em casa, associada a momentos de prazer, encontro e afetividade. E quando os pais não são leitores? “Um filho é uma desculpa para fazermos o que nunca fizemos. Em nome dele, transformamo-nos”, defende Dora Batalim. Mas, sem prática, essa iniciação pode ser difícil. É precisamente na criação de pontes entre as famílias e os livros, que as bibliotecas representam um papel muito importante. Como? Criando programas, espaços e contextos específicos para a promoção precoce da leitura. Joaquim Mestre foi um dos impulsionadores do novo conceito de biblioteca, no início dos anos 90, em Beja. Referindo-se às “bebetecas”, costumava defini-las de uma forma inspiradora: “A bebeteca funciona como um imenso útero materno, com vários cordões umbilicais ligados ao bebé, aos pais e aos livros, como se fossem um complexo sistema de vasos comunicantes”. Susana Silvestre, atual responsável pelas bibliotecas municipais da Câmara de Lisboa, dedica-se à importância de partilhar livros com bebés há cerca de 16 anos. Primeiro, na Biblioteca de Odivelas e, agora, em Lisboa, promove programas continuados de promoção de literacia emergente. Ao longo de seis meses, de 15 em 15 dias, “tentamos fazer pais leitores, que consigam dominar as ferramentas para eles próprios serem mediadores de leitura em casa. E não fazemos em mais locais, pois os promotores de leitura ainda não se sentem à vontade com estas idades”, reconhece. As listas de espera são imensas, mostrando a necessidade de formação que muitos adultos sentem nesta área. “Verificámos, por exemplo, que os pais não se sentem à vontade com os álbuns de imagens ou com livros com poucas palavras”, destaca Susana Silvestre. Com um trabalho personalizado, são dadas ferramentas aos pais, apostando no prazer da leitura partilhada. “Os pais não devem ler para os bebés só porque é bom para eles aprenderem a ler mais depressa. Sou contra aos pais estarem a contar uma história sem prazer. Têm que se criar momentos de alta qualidade, mesmo que sejam menos do que a ‘literatura’ manda…” Para tal, a escolha dos livros pode representar um papel muito importante. “Os livros escolhidos devem ser objetos de prazer para pais e filhos”. Para tal, Susana Silvestre aconselha a que os adultos “não fiquem presos à indicação etária habitualmente presente na contracapa” e experimentem livros inusitados.
Também no caminho da leitura, os pais são chamados a um papel fundamental, transformando-a num hábito relevante. Leva tempo e exige afeto, dedicação, partilha, prazer, encanto e cumplicidade. Mas vale muito a pena.

São poucas, mas as lojas de literatura infantil são pequenos oásis, para pais e filhos.

Essenciais, segundo Dora Batalim

– “Eu Vejo”, “Eu Ouço”, “Já Sei” e “Eu Sinto”, de Helen Oxenbury (Gatafunho)
– “Primeiros Livros”
(Coleção de mini-livros),
de Stella Baggot (Edicare)
– “A Primeira Biblioteca do Bebé”,
de Madeleine Deny e Marianne Dubuc (Edicare)
– “As Roupinhas do Martim”,
de Xavier Deneux (Edicare)
– “Será… Um Caracol?”, “Será… Um Rato?”, “Será… Um Gato?”, “Será… Uma Rã?”, de Guido Van Genechten (Gatafunho)
– “Aí Vou Eu” e “Pequeno
Ou Grande”, de Hervé Tullet (Gatafunho)
– “Miffy” (vários títulos), de Dick Bruna (ASA)
– “As Estações”  e “O Balãozinho Vermelho”, de Iela Mari (Kalandraka)
– “Todos no Sofá”, de Luísa Ducla Soares e Pedro Leitão (Livros Horizonte)
– “Boa viagem bebé!”, de Beatrice Alemagna (Orfeu Mini)
– “A Lagartinha Muito Comilona”,
de Eric Carle (Kalandraka)
– “Tanto, Tanto!”, de Trish Cooke (Gatafunho)

Casas de livros

Aqui há Gato
Rua Dr. Mendes Pedroso, 21 – Santarém

Cabeçudos
Rua António Lopes Ribeiro, 7A – Lisboa

Gigões & Anantes
Rua Dr Nascimento Leitão, 30 – Aveiro
http://www.facebook.com/gigoeseanantes

Hipopótamos na Lua
Rua Gomes de Amorim, 12-14 – Sintra

Livro Voador

Av. Menéres, 536 – Matosinhos

Mercado Azul

Rua Calouste Gulbenkian, 419, R/C – Guimarães

O Bichinho do Conto

Estrada dos Casais Brancos, 60 – Óbidos

Salta Folhinhas

Rua António Patrício, 50 – Porto

 

 

 

Beatrix Potter: A rebelde obediente que mudou a literatura infantil

Agosto 25, 2016 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 22 de agosto de 2016.

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Beatrix Potter Cortesia da PIM

Maria João Monteiro

A escritora e ilustradora britânica nasceu em 1866. Para assinalar os seus 150 anos, são editados pela primeira vez em Portugal os Contos Completos.

“Era uma vez quatro coelhinhos, e os seus nomes eram Florinda, Melinda, Rabinho-de-Algodão e Pedro”. Assim começa Pedro Coelho, um dos mais celebrados contos infantis de todos os tempos, com 45 milhões de cópias vendidas em todo o mundo e traduzido em mais de 36 línguas. No ano em que se celebram os 150 anos do nascimento de Beatrix Potter, foram emitidos dez novos selos pelo Royal Mail, no Reino Unido, com algumas das suas personagens mais emblemáticas, como o próprio Pedro Coelho, o Esquilo Trinca-Nozes e a Senhora Pica-Pisca. Que passaram, também, a ter um nome em português, já que a efeméride proporcionou, finalmente, a edição em Portugal do primeiro dos quatro volumes de Contos Completos que reúnem a totalidade do seu trabalho literário.

“São histórias fáceis de se gostar pelo aprumo estético que atrai as crianças e pelos piscares de olhos que fazem à inteligência dos pais”, diz o coordenador editorial Vladimiro Nunes, da editora PIM, uma nova chancela criada em parceria entre a Ponto de Fuga e a Europress. A publicação dá-se ao mesmo tempo que o Canal Panda está a transmitir A História do Pedrito Coelho. Carlos Vintém, da PIM, refere que é importante levar os grandes autores do passado às novas gerações, assoberbadas pela tecnologia. “Queremos que estes contos criem hábitos de leitura”, afirma o editor.

Pedro Coelho, o coelhinho de casaco azul que desobedece à mãe e vai comer as hortaliças do quintal do Sr. Gregório, Trinca-Nozes, o impertinente esquilo vermelho que tenta escapar à fúria do Senhor Pena-Parda, e a Senhora Pica-Pisca, a ouriço-cacheiro que leva roupa lavada aos animais com a ajuda de Lúcia, são algumas das criações mais marcantes de Beatrix Potter. E é um legado que continua bem vivo na sua antiga casa em Hill Top, no condado verdejante da Cúmbria, que pouco mudou desde que morreu em 1943.

Propriedade do National Trust, a casa de Beatrix Potter recebe todos os anos mais de dois mil visitantes de todo o globo ansiosos por explorar os locais que inspiraram as famosas ilustrações dos seus livros. Uma das nacionalidades que mais visita a casa é o Japão, porque é comum no país usar Pedro Coelho para ensinar inglês. “Todos os japoneses gostam muito da natureza e, quando li o conto, quis vivenciar um cenário tão bonito”, disse uma das visitantes japonesas à BBC News.

Filha de um casal da alta burguesia e a mais velha de dois irmãos, Beatrix Potter teve uma infância solitária e foi educada em casa por preceptoras, de acordo com os princípios da era vitoriana. Aprendeu Pintura e História Natural, sem descurar o gosto por contos de fadas, rimas e lengalengas. E começou, então, a explorar o exterior de caderno e máquina fotográfica na mão, rabiscando plantas e animais como ratos, coelhos e ouriços-cacheiros. “Encontrava um escape na criatividade e na observação da Natureza. Não há escape melhor do que a imaginação”, reconhece Vladimiro Nunes.

Foram os Verões passados em Dalguise, na Escócia, e no Lake District, em Inglaterra, que deram a Beatrix um refúgio face às obrigações familiares e às restrições de género em vigor na sua época. Entre 1881 e 1897, manteve um diário ilustrado com um código por si inventado que apenas foi desvendado em 1958, após a sua morte, aos 77 anos. Linda J. Lear, historiadora e autora do livro Beatrix Potter: A Life in Nature, explica ao PÚBLICO, por e-mail, que “não era um diário em que escondia os seus pensamentos e actividades, era mais uma forma de ter alguma coisa interessante para fazer todos os dias a nível intelectual e criativo”.

Durante este período, a escritora começou a escrever cartas ilustradas destinadas aos filhos dos seus amigos e cartões para vender de forma a poder ganhar algum dinheiro. Em 1883, conhecera Annie Carter, a sua nova preceptora, uma jovem culta e viajada. As duas ficaram amigas quando Annie se despediu para casar com Edwin Moore. Beatrix frequentava a casa dos Moore e enviava regularmente histórias ilustradas aos seus oito filhos.

A primeira referência a Pedro Coelho aparece aliás numa carta de 1893 dirigida a Noel Moore, o filho de cinco anos de Annie, que começava assim: “Meu querido Noel, não sei o que te escrever, por isso vou-te contar a história de quatro coelhinhos cujos nomes eram Florinda, Melinda, Rabinho-de-Algodão e Pedro.” Baseado no dócil coelho de estimação de Beatrix, Peter Piper, Pedro Coelho foi rejeitado por seis editoras. Determinada, a escritora publicou o conto de forma independente em 1901, ano em que saíram 250 exemplares distribuídos entre família e amigos. O sucesso não tardou e até Arthur Conan Doyle, autor das aventuras de Sherlock Holmes, comprou um para os filhos. Mais 200 cópias saíram até ao final desse ano.

A Frederick Warne & Co, que tinha rejeitado anteriormente a proposta, não ficou indiferente e pediu a Beatrix que refizesse a cor as ilustrações, originalmente a caneta preta. O conto foi republicado em 1902 e vendeu 50 mil exemplares no espaço de um ano, alcançando a sexta edição. “Todas as histórias [de Beatrix] começaram como cartas ilustradas, mas quando ela percebeu que havia mercado passou a fazer os desenhos a cor”, diz Linda J. Lear.

Aguarelas e palavras adultas

Foi a estreia da escritora de então 35 anos, que até ao final da sua vida viria a publicar 23 contos ilustrados. O equilíbrio entre o texto de fácil compreensão e o detalhe das aguarelas que retratam o campo, o interior das quintas e as tocas dos animais explica o êxito de Beatrix. “Ela respeitava o sentido de humor e a imaginação das crianças e não se coibia de usar palavras adultas como ‘soporífico’ e ‘afrontado’ nas suas histórias”, acrescenta a investigadora.

O trabalho de Beatrix Potter mudou para sempre a literatura infantil. A simplicidade das suas histórias e a riqueza das suas ilustrações atravessam gerações e diluem as fronteiras do mundo anglo-saxónico. Mark Brown, de 31 anos, é do País de Gales e lembra-se de passar serões no aconchego da sua cama a ler as histórias com os pais. “Tínhamos sempre os livros lá em casa e eu podia olhar para as imagens antes de saber ler bem”, diz ao PÚBLICO. Mark destaca as personagens “carismáticas e ternurentas” dos livros de Beatrix.

Jane Flanagan, de 43 anos, é da Nova Zelândia e recorda a colecção completa dos contos que havia em casa da avó. Começou a folhear as histórias antes mesmo de saber juntar as letras. “Ou alguém me lia A História do Pedro Coelho, ou eu sentava-me sozinha a ver as imagens”, conta.

A neozelandesa admite que foram as ilustrações que chamaram a sua atenção em primeiro lugar. “Através destes contos, aprendi a ler e encontrei prazer na leitura”, diz Jane, que ainda hoje convive com as histórias de Beatrix Potter. Agora é a sua mãe que tem os contos completos e, da última vez que a visitou com as sobrinhas, leu-lhes o conto de Pedro Coelho. “Foi um momento de nostalgia pela minha infância e de partilha da delas”, conta.

A inglesa Heather Nettleship, de 22 anos, também se lembra de ser apresentada ao mundo de Beatrix Potter quando era pequena. “A minha mãe costumava mostrar-me os livrinhos dela”, recorda. Segundo Heather, as ilustrações “delicadas e bonitas”, assim como as “histórias adoráveis” tornam os desenhos de Potter “intemporais”.

Isso explica que em 1980, quase quatro décadas após a sua morte, tenha surgido em York a Beatrix Potter Society (BPS), uma associação de profissionais envolvidos na curadoria do material da escritora. Linda J. Lear, membro da BPS, refere que “o objectivo é promover o estudo e a apreciação da vida e obra de Potter que, além de ter escrito 23 contos, era uma artista ligada à paisagem e à história natural, agricultora e conservacionista”.

O grupo tem cerca de 650 membros em todo o mundo, do Reino Unido aos EUA e do Japão à Austrália, que recebem trimestralmente um diário ilustrado e uma newsletter com informações sobre os eventos organizados. Uma das actividades mais importantes é o programa Reading Beatrix Potter, que incentiva a leitura das histórias da escritora nas escolas e bibliotecas locais. A iniciativa, que começou em 1998 no Reino Unido e em 2001 nos EUA, já chegou a países como França, Austrália e Canadá.

Antes de Walt Disney

Beatrix Potter era uma mulher à frente do seu tempo e a familiaridade dos pais com os negócios dotou-a de uma visão empreendedora. Assim que publicou o primeiro livro, registou a patente para um boneco de Pedro Coelho, pois achava que o merchandising seria uma boa estratégia para dar a conhecer os seus contos. “Foi um dos primeiros fenómenos da cultura popular e abriu caminho, por exemplo, a Walt Disney”, diz Vladimiro Nunes. Aos peluches, seguiram-se livros de colorir, puzzles e jogos de tabuleiro; aos poucos, a escritora construiu a sua independência financeira.

Sem nunca desobedecer à austeridade moral da época nem desrespeitar o compromisso de tomar conta dos pais, começou a investir os seus lucros numa propriedade rural do Lake District. A morte prematura de Norman Warne, de quem estava noiva, levou a que encontrasse no campo a cura para a tristeza, vindo a casar com William Heelis aos 47 anos, em 1913. Inspirada pela criação do National Trust for Places of Historic Interest or Natural Beauty, Beatrix comprou grandes terrenos para poder protegê-los do desenvolvimento da área.

Tida como uma “revolucionária alinhada”, Beatrix manifestava a sua rebeldia na forma como via o mundo, na relação afirmativa que mantinha com os seus editores – e através das suas personagens. Vladimiro Nunes dá o exemplo de Pedro Coelho, que é “medroso, mal comportado, pateta, um herói muito pouco vitoriano”.

Apesar de ser sobretudo conhecida por ter enriquecido a infância de milhares de crianças, Beatrix Potter era também uma talentosa cientista natural, com um particular interesse por arqueologia, entomologia e micologia, e que pintava também aguarelas de fósseis e fungos. Nos anos 1890, a sua habilidade para gerar esporos de uma determinada classe de fungos chamou a atenção do tio, o químico Henry Roscoe, que apresentou o trabalho de Beatrix nos Royal Botanical Gardens de Kew, arredores de Londres, e na Linnean Society, o mais antigo grupo britânico dedicado ao estudo da zoologia, da botânica e da biologia.

O seu trabalho, On the Germination of the Spores of Agaricineae, não recebeu muita atenção por ser assinado por uma mulher. No entanto, algumas das suas ilustrações ficaram no Armitt Museum and Library, em Ambleside, e ajudaram os micologistas a identificar alguns fungos. Em 1997, a Linnean Society emitiu um pedido de desculpas póstumo pelo sexismo com que tratou a sua pesquisa.

Os últimos anos da vida de Beatrix foram dedicados à conservação do património do Lake District e à melhoria de condições de vida no campo. Em 1930, começou a trabalhar directamente com o National Trust e ficou encarregue de algumas quintas, de hectares de floresta e de vários rebanhos. Decidiu que as quintas deveriam ser geridas por locais e ter obrigatoriamente rebanhos de ovelhas Herdwick, originárias da região. A conservação desta espécie em muito se deve à escritora.

A escrita continuou a ser parte da sua vida, mas a visão reduzida e o entusiasmo pela exploração pecuária determinaram que The Tale of Little Pig Robinson, publicado em 1930, fosse o seu último conto. Em 1926, tinha publicado nos Estados Unidos um livro mais longo, The Fairy Caravan, que achou demasiado autobiográfico para ser vendido em Inglaterra, o que só aconteceu nove anos após a sua morte. Entretanto, em 2014, foi descoberto o conto The Tale of Kitty-in-Boots, para o qual Beatrix só deixara, cem anos antes, uma ilustração pronta. A nova edição terá ilustrações do cartoonista inglês Quentin Blake e será publicada em Setembro.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Beatrix Potter contribuiria para o esforço de guerra assegurando comida e lã. Acabou por morrer de pneumonia e problemas cardíacos ainda antes do fim do conflito, a 22 de Dezembro de 1943, deixando 14 quintas com mais de quatro mil hectares ao National Trust.

Mais de 70 anos depois, os leitores portugueses podem finalmente folhear os seus Contos Completos. Os próximos três volumes, que contêm algumas das histórias ainda inéditas em língua portuguesa, serão publicados em Setembro, Outubro e Novembro.

Texto editado por Inês Nadais

 

 

Livro infantil que causou protestos nos EUA, sai em Portugal

Agosto 2, 2016 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia do site https://www.noticiasaominuto.com/ de 4 de julho de 2016.

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 POR Lusa

 ‘Três com Tango’, escrito por Justin Richardson e Peter Parnell, com ilustração de Henry Cole, foi publicado originalmente em 2005 e, desde então, tem sido premiado, mas também alvo de tentativas de censura por abordar questões relacionadas com a adopção por casais do mesmo sexo.

No livro, os autores transpõem a história verdadeira, ocorrida há mais de dez anos no jardim zoológico do Central Park, em Nova Iorque, onde dois pinguins do mesmo sexo fizeram um ninho e tentaram chocar uma pedra. O tratador dos animais colocou um ovo no lugar da pedra e os dois pinguins acabam por formar família e adotar uma cria de pinguim.

A história verídica foi amplamente noticiada pela imprensa americana e chamou a atenção de Justin Richardson, psiquiatra, e do marido, Peter Parnell, dramaturgo, que decidiram depois escrever um pequeno conto para crianças.

Por fazer referência à homossexualidade e à constituição de uma família por casais do mesmo sexo, “Três com Tango” foi alvo nos Estados Unidos de mais de 500 queixas para que fosse retirado ou banido das bibliotecas escolares ou locais.

Na altura, a Associação de Bibliotecas dos Estados Unidos admitiu que mais nenhum outro livro para crianças teve tantas queixas como este nos Estados Unidos. Ainda assim, a associação distinguiu-o como um dos melhores livros de 2006.

Por imprimir valores sobre tolerância, respeito, individualidade e direito à constituição de família, ‘Três com Tango’ somou vários outros prémios nos Estados Unidos.

Com tradução de Gabriela Rocha Alves, ‘Três com Tango’ é editado em Portugal pela Kalandraka e recomendado para crianças a partir dos quatro anos.

mais informações sobre o livro no link:

http://www.kalandraka.com/pt/colecoes/nome-da-colecao/detalhe-do-livro/ver/con-tango-son-tres-4/

Memórias de um Lobo Mau – livro infantil de José Fanha e com ilustrações de Mafalda Milhões

Julho 26, 2016 às 8:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Quem disse que o Lobo Mau das histórias dos contos de fadas sempre foi mau? Não terá apenas ganhado fama? Pela mão do conhecido autor português José Fanha e com ilustrações de Mafalda Milhões, o Lobo Mau vem contar a sua aventura e desmistificar a ideia de que ele sempre foi um dos vilões mais terríveis das histórias de encantar. 

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Era uma vez um Lobo Mau… mesmo muito, muito mau!

Mas será que foi sempre assim?

Não contes este segredo a ninguém, mas a verdade é que o Lobo Mau dos contos de fadas nem sempre foi um dos vilões mais terríveis.

Houve tempos em que era apenas um lobo pequenote, cheio de sonhos, ambições e esperanças. O que ele queria mesmo era viajar pelo mundo e escrever a sua própria história. Mas a vida não está fácil para os lobos!

Não acreditas?

De aventura em aventura, entre episódios hilariantes, e outros aterradores, fica a saber toda a verdade sobre as origens do Lobo Mau, reveladas em primeira mão pelo próprio.

GRRRRRRRAAAAAAAUUUUU!

JoséFanha nasceu em Lisboa, frequentou o Colégio Militar e licenciou-se em arquitetura. Poeta e declamador, participou em milhares de sessões de animação cultural, acompanhando o grupo dos chamados badaleiros, juntamente com José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Francisco Fanhais, Manuel Freire, José Jorge Letria, Carlos Alberto Moniz, Fausto, entre outros. É autor de histórias e poesia para a infância, dramaturgo, autor de letras para canções e textos para rádio, guionista de televisão e cinema. Tem dirigido oficinas de poesia e de escrita além de desenvolver trabalho intenso de divulgação de poesia e promoção do livro e da leitura em bibliotecas e escolas um pouco por todo o país. Este é o segundo livro do autor na Booksmile, Era Uma Vez Eu, saiu em 2015.

MafaldaMilhões dedica-se à ilustração, mas também é editora, livreira,  curadora, autora e mediadora de leitura. Formou-se em Artes Gráficas em Tomar, é discípula de Gutemberg e uma das impulsionadoras do projeto editorial O Bichinho de Conto, agora sediado em Óbidos. A ilustração de Mafalda Milhões expressa bem as suas ideias e personalidade. É uma ilustradora de causas. A sua obra conta com várias distinções. Em 2014 foi galardoada em Espanha com o Gourmand Award na categoria Best Illustrations CookBook com o livro Maruxa (OQO, 2014). As suas imagens são de quem mastiga palavras e lê o mundo. Para ela, ler também é ouvir, ser, estar e sentir. A Mafalda gosta de se perder pelo bosque, levar doces à avó e desenhar capuchinhos vermelhos!

 mais informações no link:

http://booksmile.pt/

 

 

O que as crianças aprendem com as histórias infantis?

Junho 19, 2016 às 1:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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texto do blog http://www.alfaebeto.org.br/blog

O estudo citado no texto é o seguinte:

Learning to Learn From Stories: Children’s Developing Sensitivity to the Causal Structure of Fictional Worlds

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Por: Instituto Alfa e Beto

Como uma criança entende que a lagarta pode se transformar em borboleta, mas que um sapo não pode virar um príncipe encantado de verdade? De acordo com uma pesquisa publicada no início deste ano, no periódico científico Child Development, essa capacidade começa a se desenvolver bem cedo, por volta dos 3 anos de idade, e está ligada à leitura realizada em casa e na Educação Infantil. Segundo o estudo, os pequenos conseguem entender a diferença entre o que é real e o que é fantasia e conseguem, ainda, aprender informações das histórias para usar em sua vida cotidiana antes mesmo de entrar na escola.

O estudo assinado pelas pesquisadoras Caren M. Walker, Alison Gopnik (Universidade da California, Berkeley) e Patricia A. Ganea (Universidade de Toronto) mostra que a ficção oferece importantes oportunidades para as crianças aprenderem informações que elas não podem experimentar diretamente – especialmente no que diz respeito a fenômenos não observáveis.

As histórias nos ajudam, desde muito cedo, a compreender o mundo que nos cerca. Quando os adultos leem uma ficção, o cérebro realiza um duplo esforço, que é chamado pelas pesquisadoras de “dilema do leitor”: ele tenta separar a histórias em partes para isolar os conhecimentos que pertencem ao mundo real das informações falsas, mas, ao mesmo tempo, tenta incorporar os conteúdos da história para aplicar no mundo real. O mais interessante é saber que esse movimento cerebral complexo começa antes da alfabetização.

No entanto, a ficção infantil varia consideravelmente: muitas histórias são descrições realistas do mundo, enquanto outras são altamente irreais e fantásticas. Como resultado, aprender com histórias representa um desafio único para as crianças em desenvolvimento. Conforme elas vão envelhecendo, explica a pesquisa, essa diferenciação vai aumentando e elas vão ficando mais capazes de usar informações das histórias em suas vidas. Essa capacidade se desenvolve significativamente na Primeira Infância (primeiros 6 anos de vida), assim como aumenta a capacidade de distinguir entre eventos possíveis e eventos impossíveis.

A pesquisa mostra ainda que quanto maior a semelhança entre a imagem mostrada em um livro infantil e um objeto real, mais simples é para a criança distinguir entre os dois. Assim, elas são menos propensas a transferir informações para suas vidas a partir de livros de histórias fantasiosas, com representações que atribuem características humanas e estados mentais a personagens animais, por exemplo, do que fazê-lo com histórias mais realistas. Para elas é mais fácil absorver conteúdos de histórias que representam situações plausíveis do que de histórias em que pessoas voam ou árvores falam, por exemplo.

Embora os resultados demonstrem que os contextos realistas facilitam a absorção de informações, não se pode dizer, de modo algum, que a ficção fantasiosa é prejudicial para o desenvolvimento infantil. Pelo contrário. Pesquisas comprovam que a fantasia pode melhorar o desempenho das crianças em tarefas cognitivas, como avanços no raciocínio dedutivo, na lógica e nas habilidades linguísticas e de narrativa. Ou seja, todos os livros trazem benefícios para as crianças e contribuem e muito para o seu desenvolvimento.

Agora que você já sabe como as crianças assimilam as histórias e por que elas são importantes para o desenvolvimento infantil, que tal organizar uma rotina de leitura na Educação Infantil e em casa? A seguir, indicamos alguns livros, divididos por idade. São recomendações extraídas do nosso Guia IAB de Leitura, com referências de 600 livros que toda criança deve ler antes de entrar para a escola. Neste livro on-line você poderá encontrar muitas outras sugestões, não deixe de conferir. Boas histórias não vão faltar!

0 a 1 ano

  • A casa dos beijinhos, Claudia Bielinsky, Ed. Companhia das Letrinhas
  • Carneirinho, carneirão, Marie-Hélèbe Grégoire, Ed. Salamandra
  • Zoom, Istvan Banyai, Ed.Brinque-Book

A partir de 1 ano

  • A girafa que cocoricava, Keith Faulkner, Ed. Companhia das Letrinhas
  • As coisas que eu gosto, Ruth Rocha e Doa Lorch, Ed. Salamandra
  • Filó e Marieta, Eva Furnari, Ed. Paulinas

A partir de 2 anos

  • A borboleta, Taisa Borges, Ed. Peirópolis
  • A caixa de lápis de cor, Maurício Veneza, Ed. Positivo
  • Chapeuzinho Vermelho, Charles Perrault, Ed. Companhia das Letrinhas

 A partir de 3 anos

  • A fantástica máquina dos bichos, Rith Rocha, Ed. Salamandra
  • 12 fábulas de Esopo, Hans Gärtner, Ed. Ática
  • Alice no país da poesia, Elias José, Ed. Peirópolis

 A partir de 4 anos

  • A árvore que dava sorvete, Sérgio Capparelli, Ed. Projeto
  • A centopeia que pensava, Herbert de Souza, Ed. Salamandra
  • O menino que vendia palavras, Ignácio de Loyola Brandão, Ed. Objetiva

A partir de 5 anos

  • A guerra dos bichos, Luiz Carlso Albuquerque, Ed. Brinque-Book
  • O menino, o cofrinho e a vovó, Cora Coralina, Ed. Global
  • Coleção Érico Veríssimo, Érico Veríssimo com ilustração de Eva Funari, Ed. Companhia das Letrinhas

 

 

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