Leitores de berço: um guia nada definitivo de como ler para bebês

Junho 7, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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iStock/Arte Lunetas Bebês experimentam o mundo com as mãos, a boca e o corpo todo. O objeto livro faz parte daquilo que ele vai ler.

Texto do site Lunetas de 26 de fevereiro de 2019.

por Renata Penzani

Ler é sempre um ato de poder“. A afirmação é do escritor argentino Alberto Manguel. Quando imaginamos um leitor adulto, fica fácil compreender o que ela significa: a potência do conhecimento para ampliar repertórios e transformar a noção de si mesmo e do ambiente; o poder, aqui, aparece no sentido de potência, de possibilidade para questionar e subverter o mundo como ele se apresenta.

Mas e quanto às crianças? E os bebês? O que a leitura representa na primeiríssima infância? No período que vai do zero até os três anos, quais experiências um livro pode oferecer?

O que ler para bebês e por que ler para bebês são assuntos que aparecem com frequência aqui no Lunetas. Mas, afinal, como ler para bebês? Como ganhar sua atenção com livros, dentre tantos estímulos que o mundo oferece? Mas e se o bebê morder, babar e estragar o livro? Considerando que estas são perguntas que chegam com frequência dos nossos leitores, e a pedido deles, convidamos especialistas no assunto leitura e primeiríssima infância para refletir sobre o assunto.

Conversamos com Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura, que gerencia a Biblioteca Villa-Lobos e a Biblioteca de São Paulo.

Entrevistamos também a pesquisadora e professora Cássia Bittens, psicóloga especialista em psicanálise, autora do projeto Literatura de Berço, que desenvolve conteúdos, vivências e formações relacionadas ao universo literário na primeira infância.

A ideia, aqui, não é esgotar o assunto nem apontar receitas prontas, e sim assumir a sua complexidade, pensar junto sobre as questões que o tema contempla, e sugerir caminhos de como começar a trilhar um caminho de livros desde o berço.

O que é ler para bebês?

Essa pergunta talvez seja o único ponto de partida possível. Antes de pensar sobre a importância da leitura para qualquer público, e sobretudo para os bebês, é bem-vindo pensar primeiro no que é ler, afinal.

Quando falamos em leitura, ultrapassamos a ideia de apreender códigos e interpretar uma linguagem. Ler é também ler o mundo, as pessoas, o círculo social onde vivemos e a sociedade como um todo. Ou seja, leitura também se refere ao entendimento de um código social, cultural e histórico. Partindo desse princípio, chegamos à importância da leitura na primeira infância.

“Existe o código escrito e sua apreensão, mas também outras leituras. Por exemplo, a leitura de imagens. A criança muito pequena está atenta ao mundo e já consegue ler imagens. A primeira imagem que ela lê são os olhos da mãe, depois o rosto, e vai ampliando o escopo de percepção”, defende Cássia.

Por que ler para os bebês, se eles não estão alfabetizados e não podem ainda interpretar palavras e imagens? Essa é uma pergunta que muitos adultos costumam se fazer. Por que, então, estimular o contato com a literatura neste primeiro período da vida?

Essa questão realmente é a chamada pergunta de 1 milhão de dólares. A constatação da qual a gente parte é que crianças que, na primeira infância, são colocadas em contato com narrativas, músicas, sons estimulantes e não redundantes, tendem a ser crianças mais curiosas, interessadas e felizes”, diz Pierre.

Além disso, vale a pena considerar também que bebês são pesquisadores e, até os dois anos principalmente, experimentam o mundo com os cinco sentidos. Por isso, eles leem com o corpo todo – as mãos, a boca, o nariz e os ouvidos. Os livros serão, então, parte desse processo de investigação do mundo. Para a pesquisadora Denise Guilherme, do nosso parceiro A Taba, os primeiros livros dos bebês são o corpo, o rosto e a voz de seus pais – leia mais sobre isso.

Outra questão diretamente relacionada ao porquê da leitura para bebês e crianças é o envolvimento dos pais em torno das suas próprias histórias que transmitem, criando um momento de qualidade dentro das famílias que certamente determinam um convívio mais feliz com as crianças.

Então, podemos pensar que a literatura na infância é mais a construção de uma relação afetiva entre a criança e quem lê com ela do que aprendizado ou apreensão de linguagens do livro? De acordo com os especialistas em desenvolvimento infantil, sim.

A leitura como vínculo

Desde 2016, a Biblioteca Villa-Lobos oferece todos os finais de semana um momento de mediação de leitura com bebês. É o Lê no Ninho. O objetivo do projeto é oferecer a oportunidade de adultos e crianças se encontrarem a partir da leitura, sem o intuito de ensinar a ler, e sim de estimular o encanto pela potência da leitura como construtora de vínculos. “Não existe um pressuposto no Lê no Ninho de que a gente vá ensinar coisas, e sim oferecer oportunidades de contato”, explica o diretor.

O programa foi criado com a proposta de estimular o gosto pela leitura entre crianças de seis meses a quatro anos, e se baseia em quatro pilares principais: cultura leitora, vínculos afetivos, conteúdo adequado e atitudes inspiradoras.

“O que não nos interessa quando se fala em ler para bebês? Antecipar a alfabetização, fixação de códigos. Acreditamos que há um momento para isso. Ler para bebês para nós é uma oportunidade de criar um momento de qualidade entre cuidadores e crianças em torno das histórias da comunidade, da cultura e da linguagem”, explica Pierre.

“Crianças de seis meses e de quatro anos também se relacionam com o legado cultural. Por isso, não nos centramos somente na leitura literária. A criança não faz essa distinção, mas ela percebe e se relaciona com a cultura da sociedade”, diz Ruprecht.

Lê no Ninho
Famílias e bebês leem juntos no projeto Lê no Ninho, realizado na Biblioteca Villa-Lobos.

Assista ao vídeo do Lê no Ninho:

Literatura como arte afetiva

Lendo para bebês, favorecemos um processo poético. É o que Cássia Bittens defende e pratica em seu trabalho. Além da clínica em consultório, ela atua como pesquisadora na área de leitura e infância no curso de mestrado em Literatura e Crítica Literária na PUC de São Paulo.

É desse cuidado com o que significa apresentar os códigos – escritos e falados, mas também gesticulados, ouvidos e sentidos – de uma cultura que vem uma defesa constante do valor da literatura como arte.

“Antes de a gente aprender a falar, aprendemos (e apreendemos) o som das palavras. E isso a poesia traz, que a é palavra de forma sonora. A música da palavra. E o bebê primeiro apreende essa música, para depois atribuir um significado”, explica.

Cássia reforça também o lugar da leitura como espaço de segurança emocional para o bebê. Quando leem com e para o bebê, os pais e cuidadores transmitem uma mensagem de disponibilidade e afeto que ultrapassa – e muito – os limites do livro, defende a pesquisadora.

“A música da palavra traz conforto, psiquicamente falando. Além de ter os braços, que aninham e representam o ‘holding materno’, segundo Whinnicot”, explica Cássia, referindo aos estudos de Donald Woods Winnicott, pediatra e psicanalista inglês que pesquisou a relação entre a função materna e o desenvolvimento do bebê.

De acordo com a Psicanálise, a função materna é aquela que aninha e dá colo, preparando as bases emocionais da criança. Já a função paterna representa a ampliação de mundo da criança, que passa do colo para o ambiente externo, expondo-se a riscos e novas experiências. Essas não precisam ser necessariamente funções fechadas em uma única figura – pai, mãe, avó, avô ou qualquer outro cuidador podem exercê-las.

Considerando quais são os receios e inseguranças mais comuns dos adultos quando se trata de leitura e bebês, levamos algumas perguntas frequentes dos leitores para os dois pesquisadores.

Qual a diferença entre contar uma história e ler um livro?

Pierre André Ruprecht: “Aí tem várias nuances. Estamos falando de contar histórias e de como o livro entra nisso. Aqui no Lê no Ninho, descobrimos que ele entra como objeto cultural, que é algo extremamente interessante. Trabalhar livros-imagem com crianças, por exemplo, é fascinante.

Gostamos muito de uma ideia nutrida pela Geneviève Patte, uma bibliotecária francesa que trabalhou a vida toda com crianças e leitura, que algo que deve acontecer em um projeto como esse é simplesmente oferecer livros silenciosamente, e deixar que as crianças os explorem da maneira como elas podem explorar. E aí, claro, se vamos oferecer, é claro que deve ser algo de extrema qualidade.

E ‘qualidade’ significa aí oferecer possibilidades para que as crianças possam se relacionar e criar; não tem nada a ver com didatismo, e nem ensinar comportamentos.”

Cássia Bittens: “Essa é uma questão muito preciosa. Meus estudos vêm se pautando nela. Porque existe, sim, uma diferenciação – penso que até fundante – entre ler histórias e ler livros.

Quando contamos uma história, há todo um universo emocional e cultural em torno da contação da história, porque estamos contando do seu jeito. Transmissão cultural não necessariamente está ligada à capacidade de compreensão do bebê. Pelo contrário: muito possivelmente, ela está ligada à vinculação com o bebê. Não só vinculação amorosa, mas de vida mesmo, em que o bebê fica curioso pela vida. Ele quer ouvir mais, sentir mais. O bebê está na cultura; quer ser humano e fazer parte dela. A contação de história está muito ligada à transmissão da cultura.

Por um lado, temos livros para bebês, que têm narrativas mais curtas, com rimas, repetições, cores sólidas, textos mais simples (no sentido de ter menos camadas). São textos importantíssimos porque trazem autonomia pensante para o bebê. Se o bebê só ouve o que o adulto quer, ele perde capacidade de escolha. Mas, se ele consegue ter autonomia de abrir e fechar, e entender como o livro funciona é importantíssimo pra desenvolver o processo do pensamento.

E se o bebê estragar o livro?

Pierre André Ruprecht: Para nós, essa não é uma questão. Achamos que alguns livros têm que ser lambidos. Pelo próprio cuidado que se tem com o livro no programa, a criança vai percebendo a importância daquele objeto e vai aprendendo a se relacionar com ele. Deixamos isso acontecer de modo muito natural.

Quando falamos de qualidade, ela vai até aí. Qualidade de conteúdo, de forma e também do ponto de vista do uso que vai ser dado. Então, faz parte do processo, não é um desvio e nem pode ser um obstáculo. Isso faz com que o bebê consiga no futuro desenvolver sua capacidade de interpretação autônoma.

Cássia Bittens: Se um livro estimula o leitor a ser ativo naquela leitura, ele provavelmente vai ser mais resistente, porque o design faz parte da narrativa. Quando estamos na outra parte da linha, que é a contação de histórias, são capas menos resistentes, materiais mais finos, etc, o que realmente deixa os adultos preocupados. Então, se for um livro muito precioso para os pais, não é para estar no acesso da criança, que com o tempo vai entender o significado do livro, e que livro não é brinquedo. Agora, existem os livros próprios para bebês aos quais eles podem ter acesso dia e noite.

Qual o maior desafio de ler para um bebê?

 

Pierre Ruprecht: Ficamos muito ansiosos com a atenção do bebê, mas não é necessário que ele esteja prestando atenção a todo momento. A atenção do bebê é a escolha que ele faz a partir do que é oferecido a ele. Por isso, a gente insiste muito nisso: a oferta tem que ter muita qualidade. E deve ser uma oferta calma, no sentido de que não se deve construir um ambiente excessivamente estimulante, com muito ruído, por exemplo.

Estamos ali para oferecer experiências e as condições para que elas aconteçam de um jeito tranquilo, saboroso e surpreendente. Tanto é que, no final da mediação, as famílias que participam levam para casa um kit de leitura, com livros, fantoches e brinquedos para que a experiência possa ser reproduzida em casa.

Temos como missão alcançar não só a criança, mas os pais. Queremos mostrar aos adultos que ler, se envolver com jogos de palavras, histórias, parlendas e afins é uma experiência rica que traz muita felicidade, boas possibilidades para o futuro e que pode ser reproduzida todos os dias. O kit existe para isso.

Cássia Bittens: “Eu penso que o maior desafio é ser respeitoso com o bebê. Muitos parecem que não estão focados, mas estão ali e aqui ao mesmo tempo. Então, é preciso estar entregue ao bebê no momento da leitura. Tem algumas dicas: rimas e repetições sempre funcionam. Quando contamos uma história, o literário é apreendido pelo bebê por meio do corpo. Se o livro provoca pela sonoridade, ele vai se transformar naquele personagem, esse é o principio da alteridade.”

Quer montar a primeira biblioteca do bebê? Inspire-se:

Resumo

“Como ler para bebês, se eles não ainda interpretam letras e imagens?”. Conversamos com especialistas em leitura e primeira infância para pensar a leitura como ampliação de repertório e construção de vínculos emocionais seguros.

 

 

 

Apresentação do livro ” A Escola e os Cravos” da autoria de Luísa Lobão Moniz, 4 maio na Casa da Cultura dos Olivais

Maio 2, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Eu e o meu Medo – livro infantil sobre a temática das migrações e dos refugiados

Abril 17, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Quando uma menina muda de país e entra para uma escola nova, o seu medo tenta convencê-la a ficar sozinha e assustada.

«Ainda não consigo perceber tudo, mas comecei a reparar que os outros também têm os seus medos…» 

Francesca Sanna, autora do aclamado A Viagem (ed. Fábula, 2018), regressa à temática das migrações e dos refugiados, de forma subtil e delicada.

Eu e o Meu Medo (Ed. Fábula | 40 pp. | 13,99€) é um maravilhoso álbum ilustrado que nos mostra como podemos encontrar amizade e conforto na partilha dos nossos medos. A Fábula disponibiliza as primeiras páginas para leitura aqui.

Dia Internacional do Livro Infantil – 2 de abril

Abril 2, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/noticiasEventos/Paginas/DIA-INTERNACIONAL-DO-LIVRO-INFANTIL-2019.aspx

Por que as crianças precisam conhecer bruxas, duendes e fadas? 10 livros infantis para entender a importância dos contos de fadas

Março 15, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do blog Clube Quindim de 27 de fevereiro de 2019.

Os seres mágicos acompanham a humanidade muito antes da escrita. Mas, para a infância, eles ganharam mais relevância no formato que chamamos de contos de fadas ou contos maravilhosos. Os contos de fadas possuem raízes históricas e são narrativas estruturadas como um sonho: uma linguagem condensada e carregada de simbolismos. Nem todo conto de fada tem a presença da fada, mas todos têm um ser ou elemento mágico. Portanto, é importante que o adulto compreenda que personagens como bruxas, duendes, fadas, unicórnios e sereias representam muito mais que uma leitura simplista ou um olhar ligado à figura estereotipada e difundida no popular.

A psicanalista e escritora Ninfa Parreiras, curadora do Clube Quindim, em seu livro Confusão de línguas na Literatura: o que o adulto escreve, a criança lê (editora RHJ), traz diversos exemplos:

“A casa de doces da bruxa da história de João e Maria, dos irmãos Grimm, pode representar o mundo novo, a voracidade, a fome, a saciação da fome. Pode ser ainda o encantamento, a falsidade, a beleza, a sedução, a aparência, a oralidade da criança, a ganâcia, o excesso.”

Ou seja, João e Maria é uma história que aborda temas fundamentais para o desenvolvimento infantil e humano, tanto na época em que foi escrita como nos dias de hoje.

Os contos de fadas e os seres que nele habitam sobreviveram ao longo dos séculos porque estão ligados à essência do ser humano. Trazem sentimentos que pertencem às crianças desde os seus primeiros dias de vida, como amor, ciúme, medo, abandono, perda. A força do conto de fadas está nesse encontro entre o real e o imaginário.

Contos de fadas seriam histórias muito assustadoras para crianças?

O adulto se equivoca ao evitar que a criança tenha contato com histórias de bruxas e monstros para que ela não vivencie o medo. Para o psiquiatra e escritor Celso Gutfreind, “o medo tem uma função importante nos contos, representando uma emoção fundamental para toda a vida do ser humano e constituindo-se em um fator de proteção durante a infância. Aprender a lidar com ele é um desafio para a criança. Entretanto, as possibilidades de representação de situações assustadoras parecem ser um dos atrativos em um conto infantil” (Contos e desenvolvimento psíquico, Editora Viver, Mente & Cérebro).

A presença de “seres mágicos” pode despertar uma porção de sentimentos, tornando-se tanto um modelo de coragem como de medo. Ao contrário do que acontece em muitas (más) adaptações, um personagem pode representar coisas boas e ruins ao mesmo tempo, não precisando seguir o caminho dos maniqueísmos, do bem contra o mal.

Um ser mágico pode fazer maldades para proporcionar o crescimento pessoal do herói, dando-lhe a possibilidade de reflexão e superação, como no conto “A Bela e a Fera”, em que uma fada malvada condenou o príncipe a viver sob forma animal até que a moça tivesse coragem e consentisse em se casar com ele, redimindo-o do feitiço. Um outro exemplo é na própria história de João e Maria em que o encontro com a bruxa contribui para evidenciar a esperteza e a inteligência dos personagens.

Encontramos na literatura infantil e juvenil histórias com seres mágicos escritas por importantes autores do mundo e do Brasil. Autores que se dedicaram e se preocuparam com o desenvolvimento da criança e da construção do seu imaginário. Provavelmente a atual geração de pais, tios e avós ouviram ou leram histórias com bruxas, duendes, fadas, ogros, centauros desses escritores. Então, antes de descartar dar acesso a esses livros pergunte a sua memória afetiva o quanto você se divertiu e o quão foi importante conhecer algumas dessas histórias.

No livro A psicanálise dos contos de fadas (Editora Paz e Terra), o psicólogo Brunno Bettelheim afirma que “dentro da literatura infantil, nada pode ser tão enriquecedor e satisfatório, tanto para crianças como para adultos, do que os contos de fadas folclóricos. Eles ensinam pouco sobre condições específicas da vida contemporânea, mas através deles pode-se aprender muito sobre os problemas interiores dos seres humanos.”

A seguir, o Clube de Leitura Quindim selecionou 10 contos de fadas que já foram entregues aos nossos assinantes e ajudam a entender a importância desses seres mágicos para a infância.

Continuar a ler no link:

https://blog.clubequindim.com.br/por-que-criancas-precisam-conhecer-bruxas-e-contos-de-fadas/?fbclid=IwAR3G71UpUpGzPilcKatBjCMAv7gg1O_xG9tyM37mucXxAUr1TlOvJ8lTl48

 

 

Exposição “Comemorar Maria Cecília Correia” 18 outubro, 18:00 horas, na Biblioteca da Junta de Freguesia da Estrela

Outubro 12, 2018 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto de apresentação da Exposição MCC

Como levar o seu filho a gostar de ler

Junho 11, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do Notícias Magazine de 1 de junho de 2018.

Os livros são uma das coisas boas da vida, mas hoje têm muita concorrência. É pena que não exista uma receita mágica que faça as crianças interessar-se pela leitura. Não há receitas mágicas, mas há formas de fazer os miúdos gostarem de ler.

«O papel da leitura no desenvolvimento das crianças é fundamental, porque é uma boa forma de transmitir conhecimento», disse à Buena Vida a psicóloga educacional do centro Aprendert, Cármen Marco, explicando que é necessário garantir que as crianças leiam, mas que leiam bem, porque «se na fase de aprendizagem houver alguma falha, a longo prazo, a criança vai rejeitar a leitura.»

Brincar com as palavras através das imagens pode ser o primeiro passo para os mais pequenos começarem a gostar de ler. «O texto ilustrado permite-lhes associar as ideias de uma forma dinâmica e divertida, mesmo que não percebam o que está escrito», explica Cármen. Os livros que têm jogos lúdicos demonstram que é possível as crianças brincarem com as palavras através de formas muito simples.

«Uma criança de oito anos, que adora futebol mas não gosta de ler, nunca vai abrir um romance com muito texto», afirma Elisa Yuste, especialista em literatura infantil. «Nestes casos, o meu conselho é que os pais comprem livros sobre desporto, que tenham muitas imagens», esclarece.

Segundo a psicóloga, é importante que a prática de ler seja um exercício feito em família, para que a criança comece a incorporá-la nas suas rotinas. É tudo uma questão de hábito. O objetivo não é que as crianças se tornem verdadeiras devoradoras de livros, mas sim que se interessem pela leitura, da mesma forma que se agarram às séries que passam na televisão.

De acordo com uma pesquisa realizada pela maior editora infantil do mundo, a Scholastic, 2500 famílias com crianças entre os 6 e os 17 anos, são leitores regulares e têm nas suas estantes cerca de 205 volumes de livros.

«As crianças observam a rotina diária dos pais, sem pensarem muito no assunto.» O mesmo acontece com a leitura. Os familiares têm um papel muito importante na vida dos mais pequenos, pois são vistos com um modelo de exemplo a seguir.

A especialista em literatura infantil recomenda que os mais jovens tenham uma estante para os seus próprios livros no quarto ou na sala, pois é essencial que eles se familiarizem com o objeto. Já para os adolescentes partilhar a estante com os adultos pode funcionar bem. Tudo depende do autor e do conteúdo do livro.

Uma boa forma de incentivar os jovens à leitura são as idas ao cinema, por exemplo. Pode parecer estranho, mas os espetáculos suscitam curiosidade, o que os faz querer saber mais sobre determinados assuntos.

Os livros não servem apenas para decorar as prateleiras da nossa casa. Há livros que são eternos clássicos e podem tornar os seus filhos verdadeiros fãs da leitura.

Visualizar os livros no link:

https://www.noticiasmagazine.pt/2018/levar-filho-gostar-ler/

 

 

 

V Encontro de Literatura para a Infância, 19 maio na ESELX

Maio 7, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.eselx.ipl.pt/comunidade/encontros/v-encontro-de-literatura-para-infancia/programa

“Quando se lê em criança, o cérebro cresce”, diz Carlos Fiolhais

Maio 7, 2018 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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“Devo aos livros aquilo que sou. Só me conheço a ler”, diz Carlos Fiolhais DANIEL ROCHA

 

Texto do https://www.publico.pt/ de 19 de abril de 2018.

Para assinalar dez anos de vida literária, João Manuel Ribeiro organizou as jornadas 10 de Letra. Primeiro no Porto e agora em Lisboa. Carlos Fiolhais é um dos convidados.

RITA PIMENTA

Começou a ler cedo, “ainda antes da escola”, e não tem dúvidas de que, “quando se lê em criança, o cérebro cresce, desenvolve-se, eu sou a prova disso”. Quem assim fala é o físico Carlos Fiolhais. “Devo aos livros aquilo que sou. Só me conheço a ler, foi assim que conheci mundos que não conhecia”, diz o cientista e um dos oradores das Jornadas Literárias 10 de Letra que decorrem nesta quinta-feira, em Lisboa, na Sociedade Portuguesa de Autores (a partir das 17h30). Uma conferência que comemora os dez anos de livros de João Manuel Ribeiro, autor de mais de 50 títulos e editor da Trinta por Uma Linha.

Carlos Fiolhais diz ver os livros como “uma grande invenção que pôs os cérebros a comunicar” e “que, de uma forma compacta, nos levou à revelação e ao conhecimento”. Conta ao PÚBLICO que foi para cientista porque na adolescência descobriu, em bibliotecas, livros de divulgação científica: “O meu cérebro escolheu um caminho. Um livro é um abridor de portas. Eu descobri que o mundo é misterioso e quis ajudar a desvendar o mistério da sua formação.”

Sobre os destinatários das obras, crianças, jovens ou adultos, diz: “Os livros são de quem os apanhar, a idade é algo que nem sempre se percebe. Já escrevi a pensar que era para ser lido por adultos, mas foram os mais jovens que os preferiram.” O contrário também já lhe aconteceu.

No caso de João Manuel Ribeiro, que escreveu o primeiro livro para a infância em 2008 (Rondel de Rimas para Meninos e Meninas, ilustrado por Anabela Dias), a entrada neste segmento deu-se por acaso. Convidaram-no, num colégio com que colaborava, para escrever uma história de Natal. “Sem me dar conta da responsabilidade, escrevi um conto breve que foi do agrado dos alunos; no Natal seguinte, voltei a escrever outra história com igual aceitação. Nunca mais parei, Sem querer, contaminei-me com esta literatura e, desde então, vivo para ela, inteiramente.”

No passado, teve “participações poéticas esporádicas no Jornal de Notícias e no Diário de Notícias jovem”. Destes dez anos de letras, o que retém de mais relevante é a publicação do primeiro livro, “por ser o primeiro e abrir a porta a todos os outros, sobretudo os de poesia (ainda tão mal-amada)”; a publicação de Meu Avô, Rei de Coisa Pouca, “por ser autobiográfico e pelo imenso prazer que me deu escrevê-lo”; os encontros com os pequenos leitores, “nessa árdua mas deliciosa tarefa de ‘fazer’ leitores”, e “as recentes traduções no estrangeiro, pelo reconhecimento que proporcionam”.

“Se não tivesse conhecido os teus livros, seria mais pobre”

E quem é que pode ficar indiferente a estas frases que algumas crianças lhe foram dirigindo durante a última década? “Gostava de ter sido teu companheiro de infância”; “tu só escreves poesia, mesmo quando escreves em prosa”; “esse livro [Meu Avô, Rei de Coisa Pouca] produziu em mim um sismo interior” e “se não tivesse conhecido os teus livros, seria mais pobre”.

O autor (doutorado em Ciências da Educação, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e Mestre em Teologia, pela Universidade Católica do Porto) criou recentemente a revista de literatura infantil e juvenil A Casa do João (com o Centro UNESCO de Amarante) e tem um propósito que extravasa a literatura: “Espero, luto e trabalho (quase sempre sem o conseguir) por um mundo justo, fraterno, plural, que seja, de facto, uma casa grande, de todos e para todos.”

Com estas jornadas, deseja “ajudar a descobrir que a literatura faz bem, é uma vitamina sem a qual nos tornamos ictéricos”. Espera também “chamar a atenção para a importância da literatura infantil e juvenil na vida das crianças (e não só) e contribuir para mostrar, apesar do seu destinatário e da sua especificidade, que é literatura como a outra; não é uma literatura menor”.

Diz Fiolhais: “Escrever bem é escrever para todos.” Depois, pergunta: “Para que idade é o Principezinho, de Saint-Exupéry?” E conclui: “Um bom livro fala-nos de coisas possíveis e impossíveis. Faz-nos pensar e sonhar. No Principezinho, há desde ciência a auto-ajuda.”

Quanto mais cedo, melhor

O cientista afirma ser viciado em leitura e não conseguir viver sem livros. “Quanto mais cedo se começar, melhor. Não me fizeram mal.” Recentemente, participou num projecto de livro e CD que fala de ciência a crianças dos três aos dez anos através de poesia e canções de José Fanha e Daniel Completo: Entre Estrelas e Estrelinhas — Este Mundo Anda às Voltinhas. “Procurei que os versos contivessem a lição de interrogar, observar, demonstrar. Uma chamada à ciência.” E diz gostar de cruzamentos, não de becos. “Cruzamentos de temas, de cérebros, de autores.”

O físico ainda não sabia o que iria dizer na conferência desta quinta-feira, mas tudo pode acontecer quando Carlos Fiolhais se entusiasma. A conversa com o PÚBLICO terminou na seguinte reflexão: “Por que seria que andavam de mão em mão as pombinhas da Catrina?”

As jornadas abrem com o psicólogo Eduardo Sá e a comunicação “As crianças e a leitura”. Segue-se um painel que reúne ainda os autores de literatura para a infância e juventude Luísa Ducla Soares e José Jorge Letria, sob o mote “A literatura, o indispensável supérfluo” e moderado por Helena Gatinho.

A encerrar, o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores apresentará o livro Os Direitos das Crianças — Antologia Poética, que reúne poemas de cerca de 20 autores portugueses, espanhóis e brasileiros, como João Pedro Mésseder, José António Franco, Emiliana Carvalho (Brasil) António Garcia Teijeiro e Alfredo Ferreiro (Espanha).

 

 

Porque é que as crianças pedem sempre a mesma história na hora de dormir?

Abril 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 9 de abril de 2018.

A psicóloga Clementina Almeida acredita que esse pedido está relacionado com uma necessidade de rotina. “A rotina dá-lhes uma sensação de previsibilidade. Não é por acaso que eles pedem para ler aquela história outra vez e outra vez e é sempre a mesma – porque isso lhes dá segurança”, explica a psicóloga clínica.

Clementina Almeida explica que a previsibilidade, o saberem o que vem a seguir, ajuda as crianças a acalmarem-se e os momentos que antecedem a hora de dormir são muito importantes.

Para Clementina Almeida, não interessa qual é a rotina (porque cada família é uma família), o que importa é que ela exista.

Ouvir a psicóloga Clementina Almeida no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/interior/porque-e-que-as-criancas-pedem-sempre-a-mesma-historia-na-hora-de-dormir-9244306.html

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